Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 30 de junho de 2024

Portugal – Faleceu o artista plástico Manuel Cargaleiro

Manuel Cargaleiro “morreu tranquilo, rodeado pelos seus, adormeceu”, disse a sua companheira


O artista plástico nasceu em 16 de março de 1927 em Chão das Servas, no concelho de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

A sua obra foi fortemente inspirada no azulejo tradicional português. Em 1949, ingressou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e participou na Primeira Exposição Anual de Cerâmica, no Palácio Foz, em Lisboa, onde realizou a sua primeira exposição individual de cerâmica, no ano de 1952.

No início de carreira, ainda na década de 1950, recebeu o Prémio Nacional de Cerâmica Sebastião de Almeida, e o diploma de honra da Academia Internacional de Cerâmica, no Festival Internacional de Cerâmica de Cannes, em França, numa altura em que iniciara funções de professor de Cerâmica na Escola de Artes Decorativas António Arroio e apresentara as suas primeiras pinturas a óleo no Primeiro Salão de Arte Abstrata.

Em Castelo Branco, viria a ser inaugurada a Fundação Manuel Cargaleiro, em 1990, depois expandida com o respetivo museu e mais tarde, no Seixal, distrito de Setúbal, a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro.

No último ano teve patente as exposições “Eu Sou… Cargaleiro”, no Mosteiro de Ancede – Centro Cultural de Baião, no distrito do Porto, uma mostra de pintura na Casa Museu Teixeira Lopes – Galerias Diogo de Macedo, em Vila Nova de Gaia, intitulada “Cargaleiro, Pintar a Luz Viver a Cor”, e uma exposição de gravura no Fórum Cultural de Ermesinde, em Valongo, de nome “A essência da cor”. Este ano levou obras nunca expostas à sua oficina, no Seixal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Portugal - Vhils e Cargaleiro criaram juntos “Mensagem” que vai estar exposta em Castelo Branco

Os artistas Alexandre Farto (Vhils) e Manuel Cargaleiro criaram juntos uma obra que vai estar “brevemente” em exposição no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco, e deu origem a uma litografia que vai estar disponível este mês


“Mensagem” é o título da peça que, “construída em madeira – cortada, pintada, esculpida –, retrata as estéticas particulares de cada artista numa justaposição simbiótica, um contraste que oscila entre individualidade e comunhão”, de acordo com a Fundação Manuel Cargaleiro, em comunicado. A obra “encapsula e reflete duas gerações, duas perspectivas, duas formas de ver e encarar o mundo”.

Vhils e Manuel Cargaleiro nasceram com 60 anos de diferença, o primeiro em 1987 e o segundo em 1927. Em comum, além de uma carreira nas Artes, têm o concelho do Seixal, onde Vhils nasceu e cresceu e onde há uma escola secundária e uma Oficina de Artes batizadas com o nome de Manuel Cargaleiro, que, apesar de ter nascido em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, passou parte da infância naquele concelho.

A Fundação Manuel Cargaleiro refere ainda que “Mensagem” “estabelece uma ponte entre diferentes movimentos e contextos artísticos, diferentes formas de fazer e criar”, mas “é também História, a História de uma relação entre artistas, de uma geração a inspirar outra, da proximidade entre dois criadores separados pelo significado do tempo, e unidos por ideias e valores que o transcendem”.

A obra estará “brevemente” em exposição no Museu Cargaleiro, mas fonte daquela instituição, contactada pela Lusa, não soube precisar quando tal irá acontecer.

Entretanto, no dia 22 de Fevereiro, a galeria Underdogs, da qual Vhils é um dos fundadores, lança uma litografia de edição limitada inspirada em “Mensagem”. De acordo com a galeria lisboeta, a litografia, “que apresenta a mesma composição e título da obra original, foi produzida na Idem”, gráfica especializada em litografia, fundada em 1880 em Paris.

Manuel Alves Cargaleiro é autor de uma vasta obra, representada em coleções públicas e privadas em Portugal e outros países, como França e Itália. Executou vários trabalhos de arte pública, nomeadamente, a estação do Metro de Champs Elysées-Clémenceau, em Paris, os painéis cerâmicos para o Jardim Municipal de Almada, a fachada da Igreja de Moscavide, o painel para a escola com o seu nome no Seixal, a fonte no Parque da Cidade de Castelo Branco e a estação do Colégio Militar do Metro de Lisboa.

