Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Brasil – O que o Estado de Goiás ganha com o acordo Mercosul – União Europeia

Com a assinatura do acordo entre Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e União Europeia (UE), em Assunção, depois de 26 anos de negociações infrutíferas, o agronegócio brasileiro será um dos grandes beneficiários, pois o setor, que inclui a agroindústria, é um dos maiores produtores do mundo e tem o bloco europeu como o seu segundo maior cliente, atrás apenas da China. Isso, obviamente, oferece a certeza de que o Estado de Goiás sairá amplamente beneficiado a partir da entrada em vigor do tratado, já que o setor da mineração também será amplamente favorecido, bem como a indústria automotiva e os setores aeronáutico e de máquinas e tecnologia.

Basta lembrar que um levantamento realizado recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que os acordos preferenciais e de livre-comércio do Brasil cobrem apenas 8% das importações mundiais de bens, mas com o novo acordo esse percentual deverá saltar para 36%, já que a UE responde por 28% do comércio global, segundo dados de 2024. E que o novo acordo abrange 27 nações, mais de 715 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) ao redor de US$ 22 trilhões.

De acordo com a CNI, 54,3% dos produtos negociados no âmbito do acordo terão imposto de importação zerado na UE logo na entrada em vigor do tratado, ou seja, mais de cinco mil itens, enquanto, por parte do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos para a redução tarifária. As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de quatro a dez anos, a depender do produto. A médio prazo, a previsão é que mais de 90% do comércio entre os dois blocos sofram redução ou eliminação gradual de tarifas, beneficiando o agronegócio e setores industriais de maior valor agregado.

Em outras palavras: o acordo cria um cenário de maior segurança jurídica e estabilidade regulatória, fator que é considerado decisivo para atrair investimentos produtivos e para o planejamento de longo prazo, oferecendo possibilidades para que também pequenas e médias empresas consigam se inserir no comércio exterior, o que, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, será facilitado pelo apoio da  Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores.

Para Goiás, a previsão é que o acordo venha a diversificar suas exportações para a Europa, provocando, a princípio, um aumento de até 30% nas vendas, principalmente de produtos do agronegócio, como frutas, café, carnes e óleos, o que deverá diminuir a dependência em relação à China, que hoje representa 44% do total das exportações goianas. Diante desse novo horizonte, Goiás tem a oportunidade de transformar competitividade em protagonismo: ampliar mercados com valor agregado, atrair investimentos, acelerar inovação e consolidar uma agenda moderna de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade — requisitos cada vez mais decisivos para acessar e permanecer no mercado da UE.

Enfim, o momento pede estratégia e união: governo, setor produtivo, cooperativas, indústria, universidades e municípios precisam estar alinhados para fortalecer infraestrutura, certificações, tecnologia, logística e capacitação, abrindo caminho para que não apenas grandes players, mas também pequenas e médias empresas e a agricultura familiar participem do salto exportador. Se fizermos o dever de casa com visão e velocidade, o acordo não será apenas uma boa notícia para o Brasil, mas um marco para um Goiás mais industrial, mais internacional e mais próspero, com emprego, renda e desenvolvimento regional. Ivone Silva - Brasil

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Ivone Maria da Silva, economista, é empresária e integrante do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO) e do Conselho Administrativo Tributário de Goiás (CAT-GO). E-mail: diretoria@imase.com.br

 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Angola - Governo tem até Abril para aprovar mega-projecto do Brasil para agricultura

Os produtores brasileiros comprometem-se a produzir grãos, cereais e sementes em Angola, mas exigem segurança jurídica e apoio financeiro também das instituições nacionais, como o Fundo Soberano e a banca. Fase piloto do programa está avaliada em mais de 124 milhões USD, com 45% de financiamento brasileiro


Angola tem pouco mais de 2 meses para responder a uma proposta do Brasil para apoiar o desenvolvimento do agronegócio, que pode trazer cerca de 20 empresários de grande dimensão e experiência para investir no agronegócio. A pressão é motivada pelo calendário eleitoral nos dois países, mas sobretudo no Brasil, que realiza as eleições presidenciais no mês de Outubro.

Uma missão técnica nacional irá ao Brasil, na primeira semana de Março, para agilizar o processo. De acordo com um documento obtido pelo Expansão, a proposta brasileira (que foi pré-negociada com Angola e, por isso, está alinhada com os interesses das duas partes) indica a necessidade de ceder 500 mil hectares de terras, mais especificamente no planalto de Camabatela (Cuanza Norte), autorizar a utilização de sementes geneticamente modificadas, emitir garantias via Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), entre outras exigências.

O maior perigo identificado pelos empresários é a desvalorização cambial e a parte brasileira solicitou que o BDA assumisse esse risco, o que pode levantar dúvidas devido à falta de dinheiro que afecta a gestão daquela instituição nacional. Do lado brasileiro, o governo compromete-se a disponibilizar recursos financeiros através do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil (através do Programa de Fomento às Exportações). "Estes recursos já estão disponíveis", disse fonte do Expansão. O financiamento, a ser utilizado, vai servir para a importação de máquinas, veículos de carga e sistemas de armazenamento de grãos.

O processo eleitoral tem impacto directo nas conversações oficiais entre os dois países porque a lei brasileira impõe restrições aos governantes que se candidatam a posições relevantes, como é o caso do actual ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, que vai concorrer ao lugar de senador pelo estado de Mato Grosso e terá de deixar o ministério já em Abril.

Estas movimentações, que se estendem a outros sectores do governo brasileiro, podem ter impacto directo na acção governativa e na concretização de acordos de cooperação. Aliás, Fávaro esteve em Angola por diversas vezes, incluindo uma visita oficial (em Dezembro de 2024), e não viajou para outros países africanos desde que assumiu, em Janeiro de 2023, a pasta da Agricultura e Pecuária do actual governo liderado por Lula da Silva.

