Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 28 de julho de 2023

Moçambique - Fundo das Nações Unidas para a População leva apoio técnico e financeiro para impulsionar tecnologia de dados

Cerca de 5 mil técnicos já foram preparados no sistema nacional de estatística. A agência espera que o censo populacional de 2027 seja feito com base no sistema eletrónico de recolha de dados


Em Moçambique, a comunidade académica, economistas, jornalistas e demais pesquisadores já podem fazer o uso de dados estatísticos compilados com a nova tecnologia, em parceria com as Nações Unidas.

Especialistas utilizaram dados do último censo da população, realizado em 2017, para fazer os estudos temáticos. O resultado do trabalho foi divulgado no início desta semana em Maputo, capital do país.

Dados estatísticos

O lançamento dos estudos temáticos do quarto recenseamento geral da população e habitação, resulta da cooperação entre o governo de Moçambique e os governos do Canadá, Suécia, Reino Unido, Itália e Noruega e é implementado pelo Fundo das Nações Unidas para a População, UNFPA.

Para Walter Mendonça Filho, representante interino do UNFPA, os dados também podem ser aproveitados nos processos de planificação, defesa de causas, tomada de decisões e concepção de políticas públicas.

“Isto é de extrema importância no momento em que o país se empenha em cumprir os seus compromissos internacionais e nacionais, incluindo a Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e o programa de ação da conferência internacional sobre a população e desenvolvimento, inseridos na Estratégia Nacional de Desenvolvimento (2015-2035).”

O chefe interino da agência, destacou ainda importância dos estudos, dando como exemplo o uso dos dados do censo de 2017 que permitiram desenvolver políticas e estratégias do governo e dar respostas humanitárias aos desastres naturais.

“Investimentos na igualdade de género, na promoção dos direitos à autonomia corporal e a escolha, na redução da violência com base no género e na capacitação das mulheres e raparigas, através da educação e do acesso universal a contraceptivos modernos e a redução das uniões prematuras, ajudarão mais de metade da população, as mulheres, a atingir o seu potencial pleno, as suas aspirações e a traçar o caminho da sua própria vida.”

Parceria e cooperação

Já Luísa Fumo, chefe adjunta de cooperação na Embaixada da Suécia, falando em representação dos doadores, elogiou a iniciativa. Ela disse que a cooperação visa tornar os dados estatísticos acessíveis para todos com vista a contribuir para melhoria da planificação. Ela citou ainda os progressos da cooperação.

“A divulgação dos resultados do Censo em forma de atlas demográfico e mapas georreferenciados; a Revitalização e reforço da função estatística do INE; Formação de cerca de 5 mil funcionários do Sistema nacional de estatística em várias matérias técnicas; realização do inquérito demográfico e de saúde e 17 estudos temáticos baseados nos resultados do censo de 2017.”

O UNFPA compromete-se a apoiar o governo moçambicano e os seus parceiros a alavancar de forma coletiva o poder dos dados e das tecnologias. O objetivo é impulsionar a mudança através de políticas e programas baseados em evidências, assim como o alcance dos objetivos que são parte dos compromissos nacionais e internacionais.

Desafios TIC

“Reconhecendo ainda este potencial, esperamos que para o censo da população e habitação de 2027, seja utilizado um Sistema eletrónico de recolha de dados, para melhorar a qualidade, eficiência e eficácia do processo, permitindo uma disseminação rápida dos resultados e uma qualidade incontestável da informação.”

Os Estudos Temáticos elaborados com base nos dados do Censo 2017 oferecem uma riqueza de conhecimentos sobre os principais tópicos sociais e económicos, analisam as disparidades e desigualdades geográficas e sociais e acompanham o progresso das realizações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, no país. Ouri Pota – Moçambique ONU News


sábado, 23 de abril de 2022

Guiné-Bissau - Fundação Ana Pereira lança concurso “Vox Juvenis”

Bissau – A Fundação Ana Pereira (FAP), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a População (Fnuap), lançou o concurso denominado “Vox Juvenis”, visando o reforço das estratégias de protecção e promoção dos direitos dos jovens.

