Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Goa - Aldeia de Lamgão decidiu impedir o reinício da mineração

Os tesouros da história e da natureza da idílica vila podem estar em jogo


As cavernas Pandava na vila de Lamgão em Bicholim permitem-nos uma perspectiva histórica do ambiente natural dos habitantes locais.

Lamgão é uma aldeia em Goa que atrai turistas por causa das suas cavernas centenárias e, ao atravessar a densa vegetação e encontrar os habitantes locais, inicia-se uma jornada para a Goa do passado.

As cavernas em Lamgão são profundas. Elas são convidativas no começo, mas conforme a pessoa se aventura mais fundo, o cheiro transforma-se em fedor. Morcegos grandes e sinistros podem ser vistos a dormir em leitos rochosos, talvez a razão do mau cheiro.

O medo paira sobre um animal saindo de uma caverna. Não há, no entanto, medo de que as cavernas desmoronem, apesar da sua idade. A natureza parece ter garantido a estabilidade das cavernas.

Ninguém em Lamgão sabe quando as cavernas foram construídas. “Antes de nascermos, com certeza”, grita Suresh enquanto se afasta com o seu búfalo.

A aldeia de Lamgão não se resume apenas às grutas ou às rochas que por lá abundam, mas sim ao estilo de vida. As mulheres caminham para lavar roupas nas águas do lago enquanto as crianças ficam sentadas à beira d'água brincando, conversando e apenas curtindo a natureza.

“A minha força na minha determinação de que a mineração não começará nesta área decorre da minha crença nos deuses deste lugar e nos anciãos da minha aldeia. Este lugar é bom demais para poder ser destruído por qualquer pessoa”, diz um confiante Shruthi Hoble.


Shruthi e a sua prima Shreya costumam sentar-se à beira do lago da aldeia à noite. “Costumávamos vir brincar aqui quando éramos mais jovens. É difícil expressar o sentimento, mas o meu sorriso deve dizer muitas coisas”, diz Shruthi com um sorriso radiante.

A água do lago corre pela vegetação, passando pelas cavernas na floresta onde os moradores plantam frutas e legumes. “Muitos turistas estrangeiros e indianos vêm visitar as cavernas em maio”, revela Shreya Hoble, que está a fazer ciência XI na esperança de se tornar uma professora como a sua mãe.

O turismo está ligado a ganhos financeiros, mas não aos aldeões.

“Não tem comércio ao redor da vila e, portanto, não tem jeito, a chegada dos turistas vai beneficia-nos. Mas, como eles (turistas) vêm, o governo colocou uma calçada no caminho para as cavernas e isso nos beneficiou”, diz Ramdev.

Como a maioria dos aldeões, Shreya e Shruthi não têm certeza e estão preocupados se a mineração começará á volta da sua aldeia. “Eles destruirão a nossa aldeia se tiverem permissão para começar a minerar”, observa Shruthi.

A conversa sobre mineração continua perto do Templo de Rudreshwar – situado antes das cavernas – onde os idosos estão decididos a resistir a tais tentativas.

“Temos feito reuniões entre nós e a decisão é um 'não' à mineração. Foi-nos garantido que a mineração não começará em torno da nossa aldeia, mas nunca se pode dizer”, refuta um dos anciãos, enquanto explica como o festival para a divindade é celebrado em Mahashivratri.

O mergulho no lago e uma lavagem na primavera aproximam a pessoa das melodias da natureza, tornando a saída de Lamgão para o retorno à cidade muito mais difícil. Augusto Rodrigues – Goa in “Gomantak Times”




segunda-feira, 6 de março de 2023

Açores - Governo Regional concorda com moratória à mineração do mar profundo

O secretário regional do Mar e das Pescas dos Açores, Manuel São João, disse concordar com a criação de uma moratória que impeça que se avance com a mineração do mar profundo, em torno das ilhas

“A mineração do mar profundo nesta região, com os alertas em uníssono da comunidade científica, é incompatível com o que desejamos e defendemos para o maior património dos Açores: o nosso mar”, disse o governante, no encerramento de um debate público sobre a mineração marinho, realizado na Horta, por iniciativa da ANP-WWF e da SCIAENA - Associação de Ciências Marinhas e Cooperação.

Para Manuel São João, faz todo o sentido que seja criada uma moratória regional nos Açores, a exemplo do que acontece nas Canárias, que proibia qualquer ação comercial de extração de minerais do fundo do mar no arquipélago, pelo menos até que haja um maior conhecimento científico sobre os impactos dessa mineração. “Entendemos como adequada uma moratória regional, à semelhança do que tem sucedido com outras regiões, nomeadamente, as Canárias, que além de um limite temporal, faça depender de um grau de conhecimento científico que acautele o ambiente marinho”, advertiu o secretário regional do Mar e das Pescas.

