Com a assinatura do acordo entre
Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e União Europeia (UE), em
Assunção, depois de 26 anos de negociações infrutíferas, o agronegócio
brasileiro será um dos grandes beneficiários, pois o setor, que inclui a agroindústria,
é um dos maiores produtores do mundo e tem o bloco europeu como o seu segundo
maior cliente, atrás apenas da China. Isso, obviamente, oferece a certeza de
que o Estado de Goiás sairá amplamente beneficiado a partir da entrada em vigor
do tratado, já que o setor da mineração também será amplamente favorecido, bem
como a indústria automotiva e os setores aeronáutico e de máquinas e
tecnologia.
Basta lembrar que um levantamento
realizado recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou
que os acordos preferenciais e de livre-comércio do Brasil cobrem apenas 8% das
importações mundiais de bens, mas com o novo acordo esse percentual deverá
saltar para 36%, já que a UE responde por 28% do comércio global, segundo dados
de 2024. E que o novo acordo abrange 27 nações, mais de 715 milhões de
habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) ao redor de US$ 22 trilhões.
De acordo com a CNI, 54,3% dos produtos negociados no
âmbito do acordo terão imposto de importação zerado na UE logo na entrada em
vigor do tratado, ou seja, mais de cinco mil itens, enquanto, por parte do
Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos para a redução tarifária. As tarifas
serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de quatro a dez anos,
a depender do produto. A médio prazo, a previsão é que mais de 90% do comércio
entre os dois blocos sofram redução ou eliminação gradual de tarifas,
beneficiando o agronegócio e setores industriais de maior valor agregado.
Em outras palavras: o acordo cria um cenário de maior
segurança jurídica e estabilidade regulatória, fator que é considerado decisivo
para atrair investimentos produtivos e para o planejamento de longo prazo,
oferecendo possibilidades para que também pequenas e médias empresas consigam
se inserir no comércio exterior, o que, segundo o Ministério da Agricultura e
Pecuária, será facilitado pelo apoio da
Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil),
em parceria com o Ministério das Relações Exteriores.
Para Goiás, a previsão é que o acordo venha a
diversificar suas exportações para a Europa, provocando, a princípio, um
aumento de até 30% nas vendas, principalmente de produtos do agronegócio, como
frutas, café, carnes e óleos, o que deverá diminuir a dependência em relação à
China, que hoje representa 44% do total das exportações goianas. Diante desse
novo horizonte, Goiás tem a oportunidade de transformar competitividade em
protagonismo: ampliar mercados com valor agregado, atrair investimentos, acelerar
inovação e consolidar uma agenda moderna de sustentabilidade, rastreabilidade e
qualidade — requisitos cada vez mais decisivos para acessar e permanecer no
mercado da UE.
Enfim, o momento pede estratégia e união: governo, setor
produtivo, cooperativas, indústria, universidades e municípios precisam estar
alinhados para fortalecer infraestrutura, certificações, tecnologia, logística
e capacitação, abrindo caminho para que não apenas grandes players, mas
também pequenas e médias empresas e a agricultura familiar participem do salto
exportador. Se fizermos o dever de casa com visão e velocidade, o acordo não
será apenas uma boa notícia para o Brasil, mas um marco para um Goiás mais
industrial, mais internacional e mais próspero, com emprego, renda e
desenvolvimento regional. Ivone Silva - Brasil
___________________
Ivone Maria da Silva, economista, é empresária e integrante do Conselho
Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO) e do Conselho Administrativo
Tributário de Goiás (CAT-GO). E-mail: diretoria@imase.com.br
Sem comentários:
Enviar um comentário