Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Apoio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Apoio. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Venezuela - 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas ou espaços públicos

Fome, disseminação de doenças e falta de abrigo adequado são algumas das ameaças após os tremores do último dia 24. Os serviços de saúde e necrotérios estão em estado de colapso, a ONU intensifica apoio às vítimas e serviços de resgate


As operações de busca e resgate continuaram na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido as suas casas.

Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1719 mortes, pelo menos 5034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter.

Comida em falta

Seis dias após os sismos, "a escassez de alimentos é generalizada" em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.

A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.

Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão a aumentar devido à dificuldade de acesso à assistência.

Abrigos abaixo do padrão

Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.

Além disso, quase quatro em cada 10 estão a viver nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.

Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados ​​não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.

A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Caos no sistema de saúde

Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.

Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde.

No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão "em estado crítico", seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes "permanecem operacionais sob grande pressão".

Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipa severamente estressada.

O porta-voz da OMS também destacou "lacunas críticas" na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registo inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.

Doenças podem espalhar-se

A OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.

Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.

Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis ​​por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.

A resposta da ONU em números

  • Libertou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências
  • Estabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam as suas casas
  • O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está a coordenar a mobilização de 27 países e mais de 40 equipas de busca e salvamento
  • O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos em stock no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.
  • A Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão dos seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global
  • A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir os seus suprimentos nas áreas de maior necessidade
  • A Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando necessidades de medicamentos, oxigénio, combustível e outros consumíveis essenciais. Além disso, está a mobilizar equipas médicas especializadas. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Macau - Cáritas pede mais atenção à saúde mental da população que não fala chinês

A Cáritas alertou para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025. Nesse ano, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%


A Cáritas Macau pediu maior atenção para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025. Os Serviços de Prevenção do Suicídio da Cáritas operam uma linha de apoio em cantonês, mandarim, português e inglês.

No ano passado, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%. “A maioria dos não falantes de chinês sente-se sozinha em Macau. Devemos preocupar-nos mais com eles”, disse Benedict Lok, conselheiro do serviço.

Os pedidos de ajuda vieram de pessoas com origens diversas, incluindo Países Baixos, Filipinas, Canadá, Estados Unidos, Índia e da comunidade macaense. Os macaenses são uma comunidade euro-asiática, a maioria dos quais lusodescendentes, com raízes no território. Lok indicou que 30% dos pedidos estavam relacionados com o acesso a recursos comunitários, 14% envolviam temas ligados ao suicídio, e 2% eram de indivíduos “que simplesmente se sentiam sozinhos e procuravam alguém com quem conversar”. “Normalmente, à noite, as pessoas sentem-se mais emocionais. Mais de metade dos pedidos acontecem entre as 16:00 e a meia-noite”, notou Lok. “Alguns deles só querem falar em inglês, sentindo que se podem expressar melhor,” explicou.

Dados oficiais indicam que existem 57.688 habitantes cuja nacionalidade não é nem chinesa nem portuguesa, representando 8,5% da população. Os censos de 2021 indicam mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

O director da Cáritas Macau, Paul Pun, explicou que a população que nasceu fora da China geralmente prefere consultas presenciais. “Até agora, os nossos voluntários que sabem línguas estrangeiras também sabem chinês, o que é suficiente para ajudar a maioria deles. Mas, claro, quanto mais [voluntários], melhor”, disse à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da instituição são apoiados por mais de 90 voluntários e dez funcionários a tempo inteiro. Dentro deste grupo, 20 voluntários e três trabalhadores a tempo inteiro são proficientes em línguas estrangeiras. Pun expressou o desejo de expandir a equipa.

Na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, incluindo 14 crianças dos 5 aos 14 anos, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em Outubro a emissora pública do território. Ainda de acordo com o canal de língua portuguesa da TDM – Teledifusão de Macau, desde que saíram, no final de maio, os dados sobre suicídios entre janeiro e março, os Serviços de Saúde não voltaram a divulgar esta estatística, habitualmente publicada de forma trimestral. No mais recente balanço, Macau registou 18 mortes por suicídio, menos quatro do que nos primeiros três meses de 2024. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Timor-Leste – União Europeia apoia sociedade civil

A União Europeia (UE), em parceria com várias organizações não-governamentais timorenses, lançou ontem três projectos para reforçar a capacidade da sociedade civil para apoiar comunidades vulneráveis e monitorizar a implementação de políticas públicas.

“A UE e Timor-Leste partilham o compromisso de garantir um espaço cívico livre, porque a monitorização e a advocacia feitas pelas organizações da sociedade civil são essenciais para uma sociedade livre como a nossa. Estamos satisfeitos por fazer parcerias com esta coligação para melhorar o desempenho do desenvolvimento e da responsabilização”, afirmou o embaixador da União Europeia em Timor-Leste, Thorsten Bargfrede.

As organizações da sociedade civil parceiras da União Europeia incluem a CARE, Oxfam, PLAN International, A-HAK, Caucus, Fórum de Comunicação para as Mulheres de Timor-Leste (FOKUPERS), Fórum das Organizações Não Governamentais de Timor-Leste (FONGTIL), Instituto Kdadalak Sulimutu (KSI) e Instituto Mata Dalan (MDI).

O apoio da União Europeia, no valor de 2,2 milhões de euros, será distribuído por três projectos. :“Reforçar as Organizações da Sociedade Civil Locais para uma Governação Responsiva e Responsável nos Direitos Humanos e Igualdade de Género”, “Reforçar a Sociedade Civil para Promover uma Boa Governação” e “Fortalecer a Sociedade Civil para a Diversidade: Reforçar a Liderança da Sociedade Civil para Melhorar a Governação e o Desenvolvimento Sustentável”. In “Hoje Macau” - Macau


quarta-feira, 18 de junho de 2025

China - Vai aumentar apoio a Moçambique na saúde e infraestruturas

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique disse que o Governo chinês vai aumentar o apoio ao país, sobretudo em projectos nas áreas da saúde e das infraestruturas


Maria Lucas, que falava à margem de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Wen He, disse que a reunião superou as suas expectativas, sobretudo com o anúncio de um reforço do apoio chinês a Moçambique em diversas áreas-chave.