Nascido a 16 de Março de 1927, Manuel Cargaleiro iniciou estudos em 1946, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, mas abandonou aquela área para se dedicar às artes plásticas, iniciando-se como ceramista na Fábrica Sant’Anna, em Lisboa.

Em 1952 fez a primeira exposição individual, na Sala de Exposições do Secretariado Nacional da Informação Cultura Popular e Turismo (SNI). Na década de 1950, foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, em Itália, onde estudou cerâmica, e da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, onde passou a residir desde 1958. Parte da sua obra encontra-se em exposição permanente no Museu Cargaleiro, onde se concentra a coleção da Fundação Manuel Cargaleiro, criada em 1990 para gerir, exibir e divulgar o seu património.

Vhils captou a atenção a ‘escavar’ muros com retratos, um trabalho que tem sido reconhecido a nível nacional e internacional, e que já levou o artista a vários cantos do mundo.

Nascido em 15 de Fevereiro de 1987, Alexandre Farto cresceu no Seixal, onde começou por pintar paredes e comboios com ‘graffiti’, aos 13 anos, antes de rumar a Londres, para estudar Belas Artes, na Central Saint Martins. Além de várias criações em Portugal, Alexandre Farto tem trabalhos em países e territórios como Macau, Tailândia, Malásia, Hong Kong, Itália, Estados Unidos, Ucrânia e Brasil.

Em 2014, inaugurou a sua primeira grande exposição numa instituição nacional, o Museu da Eletricidade, em Lisboa: “Dissecação/Dissection” atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses. Em 2015, o trabalho de Vhils também chegou ao espaço, através da Estação Espacial Internacional, no âmbito do filme “O Sentido da Vida”, do realizador Miguel Gonçalves Mendes Em 2010, com a francesa Pauline Foessel, fundou a plataforma cultural Underdogs, que se divide entre arte pública, com pinturas nas paredes da cidade, exposições dentro de portas, na galeria Underdogs, em Lisboa, e a produção de edições artísticas originais.

Vhils é também um dos fundadores do festival Iminente, que começou em 2016, e onde em setembro apresentou, pela primeira vez, uma peça feita com recurso a uma técnica nova que tem vindo a desenvolver nos últimos anos. A peça, que começou apenas uma parede pintada de branco, foi sendo revelada ao longo dos quatro dias que durou o festival. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 7 de junho de 2022

Macau - “Lusografia” é a proposta da Galeria Amagao para a iniciativa “Junho, mês de Portugal”

Mais de 70 peças de 24 artistas é o que poderemos ver, de 10 de Junho a 4 de Setembro. Trabalhos de artistas como Artur Bual, Cruzeiro Seixas, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Paula Rego, Vieira da Silva ou Vhils, entre muitos outros, estarão patentes no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau


No âmbito das comemorações do “Junho, mês de Portugal na RAEM”, a Galeria Amagao apresenta “Lusografia – Exposição de obras de serigrafia, gravura e artes gráficas de artistas portugueses”, de 10 de Junho a 4 de Setembro, no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau, um conjunto de mais de 70 obras de mais de 24 artistas. A inauguração terá lugar no dia 9 de Junho, pelas 18h30. “Portugal tem uma longa tradição na gravura, serigrafia e artes gráficas afins. A produção de múltiplos de alta qualidade de uma obra de arte torna-a acessível a um público mais amplo”, pode ler-se no programa das comemorações.

Alexandre Baptista, Alexandre Marreiros, Alfredo Luz, Artur Bual, Carlos Dugos, Clotilde Fava, Cruzeiro Seixas, Espiga Pinto, Francisco Geraldo, Graça Morais, Isabel Rasquinho, João Paulo, Jorge Martins, José Luís Tinoco, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Maria João Franco, Miguel Pamplona, Paula Rego, Raquel Oliveira, Velhô, Vieira da Silva e Vhils são os autores lusos representados com várias obras nesta mostra. “Uma parte das obras é acervo da galeria e outra parte pertence a coleccionadores privados. É uma exposição que vínhamos a criar nos últimos anos e que faz todo o sentido ser inaugurada no âmbito das comemorações do 10 de Junho”, referiu ao Ponto Final José I. Duarte, da parte da organização.

