Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 13 de fevereiro de 2022

Galiza - “A língua o primeiro”

O título da coluna desta semana vai entre vírgulas porque, ainda que seja uma afirmação reiteradamente sustida pelos galeguistas, é aqui uma frase de Ramón Otero Pedrayo num dos seus ensaios: Morte e Resurrección (Ourense 1932); onde fala do galego como um povo em caminho desde a sua origem céltica, na que “callou o principio da nebulosa maternal de Galiza”. Um caminho no qual “a Galiza xoga a morrer e a viver”, e no que “o galeguismo quer decir a integridade do ser e da alma galega”; salientavelmente na língua galega. Galeguismo quer dizer reconhecimento dos valores galegos, reconhecimento de Galiza como povo de seu, com a sua identidade própria.

Nesses valores, para Otero a língua é o primeiro. O seu abandono é um “estado de suicidio, de renunciamento, de parva imitanza”; mas a ele, infelizmente, “figuran aspirar moitos que se gaban de galegos e de bos galegos”. Um parágrafo cara ao remate do ensaio resulta definitório da conceção galeguista-nacionalista de Don Ramón (sublinhado seu):

“A língua o primeiro. A língua, forma psicolóxica da raza, tem de ser a primeira obligación de todos. Pois co uso e cultivo cotidián chegaráse axiña ao punto de unanimidade mínimo para que a galeguidade seña a fórmula completa das arelas de todos os galegos. Ao caír a língua cai tamén a vida galega… Podemos asegurar ser mellor unha Galiza probe falando galego que unha Galiza rica usando outra língua… Ainda que a realidade nos enseña que para ser ricos e fortes, non hai outro camiño que o de ser cada dia máis xurdiamente galegos, dando ao concepto de galeguidade as notas da humanidade superior que lle son propias por naturaleza”.

E ainda engade umas palavras particularmente caras: “Para o noso galeguismo a historia é sempre vital e moza, e por selo debe rectificar o feito doroso do arredamento de Portugal. Os mellores espritos portugueses e galegos son cidadáns da integridade da Galiza… A língua debe voltar a ser a mesma para fortalecemento do seu ser trascendental… O grande optimismo da galeguidade abrangue as esencias criadoras de Portugal”. Victorino Prieto – Galiza in “Portal Galego da Língua” comNós Diario

Victorino Pérez Prieto - (Hospital de Órbigo-León, 1954) é professor de universidade reformado, escritor, teólogo e pensador. Especialista em temas de cultura galega; em particular na Geraçom "Nós" e Prisciliano. Também em Raimon Panikkar, sobre quem fez as Teses de Doutoramento em Filosofia (USC) e Teologia (UPSA). Colaborador habitual em jornais (atualmente em Nós Diario) e revistas galegas (Encrucillada, Grial, A Nosa Terra...) e internacionais (Iglesia viva, Dialogal, Theologica Xaveriana, CIRPIT review, Complessitá...). Publicou mais de vinte livros individuais (A geraçom "Nós", Do teu verdor cinguido, Contra a síndrome N.N.A.Unha aposta pola esperanza, Más allá de la fragmentación de la teología el saber y la vida. Raimon Panikkar, Prisciliano na cultura galega, Prisciliano. Um cristâo livre, La búsqueda de la armonía en la diversidad...). E mais de cinquenta em colaboraçom (Diccionario Enciclopedia do Pensamento Galego, O Pensamento Luso-Galaico-Brasileiro 1850-2000, Galegos Universais...).

 

sábado, 28 de outubro de 2017

Câmara Agrícola Lusófona - Missão empresarial a São Tomé e Príncipe



CAL convida empresas portuguesas do agroalimentar numa missão empresarial a São Tomé e Príncipe

