Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Suíça - Descendentes de emigrantes exigem passaporte suíço

O direito à cidadania suíça é baseado no princípio da origem, sendo também herdado por quem nasce no exterior. Apesar disso, milhares de descendentes de cidadãos suíços que deixaram o país acabaram perdendo a sua nacionalidade. Uma petição quer mudar isso agora



Dylan Kunz, 23 anos, é descendente de emigrantes suíços. No século 19, os seus bisavós suíços emigraram dos cantões de Solothurn e da Turgóvia para a Argentina. Os seus avós eram cidadãos suíços e quatro dos seus cinco tios também são suíços. O seu pai Ruben e ele próprio, contudo, não são suíços. O seu pai, sem saber, perdeu a cidadania por não ter estado atento aos prazos exigidos para mantê-la.

Somente em 2021, quando o pai de 63 anos entrou em contato por e-mail com a Embaixada da Suíça em Buenos Aires, é que a família recebeu a informação de que ele não seria cidadão suíço. “Foi uma decepção enorme para toda a família e especialmente para o meu pai, pois ele passou a vida inteira a acreditar ser suíço”, conta Dylan. Entender que não era bem assim foi uma situação um pouco embaraçosa: “O meu pai e eu sempre dizíamos que a ‘a Suíça é o melhor país do mundo e que éramos suíços”, relata.

O registo do nascimento nunca chegou à Embaixada

A família Kunz sempre partiu do princípio de que Ruben, pai de Dylan, da mesma forma que os seus irmãos mais velhos, teria sido registado na Embaixada da Suíça na Argentina dentro do prazo regular. No entanto, em 1958, por ocasião do nascimento de Ruben, numa época na qual não havia e-mails, o correio argentino transportava as correspondências em parte por cavalos e carroças, não sendo, portanto, totalmente confiável. Os comunicados do nascimento de Ruben Kunz, bem como de um dos seus irmãos, registado na mesma época, não chegaram à Embaixada suíça, como concluiu a família decepcionada.

A legislação suíça determina que se uma pessoa não for registada na representação diplomática do país nem estiver inscrita no registro civil oficial até aos 25 anos de idade (em 1958, vigorava ainda o limite de 22 anos), ela perderá a cidadania. Esse foi o caso de Ruben Kunz em 1980, quando completou 22 anos.

Depois disso, ele poderia, teoricamente, dentro de um prazo de dez anos, ter entrado com um requerimento para ser novamente naturalizado. Essa oportunidade foi, porém, também perdida – visto que Ruben sempre partiu do princípio de que seria suíço. Hoje, ele tem apenas uma opção, caso queira naturalizar-se novamente: viver permanentemente na Suíça durante três anos. Isso, contudo, não é uma hipótese realista: “Para muitos de nós, que vivemos na Argentina, esse caminho é financeiramente impossível, além de que seria difícil poder trabalhar na Suíça do ponto de vista do direito de permanência”, diz Dylan.

Quando a cadeia é interrompida

Diante disso, o passaporte suíço é negado não apenas ao pai de Dylan, mas também aos seus descendentes. “Há aqui uma dependência em cadeia”, diz Barbara von Rütte, especialista em Direito Civil. Quando a cadeia é interrompida, torna-se cada vez mais difícil reaver a cidadania suíça. “Quanto mais próximo o momento da perda, maior a probabilidade de recuperar a nacionalidade”, explica.

O caso de Ruben e Dylan Kunz não é único. Nas últimas décadas, milhares de descendentes de emigrantes suíços devem ter tido o mesmo destino. “O Direito Civil suíço é muito marcado pelo princípio do jus sanguinis”, diz Von Rütte. Isso significa que a cidadania é transmitida por origem, não importando qual o local de nascimento da pessoa em questão. “A lei estipula que a cidadania suíça pode ser transmitida de geração em geração, quando a solicitação é feita”, alerta a especialista.

