Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Nações Unidas - Rotas de migração para a Europa estendem-se até Guiné-Bissau, diz Organização Internacional para as Migrações

A Organização Internacional para as Migrações alerta sobre os maiores perigos nas viagens, o fluxo migratório desloca-se para o sul com o aumento do controlo no norte da África Ocidental. O novo trajeto adiciona 650 km à viagem, e a agência pede mais cooperação transfronteiriça para salvar vidas


A agência das Nações Unidas alerta para o aumento de riscos e perigos em rotas de migração para a Europa que saem da África.

O aumento de fiscalizações ao longo da costa noroeste da África não conteve a tentativa de milhares de pessoas de reconstruir as suas vidas na Europa, mas empurrou o perigo ainda mais para o sul. E neste novo cenário, um país de língua portuguesa passou a integrar a lista de trânsito de traficantes de seres humanos: a Guiné-Bissau.

Redução numérica oculta realidade

Num alerta sobre a nova configuração das rotas migratórias, a Organização Internacional para Migrações, OIM, revela que a travessia pelo Atlântico tornou-se bem mais longa, incerta e letal.

Embora as chegadas de migrantes saídos de quatro importantes países de origem da África Ocidental tenham caído 59% no semestre anterior em comparação com o mesmo período do ano passado, a redução numérica esconde uma realidade preocupante.

A agência revela que as pressões socioeconômicas e de segurança que impulsionam o deslocamento humano seguem intactas.

O bloqueio de pontos tradicionais de embarque em Marrocos, na Mauritânia e no Senegal não interrompeu as viagens, mas sim migrou o fluxo para territórios mais ao sul, como Gâmbia, Guiné-Conacri e Guiné-Bissau.

Com a alteração geográfica, o custo humano não tem precedentes. Ao partir de posições mais a sul, a rota alternativa acresce 650 km a um trajeto já desgastante, fazendo com que a travessia oceânica alcance 2,2 mil quilómetros.

Embarcações precárias e riscos iminentes

Com isso, os migrantes ficam expostos por períodos longos ao alto-mar, partindo de litorais isolados em embarcações precárias e enfrentando riscos iminentes de naufrágio, desidratação extrema e desaparecimento nas águas do Atlântico.

Como destaca a diretora-geral da OIM, Amy Pope, a diminuição de registos numa determinada praia não reflete o fim da urgência migratória, mas sim o seu encobrimento e o deslocamento da tragédia.

Perigos mortais da travessia

A Rota Atlântica Ocidental permanece como a principal via de acesso, reunindo a grande maioria dos desembarques registados na Europa no início do ano, enquanto as vias pelo Mediterrâneo Ocidental e Central voltam a indicar aumentos proporcionais preocupantes.

No meio a um cenário em que a repressão nas fronteiras apenas amplia os perigos mortais da travessia, a OIM reforça que a única resposta sustentável está na cooperação transfronteiriça integrada.

Para a agência, salvar vidas no mar exige unir a proteção imediata aos direitos humanos ao investimento real em oportunidades para a juventude e ao fortalecimento das comunidades de origem e trânsito ao longo de toda a região. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Venezuela - 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas ou espaços públicos

Fome, disseminação de doenças e falta de abrigo adequado são algumas das ameaças após os tremores do último dia 24. Os serviços de saúde e necrotérios estão em estado de colapso, a ONU intensifica apoio às vítimas e serviços de resgate


As operações de busca e resgate continuaram na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido as suas casas.

Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1719 mortes, pelo menos 5034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter.

Comida em falta

Seis dias após os sismos, "a escassez de alimentos é generalizada" em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.

A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.

Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão a aumentar devido à dificuldade de acesso à assistência.

Abrigos abaixo do padrão

Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.

Além disso, quase quatro em cada 10 estão a viver nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.

Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados ​​não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.

A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Caos no sistema de saúde

Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.

Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde.

No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão "em estado crítico", seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes "permanecem operacionais sob grande pressão".

Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipa severamente estressada.