O governante lembrou que, mesmo que a exploração de minerais do fundo do mar fosse permitida nos Açores, essa atividade “nem seria controlada pelos Açores”, uma vez que a República “retirou” a competência de gestão dos mares dos Açores às autoridades regionais. Na sua opinião, a mineração do mar profundo deve ser encarada com “redobrada cautela”, por não existir extração de minerais “sem perda de biodiversidade” e sem “interferências” nas atividades económicas, designadamente na área das pescas.

“Os Açores, internacionalmente reconhecidos como um oásis para a vida marinha, não podem, no atual estado de conhecimento científico, avançar com qualquer processo que potencie a destruição patrimonial, de forma irreversível”, salientou.

Telmo Morato, investigador do instituto Okeanos, ligado à Universidade dos Açores, entende que a eventual mineração do mar profundo da região destruiria a fauna marinha, os corais e a biodiversidade, mas também poderia afetar os cardumes de atuns que atravessam o arquipélago.

“Estas plumas com potencial de toxicidade, devido à libertação de metais pesados, poderão entrar na cadeia trófica marinha, através do fitoplâncton, e depois ser amplificada, até chegar, por exemplo, aos grandes pelágicos, como os atuns”, alertou o investigador da academia açoriana.

Ana Matias, da Associação de Ciências Marinhas, uma das organizadoras do colóquio, entende que os impactos negativos de uma eventual mineração podem ser “muito superiores” e afetar também a atividade da pesca e mesmo o setor do turismo, através da observação de baleias e golfinhos.

“Estamos a falar de impactos, alguns já estão estudados, mas muitos deles, e sobretudo a sua escala, ainda é muito imprevisível, e isto iria afetar, obviamente, toda a cadeia trófica, e todos os seres vivos que vivem no mar profundo, e também as atividades económicas que dependem do bem-estar do oceano e da passagem pela região de grande migradores, como os cetáceos”, observou aquela dirigente associativa. In “Milénio Stadium” - Canadá


segunda-feira, 26 de abril de 2021

Brasil - Agregar valor ao agronegócio

Na maioria, foram convidados por conchavos e pelo contato do principal mandatário com a caserna. A rigor, esses pretensos ministros, se tivessem autocrítica e realmente estivessem preocupados com o desenvolvimento do País, jamais aceitariam a responsabilidade de administrar aquilo que efetivamente não conhecem

São Paulo - Como quarta economia do mundo, o Brasil não depende – e ainda bem – do governo central para dar andamento a sua economia, mas que suas ações podem atrapalhar não há dúvida. E, infelizmente, é o que vem ocorrendo com frequência. Com exceção dos ministérios da Fazenda e da Agricultura e do Banco Central, administrados por titulares de alto nível técnico e formação acadêmica invejável, os demais órgãos, com raras exceções, são conduzidos por profissionais que estão longe de serem os mais bem preparados. 

Na maioria, foram convidados por conchavos e pelo contato do principal mandatário com a caserna. A rigor, esses pretensos ministros, se tivessem autocrítica e realmente estivessem preocupados com o desenvolvimento do País, jamais aceitariam a responsabilidade de administrar aquilo que efetivamente não conhecem. Na verdade, mostram-se tão despreparados para a função que é possível imaginar que tenham sido convidados para encobrir mais a falta de talento administrativo e político do presidente da República do que por outra razão mais nobre. Seja como for, o que se lamenta é que a soberba impeça que se deem conta do quanto sua incompetência vem prejudicando o País.

Em que pesem trapalhadas governamentais e atitudes do presidente que fogem à luz da razão, o empresariado nacional tem sabido como se portar, assimilando as informações e os movimentos econômicos e administrativos do governo que são dignos de serem levados em conta. E assim o País, apesar dos sobressaltos causados pela pandemia de coronavírus (covid-19), segue firme em busca da retomada da produção e da normalidade econômica para fazer frente a um mercado consumidor que deve chegar em 2030 como o quinto maior do mundo, com um potencial previsto de US$ 2,5 trilhões, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Basta ver que, mesmo em meio à pandemia, em 2020, no acumulado do ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 50,9 bilhões, com exportações de US$ 209,9 bilhões e importações de US$ 158,9 bilhões, tendo a corrente de comércio chegado a US$ 368,8 bilhões, segundo dados do Ministério da Economia.

Obviamente, esses números foram sustentados pelo agronegócio e pela mineração com a produção que alcançaram, mas não se pode deixar de reconhecer que esses setores também ajudaram o segmento industrial com a compra de máquinas, tratores e até aviões para o trabalho de pulverização da lavoura. Enfim, há uma grande gama de produtos industrializados que são exigidos para o plantio e a colheita de safras gigantescas.