Um grande número de descendentes de emigrantes suíços considera os requisitos de transmissão da cidadania suíça muito rigorosos. Por isso, um coletivo, que tem Dylan Kunz à frente, lançou uma petição e colheu assinaturas de cerca de 110 cidadãos suíços e suíças no exterior, bem como de 11.500 descendentes de emigrantes suíços. O documento foi encaminhado ao Parlamento em julho de 2024.

“Nós, descendentes, somos discriminados”

“Pedimos ao Parlamento que reveja e reforme a lei que regulamenta a cidadania suíça, para que os descendentes de suíços no exterior até à quinta geração possam requerer a nacionalidade com mais facilidade. Essa reforma deve simplificar os procedimentos e reduzir as exigências burocráticas”, consta do texto da petição. O Direito Civil suíço discrimina os descendentes de cidadãos suíços no exterior ao impor restrições específicas à manutenção da cidadania, aponta o documento.

“Até ao início do século 20, a Suíça era um país de emigrantes”, diz Von Rütte. Portanto, há hoje muitos suíços de quinta ou sexta geração no exterior. Muitos acabaram perdendo a cidadania por diversas razões. Outros, contudo, conseguiram mantê-la e passá-la para os seus familiares.

Questiona-se se seria de facto tão difícil procurar uma Embaixada ou Consulado antes dos 25 anos de idade. “Esse não é um problema atual, mas histórico”, pontua Eduardo Puibusque, responsável pelo encaminhamento da petição em nome do grupo “Nacionalidade Suíça Para Descendentes“. Se hoje é evidente que os comunicados são rápidos e as informações chegam com agilidade, isso nem sempre foi assim.

Muitos perderam a cidadania por falta de informação

“É preciso considerar que a maioria dos emigrantes suíços não vivia em cidades, mas se estabelecia no campo”, lembra Puibusque. A Argentina é um país enorme, com grandes distâncias, sendo “ainda hoje difícil cortar o país de fora a fora”, observa. A ausência de conhecimento, resultante da falta de acesso a fontes de informação, levou, durante muitos anos, à perda da cidadania suíça “e isso não aconteceu apenas em áreas rurais”, comenta Puibusque. Entre outras coisas, ele refere-se às várias mudanças nas leis aprovadas ao longo das décadas.

O próprio Puibusque teve de lutar para reaver a sua cidadania suíça, pois a sua mãe a havia perdido na década de 1940, quando se casou com um cidadão argentino.

Puibusque teve sorte ao beneficiar de uma determinação transitória na lei da cidadania suíça, que permitiu a ele e à irmã que recuperassem os seus passaportes suíços. No entanto, os seus três filhos e seis netos não têm acesso à nacionalidade suíça. “Quando a minha condição de cidadão suíço foi finalmente reconhecida, os meus três filhos já haviam ultrapassado o limite de idade ‘arbitrariamente’ estabelecido”, diz ele. Para muitos descendentes, o acesso à cidadania suíça só pode ser recuperado a duras penas.

A petição reivindica que isso seja modificado. A recuperação da cidadania – de preferência até à quinta geração de parentes consanguíneos – por parte dos descendentes suíços no exterior deveria ser facilitada sem maiores obstáculos, tais como a idade ou as condições financeiras.

“Antigamente havia mais disposições transitórias que facilitavam a recuperação da cidadania suíça”, diz Von Rütte. Elas afetavam sobretudo quem havia perdido a sua cidadania devido à discriminação de género. Essas disposições foram se tornando de difícil compreensão, de forma que foram consolidadas e resumidas em 2017. “Isso também foi feito com a crença de que a maioria dos casos, afetados pelas disposições, acabaram sendo resolvidos no decorrer do tempo.”