O porta-voz da OMS também destacou "lacunas críticas" na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registo inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.

Doenças podem espalhar-se

A OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.

Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.

Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis ​​por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.

A resposta da ONU em números

  • Libertou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências
  • Estabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam as suas casas
  • O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está a coordenar a mobilização de 27 países e mais de 40 equipas de busca e salvamento
  • O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos em stock no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.
  • A Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão dos seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global
  • A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir os seus suprimentos nas áreas de maior necessidade
  • A Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando necessidades de medicamentos, oxigénio, combustível e outros consumíveis essenciais. Além disso, está a mobilizar equipas médicas especializadas. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Moçambique - Milhares precisam de apoio após ciclone tropical Chido no norte do país

A tempestade causou dezenas de mortes e destruiu 4510 estabelecimentos comerciais. A lista das prioridades essenciais inclui alimentos, água, saneamento e serviços de saúde nas províncias de Cabo Delgado e Nampula



Autoridades, agências das Nações Unidas e parceiros relataram pelo menos 37 mortes resultantes da passagem do ciclone Chido pelo Canal de Moçambique. O levantamento preliminar continua em andamento e a atualização da contagem no final da quarta-feira confirmou 45 mortes registadas, quase 500 feridos e 184 mil afetados.

Os distritos moçambicanos de Pemba, Mecúfi, Metuge, Chiúre e Ancuabe, no extremo norte são alguns dos mais afetados com destaque para o sector económico.

Indústrias de micro e pequena dimensão

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres em Cabo Delgado indica que o foco está nas indústrias de micro e pequena dimensão. O chefe da repartição de Planificação, Monitorização e Avaliação no Ingd, em Cabo Delgado, Jerry Nanelo, cita as áreas afetadas.

“Cerca de 4510 estabelecimentos comerciais no sector de retalho, barraca, lojas, cantinas rurais entre outros, nos distritos de Mecufi, Chiure, Metuge, Pemba, Montepuez e Ancuabe; 84 indústrias de micro e pequena dimensão, moageiras, carpintarias, padarias, salinas destruídas.  Destruídos em Mecufi a rede de comércio em 1730 estabelecimentos comerciais e 22 micros e pequena indústria foram destruídos totalmente na sua maioria.”

A avaliação da OIM famílias precisam urgentemente de abrigo e assistência a produtos não alimentares em Pemba e Chiúre.  O Ingd indica que os dados preliminares sobre danos tendem a aumentar. 

Abrigo imediato e assistência familiar

A OIM cita no relatório preliminar que nos afetados foram identificados indivíduos particularmente vulneráveis que necessitam de abrigo imediato e de serviços de assistência familiar. 

A lista das prioridades críticas inclui alimentos, água, saneamento e serviços de saúde. A OIM despachou equipas médicas móveis através de clínicas e brigadas para prestar serviços essenciais de saúde às populações afectadas pelo ciclone.

Saúde primária e prevenção de infecções

A agência disponibilizou tendas para prestação de serviços de emergência e medicamentos essenciais para a saúde primária e prevenção de infecções e para controlar materiais nas áreas afetadas.

Em Nampula, os distritos de Memba e Eráti serão os mais severamente impactados. Atualmente mais de 25 mil famílias estão sem energia devido a danos nas infraestruturas.

A distribuição de kits familiares, de 4 mil garrafas de purificadores de água é outra atividade que a OIM coordena com o grupo interagências atuando na área de água, saneamento e higiene em Cabo Delgado. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Nações Unidas - Organização Internacional para as Migrações alerta para preconceitos contra imigrantes brasileiras em Portugal

Relatório da Organização Internacional para as Migrações destaca “estereótipo sexual” sobre as mulheres brasileiras. O projeto Brasileiras Não Se Calam quer dar voz a quem vive o preconceito na hora de imigrar

A Organização Internacional para as Migrações, (OIM) alertou para a persistência de um estereótipo sexual sobre as mulheres imigrantes de nacionalidade brasileira em Portugal, no Relatório sobre Migrações Mundiais 2024.

