Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 24 de julho de 2025

Japão – Alunos de uma escola de Osaka juntam-se a Portugal para proteger os oceanos

Dezenas de crianças japonesas juntaram-se na Expo2025, em Osaka, a um apelo para proteger os mares, que o Oceanário de Lisboa quer levar à cimeira da ONU sobre alterações climáticas, em Novembro, no Brasil


“Querem ser embaixadores dos oceanos aqui no Japão?”, perguntou, no Pavilhão de Portugal, a bióloga marinha Natacha Moreira, da Fundação Oceano Azul, aos alunos de duas turmas de uma escola de Osaka.

A resposta positiva veio num coro uníssono de 40 vozes, os primeiros jovens japoneses a assinar a Mini 30X30, “uma onda” lançada pela Oceano Azul e pelo Oceanário, em apoio da meta mundial de proteger 30% do oceano até 2030.

O director de Educação do Oceanário, Diogo Geraldes, disse à Lusa que uma primeira carta foi entregue durante a terceira Conferência do Oceano da ONU, que decorreu em Nice, França, em Junho.

Uma nova versão do documento será entregue na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), que decorre em Novembro em Belém, capital do estado do Pará, no norte do Brasil.

O apelo já reuniu o apoio de 9500 jovens de 27 países, mas na Ásia ainda só tinha contribuições de escolas da Malásia e de Timor-Leste.

O Oceanário preparou materiais sobre o Mini 30X30 em japonês especialmente para a Expo, que já existiam em português, espanhol, francês e inglês.

Antes de votarem unanimemente a favor do apelo, os jovens japoneses testaram as experiências interactivas do Oceanário numa das duas salas multiusos do Pavilhão de Portugal, cujo tema é “Oceano: Diálogo Azul”.

“O Oceanário de Lisboa é, em Portugal, a instituição com mais pergaminhos e experiência em literacia azul. Há mais de 25 anos que ensina professores e alunos a ter uma relação mais sustentável com o mar”, disse à Lusa o administrador executivo da Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha.

Uma experiência que levou o Oceanário e a Oceano Azul, com o apoio da Direcção-Geral da Educação, a desenvolver o programa Educar para uma Geração Azul, que promove a literacia do oceano entre os alunos dos 6 aos 10 anos.

Diogo Geraldes explicou que começaram pelo primeiro ciclo porque “é mais fácil dar formação aos professores, que muitas vezes são os mesmos do primeiro ao quarto ano”.

Durante cinco anos, o projecto deu formação a 1300 professores numa fase-piloto que decorreu nos municípios de Albufeira, Cascais, Mafra, Moura, Nazaré, Peniche, Silves, Sintra e na região autónoma dos Açores.

Após o fim desta fase, em Maio de 2024, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação decidiu alargar o programa a todas as escolas primárias do país e de incluir o oceano no currículo.

Tiago Pitta e Cunha disse que o objectivo é “educar a geração mais consciente de toda a União Europeia no que toca à ligação dos humanos com o oceano”. “Conseguiríamos, no fundo, ser um pouco, como os nórdicos foram para o ambiente [terrestre] a partir dos anos 70, os cidadãos portugueses seriam para o azul”, explicou o especialista.

Criada em 2017 pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos, que inclui no seu património o Oceanário de Lisboa, a Oceano Azul é uma entidade sem fins lucrativos, que tem por objecto contribuir para a conservação e utilização sustentável dos oceanos. Vítor Quintã – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau” com “Fundação Oceano Azul”


segunda-feira, 9 de junho de 2025

Navio português Santa Maria Manuela encabeça desfile inaugural da Conferência da ONU sobre oceanos

Um desfile de 29 navios encabeçado pelo português Santa Maria Manuela, ao largo de Nice, França, marcou o arranque simbólico da Conferência do Oceano das Nações Unidas (ONU)


O histórico navio bacalhoeiro português construído em 1937 e que foi renovado em 2022 partiu do Mónaco ao final da manhã e chegou cerca das 17h00 locais a Nice (16h00 em Lisboa) para participar no desfile.