No entanto, esse não parece ser o caso: “Somos tios, tias, filhos, filhas, netos”, diz Kunz. Todo o mundo perdeu a cidadania suíça. “Não queremos beneficiar nos do facto de sermos naturalizados outra vez, trata-se da nossa identidade e da nossa ligação com o país de origem”, conclui. Melanie Eichenberger – Suíça in “Swissinfo”


quinta-feira, 28 de março de 2024

Portugal - Petição com mais de duas mil assinaturas pede regresso dos manuais em papel

Mais de duas mil pessoas assinaram uma petição a pedir o fim do projecto-piloto de manuais digitais nas escolas portuguesas, apontando atrasos na aprendizagem e riscos de acesso a conteúdos indevidos, como pornografia ou violência.

O Ministério da Educação decidiu levar a cabo um projecto de substituição de manuais em papel por livros digitais, que começou de forma gradual em 2020/2021. O programa é voluntário e conta com cada vez mais estabelecimentos de ensino: Este ano são 23159 alunos do 3º ao 12º anos em cerca de 160 escolas de todo o país, segundo dados avançados pela tutela.

No entanto, há pais e professores que estão contra o projecto e pedem a sua suspensão. Há três meses, Catarina Prado e Castro lançou uma petição “Contra a excessiva digitalização no ensino e a massificação dos manuais escolares digitais: Petição Pública (peticaopublica.com)”, que conta agora com mais de 2 mil assinaturas.

O abaixo-assinado defende que os livros em papel são “recursos mais saudáveis e eficazes para todas as crianças” e por isso pede o “fim imediato do projecto-piloto” dos manuais digitais, lembrando que as crianças e adolescentes já passam tempo excessivo em frente a ecrãs, com consequências negativas para a sua saúde.

“Especialistas das mais variadas áreas, desde a neurociência, à oftalmologia, psicólogos ou professores, têm alertado para a exposição e o uso excessivo de ecrãs, mas a escola decidiu aumentá-lo, sem perguntar aos pais nem aos professores”, criticou Catarina Prado e Castro, em declarações à Lusa.

“Aprender através de um ecrã prejudica as aprendizagens, porque diminui a capacidade de leitura, de atenção e de memorização”. Além disso, acrescentou, os computadores onde as crianças têm os livros para estudar são os mesmos “onde estão os jogos e as redes sociais”.

A mãe de dois rapazes conta que já percebeu que por vezes os filhos estão a estudar no computador, mas têm também os jogos abertos ou estão a ver vídeos.

Catarina Prado e Castro disse ainda estar preocupada com a navegação online sem supervisão, contando que na escola dos filhos já houve alunos apanhados a ver pornografia ou outros sítios inapropriados nos telemóveis. A mãe alerta que “os riscos nos computadores são precisamente os mesmos, caso os mesmos não tenham filtros, o que nem sempre é garantido na entrega dos computadores e nem sequer é ensinado aos pais”.

Além disso, com este projecto-piloto, o acesso à Internet “deixa de ser uma opção dos pais e passa a ser obrigatório em crianças logo a partir dos 7 ou 8 anos”, salientou a mãe que defende um acesso controlado à Internet.

“Não quero que os meus filhos passem demasiado tempo a olhar para ecrãs e que em vez de estudarem estejam num registo multitasking a envolver tarefas escolares e recreativas simultaneamente. As crianças usam ecrãs para fins meramente recreativos e não têm capacidade de se auto-regularem no momento em que devem estudar por um dispositivo que oferece inúmeras possibilidades de distracção”, disse à Lusa.

A autora do abaixo-assinado revelou que a petição será entregue no início do próximo mês na Assembleia da República. In “Jornal Tribuna de Macau – Macau com “Lusa”

Por que a Suécia desistiu da educação 100% digital e gastará milhões de euros para voltar aos livros impressos? In “G1” - Brasil


domingo, 11 de setembro de 2022

França - Petição pelo ensino de português já tem mais de 6500 assinaturas

A petição lançada em junho tem mais de 6500 assinaturas. O objetivo é pedir ao presidente francês Emmanuel Macron e ao seu ministro da Educação, mais professores para que os alunos possam continuar a aprender a língua de Camões


É uma petição para desenvolver o ensino do português no sistema educativo francês. Segundo os autores da petição, faltam professores, “há escolas a fechar e é preciso apoiar o ensino do português em França”.