A Câmara Agrícola Lusófona (CAL) está a dinamizar a participação de pequenas e médias empresas (PME) portuguesas a estarem presentes em São Tomé e Príncipe. Este é mercado bastante dependente de importações e onde é evidente a preferência por produtos provenientes de Portugal. Fora da Europa, São Tomé e Príncipe é o país que possui relações sócio económicas há mais tempo, no que respeito ao agronegócio, entre 2012 e 2016, este país africano importou 42,2 milhões de euros, dos quais 35,6 milhões de euros eram de origem portuguesa, correspondendo a 84% da quota de mercado. No âmbito das diversas fileiras agroalimentares a quota de Portugal corresponde às seguintes percentagens: laticínios 81% (2,2 milhões de euros), nas carnes transformadas 84% (1,1 milhões de euros), nas gorduras animais e vegetais é 83% (2,4 milhões de euros), nas hortofrutícolas 83% (3,2 milhões de euros), nos produtos de padaria e pastelaria 94% (5,7 milhões de euros) e nas bebidas 94% (9 milhões de euros). O potencial de exportação português é elevado, considerando-se farinha de trigo, arroz, vinhos e cerveja, como os principais produtos agroalimentares de origem portuguesas.

O fortalecimento das boas relações já existentes entre Portugal e São Tomé e Príncipe é um dos principais objectivos desta missão empresarial. A localização geográfica privilegiada no Golfo da Guiné de São Tomé e Príncipe, torna-o num país com especial relevância constituindo-se como uma plataforma logística para os mercados desta região geográfica.

De 10 a 17 de Novembro, a comitiva empresarial terá a oportunidade de participar num programa com uma abordagem transversal no agronegócio, proporcionando contactos com diversas entidades de relevo – empresas locais, entidades governamentais, institucionais, bancárias, jurídicas, entre outros.

Esta é uma iniciativa que se insere no âmbito do Projeto de Internacionalização Agronegócio CPLP 2017/2018, cofinanciado pela União Europeia através do Portugal 2020 e Compete 2020.

As inscrições são limitadas, podendo ser efectuadas pela seguinte ligação aqui.

O programa da missão empresarial poderá ser acedido aqui.

Para mais informações aqui.

A CAL – Câmara Agrícola Lusófona é uma associação empresarial sem fins lucrativos que está presente em todos os países da CPLP, promovendo a divulgação do agronegócio, em território nacional e internacional, com particular ênfase nos países de língua portuguesa.


sábado, 5 de novembro de 2016

Galiza - Por um novo consenso para o galego

O poder do imaginário coletivo é imenso. Dele tira o imaginário individual suas crenças mais firmes. Controla esse imaginário colectivo, é lavoura do verdadeiro poder. O poder gestor se adapta a esse imaginário coletivo.

A geração nós foi capaz de inserir no imaginário colectivo, uma ideia de galeguismo da que hoje todos e todas bebemos. Anteriormente o ressurgimento e os Padres Feijó e Sarmento, fizeram seu bom trabalho.

O inícios do reintegracionismo devem muito a trabalhos de gente honesta como Carvalho Calero, Guerra da Cal, e muitos outros e outras. Académicos hoje ainda vivos como Isaac Estraviz ou Carlos Durão (por mencionar somente dous casos) sabem desse trabalho em condições tão difíceis. Graças a isso a Galiza conseguiu voltar a por em pé as duas colunas -raiz sobre a que se sustenta a nação: celtismo e reintegracionismo (ambas decepadas pelo franquismo).

Hoje já ninguém de nós pode duvidar (ainda que socialmente isto, pelo de agora não seja visível) que a espiral reintegracionista está em expansão, enquanto a isolacionista em contração. Mas o poder segue ao lado do isolacionismo.

Nenhum poder é suicida. E em tempos de paz, sem quebra institucional, todo novo poder surge e dimana, ascendendo pela espiral em contração do velho poder. O velho poder então precisa dum tempo para adaptar-se a nova situação. Mudando o discurso devagar, ate atingir a espiral ascendente que lhe permita seguir no comando.

Os que não tem o poder podem acelerar os ritmos e os tempos, para que a mudança chegue quanto antes (Isto significa muito esforço e trabalho na base piramidal).

Faz-se necessário mais que nunca que as verdadeiras redes galeguistas, voltem a inserir no imaginário colectivo a necessidade de as duas normativas linguísticas serem de livre utilização na administração pública e nas empresas privadas.

Isso aceleraria o processo de reintegração.

Faz-se necessário que o verdadeiro galeguismo, construa uma rede, que impulso a mudança desde abaixo: Criando uma rede cultural galega.