As eleições em Angola, que vão realizar-se em 2027, também podem ter algum efeito nas negociações, mas neste caso mais pela necessidade de o Governo mostrar serviço e promover novos empreendimentos que promovam a criação de empregos e a divulgação de "boas notícias" sobre o País. Caso seja aprovado pelo Governo, o programa também estará aberto a empresários angolanos. Os grupos empresariais brasileiros interessados em investir em Angola são provenientes dos estados de Mato Grosso e Bahia. Um grupo de investidores brasileiros que actua em Angola também demonstrou interesse em aderir. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”


segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Brasil - “Tomou nota” da investigação na China sobre importações de carne bovina

O Governo brasileiro disse que “tomou nota” da comunicação, pelo Ministério do Comércio da China, da abertura de uma investigação para eventuais medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina, reafirmando a defesa dos “interesses do agronegócio brasileiro”.



Num comunicado emitido pelo Ministério da Agricultura, o Governo brasileiro recordou que a investigação, aberta agora na China, abrange todos os países exportadores de carne bovina para o país asiático e deverá analisar o período que compreende o ano de 2019 até o primeiro semestre de 2024.

Entre os países que podem ser afetados por esta investigação estão o Brasil, Nova Zelândia, os Estados Unidos, Argentina e Uruguai, que lideram as exportações de carne bovina para o país asiático. “Não há, em princípio, a adoção de qualquer medida preliminar, permanecendo vigente a tarifa de 12% ‘ad valorem’ [tributo sobre o valor de mercadorias] que a China aplica sobre as importações de carne bovina”, realçou o Governo brasileiro.

A investigação, solicitada pela Associação Pecuária da China e por associações de nove províncias, vai avaliar o crescimento das importações entre 2019 e 2024 e o seu impacto no mercado interno.

De acordo com dados oficiais fornecidos pelo Ministério do Comércio da China, as importações cresceram 64,93%, entre 2019 e 2023, enquanto no primeiro semestre de 2024 o aumento foi de 106,28%, em comparação com o mesmo período de 2019.

Este aumento elevou a quota de mercado da carne importada de 20,55%, em 2019, para 30,90%, no primeiro semestre de 2024.

A China é o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, consolidando-se nos últimos anos como o maior parceiro comercial do Brasil em proteínas animais.

Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina para o país asiático somaram mais de um milhão de toneladas, representando um aumento de 12,7% face o mesmo período de 2023.

Durante os próximos meses, e seguindo o curso e os prazos legais da investigação, o Governo brasileiro frisou que atuará “em conjunto com o setor exportador” e procurará “demonstrar que a carne bovina brasileira exportada [para a] China não causa qualquer tipo de prejuízo à indústria chinesa”.

O Brasil reafirmou, no comunicado, o “seu compromisso em defender os interesses do agronegócio brasileiro, respeitando as decisões soberanas do [seu] principal parceiro comercial, sempre procurando o diálogo construtivo em busca de soluções mutuamente benéficas”. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 31 de maio de 2021

Brasil - Ferrovias: é preciso investir

São Paulo – Apesar dos muitos problemas causados pela pandemia de coronavírus, não se pode dizer que as exportações tenham sofrido revezes ou deixaram de crescer, pelo menos no setor do agronegócio, responsável pelo superávit que se registra na balança comercial. Um exemplo disso é que os portos do Arco Norte do País aumentaram sua participação nas vendas de soja e milho para o exterior, sendo responsáveis por quase 35% dos embarques em 2020, conforme estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Como se sabe, o Arco Norte, na concepção portuária, abrange sete portos, seis na região Norte e um no Nordeste: Porto Velho-RO, Miritituba-PA, Santarém-PA, Barbacena-PA, Itacoatiara-AM, Manaus-AM e Itaqui-MA. São terminais bem localizados, mais próximos de grandes mercados, como Estados Unidos, Europa e Ásia (via Canal do Panamá), e, portanto, constituem uma alternativa atraente na comparação com os portos do Sul, pois uma viagem de navio, partindo de lá, fica de três a cinco dias mais curta.

No total dos embarques de grãos, o Arco Norte, em 2020, ficou com 31,9%, registrando um crescimento de 3,5% em relação a 2019. Já os portos do Sul e Sudeste foram responsáveis por 68,1% dos embarques, com a liderança do porto de Santos, responsável por 42,2 milhões de toneladas, ou seja, 32% de um total de 132,7 milhões de toneladas exportadas, 1,22% a mais que em 2019.

Obviamente, o Arco Norte não consegue assumir uma parcela maior na exportação de grãos não só por falta de investimentos na ampliação de sua capacidade portuária como em razão de problemas no setor logístico. Um desses problemas é o impasse que se verifica no processo de licenciamento ambiental da rodovia BR-158, que atravessa o País de Norte a Sul, começando em Redenção, no Pará, para terminar em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, perto da fronteira com o Uruguai.

O outro é a precariedade da via férrea. Para piorar, o leilão da EF-170, mais conhecida como Ferrogrão, cotada para ser a principal rota de escoamento do agronegócio, foi suspenso em março pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), à espera de novos estudos, já que o traçado previsto cortaria área de uma floresta protegida, o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, e ainda passaria por cima de terras indígenas

Quando concluída, a ferrovia terá elevada capacidade de transporte e competitividade no escoamento da produção pelo Arco Norte, substituindo em grande parte a tarefa que hoje cabe à rodovia BR-163, famosa pelas paralisações de tráfego ocasionadas por atoleiros. Com a ferrovia, obviamente, haverá um alívio nas condições de tráfego naquela rodovia, diminuindo também os custos com a sua manutenção.