Por trás desta iniciativa está a ADEPBA (Associação para o Desenvolvimento do Português e da Lusofonia), organização que reúne muitos professores de português em França.

Os iniciadores da petição lamentam que haja uma “total inconsistência em França com muitos alunos que estudam português no primário e depois não têm nenhum acompanhamento no básico e secundário”.

“O problema é que há uma perda enorme de alunos do ensino básico para o ensino básico. Tem de haver mais turmas, por isso é preciso professores e daí o abaixo-assinado”, considera a associação.

A ADEPBA espera agora conseguir uma reunião com o novo Ministro da Educação, Pap Ndiaye, para debater o problema. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo

Pode assinar a petição aqui.


sábado, 11 de junho de 2022

França – Petição para um melhor ensino da língua portuguesa

A petição lançada esta semana pela associação de professores de português em França já conta com 3300 assinaturas e visa pedir ao Presidente Emmanuel Macron mais professores para que os alunos possam continuar a aprender a língua de Camões


“É uma petição para desenvolver o ensino do português no sistema de ensino francês. Infelizmente, há falta de professores, há escolas a fechar e temos de apoiar o ensino do português em França. É preciso que se recrutem mais professores e que abram mais turmas”, alertou António Oliveira, secretário-geral da Adepba, em declarações à agência Lusa.

A Adepba (Associação para o Desenvolvimento de Estudos Portugueses, Brasileiros e África e Ásia lusófonos) agrupa muitos professores de português em França. Apenas alguns dias depois do seu lançamento numa plataforma de petições virtual, a petição “Sauvegarde de l’enseignement de la langue portugaise dans le système éducatif français” já tem 3300 assinaturas.

António Oliveira mostra-se também descontente com a falta de coerência do ensino da língua portuguesa em França.

“Há uma incoerência total em França com muitos alunos que estudam português na primária e depois não têm seguimento no básico e secundário”, indicou.

Os professores do ensino primário são destacados para França pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, perfazendo mais de 90 professores no território gaulês, num acordo assinado há vários anos pelos dois países, ficando para os franceses o ensino básico e secundário. No entanto, esta associação considera que não há professores suficientes no ensino básico e informático.

“O problema é que há uma perda enorme de alunos da escola primária para o ensino básico. Tem de haver mais aulas, para isso é preciso professores e era preciso uma petição”, indicou António Oliveira.

A Adepba espera agora obter 5000 assinaturas nos próximos dias e vai pedir uma reunião com o novo ministro da Educação, Pap Ndiaye, de forma a debater este problema. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Portugal - Petição “Português para Todos” vai ser discutida no parlamento

A petição “Português para Todos – Pelo direito das nossas crianças e jovens a um Ensino de Português no Estrangeiro de qualidade e gratuito” superou esta semana as 4500 assinaturas que é o número necessário para que seja levada a debate na Assembleia da República



A revogação da propina no ensino de português no estrangeiro é um das reivindicações dos peticionários, mas também se deseja que seja feita outra forma de fazer política no domínio do EPE: para os estrangeiros o que diz respeito aos estrangeiros, para os portugueses o que diz respeito aos portugueses. Efetivamente, pretende-se que cada um dos públicos-alvo referidos tenha as suas próprias políticas de ensino de português, nomeadamente com uma resposta institucional adequada.

Finalmente, os peticionários pretendem que os portugueses residentes fora da Europa deixem doravante de serem excluídos deste processo educativo, com o alargamento da rede do EPE para crianças portuguesas e lusodescendentes a residir fora do velho continente.

“As mais de 4 mil assinaturas foram alcançadas graças a um esforço coletivo de inúmeros compatriotas a residir em Portugal e além-fronteiras”, disse ao BOM DIA Pedro Rupio, que fomentou a iniciativa.

