Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 5 de julho de 2024

Reino Unido - Artista português Carlos Bunga expõe em Walsall

O artista português Carlos Bunga apresenta uma série de desenhos inéditos, inspirados em momentos da sua infância, numa exposição que é inaugurada esta sexta-feira em Walsall, no Reino Unido


A mostra a solo “Citizen of the world”, com curadoria de Zoë Lippett, estará patente na The New Arte Gallery Walsall, cidade situada a cerca de meia hora de carro de Birmingham, na região britânica de West Midlands.

De acordo com informação disponível no ‘sítio’ oficial da galeria, a exposição inclui “uma série de desenhos, nunca antes apresentados, inspirados pelas experiências de infância de Carlos Bunga, de mudar-se entre casas frágeis e temporárias, que muitas vezes colapsaram e desapareceram”.

A acompanhar estes “poderosos trabalhos” está um filme criado há dez anos, no qual é mostrado “o processo dinâmico do artista de apagar desenhos de edifícios reais e imaginários para abrir caminho para novas criações”.

Segundo a galeria, “Citizen of the world” é a “maior exposição a solo de Carlos Bunga no Reino Unido” e “uma rara oportunidade de apreciar a sua ampla prática [artística] em profundidade”.

Na mostra são também apresentados desenhos mais antigos, numa “instalação imersiva, composta por objetos domésticos familiares, transformados pelas estruturas arquitetónicas de papelão que se erguem dos mesmos”.

No âmbito da exposição, Carlos Bunga irá criar uma pintura de grande formato, para um espaço envidraçado da galeria, virado para a rua, “incorporando galhos e folhas apanhados nos arredores da casa do artista, entrelaçados na tinta da casa”.

“Citizen of the world” estará patente até 27 de outubro.

Carlos Bunga, nascido no Porto, em 1976, e a viver atualmente em Barcelona, desenvolve uma obra de intervenções em lugares escolhidos previamente, que modifica através de materiais do quotidiano como papelão, tinta e fita adesiva.

O seu trabalho é reconhecido pelas instalações de grandes dimensões, elaboradas como estruturas arquitetónicas que muitas vezes destrói em performances, ou até mesmo antes da abertura da própria exposição.

O trabalho de Bunga tem sido exposto em museus e centros de arte internacionais como o Museu de Serralves, no Porto (2012), o Museu Universitário de Arte Contemporânea, na Cidade do México (2013), o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa (2019), a Whitechapel Gallery, em Londres (2020), e o Museu Nacional Rainha Sofia (2022), entre outros.

Carlos Bunga formou-se na Escola Superior de Artes e Design (ESAD), nas Caldas da Rainha, estudou também em Nova Iorque, e venceu o prémio EDP Novos Artistas em 2003. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 4 de outubro de 2022

Portugal - Descobertos desenhos inéditos que oferecem um novo olhar sobre a construção do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra


No ano em que se celebram os 250 anos da reforma pombalina da Universidade de Coimbra (UC), o Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) dá a conhecer uma coleção de 40 desenhos do Jardim Botânico da Universidade (JBUC), 35 dos quais inéditos, abrangendo um arco temporal de 200 anos.

Os 35 desenhos inéditos da coleção, que fica hoje disponível num catálogo em formato ebook produzido pelo Departamento de Ciências da Vida da FCTUC e editado pela Imprensa da Universidade, foram descobertos em finais de 2021. Ana Margarida Dias da Silva, responsável pelo arquivo do DCV, conta que «vários rolos mal-acondicionados e com muito pó, dispostos em prateleiras no extremo do depósito da biblioteca de botânica (no sótão do edifício de S. Bento), chamaram a nossa atenção. Desenrolados com todo o cuidado, foram revelando, um após outro e perante a nossa surpresa e alegria, desenhos para nós desconhecidos e de notória antiguidade».

Após uma limpeza superficial dos achados, prossegue, «um olhar mais atento revelou plantas do Jardim Botânico, bem como plantas e alçados de muros, escadarias, gradeamentos e estufas. Intuímos do seu interesse, mas era urgente investigar datas, autorias, descobrir como tinham ido ali parar e, acima de tudo, se eram, realmente, inéditos».

Foram então consultadas as obras de referência sobre o Jardim Botânico e sobre a reforma pombalina da UC e verificou-se que, «para além dos cinco desenhos do Jardim Botânico pertencentes ao DCV e já conhecidos, não existia nenhuma referência aos desenhos descobertos», nota Ana Margarida Dias da Silva.