Em conferência de imprensa na qual se anunciou o concurso, o Presidente do Conselho de Administração da FAP, Maimuna Gomes Silva disse que a iniciativa visa contribuir para a sensibilização, em particular das jovens raparigas, principais vítimas de práticas nefastas, junto da comunidade juvenil da região de Bafatá, Gabú e Sector Autónomo de Bissau.

Segundo Maimuna Silva, o concurso que irá decorrer entre Abril e Junho do ano em curso abrangerá, nesta primeira fase, 600 jovens, ou seja 200 de cada região seleccionada.

Adiantou que, na segunda fase, serão seleccionados os 60 vencedores, 20 para cada região, e na terceira fase realizar-se-ão trabalhos escritos para os 60 vencedores sobre temáticas de protecção e promoção dos direitos dos jovens.

Os vencedores serão premiados com   smartfones e cursos técnicos profissionais.

Maimuna Gomes da Silva disse que, para além disso, realizar-se-á, em Bissau, uma Mesa Redonda da Juventude, da qual sairá uma Declaração de Compromisso da Juventude com as estratégias de combate ao casamento infantil, gravidez na adolescência, práticas nefastas e estigmas associadas à menstruação. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

quinta-feira, 31 de março de 2022

Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - Com taxa de gravidezes indesejadas superior à mundial

Nova Iorque – A taxa de gravidezes indesejadas entre mulheres dos 15 aos 49 anos em países africanos lusófonos é superior à mundial, segundo um relatório hoje divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

No relatório “Vendo o Invisível: O caso de acção na crise negligenciada da gravidez não intencional”, hoje divulgado, o UNFPA apresentou dados em relação a gestações não planeadas, salientando que representam quase metade do total de gravidezes no mundo, totalizando 121 milhões por ano.

Enquanto a taxa mundial permanece em 64 gravidezes indesejadas por cada 1000, esse número é muito superior em países como Angola (120), Cabo Verde (102), Guiné-Bissau (99), Moçambique (88) e São Tomé e Príncipe (130).

Também no Brasil esse número é ligeiramente superior aos dados mundiais (67 gravidezes indesejadas por cada 1000 mulheres).

Entre os países lusófonos, a excepção é Portugal (21) e Timor-Leste (50), que ficaram abaixo da taxa mundial, neste relatório que compila dados de 2015 a 2019.

Tendência semelhante é encontrada no levantamento da taxa de natalidade por parte de mães adolescentes (15 a 19 anos), em que a média mundial ficou em 40 por cada 1000, mas que foi amplamente superada pelos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Angola atingiu uma taxa de 163 por cada 1000 adolescentes, Guiné-Bissau 84, 180 em Moçambique e 86 em São Tomé e Príncipe. Apenas Cabo Verde ficou abaixo da média mundial (12), segundo o relatório, que apresenta dados que vão desde 2004 até 2020.

Já o Brasil tem 49 gravidezes entre adolescentes por cada 1000 jovens, Timor-Leste 42 e Portugal sete.

Num âmbito mais global, o relatório alerta que mais de 60% das gestações indesejadas terminam em aborto, estimando-se que 45% destes actos sejam inseguros e causem 5% a 13% das mortes maternas. Os abortos inseguros provocaram a hospitalização de sete milhões de mulheres por ano, em todo o mundo.

Face ao casamento infantil aos 18 anos, a percentagem mundial fica em 26%, e em Angola sobe para os 30%, em Cabo Verde fica pelos 18%, 26% na Guiné-Bissau, 53% em Moçambique, 15% em Timor-Leste, 28% em São Tomé e Príncipe e 26% no Brasil, segundo dados de 2005 até 2020. O relatório não apresenta dados de Portugal nesse parâmetro.

Já a prevalência de métodos contraceptivos entre mulheres dos 15 aos 49 anos em países africanos lusófonos como Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau, esta fica abaixo da percentagem mundial, segundo o UNFPA.

No relatório foi feita uma análise em relação ao uso de qualquer método contraceptivo por mulheres a nível mundial, em que a percentagem global ficou em 49% no corrente ano.

