Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Guiné Equatorial – O pavilhão do país na 61.ª Bienal de Arte de Veneza recebeu a visita do embaixador dos Estados Unidos na Itália

O embaixador dos EUA foi recebido por Chiara Modicà Dona Dallè Rose, Presidente da Fundação Dona Dallè Rose, e pelo Comissário-Geral da Secção da Guiné Equatorial, Jerónimo Nsue Asumu Nchama


O pavilhão da Guiné Equatorial na 61.ª Bienal de Arte de Veneza recebeu a visita do embaixador dos Estados Unidos na Itália, Tilman Fertitta.

Durante a visita, o diplomata conheceu em primeira mão a proposta artística e cultural apresentada pela Guiné Equatorial e destacou o valor da cultura como instrumento de projeção internacional.

Na sua deslocação, Fertitta ficou a conhecer os principais eixos conceptuais da exposição, uma proposta que destaca a diversidade cultural, o património histórico, a riqueza artística e a identidade nacional da Guiné Equatorial.

O encontro também serviu para trocar ideias sobre o papel da cultura como veículo para fortalecer o entendimento, o diálogo intercultural e a cooperação entre os povos.

Como parte de seu roteiro, Tilman Fertitta também visitou a coleção histórica do Palazzo Dona Dallè Rose, que abriga o pavilhão da Guiné Equatorial. O edifício guarda um património que abrange mais de três séculos de história familiar e é um dos locais culturais mais representativos de Veneza.

No final da visita, o embaixador expressou o seu apreço pela qualidade da proposta apresentada pela Guiné Equatorial e valorizou positivamente a presença do país num dos eventos artísticos mais importantes do mundo. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


domingo, 7 de dezembro de 2025

Argentina - Galeria De Sousa mantém viva herança de raízes portuguesas em Buenos Aires

Pablo de Sousa é designer gráfico e filho de Aldo de Sousa, lusodescendente e fundador da histórica Galeria De Sousa, criada em 1972, em Buenos Aires

A história da família De Sousa tem profundas raízes portuguesas. O avô de Pablo chegou à Argentina vindo de Loulé durante a Primeira Guerra Mundial, dedicando-se inicialmente ao ofício de antiquário. Mais tarde, o seu filho Aldo e a esposa estabeleceram-se em Villa Elisa. Aldo, também ele formado na arte de antiguidades, viria a orientar a sua carreira para as artes, fundando a então Galeria Aldo de Sousa.

Após passar por vários espaços ao longo das décadas, a galeria encontra-se atualmente instalada entre as ruas Paraguay e Maipú, numa zona emblemática da cidade conhecida como a “manzana loca” (quarteirão louco, em português). Este quarteirão ganhou esse nome por, há várias décadas, ter sido ponto de passagem e trabalho de figuras como Marta Minujín e Jorge Luis Borges, ícones da cultura argentina.

Atualmente, é Pablo de Sousa quem dá continuidade a este legado familiar. Há cerca de um ano e meio, a galeria está instalada no espaço da Paraguay 675, uma área com cerca de 500 metros quadrados, distribuída por três pisos. O espaço está aberto de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 18h00 (hora local).

Antes de entrarem na zona expositiva, os visitantes encontram uma loja da galeria, onde é possível adquirir peças de vários artistas. Está igualmente prevista, para breve, a abertura de um espaço de cafetaria, que permitirá ao público desfrutar da visita num ambiente ainda mais acolhedor.

De acordo com a informação patente no sítio da galeria, “o projeto concentra-se em reunir artistas de diferentes gerações e origens para forjar uma ligação intemporal através da sua arte. A galeria presta consultoria a coleções e museus internacionais, promovendo uma plataforma para a visibilidade global ao exportar o seu trabalho para países como os Estados Unidos, Canadá, Espanha, Brasil, Colômbia, Peru, Chile, Venezuela, Porto Rico e Uruguai.”.

A embaixada de Portugal na Argentina visitou recentemente a galeria e deu conta dessa iniciativa através de uma publicação feitas nas redes sociais. Veja aqui, o vídeo da visita e consulte aqui as exposições que pode apreciar neste espaço. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


sábado, 26 de abril de 2025

França - Paris acolhe “Irreversible”, a nova exposição de Bordalo II

O artista português Bordalo II vai inaugurar em Paris, no dia 24 de maio, a exposição “Irreversible”, um verdadeiro manifesto visual contra os excessos e a destruição provocada pela sociedade atual. A mostra, com entrada gratuita na galeria Mathgoth, apresenta uma nova série de obras intitulada “Provocs”, onde o artista continua a sua missão de provocar reflexão através da arte feita com desperdícios



Nesta nova coleção, Bordalo II dá nova vida a objetos do quotidiano e elementos urbanos, transformando-os em peças que questionam os protagonistas da sociedade contemporânea e as suas contradições. Com o seu estilo característico e recurso a materiais reutilizados, o artista propõe uma leitura crítica e original do mundo que nos rodeia.

Os objetos utilizados por Bordalo II na criação das peças desta série, “normalmente encontrados no espaço público”, “serão deslocados para um ambiente neutro, onde ganharão novos significados”.

“Através deste ato de descontextualização, o artista convida os visitantes a questionarem os seus próprios pensamentos, comportamentos sociais e perceções sobre o ambiente urbano e o seu papel na sociedade”, lê-se no comunicado.

“Irreversible” inclui também retratos de animais, que Bordalo II cria a partir de resíduos plásticos, “simbolizando as consequências desastrosas da globalização sobre a biodiversidade”.

A mostra irá ocupar “um espaço bruto e não convencional de 300 metros quadrados no 13º bairro de Paris, na galeria Mathgoth”.

Artur Bordalo (Bordalo II – o primeiro era o avô, o artista plástico Real Bordalo, que morreu em junho de 2017, aos 91 anos), nascido em Lisboa, em 1987, começou pelo ‘graffiti’, que o preparou para o trabalho pelo qual se tornou conhecido: esculturas feitas a partir de recurso a lixo e desperdícios.