A frota era composta também por embarcações de Espanha, Itália, França, Angola, Noruega, entre outros. O corredor dos navios incluía embarcações modernas e tradicionais com velas içadas.

O navio português levou a bordo cerca de 40 pessoas, entre cientistas, representantes de organizações não governamentais e de associações locais ligadas à pesca e elementos da Fundação Oceano Azul. Estas organizações vão todas participar na Conferência da ONU, cujos trabalhos se iniciam na segunda-feira.

Esta foi também uma forma de assinalar a comemoração do Dia Mundial do Oceano.

A terceira conferência da ONU visa dar mais um passo para que se ponha em prática o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, relacionado com a conservação e utilização do oceano de forma sustentável. Agência Lusa com “Fundação Oceano Azul”


sexta-feira, 4 de abril de 2025

Portugal - É pioneiro na Europa em travar mineração no fundo do mar

O país acaba de aprovar lei que estabelece moratória sobre a atividade mineira em águas profundas, devido aos riscos que a extração de minérios com maquinaria pesada representa para os ecossistemas e pesca



Portugal deu um passo determinante na proteção dos oceanos ao aprovar a primeira lei europeia que estabelece uma moratória sobre a mineração no fundo do mar.

A medida, que proíbe a exploração de minérios em águas profundas até 2050, responde às preocupações ambientais e às reivindicações de cientistas e organizações de defesa dos oceanos.

Em letra de lei

A aprovação desta legislação coloca Portugal na vanguarda da proteção marinha, numa altura em que a comunidade internacional debate os impactos da mineração submarina nos ecossistemas.

Tiago Pitta e Cunha, presidente da Comissão Executiva da Fundação Oceano Azul, destacou a importância da decisão. "Portugal é o primeiro país a aprovar em letra de lei, ou seja, é a primeira lei europeia que estipula uma moratória até 2050 para a exploração mineira. Isso é relevante também porque a lei tem um grau hierárquico mais relevante, superior, à da resolução parlamentar. Ou seja, uma lei só pode ser alterada por outra lei", afirmou em entrevista à ONU News.

A promulgação da lei pelo Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, garante que a posição do país sobre a mineração submarina não poderá ser revertida sem novo debate parlamentar.

"Portugal está neste momento numa crise política, vai haver eleições, e eu tenho a certeza que o próximo governo, seja ele qual for, não vai poder mudar a posição do país relativamente à moratória para a mineração submarina, porque ela só pode ser alterada por lei do parlamento", explicou Pitta e Cunha. Ele destacou ainda que essa estabilidade legislativa é crucial, uma vez que Portugal teve três governos nos últimos três anos.

O que acontece no mar não fica no mar

Os riscos ambientais da mineração em alto-mar estão amplamente estudados e identificados. Estudos científicos indicam que o fundo do mar desempenha um papel fundamental na regulação do clima e na absorção de carbono.

"O que acontece no fundo do mar não fica no fundo do mar, tem repercussões negativas não apenas na coluna de água, mas em todo o sistema oceânico", alerta Pitta e Cunha.

A exploração mineral pode causar distúrbios significativos nos sedimentos marinhos, que acumulam calor e ajudam a regular o aquecimento global. Além disso, perturbar essas camadas pode libertar grandes quantidades de carbono armazenado, agravando ainda mais a crise climática.

Contaminação na pesca

A contaminação da coluna de água também representa uma preocupação para a pesca e para a segurança alimentar. "Para além do distúrbio dos sedimentos do fundo e do desaparecimento da biodiversidade, há uma pluma de sedimentos que contamina a coluna de água de uma forma absolutamente gigante”, afetando 20% da proteína que os humanos consomem no planeta.

Portugal na defesa dos oceanos

Portugal tem-se destacado internacionalmente na defesa dos oceanos. "Portugal realizou a maior conferência sobre oceanos do planeta, a Conferência da ONU em 2022, em que foi coanfitrião com o Quénia, uma conferência que impulsionou um grande progresso da agenda multilateral do oceano", explicou Pitta e Cunha. Segundo presidente da Comissão Executiva da Fundação Oceano Azul, nos últimos três anos tomaram-se mais decisões sobre a proteção marinha do que nos trinta anos anteriores.

