Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Internacional - Ainda existem quase 200 tribos isoladas na Terra

Foi publicado o primeiro estudo abrangente sobre comunidades indígenas que evitam contacto com estrangeiros. Ele mostra que esses povos precisam de ter cuidado com a falta de imunidade a doenças


Você também costuma desejar menos contacto? Sim, claro, a solidão também é um problema. Mas, cada vez mais, eu só quero paz e sossego, e não ser incomodado pelo barulho do presente, pelas mensagens de estranhos nas redes sociais e pelas notícias ruins do decadente mundo do capitalismo de consumo.

É impossível não ficar cada vez mais impressionado com a sensação que o cantor Jan Delay expressou no seu primeiro álbum solo, na mudança do milénio (o videoclipe também era óptimo, com Merkel a usar um lenço palestino na cabeça): "Tudo está envenenado". Como seria maravilhoso apagar o disco rígido e olhar o mundo com olhos virginais? Com ​​novos olhos. Com rituais comunitários, em contato constante com a Mãe Natureza, acreditando nos espíritos e mitos das árvores, da água e dos animais. E, portanto, talvez sentir um pouco mais de solidez e firmeza, e menos medo.

A notícia de que ainda existem 196 povos na Terra que desfrutam dessa experiência diária surpreendeu-me ainda mais. Eu estava dirigindo no trânsito de Berlim quando o rádio noticiou um novo estudo da organização de direitos humanos Survival International. A grande maioria, 188, desses chamados povos desconectados da realidade e reclusos do mundo vive na América do Sul, na Amazónia brasileira. Segundo a organização, o "povo mais isolado do mundo" vive numa ilha pertencente à Índia – os Sentineleses.

Imediatamente comecei a sonhar comigo mesmo em densas selvas amazónicas e ilhas solitárias, vestindo apenas uma tanga, arremessando furiosamente uma lança esculpida à mão contra drones e câmaras. Há vídeos correspondentes no YouTube, todos os quais vi. Para as tribos que querem saber mais, somos um grande perigo. Ao contacto, doenças são imediatamente transmitidas, dizimando dois terços das tribos devido à falta de imunidade. Os autores alertam que os habitats dessas tribos também estão ameaçados pela exploração madeireira, mineração e pecuária.

Nos últimos anos, porém, surgiram outras razões, às vezes surpreendentes. Entre elas, estavam gangues de traficantes de drogas e missionários evangélicos. E também influenciadores que procuram ganhar dinheiro por meio de "primeiros contactos" e, portanto, no sentido mais verdadeiro da palavra, pretendem uma falsa proximidade. Então desliguei o rádio; eu tinha chegado ao consultório do dentista. Timo Feldhaus – Alemanha in “Berliner Zeitung”

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Suíça - Descendentes de emigrantes exigem passaporte suíço

O direito à cidadania suíça é baseado no princípio da origem, sendo também herdado por quem nasce no exterior. Apesar disso, milhares de descendentes de cidadãos suíços que deixaram o país acabaram perdendo a sua nacionalidade. Uma petição quer mudar isso agora



Dylan Kunz, 23 anos, é descendente de emigrantes suíços. No século 19, os seus bisavós suíços emigraram dos cantões de Solothurn e da Turgóvia para a Argentina. Os seus avós eram cidadãos suíços e quatro dos seus cinco tios também são suíços. O seu pai Ruben e ele próprio, contudo, não são suíços. O seu pai, sem saber, perdeu a cidadania por não ter estado atento aos prazos exigidos para mantê-la.

Somente em 2021, quando o pai de 63 anos entrou em contato por e-mail com a Embaixada da Suíça em Buenos Aires, é que a família recebeu a informação de que ele não seria cidadão suíço. “Foi uma decepção enorme para toda a família e especialmente para o meu pai, pois ele passou a vida inteira a acreditar ser suíço”, conta Dylan. Entender que não era bem assim foi uma situação um pouco embaraçosa: “O meu pai e eu sempre dizíamos que a ‘a Suíça é o melhor país do mundo e que éramos suíços”, relata.

O registo do nascimento nunca chegou à Embaixada

A família Kunz sempre partiu do princípio de que Ruben, pai de Dylan, da mesma forma que os seus irmãos mais velhos, teria sido registado na Embaixada da Suíça na Argentina dentro do prazo regular. No entanto, em 1958, por ocasião do nascimento de Ruben, numa época na qual não havia e-mails, o correio argentino transportava as correspondências em parte por cavalos e carroças, não sendo, portanto, totalmente confiável. Os comunicados do nascimento de Ruben Kunz, bem como de um dos seus irmãos, registado na mesma época, não chegaram à Embaixada suíça, como concluiu a família decepcionada.

A legislação suíça determina que se uma pessoa não for registada na representação diplomática do país nem estiver inscrita no registro civil oficial até aos 25 anos de idade (em 1958, vigorava ainda o limite de 22 anos), ela perderá a cidadania. Esse foi o caso de Ruben Kunz em 1980, quando completou 22 anos.

Depois disso, ele poderia, teoricamente, dentro de um prazo de dez anos, ter entrado com um requerimento para ser novamente naturalizado. Essa oportunidade foi, porém, também perdida – visto que Ruben sempre partiu do princípio de que seria suíço. Hoje, ele tem apenas uma opção, caso queira naturalizar-se novamente: viver permanentemente na Suíça durante três anos. Isso, contudo, não é uma hipótese realista: “Para muitos de nós, que vivemos na Argentina, esse caminho é financeiramente impossível, além de que seria difícil poder trabalhar na Suíça do ponto de vista do direito de permanência”, diz Dylan.

Quando a cadeia é interrompida

Diante disso, o passaporte suíço é negado não apenas ao pai de Dylan, mas também aos seus descendentes. “Há aqui uma dependência em cadeia”, diz Barbara von Rütte, especialista em Direito Civil. Quando a cadeia é interrompida, torna-se cada vez mais difícil reaver a cidadania suíça. “Quanto mais próximo o momento da perda, maior a probabilidade de recuperar a nacionalidade”, explica.

O caso de Ruben e Dylan Kunz não é único. Nas últimas décadas, milhares de descendentes de emigrantes suíços devem ter tido o mesmo destino. “O Direito Civil suíço é muito marcado pelo princípio do jus sanguinis”, diz Von Rütte. Isso significa que a cidadania é transmitida por origem, não importando qual o local de nascimento da pessoa em questão. “A lei estipula que a cidadania suíça pode ser transmitida de geração em geração, quando a solicitação é feita”, alerta a especialista.

Um grande número de descendentes de emigrantes suíços considera os requisitos de transmissão da cidadania suíça muito rigorosos. Por isso, um coletivo, que tem Dylan Kunz à frente, lançou uma petição e colheu assinaturas de cerca de 110 cidadãos suíços e suíças no exterior, bem como de 11.500 descendentes de emigrantes suíços. O documento foi encaminhado ao Parlamento em julho de 2024.