Nos últimos anos tem espalhado por todo mundo “Big Trash Animals” (“Grandes Animais de Lixo”), retratos de animais feitos com aquilo que os destrói.

“Irreversible” estará patente até 28 de junho, de quinta-feira a domingo. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Macau - Exposição Show-Off 3.0 exibe colecções de arte de três personalidades portuguesas

A Associação Cultural Vila da Taipa vai receber a terceira edição da exposição “Show-Off” no Espaço de Arte da Vila de Taipa, entre 26 de Fevereiro e 30 de Abril, com entrada gratuita.



À semelhança das edições anteriores, “Show-Off 3.0” reunirá diversas peças de artes adquiridas por três coleccionadores ao longo de anos ou décadas, desta vez todos de origem portuguesa: a fundadora da Creative Macau Lúcia Lemos, o escritor Carlos Morais José e a arquitecta Rita Machado.

Segundo um comunicado da associação, a mostra propõe-se a “desvendar a natureza do coleccionismo de arte e a promover o valor cultural que o coleccionismo pode trazer à economia e aos talentos locais”, através de uma “conversa visual sobre os bens culturais de indivíduos com interesses muito específicos e muito especiais”.

Cada um dos convidados irá apresentar as obras de arte que acumulou ao longo dos anos e partilhar “as suas ideias sobre o que colecciona e o significado deste hábito”, revelando através das peças escolhidas aspectos da sua personalidade e diferenciando-se dos demais elementos do trio. O propósito deste projecto é cimentar o coleccionismo como “um bem cultural que parte de uma iniciativa individual, mas que pode também alargar o sentido de comunidade” e “fomentar a vitalidade da sociedade”.

A colecção de Lúcia Lemos, fotógrafa e artista fundadora do centro cultural Creative Macau, é composta principalmente por pinturas vibrantes e coloridas de artistas locais e estrangeiros. Já a obra artística reunida por Carlos Morais José – poeta, escritor, editor, jornalista e actual director do jornal Hoje Macau – remete, de acordo com a nota de imprensa, para “uma relação subtil e complexa entre um erudito e pedras gongshi” que, se ao olhar não treinado se afiguram como meras pedras decorativas, aos olhos do esteta tornam-se objecto de reflexão sobre “questões que transcendem a sua aparência”. Rita Machado, co-fundadora e arquitecta principal do Impromptu Projects, completa o trio com uma colecção baseada na relação com “muitos artistas locais e internacionais, com alguns dos quais estabeleceu amizades duradouras”.

A exposição “Show-Off 3.0”, lê-se no comunicado, “vem reforçar a posição da Vila da Taipa como um dos principais destinos culturais e artísticos de Macau e sublinha o seu inestimável contributo para a promoção das indústrias culturais e criativas do território”. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Portugal - Arte e Ciência "falam" sobre cancro em exposição no i3S

A exposição “O Estranho Terrível Outro” reúne obras produzidas pelo artista Agostinho Santos a partir de imagens reais obtidas por Sobrinho Simões



Patente, desde o passado dia 16 de janeiro, no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), a exposição “O Estranho Terrível Outro” resulta de um conjunto de conversas sobre cancro entre o artista Agostinho Santos e o patologista Manuel Sobrinho Simões.

Partindo do diálogo entre os dois mundos, a exposição reúne um conjunto de pinturas, desenhos e esculturas que o artista plástico produziu a partir de imagens reais de tecidos humanos obtidas por Sobrinho Simões.

“Tenho muito orgulho em ter ajudado o Agostinho a fazer isto. Eu sou da ciência pura e dura, mas ele interpretou o que lhe passei e, ao interpretar, ganhou valor. Esperamos que quem passar por aqui (no i3S) perceba que fizemos uma articulação entre a ciência e a arte a partir de uma coisa que nos dá um medo horrível, que é o cancro. Acho que é um desafio engraçadíssimo”, convida o patologista.

Com curadoria de Felícia de Sousa, a exposição “O Estranho Terrível Outro” pode ser visitada até 19 de março, entre as 9h00 e as 17h00, no átrio principal do i3S. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 18 de janeiro de 2025

Moçambique - Família de Malangatana pede ajuda para lançar um projecto para honrar o ícone da arte moçambicana

A família do Malangatana anunciou um ousado projecto para imortalizar o legado de um dos maiores artistas de Moçambique. Em 2026, ano que marcará o 90º aniversário de Malangatana Valente Ngwenya, será inaugurado o Centro de Interpretação Digital Malangatana, em Matalana, sua terra natal.



O espaço reunirá obras, arquivos e materiais históricos em formato digital, oferecendo acesso global ao vasto legado artístico do pintor, escultor, poeta e activista que marcou profundamente a cultura moçambicana e a arte africana contemporânea.

O anúncio foi feito por Mutxhini Ngwenya, filho do artista, que já iniciou a colecta do acervo que comporá o centro. Ele destacou que a iniciativa procura preservar e expandir o alcance do impacto cultural de Malangatana. “Esperamos que cidadãos de qualquer parte do mundo possam mergulhar na grandiosidade da sua obra e história”, afirmou.

A família também fez um apelo ao público e a entidades culturais para apoiar a realização do projeto, fundamental para perpetuar a memória de Malangatana, cujo talento é reconhecido em múltiplas linguagens artísticas, desde pintura, cerâmica e escultura até poesia, música e teatro.

Um Legado de Inspiração Malangatana, que começou a sua trajectória como apanha-bolas, foi incentivado ao desenho e à pintura por figuras como Augusto Cabral e Pancho Miranda Guedes. Ele realizou a sua primeira exposição em 1959 e tornou-se um nome celebrado em exposições nacionais e internacionais após a independência de Moçambique.

Além de sua carreira artística, ele desempenhou papéis políticos como deputado da Frelimo e recebeu inúmeras honrarias, como a medalha Nachingwea, o título de “Artista pela Paz” da UNESCO, e o doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Évora.