Aliás, esse projeto, que foi para o Tribunal de Contas da União em junho de 2020, é considerado prioritário, já que mais de 70% da safra mato-grossense são escoados pelos portos de Santos e de Paranaguá, a mais de dois mil quilômetros da origem. Isso mostra a sua importância dentro do sistema logístico de cargas do País, condição excepcional para atrair investidores interessados em sua concessão, entre os quais estão empresas que necessitam utilizar prioritariamente essa via férrea, como Cargill, ADM, Bunge, Louis Dreyfus, EDLP, Amaggi e outras.

Segundo dados da CNA, por falta de condições logísticas em direção aos terminais portuários da região amazônica, mais de US$ 4 bilhões são desperdiçados por ano porque cerca de 70 milhões de toneladas de grãos produzidos no Centro-Norte têm de ser exportados por portos do Sudeste. Com isso, a mercadoria, em vez de seguir para o Norte, acaba sendo obrigada a percorrer cerca de mil quilômetros a mais, o que ocasiona custos adicionais entre US$ 47 e US$ 60 por tonelada. Sem contar os custos com fretes marítimos, armazenagem e perda de tempo. Portanto, se este fosse um País sério, a Ferrogrão já estaria em funcionamento há muito tempo. Adelto Gonçalves – Brasil 

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Brasil - Agregar valor ao agronegócio

Na maioria, foram convidados por conchavos e pelo contato do principal mandatário com a caserna. A rigor, esses pretensos ministros, se tivessem autocrítica e realmente estivessem preocupados com o desenvolvimento do País, jamais aceitariam a responsabilidade de administrar aquilo que efetivamente não conhecem

São Paulo - Como quarta economia do mundo, o Brasil não depende – e ainda bem – do governo central para dar andamento a sua economia, mas que suas ações podem atrapalhar não há dúvida. E, infelizmente, é o que vem ocorrendo com frequência. Com exceção dos ministérios da Fazenda e da Agricultura e do Banco Central, administrados por titulares de alto nível técnico e formação acadêmica invejável, os demais órgãos, com raras exceções, são conduzidos por profissionais que estão longe de serem os mais bem preparados. 

Na maioria, foram convidados por conchavos e pelo contato do principal mandatário com a caserna. A rigor, esses pretensos ministros, se tivessem autocrítica e realmente estivessem preocupados com o desenvolvimento do País, jamais aceitariam a responsabilidade de administrar aquilo que efetivamente não conhecem. Na verdade, mostram-se tão despreparados para a função que é possível imaginar que tenham sido convidados para encobrir mais a falta de talento administrativo e político do presidente da República do que por outra razão mais nobre. Seja como for, o que se lamenta é que a soberba impeça que se deem conta do quanto sua incompetência vem prejudicando o País.

Em que pesem trapalhadas governamentais e atitudes do presidente que fogem à luz da razão, o empresariado nacional tem sabido como se portar, assimilando as informações e os movimentos econômicos e administrativos do governo que são dignos de serem levados em conta. E assim o País, apesar dos sobressaltos causados pela pandemia de coronavírus (covid-19), segue firme em busca da retomada da produção e da normalidade econômica para fazer frente a um mercado consumidor que deve chegar em 2030 como o quinto maior do mundo, com um potencial previsto de US$ 2,5 trilhões, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Basta ver que, mesmo em meio à pandemia, em 2020, no acumulado do ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 50,9 bilhões, com exportações de US$ 209,9 bilhões e importações de US$ 158,9 bilhões, tendo a corrente de comércio chegado a US$ 368,8 bilhões, segundo dados do Ministério da Economia.

Obviamente, esses números foram sustentados pelo agronegócio e pela mineração com a produção que alcançaram, mas não se pode deixar de reconhecer que esses setores também ajudaram o segmento industrial com a compra de máquinas, tratores e até aviões para o trabalho de pulverização da lavoura. Enfim, há uma grande gama de produtos industrializados que são exigidos para o plantio e a colheita de safras gigantescas.

Isso significa que, para que a balança continue superavitária, é preciso agregar cada vez mais valor ao agronegócio. Ou seja, é fundamental que a indústria de transformação invista em tecnologia e em novos processamentos para que possa atender ao agronegócio em sua necessidade de escoar ainda mais e aumentar o número de vendas para o mundo. Além disso, é essencial que o governo federal, por meio do Ministério da Infraestrutura, continue a investir em obras que possam facilitar o escoamento da produção, o que inclui o reaparelhamento de portos e aeroportos.

Por fim, não se pode deixar de lado a tão decantada reforma tributária que, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, haverá de ser ainda aprovada neste ano e que tem por objetivo ampliar a base de arrecadação para conseguir reduzir alíquotas de impostos.  O que se espera é que essa reforma venha também a contribuir para o desenvolvimento não só do comércio exterior como daqueles outros setores que a ele estão ligados. Adelto Gonçalves – Brasil

 

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br


terça-feira, 23 de março de 2021

Brasil - Na agroindústria, a salvação do País

Na contramão dos demais setores da economia brasileira, a agroindústria vai muito bem, tanto no mercado interno quanto no externo. Essa situação privilegiada é resultado de trabalho de muitos anos dos empresários do campo que fizeram grandes investimentos em tecnologia, tanto na qualidade da genética das mudas como na mecanização da lavoura, ações que determinaram um significativo aumento na produtividade no campo.