“[Wen He] referiu-se ao aumento do apoio que eles vão fazer a Moçambique em várias áreas, mas, sobretudo, para galvanizar a implementação do projeto sobre a construção do centro cirúrgico do Hospital Central de Maputo [a maior unidade do país]”, declarou a ministra, que se encontra de visita à China.

De acordo com Maria Lucas, o ministro chinês destacou ainda a construção de um centro de formação em saúde em Sofala, província do centro do país. “Também referiu-se aos dois projetos que já submetemos ao Governo da China, um deles em relação à N1 [Estrada Nacional 1], só aos troços da província de Maputo a Gaza, e também referiu-se ao projecto de interconectividade na área digital (…) que também já tínhamos submetido. Disse que também vão trabalhar nesses projectos e brevemente darão as respostas”, declarou.

A ministra realçou que a parceria histórica entre Moçambique e a China vai além das últimas cinco décadas, estendendo-se também ao período da luta de libertação nacional moçambicana. “Foi um encontro muito bom. É sempre bom termos um aliado como a China”, concluiu.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique apelou, na quarta-feira, à flexibilização dos mecanismos de preparação e apresentação de projetos de negócios e ao desembolso de fundos chineses em África.

Maria Lucas, que falava durante a conferência ministerial de coordenação para a implementação dos resultados do IV Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), na cidade chinesa de Changsha, saudou e elogiou a iniciativa “promissora”, mas avançou alguns desafios a serem ultrapassados para a sua implementação efetiva nos países africanos. “Para que [a iniciativa] seja viável e bem-sucedida nos nossos países, e em Moçambique, em particular, há desafios que devem ser devidamente abordados, incluindo a flexibilidade dos mecanismos de preparação e apresentação de projetos, bem como de desembolso de fundos”, disse.

Segundo a ministra, a parceria com a China produziu para África e Moçambique, particularmente, “resultados significativos”, incluindo a afirmação do Fórum África-China e o avanço da iniciativa de cooperação “Cinturão e Rota”, bem como o Fórum de Macau.

Maria Lucas garantiu que Moçambique está preparado para receber os investimentos chineses e levar as trocas comerciais entre os dois países para níveis mais elevados.

A China é o maior parceiro comercial do continente africano, com o comércio bilateral a atingir 167,8 mil milhões de dólares na primeira metade do ano, de acordo com a imprensa oficial chinesa. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Macau - Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento ajudou três empresas lusas a entrar em Hengqin

Três empresas de capitais portugueses contaram com o apoio do IPIM para obter licenças comerciais em Hengqin, onde estão a operar em áreas como a consultoria jurídica e a gestão de projectos



O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) de Macau disse à Lusa que ajudou três empresas de capitais portugueses a estabelecer negócios em Hengqin. “Actualmente, existem três casos de investidores portugueses que obtiveram licenças comerciais na Zona de Cooperação [Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin]”, acrescentou o IPIM.

Numa resposta a questões enviadas pela Lusa, o organismo revelou que as três empresas de capitais portugueses estão a operar em “áreas como a consultoria jurídica e a gestão de projectos”.

O IPIM disse que as empresas de Macau com investimento estrangeiro, de Portugal, Alemanha, República Checa e Austrália, representam cerca de 7% dos pedidos recebidos para registo em Hengqin.

No dia 6 de Fevereiro, o IPIM indicou, em comunicado, que tinha recebido 100 pedidos de empresas de Macau, através de um serviço transfronteiriço de registo comercial na zona económica especial, com quase 90 já aprovados.

O instituto disse à Lusa que os restantes processos ainda não foram aprovados porque “incluem casos em acompanhamento, à espera de documentos adicionais ou em que houve ajustamentos efectuados pelos próprios requerentes”.

As empresas de Macau com capitais estrangeiros “estão optimistas” quanto a aproveitar a zona económica especial para uma expansão no mercado do Interior da China, referiu o IPIM, no comunicado divulgado no início de Fevereiro.

Mais de 40% das empresas de Macau que já apostaram em Hengqin estão envolvidas em indústrias de turismo e lazer integrados, saúde e bem-estar, finanças modernas, tecnologias de ponta, convenções e exposições, comércio, cultura e desporto, acrescentou o organismo. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Portugal - Mais de 50 livros de ilustração têm edição estrangeira apoiada pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas

Mais de meia centena de obras ilustradas foram este ano abrangidas pela Linha de Apoio à Ilustração e Banda Desenhada com 79 mil euros, numa iniciativa que contemplou 41 editoras de 26 países.

Ao todo, são 54 as obras a beneficiarem deste apoio, sendo que entre os ilustradores mais representados encontram-se André Letria, Bernardo P. Carvalho, Catarina Sobral e Natalina Cóias, divulgou a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), em comunicado.

“Se eu fosse um livro”, “Teatro”, “Dança”, “Fox & Meg encontraram um mas-mas” e “A guerra” são as obras ilustradas por André Letria que vão conhecer novas edições na Arménia, Bulgária, Chéquia, Suíça, França, Japão e Macedónia.

Dinamarca, Estónia, Letónia, Noruega e Turquia vão publicar os livros de Bernardo de Carvalho “Daqui ninguém passa!”, “Desvio”, “Plasticus Maritimus” e “Mar negro”, enquanto de Catarina Sobral foram selecionados “Fantasmas, bananas e avestruzes”, “Impossível”, “Greve” e “Achimpa”, que vão conhecer novas edições na Argentina, Arménia, Brasil, França, Colômbia e Filipinas.