O centro promete ser um marco na preservação da arte e da história cultural de Moçambique, celebrando a vida de um homem que foi, e continua sendo, um símbolo da resistência, da criatividade e da humanidade.

A família reforça o convite para que todos participem desta jornada histórica, garantindo que o espírito de Malangatana continue a inspirar gerações. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Itália - Arqueólogos de Pompeia encontram complexo de spa privado 'único num século' ao lado de salão de banquetes

A descoberta extraordinária revela como as casas da elite romana eram muito mais do que apenas residências particulares: eram grandes palcos para arte, cultura e networking político



Arqueólogos em Pompeia descobriram um dos maiores complexos de spa privados da cidade, conectado a um luxuoso salão de banquetes no distrito Regio IX.

A descoberta notável, localizada na ínsula 10, oferece um raro vislumbre de como os romanos ricos misturavam lazer, arte e ambição política nas suas casas.

"Tudo era funcional para a encenação de um 'espetáculo', no centro do qual estava o próprio dono", ressalta o diretor de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel.

"As pinturas do estilo III com temas da Guerra de Troia, os atletas no peristilo – tudo tinha que dar aos espaços uma atmosfera de grego, isto é, de cultura, erudição e também de ociosidade."

O complexo de spa recém-descoberto compreende o clássico trio romano de salas termais - calidarium (quente), tepidarium (morno) e frigidarium (frio) - juntamente com um espaçoso apodyterium (vestiário).

Capaz de hospedar até 30 hóspedes, os banhos apresentavam um frigidarium de tirar o fôlego, a joia da coroa do complexo. Esta grande sala fria é composta por um pátio peristilo de 10 por 10 metros ao redor de uma grande piscina.

A proximidade dos banhos termais ao salão de banquetes — apelidado de "Salão Negro" pelas suas elegantes paredes pretas decoradas com temas mitológicos — ilustra o papel fundamental do banho e da refeição na vida social romana.

Zuchtriegel observa: "O público, grato e faminto, teria aplaudido com sincera admiração o show orquestrado pelo anfitrião e, depois de uma noite no seu "ginásio", teria falado sobre ele por um longo tempo."

As paredes da casa apresentam afrescos nos Segundo e Terceiro Estilos Pompeianos, incluindo temas da Guerra de Troia. Essas pinturas, junto com representações de atletas no peristilo, evocavam a sofisticação intelectual de um ginásio grego, um estilo muito popular entre a elite romana.

Outras descobertas recentes feitas em Pompeia

O opulento balneário é uma das muitas descobertas feitas na extraordinária residência.

No ano passado, o salão de banquetes preto adjacente com as suas impressionantes obras de arte clássicas foi escavado. As paredes do salão foram pintadas de preto, "para evitar que a fumaça das lâmpadas nas paredes fosse vista. Aqui, as pessoas reuniam-se para festejar depois do anoitecer, a luz bruxuleante das lâmpadas de óleo fazia as imagens parecerem-se mover, especialmente depois de algumas taças de bom vinho da Campânia", explicou Zuchtriegel.

Além disso, uma sala menor e mais íntima pintada em azul suave foi encontrada, interpretada pelos investigadores como um santuário, ou um espaço dedicado a atividades rituais e ao armazenamento de objetos sagrados. As impressionantes paredes de fundo azul são decoradas com figuras femininas representando as quatro estações e representações alegóricas da agricultura e pastorícia, de acordo com especialistas.

Além disso, adjacente a este espaço, foi feita uma descoberta trágica: os restos mortais de duas vítimas de Pompeia que foram seladas por cinzas vulcânicas e lava durante a erupção do Monte Vesúvio, prendendo-as e levando-as à morte. Euronews


domingo, 7 de abril de 2024

Argentina - Portugal convidado de honra da Feira Internacional do Livro de Buenos Aires

Para a Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, em que Portugal será o convidado de honra, a autarquia de Lisboa vai levar 37 autores. A representação portuguesa também vai ser repleta de música (6 concertos) e de cinema (10 filmes)


Desta lista de 37 autores, 22 são argentinos que vão cruzar vários tipos de artes em conversas animadas. As semelhanças e diferenças entre Lisboa e Buenos Aires, na literatura, no futebol, no humor, por exemplo, são algumas das ideias que vão estar em debate durante os dias desta feira.

Vão ser um total de 100 atividades que vão ser desenvolvidas na feira internacional que tem Lisboa como a grande convidada. De Portugal até a capital da Argentina vão viajar nomes como; Afonso Cruz, Afonso Reis Cabral, Ana Pessoa, André Letria, Bruno Vieira Amaral, Frederico Pedreira, Isabela Figueiredo, Jerónimo Pizarro, Joana Bértholo, Joana Estrela, José Luis Peixoto, Lídia Jorge, Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira, Rosa Oliveira e Yara Monteiro. «A diversidade foi um dos fatores-chave que esteve na base da escolha da programação», lembrou a curadora da participação portuguesa, Carla Quevedo.

«Esta é uma feira completamente diferente, convida cidades, e recebemos este convite já há um ano e dissemos logo que sim, era uma realidade para nós extremamente importante, porque vai ao encontro daquilo que é a nossa estratégia para a cultura e para aquilo que é a estratégia de internacionalizar a cultura da cidade de Lisboa, e esta é uma excelente oportunidade», afirmou o vereador da Cultura de Lisboa, Diogo Moura. O espaço dedicado a Lisboa terá um total de 200 metros quadrados.

A Feira do Livro da Argentina é uma das maiores do mundo e vai acontecer entre 23 de abril e 13 de maio. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 20 de março de 2024

Alemanha - Exposição de artes plásticas promove a cultura angolana

A cidade de Hamburgo, na Alemanha tem patente desde domingo, na Forta Bildungsakademie der Ärztkammer, uma exposição denominada “Angola: Arte, Cultura e Turismo”, que celebra a rica diversidade cultural e destaca o potencial turístico do país


A amostra estender-se-á até ao dia 16 de Junho deste ano, uma iniciativa do Instituto de Fomento ao Turismo (INFOTUR), em colaboração com a presidente da associação angolana "Verstehen-Compreendo Angola”, Sandra Sabrowsky.