Dessa maneira, os fatores qualidade e quantidade determinaram a expansão das vendas externas à medida que os exportadores têm demonstrado cada vez mais maturidade, diferentemente de outros tempos, quando, diante de qualquer alteração de preços, os embarques eram paralisados para renegociações de contratos já fechados, o que causava descrédito.

Apesar dos impactos da pandemia de coronavírus (covid-19), em 2020, o País registrou recordes de volumes embarcados de suas principais commodities, com destaque para o petróleo, açúcar e carnes, que tiveram apoio de compras da China, enquanto o café também teve um desempenho histórico.

Em 2020, o Brasil arrecadou mais de US$ 28,4 bilhões com a venda de soja em grão para a China, 16% a mais em comparação com 2019. Já em 2018, ano dos recordes de exportações do Brasil, o valor arrecadado com a venda de soja para os chineses superou os US$ 31,4 bilhões. Além disso, sete dos dez principais produtos de exportação em 2020 tiveram como destino o país asiático. A China foi o maior comprador de açúcar, carne bovina, celulose e carne de frango.

A participação chinesa em tudo que o Brasil vende ao exterior cresce desde 2015. Entre 2018 e 2019, esse crescimento foi de pouco mais de 1%. Mas, com a pandemia, essa participação avançou: de pouco mais de um quarto para um terço das exportações, batendo em 32,3% em 2020.

Em um ano, as vendas aos chineses subiram de US$ 63,4 bilhões para US$ 67,8 bilhões (alta de 7%), segundo dados do Ministério da Economia. Já as exportações brasileiras caíram de US$ 225,4 bilhões, em 2019, para US$ 209,9 bilhões em 2020, em função da crise internacional.

Seja como for, hoje, os exportadores brasileiros têm know-how bastante consolidado em relação ao mercado externo, em especial no agronegócio, e, assim, o nível de ruído atualmente é baixo, o que traz bastante tranquilidade às negociações entre os países, a ponto de declarações extemporâneas por parte de ministros de outras áreas pouco afetarem esse relacionamento, como foi o caso do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que insinuou em uma rede social que a China poderia se beneficiar, de propósito, da crise mundial causada pelo coronavírus.

Dentro desse cenário, as indústrias brasileiras que dão suporte às atividades agrícolas e agropecuárias, num momento em que o real está subvalorizado em decorrência da política do Banco Central, precisam aproveitar essas condições e aumentar as suas exportações, pois logo os especuladores voltarão ao mercado brasileiro, considerando que lá fora não encontram melhores condições para a aplicação de seu especulativo dinheiro.

Afinal, devemos considerar que o nosso parque industrial ainda é um dos maiores e mais modernos do mundo, embora a nossa produção esteja em níveis bastante baixos. E que temos trabalhadores preparados, além de muitos desempregados, que constituem uma mão de obra que pode ser chamada e utilizada a qualquer momento.

Como se vê, a bola está com os empresários, pois, se dependermos do atual ministro das Relações Exteriores e do presidente da República, não vai acontecer nada, pois, para eles, o mundo e o País se dividem entre amigos e inimigos do governo. Portanto, não dá para ficar mais dois anos à espera de um “salvador da pátria”. Até porque, como disse o presidente norte-americano Ronald Reagan (1911-2004), em seu discurso de posse, a 20 de janeiro de 1981, “o governo não é a solução, é o problema”. Adelto Gonçalves – Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde (Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional). E-mail: fiorde@fiorde.com.br Site: www.fiorde.com.br


sábado, 13 de março de 2021

Portugal e Brasil “empenhados” no Porto de Sines como ‘hub’ para o agronegócio


Nesta sexta-feira, Governantes de Portugal e do Brasil manifestaram-se “empenhados na promoção de Sines”, através do porto existente nesta cidade do litoral alentejano, como “‘hub’ europeu para o agronegócio brasileiro”, disse a administração portuária.

Em comunicado, a Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) aludiu a um seminário ‘online’ realizado neste dia 12 e que juntou “mais de 100 representantes de cooperativas agrícolas, ‘traders’, associações setoriais e exportadores brasileiros que atuam no setor agroalimentar”.

A abertura do evento foi feita pelo governante português Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado para a Internacionalização, e o encerramento esteve a cargo da ministra de Estado, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina.

Um envolvimento que “demonstra o comprometimento dos governos dos dois países em potenciar este relacionamento”, baseado no Porto de Sines, no distrito de Setúbal, afirmou a APS.

“Governantes de Portugal e do Brasil empenhados na promoção de Sines como ‘hub’ [centro de distribuição e transferência] europeu para o agronegócio brasileiro”, pode ler-se também no comunicado.

Este seminário virtual, intitulado “Sines – Hub Europeu para o Agronegócio Brasileiro”, contou igualmente com a participação de representantes do complexo portuário, logístico e industrial de Sines.

O presidente da APS, José Luís Cacho, apresentou as valências portuárias oferecidas a este setor, tanto no que respeita à carga a granel (como soja ou milho), como no que respeita à carga contentorizada (incluindo a refrigerada) cuja ligação semanal entre Sines e portos brasileiros já existe, disse a entidade portuária.

Segundo a APS, o presidente executivo da Aicep Global Parques, Filipe Costa, entidade que gere a Zona Industrial e Logística de Sines, “reforçou a capacidade disponível para acomodar a instalação de projetos agroalimentares em zonas muito próximas do porto, com o objetivo de acrescentar valor à carga movimentada”.

Já no início deste ano, em 06 de janeiro, a Comunidade Portuária e Logística de Sines (CPLS) disse querer apostar na importação de produtos agrícolas oriundos do Brasil, através do Terminal Multiusos do Porto de Sines, com destino à Península Ibérica.

