Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Brasil – O que o Estado de Goiás ganha com o acordo Mercosul – União Europeia

Com a assinatura do acordo entre Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e União Europeia (UE), em Assunção, depois de 26 anos de negociações infrutíferas, o agronegócio brasileiro será um dos grandes beneficiários, pois o setor, que inclui a agroindústria, é um dos maiores produtores do mundo e tem o bloco europeu como o seu segundo maior cliente, atrás apenas da China. Isso, obviamente, oferece a certeza de que o Estado de Goiás sairá amplamente beneficiado a partir da entrada em vigor do tratado, já que o setor da mineração também será amplamente favorecido, bem como a indústria automotiva e os setores aeronáutico e de máquinas e tecnologia.

Basta lembrar que um levantamento realizado recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que os acordos preferenciais e de livre-comércio do Brasil cobrem apenas 8% das importações mundiais de bens, mas com o novo acordo esse percentual deverá saltar para 36%, já que a UE responde por 28% do comércio global, segundo dados de 2024. E que o novo acordo abrange 27 nações, mais de 715 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) ao redor de US$ 22 trilhões.

De acordo com a CNI, 54,3% dos produtos negociados no âmbito do acordo terão imposto de importação zerado na UE logo na entrada em vigor do tratado, ou seja, mais de cinco mil itens, enquanto, por parte do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos para a redução tarifária. As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de quatro a dez anos, a depender do produto. A médio prazo, a previsão é que mais de 90% do comércio entre os dois blocos sofram redução ou eliminação gradual de tarifas, beneficiando o agronegócio e setores industriais de maior valor agregado.

Em outras palavras: o acordo cria um cenário de maior segurança jurídica e estabilidade regulatória, fator que é considerado decisivo para atrair investimentos produtivos e para o planejamento de longo prazo, oferecendo possibilidades para que também pequenas e médias empresas consigam se inserir no comércio exterior, o que, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, será facilitado pelo apoio da  Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores.

Para Goiás, a previsão é que o acordo venha a diversificar suas exportações para a Europa, provocando, a princípio, um aumento de até 30% nas vendas, principalmente de produtos do agronegócio, como frutas, café, carnes e óleos, o que deverá diminuir a dependência em relação à China, que hoje representa 44% do total das exportações goianas. Diante desse novo horizonte, Goiás tem a oportunidade de transformar competitividade em protagonismo: ampliar mercados com valor agregado, atrair investimentos, acelerar inovação e consolidar uma agenda moderna de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade — requisitos cada vez mais decisivos para acessar e permanecer no mercado da UE.

Enfim, o momento pede estratégia e união: governo, setor produtivo, cooperativas, indústria, universidades e municípios precisam estar alinhados para fortalecer infraestrutura, certificações, tecnologia, logística e capacitação, abrindo caminho para que não apenas grandes players, mas também pequenas e médias empresas e a agricultura familiar participem do salto exportador. Se fizermos o dever de casa com visão e velocidade, o acordo não será apenas uma boa notícia para o Brasil, mas um marco para um Goiás mais industrial, mais internacional e mais próspero, com emprego, renda e desenvolvimento regional. Ivone Silva - Brasil

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Ivone Maria da Silva, economista, é empresária e integrante do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO) e do Conselho Administrativo Tributário de Goiás (CAT-GO). E-mail: diretoria@imase.com.br

 

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Portugal - Chocolate preto com mais benefícios para a saúde está a nascer na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

Chocolates enriquecidos com vitaminas e minerais estão entre os produtos inovadores que a faculdade está a desenvolver no âmbito do projeto VIIAFOOD


Boas notícias para os apreciadores de chocolate preto e também para quem almeja um estilo de vida saudável. É possível juntar o melhor de dois mundos e, tanto é, que uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) está a trabalhar no enriquecimento deste alimento com vitaminas e minerais, numa parceria com a Imperial – Produtos Alimentares, S.A.

“Foi idealizado um produto com propriedades funcionais, no sentido de acrescentar benefícios em termos de saúde ao consumo de chocolate”, conta Iva Fernandes, docente e investigadora do Departamento de Química e Bioquímica da FCUP, que coordena na FCUP, este trabalho de parceria desenvolvido no âmbito do projeto VIIAFOOD.

As ações estimulante e antioxidante estão associadas aos benefícios do chocolate. A primeira devido à presença de teobromina, uma substância da família da cafeína, que exerce um efeito ligeiramente estimulante no organismo e a segunda por ser rico em polifenóis, que têm atividade antioxidante e podem ajudar a promover a saúde, nomeadamente, ao nível cardiovascular. Para além disso, o chocolate preto contém menos açúcar do que o de leite e apresenta elevado teor de sólidos de cacau. É também uma fonte rica em minerais como o magnésio, cobre e manganês e em vitaminas B2 e B6.

No entanto, apesar das suas reconhecidas vantagens, “grandes quantidades deste género alimentício não devem ser ingeridas com o objetivo de torná-lo uma fonte viável de vitaminas e minerais na dieta”, destaca a investigadora.

Por este motivo, acrescenta Iva Fernandes, “deve ser consumido no âmbito de uma dieta alimentar variada e equilibrada”. É com este objetivo que surge esta iniciativa de enriquecer o perfil nutricional do chocolate, com recurso a micronutrientes.

O trabalho da FCUP com o chocolate

Na FCUP, os investigadores receberam e estão a testar diferentes protótipos com adição de vitaminas e minerais, desenvolvidos pela Imperial, empresa líder do projeto. “Neste momento, estamos a quantificar o teor de vitaminas e minerais e compostos fenólicos e metilxantinas [pseudoalcalóides com alto poder estimulador do sistema nervoso central]”, conta Iva Fernandes.