Um destaque especial da exposição são os cestos artesanais de Angola, meticulosamente produzidos à mão, que adicionam uma dimensão tangível à riqueza cultural do país.

As obras expostas pertencem à colecção privada de Sandra Sabrowsky que apresentou e deu explicações aos visitantes que tiveram a oportunidade de apreciar o talento de pintores renomados como Álvaro Macieira, Oksana Dias e Ginga Artimista, uma verdadeira homenagem à arte angolana.

A coleccionadora em declarações, ontem, ao Jornal de Angola acrescentou que além da exposição inclui "preciosidades literárias” de escritores angolanos consagrados, como Pepetela, António Agostinho Neto e Uanhenga Xitu.

Para Sandra Sabrowsky, esta exposição não apenas encanta os amantes da arte, mas também desempenha um papel fundamental na divulgação do potencial turístico de Angola. Em sintonia com a missão do INFOTUR, disse, a exposição visa atrair o interesse dos visitantes para as maravilhas que o país tem a oferecer aos turistas estrangeiros.

A exposição, frisou, também oferece uma visão fascinante da região do Okavango, porque enquanto empresária, é uma das empreendedoras comprometidas com o desenvolvimento do turismo nessa região.

Os visitantes, detalhou, têm a oportunidade de aceder a uma resenha detalhada sobre a vila do Mucusso, no Cuando Cubango, destacando o seu potencial turístico único. A experiência da exposição, sublinhou, é enriquecida ainda mais pela exibição dos filmes da campanha "Juntos e todos pelo Turismo” e pelo hino oficial do Okavango, lançado oficialmente em 17 de Janeiro de 2024. "Essas adições proporcionam aos visitantes uma imersão completa na cultura e na paisagem do Okavango, incentivando-os a explorar essa região fascinante” revelou Sandra Sabrowsky.

A nossa interlocutora reforçou ainda que "Angola Verstehen-Compreendo Angola” pretende continuar a celebrar a arte, cultura e turismo, por fortalecer os laços entre Angola e a Alemanha, ao mesmo tempo em que inspira viajantes a embarcar numa jornada de descoberta por este país vibrante e acolhedor.

Ao concluir a conversa online disse que a exposição "Angola: Arte, Cultura e Turismo” é uma oportunidade imperdível para mergulhar na riqueza cultural de Angola e descobrir o seu potencial turístico, tradições e a riqueza do seu povo. Analtino Santos – Angola in “Jornal de Angola”


sábado, 13 de janeiro de 2024

Itália - Maria Madeira, a 1.ª artista timorense a participar na Bienal de Veneza

Maria Madeira é a primeira artista de Timor-Leste a representar o país na Bienal de Veneza e a Itália leva uma instalação sobre a luta da mulher timorense na ocupação Indonésia, durante a qual "usaram o corpo"

Para Maria Madeira, o convite para estar na Bienal de Veneza, que se realiza em abril, apoiado pelo Governo timorense, foi um "orgulho" e uma "honra", mas tem também outro significado.

"Para mim, um timorense estar na bienal demonstra que Timor-Leste já está pronto para estar no mundo internacional da arte e cultura. É um passo para a Maria, mas um 'big leap' [grande salto] para a arte e cultura de Timor-Leste", afirmou à Lusa a artista timorense.

Para Maria Madeira, o que falta em Timor-Leste não é talento, mas "pontos de referência", o conhecimento da arte no mundo, e a presença na bienal vai "abrir as portas para a futura geração de artistas timorenses".

A instalação que vai apresentar em Veneza conta a história das mulheres timorenses e da sua luta durante a ocupação indonésia, através dos símbolos, métodos e materiais da cultura timorense.

"Na bienal vou fazer uma instalação que fala do que aconteceu às mulheres timorenses durante a ocupação indonésia, as atrocidades, os abusos, a luta da mulher timorense. Os homens timorenses, os guerrilheiros, usaram as armas para lutar, a mulher usou o corpo e vou mostrar isso na bienal", explicou.

Defensora dos direitos das mulheres, a artista considerou que em Timor-Leste o papel da mulher, tradicionalmente associado ao trabalho doméstico, está a mudar.

"Temos muita força, às vezes somos o motor atrás da família e muitos não reconhecem. A situação está a mudar, porque a nova geração está a dar mais atenção às raparigas, porque estão a notar que as mulheres estão mais envolvidas com a arte, que é uma coisa pública", explicou.

"Muitos rapazes estão a ver mulheres timorenses a cantar, a pintar, a jogar futebol, no parlamento, e isso é uma coisa positiva", salientou a artista timorense.

Maria Madeira falava na Fundação Oriente onde está patente a sua última exposição "Conversa Floreada", que representa também as mulheres.

"Queria falar da conversa floreada. A mulher timorense é considerada a flor e o timorense gosta muito de conversa floreada. Faz uma pergunta em três segundos, mas faz um discurso de 10 minutos antes de fazer a pergunta", explicou a artista, salientando, com humor, que aquela conversa tem aumentado à medida que os timorenses conhecem o mundo.

Mas, a conversa floreada fala também da mulher e da ligação entre mães e filhas, irmãs e amigas.

"Mostra que as mulheres falam mais entre elas e aprendem muito mais juntas", porque "com os homens há sempre uma barreira que indica uma maneira de falar, de sentar, de estar em público", disse.

"Com raparigas há um baile, a nossa conversa floreada, floresce", sublinhou Maria Madeira.

A artista vê o futuro da arte de Timor-Leste como positivo, mas defende que é preciso meios para desenvolver e progredir o trabalho dos artistas e uma escola de artes.