A outra autora mais representada nesta linha de apoio, Natalina Cóias, viaja até ao Brasil e Grécia, através dos seus livros “Entra na caixa lobo mau!”, “Lobo bom ou lobo mau?”, “Feliz Natal, lobo mau” e “Lobo bom, lobo mau!”.

Ana Ventura vê também o seu livro “Mudar”, que lhe valeu o Prémio Nacional de Ilustração 2021, ser editado na Turquia.

André Carrilho, Carolina Celas, Joana Estrela, Madalena Matoso, Mariana Rio, Yara Kono e Rachel Caiano são outros dos ilustradores apoiados este ano pelo projeto da DGLAB, contando-se ainda entre os países destinatários a Alemanha, a Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Irão, Peru, Polónia, Sri Lanka e Suécia.

Promovida pela DGLAB desde 2005, a Linha de Apoio à Ilustração e Banda Desenhada tem por principais objetivos divulgar no estrangeiro a produção portuguesa nas áreas da ilustração e banda desenhada, contribuir para a angariação de novos públicos e de novos mercados para autores e editores, e ainda estimular a criação e valorizar o trabalho dos autores.

Comparativamente com o ano passado, aumentou o número de países e o valor da verba atribuída, mantendo-se praticamente na mesma o número de obras abrangidas pela linha de apoio.

Em 2023, foram editados 55 livros (mais um), em 15 países (menos 11 do que este ano), com uma verba de 75.400 euros (menos 3600 euros). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Portugal – Desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para apoiar envelhecimento da população

A Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu, no âmbito de um projeto multidisciplinar, uma série de soluções tecnológicas inovadoras que contribuem para um envelhecimento da população mais ativo, seguro e saudável.

Paulo Menezes, professor do Departamento de Engenharia Eletrotécnica (DEEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) e investigador sénior no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), é o responsável pelo projeto na UC, financiado na globalidade com 5 milhões de euros.

No âmbito do projeto “ACTIVAS - Ambientes Construídos para uma Vida Ativa, Segura e Saudável”, liderado pela empresa KENTRA technologies, Lda, a equipa do DEEC/ISR desenvolveu um conjunto de capacidades de interação inteligente para robôs (móveis) sociais e um conjunto de jogos sérios guiados por agentes artificias (avatares), que visando essencialmente a promoção da prática de exercício físico, se destinam não só a idosos, mas também a crianças, em particular com perturbações do espectro do autismo.


«Um dos trabalhos que desenvolvemos teve como objetivo perceber até que ponto é que conseguimos estimular a atenção e o foco através do movimento. Assim, criámos uma experiência sensorial, com sons e imagens, na qual se procurou atrair a atenção da pessoa para certas coisas que estavam a aparecer no ecrã e espontaneamente associar-lhe sons», revela Paulo Menezes, explicando que este setup interativo é composto por uma câmara com um sensor incorporado que permite explorar a captura do movimento, analisar a pessoa e a sua postura, para com isso reproduzir diversos sons, que a pessoa escolhe através dos movimentos. Além de suportar uma exploração criativa, este sistema permite ainda, caso seja desejado, a análise posterior das associações estabelecidas.

Outra das ferramentas concebidas, também para idosos, consistiu em integrar, de uma forma ecológica, num sistema interativo dois tipos de testes (Rickly & Jones e SARC-F), destinados a avaliar a presença de sarcopenia, isto é, a perda de massa muscular, um problema muito prevalente no envelhecimento, que pode ser prevenido com a prática de exercício físico. «Este teste mostra o nível de funcionalidade da pessoa, e consoante esse nível deverá fazer os exercícios de um dos conjuntos que desenvolvemos», indica o docente, acrescentando que é possível perceber, através de um mecanismo de avaliação, se os exercícios estão a ser bem executados, ou corrigi-los caso não estejam, mediante as indicações fornecidas durante o jogo.

Por fim, no âmbito deste projeto, foram criadas novas funcionalidade para um robô móvel desenvolvido em projetos anteriores. Esta ferramenta «é muito interessante num contexto do envelhecimento. Atualmente, temos a questão de não haver lares para todos, e ainda, o facto de muitas pessoas preferirem ficar nas suas casas. Porém, pode levantar-se a questão da segurança, porque um dos principais receios da maior parte dos idosos é acontecer alguma coisa enquanto estão sozinhos e ninguém se aperceber. É aqui que entra o robô», afirma o investigador, esclarecendo que o objetivo é que esta ferramenta emita alertas sempre que surjam sinais de perigo em casa, como uma queda ou uma fuga de gás, por exemplo.

No entanto, apesar dos pontos positivos de ter um robô, o docente não deixou de referir a dificuldade de aceitação na presença desta ferramenta em casa e do papel que deve desempenhar a nível social. «Nós temos vindo a fazer a adaptação dos comportamentos do robô às emoções da pessoa em tempo real, dentro daquilo que é possível inferir a partir das suas expressões faciais ou do tom de voz, usando redes neuronais profundas. Por exemplo, se a pessoa estiver mais triste, eventualmente, o robô vai-se deslocar mais devagar, mas se estiver mais alegre o robô pode ser mais efusivo. Isto é muito importante pois contribui para a aceitação. Nos testes realizados concluímos que com a adaptação do comportamento dos robôs as pessoas tendem a sentir mais empatia», evidencia.