“O Terminal Multiusos, utilizado para a importação de carvão, deixou de estar ocupado após o encerramento da central termoelétrica de Sines, tendo condições ideais para a importação de produtos agrícolas”, disse à agência Lusa na altura Jorge d’Almeida, presidente da CPLS, que celebrou um protocolo de cooperação com a Câmara de Comércio Brasil Portugal – Centro Oeste (CCBP-CO).

O objetivo do acordo é “estudar e promover uma solução logística eficaz e eficiente para a exportação de produtos agropecuários brasileiros pelos portos brasileiros, preferencialmente os localizados no Arco Norte, com destino à Europa e ao Norte de África, através do Porto de Sines”, explicou então, em comunicado, a comunidade portuária. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Brasil - Portos prontos para o cenário pós-pandemia

O cenário pós-pandemia de coronavírus (covid-19), imaginado por vários economistas e por agências e institutos de análise de mercado mais renomados do País e do exterior, apresenta-se bastante nebuloso. Já idealizado como a maior crise econômica desde a Grande Depressão de 1929, esse cenário prevê uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) global de 2,4% em 2020, seguida de um crescimento de 5,9% em 2021, segundo projeções da empresa norte-americana de consultoria financeira Standard and Poor´s 500, ou apenas S&P, renomada por seus índices para bolsas de valores de todo o mundo.

Para o Brasil, esse cenário de brutal recessão econômica é ainda mais nebuloso, levando-se em conta a inoperância demonstrada pelo governo federal diante dos efeitos da pandemia, em razão principalmente da postura esquizofrênica e extravagante do presidente Jair Bolsonaro, ao pretender atribuir toda a culpa pela situação do País aos governadores e prefeitos, entre outras posturas pouco ortodoxas e levianas.

Trata-se, evidentemente, de postura claramente de marketing de péssima qualidade, que procura disfarçar uma tentativa frustrada de se eximir de um problema de alcance nacional, cuja responsabilidade principal pelo enfrentamento deveria caber a quem está à frente do poder central. Mas, ao tergiversar sobre o tema, o presidente da República deixa à mostra que lhe faltam capacidade de liderança e carisma para mobilizar a população brasileira. Infelizmente.

Todavia, a par desse gravíssimo problema de saúde, o fato é que o empresariado nacional, em especial o do setor agropecuário, conseguiu  expandir de forma espetacular, sem precedentes na história brasileira,  a nossa produção, a ponto de torná-la suficiente tanto para o consumo interno como para o externo, com claro potencial  de crescimento que coloca o País em situação privilegiada também para o futuro.

Nesse sentido, os números provam, de maneira inequívoca, o grande sucesso do agronegócio brasileiro, que, já há alguns anos, vem alicerçando a economia brasileira com o ingresso de grandes quantidades de dólares. Basta ver que a produção de grãos para as safras de 2019/2020 está prevista para chegar à impressionante marca de 250 milhões de toneladas. Somente para a soja, a previsão é de uma colheita de 120,4 milhões de toneladas, enquanto para o milho a projeção é de 100 milhões de toneladas.

Com esse desempenho do agronegócio, o comércio exterior brasileiro, por consequência, consegue se manter igualmente em crescimento constante, registrando recordes nas operações em vários portos brasileiros e, em especial no de Santos, que, ao longo dos anos, graças às privatizações e aos investimentos das empresas ganhadoras de licitações públicas, tem dado um bom exemplo de vitalidade.

Para aproveitar esse excepcional nicho, o Porto de Santos só precisa ter mais agilidade em sua administração para atender às melhorias de infraestrutura e redução de custos, além de garantir áreas para a sua expansão. Menos mal que a presidência da República, neste ponto, tenha optado por deixar a administração dos portos nas mãos de técnicos que já estavam atuando na área e, assim, puderam dar continuidade aos trabalhos que já vinham sendo desenvolvidos pelo governo anterior, dentro do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI).

Dessa maneira, não houve interrupções causadas por indicações políticas. Com isso, o Porto de Santos e os demais mostram-se hoje em condições de atender prontamente às necessidades que, com certeza, virão quando o País tiver superado os efeitos da pandemia e começar uma nova fase de recuperação econômica. Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Exterior (trading company), todas com matriz em São Paulo e filiais em vários Estados brasileiros. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sábado, 18 de janeiro de 2020

Brasil - Atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia lançado na Alemanha



Um ousado trabalho de geografia que mapeou o nível de envenenamento dos alimentos produzidos no Brasil foi lançado em maio, em Berlim, na Alemanha, país que contraditoriamente sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo. Quem estava presente no lançamento do atlas “Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia” ficou perplexo com a informação sobre o elevado índice de resíduos agrotóxicos permitidos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas. A obra, que já foi publicada no Brasil, é de autoria da geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo.

O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais regras para registro, produção, comercialização e utilização de agrotóxicos”, relata Larissa.

A pesquisadora explica que o lançamento do atlas na Europa se deu pelo fato de a Alemanha sediar a Bayer/Monsanto e a Basf, indústrias agroquímicas que respondem por cerca de 34% do mercado mundial de agrotóxicos. A Monsanto, recentemente incorporada ao grupo Bayer, é a líder mundial de vendas do glifosato, cujos subprodutos têm sido associados a inúmeras doenças, incluindo o câncer e o Alzheimer. “Queríamos promover discussão sobre a contradição de sediarem indústrias que controlam toda a cadeia alimentar agrícola – das sementes, agrotóxicos e fertilizantes – e serem rigorosos quanto ao uso de mais de um terço dos pesticidas que são permitidos no Brasil. Eles são corresponsáveis pelos problemas gerados à população porque vendem e exportam substâncias sabidamente perigosas, porém, proibidas em seu território”, diz.