Apesar deste avanço, Portugal ainda enfrenta desafios na formulação de uma política externa para os oceanos. "Portugal não tem uma verdadeira política externa para o oceano, e sem isso, Portugal não tem os mecanismos para influenciar decisões de outros estados-membros", alertou Pitta e Cunha.

Mesmo assim, o especialista defende que a nova lei fortalece a posição do país como um líder global na proteção dos oceanos, podendo incentivar outras nações a adotar medidas semelhantes.

Impacto internacional

A decisão portuguesa gera impacto nas discussões internacionais, especialmente no âmbito da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), organismo da ONU responsável pela regulamentação da mineração submarina em águas internacionais.

A ISA tem sido pressionada por governos, cientistas e organizações ambientais para impor uma moratória global à mineração no fundo do mar, mas enfrenta resistência de alguns países e empresas interessadas na exploração desses recursos.

A posição de Portugal pode fortalecer esse movimento e contribuir para um debate mais amplo sobre a necessidade de proteger os ecossistemas marinhos. Sara Rocha – Portugal ONU News


quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Nações Unidas - Tratado do Alto Mar assinado por 40 países

Mais de 40 países assinaram esta quarta-feira o Tratado do Alto Mar à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque

Portugal, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, foi um dos primeiros países a assinar o Tratado.

O facto é salientado em comunicado pela Fundação Oceano Azul, que congratula o Governo português e a comunidade internacional pela assinatura.

O Tratado do Alto Mar, resultado de quase 20 anos de discussões, tem como objetivo a conservação e utilização sustentável da biodiversidade marinha. É um documento juridicamente vinculativo de proteção das águas internacionais, que estão fora da área de jurisdição nacional, correspondendo a mais de 70% da superfície da Terra.

A ONU anunciou que o processo de assinatura do Tratado seria hoje oficialmente aberto aos Estados membros, na sede das Nações Unidas, e que 65 países já tinham demonstrado interesse em assinar o documento esta semana.

Em declarações à agência Lusa desde Nova Iorque, o cientista e responsável da Fundação Oceano Azul Emanuel Gonçalves disse que se espera que mais 40 países assinem o documento até ao fim da semana.

Emanuel Gonçalves explicou que a assinatura do Tratado em Nova Iorque é na verdade um comprometimento dos países no sentido de ratificarem o documento, sendo que esse processo depende agora do sistema político de cada Estado.

Esse processo interno não acontece no mesmo momento em cada Estado e o Tratado só entra em vigor quando for ratificado por pelo menos 60 países.

Questionado se o processo de ratificação, como já aconteceu com outros tratados, possa demorar muitos anos, Emanuel Gonçalves disse acreditar que não, porque no caso do Tratado do Alto Mar há uma grande mobilização para trazer o tema para a agenda política, para que seja rapidamente assinado e que o documento esteja pronto para entrar em vigor em 2025, na próxima cimeira dos oceanos.

Emanuel Gonçalves assinalou que os oceanos sofrem atualmente de “problemas gravíssimos”, como mostra a ciência, e que já não “há tempo para conversas”, pelo que há uma grande “vaga de fundo”, com muitos países a comprometerem-se a avançar rapidamente com a ratificação.

Se o documento entrar em vigor em 2025 seria algo quase inédito (pela rapidez), salientou o responsável, admitindo que há sempre dificuldades com a implementação, mas que há também “a perceção da urgência e da necessidade de mudança”.

“A assinatura deste Tratado tem uma importância histórica, porque é a decisão mais importante tomada pela comunidade internacional sobre o oceano no século XXI. O oceano sofre uma crise profunda e este acordo vem permitir medidas de proteção e de valorização do oceano no Alto Mar, que serão fundamentais para o futuro do nosso planeta”, diz citado no comunicado Tiago Pitta e Cunha, o administrador executivo da Fundação Oceano Azul.