Segundo a responsável, a coleção agora tornada pública, e que conta com nomes como Macomboa, José do Couto, Neves e Mello e Cottinelli Telmo, fornece «um novo olhar sobre o processo de construção do JBUC, as soluções arquitetónicas projetadas e as realizadas, no diálogo entre as componentes artística e científica». Espera que «contribua para o melhor conhecimento e novas leituras sobre o que foi idealizado e/ou projetado, o que foi aprovado e o que foi, efetivamente, construído, moldando o Jardim Botânico que hoje conhecemos, simultaneamente espaço de ciência, coleção biológica e um espaço emblemático da Universidade e da cidade de Coimbra».

Os desenhos descobertos revelam ter sido «documentos de trabalho com anotações a lápis, que mostram hesitações e alterações e que ficavam guardados na “gaveta do jardineiro”. Alguns desses desenhos avulsos são reveladores de projetos nunca concretizados ou muito modificados na sua execução. Na verdade, o carácter utilitário destas peças desenhadas poderia ter ditado a sua eliminação, finda a concretização da obra ou a rejeição do projeto», finaliza a especialista da FCTUC.

Por seu lado, o diretor do Departamento de Ciências da Vida, Miguel Pardal, afirma que, «ciente do valor e importância da coleção, o DCV assumiu, desde o primeiro momento, o financiamento do restauro e da digitalização dos desenhos, de forma a garantir a sua preservação e disponibilização para estudos futuros».

O “Catálogo dos desenhos do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Coleção do Departamento de Ciências da Vida (séculos XVIII a XX)” reúne a totalidade dos desenhos do JBUC pertencentes ao DCV, incluindo os cinco já conhecidos e 35 inéditos (três desenhos do século XVIII, 27 do século XIX e 10 do século XX). As autoras da obra, Ana Margarida Dias da Silva e Maria Teresa Gonçalves, pretendem também disponibilizar online, em acesso aberto, fontes iconográficas essenciais para o estudo da construção e das soluções arquitetónicas escolhidas para o Jardim Botânico. Universidade de Coimbra - Portugal




 

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Macau - Carmen Mak estreia-se em exposições com “Funeral inesquecível”

A artista, ex-toxicodependente, apresenta no Art Garden da AFA uma série de 14 desenhos em ponto cruz feitos à mão que versam sobre as 14 Paixões de Cristo, quatro pinturas e uma estátua 3D transparente do Santo Corpo de Cristo. A exposição, patente até 29 de Abril, é uma boa alternativa de lazer e cultura em tempos pascais

A artista Carmen Mak apresentou, esta sexta-feira, dia 15 de Abril, pelas 18h30 no Art Garden da Art For All Society (AFA), “Unforgettable Funeral” (“Funeral Inesquecível”, em português), a sua primeira exposição individual, anuncia um comunicado de imprensa enviado pela Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) às redacções.

Trata-se de uma mostra que revelará uma série de 14 desenhos em ponto cruz feitos à mão das 14 Paixões de Cristo – ou seja, as estações da Via Sacra que simbolizam o trajecto percorrido por Jesus até ser crucificado –, quatro pinturas e uma estátua 3D transparente do Santo Corpo de Cristo.

A ex-toxicodependente luta contra as drogas há mais de uma década, dentro e fora da ARTM em Ka Hó, Coloane, e tendo finalmente entrado no centro de reabilitação há quatro anos. Durante esse tempo Carmen Mak passou por um processo de “ressurreição” através da arte. E essa analogia aos tempos pascais é notória no trabalho que agora vai expor. Essa que foi a sua própria Via Sacra.

Durante o curso de arte organizado pela ARTM, lê-se igualmente no mesmo comunicado, “conheceu a arte e a criação artesanal, dos quais mais gosta de pintar e fazer ponto de cruz”. Inspirada por isso, Carmen Mak “está determinada a sair da escuridão da sua vida através da criação artística e planeou realizar esta exposição precisamente durante as férias da Páscoa” deste ano. Com a ajuda da AFA, refere ainda a ARTM, Carmen Mak encontrou o local e patrocínio curatorial para esta exposição – a cargo de Alice Kok –, sendo que todos os custos da mostra ficaram à responsabilidade da própria artista. “O trabalho artesanal em ponto cruz de Carmen Mak retrata a Via Sacra de Jesus Cristo. Cada passo desses 14 caminhos dolorosos falam da dor da ignorância humana e a redenção dessa dor revela-se agora em cada linha e acção do contínuo esforço do artista, com muita luta, esperança e gratidão”, refere ainda o mesmo comunicado.