No relatório, a OIM revelou que “os estereótipos da hipersexualidade das mulheres nos países de destino também afetaram as mulheres migrantes, como as brasileiras em Portugal”. Elas seriam estigmatizadas como trabalhadoras de sexo o que estaria “a conduzir a riscos acrescidos de sofrerem assédio sexual e violência de género”.

Brasileiras Não Se Calam

O chefe de missão da OIM em Portugal, Vasco Malta, confirma à ONU News que este tipo de preconceito ainda persiste em Portugal. Esta realidade “faz com que estas mulheres tenham muita dificuldade em encontrarem uma habitação condigna e que sejam vítimas de preconceito, de xenofobia e de racismo”.

Mariana Braz conhece bem estas dificuldades, sobretudo desde que lançou, em 2020, o projeto Brasileiras Não Se Calam. Juntamente com outras quatro mulheres, criou uma página no Instagram com o objetivo de recolher relatos de assédio e discriminação contra brasileiras imigrantes em todo o mundo.

A psicóloga, que vive em Portugal há sete anos, revela à ONU News que o projeto já recebeu centenas de relatos de brasileiras em vários países da Europa, como Portugal, Espanha, Alemanha e Inglaterra, mas também já receberam mensagens de brasileiras a viver no Japão ou no Egipto.

“Não é uma coisa a nível pessoal, é uma coisa estrutural e acho que compartilhar os relatos acaba fazendo com que as mulheres tenham consciência dessas violências, tanto as que já emigraram e também as que pretendem emigrar, de irem um pouco alertadas de que isso pode acontecer.”



“Situação de muita vulnerabilidade”

A especialista confirma que a discriminação acontece nos mais diversos espaços, incluindo nos transportes públicos, no local de trabalho, nas universidades, mas o acesso à habitação é uma das principais dificuldades das imigrantes brasileiras.

“Embora isso seja uma prática que é criminalizada, acontece muito das pessoas ligarem e já na ligação falar não arrenda para brasileiros e aí a imigrante fica numa situação de muita vulnerabilidade.”

Muitas imigrantes brasileiras veem-se confrontadas com a exigência do pagamento de cauções muito elevadas ou acabam por ter de arrendar casa em zonas mais afastadas do local de trabalho. Mas para Mariana Braz, o relato com mais impacto até hoje chegou por parte de uma adolescente brasileira em Portugal que foi vítima de assédio sexual na escola por parte de colegas.

“Ela procurou a direção da escola para contar o que aconteceu e a direção culpabilizou-a porque ela é brasileira e foi para a escola de calça jeans”, afirma.

Séculos de preconceitos coloniais

Mariana Braz afirma que muitos destes preconceitos foram construídos ao longo de séculos, com início na colonização do Brasil, e que se mantêm até hoje no imaginário social português.

“Muitos desses relatos estão ligados a um suposto corpo colonial que é enxergado como podendo ser tocado sem consentimento, que é visto como exótico, como promíscuo e, por isso, supostamente sempre disponível para o ato sexual”, lamenta.

Vasco Malta lembra que a vaga de imigração brasileira nos anos 1990 também contribuiu para este estereótipo. O impacto da crise financeira dessa altura no Brasil, associada à entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia criou as condições para que muitos jovens brasileiros imigrassem para terras portuguesas, sobretudo pessoas com poucos recursos.

Mães de Bragança

O chefe de missão da OIM recorda o caso das “Mães de Bragança”, que em 2003 criou um movimento de mulheres portuguesas que procuravam a expulsão de brasileiras que trabalhavam em bordéis na cidade de Bragança. A repercussão foi tal que acabou por fazer capa em vários jornais de referência global.

“Muitos se lembrarão da capa da TIME sobre as Mães de Bragança, para relembrar que o preconceito e a ligação da mulher brasileira à prostituição já vem em Portugal desde essa altura”, acrescenta.