Cruzeiro Seixas e Júlio Pomar terão 12 obras expostas cada um. “Aliás, era minha intenção fazer uma exposição individual do Cruzeiro Seixas em Macau. Era mais do que merecido, mas não foi possível e, entretanto, em 2020, ele faleceu”, revelou o também economista. Cruzeiro Seixas, decano da arte portuguesa e um dos grandes nomes do surrealismo português e europeu, no seu longo percurso artístico, conta com uma fase expressionista, outra neo-realista e outra, com início no final dos anos 40, mais prolongada, em que integra o movimento Surrealista Português, ao lado de Mário Cesariny, seu companheiro, entre muitos outros artistas.

Já Júlio Pomar dispensa apresentações. O seu trabalho tem sido reconhecido através de homenagens, prémios e exposições retrospectivas em todo o mundo. Nascido em 1926, acabou por ser um dos mais notáveis artistas plásticos portugueses da segunda metade do séc. XX. Faleceu em 2018.

Artur Bual, por exemplo, terá duas obras na mostra. Uma delas, avançou José I. Duarte, ser-lhe-á concedida honras de destaque. “Trata-se de uma obra feita, de propósito, para as comemorações do 10 de Junho em Macau em 1992. Precisamente há 30 anos. Por isso, decidimos dar-lhe um maior destaque”. Nascido em Lisboa, Bual foi um dos maiores pintores portugueses da segunda metade do século XX, pioneiro da pintura gestual, igualmente escultor e ceramista. Morreu na Amadora, cidade onde se radicou, em 1999.

Vieira da Silva, Manuel Cargaleiro e Júlio Resende são ainda outros nomes consagrados que marcam presença no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau. A luso-francesa, também conhecida pelo seu activismo anti-fascista, é um dos grandes nomes da arte portuguesa do século XX. Nascida em 1908, navegou pelos movimentos artísticos do surrealismo, expressionismo e abstraccionismo, entre outros. Morreu em Paris em 1992. O beirão raiano Cargaleiro, com 95 anos, também se notabilizou como pintor e ceramista. Tem obra espalhada por todo mundo, com especial destaque em França, país que o agraciou em 1984. Parte da sua obra encontra-se em exposição permanente no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco. Júlio Resende é conhecido, entre outras coisas, pelos seus murais em azulejo espalhados, maioritariamente, no Porto, cidade onde nasceu em 1917. Também ele passou por França, onde bebeu da obra de Duco de la Haix e de Otto Friez. Do geometrismo ao não figurativismo, do gestualismo ao neofigurativo, a sua arte desenvolveu-se numa encruzilhada de pesquisas, cuja dominante foi sempre expressionista e lírica. Morreu em 2011, aos 93 anos.

Também “presente” estará Paula Rego. A artista, considerada por muitos como o expoente máximo das artes plásticas portuguesas contemporâneas, nasceu em 1935. Fixou-se em Londres desde muito cedo e essa vivência em Terras de Sua Majestade pode ter-lhe conferido outra visibilidade à sua obra. Tem diversos títulos honoríficos, tanto em Portugal como no Reino Unido, e ainda noutros países. Paula Rego foi madrinha da Bienal Internacional de Mulheres Artistas de Macau.

Além do seu valor estético individual, estas obras tornam-se objectos de colecção. Muitos artistas portugueses famosos produziram abundantemente utilizando variadas técnicas de impressão. E, “sem qualquer tipo de reserva, todas as obras estão disponíveis para venda”. “Esperemos que as pessoas venham visitar a exposição. Há obras notáveis que merecem ser vistas e, quiçá, compradas. É arte que faz bem aos olhos e à alma”, referiu José I. Duarte.

A Galeria Amagao foi criada com uma vocação lusófona, mas desta vez, e devido ao tema da exposição, todos os artistas são portugueses, dos mais consagrados aos mais novos. “Para além dessa vocação, temos ainda essa outra vocação de mesclar artistas, procurando dar um panorama o mais diversificado possível. Por isso, decidimos juntar a Paula Rego ou o Pomar, com o Vhils ou o Alexandre Marreiros”, notou ainda José I. Duarte, acrescentando que Portugal é um mais “muito prolífico” na produção de serigrafia, gravura e artes gráficas. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”