Perante os resultados obtidos, de modo geral, os investigadores do DEEC consideram que este projeto «permitirá o desenvolvimento de um conjunto de serviços e mesmo a criação de oportunidades de negócio para diversas entidades prestarem serviços de assistência», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal



segunda-feira, 10 de abril de 2023

Portugal - Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar lança programa online para apoiar cuidadores de pessoas com demência

O «iSupport-Portugal» é um programa de apoio e formação online adaptado à população portuguesa, tendo por base um programa de intervenção da OMS


«iSupport-Portugal» é o nome do programa de apoio e formação online adaptado à população portuguesa pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, com a colaboração do CINTESIS e da Associação Alzheimer Portugal, com o objetivo de apoiar os cuidadores informais de pessoas com demência.

Esta iniciativa tem por base o programa de intervenção com o mesmo nome da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em 2017 lançou o Plano de Ação Global para as Demências 2017- 2025. Um plano que aponta como meta, para 2025, que 75% dos países possam oferecer programas de apoio e formação acessíveis para cuidadores informais de pessoas com demência, contribuindo para a melhoria do seu bem-estar.

“Cuidar de um familiar pode ser gratificante e contribuir para sentimentos de utilidade e realização. Contudo, os cuidadores informais de pessoas com demência são uma prioridade porque estão em risco acrescido de vir a desenvolver depressão, ansiedade, hipertensão, problemas digestivos e respiratórios, quando comparados com a população em geral.”, explica Soraia Teles, investigadora doutorada do ICBAS.

Neste sentido, é essencial que os cuidadores tenham à sua disposição ferramentas acessíveis que lhes assegurem, a qualquer hora e em qualquer lugar, acesso a informação relevante para cuidarem da pessoa com demência e de si mesmos.

Foi neste contexto que o grupo de investigação do ICBAS estabeleceu uma parceria com a OMS para adaptar culturalmente o programa «iSupport-Portugal», que se encontra já disponível para toda a comunidade, sendo apenas necessário efetuar um registo prévio na página do projeto.

Cuidar dos cuidadores

“Este programa de intervenção online é composto por 23 sessões e cinco módulos, uns mais direcionados para o autocuidado – como lidar com os sentimentos negativos do cuidar, estados de ansiedade – e módulos mais vocacionados para diferentes aspetos do cuidar – desde os cuidados básicos do dia-a-dia até, por exemplo, como comunicar com a pessoa de quem cuidam, ou como apoiá-la a tomar decisões”, apresenta Soraia Teles.

Nas palavras da investigadora, é fundamental ampliar a disponibilidade e acessibilidade de programas de apoio e formação para cuidadores informais. “O apoio aos cuidadores carece de financiamento e tem estado muito dependente de projetos com duração limitada. Muitos cuidadores não têm horário ou mobilidade para participar em sessões de apoio e formação presenciais. As intervenções online têm sido exploradas um pouco por todo o mundo como forma de alargar o apoio aos cuidadores, em virtude da sua acessibilidade, conveniência, e potencial de escalabilidade”.

Numa altura em que Portugal é o quarto país da OCDE com mais casos de demência por cada 1000 habitantes (21 casos), “parece-nos fundamental oferecer intervenções que promovam o bem-estar dos cuidadores informais”, conclui Soraia Teles.

“Estas preocupações estão alinhadas com o conceito adotado pelo ICBAS de «Uma Saúde (One Health)», pelo que nos fez todo o sentido, no Departamento de Ciências do Comportamento do ICBAS, liderar os trabalhos de investigação sobre o iSupport em Portugal.”, reforça Constança Paúl, Professora Catedrática no ICBAS.

Ainda no âmbito dos trabalhos de investigação do «iSupport-Portugal», o ICBAS viu aprovado no Concurso de Projetos de I&D em Todos os Domínios Científicos 2022 um novo projeto exploratório (iSupport-Footprint; Refª 2022.07587.PTDC), financiado por fundos nacionais através da FCT –Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 15 de março de 2023

Macau - “Associações como a Casa de Portugal têm de ser tratadas de forma diferente”

O mês de Março já vai a meio, mas as associações continuam à espera dos subsídios pedidos à Fundação Macau. Amélia António diz que “é impossível viver assim”, principalmente para associações, como a Casa de Portugal, “que têm uma actividade permanente”. A presidente da Casa de Portugal volta a contestar os critérios e lamenta que não haja uma diferença entre as entidades que têm uma actividade regular e as que apenas realizam iniciativas esporádicas. De entre os eventos para este ano, quer que haja continuidade do Arraial de São João


“A situação tem de ser vista e analisada de forma diferente. As associações não são todas iguais e aquelas cuja actividade é permanente não podem ser tratadas da mesma maneira”, começou por dizer, ao Jornal Tribuna de Macau, Amélia António, presidente da Casa de Portugal, numa altura em que continua a expectativa em relação à atribuição de subsídios “e quando isso irá acontecer”.

A advogada de profissão considera que “a maioria das associações de Macau não tem uma almofada”, ou seja, não possuem dinheiro disponível e são obrigadas a recorrer ao crédito bancário, “que mesmo assim não é fácil”, porque é necessário “pagar juros e apresentar garantias”.

“Quem é que gere uma associação nestas condições?”, questiona Amélia António, lembrando que algumas actividades da Casa de Portugal são “permanentes”, como é o caso da Escola de Artes e Ofícios, pelo que têm encargos próprios. “Têm de trabalhar sempre, não podem parar”, frisou, observando ainda que também há os projectos a que as associações concorrem, “como é também o nosso caso”.

No ano passado, a Casa de Portugal só recebeu o primeiro subsídio em Agosto “e por este andar a situação poderá repetir-se, o que nos vai criar muitos problemas”, lamentou a responsável pela associação de matriz portuguesa, para quem “no passado isto não acontecia desta forma”, desde logo a retenção de 10% do subsídio antes do final do ano, ficando pendente até que as contas sejam apresentadas à Fundação Macau.