Se for possível este trabalho. A aceleração estaria já em marcha.
Afinal o velho poder convida a parte do novo a sua mesa, no topo da pirâmide (alguns filtram e trepam a esse poder por ai, outros permanecem fieis na base). Mas ambos movimentos são necessários para a mudança.

Não sabemos quando isto acontecerá, mas o final está já escrito. Galiza, sem a gente de pé aperceber-se (a não ser que uma crise sistémica abale o poder na Espanha e na Europa) acorda um dia sabendo que galego e português são a mesma língua. Pensa: claro sempre foi assim. Nem lembra que há apenas um decénio pensava de outra forma.

O bom dos povos é que não tem memória.
Fim dos discursos. Artur Alonso – Galiza in “Portal Galego da Língua”

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Artur Alonso Novelhe - Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Internacional - Mundo de terror

Com os fatídicos acontecimentos de onze de Setembro de 2001 foi declarada a Guerra ao Terrorismo. Apesar das certezas por parte das elites, são muitas as vozes que ecoam na sociedade civil dos que continuam descrentes da versão oficial e a reclamar uma verdadeira investigação ao que se passou nessa data.

A Guerra no Iraque foi precedida de uma verdadeira campanha dos media internacionais que dramatizaram nos noticiários em prime time a posse de armas de destruição massiva por parte do Regime de Saddam. A destruição está à vista e das armas de destruição massiva nunca houve qualquer rasto.

As preocupações ocidentais de democratização que percorreram alguns países do Norte de África deixaram um rasto de destruição e a certeza de que o petróleo Líbio continuará a ser comercializado em dólares.

De facto, para haver uma Guerra ao Terrorismo têm de existir terroristas. Seria interessante perceber-se o modo como a situação no terreno foi criada, conhecer-se os verdadeiros agentes mobilizadores (e financiadores) de toda esta agitação, que agora à luz da criação da ISIS e da ambição de radicais islâmicos para a criação de um Califado do século XXI leva a que se acentue a necessidade de mais uma coligação internacional para resolver o problema.

À semelhança do que se passou na fase “iraquiana”, temos de novo os media internacionais a demonizar, neste caso, Putin como se o período da Guerra Fria do século passado pudesse ser recriado no século XXI. De novo, as notícias contraditórias sobre quem fez o quê e as dinâmicas no terreno criaram um estado de tensão latente.

A opção pela via das sanções à Rússia e a inevitável retaliação associada aumentaram a perceção de fragilidade da economia europeia por parte dos investidores. O dólar interrompeu temporariamente a sua trajectória descendente (medida pelo o índice USD) e o Euro passou a estar fragilizado.



Sabemos que se trata de uma valorização artificial e que não será duradoura, uma vez que está em curso um reequilíbrio global das reservas dos bancos centrais fora do dólar, em particular pela China.

A opção pela via das sanções pode vir a revelar-se “um tiro no próprio pé”, por estar a induzir/acelerar realinhamentos e a criação de alternativas que continuamente começam a ser anunciadas (ao sistema SWIFT, ao Banco Mundial, à aceitação de novas moedas no comércio de energia, entre outras), o que inevitavelmente irá fragilizar ainda mais o estatuto de reserva internacional do dólar.

Esperemos que a visão atribuída a Albert Pike (1809-1891) sobre a necessidade de três guerras mundiais até serem criadas as condições para a implementação por parte das elites de uma Nova Ordem Mundial permaneça como visão que nunca venha a atingir realidade. Marto Gallo - Portugal

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Galeguismo

“Sempre me chamou a atençom a atraçom que o galeguismo histórico sentiu polo português e os países que o falam, atençom que o galeguismo oficial há tempos que enviou para as malvas, essencialmente porque é o preço para sair na fotografia. No entanto, sempre fiquei mais chocado com a fascinaçom que sentiam polos países celtas de cuja comunidade, ao que parece, fazíamos parte.

Longe de mim entrar em debates sobre o celtismo de que pouco sei. Simplesmente queria bater o ponto na atitude: a Galiza Lusófona era, e é, um desafio ao statu Quo, a Galiza céltica nom.”  Valentim Fagim - Galiza     in "www.pglingua.org"