Intoxicação e suicídios

Segundo a geógrafa, as perdas não se limitam à contaminação de alimentos e dos cursos d’água. O atlas traz informações de que, depois de extensa exposição aos agrotóxicos, ocorrem também casos de mortes e suicídios associados ao contato ou à ingestão dessas substâncias.

Entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil ocorrências de intoxicações por agrotóxicos. O atlas mapeia as regiões mais afetadas: dos Estados brasileiros, durante o período da pesquisa, o Paraná ficou em primeiro lugar, com mais de 3700 casos de intoxicação. São Paulo e Minas Gerais ficaram na segunda colocação, com 2 mil. Das 3723 intoxicações registradas no Paraná, 1631 casos eram de tentativas de suicídio, ou seja, 40% do total. Em São Paulo e Minas gerais o percentual foi o mesmo. No Ceará, houve 1086 casos notificados, dos quais 861 correspondiam a tentativas de suicídio, cerca de 79,2%. Os mapas de faixa etária mostram que 20% da população afetada era composta de crianças e jovens com idade até 19 anos.

Segundo Larissa, no Brasil, há relação direta entre o uso de agrotóxicos e o agronegócio. Em 2015, soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas comercializados no País.

O atlas “Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia”, em português, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste uso no País. A pesquisa que deu origem à publicação teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em Berlim, o lançamento aconteceu na sede do ENSSER (European Network of Scientists for Social and Environmental Responsability), rede europeia sem fins lucrativos que reúne cientistas ativistas responsáveis ambiental e socialmente, em Glasgow, Escócia. O suporte financeiro para o lançamento do atlas na Europa foi da FFLCH e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP. Ivanir Ferreira – Brasil in “Diário do Centro do Mundo” com “Jornal USP”



terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Brasil - Ação conjunta para o agronegócio

SÃO PAULO - O Ministério da Infraestrutura acaba de anunciar retomada do transporte ferroviário com a concessão de três novas ferrovias. Entre elas, está a licitação da Ferrogrão (EF-170), prometida ainda para 2019 ou início de 2020. Essa ferrovia deverá ligar os Estados do Mato Grosso e Pará, entre Sinop e o porto de Miritituba, em Itaituba, na margem direita do rio Tapajós, perto de Santarém, de onde os navios podem sair carregados pelo Rio Amazonas até o Oceano Atlântico, com destino à Europa e à Ásia, principais consumidores de grãos brasileiros.

Em março, segundo o Ministério da Infraestrutura, será lançada a licitação de uma linha férrea entre Porto Nacional-TO e Estrela d’Oeste-SP, que deverá ligar também o porto de Itaqui-MA ao Porto de Santos-SP. Com isso, a previsão é que até 2025 a participação do modal ferroviário na matriz de transporte venha a dobrar, desafogando o modal rodoviário.

Além colocar a Ferrogrão para funcionar, o Ministério pretende prorrogar contratos de concessão, usando outorgas devidas pela prorrogação dos contratos para construir novos segmentos. E o primeiro segmento previsto é a Ferrovia Integrada do Centro-Oeste, entre Água Boa-MT e Campinorte-GO, impulsionando o agronegócio no Vale do Araguaia.

Se não se tratar apenas de uma carta de intenções, iniciativa comum em começo de governo, a ação do Ministério da Infraestrutura vem em boa hora e será decisiva para acelerar o desenvolvimento do agronegócio, tirando caminhões das rodovias e, especialmente, diminuindo os gastos com transporte até os principais portos do País, que hoje, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), representam cerca de 30% do custo total dos produtores de grãos.

De qualquer modo, é necessário que essas iniciativas do Ministério da Infraestrutura sejam acompanhadas por outras que priorizem a utilização do modal hidroviário. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que apenas 5% do que o Brasil produz é escoado pelos rios, volume que poderá ser bem maior, se houver maciços investimentos em obras para a construção de eclusas, correção de desníveis e eliminação de barreiras de pedras a fim de que as barcaças possam navegar com segurança.

Em outras palavras: é fundamental que sejam criadas condições que permitam baixar os altos custos da logística no País. Aliás, as commodities continuam a ser vendidas no mercado externo graças ao seu baixo custo de produção, aliado às elevadas cotações que permitem absorver o custo do frete gerado pela ineficiência da infraestrutura logística.

A título de exemplo, pode-se lembrar que, segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), em média, o custo do frete interno para a exportação de soja representa 25% do valor do produto. Já no caso do milho esse custo sobe para 50%, o que pode tornar em breve inviável economicamente sua exportação. É de se ressaltar também a vulnerabilidade que essa situação produz, pois, afinal, o Brasil não exerce qualquer controle ou influência sobre as cotações das commodities. Ou seja, uma eventual redução nos preços das commodities pode também inviabilizar as exportações.

Diante disso, torna-se importante igualmente a industrialização ou agregação de valor às commodities exportadas, o que, por enquanto, é quase impossível devido ao atual sistema tributário, que onera e adiciona custo ao produto durante o seu processamento industrial. Como se vê, para equacionar ou minimizar a questão, é imprescindível uma ação conjunta do Ministério da Infraestrutura com o Ministério da Economia que absorveu as funções dos antigos ministérios da Fazenda, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, do Planejamento e do Trabalho. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

América Latina – Empresários querem investir no setor agroindustrial em Angola

Um conjunto de empresários de seis países da América Latina manifestou vontade em investir no setor agroindustrial em Angola, no quadro da criação, em Luanda, da Câmara de Comércio e Indústria Hispano-Americano-Angolana (CCIHA)

Além de Angola, integram a nova câmara de comércio empresários da Argentina, Colômbia, Cuba, México, Uruguai e Venezuela, para já, a ideia é analisar o mercado mais pormenorizadamente para que, através da troca de experiências e da transferência de tecnologias, se possa avançar para outras áreas, como Comércio e Turismo.