Apoio jurídico e psicológico

Com mais de 54 mil seguidores na rede social Instagram, o grupo Brasileiras Não se Calam evoluiu para uma rede de entreajuda para brasileiras a viver no estrangeiro, com grupos de apoio psicológico, jurídico, aulas e cursos. Em outubro o grupo vai lançar um podcast para dar voz a mulheres, cuja nacionalidade ainda é um rótulo.

Os relatos que vão chegando à OIM em Portugal são encaminhados para as autoridades, mas ainda é difícil denunciar.

“Acho que muitas pessoas acabam cometendo essa discriminação porque têm certeza da impunidade, têm certeza que não vai dar em nada, porque o processo é muito burocrático para que se faça denúncia.”

Mulheres imigrantes sofrem mais

O chefe de missão da OIM garante que as mulheres migrantes em Portugal enfrentam mais desafios e estereótipos que os homens migrantes, o que acaba por dificultar a plena integração na sociedade.

“Já foi reportado, algumas vezes, a violência de género e se a mulher está num âmbito de uma relação abusiva, não falando a língua, tem logo uma maior dificuldade em pedir apoio e tem uma muita dificuldade para escapar”.

Vasco Malta aponta ainda o acesso ao mercado de trabalho qualificado e à saúde como as principais dificuldades.

O Relatório sobre Migrações Mundiais 2024, divulgado em maio de 2024, incidiu ainda sob o impacto da pandemia da covid-19 para os fluxos migratórios e destacou a rapidez com que Portugal tomou medidas excecionais para responder às necessidades dos imigrantes, nomeadamente ter "regularizado temporariamente o estatuto de todos os migrantes". Sara Rocha – Portugal ONU News

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Sara de Melo Rocha é correspondente da ONU News em Lisboa


terça-feira, 15 de março de 2022

Moçambique - Universidade Politécnica e Organização Internacional para as Migrações encorajam luta pela igualdade de género


O reitor da Universidade Politécnica, Narciso Matos, considera que, apesar das conquistas alcançadas na luta pela igualdade de género, ainda persistem focos de discriminação da mulher no País, principalmente no seio das famílias e das comunidades, onde esta continua a ser subalternizada.

Para ultrapassar esta situação, Narciso Matos aponta como soluções a conjugação de esforços no combate à discriminação baseada no género, bem como a luta contínua com vista à preservação dos ganhos até aqui alcançados pois “as transformações de mentalidades não se fazem num dia ou num evento. São processos que devem ser permanentes, repetidos, e tem que haver perseverança”.

“Nunca devemos deixar de agradecer o facto de vivermos num País onde o papel da mulher, desde o início da independência da nação, sempre foi reconhecido. Todos, incluindo os mais novos, cresceram a saber que existe o dia 7 de Abril ou a Josina Machel e muitas outras heroínas que deram a vida e continuam a dar o seu contributo para o desenvolvimento de Moçambique”, sublinhou.

Conforme frisou o reitor da Universidade Politécnica, estes ganhos devem ser enaltecidos. “As mulheres moçambicanas hastearam a bandeira desta nação, e todos os anos celebramos o seu dia. São pequenas vitórias que, às vezes, pensamos que estão lá por acaso e vão estar mesmo que não continuemos a lutar por elas”.

Narciso Matos falava terça-feira, 8 de Março, em Maputo, na cerimónia de celebração do Dia Internacional da Mulher, organizada pela Universidade Politécnica em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que decorreu sob o lema “Mudanças Climáticas e Migração: uma questão de igualdade de género”.

Na ocasião, Narciso Matos realçou a importância do tema, tendo em conta a vulnerabilidade do País aos eventos climáticos: “Conheço poucas coisas tão importantes como estas para o nosso País. Basta contar quantos ciclones atingiram Moçambique nos últimos anos e quantas pessoas perderam a vida, a casa, o negócio. E os ciclones não param! Infelizmente, tornaram-se normais e frequentes”.

Ainda a respeito do tema, a representante da OIM, Linda Manjate, explicou que, apesar de as mudanças climáticas representarem um risco para toda a humanidade, as mulheres e as raparigas, em particular, sofrem o maior impacto, principalmente quando se encontram numa situação de migração, que muitas vezes é forçada.