“Nós, descendentes, somos discriminados”

“Pedimos ao Parlamento que reveja e reforme a lei que regulamenta a cidadania suíça, para que os descendentes de suíços no exterior até à quinta geração possam requerer a nacionalidade com mais facilidade. Essa reforma deve simplificar os procedimentos e reduzir as exigências burocráticas”, consta do texto da petição. O Direito Civil suíço discrimina os descendentes de cidadãos suíços no exterior ao impor restrições específicas à manutenção da cidadania, aponta o documento.

“Até ao início do século 20, a Suíça era um país de emigrantes”, diz Von Rütte. Portanto, há hoje muitos suíços de quinta ou sexta geração no exterior. Muitos acabaram perdendo a cidadania por diversas razões. Outros, contudo, conseguiram mantê-la e passá-la para os seus familiares.

Questiona-se se seria de facto tão difícil procurar uma Embaixada ou Consulado antes dos 25 anos de idade. “Esse não é um problema atual, mas histórico”, pontua Eduardo Puibusque, responsável pelo encaminhamento da petição em nome do grupo “Nacionalidade Suíça Para Descendentes“. Se hoje é evidente que os comunicados são rápidos e as informações chegam com agilidade, isso nem sempre foi assim.

Muitos perderam a cidadania por falta de informação

“É preciso considerar que a maioria dos emigrantes suíços não vivia em cidades, mas se estabelecia no campo”, lembra Puibusque. A Argentina é um país enorme, com grandes distâncias, sendo “ainda hoje difícil cortar o país de fora a fora”, observa. A ausência de conhecimento, resultante da falta de acesso a fontes de informação, levou, durante muitos anos, à perda da cidadania suíça “e isso não aconteceu apenas em áreas rurais”, comenta Puibusque. Entre outras coisas, ele refere-se às várias mudanças nas leis aprovadas ao longo das décadas.

O próprio Puibusque teve de lutar para reaver a sua cidadania suíça, pois a sua mãe a havia perdido na década de 1940, quando se casou com um cidadão argentino.

Puibusque teve sorte ao beneficiar de uma determinação transitória na lei da cidadania suíça, que permitiu a ele e à irmã que recuperassem os seus passaportes suíços. No entanto, os seus três filhos e seis netos não têm acesso à nacionalidade suíça. “Quando a minha condição de cidadão suíço foi finalmente reconhecida, os meus três filhos já haviam ultrapassado o limite de idade ‘arbitrariamente’ estabelecido”, diz ele. Para muitos descendentes, o acesso à cidadania suíça só pode ser recuperado a duras penas.

A petição reivindica que isso seja modificado. A recuperação da cidadania – de preferência até à quinta geração de parentes consanguíneos – por parte dos descendentes suíços no exterior deveria ser facilitada sem maiores obstáculos, tais como a idade ou as condições financeiras.

“Antigamente havia mais disposições transitórias que facilitavam a recuperação da cidadania suíça”, diz Von Rütte. Elas afetavam sobretudo quem havia perdido a sua cidadania devido à discriminação de género. Essas disposições foram se tornando de difícil compreensão, de forma que foram consolidadas e resumidas em 2017. “Isso também foi feito com a crença de que a maioria dos casos, afetados pelas disposições, acabaram sendo resolvidos no decorrer do tempo.”

No entanto, esse não parece ser o caso: “Somos tios, tias, filhos, filhas, netos”, diz Kunz. Todo o mundo perdeu a cidadania suíça. “Não queremos beneficiar nos do facto de sermos naturalizados outra vez, trata-se da nossa identidade e da nossa ligação com o país de origem”, conclui. Melanie Eichenberger – Suíça in “Swissinfo”


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

América do Sul - Mais de 420 mil crianças são afetadas por seca recorde na Amazónia, diz Unicef

Choques climáticos no Brasil, Colômbia e Peru deixam menores sem acesso à educação, alimentos e serviços vitais. Mais de 1,7 mil escolas brasileiras foram fechadas ou ficaram inacessíveis devido aos níveis baixos de água nos rios


Mais de 420 mil crianças estão afetadas pela seca recorde que atinge a Amazónia, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
O evento climático extremo, desde o ano passado, deixou os rios da bacia amazónica em níveis extremamente baixos, afetando severamente o Brasil, Colômbia e Peru.
Mais de 1,7 mil escolas fechadas no Brasil
Nestes países, as famílias que vivem em comunidades ribeirinhas e indígenas dependem dos rios para transportar e aceder a alimentos, água, combustível e suprimentos médicos básicos.
A via fluvial também é importante para que as crianças consigam ir às aulas. Somente no Brasil, mais de 1,7 mil escolas e 760 centros de saúde foram fechados ou ficaram inacessíveis devido aos níveis baixos dos rios.
A última avaliação do Unicef em 14 comunidades no sul da Amazónia brasileira, revela que metade das famílias está com os seus filhos fora da escola como resultado da seca.
“A saúde da Amazónia afeta a saúde de todos”
A oferta de serviços essenciais, incluindo saúde e proteção infantil também foi interrompida na região.
A diretora executiva da Unicef, Catherine Russell disse que a região vivencia a devastação de um ecossistema essencial do qual dependem as famílias, “deixando muitas crianças sem acesso adequado a alimentos, água, cuidados de saúde e escolas".
Ela afirmou que é preciso mitigar os efeitos da crise climática extremas para proteger as crianças hoje e as gerações futuras. Para Russell, “a saúde da Amazónia afeta a saúde de todos”.
Crises na Colômbia e no Peru
Já na Amazónia colombiana, a queda foi mais drástica de até 80%, restringindo o acesso à água potável e ao abastecimento de alimentos.  Em mais de 130 escolas, aulas presenciais foram suspensas.
Isso aumentou o risco de recrutamento, uso e exploração por grupos armados não estatais e levou ao aumento de infecções respiratórias, diarreias, malária e desnutrição aguda entre os menores de 5 anos.
No Peru, a região nordeste de Loreto é a mais afetada pela seca, deixando em risco comunidades remotas, a maioria delas indígenas e já vulneráveis.
Mais de 50 centros de saúde tornaram-se inacessíveis, enquanto os incêndios florestais, muitas vezes gerados pelo ser humano e impulsionados pela seca, estão causando devastação sem precedentes e perda de biodiversidade em 22 das 26 regiões do país.
Necessidade de US$ 10 milhões para a resposta
A Unicef estima que US$ 10 milhões são necessários durante os próximos meses para atender às necessidades mais urgentes das comunidades afetadas pelas secas no Brasil, Colômbia e Peru, incluindo a distribuição de água e outros suprimentos essenciais.
O investimento também cobriria mobilização de brigadas de saúde e fortalecimento da resiliência dos sistemas comunitários e serviços públicos locais nas comunidades indígenas afetadas.
A Amazónia é a maior e mais diversificada floresta tropical do planeta e abrange nove países da América do Sul. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Portugal - Cientista da Universidade de Coimbra publica livro sobre os rios da América do Sul

Manuel Graça, professor do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), acaba de publicar o livro “Rivers of South America”, no qual oferece uma ampla perspetiva sobre os rios sul-americanos, do seu ambiente, da biodiversidade de água doce, das ameaças, da conservação e do património cultural. 