“A falta desse montante significa desde logo que ficamos descalços, uma vez que era necessário para actividades de Dezembro”, explicou Amélia António.

As associações têm de entregar um relatório de auditoria, porém, este só pode ser apresentado “depois das contas estarem fechadas”. Portanto, acentuou, “isso leva bastante tempo e as nossas necessidades permanecem, com o dia-a-dia da escola, as instalações, os pagamentos aos formadores, e outras despesas”.

Organizar actividades novas sem dinheiro “é difícil”

A presidente da Casa de Portugal referiu que a associação “anda a recompor as coisas e a perceber a nova situação, uma vez que são muitas vertentes que mexem umas com as outras”. Sem os indispensáveis subsídios, “torna-se quase impossível trabalhar”, ou pelo menos “saber com o que podemos contar, o que vai acontecer”, insistiu.

Na actividade para 2023, nomeadamente no que diz respeito a algumas coisas novas, tudo vai depender dos fundos. “Queríamos fazer algumas coisas novas, mas não posso estar agora a anunciar, porque não sabemos que dinheiro vamos ter para isso”, ressalvou Amélia António.

A presidente da Casa dá o exemplo do Arraial de São João, no qual a sua associação tem colaborado na organização desde o primeiro ano, juntamente com outras entidades (que praticamente não dispõem de subsídios para o efeito), e que estava a crescer antes da pandemia. “É um evento colectivo, bastante popular e que ultrapassa já fronteiras. Estava a crescer”, salientou.

Agora, quando quase todas as restrições pandémicas foram anuladas, a presidente da Casa de Portugal volta a colocar questões: “Abraça-se de novo o projecto para que haja continuidade ou não? Tem interesse turístico, cultural, ou não? Eu penso que tem e que deveria continuar, porque é um cartaz de Macau”.

Amélia António ainda não teve grande oportunidade de expor ao novo Cônsul-Geral de Portugal, cara a cara, todas as preocupações da sua associação. “Tivemos apenas uma conversa de apresentação, juntamente com outras associações, e por isso não deu para entrar em grandes detalhes, foi apenas um resumo”, esclareceu.

Relativamente ao primeiro contacto com Alexandre Leitão, “o que posso para já dizer é que mostrou interesse e vontade”. “Interesse em conhecer e vontade para fazer o que for possível para tentar resolver os problemas que as associações têm pela frente, que é uma história antiga. O novo Cônsul terá muito trabalho para perceber as realidades”, afirmou.

Por outro lado, para já, Amélia António não quer pensar nas eleições agendadas para este ano e que, tudo indica, deverão reconduzir a actual presidente para mais um mandato, uma vez que não se perfilha até esta altura um sucessor. “Temos primeiro de fazer uma assembleia geral, para aprovação de relatório e contas, que espero seja durante este mês de Março, e só depois então debruçar-me sobre as eleições”, concluiu a número um da Casa de Portugal, que ocupa o cargo desde 2005. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 11 de dezembro de 2022

Líbano - Fundação portuguesa ajuda quem já não tem mais nada

É o único hospital psiquiátrico em todo o Líbano. As Irmãs Franciscanas lutam desesperadamente para que nada falta a cada um dos mais de mil pacientes. Todos eles têm em comum o facto de possuírem algum tipo de deficiência mental e física e de terem sido rejeitados pelas suas famílias. Sem mais ninguém, resta-lhes o amor das irmãs. Mas elas estão aflitas. Mal conseguem manter as portas do hospital abertas, comprar os medicamentos, a comida, tudo… E pedem-nos ajuda


É um hospital psiquiátrico semelhante a todos os outros. Com a diferença, enorme, de que os doentes foram rejeitados pelas suas famílias. Todos. São homens e mulheres, novos e velhos, crianças e jovens. Cada um deles traz consigo uma história trágica de abandono, cada um deles é um retrato também da situação catastrófica a que chegou o Líbano.

O país atravessa talvez a maior crise económica de toda a sua história. A inflação altíssima empurrou praticamente toda a sociedade para a pobreza e isso está a afectar já, e de forma dramática, a sobrevivência de muitas comunidades religiosas. Uma delas, a das Irmãs Franciscanas da Cruz, lançou um grito de alarme: é cada vez mais difícil manter as portas abertas do hospital psiquiátrico Deir El-Saleeb, assim como de todas as outras estruturas médicas que possuem no país. O hospital, considerado como um dos maiores em todo o Médio Oriente, tem mais de mil pacientes. A crise empurrou as irmãs para o desespero. As contas não param de crescer e é cada vez mais difícil pagar aos fornecedores.

Sem dinheiro, o que podem fazer as irmãs? Deixar de pagar a electricidade? Ou não pagar os medicamentos? Ou deixar de comprar a comida ou os combustíveis, que asseguram, por exemplo, o funcionamento da lavandaria? Todos os dias, passam por lá mais de 4 toneladas de roupa suja. Quatro toneladas…. Que fazer? Quem lida todos os dias com os doentes psiquiátricos afeiçoa-se a eles de forma imperceptível. Aos poucos deixa de se ver a própria deficiência e só se repara que se está perante uma pessoa que precisa de ser amada e respeitada. Rachel Njeim, uma das responsáveis do Hospital, fala disto com um indisfarçável amor, mas também com uma enorme mágoa à mistura. “Quando começamos a trabalhar, sabemos que já não os podemos largar. No hospital, temos dois tipos de pacientes: os psiquiátricos e os que têm atraso mental. Ambas são doenças graves e nenhuma se pode curar a 100%. As famílias não aceitam os filhos e algumas famílias dizem-nos: ‘se ele morrer, diga-me’.”