Os empresários angolanos vão contar com a participação de agricultores para implementar e desenvolver a agricultura familiar, bem como de representantes de pequenas e médias empresas (PME) estabelecidos no interior do país.

No quadro da diversificação da economia angolana, os empresários querem contribuir para a redução da carência alimentar, melhoria da renda familiar, criação de emprego e a redução das importações.

A Câmara de Comércio e Indústria Hispano-americana Angolana (CCIHA) conta com uma Assembleia-Geral, Secretariado, Conselho Diretivo, Fiscal, Direção Executiva, Conselho de Cooperação e Intercâmbio e Superior Consultivo.

Reinaldo Luís da Silva Trindade é o presidente do Conselho Diretivo, enquanto Agostinho Raimundo de Sousa e Santos dirige a Assembleia-Geral.

Em declarações à ANGOP, o diretor executivo da CCIHA, Manuel Graça de Deus, explicou que a Câmara pode ser alargada a 19 países da América Latina, cujos empresários estão interessados em integrar estes órgãos de troca de negócios.

Manuel Graça de Deus adiantou que o objetivo é desenvolver, tendo em conta que Angola tem de diversificar a economia e focar a atenção no desenvolvimento.

O embaixador da Argentina em Angola, Luís Eugénio Bellando, presente no ato, salientou que Angola tem todas as condições criadas, desde os solos ao clima e aos recursos hídricos, para que o desenvolvimento da agroindústria seja um facto.

Luís Eugénio Bellando reiterou a disponibilidade de Buenos Aires em apoiar o processo de diversificação da economia angolana.

«A criação da Câmara vai impulsionar o espírito de empreendedores independentes, sobretudo das pequenas e médias empresas», salientou. In “Revista Port. Com” - Portugal

sábado, 28 de outubro de 2017

Câmara Agrícola Lusófona - Missão empresarial a São Tomé e Príncipe



CAL convida empresas portuguesas do agroalimentar numa missão empresarial a São Tomé e Príncipe

A Câmara Agrícola Lusófona (CAL) está a dinamizar a participação de pequenas e médias empresas (PME) portuguesas a estarem presentes em São Tomé e Príncipe. Este é mercado bastante dependente de importações e onde é evidente a preferência por produtos provenientes de Portugal. Fora da Europa, São Tomé e Príncipe é o país que possui relações sócio económicas há mais tempo, no que respeito ao agronegócio, entre 2012 e 2016, este país africano importou 42,2 milhões de euros, dos quais 35,6 milhões de euros eram de origem portuguesa, correspondendo a 84% da quota de mercado. No âmbito das diversas fileiras agroalimentares a quota de Portugal corresponde às seguintes percentagens: laticínios 81% (2,2 milhões de euros), nas carnes transformadas 84% (1,1 milhões de euros), nas gorduras animais e vegetais é 83% (2,4 milhões de euros), nas hortofrutícolas 83% (3,2 milhões de euros), nos produtos de padaria e pastelaria 94% (5,7 milhões de euros) e nas bebidas 94% (9 milhões de euros). O potencial de exportação português é elevado, considerando-se farinha de trigo, arroz, vinhos e cerveja, como os principais produtos agroalimentares de origem portuguesas.

O fortalecimento das boas relações já existentes entre Portugal e São Tomé e Príncipe é um dos principais objectivos desta missão empresarial. A localização geográfica privilegiada no Golfo da Guiné de São Tomé e Príncipe, torna-o num país com especial relevância constituindo-se como uma plataforma logística para os mercados desta região geográfica.

De 10 a 17 de Novembro, a comitiva empresarial terá a oportunidade de participar num programa com uma abordagem transversal no agronegócio, proporcionando contactos com diversas entidades de relevo – empresas locais, entidades governamentais, institucionais, bancárias, jurídicas, entre outros.

Esta é uma iniciativa que se insere no âmbito do Projeto de Internacionalização Agronegócio CPLP 2017/2018, cofinanciado pela União Europeia através do Portugal 2020 e Compete 2020.

As inscrições são limitadas, podendo ser efectuadas pela seguinte ligação aqui.

O programa da missão empresarial poderá ser acedido aqui.

Para mais informações aqui.

A CAL – Câmara Agrícola Lusófona é uma associação empresarial sem fins lucrativos que está presente em todos os países da CPLP, promovendo a divulgação do agronegócio, em território nacional e internacional, com particular ênfase nos países de língua portuguesa.


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Moçambique - Especialistas de agro-negócios da CPLP reunidos em Chimoio

Decorre desde segunda-feira, em Chimoio, o II Simpósio Internacional dos Países da Língua Portuguesa (SIAGR) que reúne especialistas de agro-negócios da comunidade. O evento, que termina hoje, tem como objectivo reforçar as discussões, trocas de experiências e conhecimentos entre pesquisadores, estudantes, instituições, organizações internacionais, governos e sociedade civil organizada, envolvida com questões relacionadas ao agro-negócio dos países membros da CPLP.

O governador de Manica, Alberto Mondlane, que abriu o encontro, saudou os mentores da iniciativa por abordar temas de importância especial para a província e para Moçambique, sabido que o sector familiar continua a ser o que mais produz e garante o sustento das famílias no país.

Carlos Quembo, médico veterinário e delegado regional do centro do Instituto Nacional de Investigação Agronómica de Moçambique (IIAM) revelou no encontro que a província de Manica registou nos últimos sete anos, perdas avaliadas em cerca de oito mil milhões de meticais, resultantes de rejeições totais e parciais da carne devido a zoonoses. Durante este período, a província de Manica destruiu cerca de 53 mil quilogramas de carne diversa, em diversos matadouros.