“Rivers of South America” examina o ambiente físico, químico e biológico dos rios sul-americanos e as pessoas que vivem nas suas bacias, explorando as principais bacias hidrográficas, com informações sobre a história, fisiografia, clima, hidrologia, biodiversidade, processos ecológicos, problemas ambientais, gestão e conservação de cada rio. 
A obra de Manuel Graça, Marcos Callisto (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil), Franco Teixeira de Mello (Universidad de la Republica, Uruguai) e Douglas Rodríguez-Olarte (Universidad Centro Occidental Lisandro Alvarado, Venezuela) identifica pontos críticos de conservação para ambientes fluviais e é enriquecido com um grande número de mapas, fotografias, gráficos e tabelas. 
Os autores consideram esta publicação uma referência importante para ecologistas aquáticos, autoridades ambientais, governos locais e nacionais, académicos, ONG e interessados na preservação e gestão de águas correntes. 
O novo livro vem no seguimento de outras duas obras que visam dar a conhecer a importância dos rios para a humanidade: “Rivers of North America” e “Rivers of Europe”. Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 24 de janeiro de 2021

Brasil – O macaco Tamarindo-imperador barbudo


O macaco Tamarindo-imperador barbudo é uma subespécie do Tamarindo-imperador. É notável pelo seu bigode branco, que também está presente em espécimes mais jovens e nas fêmeas da espécie.

Este pequeno macaco é omnivoro, comendo um pouco de tudo, principalmente plantas, frutas e pequenos animais e insetos. O Tamarindo-imperador barbudo não costuma crescer além dos 25 centímetros, pesando pouco mais de meio quilo.

A sua cauda comprida, quase do tamanho do seu corpo, é outra das suas características (mas que é ofuscada pelo belo bigode), e pode chegar aos 15 centímetros.

Esta espécie é nativa da América Central e do Sul nas florestas tropicais, particularmente em regiões como o sudoeste da Bacia Amazónica no Brasil, o leste do Peru e o norte da Bolívia. Vivem em habitats abertos e cobertos por árvores. De acordo com um estudo do Macalester College, vivem em árvores com menos de 25 a 35 metros de altura, comuns na selva amazónica.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), na sua Lista Vermelha, relatou que a espécie não está sob risco significativo de extinção. No entanto, a IUCN observa que o rápido desmatamento, devido em grande parte à exploração madeireira e à construção de infraestruturas, pode ameaçar as espécies num futuro próximo, e correm o risco de serem capturadas para o comércio ilegal de animais de estimação.

Este macaco barbudo é mais ativo durante o dia e é um animal em constante movimento. O seu pequeno tamanho torna-o uma criatura ágil e permite que salte de galho em galho rapidamente. É um animal social que vive em pequenos grupos, sendo liderados pela fêmea mais velha. São brincalhões e, quando relaxam, cuidam dos pelos uns dos outros.

Quando há perigo, este macaco solta gritos para alertar os outros do grupo. É um macaco altamente territorial e zelosamente defenderá o seu território contra outros macacos da sua espécie ou de outras espécies. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

domingo, 10 de janeiro de 2021

Internacional – Ocelote, o mamífero que é meio gato, meio leopardo


O Ocelote (Leopardus pardalis) é um mamífero que foi classificado em 1758 por Carl Linnaeus, e que habita nas florestas da América do Sul e no Texas. Com um focinho parecido ao de um gato, uns olhos grandes e esbugalhados, e um corpo idêntico ao de um leopardo, este animal faz as delícias dos admiradores de felinos.

A espécie costuma ser encontrada nas árvores durante o dia, e a caçar durante a noite. É uma ótima nadadora, e é carnívora, pelo que se alimenta de ratos, coelhos, peixes e pássaros.

Segundo o Jardim Zoológico de Lisboa, o Ocelote mede entre 70 a 100 centímetros, e pesa entre 6 a 15 quilogramas.

Apesar da espécie ser considerada pouco ameaçada de extinção, pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, as principais razões que têm levado à diminuição da sua população são, a perda de habitat e a caça ilegal para comércio. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

América do Sul - Representantes de nove países reinstalam o Parlamento Amazônico

 


Com representantes do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana, Equador e Guiana Francesa foi reinstalado nesta segunda-feira o Parlamento Amazônico (Parlamaz). Criado há 32 anos, o grupo tem o objetivo de estabelecer políticas integradas e estreitar as relações entre os países-membros na discussão sobre as questões amazônicas, promovendo a cooperação e o desenvolvimento sustentável da região Amazônica.

“A nossa pauta principal neste momento é a proteção do nosso imenso patrimônio, constituído pela Floresta Amazônica. São 7 milhões de quilômetros quadrados de pura riqueza, a região de maior biodiversidade do planeta”, ressaltou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), eleito por aclamação para presidir o Parlamaz. Em reunião remota do colegiado hoje (21), Trad deu prazo até 21 de janeiro para que os membros indiquem candidatos para a vice-presidência e apontamentos para o plano de trabalho do grupo. A data da próxima reunião do Parlamento Amazônico ainda não foi definida.

Criado em 17 de abril de 1989, o Parlamaz funcionou por alguns anos, mas acabou desmobilizado. A ideia de reativá-lo, depois de oito anos inativo, voltou em 2019, após uma reunião dos países-membros na Embaixada do Equador. Segundo Nelsinho Trad, depois daquele encontro foram realizados debates decisivos para a continuidade do projeto.

“Nossa intenção é dar voz às populações nativas, oferecer não uma obra passageira, mas uma contribuição definitiva que se perpetuará no tempo. A reinstalação do Parlamaz significa um passo importante, e os resultados poderão impactar de modo decisivo e firme o nosso futuro”, afirmou.

Para o deputado colombiano Juan David Velez, outro grande desafio dos países-membros é sugerir ações de proteção ao meio ambiente também de forma geral. “Para nós, o Parlamaz trará sinergia para a região [Amazônica], visando ações que gerem produtividade sustentável e riqueza. Não queremos seguir com a pobreza, e precisamos tratar desse tema de modo responsável”, disse.

Uma das representantes da Bolívia, a deputada Marta Ruiz Flores disse que o parlamento boliviano está comprometido com a causa. Segundo ela, juntos, os países do Parlamaz podem promover mudanças importantes para a sustentabilidade do bioma amazônico.

Aquecimento global

Na opinião do presidente da Assembleia Nacional da Guiana, Manzoor Nadir, o aquecimento global tem trazido mudanças e consequências que não podem ser medidas, mas que precisam ser combatidas. Ele chamou atenção para a responsabilidade do Parlamaz em relação à legislação ambiental. “Estamos falando de uma lei que tem um poder único de apresentar números e trazer soluções. Nosso tempo de agir é agora”, disse.