Em relação à efeméride, à semelhança de Narciso Matos, a representante da OIM disse ainda haver muito a ser feito para o alcance da igualdade e paridade de género: “Ainda há muitos desafios. Leis e normas sociais discriminatórias continuam a ser generalizadas, as mulheres continuam a estar sub-representadas a todos os níveis de liderança, e uma em cada cinco ainda reporta ter sofrido algum tipo de violência nos últimos 12 meses”.

“A tendência é crescente e há mais consciencialização. Podemos dizer que todos falam desta necessidade de igualdade de género e tenho fé que um dia chegaremos lá. A igualdade de género não é apenas um direito humano, mas uma base necessária para um modelo pacífico, próspero e sustentável da nossa sociedade”, concluiu. In “Olá Moçambique” - Moçambique


 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Moçambique - Violência quadruplicou número de deslocados internos desde janeiro em Cabo Delgado

 


Mais de 33 mil moçambicanos fugiram das suas casas somente na semana passada. Trabalhadores humanitários estão preocupados com o piorar da situação, que afecta principalmente crianças e mulheres



Dezenas de milhares de pessoas continuam a fugir da violência, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A situação tem desafiado a capacidade do governo e das agências humanitárias de atender os deslocados. 

A Organização Internacional para Migrações, OIM, divulgou esta terça-feira, que apenas na semana passada, mais de 33 mil pessoas tiveram de fugir das suas casas para escapar da insegurança.

Necessidades

Segundo a agência da ONU, o número aumentou quatro vezes, passando de 88 mil, em janeiro, para mais de 355 mil. O agravamento deve-se aos ataques de grupos armados de extremistas islâmicos contra as forças de segurança de Moçambique.

A chefe da OIM no país, Laura Tomm-Bonde, disse que “os relatos sobre a violência contra civis são profundamente perturbadores.”

Contou que “a equipa da OIM está a ajudar milhares de famílias, incluindo muitas com crianças pequenas, a sobreviver ao deslocamento.”

Acesso

Nas últimas semanas, por causa da insegurança, a OIM não pôde chegar a vários distritos do norte da província e ao longo da costa.

A agência contou que tem mais de 100 funcionários no terreno e que eles “continuam empenhados em prestar assistência aos deslocados nos oito distritos onde a OIM pode trabalhar.”

De 16 de outubro a 11 de novembro, mais de 14,4 mil moçambicanos chegaram de barco à praia de Paquitequete, na capital da província, Pemba. Em apenas um dia, atracaram 29 embarcações com deslocados na área.

Segundo a agência, pelo menos 38 pessoas, incluindo crianças, morreram durante um naufrágio em 29 de outubro.

Crise

Uma das pessoas assistidas pela OIM contou que, quando a sua comunidade foi atacada com um incêndio criminoso, a família dela teve de fugir somente com a roupa do corpo. Elas estavam a trabalhar no campo e perderam tudo. 

Centenas de famílias continuam sendo abrigadas por outras em Pemba, onde já vivem 100 mil deslocados. Os recursos das comunidades anfitriãs são limitados e falta espaço para acolher todos.

Outras necessidades urgentes incluem saúde de emergência, proteção e apoio psicológico, acesso a saneamento, água e alimentos. ONU News – Nações Unidas  

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Moçambique - Mais de 14 mil moçambicanos retornaram da África do Sul desde o início da pandemia

O regresso dos trabalhadores representa um risco de novas infeções, a agência da ONU ajuda a evitar o crescimento do surto, identificando migrantes, confirmando se apresentam sintomas e informando sobre a prevenção

Em apenas alguns dias no final de março, quando a África do Sul declarou um bloqueio de suas fronteiras devido à covid-19, mais de 14 mil moçambicanos a viver no país vizinho decidiram voltar para casa.

A maioria destas pessoas regressou às suas comunidades nas províncias do sul de Maputo, Gaza e Inhambane, de onde parte a maioria dos moçambicanos para a África do Sul.