Portugal e Suíça foram os países que mais contribuíram respetivamente com mais de 1000 e 800 assinaturas. A Bélgica superou as 500 assinaturas enquanto que a Argentina, França e Alemanha obtiveram mais de 300 assinaturas cada. Destaque ainda para o Reino Unido, Andorra e Luxemburgo que praticamente alcançaram as 200 assinaturas. Suécia, Estados Unidos da América, Espanha, Venezuela, Canadá e demais 36 países de 5 continentes também contribuíram grandemente para que a petição pudesse ser apresentada ao Parlamento. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Comunidades - Petição “Português para Todos” ultrapassa três mil assinaturas

A petição “Português para Todos”, que defende ensino gratuito de português no estrangeiro, ultrapassou os 3000 assinantes e os promotores renovaram hoje o apelo para conseguir as assinaturas necessárias para ver o assunto discutido no parlamento



“A petição ‘Português para Todos – Pelo direito das nossas crianças e jovens a um Ensino de Português no Estrangeiro de qualidade e gratuito’ superou as 3000 assinaturas (3008), adicionando os apoios obtidos ‘online’ e em papel”, disse à agência Lusa Pedro Rupio, conselheiro das comunidades portuguesas eleito pela Bélgica e promotor da iniciativa.

A petição, lançada em dezembro de 2019, pretende defender o ensino de português para as crianças e jovens portugueses e lusodescendentes residentes no estrangeiro.

“As decisões políticas que foram e estão a ser tomadas têm progressivamente levado à extinção do ensino de português como língua materna para os filhos e descendentes de emigrantes, decisões que desejamos reverter”, adianta o texto da petição.

Em 2008, prossegue o mesmo texto, havia 60 mil alunos portugueses a frequentar a Rede oficial do Ensino de Português no Estrangeiro (rede EPE), eram apenas 45 mil após a introdução da propina em 2012, número que continuou a diminuir ano após ano.

Por isso, entre as medidas reclamadas estão a revogação da propina, a mudança de tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros para o Ministério da Educação e a expansão da rede EPE para jovens portugueses e lusodescendentes, dentro e fora da Europa.

Com a meta das 4000 assinaturas necessárias para que a petição seja discutida no parlamento ainda longe, Pedro Rupio, que preside também ao Conselho Regional da Europa do Conselho das Comunidades Portuguesas, renovou o apelo para que a iniciativa seja apoiada.

“É nossa intenção alcançarmos as 4000 assinaturas antes da aplicação das novas regras [sobre o direito de petição] pois visto o contexto particular das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, será muito difícil alcançar 7500 assinaturas”, explicou Pedro Rupio.

O projeto de alteração à lei do exercício do direito de petição, que passa a estipular 7500 o número mínimo de assinaturas necessárias para levar uma petição para debate no Parlamento, viu a sua redação final aprovada em comissão a 30 de setembro.

Se não for novamente vetado pelo Presidente da República, como já aconteceu, deverá ser publicado nos próximos dias e entrará em vigor no dia seguinte ao da publicação.

“Uma nova exigência que poderá ser um entrave considerável à participação das comunidades portuguesas na democracia nacional por via das petições”, assinalou o conselheiro.

Por isso, Pedro Rupio pede apoio para que a petição chegue às “4000 assinaturas ambicionadas, com a esperança de alcançar essa meta antes de uma eventual aplicação do Projeto de Lei”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Europa - Recolha de assinaturas para petição “Português para Todos” passou pelo Luxemburgo


Os apoiantes da petição “Português para Todos” estiveram no passado sábado (08) no Luxemburgo para sensibilizarem e recolherem assinaturas no Grão-Ducado.



O objectivo da passagem pelo Luxemburgo foi, segundo a organização “percorrer as ruas do país à procura de compatriotas sensibilizados com a petição em questão, em defesa do ensino de português para filhos de emigrantes”.