Contudo, essa percentagem em Angola ficou apenas em 16%, em Moçambique 27%, 33% em Guiné-Bissau, 38% em São Tomé e Príncipe e 44% em Cabo Verde.

Em Portugal (60%) e no Brasil (65%), a percentagem de prevalência de qualquer método contraceptivo entre mulheres dos 15 aos 49 anos ficou acima da média mundial.

Já Timor-Leste registou uma das menores percentagens face a países lusófonos (19%).

Os dados gerais têm, para a agência da ONU, “um grande impacto” na capacidade global para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

De acordo com os dados recolhidos, 257 milhões de mulheres que querem evitar uma gravidez não usam métodos contraceptivos modernos e seguros e quase um quarto não tem condições para recusar sexo. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Guiné-Bissau e Unfpa juntam esforços para combater mortalidade materna

O Chefe do Unfpa no país ressalva políticas de prevenção e planeamento familiar como fatores do desenvolvimento na Guiné-Bissau, a agência identifica focos de investimento direcionado aos jovens para o progresso socioeconómico do país


O Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, acredita que um investimento direcionado aos jovens da Guiné-Bissau pode impulsionar o desenvolvimento socioeconómico do país.

A agência está a atuar com as autoridades locais para combater a mortalidade materna e promover o chamado dividendo demográfico no país da língua portuguesa.


Juventude

Para tal, o Unfpa destaca os setores da educação, governança e emprego como potencial foco do referido investimento.

Mais de metade da população da Guiné-Bissau é jovem, ou seja 62%. O Fundo das Nações Unidas para a População afirma que para desenvolver o país, no entanto, será preciso fazer um sério investimento na educação dos jovens. A agência defende que sejam capacitados também na matéria de governança.

Falando à ONU News em Bissau, o representante do Unfpa disse nunca ter visto um povo que se desenvolveu sem a educação. Cheikh Fall afirmou que os jovens devem proteger-se de infecções e gerir de forma responsável a sexualidade. É da opinião que os jovens sejam também preparados na matéria de governança e empregabilidade.

“Quando há problemas num país, são os jovens que saem às ruas. Os jovens devem ser formados na liderança para compreenderem quando é preciso dizer não, e quando devem assumir a questão do desenvolvimento. Os jovens devem ser formados para quando não encontrarem quem os empregue, que eles mesmos sejam criadores de emprego”.


Compromissos

O Unfpa e o governo guineense trabalham atualmente na implementação de estratégias para reduzir a mortalidade materna, um dos três compromissos assumidos, há um ano, no Quénia, durante a Conferência Internacional sobre a População e Desenvolvimento.

O encontro de Nairobi marca o 25º aniversário da Conferência do Cairo, onde 179 países adoptaram o empoderamento feminino para o bem das mulheres, suas famílias, comunidades e nações, conhecido como o plano de ação Icdp. Os três resultados transformadores incluem zero mortalidade materna, zero necessidade de planificação familiar insatisfeita e zero violência de género e práticas danosas como o casamento infantil e a mutilação genital feminina.

O representante do Unfpa questiona como é possível desenvolver países onde as mulheres, ou 52% da população, ainda morrem de parto.

Método

“A planificação familiar permite criar distância entre os nascimentos e reduzir a exposição da mulher à mortalidade materna. Se a mulher adoptar um método de planificação familiar, ela distancia este intervalo e isto dá lhe tempo suficiente para a saúde pessoal e para investir em atividades económicas”.

Cheikh Fall explica que se uma menina se casar aos 13 anos, o seu futuro estará hipotecado, não vai poder ir à escola, e nem ter uma formação profissional que lhe garanta um trabalho decente. Vai passar a vida no ciclo gravidez, parto, aleitamento e antes de completar os 49 anos de idade, estará completamente cansada, contou ele.

Para o Chefe do Unfpa, lutar contra a mortalidade materna e melhorar a planificação familiar pode aliviar o sofrimento das mulheres e meninas e permitir lhes contribuir eficaz e efetivamente no desenvolvimento pessoal e do país.

Dados oficiais apontam que 900 mulheres morrem na Guiné-Bissau em cada 100 mil partos. Amatijane Candé – Guiné-Bissau “ONU News”