Trabalho

Nas últimas semanas, a Organização Internacional para Migrações, OIM, ativou a sua rede de agentes comunitários para identificar estas pessoas e informar sobre medidas que deveriam ser tomadas para evitar contágios.

Até ao momento, mais de 850 migrantes foram chamados. Nenhum tinha sintomas.

Para identificar as pessoas que regressaram, os agentes comunitários usam listas de trabalhadores de minas, registos de estabelecimentos de saúde, redes comunitárias, líderes comunitários e praticantes de medicina tradicional.

Profissionais de saúde verificam se o trabalhador ou os membros da sua família apresentam sintomas e dão informações sobre a quarentena obrigatória e medidas de prevenção, que devem ser partilhadas com a família, amigos e vizinhos. Os dados são compartilhados semanalmente com o Ministério da Saúde.

Exemplo

Um dos migrantes disse à agência que ficou “muito assustado quando soube da doença que estava a matar pessoas em todo o mundo.”

O trabalhador de minas Laissane Tivane, de Inhambane, contou que ficou "surpreso” quando recebeu a ligação de um agente comunitário, explicando os sintomas e medidas de prevenção.

O migrante disse que cumpriu a quarentena de 14 dias que foi recomendada e continua em casa com a sua família, só saindo em caso de necessidade urgente. Todas as pessoas que os visitam lavam as mãos com água e sabão.

Situação

Moçambique declarou o seu primeiro caso em 22 de março. Até segunda-feira, 20 de abril, tinha confirmado 35 casos, localizados na capital, Maputo, e na província de Cabo Delgado.

A OIM diz estar preocupada com um surto do vírus num país que já enfrenta problemas de saúde pública com HIV, tuberculose, desnutrição e doenças crónicas, especialmente hipertensão.

O supervisor de campo da OIM em Inhambane, Andre Chambal, disse que “esse esforço tem um impacto positivo porque ajuda a garantir a segurança das famílias.”

Diáspora

A iniciativa faz parte da ajuda que a OIM tem dado ao governo de Moçambique, centrada em comunidades afetadas pela migração.

Estima-se que mais de 11 milhões de moçambicanos morem no exterior, sendo a África do Sul um dos principais destinos. Empregos em mineração e agricultura são a regra para os moçambicanos que vivem no país vizinho. ONU News – Nações Unidas

quinta-feira, 26 de março de 2020

Moçambique - Organização Internacional para as Migrações apoia sobreviventes de veículo de carga encontrado com 64 mortos

Dezenas de etíopes morreram asfixiados num veículo de carga que seguia para a África do Sul, os sobreviventes foram hospitalizados e recebem tratamento para desidratação, exaustão e trauma grave



A Organização Internacional para as Migrações, OIM, coordena com as autoridades de Moçambique como oferecer ajuda imediata aos sobreviventes encontrados num veículo de carga onde morreram 64 etíopes asfixiados.

As catorze pessoas recebem tratamento no maior hospital na província central de Tete para desidratação e exaustão grave. De acordo com a agência, o grupo também recebe alimentos e roupas.

Traumatizados

O contentor era transportado num veículo pesado quando foi interpelado num posto de controlo na passada terça-feira. Os sobreviventes estão “profundamente traumatizados”, de acordo com os relatos.

O Serviço Nacional de Migração de Moçambique, SENAMI, também informou os funcionários da OIM que o motorista do veículo, de nacionalidade moçambicana, está sob custódia.

Os etíopes viajavam sem documentos para a África do Sul. A província moçambicana de Tete está situada a 4 mil km a sul da capital etíope, Adis Abeba, e a 1400 km a norte da cidade sul-africana de Pretória.

Moçambique faz parte da chamada Rota do Sul, uma via migratória usada com frequência por migrantes do extremo leste da África para o território sul-africano na procura de oportunidades económicas, protecção e educação.

Regresso

A agência da ONU disse ter apoiado mais de 400 etíopes no regresso ao seu país de forma voluntária desde 2018.