Num breve balanço traçado ao Lux24, o conselheiro do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), Pedro Rupio, um dos dinamizadores da petição, mostrou-se “satisfeito”.

“Conseguimos perto de 100 assinaturas recolhidas entre a capital e Esch-sur-Alzette, muitos contactos estabelecidos e uma comunidade que acolheu muito bem a iniciativa. Uma experiência a repetir”, disse, ao Lux24, Pedro Rupio.

Segundo este conselheiro do Conselho das Comunidades Portuguesas o objectivo é alcançar 4000 assinaturas, mas esse desígnio ainda está apenas a metade.

“Não há um prazo para recolher as 4000 assinaturas. Estamos com mais de 1600 neste momento (on-line e papel) e a próxima iniciativa é já no próximo domingo (16) na Bélgica. Mas, certamente voltaremos ao Luxemburgo pois a experiência foi óptima. Outras iniciativas estão em preparação na Suíça e França”, rematou Pedro Rupio, que no Luxemburgo foi acompanhado, entre outros, pelos conselheiros das comunidades João Verdades e Rogério Oliveira. In “Lux24” - Luxemburgo

O QUE PEDE A PETIÇÃO

“Português para todos! Pelo direito das nossas crianças e jovens a um Ensino de Português no Estrangeiro de qualidade e gratuito

Com esta petição, pretendemos defender o ensino de português junto das crianças e jovens portugueses e lusodescendentes residentes no estrangeiro. Consideramos que as decisões políticas que foram e estão a ser tomadas têm progressivamente levado à extinção do ensino de português como língua materna para os filhos e descendentes de emigrantes, decisões que transgridem os seus direitos constitucionais e com as quais não nos revemos e desejamos reverter.

A aprendizagem formal da língua portuguesa para os acima citados foi e continua a ser fundamental para que se possa manter e desenvolver uma forte e essencial ligação linguística, social, cultural e identitária com Portugal. Todavia, esta ligação que Portugal tem com os filhos e filhas de várias gerações residentes no estrangeiro está hoje seriamente ameaçada, devido às políticas de língua e ensino dirigidas às Comunidades Portuguesas na última década. Desde então, tem-se observado uma desvalorização e um desinvestimento contínuo do ensino de português como língua materna (PLM), dirigido a alunos portugueses e lusodescendentes. Por outro lado, torna-se cada vez mais notório o investimento deliberado no ensino de português como língua estrangeira (PLE), tendo como principal público-alvo alunos de outras nacionalidades, o mesmo sucedendo na vertente do português como língua de herança (PLH) enquanto sinónimo de língua segunda ou língua estrangeira. Tal investimento, embora seja louvável, não deveria ser privilegiado em detrimento do ensino de PLM, como atualmente se verifica.

Esta mudança de paradigma nos ensinos básico e secundário no âmbito do Ensino de Português no estrangeiro (EPE) concretizou-se com as várias alterações efetuadas a partir de 2010 no Decreto-Lei 165/2006 (Estabelece o regime jurídico do ensino português no estrangeiro), nomeadamente a implementação do Quadro de referência para o ensino de português no estrangeiro (QuaREPE) e a transferência de tutela do Ministério da Educação para o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mais tarde, outras medidas vieram deteriorar ainda mais a situação, nomeadamente a introdução da taxa de inscrição (propina), obrigatória para os cursos frequentados exclusivamente por alunos portugueses, seguida pela adoção de programas de português como língua estrangeira, o uso obrigatório de materiais didáticos dessa vertente e a adoção de descritores de avaliação de PLE utilizados nas provas para a Certificação.

Se em 2008, havia 60 mil alunos portugueses a frequentar a Rede oficial do EPE, eram 45 mil após a introdução da propina em 2012, número que continuou a diminuir ano após ano até à data de hoje. Assim, assistimos paulatina mas seguramente à extinção do ensino de português como língua materna.