"Quando se pensa na arte timorense pensa-se no tradicional, na dança, no artesanato, ninguém pensa na nossa linguagem contemporânea. Eu gosto muito de arte, gosto da minha cultura e de tudo o que é tradicional, mas estou no mundo contemporâneo e tenho de comunicar o que vejo e sinto agora", afirmou Maria Madeira e por isso usa o tradicional para comunicar com o mundo.

"Com a bienal, com mais exposições, e espero que venham mais artistas internacionais fazer exposições em Timor, as portas estão a abrir pouco, a pouco, a luz está entrar, está tudo mais visível e penso que depois da bienal vai haver um 'boom' para a arte em Timor-Leste", concluiu.

Maria Madeira foi retirada de Díli juntamente com a sua família pela Força Aérea portuguesa em 1976, durante a ocupação indonésia, e viveu durante quase oito anos num campo de refugiados da Cruz Vermelha nos subúrbios de Lisboa.

Em 1983, a família emigrou para a Austrália, país onde Maria Madeira vive e estudou artes, ciência política e tirou o doutoramento em filosofia da arte.

A artista já expôs na Austrália, Portugal, Brasil, Macau, Indonésia e Timor-Leste. In “Notícias ao Minuto” – Portugal com “Lusa”


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Macau - Festival sino-lusófono atraiu 45 mil participantes

As actividades do 5º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa contaram com cerca de 600 artistas e 45 mil participantes, segundo o Instituto Cultural


O “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa” traduziu-se num “sucesso”, considera o Instituto Cultural (IC), num balanço sobre a quinta edição desta iniciativa destinada a “intensificar o intercâmbio entre culturas”.

Complementado pelo Festival da Lusofonia, o evento apresentou, entre Outubro e Dezembro, 70 sessões de programas e actividades de extensão, divididas em sete séries, contando com a participação cerca de 600 artistas. Até agora, o Festival já atraiu cerca de 45 mil participantes, referiu o IC, recordando que o programa ainda integra uma exposição de obras de arte pública do artista português Bordalo II, patentes a partir de hoje, na Antiga Fábrica de Panchões Iec Long e nos Estaleiros Navais de Lai Chi Vun.

Só no Festival da Lusofonia, que reuniu artistas provenientes dos países e regiões de língua portuguesa e cerca de 30 grupos artísticos lusófonos de Macau, registaram-se cerca de 23 mil visitantes. Por sua vez, a Exposição de Livros Ilustrados em Chinês e Português contou com a participação de mais de 30 livrarias e editores do Interior da China, de Macau, Hong Kong, Taiwan e Portugal, levou mais de 6700 visitantes ao Auditório do Carmo, na Taipa. Já a Casa da Literatura acolhe até ao dia 29 a Exposição de Ilustração e de Livros Ilustrados em Chinês e Português “Amor nas Páginas”, no âmbito da qual foram apresentadas 50 peças (conjuntos) de ilustrações originais de nove autores (grupos) do Interior da China, Portugal e Macau, para além de palestras e workshops.

Por outro lado, o Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa apresentou cerca de 30 filmes do Interior da China, de países lusófonos e Macau. Nesta edição, teve lugar, pela primeira vez, uma sessão de exibição ao ar livre de filmes de animação numa zona histórica revitalizada, a Antiga Fábrica de Panchões Iec Long.

Outro destaque do Festival foi o “Concerto de Camané com a Orquestra Chinesa de Macau” dirigido por Yao Shenshen, maestro permanente da Orquestra Chinesa de Xangai. O fadista interpretou canções suas adaptadas a instrumentos musicais chineses, num concerto que gerou “uma resposta altamente entusiástica do público”, que inclusive motivou a adição de mais lugares.

A edição deste ano do Encontro integrou ainda um workshop de prova de vinhos, em cooperação com o Instituto de Formação Turística, espectáculos de música e dança tradicional na comunidade, a exposição “Relações”, com sete artistas do Interior da China, Portugal, Brasil, Angola e Macau, que continua patente na Galeria de Exposições e Casa de Nostalgia das Casas da Taipa até 1 de Janeiro. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Portugal – Chegámos ao limite sobre o estado da Arte e da Cultura

Dia 9 de Novembro, pelas 18 horas, protesto em frente à Assembleia da República

Queremos falar sobre as pessoas. As pessoas que criam, dançam, investigam, performam, lecionam, desenham, montam e/ou operam espetáculos, produzem, etc… pessoas que independentemente da sua função, seja na área artística ou técnica, trabalham.  Queremos falar dos impactos nas pessoas da sucessiva pobreza orçamental do Ministério da Cultura.

Os efeitos da política de reforço do orçamento, que aconteceu em 2022, para o Apoio Sustentado às Artes 2023/2026, apenas para o concurso de apoio quadrienal, tiveram efeitos desastrosos e em cadeia em toda a comunidade artística. Não só centenas de estruturas, candidatas a apoios a dois anos, ficaram com os seus projetos suspensos, a braços com despedimentos ou na iminência de fechar portas, como aconteceu o que tínhamos previsto, um efeito bola de neve. O concurso de apoio a projetos, destinado a artistas individuais ou a estruturas que não podem concorrer a outras linhas de financiamento, ficou completamente estrangulado com candidaturas não elegíveis do anterior concurso, e por seu lado centenas de candidaturas, com qualificações acima da média deste concurso, ficaram sem apoio.

E assim continuamos com a bola de neve e com o total desvirtuamento da especificidade de cada linha de apoio, obrigando as pessoas a viver sempre numa lógica de sobrevivência pura. Sobreviver, quer dizer que continuamos a viver depois de qualquer coisa ter deixado de existir. E sim, ano após ano, há qualquer coisa que foge das nossas mãos, desaparecendo a possibilidade de pensar e projetar o nosso presente e o nosso futuro.