Os doentes que ali estão não sabem que foram abandonados. Passaram a ter outra família, começaram a descobrir o encanto dos sorrisos, o carinho das irmãs e dos funcionários, a atenção que só o amor é capaz. Os doentes que ali estão não sabem também que as irmãs estão a travar uma luta desesperada para manter abertas as portas do hospital. “Precisamos de alimentos, precisamos de medicamentos…”, diz-nos Rachel. No meio do caos em que se transformou o Líbano, os problemas do hospital ganham ainda mais relevo. Com a sociedade empobrecida, toda a ajuda que as irmãs recebiam ficou reduzida quase a zero. O próprio Estado, falido, reduziu os parcos subsídios que atribuía ao hospital. As irmãs pedem-nos ajuda. Na verdade, é um pedido de socorro. Todos os dias é preciso dar medicamentos, todos os dias é preciso alimentar os doentes, todos os dias é preciso lavar a roupa, ligar os aquecedores. Todos os dias… A Fundação AIS lançou uma campanha, neste Natal, para ajudar estes doentes psiquiátricos. Com 20 euros pode comprar-se uma caixa de medicamentos. É só uma caixa, são mais de mil doentes, mas é um começo… “Quero agradecer-vos muito, de todo o coração”, diz Rachel Njeim. “A Fundação AIS está a dar-nos oxigénio, está a mostrar-nos que Deus actua mesmo. Vocês são a nossa retaguarda. Obrigada!” Agora está do nosso lado. Vamos aceitar este desafio? Vale a pena pensar nisto…”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 23 de agosto de 2022

Venezuela - Cônsul em Caracas destaca dedicação da comunidade

O cônsul-geral de Portugal em Caracas, Licínio Bingre do Amaral, destacou esta segunda-feira a dedicação ao trabalho e solidariedade da comunidade portuguesa radicada na Venezuela, de quem, disse, tentou aproximar o consulado

“Proximidade, estar perto das pessoas, ouvir as pessoas e tentar resolver os seus problemas. Basicamente, essa foi a minha missão principal. A Venezuela passou por momentos complicados e nós tínhamos de levar o consulado às pessoas”, disse o diplomata, que nos próximos dias deixará a Venezuela.

O cônsul-geral explicou ainda que a sua gestão passou por “motivar a equipa” para responder “a qualquer questão do foro consular, desde questões burocráticas, documentos de passaportes, cartão de cidadão, procurações” e “muito importantes” como “as questões do foro social”.

“A minha missão enquanto representante do Estado português aqui na Venezuela é apoiar os portugueses e é isso que tento fazer. Acho que consegui fazer isso com os erros normais que há sempre”, explicou, insistindo que o consulado serve para “ajudar, falar com os portugueses e tentar que cheguem ao contacto, porque há muitos casos, nomeadamente da parte social, e as pessoas não conseguem chegar com facilidade”.

Sobre a comunidade lusa local, explicou que gostou “muito de ver a amizade e a dedicação das pessoas nesta última fase, nomeadamente”.

“Temos aqui uma grande comunidade. Continuemos a trabalhar, a avançar, porque a recuperação [da crise no país] vai ter que vir e a comunidade portuguesa vai ter que ter um papel-chave nisso”, frisou.

Os representantes de três associações luso-venezuelanos (Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas e a “Regala Una Sonrisa”), que esta semana receberam um apoio de cerca de 80 mil euros do Estado português, aproveitaram para agradecer a atenção dispensada pelo diplomata.

“O cônsul foi um fator muito importante no enlace entre Portugal e o Lar. Foi uma pessoa que nos apoiou muito. Foi graças à pressão dele que recebemos os apoios, que este ano não tinham sido outorgados”, explicou o presidente do Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira à agência Lusa.

Por outro lado, Teresa Gonçalves de Fernandes, tesoureira da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas, destacou o trabalho do diplomata, nomeadamente nos apoios à área social.

“Estamos-lhe muito agradecidos, porque com a ajuda dele é que foi possível que nos dessem ajuda. Nós realizamos eventos para angariar fundos para atender portugueses carenciados, mas a pandemia [de covid-19] obrigou a paralisar todos eles. Estamos muito agradecidos pela ajuda que o doutor Licínio nos deu”, disse.

Por outro lado, Francisco Soares, presidente da “Regala Una Sonrisa”, explicou à Lusa que “o senhor cônsul teve um papel importante” e que “participou ativamente” em várias iniciativas.

“Ele não foi um cônsul de ficar no escritório (…) participou connosco nas visitas de casa em casa aos beneficiários dos apoios e nas jornadas de atenção a pessoas em situação de rua [sem-abrigo]”, disse.

Francisco Soares sublinhou que “foi importante, porque, mais além da sua envergadura como cônsul, saiu a ver a realidade”.

“Sentimos que estávamos acompanhados”, afirmou. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quarta-feira, 13 de julho de 2022

Timor-Leste – Governo indica Lino Torrezão como representante especial na Guiné-Bissau

Díli – O Governo indicou o Vice-Ministro da Administração Estatal, Lino de Jesus Torrezão, como Representante Especial do Executivo timorense junto do Governo da Guiné-Bissau, com a incumbência de identificar as necessidades daquele Estado para a realização das eleições a 18 de dezembro deste ano.

“O Conselho de Ministros aprovou o projeto de Resolução do Governo, apresentado pelo Ministro da Administração Estatal, Miguel Pereira de Carvalho, referente à missão de apoio ao processo de recenseamento eleitoral na Guiné-Bissau”, revelou o Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidélis Magalhães, no Palácio do Governo.

Segundo o governante, o Vice-Ministro da Administração Estatal e uma equipa formada para o efeito vão partir brevemente para a Guiné-Bissau.

“Após o término da visita, o Vice-Ministro vai apresentar um relatório ao Conselho de Ministros”, acrescentou Fidélis Magalhães.