Nas declarações à Lusa Emanuel Gonçalves disse acreditar que o Tratado vai de facto reforçar a conservação e gestão da vida marinha em alto mar, uma zona onde se tem feito de tudo de forma impune, porque estrutura uma nova abordagem, assente numa estrutura legal, e com meios para haver fiscalização.

E o Tratado é também “uma vitória do multilateralismo” num mundo “em desconstrução”, um “farol de esperança de que ainda é possível fazer coisas”, salientou.

O Tratado foi aprovado pela ONU em março passado e o texto final adotado formalmente a 19 de junho.

Permite, por exemplo, a proteção de 30% dos oceanos até 2030. Até agora não havia uma forma globalmente aceite de criar espaços protegidos em águas internacionais, nem qualquer organismo regulador encarregado de impedir a destruição da vida selvagem que vive nesses mares. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

terça-feira, 7 de junho de 2022

Internacional - Campanha Juntos pelo Oceano une 600 ONG em apelo a governos e empresas

A Fundação Oceano Azul, de Portugal, está na liderança da iniciativa que pede apoio às comunidades costeiras e ações para recuperar a vida marinha. Para o presidente da entidade, Tiago Pitta e Cunha, a agenda dos oceanos é determinante para a sobrevivência da espécie humana


Cerca de 600 organizações não-governamentais estão unidas na campanha “Rise Up – Juntos pelo Oceano”, uma iniciativa liderada pela Fundação Oceano Azul, de Portugal, pela Ocean Unite, pela Seas at Risk e pela Fundação Oak.  

As entidades da sociedade civil querem colocar pressão sobre governos e empresas, para que invistam em ações que levem à recuperação da vida marinha, a um futuro com neutralidade carbónica e que apoiem as comunidades costeiras.

Pesca artesanal

O projeto começou a tomar forma em 2019, mas com a Conferência dos Oceanos da ONU a aproximar-se, o chamado para ação ganha nova relevância.

O presidente da Comissão Executiva da Fundação Oceano Azul concedeu uma entrevista para a ONU News, em Lisboa, e explicou que valorizar a pesca artesanal é parte central da campanha. 


“Dedicar o mar territorial apenas às pescas artesanais e não permitir que as frotas de pescas industriais pesquem dentro dos mares territoriais. Porque são essas as zonas ecologicamente mais sensíveis dos oceanos, são onde verdadeiramente existem as maternidades. Portanto, poder preservar esses recursos para as comunidades costeiras, para os povos indígenas, nós pensamos que é de alguma maneira proteger o pilar ambiental e ao mesmo tempo, investir no pilar social.”   

Vanguarda

Tiago Pitta e Cunha espera que este tipo de medida esteja na mesa de negociações durante a Conferência dos Oceanos, que acontecerá na capital portuguesa de 27 de junho a 1 de julho. 

Na opinião do presidente da Fundação Oceano Azul, falta liderança neste sentido e os países precisam perceber que criar uma governança global para a proteção dos oceanos é primordial para o futuro do planeta. 

“Neste momento falta liderança na agenda dos oceanos e, portanto, quem se quiser chegar à frente é bem-vindo. Os países que compreenderem que essa será uma agenda determinante para a sobrevivência da espécie humana, para o equilíbrio do planeta em termos de biodiversidade em termos de clima, em termos de serviços básicos de que nós dependemos, a começar obviamente pelo oxigénio, mas também toda a questão da água potável…não tenho dúvidas nenhuma de que essa liderança é muito importante.”

Portugal e Quénia são os países na linha de frente da organização da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, evento que reunirá cerca de 12 mil participantes de governos e da sociedade civil em Lisboa.  

Outra meta defendida pela campanha Juntos pelos Oceanos é a eliminação de todos os plásticos de utilização única não essenciais e a redução da produção de plástico até 2025. ONU News – Nações Unidas      

 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Portugal - Conheça as vencedoras da 4.ª edição do Blue Bio Value

Na 4.ª edição do programa de aceleração que promove a bioeconomia azul, foram distinguidas três startups: uma portuguesa, uma argentina e uma norueguesa


De entre a 17 startups de dez nacionalidades diferentes a concorrer à 4.ª edição do programa de aceleração Blue Bio Value, foram distinguidas a portuguesa Blue Oasis Technology, a norueguesa Tekslo Seafood e a argentina FeedVax.