Por estes motivos, os abaixo-assinados solicitam à Assembleia da República as alterações seguintes:

– A adoção de políticas para o ensino de português no estrangeiro nos ensinos básico e secundário que saibam distinguir as políticas de língua e educação num contexto da internacionalização, nomeadamente o ensino de português como língua estrangeira, das políticas de língua e educação destinadas às Comunidades Portuguesas, mais precisamente, o ensino de português como língua materna, que valorizamos particularmente;

– A mudança da tutela do Ensino de Português no Estrangeiro, vertente de língua materna, do Ministério dos Negócios Estrangeiros para o Ministério da Educação;

– A revogação da propina (taxa de inscrição) para todos os jovens portugueses e lusodescendentes que frequentem ou venham a frequentar o EPE;

– A expansão da Rede do EPE, vertente de língua materna, para jovens portugueses e lusodescendentes, dentro e fora da Europa”

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Suíça – Lançada petição contra o acordo comercial com o Mercosul

Uma petição de 65 000 pessoas foi entregue às autoridades federais de Berna exigindo o cancelamento, ou revisão significativa, do acordo comercial entre a EFTA - da qual a Suíça faz parte - e o bloco comercial do Mercosul



A petição intitulada "Não há acordo de livre comércio entre a Suíça e o destruidor da Amazônia Bolsonaro" exige que Berna adie a assinatura do acordo recentemente anunciado entre a EFTA e o Mercosul, a menos que ele contenha disposições para sancionar violações de direitos humanos ou ambientais.

A petição foi organizada pela Campax, uma ONG que luta por "uma sociedade solidária, uma economia sustentável e um meio ambiente intacto", de acordo com seu site.

A Campax disse que as 65 mil assinaturas foram recolhidas em menos de uma semana.

Fazendo eco das preocupações dos agricultores suíços manifestadas há alguns dias, a Campax escreve que o acordo "aumentará as exportações brasileiras de carne bovina e soja e, assim, promoverá o desmatamento".

"Não é apenas ecologicamente e eticamente irresponsável concluir um acordo de livre comércio com o [presidente brasileiro] Bolsonaro - também não faz sentido econômico", diz o grupo.

A Campax argumenta que a assinatura do acordo incentivaria os hábitos destrutivos do governo Bolsonaro na Floresta Amazônica e levaria a um maior aquecimento global, cujas consequências são muito maiores para a Suíça do que os benefícios comerciais de curto prazo.

Oposição política

O acordo proposto entre os países da EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) e o bloco Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) foi confirmado pelo ministro suíço da Economia, Guy Parmelin.

O acordo significaria que cerca de 95% das exportações suíças para a área do Mercosul estariam livres de tarifas. As barreiras técnicas ao comércio seriam abolidas e os prestadores de serviços suíços teriam acesso mais fácil aos mercados.

Embora as petições na Suíça não contenham nenhum peso legal, a iniciativa da Campax reforça outros grupos que estão insatisfeitos com o acordo.

Uma coalizão de organizações agrícolas suíças, consumidores e ONGs, conhecida como Coalizão Mercosul, disse que colocaria o acordo à prova no parlamento e que verificaria se os critérios para o bem-estar ambiental e animal, bem como para a proteção dos direitos humanos e do consumidor, foram cumpridos.

O Partido Verde disse que se oporá ao acordo no parlamento e, se não funcionar, começará a reunir as 50 mil assinaturas necessárias para forçar um referendo nacional.

Por sua vez, o Partido Socialista, o segundo maior partido no parlamento, disse na quarta-feira (28) que apoiaria o referendo do Partido Verde "a menos que sejam dadas garantias quanto à proteção efetiva da floresta tropical e dos trabalhadores no local".

