O fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro
apresenta a partir de 2 de Julho, no Foreign Correspondents’ Club (FCC), o seu
projecto “O que foi não volta a ser…”, desta vez em exposição. Com curadoria do
fotógrafo e professor canadiano Ben Marans, a mostra reúne 30 imagens impressas
seleccionadas de um conjunto mais vasto de 80 fotografias publicadas em dois
volumes, em 2022 e 2025.
A cerimónia oficial de inauguração terá lugar no dia 7 de
Julho, às 18h30, na Van Es Wall do FCC, um espaço dedicado à apresentação de
trabalhos de fotógrafos e artistas de referência. A exposição estará patente
até 31 de Julho.
O trabalho de Gonçalo Lobo Pinheiro, que tem vindo a
construir uma obra centrada na memória, na impermanência e na transformação dos
territórios, oferece um olhar documental e sensível sobre paisagens culturais e
urbanas. O projecto nasceu da recolha de imagens antigas de Macau, captadas
entre as décadas de 1930 e 1990, a preto e branco, adquiridas em leilões, na
internet, a particulares, em lojas e até em Portugal. Nas palavras do
fotógrafo, “cada imagem é uma tentativa de reconstituir o que já pouco ou nada
existe, mas que continua a habitar o espaço como fantasma, como sombra que
insiste em permanecer”.
Durante pouco mais de um ano, o fotógrafo foi juntando
esses registos de épocas passadas, confrontando-os com a paisagem actual da
cidade. Se alguns cenários ainda são reconhecíveis, outros simplesmente já não
existem. Quando questionado sobre o acto de “fotografar fotografias”, Gonçalo
Lobo Pinheiro diz ser “quase performativo”. Ao Ponto Final, descreveu o
trabalho como “um diálogo silencioso entre o fotógrafo e a cidade, uma
coreografia de paciência e insistência. A fotografia torna-se ponte entre
tempos distintos, revelando que o espaço urbano é sempre reescrito e nunca
definitivo”, referiu.
O fotógrafo, nascido em 1979 e radicado em Macau há mais
de 12 anos, passou por várias publicações portuguesas e estrangeiras, incluindo
Público, Expresso, Washington Post, BBC e The Guardian, antes de se fixar em
Macau, onde contribui actualmente para a agência Lusa. Vencedor de vários
prémios ao longo da carreira, publicou também diversos livros de fotografia,
incluindo os da actual exposição. É membro fundador da associação Halftone.
A exposição actual surge após o encerramento do projecto,
em finais de 2025, e convida o público a reflectir sobre a inevitabilidade da
mudança e a certeza de que o que foi não volta a ser, “mesmo que muito se
queira”… Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”
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