O governante recordou ainda que, em 2018, Tomás do Rosário Cabral foi nomeado para o cargo de Chefe de Missão de Apoio ao Processo de Recenseamento Eleitoral da Guiné-Bissau.

“Em resposta ao convite do Primeiro-Ministro guineense, o Governo timorense incumbiu o Vice-Ministro de se deslocar à Guiné-Bissau”, concluiu. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”

 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Timor-Leste - Portugal promete apoio ao desenvolvimento da segurança social

O secretário de Estado da Segurança Social português prometeu em Timor-Leste a manutenção do apoio a Díli nesta área, um “investimento” crucial para o país e para apoio às populações em momentos críticos, potenciando as oportunidades de desenvolvimento

“Temos tido um empenho muito grande nesta vertente da cooperação, de capacitação institucional na área da segurança social, que nos parece absolutamente crítica”, disse à Lusa em Díli o secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos. “Timor-Leste deu passos recentes como a aprovação em 2016 do regime contributivo e com legislação complementar no quadro das prestações sociais, mas há novas oportunidades para ir mais além, tratar da questão do fundo de reserva, desenvolver lei de bases da segurança social em Timor-Leste, que garanta que a arquitetura do sistema é robusta. Este é um aspecto em que devemos continuar a trabalhar em conjunto”, notou.

Gabriel Bastos falava em Díli no início de uma visita a Timor-Leste que permitirá fazer um ponto da situação do apoio dado até aqui e de eventuais apoios complementares. “Timor precisa de criar instituições fortes nesta área, para que o desenvolvimento da sua missão possa ser sólido, robusto e coerente. E Portugal tem dado um destaque e uma prioridade, identificada pelo Governo timorense, como uma necessidade em que importava investir”, explicou.

Durante a visita a Timor-Leste, e além de contactos bilaterais com as autoridades timorenses, Gabriel Bastos participa numa conferência de alto nível dedicada ao tema da “Segurança Social e Desenvolvimento Humano”, que decorre na próxima segunda e terça-feira.

Visitará ainda vários dos projectos apoiados pela cooperação portuguesa, nomeadamente do Ministério do Trabalho e da Segurança Social, em vários dos municípios do país, incluindo Manatuto, Lautem, Baucau, Aileu e Díli. “Reforçar essa cooperação e dar visibilidade e em articulação com o Governo de Timor fazer uma auscultação e mantermos um diálogo sobre eventuais desafios e oportunidades de desenvolvimento e aprofundamento desta cooperação que, tem sido, é o feedback que temos, muito positiva e apreciada pelas autoridades e pelo conjunto dos destinatários dessa cooperação, os cidadãos de Timor-Leste”, referiu.

Na próxima semana está prevista a assinatura da Convenção Bilateral para a Segurança Social, “instrumento muito importante na regulação e coordenação dos dois sistemas” e que permite a mobilidade laboral, marcando “um reforço e um estreitar das relações bilaterais”.

A conferência de dois dias conta, entre outros, com as participações do presidente do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) timorense, Longuinhos Armando, da embaixadora de Portugal em Díli, Manuela Bairos e da vice-primeira-ministra e ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Armanda Berta dos Santos.

Participam ainda, entre outros, Rui Augusto Gomes, ministro das Finanças de Timor-Leste, o ex-ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social português, Vieira da Silva e José Luís Albuquerque, diretor-geral do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal.

O encontro analisará aspetos como o enquadramento do sistema, a segurança social e direitos fundamentais, economia e finanças públicas, emprego e mercado de trabalho. “É muito importante termos esta conversa e dar visibilidade a esta temática. Aqui como em todos os países, são muitos os desafios que se colocam aos sistemas de proteção social. É fazer uma avaliação do significado que tem a existência de um sistema de segurança social, como deve ser desenvolvido e calibrado e ajustado face às necessidades que existem”, notou.

Gabriel Bastos destacou a importância que os sistemas de segurança social tiveram durante a pandemia da covid-19, referindo em particular o facto de em Timor-Leste as medidas terem permitido formalizar e integrar no sistema muitas empresas e trabalhadores. “Sabemos bem que é um dos desafios dos nossos países, aqui com maior intensidade, porque sabemos que essa informalidade tem uma expressão muito grande”, em Timor-Leste, afirmou. “O grande desafio que temos que é criar confiança nos vários agentes económicos e nas pessoas, mostrando que vale a pena, que há uma contrapartida a contribuir. Porque é isso que vai dar solidez ao sistema, uma adesão por parte das pessoas, mais consciencialização do que é a segurança social e a importância de estar dentro do sistema”, especialmente em momentos difíceis, afirmou.

Timor-Leste em particular, com uma população maioritariamente jovem, tem “um enorme potencial de desenvolvimento”, nomeadamente através da qualificação dos seus recursos humanos “através de políticas de criação de emprego e formação que ajudem a dar sustentação a um modelo económico que funcione”, notou. “É isso que cria emprego, que cria riqueza e que deve ser complementado por políticas sociais que garantam a salvaguarda dos direitos das pessoas e apoio social que tem que existir”, disse “A segurança social e a proteção social não constituem uma despesa. São um investimento porque é fundamental para que haja substituição de rendimento. É um mecanismo de estabilização da economia que é muito importante”, disse. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 13 de abril de 2022

Internacional - Julian Lennon canta “Imagine” pela primeira vez, em apoio à Ucrânia

O filho de John Lennon e Cynthia Powell considera que a guerra na Ucrânia é “uma tragédia imaginável” e, por isso, quebrou a promessa de que apenas interpretaria a canção no “fim do mundo”. O teledisco, publicado no YouTube, é feito em parceria com o guitarrista português Nuno Bettencourt, da banda norte-americana Extreme


Julian Lennon, filho do malogrado cantor dos The Beatles John Lennon, publicou, pela primeira vez, a sua versão da música “Imagine” consagrada pelo pai no início dos anos de 1970. O também músico tinha prometido que apenas consideraria cantar o tema, uma única vez, no “fim do mundo”. “Pela primeira vez, apresentei publicamente a música do meu pai ‘Imagine’”, escreveu numa publicação no Youtube, com mais de 1,5 milhões de visualizações em apenas 48h.