A África do Sul abriga cerca de 4,2 milhões de migrantes e 290 mil candidatos a asilo e refugiados. Os principais países de origem são Zimbabué, Somália, Malawi, República Democrática do Congo e Etiópia. O Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM registou pelo menos 70 migrantes mortos em estradas moçambicanas, por motivos incluindo acidentes nos últimos cinco anos. A maioria era etíope com destino à África do Sul. ONU News – Nações Unidas

quinta-feira, 14 de março de 2019

Bangladesh - Responsável da Organização Internacional para as Migrações desafia portugueses a envolverem-se na ajuda aos rohingyas

Cox's Bazar, Bangladesh - O coordenador de emergência da Organização Internacional para as Migrações (OIM) para a crise Rohingya no Bangladesh, Manuel Marques Pereira, gostava de ver mais portugueses envolvidos e a ajudar nesta questão.

"Mais portugueses deviam tentar (integrar a ajuda humanitária internacional). Nós precisamos de mais portugueses no mundo. Contribuir e aprender que há muito que podemos levar para Portugal, mas muito que podemos contribuir para a humanidade em geral", diz o responsável, em entrevista à Lusa no âmbito de um documentário para uma bolsa de exploração da Nomad.

O dirigente humanitário, que já esteve em respostas a crises em Timor-Leste, Paquistão, Filipinas, Moçambique e Iraque, refere-se ao auxílio no terreno, nos vários campos de Kutupalong, na região de Cox's Bazar, Bangladesh, mas também ao apoio em forma de pressão pública mediática sobre os governos.

O coordenador da OIM insiste na importância do tema "continuar no topo das agendas" dos diversos governos, bem como nos cidadãos contribuírem financeiramente para as organizações não governamentais (ONG) a atuar nesta crise no Bangladesh.

"A forma mais eficaz das pessoas ajudarem é continuarem a discutir o problema, chamarem a atenção para o problema, criarem pressão política ao governo em Portugal e no governo da União Europeia. Para que junto das instâncias multilaterais se possa continuar a fazer pressão para que este problema no futuro seja resolvido nas suas raízes, nas questões que originaram este deslocamento em massa", explica.

Cerca de 750 mil membros da comunidade rohingya, muçulmana, fugiram para o Bangladesh desde agosto de 2017, após um ataque de um grupo insurgente a postos militares e policiais que levou a uma ofensiva militar pelo exército de Myanmar (antiga Birmânia), país de maioria budista, no Estado ocidental de Rakhine.

A violência, descrita pela ONU como limpeza étnica e um possível genocídio, incluiu o assassínio de milhares de pessoas, a violação de mulheres e de crianças e a destruição de várias aldeias, provocando uma das crises humanitárias mais graves do início do século XXI.

Aos compatriotas mais entusiasmados com o labor de campo, Manuel Marques Pereira incentiva-os a avançar, seja qual for a sua experiência de formação académica ou profissional, pois revela-se "contrário à ideologia do perfil".

"Tenho muitas dificuldades com a lógica de que os trabalhadores humanitários precisam de um currículo, de uma formação específica. Acho que são a agregação de muitas profissões, de muitas perspetivas e muitas capacidades. Essa diversidade é que nos dá a adaptabilidade e resistência de podermos trabalhar, porque não somos formatados, não somos um grupo coeso", justifica.

Ao invés, sublinha que o fundamental é que haja "dedicação e querer", uma vez que, avisa, "a vida de um expatriado não é fácil": "Mas quando as pessoas têm vontade e vocação, vontade e capacidade de absorver esta diversidade que existe neste meio, isso é meio caminho andado".

Na região de Cox's Bazar, onde se encontram os campos de refugiados, trabalham cerca de 3000 humanitários internacionais a dar resposta, juntamente com equipas locais, a uma problemática que atinge entre um a 1,2 milhões de rohingya.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, os rohingyas têm sido submetidos a muitas restrições: entre outras, não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais). In “Sapo Timor Leste” com “Lusa”