O deputado brasileiro Léo Moraes (Podemos-RO) disse que além de defender os amazônidas, como indígenas e ribeirinhos, é fundamental que o grupo parlamentar chame à participação todas as populações que habitam a área. “Temos que cuidar e aliançar o interesse pelo desenvolvimento e pelo progresso pensando, sobretudo, na nossa soberania. Ninguém melhor que os moradores e desbravadores dessa região para nos transmitir as experiências inerentes a esse rincão e estamos à disposição para promover esse bom debate”, disse.

Para Carlos Alberto Lázare Teixeira, da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Otca), o Parlamaz é um canal de diálogo e cooperação entre os legislativos desses países, fundamental para consolidar as políticas de Estado necessárias à Amazônia.

Composição

Brasil: senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), Eduardo Braga (MDB-AM), Plínio Valério (PSDB-AM), Paulo Rocha (PT-PA) e Telmário Mota (Pros-RR); e os deputados Marcelo Ramos (PL-AM), Léo Moraes (Podemos-RO), Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e José Ricardo (PT-AM).

Bolívia: Marta Ruiz Flores, Sara Kattya Condori, Carlos Hernán Arrien Aleiza, Alcira Rodríguez, Ana Meriles e Genaro Adolfo Mendoza.

Colômbia: Germán Alcides, Blanco Álvares, Harry Gonzalez, Henry Correal, Juan David Velez, Maritza Martinez, Harold Valencia, Carlos Cuenca e Jorge Guevara.

Equador: Fernando Flores, Carlos Cambala.

Guiana: Manzoor Nadir.

Peru: Gilmer Trujillo Zegarra.

Suriname: Marinus Bee.

Venezuela: María Gabriela Hernández Del Castillo, Romel Guzamana. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “EBC”

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

América do Sul - Saíra-militar, um dos pássaros mais coloridos do planeta


Esta pequena ave colorida, também conhecida como saíra-lenço ou saíra-de-coleira-vermelha, habita normalmente na Mata Atlântica.

A Saíra militar (Tangara cyanocephala), pertence à família Thraupidae e foi classificada em 1776.



Habita a copa das florestas húmidas, bordas de floresta e bosques, pode ser vista frequentemente em bandos de espécies mistas, destacando-se pelas suas fortes cores.

A ave é na maior parte verde com uma coroa e garganta azul, sendo a nuca e as bochecas vermelhas. Os machos têm o dorso preto e as fêmeas apresentam o dorso preto malhado com penas verdes.

A saíra-militar pode ser encontrado ao longo da costa leste do Brasil, do Ceará ao Rio Grande do Sul e no norte da Argentina.

Estas aves são encontradas geralmente na Mata Atlântica, nas bordas da floresta, mas também em zonas em matagal no nordeste do Brasil.

Nos bosques tropicais onde habita, a saíra-militar alimenta-se de frutos, insetos, néctar ou pólen das flores, frequentando pomares ou comedouros, sendo muitas vezes avistadas a alimentar-se em pequenos arbustos e até mesmo sobre a vegetação rente ao solo.

A tendência populacional parece ser estável, segundo os especialistas, e, portanto, a espécie não se aproxima dos limiares de Vulnerável sob o critério de tendência populacional (declínio superior a 30% em dez anos ou três gerações).

O tamanho da população não foi quantificado, mas acredita-se que não atinja os limites da vulnerabilidade sob o critério de tamanho da população – inferior a 10 mil espécimes. In “Green Savers Sapo” - Portugal

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Internacional - Este é o chocolate mais antigo do mundo



Um estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution, e liderado por Michael Blake, cientista da Universidade de British Columbia, em Vancouver, no Canadá, adianta que o cacau começou a ser cultivado 1500 anos mais cedo do que se pensava. E não foi na América Central mas sim na América do Sul. Ou seja, os cientistas chegaram à conclusão que o Theobroma cacao (o nome científico da planta de cacau) estava já em uso na América do Sul há 5300 anos.

Os cientistas examinaram artefactos de cerâmica no sítio arqueológico de Santa Ana-La Florida, uma vila e centro cerimonial muito bem preservado e que foi parte da cultura Mayo-Chinchipe dos Andes, e encontraram evidências abundantes do uso de cacau, que é utilizado para a produção do chocolate.

“Estas descobertas sugerem que o povo maio-chinchipe domesticou Theobroma cacao pelo menos 1500 anos antes de a cultura ser usada na América Central. Como alguns dos artefactos de Santa Ana-La Florida têm ligações com a costa do Pacífico, os autores propõem que o comércio de mercadorias, incluindo plantas culturalmente importantes, poderia ter iniciado a viagem de cacau para o norte”, refere o artigo. Assim, esta nova rota estabelece que o chocolate “nasceu” na parte superior da Amazónia, tendo sido negociado ou transportado para o Norte da Colômbia, antes de chegar à América Central e ao México.

“Tanto quanto sabemos, estas descobertas constituem a mais antiga prova do uso de Theobroma cacao nas Américas e o primeiro exemplo arqueológico inequívoco de seu uso pré-colombiano na América do Sul”, concluem os autores. In “Green Savers Sapo” - Portugal

sábado, 7 de setembro de 2019

Venezuela - Universidade de Carabobo vai formar professores de português da Colômbia, Chile, Peru e Argentina



A Universidade de Carabobo (oeste de Caracas) vai formar, à distância, professores de português da Colômbia, Chile, Peru e Argentina, ao abrigo de um protocolo de cooperação com o Camões – Instituto de Cooperação e da Língua.

O anúncio foi feito pelo coordenador do Ensino de Língua e Cultura portuguesa na Venezuela, Rainer Sousa, no Centro Português de Caracas, onde decorreu o I Encontro de Estudantes do 1.º Diplomado do Curso de Português como Língua Estrangeira, da Venezuela.

“Já estão a decorrer as pré-inscrições, para começar em setembro (na segunda semana) e (além de venezuelanos) há outro grupo de interessados, nomeadamente pessoas da Colômbia, Chile, Peru e Argentina, que já pediram também para fazer o diplomado”, acrescentou.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador do ensino, explicou que o diplomado, que forma professores de português à distância “é uma boa oportunidade para avançar”.

“Não podemos ter bons alunos de português se não tivermos melhores e mais professores de língua portuguesa”, frisou.

Relativamente ao 1.º Diplomado do Curso de Português, explicou que foi uma iniciava da coordenação do ensino e que permitiu formar duas dezenas de professores, localmente e à distância.

“Foi uma iniciativa para ajudar todas aquelas pessoas que ensinam português na Venezuela, mas que não possuem credenciais para fazê-lo e têm muitos anos de experiência, através de um protocolo de cooperação assinado no ano passado pelo embaixador Luís Alfaro Ramos presidente do Instituto Camões e a Universidade de Carabobo”, disse.

O protocolo, explicou, permitiu que dentro do seu programa a Universidade de Carabobo (170 quilómetros a oeste de Caracas) pudesse oferecer um curso à distância, ‘online’, para todas as pessoas que falam e escrevem português e que gostariam de dar aulas de português.

“Realizámos o primeiro encontro, para nos conhecermos, trocarmos impressões, ouvir críticas construtivas em relação a este projeto que é completamente à distância e também avaliar até que ponto os estudantes estão a desfrutar e usufruir dos conhecimentos que lhes são dados”, explicou.

O responsável explicou que o diplomado tem vários módulos: “o cultural, que se chama introdução às culturas lusófonas e uma introdução ao ensino do português para falantes de espanhol, uma vez que o diplomado está dirigido a professores ou futuros docentes de língua portuguesa, que desenvolvem o seu trabalho em países de língua espanhola”.

Há também as áreas das didáticas e da aplicação das novas tecnologias ao ensino do português.

Segundo Rainer Sousa, “os estudantes, neste caso os professores ou pessoas que aspiram poder dar aulas na Venezuela, com certificações da Universidade de Carabobo, têm que preparar uma unidade didática dirigida a um curso de português língua estrangeira ou de português língua de herança, ou de português com fins específicos (profissionais), para um público de língua espanhola”.

Sobre os desafios do 1.º Diplomado explicou que foram “bastante complicados”, entre eles “os apagões elétricos” na Venezuela, “que afetaram as plataformas de ensino ‘online’”.

“No entanto, com a professora Maria Teresa, que é minha colega, tivemos a ideia de usar os recursos da web, do Google, e outras ferramentas que estão à disposição, quando a plataforma não funciona, para fazer chegar aos estudantes os materiais”, adiantou.

Rainer Sousa frisou ainda que não ficaram “parados por causa desses problemas” e que continuam a existir dificuldades como falhas da internet, “mas o grupo está muito motivado”, garantiu. In “Mundo Português” – Portugal com “Lusa”

sábado, 3 de agosto de 2019

Internacional – Classificação do movimento de contentores segundo a Lloyd's List Maritime Intelligence em 2018

Porto de Santos em 39º, Porto de Sines em 93º



O Porto de Santos ficou em 39º lugar entre os maiores portos do mundo na movimentação de contêineres em 2018, segundo levantamento divulgado na quarta-feira (31) pela publicação especializada britânica “Lloyd's List Maritime Intelligence”, uma das mais prestigiosas do mundo dedicadas a portos e navegação. Os 4,12 milhões de TEU (medida padrão equivalente a um contêiner de 20 pés) movimentados no ano passado colocou Santos três posições acima do ranking de 2017, quando ficou na 42ª colocação. A lista é encabeçada pelo Porto de Xangai, na China, com 42 milhões de TEU. Os dez portos mais bem colocados ficam na Ásia - sete na China; um em Singapura; um na Coreia do Sul; e um em Dubai.

De acordo com o ranking “One Hundred Ports 2018”, o Porto de Santos é o maior do Hemisfério Sul. A revista destaca o crescimento de 7% registrado no ano, que elevou a movimentação de 3,85 milhões de TEU em 2017 para 4,12 milhões de TEU. Em 2019, a movimentação está em crescimento e registrou recordes mensais em maio e junho, embora no acumulado do ano tenha caído 3,5%, para 1,9 milhão de TEU.

Na América Latina, o Porto de Santos ocupou a 1ª posição entre 2012 e 2015. Desde 2016 está em 2º na movimentação, atrás do Porto de Colón (Panamá). O porto panamenho é gerido por uma empresa chinesa especializada em carga conteinerizada, sendo o 2º maior do mundo em transbordo de carga (atrás apenas de Hong Kong). In “Portos e Navios” – Brasil

Segundo a classificação da "Lloyd's List Maritime Intelligence" para além do Porto de Santos na costa atlântica da América do Sul, encontra-se o Porto de Buenos Aires na 92ª posição com um crescimento de 22,4% em 2018 face ao ano anterior.

Na Península Ibérica, o Porto de Valência é o melhor classificado no 29º lugar, com um aumento de 7,3% em relação ao ano de 2017. Seguem-se os Portos de Algeciras, (33º) +8,7%, de Barcelona, (48º) +15,1% e o Porto de Sines na posição 93ª com um acréscimo de 4,9%. Baía da Lusofonia



terça-feira, 28 de maio de 2019

Lusofonia - Instituto Camões quer levar ensino de português a mais países da América do Sul

O português é a língua mais falada no hemisfério sul, mas o ensino não é curricular em toda a América do Sul e o Camões - Instituto da Cooperação e Língua pretende alargá-lo aos países do idioma espanhol



Se o Brasil adotou o espanhol no sistema de ensino público desde 2010, o português não está ainda em todos os países sul-americanos de língua oficial espanhola membros da Conferência Ibero-Americana, que têm de incluir o português no sistema de ensino público.

"Todos os países da Conferência Ibero-Americana devem promover o ensino de outra língua. Assim, paralelamente ao ensino do espanhol em Portugal e no Brasil, os países de língua espanhola deverão caminhar no sentido de integrar o português no ensino público", explicou o presidente do Instituto Camões, Luís Faro Ramos.

O presidente do instituto responsável pelo ensino de português no estrangeiro acrescentou a necessidade de essas nações que ainda não têm o português como disciplina curricular "assumirem também a língua portuguesa no seu currículo escolar público".

"O rumo está delineado e agora teremos de fazer esse percurso conjunto, sensibilizando e apoiando esses países", observou Luís Faro Ramos.

A integração da língua portuguesa nos sistemas de ensinos públicos de países de idioma espanhol na América do Sul está a ser desenvolvida por Portugal e Brasil, em consonância com o consensualizado ao nível dos Estados ibero-americanos.

A língua portuguesa está já nos sistemas de ensino público de Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai e Venezuela.

Portugal e Brasil trabalham em conjunto na promoção externa da língua portuguesa e foram já estabelecidos acordos educacionais com Colômbia, Bolívia e Paraguai.

"Há sinergias a explorar entre nós e o Brasil em países onde há interesse pela língua portuguesa”, vincou Luís Faro Ramos.

Em evolução, está também a possibilidade de a parceria entre Portugal e Brasil no domínio da língua possibilitar que o português seja ensinado na escola das Nações Unidas, em Nova Iorque.

De acordo com um estudo revelado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a língua portuguesa representa, como matéria para a atividade económica, quase 17% do Produto Interno Bruto, o equivalente a 30 mil milhões de euros por ano. In “Sapo 24” – Portugal com “Lusa”

sábado, 23 de março de 2019

América do Sul - Movimentação de contêineres na Costa Leste deve crescer a uma média anual de 5,9% até 2023


As perspectivas de crescimento na movimentação de contêineres na Costa Leste da América do Sul são positivas para os próximos cinco anos e devem ser aproximadamente três vezes maiores que o crescimento do PIB, segundo o ECSA Container Terminals Report 2019, produzido pela Datamar com a colaboração do Dr. Andreas Nohn, consultor marítimo independente, que atuou de 2013 a 2017 como economista de transportes na HPC Hamburg Port Consulting GmbH.

Segundo o levantamento realizado junto aos diretores e principais autoridades de 22 terminais de contêineres no Brasil, seis na Argentina e dois no Uruguai, a expectativa é que o setor cresça 5,9% na Costa Leste da América do Sul, impulsionada principalmente pelo Brasil, que deve ampliar a movimentação em 6,5% por ano. Em 2018, os portos nos três países movimentaram, ao todo, 12,7 milhões de TEUs, o que representou um incremento de 4,9% em relação a 2017, quando foram registrados 12,1 milhões de TEUs. Pelo estudo realizado pela Datamar, o volume de contêineres no Brasil deve saltar de 10,3 milhões de TEUs para 14,1 milhões de TEUs até 2023.

De todas as regiões do Brasil, a que apresentou maior taxa de crescimento na modelagem econômica foi a região Norte, onde a cabotagem é muito presente para o transporte de eletroeletrônicos e auto partes. Já o Porto de Santos tende a crescer por mais de um milhão de TEUs, causando o maior impacto em números absolutos. O relatório traz todos os números e taxas de crescimento previstas para cada região brasileira.

O Monitor de Negócios dos Terminais aponta a perspectiva atual e de curto prazo dos terminais. As classificações foram dadas por cada diretor em uma escala de 0 a 10, sendo que a média atingiu 6.1. A região que registrou maior potencial de desenvolvimento foi o Nordeste, onde os terminais acreditam que o ambiente de negócios tende a melhorar 25% no curto prazo. “Esta região sempre ‘amplifica’ a situação brasileira. Quando o Brasil vai bem, o Nordeste vai ainda melhor”, disse o diretor de um terminal importante na região.

Outro ponto de destaque é a previsão de utilização dos terminais no Brasil, ou seja, quanto se tem de movimentação em relação à capacidade, que deve subir de 56,6% para 64,7% em 2023, considerando as expansões atualmente planejadas pelos terminais. A incorporação de embarcações cada vez maiores às frotas – navios de 14 mil TEUs – trará mudanças à navegação regional, já que nem todos os portos serão capazes de receber os grandes navios. “Buenos Aires é o caso mais emblemático, e que tende a provocar um aumento de transbordos em Santos e nos portos do sul do Brasil”, explica Andrew Lorimer, diretor da Datamar.

Com a contínua consolidação do setor, o mercado de transporte de contêineres na região ECSA está cada vez mais concentrado. De acordo com o relatório, os quatro maiores armadores – Maersk, MSC, CMA CGM e Hapag-Lloyd – respondem por 79,2% de toda a capacidade prevista em fevereiro de 2019. Em termos de tráfego marítimo, as quatro empresas representam 82,3% do total de contêineres embarcados em 2018. Destes quatro armadores dois são sócios em terminais de contêineres de importante relevância no Brasil. “A tendência é que os terminais independentes tentem encontrar o seu nicho. Se o otimismo apontado pelo relatório se concretizar, haverá espaço para todo mundo”, ressalta o diretor da Datamar.

O ECSA Container Terminals Report traz uma análise completa dos seguintes pontos:

Previsão de demanda e capacidade por região até 2023
Avalia o histórico dos últimos anos, as previsões de taxa de crescimento regional do PIB, os fatores políticos e econômicos, bem como as restrições dos comércios para as grandes indústrias regionais.
Planejamento das autoridades portuárias para concessão de terminais
O efeito sobre os terminais dos planejamentos realizados por parte das autoridades portuárias. Os possíveis desfechos das situações enfrentadas pelos terminais e o efeito sobre seus planos de investimento e expansão.

Novas configurações de serviços dos armadores em cada terminal:

Atualizações, alinhamento frente às alianças globais, performance dos serviços e possíveis restriçõs de mercado por agências concorrentes.
Possíveis restrições portuárias frente ao aumento do tamanho dos navios:
Como a chegada de navios maiores à Costa Leste da América do Sul pode impactar os terminais. As características portuárias que podem fazer a diferença neste cenário.

Dados confiáveis e atualizados de movimentação, infraestrutura e equipamentos:

Dados recebidos diretamente dos armadores e terminais. Traz análises de demanda, capacidade, movimentação de longo curso, cabotagem, cheios, vazios, transbordos, mercadorias, acessibilidade naval, infraestrutura, equipamentos, serviços e rotas. In “Portos e Navios” – Brasil com “Jornal Dia a Dia”

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Brasil – Rota da América do Sul aumenta o fluxo marítimo para a Europa

Com a desvalorização do real, commodities brasileiras lideram o fluxo de mercadorias e invertem os volumes tradicionalmente transportados na rota

O tráfego de contêineres da Costa Leste da América do Sul para os portos da Europa aumentou com tamanha intensidade nos últimos meses que as viagens northbound são hoje dominantes na rota, de acordo com pesquisa levantada pela Drewry Maritime Research.

A situação é principalmente atribuída à implacável depreciação da moeda brasileira, que levou o mercado a se estabilizar em setembro de 2015, depois de enfrentar quedas anuais de 2008 a 2014, de acordo com a consultoria britânica.

O salto ocorreu de repente, em novembro, quando os exportadores para o mercado europeu dispararam, de uma taxa de 14% de aumento anual para 14,5% em dezembro e 19,7% em janeiro de 2016.

Em contraste, a rota sul, tradicionalmente dominante, agora navega em águas paradas, com quedas mensais que chegam a dois dígitos desde setembro. Os embarques com origem no norte da Europa, destinados à América do Sul, encolheram a uma taxa de 9,6% na comparação anual de janeiro de 2015 a janeiro de 2016, chegando a 37600 Teus, enquanto as exportações do Mediterrâneo chegaram a registrar quedas de 15,6%, passando para 16400 Teus.

No sentido oposto, as cargas transportadas para a Europa somaram 437000 Teus na segunda metade de 2015, contra 381000 Teus na direção oposta, o que reverteu a balança existente desde o primeiro semestre de 2012. As mercadorias que lideraram a reversão do tráfego foram as commodities tradicionais brasileiras, como café, açúcar e tabaco, de acordo com a Drewry, que prevê também outro aumento no fluxo com a safra da soja: “com um aumento de 12% na colheita esperada para este ano, há uma grande chance de que o transporte de contêineres tenha de ser complementado por operadores de graneleiros, para escoar quantidades que vão superar os volumes de 2015”, relatou a publicação.

Apesar do aumento no tráfego, no entanto, a capacidade dos navios, em slots, em ambas as direções, aumentou somente 1,7% na comparação entre fevereiro deste ano e do ano passado. Os armadores não se beneficiaram de maiores tarifas de fretes, o que, de acordo com o colunista do Journal of Commerce, Bruce Barnard, aconteceu em decorrência de “inabilidade de equilibrar a oferta com as flutuações mensais da demanda, o que gerou baixa utilização dos navios, mesmo no tráfego northbound”. Cleci Leão – Brasil in “Guia Marítimo”

quarta-feira, 30 de março de 2016

Mercosul: balanço de 25 anos

O Mercosul, criado a 26 de março de 1991, chega à marca dos 25 anos, senão como uma iniciativa coroada de êxito, pelo menos como um empreendimento que alcançou mais pontos positivos que negativos. Reunindo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, países fundadores, e Venezuela, que completou seu processo de adesão em 2012, o bloco constitui, sem dúvida, a mais abrangente iniciativa de integração regional já implementada na América Latina.