Quando questionada sobre a sua intenção em realizar esta exposição, Carmen Mak explica, muito simplesmente, que a ideia é “apresentar esta exposição não para dizer que sou uma artista, mas simplesmente para dizer à minha família e amigos que os deixei tristes e preocupados, mas agora estou de pé novamente e assumindo a responsabilidade pela minha própria vida”.

A exposição ficará patente até ao dia 29 de Abril e, durante a cerimónia de inauguração, a filha de Carmen Mak, Ceci Chan, fará uma apresentação de piano. A entrada é gratuita e o horário da exposição é das 11h às 19h, de segunda-feira a sábado, encerrando ao domingo e feriados. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 27 de abril de 2021

Angola – Elevação dos Sona a património cultural imaterial

Os "Sona", arte etnomatemática de contar histórias através de desenhos na areia, símbolo cultural tchokwe, pertencente ao povo Côkwe, foram elevados este mês a património cultural imaterial pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, soube o Novo Jornal


A escrita matemática tem estado na base de várias publicações em livros e artigos científicos de investigadores de todo o mundo. O Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, depois de acolher as recomendações dos membros participantes na primeira Conferência Internacional Sobre Educação Matemática em Angola, realizada em 2019 na província da Lunda-Norte, elevou-a a património.

A elevação dos Sona a património cultural imaterial vem publicada em Diário da República de 20 de Abril, consultado pelo Novo Jornal esta terça-feira, 26.

Carlos Yoba, o reitor da Universidade Lueji A' Nkonde, disse ao Novo Jornal que a universidade, num esforço conjunto com o governo da Lunda-Norte, conseguiu junto do Ministério da Cultura elevar os Sona a património cultural.

"Os Sona é um conjunto de figuras geométricas que as populações, fundamentalmente da zona do leste de Angola, fazem recurso para as suas comunicações no âmbito cultural e social. Serve, no campo da matemática, para ajudar os estudantes a fazer cálculos a todos os níveis. No processo de aprendizagem são jogos matemáticos que os mais velhos utilizam na região para transmitir conhecimentos e experiência. Daí o seu impacto no processo da aprendizagem", explicou.

O estudo dos Sona, segundo Carlos Yoba, transcende as fronteiras nacionais e esta escrita é investigada por especialistas africanos, europeus e americanos que entram directamente em contacto com os povos.

"Estamos de parabéns por conseguir elevar este material cultural tchokwe a património cultural imaterial nacional. Isso resguarda e conserva a nossa originalidade", contou, acrescentando que "sempre houve muito interesse por parte dos estrangeiros em aprofundar os Sona. E nós estávamos um pouco adormecidos e quase perdíamos a originalidade".

O reitor da Universidade Lueji A' Nkonde considera ser urgente a inserção dos Sona no currículo do ensino da Matemática em Angola, porque garante uma formação multicultural para todas as franjas.

"Os investigadores concluíram durante a conferência que aspectos culturais bem compreendidos podem influenciar positivamente no processo de ensino e aprendizagem, daí que devem ser valorizados".

Os Sona eram usados para comunicação dos ancestrais da Lunda-Norte, em forma de gravuras em paredes de casas, árvores e na areia das aldeias para serem decifradas pelos demais membros da comunidade.

De difícil decifração, as gravuras encontram-se actualmente no Museu do Dundo e em livros que retratam a culturas bantu, mas já foram retratadas na longa-metragem "Os deuses da água", numa co-produção entre a Argentina e Angola, em 2013.

Sona (plural de lusona), termo que serve para designar a escrita em geral (letras, figuras e desenhos), são a combinação de pontos e traços feitos na areia. Trata-se de uma cultura dos Cokwe e de povos relacionados como os Luchazi e Ngangela, que vivem no leste de Angola e em zonas vizinhas, na Zâmbia e na República Democrática do Congo. Os sona são uma forma de manifestação cultural com grande valor para a Matemática.

Jorge Dias Veloso, o promotor da primeira Conferência Internacional Sobre Educação Matemática em Angola, disse ao Novo Jornal que o conhecimento dos Sona tem passado de geração em geração pela via oral, o que tem contribuído para a redução significativa dos conhecedores desta arte.

No entanto, prossegue, o departamento de Matemática, da Escola Superior Pedagógica da Lunda-Norte, da Universidade Lueji A' Nkonde, trabalha com os seus estudantes no sentido de levar ao conhecimento da sociedade o grande valor desta arte.

O Novo Jornal soube, junto das autoridades governamentais da Lunda-Norte, que está ser preparado um grande acto para dar a conhecer às populações e aos estudantes a elevação dos Sona a Património Cultural Imaterial Nacional. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”