Fundada em 2021, a startup portuguesa Blue Oasis Technology cria e instala “recifes” artificiais neutros em carbono que permitem a recuperação de ecossistemas marinhos danificados e a reversão do declínio da biodiversidade do oceano. A solução BluBoxx desenvolvida por esta startup permite ainda o registo de parâmetros ambientais e a transmissão de dados, podendo ser instalada nas estruturas de recife ou noutras estruturas subaquáticas.

Já a norueguesa Tekslo Seafood centra a sua atividade na utilização de algas marinhas recolhidas de forma sustentável no Atlântico Norte para comercialização de produtos alimentares inovadores. Fundada em 2017, a empresa tem como objetivo criar grandes marcas internacionais, incluindo as algas nas dietas diárias.

Por fim, a startup FeedVax, fundada em 2017 na Argentina, detém uma plataforma para preparação de vacinas orais para peixe de aquacultura. Comercializam atualmente uma vacina oral contra a Streptococcosis na tilápia, combinada com a ração e resistente ao meio gástrico. Esta vacina oral é uma solução que simplifica a vida dos produtores e elimina não só o stress dos peixes como também a utilização de antibióticos.

Estas três startups foram premiadas com um valor total de €45000, que será utilizado na Blue Demo Network, uma plataforma focada na bioeconomia azul criada para ajudar as startups a encontrar, nas infraestruturas e serviços portugueses, respostas às suas necessidades.

O programa Blue Bio Value resulta de uma visão partilhada pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Oceano Azul de caminhar para um novo modelo de desenvolvimento que dissocia o crescimento económico da degradação dos recursos naturais. O Blue Bio Value Acceleration é um programa de aceleração focado na bioeconomia azul que pretende contribuir para a procura e descoberta de soluções sustentáveis e baseadas no oceano, que promovam o desenvolvimento de um novo modelo económico não destrutivo do capital natural azul. Desde 2018, o Programa Blue Bio Value já acelerou 59 empresas de 19 nacionalidades. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal

Saiba mais aqui.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Portugal - Projeto sobre esponjas e corais de mar profundo já tem uma plataforma online


O Projeto DEEPbaseline, apoiado pelo “Fundo para a Conservação dos Oceanos” do Oceanário de Lisboa e da Fundação Oceano Azul, acaba de lançar a sua plataforma online.

O projeto procura “co-criar uma base de conhecimento sobre a diversidade e distribuição de habitats de esponjas e corais de mar profundo da plataforma continental de Portugal”, de forma a incentivar a defesa destes ecossistemas marinhos vulneráveis.

O DEEPbaseline agrega várias instituições, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), o Centro de estudos do ambiente e do mar da Universidade de Aveiro (CESAM-UA) e o Centro de Investigação em Ciências Marinhas da Universidade dos Açores (Okeanos). Além das mesmas, conta também com as comunidades piscatórias e com a sociedade no geral para promover ações de gestão sustentável e conservação destas espécies e habitats.

Embora a página ainda esteja em fase de desenvolvimento, pode ficar já a conhecer um pouco do projeto. In “GreenSavers Sapo” - Portugal


 

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Portugal - Fundação Oceano Azul já tem planos para celebrar o Dia Internacional de Limpeza Costeira



O Dia Internacional de Limpeza Costeira celebra-se a 19 de setembro e procura incentivar os cidadãos a combater o lixo marinho, através de ações de sensibilização. Segundo a National Geographic, são deitados anualmente oito milhões de toneladas de plásticos para o oceano.

Este ano, a Fundação Oceano Azul lançou uma iniciativa a todos os portugueses, organizações de recolha de lixo marinho e centros de mergulho do país: De 19 a 27 de setembro, recolher lixo através de ações terrestres e subaquáticas.