O II Simpósio Internacional dos Países da Língua Portuguesa (SIAGR) é co-organizado pelo Instituto Superior Politécnico de Manica e o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha do Brasil

O primeiro simpósio realizou-se na cidade de Santa Maria, no Brasil, em 2014. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

sábado, 22 de julho de 2017

Brasil - Facilita entrada de produtos agropecuários da UE

SÃO PAULO – O Brasil concedeu autorizações sanitárias para a União Europeia (UE) que vão facilitar a entrada de uma série de produtos de origem animal do bloco no mercado brasileiro, como Bruxelas vinha exigindo em meio às discussões sobre problemas com a carne brasileira.

“Atendemos a uma série de pedidos da UE na área fitossanitária. Para eles, o impacto econômico será importante”‘, afirmou o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Pedro Miguel da Costa e Silva, em Genebra.Segundo o Ministério da Agricultura, os produtos beneficiados são carne e produtos cárneos de aves, bovinos e suínos, envoltórios naturais de bovinos e suínos, gelatina e colágeno, leite e produtos lácteos e mel e produtos apícolas e ovos.

Conforme o diplomata, as autorizações não têm relação com as discussões acerca das inspeções envolvendo carne brasileira, que até agora não safistizeram Bruxelas. Pedro Miguel da Costa e Silva disse que a agenda SPS, que inclui medidas sanitárias e fitossanitárias, é permanente entre Brasil e UE, e que questões específicas fazem parte do dia a dia dessas discussões. E que é em decorrência de inspeções, convergências regulatórias e análises técnicas que os produtos são liberados nos respectivos mercados.

Bruxelas

Porém, ao retornar de uma viagem ao Brasil logo depois de deflagrada a Operação Carne Fraca, em março, o comissário de Saúde e Segurança de Alimentos da UE, Vytenis Andriukaitis, não escondeu que Bruxelas estava usando o problema para tentar arrancar rapidamente do Brasil melhor acesso para suas exportações agroalimentares. Na ocasião, ele contou que aproveitou a viagem ao Brasil “para destacar a forte insatisfação dos Estados-membros” com as dificuldades no acesso de produtos europeus do setor no país.

E disse que elas contrastava “com a abordagem transparente e construtiva [da UE] em relação ao Brasil”, inclusive naquela situação. Em Genebra, no exame da política comercial brasileira, a UE fez perguntas sobre inspeção, reconhecimento de produtos e outros aspectos técnicos. Foi o que levou a delegação brasileira a destacar que, na semana passada, uma série de autorizações para atender à demanda europeia havia sido enviada. Assis Moreira – Brasil in “Valor Econômico”

sábado, 11 de março de 2017

Brasil - Um basta à estagnação

SÃO PAULO – Reduzir o Estado, tornando-o menos dispendioso e menos pesado para a sociedade que o sustenta, tem sido o objetivo do atual governo-tampão. Se vai consegui-lo até o final de 2018, ainda não é possível prever, até porque nem mesmo se sabe se as principais figuras que o compõem conseguirão escapar às delações que surgem em função das investigações da operação Lava-Jato e colocam a nu uma teia de corrupção que se acha instalada no País há mais de 30 anos.

Independente disso, o Brasil não pode parar e precisa continuar a construir o seu destino de país do futuro, na definição do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942). E esse futuro, como se vê pelos últimos resultados da balança comercial, passa por seu manifesto destino de fornecedor de alimentos. Isso não constitui nenhum demérito porque é intrínseco à natureza de todo país continental, ou seja, vender commodities do agronegócio e dos demais segmentos ao mercado externo.

Hoje, se o País não entrou em parafuso, é porque os produtos do campo e não transformados, como soja, milho, carne e minério de ferro, têm sido fundamentais para a manutenção do equilíbrio da balança comercial. E se a economia está conseguindo sair da recessão depois de anos difíceis, é porque os alimentos e outros produtos originários do campo têm mantido e até mesmo ampliado os mercados que abriram no mundo.

Ao contrário da indústria, que não conseguiu produzir inovação nem acumular ganhos de competitividade, o que se tem refletido no fechamento de postos de trabalho, o agronegócio só não obteve melhores resultados porque o governo federal não investiu tanto quanto deveria na infraestrutura logística, deixando de recuperar e ampliar as estradas que permitem o escoamento da produção do Centro-Oeste.

Obviamente, não se pode imaginar que só o agronegócio será capaz de recuperar a economia, mas constitui a base em que se pode sustentar qualquer plano de recuperação. Por isso, é fundamental que a atividade industrial continue a ser subsidiada; caso contrário, corre-se o risco de mais nenhuma grande indústria vir a se instalar em solo brasileiro. Ou seja, não se pode impedir que os Estados continuem a lutar entre si para atrair indústrias inovadoras em troca de incentivos fiscais.
           
É claro que, nas atuais circunstâncias, alguns Estados mais endividados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, precisam conter a sangria da renúncia fiscal, aumentando suas receitas, mas aqueles que tiveram governos menos perdulários têm todo o direito de procurar atrair empresas – especialmente, indústrias – que venham a ampliar a oferta de empregos.

Seja como for, tanto os Estados como a União precisam investir em obras de infraestrutura que são decisivas para a retomada do crescimento, além de estimular as privatizações e destravar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), lançado em setembro de 2016, ampliando o número de concessões para ferrovias, portos, rodovias, galpões de armazenagem e energia elétrica. Só assim o País conseguirá reverter o processo de estagnação em que se encontra. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br