Mesmo os projetos que receberam apoio, continuam até hoje (8 meses depois das candidaturas entregues), desenvolvendo processos de criação sem o apoio transferido para as associações, tendo alguns, inclusive, já estreado. Até hoje, foi, provavelmente, o programa que mais tempo demorou para avaliar, publicar resultados, avaliar reclamações, verificar documentos e contratualizar, emparedando o pessoal técnico da DGArtes num volume de trabalho desumano e empurrando profissionais para calendarizar processos de criação e estreias, pressupondo à partida, que o Estado não vai cumprir prazos e só vai disponibilizar os apoios, pelo menos, 5 meses depois do anunciado.

Uma política cultural não se faz em modo de sobrevivência, com profissionais da área artística e cultural a viveram sem os mínimos direitos. O que encontramos neste momento é avassalador: ausência de financiamento para a criação, equipas reduzidas à força e sem dinheiro para contratar, um muro intransponível na Rede de Teatros e Cineteatros que impossibilita a circulação de criações, fonte de financiamento nesta altura crucial, pessoas desempregadas sem direito a qualquer tipo de apoio social, pessoas abrangidas pelo EPAC do Estatuto que, ao invés de ser célere é demorado e burocrático. E como se não bastasse a gravidade de toda a situação que abrange grande parte de profissionais do setor, as pessoas também sofrem dos mesmos problemas que atingem o resto da população: falta de habitação a preços acessíveis nas grandes cidades, aumento do preço dos bens e serviços essenciais, etc, fazendo dezenas abandonarem a profissão ou viverem numa permanente angústia.

Este Ministério da Cultura faz questão de enaltecer os seus feitos, como o aumento da dotação orçamental para a reabilitação do património cultural ou o aumento de 10% do orçamento de estado para a cultura para 2024 (excluindo a RTP), fazendo as contas são mais 5 milhões, um total de 509,4 milhões para a vasta área de abrangência do MC. E deste parco orçamento não sabemos, ainda, que parte vai ser executada, pois como sabemos, entre 2018 e 2022, mais de 300 milhões nunca chegaram a ser efetivamente gastos.

Mas em que é que se traduzem estes valores e supostas “melhorias” anunciadas para o setor? Se na realidade as pessoas continuam sem vínculos profissionais, sem qualquer apoio social, num aumento de precariedade e instabilidade emocional e económica que se refletem num empobrecimento cada vez mais visível de pessoas que compõem o tecido artístico e cultural do país.

𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚́𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐞 com a má gestão do financiamento para a cultura!

𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚́𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐞 com as medidas e slogans que na prática não se concretizam!

𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚́𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐞 com o silêncio por parte do MC!

𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚́𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐞 da sobrevivência!

PROTESTO - 𝐃𝐈𝐀 𝟗 𝐃𝐄 𝐍𝐎𝐕𝐄𝐌𝐁𝐑𝐎, 𝐏𝐄𝐋𝐀𝐒 𝟏𝟖𝐇, 𝐄𝐒𝐓𝐀𝐑𝐄𝐌𝐎𝐒 𝐄𝐌 𝐔𝐍𝐈𝐀̃𝐎 𝐄𝐌 𝐅𝐑𝐄𝐍𝐓𝐄 𝐀̀ 𝐀𝐒𝐒𝐄𝐌𝐁𝐋𝐄𝐈𝐀 𝐃𝐀 𝐑𝐄𝐏𝐔́𝐁𝐋𝐈𝐂𝐀!  InAção Cooperativista” - Portugal


terça-feira, 3 de outubro de 2023

Goa - Tarushee Mehra: estimular a criatividade nas crianças e adultos

Tarushee Mehra é ilustradora, designer e educadora com experiência em planeamento e criação de conteúdo para diversas organizações com foco na arte, educação, desenvolvimento intelectual e bem-estar mental. Ela trabalhou com ONG como Sakshi.org, Saathi Haath Badhaana e Mithra Trust, com o objetivo de despertar a imaginação e a criatividade no público mais jovem.


Mehra também trabalhou com crianças, escolas e estudantes universitários como contadora de histórias de artefactos de museu e educadora artístico. Ela frequentemente concentra-se em temas e ideias para contar histórias por meio de workshops, permitindo aos participantes desenhar, rabiscar, pintar e criar colagens com mídia mista.

Atualmente radicada no sul de Goa, Mehra é apaixonado por criar espaços de expressão e melhorar a aprendizagem.

Para Tarushee, a arte é uma saída poderosa para a percepção e criatividade individual, oferecendo vários meios para adultos e crianças. Acende a criatividade, permite a apreciação de nuances e aprimora a percepção.

Incentivar as pessoas de todas as idades a explorar a arte pode trazer alegria e magia. Ela fala sobre a sua inspiração por trás do seu trabalho. “Os educadores da minha família e do meu local de trabalho são a fonte de inspiração pessoal e orientação na minha jornada como educadora criativa. Além disso, as áreas relacionadas de liderança, treinamento, educação, pesquisa e inovação constituem as inúmeras pedras de toque dos requisitos essenciais de proficiência”, diz ela.

Continua: “Estou inclinada a trabalhar com iniciativas que procurem integrar o design como ergonomia inerente e aprimoramento para pessoas de todas as esferas da vida”.

A arte em oficinas é inspiradora, pois integra vários tópicos e promove a aprendizagem não apenas para Tarushee, mas também para as crianças para quem ela projeta essas oficinas.

Ela diz: “As inúmeras formas de expressão através de campanhas de mídia social, websites, iniciativas de design digital, exposições públicas e workshops necessariamente me inspiram a evoluir constantemente como uma entidade criativa”.

Tarushee considera a arte como a expressão de ideias e imaginação significativas, muitas vezes nascidas do desejo de criar algo de novo. Pode ser considerado perfeito se capta e emula as imperfeições da vida, embora a apreciação das suas nuances possa variar.

Falando sobre os meios com os quais trabalha, ela diz: “A minha preferência sempre será a caneta e tinta e mídia tradicional. Também crio trabalhos em aquarela sobre papel e ilustrações digitais em mesa digitalizadora. Esboços rápidos, anotações e anotações de esboços são maneiras pelas quais tenho conseguido comunicar-me de maneira eficaz com os clientes nos estágios iniciais de qualquer projeto. Na minha prática, registar um diário com papel de rascunho, recortes de revistas e usar pastéis com desenhos de caneta e tinta é o meu lugar feliz!”