“Através de ações de recolha de lixo marinho levadas a cabo de norte a sul do país e nas regiões autónomas, este desafio pretende mobilizar de novo a sociedade civil e o público em geral para o problema do lixo marinho e para a necessidade de maior proteção do oceano.”

Pode registar a sua ação ou procurar a mais próxima da sua localidade no sítio, para poder participar nas atividades desenvolvidas nestas datas.

O lixo marinho é uma consequência grave da atividade humana, e a melhor forma de o combater é a partir de casa, procurando adotar hábitos de reciclagem e de deposição correta de resíduos, evitando a sua dispersão no meio ambiente. In “Green Savers Sapo” - Portugal

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Açores – A descoberta do campo hidrotermal com características únicas está a atrair cientistas

O Campo Hidrotermal Luso, descoberto dia 16 de junho na ilha do Faial pela equipa científica da expedição organizada pela Fundação Oceano Azul em parceria com a Waitt Foundation e a National Geographic Pristine Seas, voltou a ser visitado por investigadores este mês para um estudo mais aprofundado



Localizado a 570 metros de profundidade, no monte submarino Gigante, a 60 milhas da ilha do Faial, o novo Campo Hidrotermal Luso é uma zona de elevada riqueza biológica e mineral. Poderá ser o primeiro de mais focos de hidrotermalismo na região do Gigante, mas só se saberá havendo mais oportunidades de explorar o mar profundo de Portugal.

Durante um mergulho de aproximadamente seis horas, conduzido pela equipa da Expedição Oceano Azul dedicada aos ecossistemas de profundidade em colaboração com a equipa científica da campanha francesa TRANSECT, foram recolhidas com um ROV, robot subaquático, 16 amostras biológicas, sete amostras geológicas, cinco amostras da estrutura das chaminés para identificação de microrganismos e várias amostras de água e fluídos hidrotermais para quantificar matéria orgânica e inorgânica.

A par destas amostragens para análise posterior, já foi possível recolher nova informação científica: duas grandes chaminés ativas, a par de várias inativas, com fluídos a registarem temperaturas entre 50.ºC e 65.ºC, sendo as chaminés constituídas por argilas ricas em metais (ferro e óxido de manganês).



Verificou-se, igualmente, que existem várias espécies de corais de profundidade e de crustáceos associados à chaminé mais ativa, assim como a presença de lava basáltica recente em zonas adjacentes.

Área muito rica em ferro

Segundo Telmo Morato, coordenador da equipa da Expedição Oceano Azul dedicada aos ecossistemas de profundidade, investigador do IMAR e da Universidade dos Açores e líder científico desta missão, "ainda há muito por desvendar sobre este campo hidrotermal e as comunidades que aqui vivem, mas para já ficámos a saber que esta zona é riquíssima em ferro".

"Este mineral é um adubo natural que estimula a produtividade, ou seja, o crescimento de seres fotossintéticos que consomem dióxido de carbono.  Aliás a comunidade científica discute neste momento se a fertilização do oceano com ferro será uma hipótese de reduzir o dióxido de carbono e mitigar as alterações climáticas", acrescenta.

A maioria dos campos hidrotermais localiza-se em zonas de fronteira de placas tectónicas divergentes, como é o caso da Dorsal Médio-Atlântica que separa o grupo ocidental do grupo central do Arquipélago dos Açores, precisamente onde se encontra o monte submarino Gigante. São verdadeiros oásis escondidos no oceano profundo, que normalmente são encontrados a quilómetros de profundidade e a centenas de milhas das zonas costeiras.

"Este campo hidrotermal é único. Para além de se encontrar a uma baixa profundidade, o que é raríssimo, apresenta também condições ambientais diferentes de outros campos hidrotermais conhecidos. Pode assim sustentar comunidades biológicas muito diferentes das que habitam outras fontes hidrotermais", refere Emanuel Gonçalves, líder da Expedição Oceano Azul e Administrador da Fundação Oceano Azul. Nuno de Noronha - Portugal In “Sapo Lifestyle”