Isso significa que, para que a balança continue superavitária, é preciso agregar cada vez mais valor ao agronegócio. Ou seja, é fundamental que a indústria de transformação invista em tecnologia e em novos processamentos para que possa atender ao agronegócio em sua necessidade de escoar ainda mais e aumentar o número de vendas para o mundo. Além disso, é essencial que o governo federal, por meio do Ministério da Infraestrutura, continue a investir em obras que possam facilitar o escoamento da produção, o que inclui o reaparelhamento de portos e aeroportos.

Por fim, não se pode deixar de lado a tão decantada reforma tributária que, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, haverá de ser ainda aprovada neste ano e que tem por objetivo ampliar a base de arrecadação para conseguir reduzir alíquotas de impostos.  O que se espera é que essa reforma venha também a contribuir para o desenvolvimento não só do comércio exterior como daqueles outros setores que a ele estão ligados. Adelto Gonçalves – Brasil

 

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Brasil – Lítio começa a ser explorado

As recentes descobertas de lítio no Brasil tornam o país um dos maiores produtores do mineral do mundo, a matéria prima básica para a fabricação de baterias elétricas.

De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), foram recebidos até dezembro 117 pedidos para pesquisar a presença de lítio, mais de três vezes do que em 2017 e quatro vezes mais do que em 2016.

A extração de lítio gerou uma grande expectativa no chamado Vale do Jequitinhonha, no Estado de Minas Gerais, uma das regiões mais pobres do país, mas com grande potencial para áreas abertas.

Apenas na região de Araçuaí, cerca de 600 quilômetros de Belo Horizonte, 46 novas requisições para a exploração de lítio nos últimos dois anos foram registrados, graças às descobertas iniciais feitas pela mineradora Sigma e a um trabalho da estatal Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), que encontrou 45 corpos rochosos com minerais de lítio.

Em 2018, houve também um aumento na busca por lítio no Nordeste, principalmente nos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia.

Chamado de "petróleo do futuro", devido ao potencial de substituição do motor a combustão, o lítio ganhou grande valor no mercado internacional nos últimos anos e meses, o que fez com que seu preço subisse rapidamente.

Isto coincide com os planos de vários países de reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor dos transportes, o que gerou uma grande competição ao redor do globo para encontrar substitutos do petróleo, o que pode estar nas baterias elétricas e mais especificamente no lítio.

O Brasil tem hoje uma pequena produção de lítio, por meio de um projeto da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), localizada em Araçuaí e destinada ao consumo básico no mercado interno, como lubrificantes e cerâmicas, embora vários investimentos recentes começaram a alterar o cenário.

Em maio, a empresa AMG Mineração abriu uma fábrica em Nazaré, também em Minas Gerais e a cerca de 240 quilômetros de Belo Horizonte, com um investimento de R$ 450 milhões de reais para extrair o lítio de pilhas usadas que há pouco tempo não tinha valor no mercado.

Atualmente, a unidade opera a 60% de sua capacidade, de 90 mil toneladas anuais de espodumênio, um dos minerais em que o lítio é encontrado. Considerando que exista 6% de lítio nesse volume de material, seriam 4.500 toneladas de lítio contido, a medida utilizada internacionalmente para classificar produção, equivalente a nove vezes mais do que toda a produção brasileira em 2017.

No ano passado, o Brasil produziu 43 mil toneladas de lítio contido, representando menos de 0,1% de um mercado global dominado pela Austrália e pelo Chile, que respondem juntos por 76% da produção global, e a Argentina, com 13% do total mundial.

Atualmente, o Sigma mineração prepara o maior projeto de produção de lítio no Brasil, com uma capacidade de 240 mil toneladas de espodumênio anualmente, o equivalente a cerca de 14.400 toneladas de lítio.

"Temos disponibilidade de matérias primas e de mercado, que é um dos maiores do mundo. Temos o início e o fim. Nós só precisamos desenvolver o meio. A cereja no topo do bolo seria atrair uma fábrica de baterias no país", disse o presidente da Sigma, Itamar Resende, em declarações ao portal UOL.

A AMB, por sua vez, já assinou um acordo com a empresa coreana Ecopro para estudar a viabilidade de uma unidade química de produção de sulfato de lítio, etapa ainda mais importante na cadeia de produção de baterias.

De qualquer forma, o Brasil deve estar à frente dos maiores produtores de lítio, o petróleo do futuro, nos próximos anos. In “Valor Econômico” – Brasil com “Agência Xinhua”