O artista, cuja carreira como músico começou em 1984 com o lançamento de seu álbum “Valotte”, escreveu que escolheu a música em parte porque a sua letra “reflecte o desejo colectivo de paz em todo o mundo”. “Porque dentro dessa música somos transportados para um espaço, onde o amor e a união se tornam a nossa realidade, mesmo que por um momento”.

O britânico de 59 anos, filho de John Lennon com Cynthia Powell, considera que a guerra na Ucrânia é “uma tragédia inimaginável”, e como humano e como artista sentiu-se compelido a responder da maneira mais significativa que pode. “Como resultado da violência assassina em curso, milhões de famílias inocentes foram forçadas a deixar o conforto das suas casas para buscar asilo noutro lugar”, apontou Julian, que escreveu ainda que a música do pai “reflecte a luz no fim do túnel, que todos esperamos”.

Num vídeo da performance, com duração de três minutos e vinte segundos, Julian Lennon e o guitarrista português, da banda Extreme, Nuno Bettencourt estão sentados numa sala iluminada por velas. A câmara gira lentamente à volta dos dois músicos enquanto Lennon interpreta a famosa canção.

Julian, cujo primeiro nome é igualmente John, como seu pai, convocou ainda os líderes mundiais e todos os que acreditam no sentimento por detrás da música “Imagine”, “a defenderem os refugiados em todos os lugares”. Ao mesmo tempo, anunciou apoio à campanha #StandUpForUkraine, organizada pela organização não governamental e sem fins lucrativos Global Citizen.

Um evento em Varsóvia, na Polónia, no passado sábado em apoio à angariação de fundos arrecadou cerca de 80 mil milhões de patacas para os refugiados ucranianos, com quase metade do valor a surgir na forma de doações de governos, empresas e indivíduos. A outra parcela foram doações e empréstimos de instituições financeiras públicas europeias.

O movimento #StandUpForUkraine tem vindo a ganhar forma nas últimas semanas. Os irlandeses U2 fizeram uma versão de “Walk On”; o norte-americano Bruce Springsteen deixou uma mensagem a apelar à ajuda aos refugiados e Eddie Vedder, vocalista dos Pearl Jam, também pediu aos governos de todo o mundo para ajudaram a evitar “uma tragédia de proporções épicas”.

Yoko Ono, viúva de John Lennon, que foi creditada por ajudar a criar “Imagine”, também criou uma campanha em larga escala com publicidade em outdoors em cidades como Nova Iorque, Londres ou Seul com a mensagem: “Imagine Peace”. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


domingo, 27 de março de 2022

Canadá - Portugueses apoiam crianças em Moçambique

Uma família portuguesa no Canadá está a levar amor e a “melhorar a vida às crianças órfãs de Moçambique”, angariando donativos para lhes proporcionar uma melhor vida, disse um dos fundadores do projeto


“Tivemos a vontade de criar esta fundação sem fins lucrativos para ajudar os mais necessitados, neste caso as crianças, que são as menos afortunadas, tendo o básico, que é alimentação e ir à escola, já é um grande passo para as crianças em Moçambique”, afirmou Francisco Pacheco, de 55 anos, natural de Maputo.

No Canadá desde 1988, o luso-canadiano explica que a ASAM – Assistência Social Amor por Moçambique teve início há dois anos com o desejo de “ajudar as crianças em Moçambique”.

Neste momento o projeto está numa fase de legalização enquanto fundação sem fins lucrativos, mas já tem vários programas em andamento no distrito de Morrumbala, na província da Zambézia.

“A maioria dos donativos que recebemos são provenientes da minha família, que todos os meses contribuem financeiramente. É essencialmente desta forma que conseguimos os donativos, mas também temos um contacto em Portugal de pessoas que colaboram. É desta maneira que conseguimos manter esse trabalho”, contou.

O pastor local em Morrumbala, Mateus Felizardo, coordena os trabalhos no terreno, sinalizando as principais necessidades das mais de 320 crianças que recebem apoio social.

“Um pastor local comunica comigo as necessidades que mais têm, a alimentação que é a principal dificuldade que têm. Os donativos são divididos entre aquelas cinco comunidades”, explicou Francisco Pacheco.

Além dos donativos monetários, que são enviados para a aquisição de alimentos, a associação também está a adquirir roupa, material escolar e água potável para as crianças.

No final de 2021, a organização adquiriu uma habitação destinada a crianças órfãs onde podem “dormir e alimentar-se”.

Mais recentemente iniciou os trabalhos em duas habitações que serão o lar de duas famílias que “praticamente estavam na rua” e que devem ficar concluídas em breve.

“Agora vamos avançar para uma terceira habitação destinada também a uma família de baixo rendimento com muitas necessidades”, revelou. 

Num futuro próximo, o projeto pensa em expandir-se para outras regiões de Moçambique e para outros países, tendo já alguns pedidos de ajuda, nomeadamente do Uganda.

Sem nenhum objetivo financeiro até lá, Francisco Pacheco destacou ainda o sonho de construir um “prédio com dormitório para as crianças e com uma escola anexada”.

A organização construiu ainda naquela região de Moçambique um aviário e dois poços com água potável.  

A rede social Facebook tem sido importante para promover o projeto ASAM junto da comunidade no Canadá. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo