Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Portugal - Especialista da Universidade de Coimbra desenvolve guia ilustrado das principais macroalgas da costa portuguesa

Leonel Pereira, docente do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu o Guia Ilustrado das Principais Macroalgas da Costa Atlântica Continental Portuguesa.

Asparagopsis armata

O guia, que contou com o contributo do professor Ignacio Bárbara, da Universidade da Corunha, vem colmatar uma lacuna há muito sentida no ensino e investigação da biologia marinha em Portugal. Este trabalho nasceu da necessidade de dispor de um recurso acessível, atualizado e visualmente apelativo para estudantes e investigadores das áreas da botânica marinha, biotecnologia e ecologia costeira.

Leonel Pereira, também investigador no Centro de Ecologia Funcional (CFE) da FCTUC, explica que o guia foi pensado «para apoiar diretamente as disciplinas que leciono, mas também para servir como ferramenta útil a outras universidades portuguesas e estrangeiras». Escrito em língua inglesa, o livro pretende alcançar um público internacional e reforçar a projeção científica da investigação portuguesa nesta área.

A costa portuguesa é descrita no guia como uma verdadeira “zona de transição biogeográfica”, um ponto de encontro entre o Atlântico Norte temperado e o Mediterrâneo subtropical. Esta posição singular permite a coexistência de espécies típicas de águas frias, como a Laminaria ochroleuca, com outras de águas mais quentes, como a Padina pavonica.

Bifurcaria bifurcata

«Essa diversidade faz do litoral português um autêntico laboratório natural para o estudo das alterações climáticas e da dinâmica dos ecossistemas marinhos, mas também o torna particularmente sensível às mudanças ambientais. Pequenas variações de temperatura ou salinidade podem alterar profundamente a composição das comunidades costeiras», considera o autor.

As macroalgas desempenham um papel essencial nestes ecossistemas. São produtoras primárias, responsáveis por grande parte do oxigénio e da matéria orgânica que sustenta a vida marinha, e criam habitats complexos que servem de abrigo, refúgio e zona de alimentação para uma enorme variedade de espécies, desde pequenos crustáceos até peixes juvenis.

«Além do seu valor ecológico, têm um papel químico e físico importante: ajudam a regular a qualidade da água, capturam dióxido de carbono e contribuem para a proteção das zonas costeiras, reduzindo a energia das ondas e estabilizando os sedimentos. A sua presença ou ausência é um indicador direto da saúde ambiental das águas portuguesas», afirma.

O guia também chama a atenção para espécies de interesse ecológico e económico, algumas delas cada vez mais raras. Entre as mais relevantes estão Gelidium corneum, usada na produção de agar, Gracilaria gracilis, sensível às variações de temperatura e salinidade, e Plocamium cartilagineum, que contém compostos com potencial farmacológico. No entanto, as alterações climáticas estão a modificar as fronteiras de distribuição destas espécies.

Calliblepharis jubata

De acordo com Leonel Pereira, as macroalgas de águas frias recuam para norte, enquanto espécies subtropicais avançam e dominam zonas antes temperadas. «Paralelamente, a chegada de espécies invasoras como Rugulopteryx okamurae, Asparagopsis armata e Sargassum muticum representa uma ameaça crescente à biodiversidade marinha e às atividades económicas ligadas ao mar», alerta.

Para responder a estes desafios, a investigação científica tem assumido um papel decisivo. Estudos genéticos e ecológicos permitem identificar espécies ameaçadas e acompanhar a evolução das comunidades ao longo do tempo. Além do controlo e monitorização, há também um esforço crescente de valorização da biomassa recolhida, através do seu aproveitamento para a produção de bioplásticos, cosméticos e compostos farmacêuticos.

É ainda de destacar o papel crescente da ciência cidadã. Com o apoio de plataformas digitais como iNaturalist e BioDiversity4All, qualquer cidadão pode participar na identificação e registo de macroalgas ao longo da costa, contribuindo para a monitorização de espécies e alertando para eventuais mudanças nos ecossistemas. «Esta colaboração entre cientistas e sociedade civil reforça a proteção ambiental e promove uma maior consciência ecológica entre as comunidades costeiras», conclui.

O Guia Ilustrado das Principais Macroalgas da Costa Atlântica Continental Portuguesa está disponível para consulta aqui. Universidade de Coimbra - Portugal



 


 


segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Portugal - Inseto australiano reduz até 98% a produção de sementes de acácia-de-espigas nas dunas nacionais

Um grupo de investigadores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC/IPC) confirma o sucesso do controlo biológico da acácia-de-espigas (Acacia longifolia), uma das plantas invasoras mais problemáticas do litoral português.


O inseto australiano Trichilogaster acaciaelongifoliae, introduzido em 2015 depois de vários testes e análises de risco, está a reduzir até 98%, em alguns locais, a produção anual de sementes desta planta invasora, demonstrando ser uma ferramenta eficaz, segura e sustentável para apoiar a recuperação dos ecossistemas dunares.

«Os nossos resultados mostram que o controlo biológico está a funcionar. Cinco anos após o estabelecimento do agente, a produção de sementes apresenta uma redução muito significativa, de até 98%. Ao fim de nove anos, a produção de sementes praticamente desapareceu nas áreas onde o agente está estabelecido há mais tempo», revela a primeira autora do estudo, Liliana Neto Duarte, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e do Centro de Investigação de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS/ESAC/IPC).

«Este é um passo essencial para quebrar o ciclo reprodutivo da acácia-de-espigas, criando condições para a regeneração da vegetação nativa dunar», afirma Elizabete Marchante, investigadora do CFE/FCTUC, destacando que estas evidências científicas estão publicadas na revista internacional Journal of Environmental Management.

De acordo com o estudo, que acompanhou durante seis anos árvores de acácia-de-espigas em várias dunas da região Centro, o aumento das galhas formadas pelo inseto levou a uma queda drástica na produção de vagens e sementes, impedindo o reforço do banco de sementes no solo – um dos principais mecanismos que garante a persistência desta invasora.

Adicionalmente, os investigadores observaram o enfraquecimento progressivo de algumas árvores sob forte pressão de galhas, podendo, em alguns casos, levar à sua morte. Os autores destacam, ainda, que o controlo biológico deve ser integrado com outras práticas de controlo, como o corte mecânico e a manutenção de árvores portadoras de galhas nas áreas de intervenção, assegurando a continuidade do controlo a longo prazo.

«O sucesso obtido reforça a necessidade de investir em estratégias integradas de gestão de espécies invasoras na Europa, aproveitando soluções naturais que reduzem custos e aumentam a eficácia», concluem as investigadoras. Universidade de Coimbra


segunda-feira, 14 de julho de 2025

Portugal - Projeto da Universidade de Coimbra recebe bolsa ERC para testar protótipo que deteta cianobactérias e bactérias patogénicas na água

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um protótipo que deteta cianobactérias e bactérias patogénicas na água. A nova ferramenta será testada no âmbito do projeto Porous sensors for real-time monitoring of water quality risks (PROTEGE), financiado pelo European Research Council (ERC), através de uma bolsa ERC Proof of Concept Grant. 


O financiamento, no valor de 150 mil euros, pretende valorizar e transferir para o mercado os resultados de investigação de excelência, previamente alcançados no âmbito do projeto Generating Energy from Electroactive Algae (GREEN).

De acordo com Paulo Rocha, professor da Departamento de Ciências da Vida (DCV) e coordenador dos projetos, a contaminação imprevisível de comunidades microbianas em ambientes aquáticos é uma preocupação global para os fornecedores de água potável e produtores aquícolas.

«Os custos associados ao tratamento de água potável, principalmente, causados pela proliferação excessiva de cianobactérias nocivas, podem ultrapassar os 150 milhões de euros, por ano, nos países europeus. O cenário agrava-se quando se consideram os ataques debilitantes de bactérias patogénicas em tanques de aquacultura, que geram perdas económicas globais superiores a 25 mil milhões de dólares. Em ambos os setores industriais, os custos de mitigação aumentam com o atraso na deteção microbiana», declara o também investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) da FCTUC.

As soluções de monitorização da qualidade da água atualmente disponíveis baseiam-se, na sua maioria, em medições demoradas de frações de azoto e fósforo, temperatura e oxigénio dissolvido, ou na utilização da clorofila como indicador indireto. No entanto, estas abordagens ainda não permitem uma deteção eficaz e em tempo real da contaminação microbiana.

«No âmbito do projeto anterior, o GREEN, identificámos uma aplicação comercial promissora que, através de eletrofisiologia ultrassensível, permite uma deteção sem precedentes e em tempo real de microrganismos nocivos em ambientes aquáticos. Este avanço foi possível graças ao desenvolvimento de espumas de poliuretano condutoras porosas ultrassensíveis, que exploram uma área de elétrodo alargada, maximizando a sensibilidade à deteção microbiana», revela o especialista. 

Agora, «o principal objetivo do PROTEGE é demonstrar um protótipo funcional nas instalações dos parceiros industriais, capaz de detetar em tempo real cianobactérias em reservatórios de abastecimento de água e bactérias patogénicas em tanques de aquacultura, bem como desenvolver um plano de negócio e a exploração para a comercialização da tecnologia, com um protótipo orientado para o mercado e equipado com telemetria em tempo real», conclui.

Coordenado pela FCTUC e com a colaboração da UC Business da Universidade de Coimbra, a empresa Seaculture do Grupo Jerónimo Martins, as Águas de Coimbra, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, IP (INIAV) e o Instituto Pedro Nunes (IPN), este é um projeto multidisciplinar que destaca o bioempreendedorismo, uma disciplina lecionada pelo professor Paulo Rocha. Universidade de Coimbra - Portugal

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Portugal - Cientista da Universidade de Coimbra publica livro sobre os rios da América do Sul

Manuel Graça, professor do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), acaba de publicar o livro “Rivers of South America”, no qual oferece uma ampla perspetiva sobre os rios sul-americanos, do seu ambiente, da biodiversidade de água doce, das ameaças, da conservação e do património cultural. 


“Rivers of South America” examina o ambiente físico, químico e biológico dos rios sul-americanos e as pessoas que vivem nas suas bacias, explorando as principais bacias hidrográficas, com informações sobre a história, fisiografia, clima, hidrologia, biodiversidade, processos ecológicos, problemas ambientais, gestão e conservação de cada rio. 
A obra de Manuel Graça, Marcos Callisto (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil), Franco Teixeira de Mello (Universidad de la Republica, Uruguai) e Douglas Rodríguez-Olarte (Universidad Centro Occidental Lisandro Alvarado, Venezuela) identifica pontos críticos de conservação para ambientes fluviais e é enriquecido com um grande número de mapas, fotografias, gráficos e tabelas. 
Os autores consideram esta publicação uma referência importante para ecologistas aquáticos, autoridades ambientais, governos locais e nacionais, académicos, ONG e interessados na preservação e gestão de águas correntes. 
O novo livro vem no seguimento de outras duas obras que visam dar a conhecer a importância dos rios para a humanidade: “Rivers of North America” e “Rivers of Europe”. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Açores - Investigadores da Universidade de Coimbra estudam a diversidade de larvas de peixes nas Reservas da Biosfera da Região

Partindo de um projeto focado nas reservas da Biosfera de Portugal, uma equipa de investigadores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) dedicou-se a explorar a diversidade de larvas de peixe costeiras na região dos Açores.


Até então, existia uma ausência significativa de conhecimento sobre estas larvas, levando à necessidade de um aprofundamento do tema. O projeto “Fish larvae in the Azores islands - structure, dynamics and biodiversity in Northeast Atlantic UNESCO biosphere reserves”, financiado pela Fundação PADI (EUA), centrou-se especificamente nas quatro ilhas dos Açores classificadas como Reservas da Biosfera: Corvo, Flores, Graciosa e São Jorge.

Com o objetivo de obter um conhecimento mais profundo sobre as comunidades de larvas de peixe existentes junto à costa destas ilhas, os investigadores da FCTUC realizaram dois anos de investigação intensiva. «Identificámos 38 espécies diferentes, pertencentes a 27 famílias distintas e notamos uma maior abundância de espécies nas ilhas do Corvo e das Flores, embora as variações observadas possam ter sido influenciadas pelos diferentes anos de amostragem», revela Filipe Martinho, investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e coordenador do projeto.

«Foi um grande desafio, uma vez que muitas das espécies identificadas eram desconhecidas e, portanto, o projeto integrou análises de ADN para ajudar na determinação das espécies», refere a bióloga Milene Guerreiro, acrescentando que as condições meteorológicas também se mostraram desafiadoras.

De acordo com a equipa de investigadores, algumas destas larvas, com tamanhos reduzidos de apenas 3 milímetros, foram muito difíceis de identificar devido à escassez de guias de investigação. «Estes organismos foram recolhidos através de uma rede puxada por uma embarcação, concentrando as amostras de água do mar. A identificação é feita tanto visualmente, com ajuda de uma lupa, como através de análises de ADN, o que permitiu registar a presença de larvas de peixes que não estavam ainda referenciadas naquelas ilhas», explica Ana Lígia Primo. Entre as espécies analisadas encontram-se o Carapau-Negrão, o Sarrajão, Peixe Galo e o Mero.

«Este projeto não só contribuiu para o conhecimento da biodiversidade marinha, como também vem ajudar a complementar os guias sobre as larvas de peixe, dando a conhecer uma parte da vida marinha que passa despercebida para a maioria das pessoas. A investigação representa um avanço significativo no conhecimento das larvas de peixe, mas também na proteção das Reservas da Biosfera nos Açores», finalizam.

Para além de Filipe Martinho, Ana Lígia Primo e Milene Guerreiro, participaram nesta investigação Miguel Pardal, Filipe Costa, Manuel Rodrigues, investigadores do DCV, e ainda Ana Veríssimo, investigadora do CIBIO & BIOPOLIS. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra instala sistema piloto para recuperação de metais na mina da Panasqueira

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) instalou um sistema piloto na mina de tungsténio da Panasqueira para recuperação de metais críticos a partir de resíduos da atividade mineira, usando metodologias com base em microrganismos.


Esta instalação é um dos resultados do projeto “REVIVING - Revisiting mine tailings to innovate metals recovery”, focado na valorização dos rejeitados mineiros como recursos, no fornecimento de metais que hoje são extraídos através de outros processos, na promoção da reciclagem, na minimização da produção de resíduos perigosos e, assim, na contribuição para a adoção de uma economia circular na Europa.

«Neste sistema piloto estamos a implementar as estratégias desenvolvidas em laboratório, com o objetivo de comparar e perceber, em termos de quantificação, qual a técnica mais funcional para a recuperação dos resíduos», explica Paula Morais, docente do Departamento de Ciências da Vida (DCV) e investigadora do Centro de Engenharia Mecânica Materiais e Processos (CEMMPRE). 

«Consideramos que os resíduos da mina da Panasqueira têm um valor económico que pode ser relevante, principalmente, numa época em que a Europa pretende voltar a ser autossuficiente em termos de metais. Além disso, está em linha com o Raw Material Act da Comissão Europeia, que pretende garantir o acesso a um fornecimento seguro e sustentável de matérias primas provenientes de fontes europeias», afirma Rita Branco, também docente do DCV e investigadora do CEMMPRE.

«O grupo de microbiologia focou-se nos processos de biolixiviação não ácida, utilizando microrganismos produtores de moléculas orgânicas. Desta forma, conseguimos retirar uma quantidade de metal relevante. Os resultados que temos em laboratório são promissores», consideram as docentes.

Neste novo sistema piloto, as microbiologistas, em colaboração com o Departamento de Engenharia Civil (DEC) da FCTUC, vão obter o máximo de informações possível sobre o processo, ajudando a desenvolver o novo processo de extração, sem incorrer em custos ou problemas de uma possível falha na aplicação.

«Este é um bioprocesso limpo, económico e inovador para recuperação de metais a partir de resíduos, que devolverá estes remanescentes ao ciclo produtivo, apoiando a transição da União Europeia para uma economia circular», concluem.

O projeto REVIVING tem como parceiros investigadores e empresas ligadas ao setor mineiro de França, Roménia e Portugal. Universidade de Coimbra - Portugal

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra tem novo mestrado internacional em Biologia do Envelhecimento

A Universidade de Coimbra irá acolher um novo mestrado Erasmus Mundus Joint Master Degree em Biologia do Envelhecimento (IMAgein). Numa proposta financiada em 4 milhões de euros pela Comissão Europeia, esta nova oferta formativa integrará o Mestrado em Biologia Celular e Molecular (MBCM) do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC).


O IMAgein reúne o conhecimento de cinco universidades europeias, acolhendo polos de excelência em investigação e programas académicos em biologia do envelhecimento, nomeadamente: Université Côte d’Azur (parceiro coordenador), Universidade de Coimbra, Universidade de Colónia, Universidade de Sevilha e Sorbonne Université. 

De acordo com João Peça, docente do DCV e coordenador local deste novo mestrado, «este consórcio vai permitir a formação avançada no campo da biologia do envelhecimento, da futura geração de cientistas, investigadores translacionais e profissionais do setor privado. O IMAgein irá capacitar os alunos para se tornarem a próxima geração de líderes na investigação e indústria da Biologia do Envelhecimento, implementando soluções inovadoras para os desafios societais do século XXI», acredita.

Na Universidade de Coimbra, participam investigadores e docentes da FCTUC, Faculdade de Farmácia e Faculdade de Medicina, assim como do Centro de Neurociências e Biologia Celular e do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento.

Os estudantes do IMAgein (25 por edição) farão parte de um grupo selecionado que irá trabalhar com investigadores líderes no campo, em pelo menos duas universidades do consórcio.

O MBCM, o mais antigo mestrado em Portugal desta área, é amplamente reconhecido pelo caráter inovador, internacionalização e excelência dos ramos de Especialização em Biomedicina e Neurobiologia. O MBCM integra também o programa Erasmus Mundus em Neurociências (NEURASMUS), desde 2011.

A equipa que colaborou na elaboração da candidatura IMAgein inclui João Peça, coordenador do MBCM, Emília Duarte e Carlos Duarte, do DCV/ FCTUC. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 5 de junho de 2024

Portugal - Cientistas desenvolvem novo sistema de separação de lamas com produtos floculantes de origem biológica

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um novo sistema de remoção de lamas que utiliza bio floculantes de menor impacto ambiental


O projeto DUST + visava desenvolver compósitos à base de pó de pedra proveniente das lamas residuais que resultam do processamento da pedra calcária incorporando ligantes hidráulicos ou poliméricos.

«Desenvolvemos um processo de tratamento de água no qual substituímos a acrilamida por um polímero biológico, garantindo uma maior eficiência de remoção de partículas e uma menor toxicidade e impacto ambiental, comparativamente aos produtos floculantes utilizados atualmente», explica Paula Morais, docente do Departamento Ciências da Vida (DCV) e responsável pelo grupo de Microbiologia.

De acordo com a também investigadora do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE), este bio polímero não é tóxico para a água, nem para o resíduo, um fator muito importante, uma vez que este é reutilizado para produzir outros materiais, no âmbito do projeto. «Este sistema foi testado em escala piloto e demostrámos que o polímero resultava perfeitamente neste processo, estando até já patenteado», revela. 

Deste projeto resultaram, além do floculante biológico, materiais compósitos/pastas com base na incorporação de pó resultante das lamas do processamento da pedra calcária e criação de produtos inovadores, nomeadamente, peças em pedra natural, utilizando os materiais compósitos/pastas desenvolvidos, tendo como base a tecnologia a impressão 3D.  Foi ainda possível demonstrar que existe um elevado índice de circularidade dos novos produtos por via da incorporação de resíduos das lamas de pó de pedra calcária.

«Neste momento, estamos a avaliar a relevância financeira de produção para substituir a acrilamida pelo bio polímero e acreditamos que pode ser muito interessante colocarmos este novo sistema no mercado, uma vez que pode abrir portas para tratar diferentes tipos de tratamento de águas. Se é relevante para flocular partículas vindas do corte de pedra, é relevante para flocular outro tipo de materiais», considera Paula Morais.

Para garantir o sucesso do projeto, foi definido um consórcio multidisciplinar com valências complementares nas áreas chave de inovação composto pela Universidade de Coimbra, SOLANCIS - Sociedade Exploradora de Pedreiras SA, CeNTI - Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes e Itecons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade. Universidade de Coimbra - Portugal


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segunda-feira, 6 de maio de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra estuda aplicação de microalgas para tratamento de efluentes de ETAR e geração de biocombustíveis

O Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Algoteca da UC (ACOI), está a estudar a aplicação de microalgas para tratamento de efluentes de estações de tratamento de águas resíduas (ETAR) e geração de biocombustíveis.

O projeto “Application of microalgal and fungal biomass for the treatment of anaerobic digestion effluents and production of the 3d generation biofuels” é da autoria de Ewelina Sobolewska, aluna de doutoramento na Lodz University of Technology, na Polónia, que realizou a fase final do curso em Coimbra.

«Atualmente, estou a trabalhar com um bio reator para o tratamento do produto de digestão líquido (subproduto da digestão anaeróbia de águas residuais). A comunidade de algas que se desenvolve neste bio reator, utilizada nos processos de degradação, foi parcialmente removida do equipamento para que possamos procurar compostos potencialmente interessantes e úteis, obtendo valor agregado da biomassa que é o produto excedente desse tratamento», revela a estudante de Erasmus.

De acordo com Ewelina Sobolewska, o objetivo final deste trabalho é encontrar a melhor aplicação para a produção de biomassa excedente que resulta dos processos de limpeza das águas residuais por intermédio das algas, promovendo um modelo circular de gestão de resíduos. As aplicações desta matéria podem ser inúmeras, desde a produção de biocombustíveis até à potencial produção de compostos, que podem ser utilizados na área da cosmética, da medicina, entre outras.

«Neste projeto, foi testado um conjunto de microalgas aquáticas capazes de proporcionar biorremediação, quer seja por fitotransformação ou fitodegradação. Neste caso, está a ser utilizada uma mistura de algas que a aluna compôs para degradar determinados resíduos da água, previamente tratados, entrando as algas já numa fase final do processo», explicam Leonel Pereira e Nuno Mesquita, investigadores do DCV e orientadores da estudante durante o período de Erasmus.

Através da técnica de Espectroscopia Infravermelha com Transformada de Fourier, prosseguem, «obtivemos uma análise inicial do perfil químico da biomassa e, em seguida, a mesma foi caracterizada em termos lipídicos, incluindo a avaliação das frações lipídicas e perfil de ácido gordos por cromatografia gasosa (GC). Foi também feita a análise do perfil de pigmentos por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC).

Finalmente, «os extratos totais da biomassa estão a ser testados quanto aos seus efeitos fungicidas em diferentes espécies de fungos. Os resultados são muito promissores», concluem.

A estudante terminará o doutoramento na Polónia, mas os investigadores da FCTUC continuarão a trabalhar nesta investigação também em Coimbra, no âmbito do projeto ANOXYOILS, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e desenvolvido em colaboração com o grupo Plants4Health, liderado por Célia Cabral, investigadora da Faculdade de Medicina da UC (FMUC). Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 27 de março de 2024

Portugal - Investigadores testam aplicação de óleos essenciais para eliminar e prevenir o crescimento de microalgas em monumentos

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com Michal Komar, estudante da Lodz University of Technology, estão a testar os efeitos da aplicação de vários óleos essenciais para eliminar e prevenir o crescimento de microalgas terrestres, frequentemente, encontradas em fachadas de edifícios e monumentos.


Até ao momento, Michal Komar, a realizar Erasmus no Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC, já testou sete substâncias diferentes, nomeadamente cinco óleos essenciais e dois compostos ativos puros contra biofilme verde, principalmente constituído por microalgas terrestres.

Esta investigação, intitulada “Biodeterioration of building materials by aerophytic algae”, «pretende desenvolver metodologias que possam ser aplicadas para prevenir o crescimento e eliminar organismos de bio deterioração em fachadas monumentais, utilizando substâncias ecologicamente seguras», explica o estudante.

De acordo com Nuno Mesquita, investigador do DCV e orientador do aluno polaco durante a sua estadia em Coimbra, as microalgas terrestres, além de provocarem danos estéticos e até estruturais nos monumentos, devido ao crescimento por vezes endolítico, podem ainda servir de suporte e alimento para outros organismos, como por exemplo os microfungos.

«A criação de biofilmes promove o estabelecimento de diversas comunidades de outros organismos, como microfungos, que posteriormente danificam os edifícios de forma grave, causando danos físicos e até químicos. As algas são colonizadores primários, o que significa que se prevenirmos o seu crescimento ou as eliminarmos, conseguimos prevenir colonizações subsequentes e assim evitar a deterioração dos monumentos/edifícios», acredita o investigador.

Neste sentido, «foram realizados vários testes com diferentes óleos essenciais, em placas de cultura e em amostras de materiais como tijolos vermelhos (constituídos por argila, carbonato de cálcio e areia). Os biofilmes formados e tratados serão submetidos à análise do seu perfil metabolómico, para avaliar as diferentes respostas a esses fatores de stress, em termos de presença e abundância de compostos orgânicos», esclarece Michal Komar.

«Os resultados obtidos são promissores e surpreendentes. Curiosamente, nem todos os óleos utilizados que impedem o crescimento das algas são os mesmo que permitem a sua eliminação. O próximo passo é repetir estes testes diretamente em diferentes tipos de pedra», concluem. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 21 de março de 2024

Europa - Cientistas da Universidade de Coimbra avaliam impacto da utilização de pesticidas em vinhas da Bairrada

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai monitorizar e avaliar o impacto da utilização de produtos fitofarmacêuticos na biodiversidade das vinhas da Bairrada.


O projeto “Syberac - Mitigating the impacts of Chemicsls on Biodiversity”, que vai decorrer nos próximos quatro anos, recebeu um financiamento global de cerca de 5 milhões de euros, por parte da Comissão Europeia (Programa Horizonte Europa).

«Este projeto pretende contribuir para uma avaliação de risco dos produtos fitofarmacêuticos de forma holística, ao contrário da avaliação que é feita atualmente, produto a produto. Vamos olhar para a utilização destes compostos de uma forma integrada, em contextos específicos, tendo em conta outros fatores que podem alterar o seu impacto», explica José Paulo Sousa, docente do Departamento de Ciências da Vida (DCV) e investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE).

Neste sentido, continua o coordenador do projeto na UC, «a ideia é tentar perceber qual o efeito da composição e estrutura da paisagem e das práticas agrícolas ao nível do risco que os pesticidas têm na fauna auxiliar, que são os agentes que fazem o controlo biológico das pragas, e na fauna de solo, que é importante em termos da saúde do solo».

Portanto, para compreender qual o nível de exposição dos organismos aos pesticidas e até que ponto pode haver efeito dessa exposição em diferentes contextos de paisagem, os investigadores da FCTUC vão monitorizar a fauna auxiliar e de solo, assim como recolher amostras de solo e de vegetação, dentro e fora das vinhas.

«Acreditamos que o que for desenvolvido ao longo deste projeto pode auxiliar não só no cumprimento das metas traçadas por diferentes regulamentações europeias, mas também no desenvolvimento de novas abordagens para a avaliação de risco de pesticidas a nível europeu. Pretendemos ainda contribuir para um aumento da adoção de práticas de gestão ambientalmente sustentáveis no setor vitivinícola», conclui.

O projeto Syberac é coordenado pela Universidade de Wageningen, nos Países Baixos, e conta com a participação total de 12 instituições de vários países da Europa. Em Portugal, a UC conta com a colaboração de atores locais, como por exemplo as Caves Aliança, a Vadio Wines Unipessoal, Lda. e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, I. P. (CCDR Centro, I. P.). Universidade de Coimbra - Portugal



terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Portugal - Professora da Universidade de Coimbra distinguida pela Academia Americana de Ciências Forenses

Eugénia Cunha, professora do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) acaba de ser distinguida com T. Dale Stewart Award, da Secção de Antropologia, durante a 76ª Conferência Anual da Academia Americana de Ciências Forenses – Justice For All, em Denver, nos Estados Unidos.

«Este prémio é gratificante, significa que consegui passar "a mensagem" e que a ciência que faço é, efetivamente, partilhada. Para mim a mensagem é muito mais importante que o mensageiro», considera a premiada.

O galardão foi renomeado como Prémio T. Dale Stewart em 1987 e representa o maior prémio oferecido pela seção de Antropologia Forense para conquistas e carreiras profissionais nesta área científica.

«Andei sempre pelo estrangeiro, mas a Universidade de Coimbra é a minha casa mãe, onde, entre outros, criei cursos, o laboratório de Antropologia Forense, onde fiz e faço investigação e, sobretudo, onde dei aulas. Os alunos são a razão de ser de uma universidade e acho que inspirei alguns. Espero que este prémio também sirva para isso e para mostrar que o que fazemos em Antropologia Forense na FCTUC está ao melhor nível internacional», conclui.

Eugénia Cunha, é desde 2018, diretora do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, Delegação do Sul, Lisboa e vogal do Conselho Diretivo; Professora Catedrática (desde 2003) Convidada (desde 2018) na FCTUC. Professora convidada na Universidade de Stanford (2020); USP, Ribeirão Preto (2017) e Paul Sabatier (2016).

É investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) onde é corresponsável pelo grupo de Antropologia Forense e Paleobiologia e co coordena o Laboratório de Antropologia Forense. Tem publicados mais de 2000 trabalhos científicos em revistas especializadas e está no topo 2% dos autores mais citados do mundo no campo das ciências Forenses. Universidade de Coimbra - Portugal

 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Portugal - Estudo sugere que grupo de invertebrados aquáticos explora macroplásticos como “campo de alimentação”

Um estudo de Verónica Ferreira, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), sugere que um grupo de invertebrados aquáticos, os raspadores, utiliza os macroplásticos como “campo de alimentação”, já que este substrato suporta o crescimento de algas das quais se alimentam.

Esta investigação, publicada na revista Environmental Pollution, tem como foco os efeitos da poluição por macroplásticos nos rios e ribeiros e reúne 18 estudos sobre a decomposição de detritos vegetais, mas também a analise de resultados na perspetiva do plástico.

«A poluição ambiental por lixo antropogénico é uma preocupação global, mas são escassos os estudos que abordam especificamente a interação entre macroplásticos e macroinvertebrados em riachos. Através de uma meta-análise, que consiste na compilação da evidência científica, comparei a colonização do plástico e de detritos vegetais por estes organismos», explica a investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) do Departamento de Ciências da Vida (DCV).  

Inicialmente, «pensava-se que o plástico não seria colonizado da mesma forma que as folhas, apenas como habitat e não como alimento. No entanto, curiosamente, o plástico pode ser um substrato muito interessante para os raspadores, que o colonizam da mesma maneira que as folhas», revela a investigadora.

Os raspadores raspam as algas da superfície das folhas e das pedras e podem fazer o mesmo no plástico, pois este permite o desenvolvimento de algas à sua superfície, podendo ser um substrato muito mais duradouro/permanente, uma vez que as folhas acabam por se decompor.

Ao contrário, este estudo mostrou que a maioria dos invertebrados aquáticos, principalmente aqueles de dependem de folhas como recurso alimentar, coloniza o plástico em menor número que as folhas.

«Apesar da presença dos plásticos nos rios e ribeiros continuar a ser negativa e prejudicial para a maioria dos organismos que ali habitam, alguns grupos conseguem adaptar-se à presença do plástico e tirar partido do mesmo», considera a investigadora. No entanto, destaca, «mesmo no caso dos raspadores, esta questão pode ter efeitos negativos para a decomposição das folhas caso estes organismos não façam distinção entre as folhas e os plásticos como “campo de alimentação”».

«Ainda que não comam diretamente as folhas, ao rasparem a superfície para retirar as algas, estes animais acabam por facilitar a sua decomposição. Porém, se os raspadores preferirem o plástico, por ser mais duradouro e permitir um maior desenvolvimento das algas, tal pode levar a uma retardação na decomposição das folhas, que é um processo fundamental para a circulação do carbono e dos nutrientes», alerta.

Verónica Ferreira observa ainda que esta meta-análise orienta futuros estudos empíricos. «Essas investigações deverão ter em consideração as áreas geográficas mais afetadas pela poluição por macroplásticos e os tipos de plástico mais frequentemente encontrados nos cursos de água», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal

 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Portugal - Investigação da Universidade de Coimbra mostra que a ausência de humanos provoca alterações no comportamento dos tubarões

Um estudo realizado por André S. Afonso, investigador do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), durante o confinamento provocado pela pandemia de covid-19, concluiu que a espécie tubarão-limão mudou o seu comportamento devido à exclusão da componente humana. Os pormenores da investigação estão publicados na revista científica Ocean & Coastal Management.


Como principais predadores, muitos tubarões desempenham um papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas marinhos. No entanto, estes animais têm experienciado graves declínios populacionais. A sobrepesca é, indiscutivelmente, a principal ameaça às populações de tubarões, mas pouco se sabe sobre o impacto da pressão humana não extrativa.

Assim, o artigo científico “Humans influence shark behavior: Evidence from the COVID-19 lockdown” mostra o efeito da presença humana variada no comportamento dos tubarões numa reserva marinha insular.

«Em 2020, os humanos estiveram praticamente ausentes de Fernando de Noronha (FEN), no Brasil, durante um período de confinamento de 211 dias provocado pela pandemia. Um programa local de rastreamento de tubarões produziu quase 280 mil deteções acústicas em águas costeiras de 2016 a 2021 e foi possível verificar que o tubarão-limão, um nativo da zona em análise, mostrou uma resposta clara à ausência dos humanos», revela André Afonso, autor do estudo.

«Estes animais realmente começaram a utilizar as áreas costeiras com mais frequência e a adotar regimes coincidentes com os regimes humanos com mais frequência, durante o confinamento», descreve o biólogo, acrescentando que, após este período, a espécie recuperou os padrões anteriores devido ao regresso das pessoas.

De acordo com o investigador da FCTUC, esta espécie tem, naturalmente, comportamentos mais noturnos. Porém, com o confinamento e a não presença humana diurna, os tubarões-limão começaram a circular nos espaços mais utilizados pelas pessoas durante o dia. «O que observámos com esta tendência é que talvez o período diurno também seja importante para estes animais, mas provavelmente sentem-se mais inibidos pela presença humana», acredita. 

O investigador do DCV considera ainda que este «estudo demonstra que a perturbação humana não extrativa pode induzir a mudanças significativas na forma como os predadores marinhos exploram habitats cruciais para realizar funções tróficas, reprodutivas e ontogenéticas. A determinação dos impactos ecológicos do desenvolvimento humano sobre o meio marinho deve, portanto, considerar as respostas latentes da megafauna à paisagem antropogénica produzida por uma população costeira sempre crescente».

«A designação de áreas marinhas de exclusão humana poderá revelar-se como a única solução para dotar as populações de tubarões de habitats adequados para otimizar a sua resiliência à pressão humana», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal




quinta-feira, 13 de abril de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra inaugura exposição sobre preservação e sustentabilidade de ecossistemas fluviais urbanos


A Universidade de Coimbra (UC) vai inaugurar já este sábado, 15 de abril, pelas 16h, a exposição EDURRIO, uma mostra científica que pretende dar a conhecer os ecossistemas ribeirinhos urbanos e, simultaneamente, sensibilizar para a sua preservação e importância na sustentabilidade das cidades. A exibição estará patente até 16 de junho no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (JBUC) e na Antiga Estação Elevatória do Parque.

Tendo por base os trabalhos de investigação do grupo Freshwater Ecology do Centro de Investigação do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), a exposição é composta por 28 painéis que mostram imagens de ribeiras escondidas pela cidade, a sua biodiversidade e os serviços que nos fornecem. EDURRIO revela as causas da degradação desses ecossistemas e propõe medidas de gestão e boas práticas com vista à sua melhoria.

«Os rios e ribeiras urbanos têm um enorme potencial para fornecer importantes serviços para a população, desde a manutenção da biodiversidade urbana e da qualidade do ar, passando pela mitigação de cheias e temperaturas extremas, até à melhoria estética da cidade, estabelecendo ainda áreas recreativas e promovendo o bem-estar e a saúde das populações. Queremos passar esta mensagem para que, tando cidadãos como entidades responsáveis pela gestão destes ecossistemas, os conheçam e queriam preservar», asseguram Ana Raquel Calapez e Maria João Feio, investigadora do MARE-UC e organizadoras da exposição.  

Esta exposição tem como entidades organizadoras o MARE, o Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC e a Rede de Investigação Aquática (ARNET), em colaboração com o JBUC e a empresa Águas de Coimbra.

A inauguração contará com a presença dos responsáveis pelas entidades parceiras, nomeadamente MARE, JBUC, e Águas de Coimbra, bem como os Diretores da FCTUC e do Departamento de Ambiente e Sustentabilidade e o Vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Coimbra. Universidade de Coimbra - Portugal


 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Internacional - Estudo sugere que estação de crescimento mais longa não implica maior desenvolvimento das árvores

Um estudo, em que participa o Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), sugere que as estações de crescimento mais longas não implicam necessariamente a formação de anéis de crescimento mais largos.

A investigação, que pretendeu testar de que forma é que a variação da duração da estação de crescimento condiciona o desenvolvimento das árvores, foi publicado na revista Agricultural and Forest Meteorology, com o título “Decoupled leaf-wood phenology in two pine species from contrasting climates: Longer growing seasons do not mean more radial growth”.

«Com o aumento da temperatura média global, são esperadas estações de crescimento mais longas. No entanto, o aumento da duração da estação de crescimento pode não significar um aumento da produção de madeira. Por exemplo, a seca estival pode neutralizar o potencial efeito positivo de uma estação de crescimento mais longa, limitando o crescimento e a produtividade florestal», começa por explicar Filipe Campelo, investigador do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, e coautor do estudo.

«Por outro lado, desconhece-se como a fenologia das árvores, em particular a data de aparecimento e queda das folhas, afeta o crescimento, a fixação de carbono e consequentemente a mitigação das alterações climáticas pelas florestas», revela o investigador da FCTUC.



Segundo as conclusões do estudo, as folhas surgiram primeiro no pinheiro-de-alepo (início de março) do que no pinheiro-silvestre (meados de maio).  «Os resultados demonstraram que a formação da madeira está dissociada da fenologia das folhas e uma estação de crescimento mais longa nem sempre resulta num aumento do crescimento radial nem na fixação de mais carbono» afirma Filipe Campelo.

«Este estudo sugere ainda que a estimativa da quantidade de carbono sequestrado anualmente pelas florestas deve ter em consideração, além da duração da estação de crescimento, a variação intra-anual das taxas de formação da madeira. Este ponto é crucial para uma melhor compreensão do ciclo global do carbono e avaliação da contribuição das florestas para a regulação do dióxido de carbono na atmosfera», salienta o coautor.

Para alcançar estes resultados, foi testada a relação entre a duração da estação de crescimento e o crescimento através da comparação de dados fenológicos das folhas e das datas de início e fim da formação da madeira simuladas por modelos de formação da madeira. Assim, foram analisadas séries temporais com as datas de emergência e queda das folhas, bem como séries temporais do tamanho dos anéis de crescimento, em duas espécies de pinheiro sob condições climáticas contrastantes, nomeadamente o pinheiro-de-alepo (Pinus halepensis), num sítio mediterrânico em Espanha, e o pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris), num sítio boreal na Rússia.

O artigo científico envolveu sete investigadores oriundos de Espanha, Portugal e Rússia, Universidade de Coimbra - Portugal