Tarushee fala sobre a sua prática artística pessoal, que envolve manter sempre um pequeno diário, ferramentas essenciais e um caderno de desenho.

Inspirada nos esboços e pinturas de Abhimanyu Ghumiray, ela considera esta prática agradável e livre de stresse. Ela também menciona os benefícios de desafios diários como o Inktober e o desafio 100 Dias de Sketching, que ajudam os artistas a manterem-se motivados e conectados a uma comunidade de apoio.

Ela acrescenta ainda: “O meu suposto ritual é ler e escrever muito e guardar partes da minha viagem, como canhotos de passagens e fotografias que me ajudam a manter-me inspirada. Também faço anotações nos meus diários com notas de workshops e trechos de conversas com amigos. Algo que estou a tentar fazer mais é tornar reais (e não enrolar) as ideias que vêm à minha cabeça com a maior frequência possível. Não deixe que essa ideia seja um “poderia ter sido” ou um “teria sido”! Vá lá e faça a coisa!

Tarushee sente que criar para si mesmo e ajudar os outros a criar são experiências diferentes. Planear atividades com crianças envolve definir objetivos e envolvê-las em atividades criativas com ferramentas básicas como lápis e papel.

O seu objetivo ao ensinar arte para crianças é fornecer conhecimento sobre ferramentas como pincéis e tintas e ajudá-las a explorar e aplicar a sua jornada criativa, garantindo ao mesmo tempo uma experiência divertida e envolvente.

Tarushee sentir-se-ia perdida sem a habilidade de desenhar, pintar, criar e fazer.

Ela diz: “É uma forma de expressar os meus pensamentos e emoções mais íntimas, enquanto melhora a minha compreensão de pessoas, lugares e eventos. Criei uma personagem não binária chamada Chalchal em 2019, que me fornece uma maneira de me expressar como personagem na minha jornada de aprendizagem.”

“É uma pessoa curiosa, entusiasmada e ávida, sensível e gentil nas suas interações com o mundo. Eu gostaria de pensar que tal pessoa também atrairia as crianças! Chalchal começou num caderno enquanto pensava em voz alta e finalmente ganhou forma enquanto desenvolvia a ideia como uma série ilustrativa!” Ela explica.

Como uma pessoa criativa, Tarushee descobre que o seu maior desafio é apenas começar uma obra de arte. Ela quase não teve dificuldade em instruir crianças.

Ela diz: “As crianças são realmente muito interativas! O envolvimento com crianças mais novas definitivamente precisa de ser orientado e estruturado, com bastante espaço para improvisar e expandir o envelope convencional.”

Se Tarushee não pinta ou ensina arte, ela trabalha como freelancer, como criadora de conteúdo e aceita projetos para iniciativas digitais personalizadas.

Tarushee está animada para trabalhar no espaço de arte e educação do Museu de Arte Cristã de Velha Goa, com foco no programa “Kids at MoCA”, que inclui caminhadas com curadoria, atividades práticas e intercâmbios interativos.

Tarushee incentiva artistas autodidatas ou aqueles que estudam ou pensam em mudar de profissão. Ela diz: “Eu encorajaria todos a darem o salto de fé! Eu não estaria onde estou sem o apoio dos mentores que conheci na minha jornada profissional e durante a minha formação.”

“Não existe um caminho único para explorar e se equipar para o tipo de trabalho que deseja fazer. Ajuda imaginar o tipo de espaço onde sente que pode contribuir mais e as etapas necessárias para chegar lá”, finaliza.

Fazer arte é uma jornada pessoal, seja para portfólios pessoais, projetos autofinanciados, voluntariado ou inscrição numa instituição, mas também fomenta a comunidade.

Tarushee disse: “Procure oportunidades em livrarias, museus e centros comunitários locais e pergunte como você pode contribuir. As oportunidades também podem surgir em espaços online. Fale sobre o seu trabalho para qualquer pessoa disposta a ouvir e encontrar o seu pessoal. Explore exposições na sua área. Por último, mas não menos importante, documente extensivamente o seu trabalho. Da concepção ao produto final, o que torna um artista único é a forma como pensa e a motivação com que consegue criar.” Padre Carlos Luís – Goa in “Gomantak Times”


domingo, 27 de agosto de 2023

Goa - O tigre encontra um lar na arte contemporânea em Pilerne

A arte é um meio poderoso para fortalecer a causa da reserva de tigres em Goa


Desde que foi avistado repetidamente no Santuário de Vida Selvagem de Mhadei até ser mencionado várias vezes num recente julgamento histórico do tribunal superior, o tigre real de Bengala encontrou agora um lugar numa peça de arte contemporânea de Goa.

O conceituado artista Subodh Kerkar revelou recentemente a cabeça de tigre primorosamente trabalhada no Museu de Goa (MOG) em Pilerne. A escultura, feita de cogumelos selvagens e orgânicos, é a sua ode ao poderoso tigre, sublinhando a importância do predador de topo para as florestas e o ambiente de Goa.

A conservadora Heta Pandit e o historiador-ativista Prajal Sakhardande sublinharam a importância da arte no espaço da conservação e do ativismo, especialmente quando se trata de mensagens populares e documentação da realidade.

“O meu amigo, o artista Navso Parwar, residente em Sanquelim, enviou-me alguns cogumelos secos para usar no meu trabalho artístico. A textura dos cogumelos lembrou-me pele de tigre. Assim, inspirei-me para fazer uma escultura de tigre. As discussões que actualmente decorrem sobre a reserva de tigres em Goa tiveram impacto nesta escolha. Terminei a tarefa num mês", diz Kerkar.