Deste trabalho na FCUP, sairão também a(s) formulação(ões) mais adequadas para o scale-up industrial com a definição dos melhores micronutrientes a incorporar neste novo chocolate.

Depois do scale-up industrial, os protótipos industriais serão caracterizados nutricionalmente. “Serão subsequentemente avaliadas as condições de estabilidade e a bioacessibilidade e a biodisponibilidade dos bioativos, e, ainda, dos micro e macronutrientes por simulação do processo de ingestão. Ou seja, será avaliada a resposta do organismo perante a ingestão do alimento e o seu funcionamento em função dos nutrientes disponíveis”, explica a investigadora.

E quando teremos estes chocolates mais saudáveis no mercado? Este projeto, que está a ser desenvolvido no âmbito do VIIAFOOD, termina em 2025, seguindo-se todo um processo associado às restantes fases de projeto no âmbito industrial.

Sobre o VIAAFOOD

A equipa da FCUP, no âmbito do projeto VIAAFOOD (Plataforma de valorização, industrialização e inovação comercial para o setor agroalimentar), é liderada pelo docente e investigador Victor de Freitas. O VIIAFOOD que vai desenvolver mais de 130 novos produtos saudáveis e sustentáveis.

Um ou mais destes produtos sairá então desta colaboração com a Imperial liderada no Foodphenolab, grupo de investigação da unidade de Química Orgânica Aplicada (QUINOA) do LAQV-REQUIMTE, pela investigadora Iva Fernandes. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Angola - Gigante multinacional do sector mineiro Rio Tinto entra no país pela mão da Endiama e do MIREMPET

O Grupo Rio Tinto, o segundo maior conglomerado do sector mineiro em todo o mundo, vai assinar um acordo de investimento com a diamantífera nacional, Endiama, e o Ministério dos Recursos Minerais Petróleo e Gás, no dia 08, consolidando desta forma a esperada entrada deste gigante no subsolo angolano que estava a ser negociada há largos meses

Com este acordo, que vai ser assinado pela Endiama e apadrinhado pelo MIREMPET na embaixada de Angola, em Lisboa, na próxima sexta-feira, 08, segundo avançou ao Novo Jornal fonte do ministério, consuma-se um processo negocial que já se prolonga há vários meses e que representa uma forte expectativa de aumentar o investimento externo neste sector vital da economia nacional.

A cerimónia de assinatura deste acordo vai contar com a presença dos administradores das empresas e do ministro Diamantino Azevedo.

A chegada da multinacional anglo-australiana, com uma vasta rede de investimentos em todo o mundo e com uma experiência única atrelada, estava a ser negociada há largos meses com a diamantífera nacional, até porque os diamantes são um dos focos principais do Grupo com sede em Londres, Reino Unido, tendo mesmo o PCA da Endiama anunciado em Janeiro deste ano a sua chegada iminente ao País ainda este ano, o que acaba por se concretizar.

Dizia em Janeiro Manuel Ganga Júnior que as negociações com a Rio Tinto estavam especialmente avançadas e que tudo poderia estar desenhado até ao fim do ano para que Angola pudesse contar com a presença deste gigante do sector mineiro, nomeadamente para a sua fase inicial de avaliação e prospecção, sendo a fase industrial esperada para uma data posterior ainda sem definição.

Esta gigante da mineração mundial, fundado em 1873, só é secundarizada pela BHP e tem no cobre, bauxite, ouro, diamantes e ferro o foco principal da sua actividade, o que permite gerar expectativas de que a Rio Tinto tenha ainda os olhos postos, além dos diamantes, no potencial posto a nu pelo Plano Nacional de Geologia (Planageo) que, apesar de ainda não estar concluído, já mostrou que o País conta com um manancial extraordinário de minério no seu subsolo, desde a extensão gigantesca da cintura de cobre que tende milhões no Katanga congolês à vizinha Zâmbia, passando pelo cobalto ou ainda pela componentes do estratégico coltão, entre muitos outros.

No entanto, ao longo do seu percurso de sucesso, a Rio Tinto tem igualmente um traço trágico registado, sendo comummente apontado por grupos ambientalistas como fazendo tábua rasa das questões ambientais ou ainda patrimoniais, como sucedeu com a destruição de um lugar de grande importância histórica na Austrália, uma grupa na região de Juukan George, onde havia evidência de ocupação humana contínua há 46 mil anos.

Países como a Noruega ou a Indonésia também já criticaram de forma severa este gigante mundial da mineração devido aos seus escassos cuidados na protecção ambiental dentro das suas áreas de responsabilidade, sendo que existe ainda um histórico que pode ser tracejado nos media internacionais de casos de corrupção e de fraca responsabilidade social.

Um dos casos mais recentes ocorreu na Mongólia e foi noticiado pelo Financial Times, depois de um relatório, que o grupo contestou legalmente, sobre problemas sérios num investimento no sector do cobre, o projecto Oyu Tolgoi, de mais de 6,5 mil milhões USD, sendo que aqui a questão passou por atrasos inexplicáveis constatados por um grupo consultor independente, tendo o Governo mongol exigido mais transparência na gestão deste co-projecto.

E ainda há menos de três semanas, este grupo anglo-australiano esteve sob fogo na Sérvia devido a problemas ambientais relacionados com uma mina de lítio, essencial à produção de baterias para carros eléctricos. In “Novo Jornal” - Angola