Mantém como estados associados ou estados parte Chile, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Guiana e Suriname e abrange 72% do território da América do Sul, espaço equivalente a três vezes a área da União Europeia; 70% da população sul-americana (275 milhões de habitantes) e 77% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul (US$ 3,18 trilhões de um total de US$ 4,13 trilhões).

Com tamanha capacidade produtiva, bem que o Mercosul poderia ter avançado mais. E, se não o fez, culpa não cabe apenas ao Brasil, mas a todos os países-membros que, governados por regimes presidencialistas centralizadores, mostraram-se reféns da mentalidade atrasada e da falta de visão global que tem caracterizado seus líderes, que sempre se deixaram levar por interesses de grupos que, em vez de buscarem a livre competição, procuraram se abrigar sob o guarda-chuva do protecionismo.

Ainda agora o governo argentino, que parecia ter deixado para trás essa mentalidade com o presidente Mauricio Macri, deu mostras de que continua aferrado a políticas protecionistas, que tornam a integração sul-americana lenta e seus resultados frustrantes. A Argentina ampliou a lista de itens importados que exigem licenças não automáticas para entrada no país. A medida, que engloba produtos metálicos, de ferro, de aço, laminados e máquinas, entre outros, afetando especialmente o setor automotivo, é uma tentativa de contenção do superávit brasileiro no primeiro bimestre.

Mesmo com esses problemas, isso não significa que o Brasil poderia estar em situação mais confortável, se o Mercosul não existisse. Acusar o Mercosul de constituir o principal obstáculo para que o País tivesse assinado maior número de acordos com outras nações ou blocos é desconhecer os meandros da política econômica brasileira. Os principais opositores à assinatura de novos acordos compõem setores bem influentes em Brasília: são as indústrias pouco competitivas que impedem esses acordos e não os parceiros do Mercosul.

É preciso reconhecer que essas indústrias não são competitivas porque querem, mas também vítimas de um mal chamado custo Brasil, que as torna incapazes de competir no mercado externo. Sem contar o receio de europeus e norte-americanos com a competitividade do agronegócio brasileiro e argentino. Como se sabe, em todo o mundo, o setor agrícola é o mais protegido por tarifas altíssimas e barreiras sanitárias.

Seja como for, em 2015, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Brasil exportou para o Mercosul US$ 18 bilhões, dos quais US$ 15,7 bilhões em produtos industrializados, importando US$ 12,2 bilhões, dos quais US$ 9,9 bilhões em produtos industrializados. O Mercosul representou apenas 9,4% dos US$ 191,1 bilhões referentes ao total das vendas externas.

Os números mostram que o Mercosul ocupa uma posição pouco expressiva em relação ao porte da economia brasileira, atuando ainda como união aduaneira em fase de consolidação, longe de alcançar a terceira e última fase da integração, que seria o de mercado comum autêntico. Se, à guisa de balanço, não se pode deixar de reconhecer que, neste quarto de século, evoluiu bastante, forçoso é reconhecer que ainda há muito que avançar. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

domingo, 26 de abril de 2015

Brasil - A Ilha das Guianas é América do Sul

O Brasil perde oportunidades ao se manter distante do Suriname e da Guiana, seus vizinhos do norte

Não se ouve um professor de Geografia tratar do tema, mas a maior ilha marítimo-fluvial do mundo está em parte no Brasil. Dois países sul-americanos escolherão seus presidentes no próximo mês, mas nenhum jornal ou analista político brasileiro discutiu o assunto. É raro aparecer no debate sobre a questão energética que nosso sistema elétrico nacional seria mais seguro e eficiente se financiássemos a construção de hidroelétricas em nossos vizinhos caribenhos. Poucos imaginariam que os dois países que fazem fronteira com o Pará tenham um quarto de suas populações hinduísta, que a China pagou a reconstrução da chancelaria de um e que o outro tenha o críquete como esporte nacional.

Ainda que para os brasileiros Suriname e Guiana pareçam tão distantes como Indonésia ou Botsuana, nossos dois vizinhos têm-se aproximado fortemente da América do Sul na última década, fruto de uma convergência política sem precedentes. A vinculação definitiva de ambos ao subcontinente, porém, depende da concretização de projetos de integração e do fortalecimento da cooperação.

Além do colonialismo extemporâneo da França, a independência tardia, alguns litígios fronteiriços, as relações prioritárias com as antigas metrópoles e com o Caribe e a carência de infraestrutura marcam o distanciamento da Guiana e do Suriname em relação à Venezuela e ao Brasil e atravancam a integração do centro-norte da América do Sul.

Guiana e Suriname são o centro da Ilha das Guianas, território único que conforma a maior ilha marítimo-fluvial do planeta, cuja integração de infraestrutura é muito deficiente e nunca foi planejada em conjunto. Localizada no norte da América do Sul, é, ao mesmo tempo, atlântica, caribenha e amazônica, tendo como principais demarcações os dois principais rios do norte da América do Sul, o Amazonas e o Orinoco, e a interconexão natural entre eles pelo canal Cassiquiare e o rio Negro; sua parte setentrional é dividida ao meio pelo rio Essequibo. Além de Suriname e Guiana, esse território é compartilhado por Brasil – pelos estados de Amapá, Roraima e a calha norte do Amazonas de todo o estado do Pará e do Amazonas até o rio Negro –, Venezuela – estados de Delta Amacuro, Bolívar e Amazonas – e a França – território ultramarino da Guiana. Conforma uma área de 1,7 milhão de km² e quase sete milhões de habitantes, considerando as localidades limítrofes, com cidades industriais como Manaus, Puerto Ordaz e Linden, além de polos regionais como Boa Vista, Macapá, Caiena, Puerto Ayacucho e São Gabriel da Cachoeira.

Na Ilha das Guianas há um enorme potencial hidroelétrico com épocas de incidência de chuvas complementares (opostas) às da calha sul do rio Amazonas, onde estão as principais usinas brasileiras na Amazônia, como Belo Monte, Tucuruí, Jirau e Santo Antônio. O desenvolvimento desse potencial e a interligação dos sistemas de transmissão de energia garantiriam, ao mesmo tempo, mais segurança energética para o Brasil e, por meio de energia segura e mais barata, competitividade às economias de Guiana e Suriname.

A necessidade de financiamento das hidroelétricas na Guiana e no Suriname superariam alguns anos da produção interna total de ambos os países. A única garantia que poderia viabilizar o projeto é a própria compra da energia e só o Brasil e, parcialmente, a Venezuela poderiam comprá-la. A garantia do fornecimento de energia também poderia financiar a pavimentação da estrada que liga o centro econômico do país ao Brasil (Linden-Lethem) e a construção de um porto de águas profundas. Idealmente, se concretizaria um anel, conhecido como Arco Norte - tema de Sessão Extraordinária da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal em 21 de novembro de 2013 -, de geração e transmissão elétrica em toda a Ilha das Guianas, conectado aos sistemas nacionais do Brasil e da Venezuela, e também rodoviário ligando Roraima ao Amapá.