A inauguração da escultura ocorre num momento em que Goa tem debatido sobre a criação de uma reserva de tigres no Santuário de Vida Selvagem Mhadei, no contexto da recente ordem do Tribunal Superior de Bombaim e da relutância do governo estadual em notificar a reserva no estado, citando limitações.

Kerkar afirma que a própria arte desempenha uma função importante como “expressão do tempo”.

“Então, aconteça o que acontecer no ambiente, aconteça o que acontecer durante a vida do artista, o artista tem que responder a isso. Quer se trate da política da floresta ou da política de deserção ou corrupção. Todos os eventos sociais devem encontrar reflexo na obra de arte. Só então o artista poderá ser considerado um verdadeiro artista”, disse Kerkar.

As suas palavras encontram ressonância nos comentários feitos pela notável conservadora do património Heta Pandit, que afirma que a arte também pode ser um passo para a criação de consciência e compreensão.

“A arte é um meio suave que muitas vezes é esquecido, mas é uma força poderosa no ativismo. Subodh criou uma combinação perfeita com o mundo frágil dos nossos cogumelos selvagens e dos tigres da região de Mhadei. Ambos os elementos são parte integrante do nosso ecossistema, da nossa cultura e do nosso ambiente, e ambos são essenciais para a nossa sobrevivência”, afirma Pandit, que também é investigador independente e autor de 11 livros sobre o património de Goa.


O historiador e ativista Prajal Sakhardande também afirma que o tigre é parte integrante da cultura goesa.

“Historicamente, os tigres foram retratados através da arte escultórica em Goa. Já vi esculturas de tigres em Shigao, Maxem e em muitas aldeias de Goa. Existem muitos templos em cavernas em Goa dedicados aos tigres. Aproveitar a arte é um belo meio para transmitir qualquer mensagem social", disse Sakhardande. In “Gomantak Times” - Goa




quarta-feira, 31 de maio de 2023

Portugal - Começa a faltar pau para tanta cobra

Não sabemos quem são estas vinte mulheres e o que fizeram pela ciência, pelas artes ou no mundo dos negócios, mas sabemos quem é o assessor Frederico Pinheiro e a chefe de gabinete Eugénia Correia, que chamou a PSP e o SIS, a que horas Costa devolveu a chamada a Galamba e quantas fotocópias foram tirar e quantos murros ficaram por dar. Valha-nos a paciência, que é a riqueza dos infelizes, como dizia Camilo Castelo Branco

O Financial Times diz que o Porto lidera as cidades europeias do futuro e o The New York Times avalia Lisboa como uma das capitais mais dinâmicas da Europa. Empresas portuguesas são premiadas pelo Wine & Travel Week e pelo Eventex-2023 com ouro, prata e bronze em experiências de marketing mundial.

Cinco escolas de gestão portuguesas estão entre as melhores do mundo e bolsas milionárias são atribuídas à Universidade do Porto. Portugal é o segundo país com mais finalistas nos prémios de sustentabilidade e inclusão Novo Bauhaus Europeu e a L’Oréal premeia cientistas portuguesas.

E alguém ouviu falar de Diana Madeira, Joana Caldeira, Joana Cabral, Patrícia Reis ou de Salomé Pinheiro? E de Rafaela Alves, Filipa Rocha, Diana Sousa, Inês Machado, Sofia Viana, Ana Cardoso ou Susana Santos – mais sete magníficas que por estes dias foram premiadas, mas muito pouco noticiadas? Todas elas reconhecidas pelos centros de investigação, lá fora, mas praticamente ignoradas por nós, cá dentro.

Pouco ouvimos falar de Ana Moniz, que venceu o Global Teacher Prize pelo trabalho com crianças autistas, e muito menos de Inês Neves, que é a Rising Star no Direito da Concorrência da Península Ibérica. O mesmo com a dentista Inês Guerra, que foi convidada para a prestigiada Omicron Kapp Upsilon, por ter sido a melhor aluna do curso na Universidade de Chicago, ou de Inês Laíns, uma oftalmologista que está em Boston é já é considerada nos Estados Unidos como uma das melhores na sua área.

E podíamos dizer o mesmo de Daniela Braga, conselheira para a Administração Biden na estratégia para a Inteligência Artificial e considerada como uma das cem empreendedoras mais intrigantes pela Goldman Sachs; de Catarina Pais, a quem chamam ‘a próxima Horta Osório’ e a primeira mulher portuguesa a receber o Henry Ford Prize, ou das fundadoras da Something in Hands, Helena Garcia e Andreia Valente, que desenvolvem novos medicamentos para cancros metastáticos.

Não sabemos quem são estas vinte mulheres e o que fizeram pela ciência, pelas artes ou no mundo dos negócios, mas sabemos quem é o assessor Frederico Pinheiro e a chefe de gabinete Eugénia Correia, quem chamou a PSP e o SIS, a que horas Costa devolveu a chamada a Galamba e quantas fotocópias foram tirar e quantos murros ficaram por dar. Valha-nos a paciência, que é a riqueza dos infelizes, como dizia Camilo Castelo Branco.

Horas a fio de televisão em direto com os deputados das comissões parlamentares a disputar a graçola do dia; políticos e governantes a confundirem servir o Estado com servirem-se do Estado; Ministério Público, que mais do que fonte já é um verdadeiro fontanário, a promover a condenação na praça pública do que não consegue na barra dos tribunais; moderados a promover ou copiar os populistas e comentadores ‘tudologistas’ a destilar veneno sobre tudo e sobre nada. Como dizem os brasileiros, começa a faltar pau para tanta cobra e quando nos passam o martelo para a mão, martelamos em todo o lado porque tudo nos parecem pregos.

Mas quando achamos que vemos tudo, há sempre um ponto morto que nos impede de ver o essencial. Estamos numa sala com reflexos côncavos e convexos, onde não há espelhos planos. Os governantes já não procuram soluções, eles gerem sentimentos e ressentimentos e nós, cidadãos, por vezes temos de escolher entre o que está certo e o que é mais fácil. Luís Castro – Portugal in Sol