O Ministério da Economia espera convencer o parlamento a ratificar o acordo até 2021. In “Swissinfo” - Suíça

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Luxemburgo – Parlamento rejeita petição que pretendia proibir as empresas de pedir candidatos a falar língua portuguesa

O parlamento do Luxemburgo rejeitou uma petição que propunha que as empresas no Luxemburgo fossem proibidas de pedir candidatos que falem português, considerando-a discriminatória

“A Comissão não pode admitir uma petição em que se pede para proibir uma língua [em anúncios de emprego], mas não outras, como o sueco ou o chinês”, disse Vera Haas-Gelejinsky, secretária da Comissão das Petições do Luxemburgo, responsável por analisar os pedidos.

A petição n.º 1032, proposta em 28 de maio por Samantha Gaertner, propunha “proibir os empregadores de reclamar a língua portuguesa para um posto de trabalho no Luxemburgo”, de acordo com o título publicado no site do Parlamento luxemburguês.

Enquanto aguardam pela avaliação da Comissão das Petições, os pedidos são publicados apenas com o título e o nome do proponente no site do parlamento, com a referência “em análise de admissibilidade”, não sendo divulgado o texto de motivação até receberem luz verde.

Apesar de rejeitarem a proposta, considerada discriminatória, os deputados notificaram a autora da petição para “reformular o pedido”, de forma a não excluir um idioma específico.

“O que ela pretende é que os anúncios se limitem a pedir as três línguas do país (alemão, francês e luxemburguês), mas não tem o direito de pedir para excluir o português”, explicou a secretária da Comissão.

Se a petição não for reformulada no prazo de um mês, será definitivamente rejeitada.

“A maior parte das pessoas não reformula, mas se o fizer, vamos novamente examinar se a petição é discriminatória”, avançou o presidente da Comissão das Petições, Marco Schanck, deputado do partido cristão-social (CSV).

Portugueses insurgiram-se

Apesar de ter tido parecer desfavorável do Parlamento, a petição n.º 1032 foi partilhada nas redes sociais, com muitos portugueses a insurgirem-se com o pedido.

Esta não é a primeira vez que a questão da língua portuguesa em anúncios de emprego chega ao parlamento.

Em março de 2014, o partido nacionalista ADR questionou o ministro da Educação do Luxemburgo, Claude Meisch, sobre um anúncio publicado por uma associação de apoio a crianças, jovens e famílias, pedindo candidatos para uma vaga de educador que falassem português, além das três línguas oficiais do Luxemburgo.

Na questão parlamentar, o deputado Fernand Kartheiser, do ADR, perguntava ao ministro da Educação do Luxemburgo se “considerava normal” que uma associação subsidiada pelo Estado exigisse o conhecimento de uma língua que não faz parte dos idiomas oficiais do país, acusando-a de favorecer os falantes de língua portuguesa e de não contribuir para a integração dos estrangeiros.

Na resposta, que a Lusa noticiou em 10 de março de 2014, o ministro defendeu que “neste caso concreto não se trata(va) de familiarizar as pessoas com as línguas oficiais do país ou de facilitar a sua integração, mas de as compreender e ajudar”.

A língua portuguesa também já foi mencionada numa petição que propunha preservar o multilinguismo, em 2016, em reação a uma outra proposta para converter o luxemburguês na principal língua administrativa do Grão-Ducado, mas neste caso, defendendo a sua valorização.

“O português merecia, igualmente, ser mais estudado na escola. É a sexta língua mais falada no mundo, com mais de 270 milhões de falantes, e há mais de 93 mil portugueses (16,3%) a viver entre nós”, apontava a petição assinada pelo luxemburguês Joseph Schloesser.

O Parlamento do Luxemburgo introduziu as petições eletrónicas em março de 2014, para reforçar a participação dos cidadãos.

Se receberem parecer favorável na Comissão das Petições e forem aprovadas pela Conferência de Presidentes, passam a estar abertas a assinaturas, durante 42 dias, tendo que obter 4500 subscritores para serem discutidas em plenário no parlamento luxemburguês. In “Mundo Português” - Portugal