Hoje a Guiana tem uma das três energias mais caras entre os mais de trinta países da América Latina e do Caribe. Esse é o desafio à geração de empregos no país que tem metade de seus nacionais vivendo no exterior, principalmente na América do Norte. Cerca de 40% do PIB da Guiana é oriundo de remessas internacionais.

Projetos na área energética foram decisivos para a integração do Brasil com o Paraguai, a Argentina e a Bolívia. A construção de Itaipu vinculou o Paraguai ao Paraná, o Gasbol tornou o Brasil o maior parceiro comercial da Bolívia tanto nas importações como nas exportações. Nos dois casos, a renegociação dos contratos na última década garantiu mais recursos aos países vizinhos e o Brasil continua comprando energia significativamente abaixo dos preços na Europa ou em outras regiões. O programa nuclear conjunto entre Brasil e Argentina foi decisivo para o distensionamento das relações entre ambos, que levou à criação do Mercosul. Antes desses projetos o Brasil não era o principal parceiro econômico, comercial ou político de nenhum desses três países.

A Venezuela já utiliza a maior parte de seu potencial hídrico de geração de energia. Essa fonte renovável respondia em 2000 por 70% da matriz elétrica do país e hoje corresponde a 50%. O contencioso territorial entre Venezuela e Guiana, em tese, poderia ser amenizado se fossem viabilizados projetos regionais conjuntos na área energética.

Roraima seria o estado brasileiro mais beneficiado pela integração da Ilha das Guianas. Hoje metade dos trabalhadores formais do estado são funcionários públicos, não pela excelência do serviço prestado, mas pela falta de alternativa econômica. O estado tem uma das energias mais caras do país e os altos custos logísticos tiram sua competitividade agrícola e industrial. Ainda que Boa Vista esteja a apenas 600 km litoral, não há estrada pavimentada que a conecte com o Caribe guianense, nem porto de águas profundas ao chegar lá.

Em grande medida, o movimento migratório responsável pela formação de Roraima terminou por levar 50 mil brasileiros à Guiana, Suriname e Guiana Francesa. A política brasileira de colonização da Amazônia nos anos 1960 e 1970 atraiu centenas de milhares de migrantes, particularmente das regiões mais pobres do Nordeste. O fracasso dos projetos agrícolas e a abundância de recursos minerais no escudo guianense atraíram muitos brasileiros cujos antepassados estavam majoritariamente no Maranhão e no Ceará ao antigo território de Roraima.

A repressão ao garimpo ilegal após a redemocratização do Brasil e a falta de alternativas econômicas na região estimulou a migração para a Venezuela no início dos anos 1990. Os efeitos colaterais negativos dessa migração estimularam a definição de uma agenda de integração entre os dois países formalizada no Protocolo de La Guzmania, em 1994. Ainda que o documento tenha sido a base para a interconexão elétrica e a pavimentação completa das rodovias que ligam o norte do Brasil ao sul da Venezuela, a repressão aos garimpeiros brasileiros na Venezuela foi ampliada e muitos foram para o interior das guianas.

Já percorri todos os estados do Brasil e desconheço brasileiros vivendo em condições tão difíceis como os que encontrei no interior da Guiana e do Suriname ou ao cruzar a Guiana Francesa. Não há acesso à segurança, educação ou saúde pública, e eles são vistos como um problema por trabalharem na informalidade em atividades que são associadas à ilegalidade, como a exploração sexual e o contrabando. Nunca houve políticas públicas adequadas para esses brasileiros.

A República Cooperativista da Guiana e a República do Suriname correspondem hoje, desconsiderando os litígios territoriais, a 2,1% do território da América do Sul, a apenas 0,45% de nossa população e apresentam IDH (índice de desenvolvimento humano) abaixo da média regional. Historicamente vinculados à Grã-Bretanha e à Holanda, formam a porção não latina do subcontinente. Ambos pertencem à Comunidade do Caribe (Caricom) e à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA, que nasceu para se opor às teses de internacionalização da Amazônia, mas nunca formulou sobre o planejamento ou financiamento da integração) e, no século XX, não participaram das principais iniciativas regionais de integração Sul-Americana, como a Comunidade Andina (CAN) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

O marco da inflexão dos dois países rumo à América do Sul foi a participação na Cúpula de Brasília de 2000; a aproximação foi confirmada na Cúpula de Cuzco em 2004 e vem sendo consolidada a partir da configuração da Unasul, em 2008, e da adesão de ambos como membros associados ao Mercosul, em 2013. Identificavam-se como caribenhos e amazônicos, mas só recentemente passaram a se ver como sul-americanos. O período coincide com uma maior preocupação da política externa do Brasil em relação ao Caribe, vide a criação da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac).

Ainda que as bases para a aproximação política estejam dadas, a precariedade da infraestrutura limita muito a integração econômica. Hoje inexistem cadeias produtivas articuladas e o comércio é de baixa intensidade. Os principais parceiros comerciais da Guiana são Canadá, Estados Unidos, China, Reino Unido e Trinidad e Tobago e do Suriname são os Estado Unidos, Canadá, Holanda, China e Noruega. Diferente do que ocorre em relação a outros países da América do Sul, o Brasil é um parceiro comercial secundário para Guiana e Suriname, fornecendo apenas 4% das importações totais do Suriname e 2% das da Guiana; as exportações de ambos para o Brasil e o comércio de ambos com a Venezuela e os outros países da região são estatisticamente desprezíveis.

A integração da América do Sul tem-se apresentado como prioridade dos governos da região. Brasil e Venezuela foram protagonistas da criação da Unasul e da Celac. O presidente Ronald Ramotar, da Guiana, tem apresentado a pavimentação da estrada Linden-Lethem como a prioridade para o país e o presidente Desiré Bouterse, do Suriname, tem procurado afastar-se da dependência política em relação à Holanda e se aproximar da América do Sul, já em seu discurso de posse se referiu mais de 20 vezes ao Brasil. Nenhum presidente da Guiana foi tanto à Venezuela como Ramotar e nenhum do Suriname veio tanto ao Brasil como Bouterse.

Em 11 de maio haverá eleições gerais na Guiana e duas semanas depois no Suriname. A novidade é que a Unasul enviará missões técnicas de observação para acompanhar ambos os processos. A agenda de integração sul-americana é bastante vinculada aos atuais mandatários, mas conta com apoio explícito dos diferentes grupos políticos nos dois países. A conjuntura política favorável apresenta-se como uma grande oportunidade para a Unasul concretizar a associação definitiva dos dois países à América do Sul, incluindo a Ilha das Guianas no planejamento da integração da infraestrutura amazônica e articulando as formas de viabilizar o financiamento dos projetos necessários. Pedro Barros – Brasil in “Carta Capital”


Pedro Silva Barros é técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, professor do Departamento de Economia da PUC-SP e integrante do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI.