Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Macau - Pode ter papel “importante” quando Timor-Leste legislar o jogo

Timor-Leste está a debater a possibilidade de introduzir uma lei que permita a abertura de casinos. Se isso for uma realidade, a experiência de Macau “pode ser importante” para o processo que se seguirá, dada a sua “grande experiência” no sector, disse ao Jornal Tribuna de Macau o embaixador timorense em Pequim. Loro-Horta referiu, por outro lado, que Timor tem de aproveitar a totalidade das vagas para bolsas de estudo concedidas pela RAEM para que alunos venham estudar nas universidades do território. “Isso não está a ser aproveitado, por desconhecimento”, revela. Sobre o investimento de empresários locais no país, o diplomata confirma que “há alguns”, sobretudo no sector do café, mas também na construção de hotéis e no consequente desenvolvimento do turismo


Em Timor-Leste existe jogo, em pequena escala, mas a maior parte é ilegal, pelo que o pequeno país asiático tem acelerado o debate para a introdução de uma lei sobre o jogo. Segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau o embaixador timorense em Pequim, numa breve passagem por Macau, caso sejam permitidos os casinos no seu país, Macau pode desempenhar um “importante papel” no desenvolvimento do sector, no processo seguinte à aprovação da lei.

“Dada a sua grande experiência na gestão da indústria do sector do jogo, não tenho dúvida de que Macau será o parceiro ideal para a concretização do processo de abertura dos casinos em Timor-Leste”, salientou Loro-Horta, sem especificar em que moldes esse apoio seria concretizado.

Para o diplomata, “devido aos laços históricos que Macau tem com Timor, e mesmo a proximidade geográfica, não fará muito sentido levar companhias europeias ou americanas, tomando em consideração que Macau é, há vários anos, a maior cidade do jogo, tendo ultrapassado Las Vegas, fazendo muito dinheiro com o jogo”.

Acrescenta que em Timor já existe uma “enorme cultura de jogo, permitindo-se certas casas de jogo, principalmente com ‘slot-machines’”. Assim sendo, diz-se a favor da legalização e apresenta a sua razão: “É muito simples, se as pessoas continuam a jogar, então mais vale legalizar e convidar-se companhias sérias que têm décadas de experiência neste sector, como Macau”. “O Estado beneficiaria de impostos pagos pelas operadoras, a que se junta tudo aquilo que os casinos podem trazer, ou seja, turismo, hotéis, restaurantes, todo um ecossistema que é criado”.

O timorense, de 47 anos, nascido em Moçambique, que exerce o cargo de embaixador na capital chinesa há cerca de dois anos e meio frisa que a questão de abertura de casinos “está a ser discutida há muito tempo, até porque há cada vez mais sectores da sociedade interessados em que isso se concretize”.

No entanto, admite que há algum receio, por causa dos problemas sociais. “Sim, é verdade, há esse risco, mas julgo que o importante é haver controlo, regras rigorosas, como existe em Macau, não permitindo que, por exemplo, os funcionários públicos entrem nos casinos, ou pelo menos exigir que, para jogar, provem o seu rendimento mensal”.

Na relação com Macau, Loro-Horta destaca a questão dos estudantes timorenses que pretendem estudar no território. Segundo sabe, há 10 vagas de bolsas de estudo que podem ser aproveitadas, “mas apenas cinco estão a ser utilizadas, por desconhecimento, uma vez que não há muita informação e os alunos não sabem como candidatar-se”, observa, desejando que “essas oportunidades de virem para Macau sejam em breve uma realidade para os estudantes de Timor-Leste, para que depois possam regressar e ajudar o país a desenvolver-se”.

Ainda na vertente da juventude, o representante de Timor-Leste em Pequim lamenta o alto grau de desemprego. “Esse é um dos grandes problemas que enfrentamos, já que 70% da nossa população tem menos de 35 anos de idade e os números do desemprego são de facto elevadíssimos”, constata, falando numa estimativa de entre 70% a 80% de falta de emprego em Díli e Baucau.

O Estado ainda é o maior empregador, dispondo de cerca de 50.000 funcionários públicos, para uma população de perto de um milhão e 400 mil pessoas. “É muito”, diz. “O máximo que devíamos ter era 20.000”, destaca, referindo que o problema é “não haver sector privado e por isso os governos vão dando trabalho no Estado para tentar aguentar a pressão social”.

A falta de trabalho, principalmente para os jovens, tem sido “um pouco aliviada” com os trabalhadores emigrantes. “Têm ido para a Austrália, trabalhadores agrícolas fundamentalmente, mas também em fábricas, outros para a Coreia do Sul, sobretudo para o sector da pesca, para os parques de pesca, e também para o Reino Unido, mas aqui o Brexit fez regressar muitos timorenses, que recebem incentivos para voltar à terra natal”, salienta.

Empresários chineses fazem investimentos

No que concerne às riquezas naturais, que podem ajudar a crescer o país económica e socialmente, mencionou o petróleo, o gás natural e os minerais, principalmente, mas também o café, que tem gerado o interesse de muitos empresários, incluindo os de Macau, em importar o produto. “Há, nesse sector, algumas empresas de Macau que se têm dirigido a Timor, mas existe outro tipo de investimento da RAEM, que é na construção de hotéis, o que julgo crescerá bastante com a possibilidade de abertura dos casinos”, reforça.

Admitindo que a grande prioridade do Governo liderado por Xanana Gusmão é diversificar a economia, Loro-Horta reconhece a “grande dependência” do petróleo e do gás natural.

“Existem três áreas em que nós estamos a ver possibilidades de investir para poder diversificar a economia, que são o turismo, o sector agrícola e também as pescas”, afirma, apontando para os investimentos que os empresários chineses podem fazer, sendo que “a China é actualmente o segundo parceiro económico de Timor-Leste, logo a seguir à Indonésia”.

Nesse sentido, muito do seu trabalho como embaixador tem sido direccionado para o contacto com companhias do sul da China, principalmente de Guangdong, mas também de Fujian, Guangxi e Wuhan. “Há de outras partes da China, mas fundamentalmente a maior parte das empresas chinesas e as comunidades chinesas residentes em Timor são pessoas do sul da China, da região da Grande Baía e zonas próximas, que já é uma tradição que vem desde o século XIX”, lembra.

Na área de pescas e da aquacultura existem, de acordo com o diplomata, companhias interessadas em instalar-se em Timor-Leste. Por isso, “queríamos ver a possibilidade de aprofundar mais essa cooperação para ver se conseguimos investimentos chinês no nosso sector de pescas e não só na economia azul de maneira geral”, indica.

Dá exemplos de investimento chinês em viveiros de camarão, na zona de Manatuto, havendo outros interessados no mesmo sector na zona de Viqueque. O governo já deu o terreno, tendo-se iniciado a construção de infra-estruturas, como tanques.

Quanto ao turismo, Loro-Horta, filho do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, aborda a questão “fundamental” de haver no futuro mais voos regulares de acesso directo a Díli. “Para que o turismo se desenvolva, concretamente o turismo da China, é preciso mais voos directos para a capital”, reconhece.

Existem três vezes por semana, operados pela Aero Díli, entre Xiamen e Díli, e agora começou um voo também para outra cidade chinesa. “Tudo isso é um factor de desenvolvimento”, menciona, sublinhando que visita do Chefe de Estado timorense a Pequim, em 2024, onde se encontrou com o Presidente Xi Jinping, assim como a entrada de Timor-Leste na Associação de Nações do Sudeste Asiático, fez elevar o nível do país nas “Parcerias Estratégicas Abrangentes” da República Popular da China.

Loro-Horta conclui com o ponto da situação político-social de Timor-Leste. “O país está bastante estável, sobretudo se compararmos com alguns países da nossa região”, refere, afirmando que “a última vez que tivemos um caso sério de violência política foi em 2008, quando houve o atentado contra o Presidente Ramos-Horta”.

No ano passado registaram-se algumas manifestações de estudantes, protestos parecidos com o que se passou no Nepal, na Indonésia e nas Filipinas, com os jovens a criticarem o Parlamento por pretender comprar carros novos. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



segunda-feira, 10 de março de 2025

Vietname - Recifes de coral de Nha Trang correm o risco de colapso

As ondas suaves da costa de Nha Trang, no centro do Vietname, escondem um segredo aberto: os recifes de coral vitais que se encontram por baixo estão a morrer. As águas estão assustadoramente desprovidas de peixe. A abundância do oceano está a acabar.

É por isso que Binh Van – que pescou nestas águas durante mais de duas décadas – aluga agora o seu barco a turistas vietnamitas que querem experimentar a emoção de pescar nas águas profundas do Mar do Sul da China. Porém, para pescar, só há lulas, que estão a florescer em oceanos aquecidos pelas alterações climáticas. Os seus passageiros não se importam enquanto o barco se afasta dos cintilantes resorts de praia de Nha Trang. Mas, Van está pensativo.

Nem sempre foi assim. Houve uma altura em que pescou 70 quilos de peixe, como atum e cherne, numa só noite. Na realidade, não pode ganhar dinheiro com as lulas. “Agora costumo ir para casa de mãos vazias”, disse.

Os recifes de coral do Sudeste Asiático constituem mais de um terço dos recifes de coral do mundo e fazem parte do “Triângulo de Coral”, uma área marinha rica em biodiversidade que se estende geralmente das Filipinas à Indonésia e às Ilhas Salomão. Mas, a maioria corre agora o risco de ser destruída. Apenas 1% dos recifes do Vietname ainda estão saudáveis, e nestes casos devido ao seu afastamento, de acordo com o World Resources Institute.

Os recifes de todo o mundo estão em risco devido às águas mais quentes e ácidas que enfraquecem os recifes de coral e resultam no seu branqueamento porque expulsaram as algas que os ajudavam a sobreviver. Os corais branqueados precisam de tempo para recuperar, mas os eventos de branqueamento – quando muitos corais perdem a cor ao mesmo tempo – estão a acontecer com mais frequência por causa das alterações climáticas, disse Clint Oakley, que estuda corais na Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia.

“É um problema agravado. “Levam mais de um ano para que recuperem totalmente”, disse.

Os recifes de coral de Nha Trang também tiveram de lidar com as pressões locais à medida que a economia do Vietname prosperava e as cidades costeiras cresciam. Os sedimentos da construção prejudicam os corais. O escoamento da agricultura, dos esgotos e da aquacultura em expansão desencadeia a proliferação de algas que bloqueiam a luz solar e sufocam os corais.

A pesca excessiva matou peixes que sustentam a saúde dos recifes. Em 2019, um surto de uma estrela-do-mar espinhosa e predadora – que se tornou mais provável porque o equilíbrio ecológico do recife foi perturbado – matou quase 90% dos recifes sobreviventes ao comer corais, disse Konstantin S. Tkachenko, professor de ecologia marinha na Universidade Samara da Rússia, que estuda os recifes do Vietname há anos.

Isto afectou não só a indústria pesqueira local – os recifes fornecem alimento, abrigo e áreas de reprodução para os peixes – mas também a indústria turística do Vietname, especialmente entre os mergulhadores de todo o mundo que migram para o país vindo do Sudeste Asiático por causa da sua longa linha de costa.

A paisagem subaquática está a tornar-se famosa por diferentes tipos de resíduos: garrafas de vidro, linhas de pesca em nylon e plástico por todo o lado. Os peixes que limpam os recifes e os mantêm saudáveis comendo algas ou parasitas, como o característico peixe-balista Picasso e o peixe-papagaio indiano, desapareceram, disse Michael Blum, da Rainbow Divers, uma empresa de mergulho no Vietname, esclarecendo que “quando não há produtos de limpeza, os (recifes) sufocam”.

Tkachenko, o cientista russo, disse que o país do Sudeste Asiático poderia fazer mais para os proteger. Poderia criar mais parques marinhos onde as protecções fossem realmente aplicadas, forçar a indústria do turismo a restaurar a vegetação nas costas para reduzir o despejo de sedimentos no oceano, restaurar recifes degradados através da cultura de corais e da introdução de animais que equilibram os ecossistemas dos recifes e regular a pesca.

Apontou para as dezenas de embarcações de pesca que salpicam as costas de Nha Trang. “Quem pensa que pode ser a hipótese de sobrevivência de qualquer pequeno peixe ou habitante do fundo do mar, sob tamanha pressão de pesca diária?” salientou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


terça-feira, 27 de agosto de 2024

Portugal - Como os indonésios estão a salvar a pesca nacional

A língua indonésia ‘bahasa’ é cada vez mais comum nos portos de pesca portugueses, misturando sotaques e experiências de um sector que resiste graças à mão-de-obra estrangeira


“Sei dizer melhor os palavrões que as outras palavras em português”, disse, sorrindo, Ortono, uma das centenas de indonésios que servem nas embarcações pesqueiras portuguesas.

Mas se a língua portuguesa “é difícil de falar”, as artes da pesca são uma linguagem universal, contou à Lusa Zeham, 24 anos, que chegou a Portugal em 2021 para trabalhar no setor, logo depois de terminar a sua formação profissional, na sua terra, Pangandaran, na ilha de Java.

“Precisei de aprender os nomes [dos objetos e utensílios]. Mas mar é mar e pescar é parecido”, referiu Zeham, minimizando as dificuldades da adaptação, com elogios aos patrões e companheiros portugueses. “Eles respeitam muito a nossa religião, não bebemos álcool. Somos bem tratados”, explicou Zeham, que interrompeu o almoço que estava a fazer junto ao porto de Peniche para falar com a Lusa.

A grande maioria dos pescadores indonésios (mas também filipinos e malaios) chega a Portugal com formação profissional específica para a pesca e os empregadores suportam custos da viagem, estadia e alimentação, a que se junta pelo menos o salário mínimo. “No mar somos todos iguais. Não há nacionalidades e eles [os imigrantes] são muitos bons”, afirmou Nuno Pacheco, mestre da embarcação de pesca de cerco Avô Varela, do porto de Peniche.

Ao contrário de muitos portugueses, com os quais “não conseguimos contar”, porque “estão sempre a falhar”, estes “senhores vêm para aqui para trabalhar, estão aqui disponíveis para o horário que nós praticamos” e “têm muito boa formação” no seu país de origem. Com os imigrantes “podemos contar, é gente que não falha”, resumiu Nuno Pacheco.

De Zeham, Nuno Pacheco só ouve elogios, até no processo de regularização. “O patrão tratou de tudo, está tudo legal”. Mas o patrão, filho de pescador e sócio com o irmão na gestão de duas embarcações, admitiu que os problemas burocráticos são um dos principais obstáculos.

O recrutamento é feito por uma agência na Indonésia, que permite avaliar a qualidade e as qualificações dos candidatos. Contudo, “as coisas tornam-se difíceis quando chegam”, explicou, dando o exemplo de um dos funcionários mais recentes que começou a trabalhar em janeiro deste ano e, mesmo “com contrato de trabalho, certificações e papeis todos em ordem”, só obteve título de residência em julho, poucos meses antes de terminar o prazo sazonal de contratação.

Sem isso, não é possível registá-los na capitania e não podem ir para o mar como elemento do quadro de pessoal marítimo. “Era fundamental ajustar a legislação à nossa realidade”, considerou Nuno Pacheco.

Apesar de todos estes problemas, o empresário disse que só se mantém a trabalhar porque tem estes quadros, que já representam 40% da tripulação. “Sem eles já tinha desistido, vendia os barcos e saía disto”.

O trabalho da faina continua para lá do mar, nos preparativos que se fazem em terra. No cais do porto, junto ao Avô Varela, portugueses e indonésios juntam-se para preparar as cordas, coser redes, reparar danos ou limpar equipamentos, num ambiente de camaradagem e sem hierarquia.

Os indonésios “têm muito boa formação técnica, são competentes e trabalhamos lado a lado” no mar e em terra. “Respeitamo-nos muito, damos-lhes condições para estarem cá e cada um faz o seu trabalho. Eles não falam connosco, nós não falamos com eles”, mas “entendemo-nos quando é preciso”, resumiu, admitindo que a língua é o único problema no relacionamento “com pessoas como nós”.

Apesar disso, as tripulações têm no futebol um tema universal e a convivência também se faz pela barriga. “Há um prato particular que eu gosto muito e eles acham piada. Uma espécie de patanisca só de vegetais. Mas aquilo é mesmo bom e quando eles fazem vou sempre lá roubar um pouco”, disse, sorrindo, o capitão do Avô Varela. “No ano passado tínhamos três [indonésios] que foram à terra, mas um quis ficar cá. Não gostámos de o ver aqui sozinho e ele passou o Natal na nossa casa”, recordou Nuno Pacheco.

Num tempo em que cresce o discurso anti-imigrantes, Nuno Varela constatou que a pesca portuguesa não sobreviveria sem estrangeiros.

Apesar de “poderem existir abusos nalgumas áreas” da sociedade, “tenho pena que haja quem pense assim, porque nós somos um país que fomos bem recebidos nos outros países e acho que temos uma obrigação cultural de receber bem” quem é imigrante.

Indiferente a estas questões, Zeham gosta de Portugal e confessou que não se importa de permanecer, embora o regresso à sua Pangandaran esteja sempre no horizonte. “Tenho um contrato, vou cumprir e depois posso voltar ou ir para outro lado”, explicou, em inglês rudimentar. Mas a Indonésia está sempre no seu coração. “Quero voltar claro, não sei é quando”. Ao seu lado, divertido, Ortono disse porque gosta de Portugal: “Recebemos em euros. É bom”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 3 de julho de 2024

Índia deverá ultrapassar a China no crescimento da procura agrícola mundial

A Índia, que se tornou o país mais populoso do mundo, deverá também substituir a China como principal motor do crescimento da procura agrícola mundial nos próximos 10 anos, segundo a OCDE e a FAO


A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) disseram ontem que o consumo mundial de produtos agrícolas deverá aumentar 1,1% na próxima década.

Os países de rendimento médio e baixo serão responsáveis por quase 94% do aumento previsto, segundo o relatório anual conjunto da OCDE e da FAO citado pela agência espanhola EFE. As razões prendem-se com o facto de ser nestes países que, com diferenças, se prevê um crescimento demográfico, mas também com uma alteração dos padrões alimentares. Estes factores justificam o facto de a Índia e o Sudeste Asiático serem os principais intervenientes e absorverem 31% do aumento da procura na próxima década.

Isoladamente, o aumento da procura na Índia até 2033 será de 20,2% na produção vegetal, para 220,1 mil milhões de dólares (186,8 mil milhões de euros, ao câmbio actual). O aumento da procura na produção animal será de 41%, para 144,7 mil milhões de dólares (137,8 mil milhões de euros), e de 16% na produção pesqueira, para 48,8 mil milhões de dólares (45,5 mil milhões de euros).

A China continuará a ser, de longe, o maior mercado agrícola, mas com aumentos muito menores em termos relativos e absolutos. Os peritos preveem que a procura de produtos vegetais na China aumente 4,1%, para 414,4 mil milhões de dólares (386,8 mil milhões de euros).

A procura de produtos animais crescerá 5,55%, para 206,5 mil milhões de dólares (192,7 mil milhões de euros), e a de produtos da pesca 13,8%, para 207,1 mil milhões de dólares (193,3 mil milhões de euros).

Embora a China tenha sido responsável por 28% do consumo adicional de produtos do setor primário na última década, esta percentagem cairá para 12% até 2033, de acordo com os autores do relatório.

A Índia tem 1,42 mil milhões de habitantes e a China 1,41 mil milhões, segundo dados do Banco Mundial. A outra grande região que registará uma expansão significativa da procura é a África Subsariana, que contribuirá com 18% do aumento previsto, principalmente devido ao crescimento da população, a uma taxa de 2,40% por ano entre 2024 e 2033.

Globalmente, a produção no setor primário crescerá 1,1% por ano durante os próximos 10 anos, com aumentos de 1% para o valor das culturas, 1,3% para a pecuária e 1,1% para a pesca.

Os autores do estudo preveem que o aumento da produção resultará essencialmente de melhorias nos rendimentos, que representarão 80% no caso da agricultura, em que a extensão das terras cultivadas desempenhará um papel marginal.

Quanto ao comércio dos produtos do setor, prevê-se um aumento de 1% por ano, equivalente ao aumento da produção, o que significa que o peso relativo das exportações se manterá estável.

Em relação aos preços, a OCDE e a FAO consideram que continuarão a descer face aos picos atingidos no período 2020-2022, devido a questões como a crise da covid, a invasão russa da Ucrânia ou más colheitas por razões climáticas.

A curto prazo, prevê-se que a descida seja mais rápida e, a médio prazo, os preços reais (descontando o efeito da inflação) dos produtos do setor primário deverão também continuar a tendência histórica para a baixa. Esta situação deverá aumentar a pressão sobre a situação económica dos agricultores e beneficiar os consumidores.

Os autores do relatório disseram que se trata de uma evolução dos mercados globais e de ser necessário avaliar outros fatores que influenciam as decisões para ver se se transmitem aos mercados nacionais. Entre esses factores estão os custos específicos de transporte em cada lugar, as taxas de câmbio das diferentes moedas, as políticas comerciais e o grau de integração dos mercados locais com o comércio internacional. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Moçambique - Jovens de Cabo Delgado formados em pesca e aquacultura

Um total de 30 jovens, dos quais 12 mulheres, oriundos de quatro distritos da província de Cabo Delgado, designadamente Ibo, Quissanga, Balama e Mueda, beneficiaram de uma formação em matérias de pesca aquacultura.


Trata-se de uma iniciativa do Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pesca e Aquacultura (IDEPA), através do Projecto de Desenvolvimento da Aquacultura de Pequena Escala (PRODAPE), no âmbito do apoio ao empreendedorismo juvenil na cadeia de valor da aquacultura.

A formação de curta duração ocorreu semana finda na cidade de Maputo e esteve a ser ministrada pela Escola de Pesca.

Parte da formação, nomeadamente a componente prática, teve lugar no Centro de Pesquisa em Aquacultura (CEPAQ), no  Chókwè, província de Gaza, isto para o grupo de aquacultura. O grupo de pesca teve a sua formação prática na Ilha de Inhaca.

Este grupo que regressa às suas origens, teve a oportunidade de interagir com a Secretária Permanente do Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas, Maria Ascensão Pinto.

A dirigente, dirigindo-se ao grupo, disse que a expectativa do sector é que os jovens aprendam, e aprendam bem, e no regresso às suas comunidades ponham em prática os conhecimentos adquiridos e superem o que já viram no domínio da pesca e aquacultura.

“Vocês poderão ensinar os outros e, assim, vamos catapultar as actividades da pesca e aquacultura em Cabo Delgado, em particular, e em Moçambique, no geral”, referiu.

Por seu turno, os jovens agradeceram a oportunidade que lhes foi dada de fazer parte do grupo dos formandos, e acreditam que esta iniciativa irá contribuir, sobremaneira, no desenvolvimento de Cabo Delgado, província que tanto precisa.

“Agradecemos por nos receberem e desenvolverem a nossa província”, disse Muanaquera Dade, uma das formandas.

Este posicionamento foi secundado pelo seu colega Tico-Tico José, o qual enalteceu a iniciativa, afirmando que é uma forma de melhorar a vida de Cabo Delgado. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 12 de abril de 2023

França - Caranguejos azuis estão a devastar a pesca na lagoa de Canet-en-Roussillon

Nos últimos três anos, a lagoa de Canet-en-Roussillon, no sul da França, foi invadida por um caranguejo azul, vindo da costa leste dos EUA, que devora quase tudo no seu caminho.


Os cientistas estão a tentar descobrir a causa da invasão, mas por enquanto a única maneira de manter os números sob controle é a pesca. Como o caranguejo tem um gosto tão bom, os donos dos restaurantes locais estão a pensar em colocá-lo no cardápio.

Dois pescadores em Canet-en-Roussillon, Yves Rougé e Jean-Claude Pons, abrigam-se na parte de trás da sua carrinha enquanto esperam para entregar os seus registos de pesca ao responsável local. Lá fora, o vento noroeste ruge sobre a quase deserta vila de pescadores.

Desde o início da invasão em 2020, os dois amigos anotaram meticulosamente o número de caranguejos azuis que capturaram. "Começámos a vê-los em 2017, já faz cinco ou seis anos que eles estão por aqui", explica Jean-Claude Pons. “Costumávamos ver um ou dois, depois dez e depois eram quilos todos os dias”.

Pons é pescador de enguias há mais de 35 anos. Hoje, ele está totalmente dominado pela proliferação deste crustáceo. Enguias, peixes, algas ... o caranguejo azul devora tudo no seu caminho.

Quando se instala nalgum lugar, ameaça a biodiversidade local, principalmente porque este caranguejo nadador move-se rapidamente e pode percorrer 15 quilómetros por dia.

Como resultado, o negócio de pesca de enguias de Yves Rougé e Jean-Claude Pons está parado há dois anos.

“Todos os dias pescávamos de seis a oito cestas de caranguejos”, diz Yves Rougé. “Em agosto de 2022, pescávamos 600 quilos por dia!” Os caranguejos destruíram a maior parte das suas redes de enguias, então eles tiveram que desenvolver novas especialmente para serem resistentes a caranguejos.

Por que os caranguejos azuis só estão naquela lagoa?

Agora abrigados numa cabana, os pescadores entregam os seus registos ao responsável do local, Roland Mivière. Jean-Claude Pons diz a ele que ainda não pegaram nenhum caranguejo este ano. O crustáceo, que vai para o subsolo quando a temperatura cai, ainda não emergiu.

Mas no ano passado, foi muito mais ativo. “Acho que é do nível de sal que eles não gostam”, diz o pescador. O inverno seco baixou o nível da lagoa, o que aumenta o teor de sal da água.


Os pescadores têm várias teorias: "Tenho a certeza de que não houve desova este ano", diz Yves Rougé. “Devíamos ter visto alguns agora.” O seu companheiro de equipa acrescenta: "Tem uma expectativa de vida de dois anos, os grandes podem ter morrido e não houve renascimento... ou ainda não."

Até agora, Canet é a lagoa mais afetada, segundo Roland Mivière. “O seu único predador é o polvo, que gosta de pedras. Como as lagoas são lamacentas e arenosas, não há ninguém por perto para comer o caranguejo.” As outras lagoas da costa mediterrânea francesa foram até agora poupadas pelo crustáceo que se espalha agressivamente.

Mas Christophe Guinot, um criador de ostras na lagoa vizinha de Leucate, não consegue deixar de ficar "extremamente preocupado".

Ao cumprimentar os seus clientes na sua barraca de ostras à beira de Leucate, o canal estreito que liga a lagoa ao mar, ele alerta sobre os perigos da espécie: "Eles são “serial killers”, não matam necessariamente para comer. E atacam tudo! Tudo o que nada, rasteja, se enterra, até algas..."

O impacto na sua produção de ostras é, no momento, "não muito perceptível". O caranguejo não está muito presente na lagoa de Leucate, embora as duas lagoas estejam separadas por apenas quinze quilómetros. “Por que não tem nada aqui?”, pergunta o criador de ostras. “É um mistério.”

Como os cientistas estão a tentar ajudar a resolver o mistério do caranguejo azul

"Estamos realmente perdidos, estamos a viver um dia de cada vez", suspira Jean-Claude Pons. Os pescadores de Canet não tiveram rendimento desde a invasão. Eles dizem que "aguardaram" o lançamento de um estudo científico em dezembro de 2022 para estudar o 'Callinectes Sapidus', este famoso caranguejo azul.

Cerca de € 400 000 de financiamento foram libertados nos últimos dois anos, dos quais € 166 000 são dedicados ao pagamento a pescadores para fornecer caranguejos aos cientistas. O estudo visa o comportamento e a biologia da espécie, com o objetivo de entender melhor por que este caranguejo só é encontrado na lagoa de Canet-en-Roussillon.

“Espécies invasoras estão presentes em muitos lugares, mas em Canet as condições são perfeitas para que eles permaneçam e proliferem”, afirma Yves Desdevises, diretor do observatório oceanológico de Banyuls-sur-Mer, responsável pelo estudo da biologia da espécie. “Há uma ligação com os níveis de salinidade da água, vivem muito bem no mar, mas só se desenvolvem realmente em zonas de salinidade baixa.”

Este é o factor comum em todos os lugares onde é um problema: o delta do Ebro na Espanha, as lagoas Palu e Biguglia na Córsega e a lagoa Canet-en-Roussillon na Occitânia. Todos têm baixos níveis de sal nas suas águas. Mas o cientista alerta que as causas do desenvolvimento do caranguejo são sempre "multifatoriais".

Quer se trate de uma alteração das condições ambientais, da falta de predadores ou da ausência de um parasita que o regule no seu habitat original na costa leste americana, Yves Desdevises ainda não sabe dizer porque é que está a proliferar no Mediterrâneo. E por que prefere certas áreas em detrimento de outras. O estudo deve fornecer "elementos interessantes" dentro de um ano.

Enquanto aguarda os primeiros resultados, o estado estuda a possibilidade de colocar polvos na saída da lagoa para ajudar a regularizar a espécie. Yves Desdevises admite que, no momento, a única solução é pescá-lo: "Poderia valer a pena desenvolver um setor comercial para pescá-lo pesadamente. Mas os locais já o devem estar a comer."

Os caranguejos azuis poderiam se tornar um alimento básico da dieta local?

Para além da sua agressividade e voracidade, este caranguejo é particularmente saboroso.

"Fiz uma sopa de caranguejo, foi extraordinária", entusiasma-se Jean Plouzennec, Master Chef francês e chefe de cozinha do restaurante Les Arbousiers em Céret, perto da fronteira espanhola.

No coração do interior do Vallespirien, Plouzennec caminha pela sua cozinha, silenciosa nesta época do ano. “Tem gosto de uma mistura de siri com santola, fica uma delícia à la plancha, é bem macio, e dá pra rechear também.”

Ele lamenta que a região não tenha uma cultura de "prato de marisco". Mexilhões e ostras são as estrelas desta costa. “Temos que apoiar os pescadores, encontrar maneiras de tornar este caranguejo mais atraente”, insiste o chef.

Os pescadores de Canet dizem que tentaram de tudo para despertar o interesse, mas muitas vezes o preço a que vendiam o caranguejo era demasiado baixo: “No auge, vendíamos por 2€ o quilo, o que é ridiculamente baixo”. Yves Rougé concorda com o chef e o cientista: “Esta não é uma região de caranguejos, apenas os asiáticos costumavam a comprá-lo com frequência.” E não por muito mais dinheiro, apenas a 3€ o quilo.

“Felizmente, há um estudo científico, caso contrário não teríamos continuado”, suspira Jean-Claude Pons, apontando para as novas redes desenvolvidas para resistir às garras do caranguejo azul.

“100% das pessoas que compraram siri azul comigo ficaram satisfeitas, e escrever o siri azul no cardápio é um grande toque”, diz Christophe Guinot, que acredita que o caranguejo pode tornar-se um lugar-comum na dieta local. “Precisamos promover, não fazemos o suficiente, há uma inércia no campo de trabalho”, suspira.

"Por que não lançar um grande festival de caranguejo azul?" pergunta, imaginando um evento na vila de pescadores de Canet com planchas, panelas, grelhas e braseiros.

Isso soa como uma boa solução para controlar os números e, ao mesmo tempo, ajudar a indústria pesqueira local a sobreviver. Gaël Camba – França in “Euronews.green”




sexta-feira, 24 de junho de 2022

Guiné-Bissau - Guineenses fazem um bom uso do mar, mas petróleo pode ser problema

A bióloga guineense Aissa Regalla de Barros alertou para os riscos da exploração petrolífera para o ecossistema marinho, salientando que o mar ainda é bem utilizado pelos cidadãos

A bióloga guineense, investigadora sénior ligada à conservação de espécies no Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP) da Guiné-Bissau, afirmou que tirando alguma situação de pesca artesanal excessiva, através do uso de “algum material nocivo” para as espécies, o país faz um bom uso do mar.

“Não posso dizer que não haja bom uso. Ainda não temos um uso que seja muito excessivo do mar. Temos uma situação de sobrepesca sim, porque temos uma forte componente de pesca artesanal com uso de materiais ou de engenhos que são nocivos para a pesca”, sublinhou Aissa de Barros.

A bióloga guineense é da opinião de que “até hoje o uso do mar tem sido, de certa forma, sustentável”, uma situação que disse poder mudar com a exploração do petróleo de que se fala no país. A investigadora defende ser urgente que o país faça uma marcação clara de zonas de interesses no mar ou à sua volta para que se saiba onde é permitida a atividade ecoturística, onde é possível pescar e em que lugar será a futura exploração do petróleo.

“Temos de nos sentar na mesa e decidir como é que vamos fazer o uso desse ecossistema marinho. Saber onde é que se pode praticar a pesca que não seja muito nociva, qual é a zona da prática do ecoturismo ou do turismo balnear, qual a zona das ações da conservação, porque toda a zona não pode ser conservada e ver como diminuir os impactos negativos dessas diferentes atividades”, observou Aissa de Barros.

A Guiné-Bissau irá enviar uma delegação à Conferência dos Oceanos, que se realiza entre o próximo dia 27 e 01 de julho, em Lisboa.

O evento é organizado pelas Nações Unidas em conjunto com Portugal e o Quénia. In “Milénio Stadium” - Canadá


quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Guiné-Bissau - Embaixador chinês propõe parque industrial

O embaixador chinês na Guiné-Bissau, Guo Ce, apelou na terça-feira a uma maior cooperação entre os dois países, nomeadamente na construção de um parque industrial no país africano. Segundo um comunicado da embaixada chinesa, Guo Ce defendeu ainda maior cooperação bilateral nas áreas da agricultura e comércio, durante um encontro em Bissau com o embaixador da Guiné-Bissau na China, Serifo Embaló.

O diplomata guineense elogiou a realização “com sucesso” da oitava reunião ministerial do Fórum de Cooperação China-África, que terminou a 30 de Novembro em Dacar, capital do Senegal.

Uma semana antes do evento, a 22 de Novembro, a Guiné-Bissau e a China assinaram um memorando de entendimento para a cooperação, no âmbito da iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”. Serifo Embaló, que foi nomeado embaixador residente em Pequim em junho de 2020, encontra-se atualmente na Guiné-Bissau, mas deverá regressar à China ainda este mês.

Numa entrevista à RDP-África e agência Lusa a 28 de dezembro, o diplomata disse que tinha obtido manifestações de interesse de chineses em investimentos diretos ou acordos de parcerias com empresários guineenses em domínios como a agricultura, turismo, comércio, indústria e pescas.

Três dias depois, Guo Ce sublinhou que tinha relembrado aos armadores chineses a necessidade de respeitar “de forma rigorosa” durante o período de repouso biológico e marinho.

O Governo guineense interditou toda a atividade de pesca durante janeiro, pela primeira vez em 48 anos, disse à Lusa em dezembro o secretário-geral do Ministério das Pescas da Guiné-Bissau, Maurício Sanca.

A promessa de Guo Ce surgiu durante a doação de equipamento informático ao Ministério das Pescas de Guiné-Bissau.

Segundo um comunicado da embaixada chinesa, Maurício Sanca disse que o equipamento vai ajudar a fiscalização o respeito pelo período de repouso biológico e marinho.

Os recursos pesqueiros em África estão a ser explorados de forma “oportunista” por frotas europeias, chinesas e de outros países, que aproveitam em seu benefício a má gestão das águas africanas, disse à Lusa Ibrahima Cissé, director da campanha dos oceanos da Greenpeace África, em 2019.

Segundo estimativas de um estudo do projeto Sea Around Us, publicado em 2015, a China (2,3 milhões de toneladas/ano) reportou apenas 8 por cento, respetivamente das suas capturas totais (incluindo rejeições) nos países da África Ocidental entre 2000 e 2010. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

 


quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Alemanha - Investigadores criam novo objeto para evitar a captura acidental de espécies na pesca


Durante a pesca, muitas vezes são capturados acidentalmente golfinhos, botos, baleias ou tartarugas marinhas, que ficam agarrados às redes e acabam por morrer. No sentido de impedir e travar esta ameaça recorrente, uma equipa do Instituto Thünen para a Pesca no Mar Báltico, na Alemanha, decidiu criar uma solução.

No âmbito do projeto STELLA, a estudante de doutoramento Isabella Kratzer procuro criar um objeto que funcionasse na arte de pesca de esmalhar, com uma com densidade semelhante à da água do mar – o que não faz peso – e uma refletividade idêntica à das bolhas de ar, que pudesse alertar os botos para a presença das redes. A investigadora criou uma conta em vidro acrílico idêntica a uma missanga, com oito milímetros, que é adicionada em várias partes da rede de pesca. Através da ecolocalização, o animal ao aproximar-se e emitir uma onda sonora vai perceber que está ali um objeto e desviar-se.

Os primeiros testes à solução decorreram no oceano Báltico, junto à ilha de Fyn, e depois no Mar Negro. No primeiro local os testes tiveram um resultado positivo, com os animais a afastarem-se. Já na segunda localização, com a rede equipada foram capturados dois botos. No entanto, o biólogo Daniel Stepputtis, que integra o grupo de investigadores, sugere que a razão pode estar no facto de estarem a dormir.

O principal objetivo é que esta ferramenta impeça a morte destes animais, mas que cumpra na mesma o trabalho dos pescadores, não sendo visível para os peixes. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

sábado, 9 de outubro de 2021

Moçambique - 160 pescadores vão beneficiar de barcos oferecidos pela Nacala Logistics

A Nacala Logistics ofereceu, esta semana, quatro embarcações motorizadas e as respectivas redes a pescadores do distrito de Nacala-à-Velha, Província de Nampula. Os novos barcos vão beneficiar mais de 160 pescadores que, através destes meios, poderão pescar em alto mar aumentando, assim, a quantidade e a qualidade do pescado.

Como parte da estratégia de reforço do conteúdo local, as embarcações foram construídas por uma empresa moçambicana que empregou 12 carpinteiros de Nacala-à-Velha, durante os seis meses de construção.

A cerimónia de entrega dos barcos, que decorreu na Praia de Massingirine, Nacala-à-Velha, foi presidida pelo Governador da Província de Nampula, Manuel Rodrigues, com a presença de representantes do sector das pescas e populares.

Na ocasião, o Governador de Nampula recomendou ao Comité Comunitário de Pesca local, responsável pela gestão, que garanta a manutenção das embarcações com vista a uma maior durabilidade dos novos meios.

Por seu turno, o Administrador da Nacala Logistics, Marcos Presoti, realçou o facto desta iniciativa aumentar o rendimento dos pescadores. "Com este projecto, estaremos a garantir maior oferta de produtos marinhos ao mercado, além de proporcionar ganhos financeiros aos pescadores que exercem actividade pesqueira na Baía de Nacala. Queremos igualmente estimular a prática da pesca segura e sustentável".

Desde o início das suas operações, a Nacala Logistics tem estado a investir em recursos e tecnologias para o desenvolvimento da pesca sustentável e a preservação dos ecossistemas pesqueiros, em Nacala-à-Velha. Projectos como o desenvolvimento de recifes artificiais e a restauração dos mangais contribuem para o repovoamento das espécies pesqueiras e protecção da vida marinha.

Como consequência destas iniciativas, em Abril deste ano, a Nacala Logistics viu o seu trabalho reconhecido, resultado de um estudo da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) sobre os Recursos Marinhos e Costeiros de Moçambique, que considera a Baía de Nacala um local de referência pelo potencial do seu ecossistema. In “Olá Moçambique” - Moçambique

 

sábado, 26 de junho de 2021

São Tomé e Príncipe - Vai beneficiar de fundo da União Europeia para projectos de pesca e aquacultura


São Tomé – São Tomé e Príncipe e mais 11 países de África, Caraíbas e Pacífico irão beneficiar de fundo da União Europeia (UE), de 40 milhões de Euros, para projectos de reforço do consumo de peixe e aquacultura, apurou a STP-Press.

A notícia foi tornada pública, na cidade de São Tomé, pelo Representante da FAO no País, o moçambicano, Hélder Moteia, numa cerimónia onde se lançou o projecto que visa potenciar o pescado e aquacultura em África, Caraíbas e Pacífico.

No quadro deste projecto “Fish For ACP”, chegou-se a conclusão que o consumo de peixe aumentou substancialmente em São Tomé e Príncipe, compreendendo cerca de 45 kg de peixe “per capita”.

Segundo este diplomata, trata-se de maior índice de consumo de peixe na sub-região costeira de África Central.

Além disso, informou ainda este responsável, a pesca artesanal emprega no País mais de três mil pescadores, 3500 palaiês e 35 comunidades costeira dependem dessa cadeia de valores.

Segundo sustentou, Hélder Moteia, a indústria pesqueira contribui com cerca de 9% para o PIB do País.

Mais disse este diplomata, igualmente acreditado em Libreville (Gabão) e Malabo (Guiné-Equatorial), “o relativo isolamento do País ao continente é um grande obstáculo ao crescimento impulsionado do sector privado da pesca”. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”


 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Internacional - Projeto sobre cetáceos na costa ibérica

Portugal, Espanha e França iniciaram, no início de Março de 2021, um projeto para desenvolver uma estratégia coordenada de avaliação, monitorização e mitigação de impactos da pesca em cetáceos, na sub-região do Golfo da Biscaia e da Costa Ibérica.

Ao longo de dois anos este projeto aprofundará o conhecimento científico sobre a distribuição, habitat, abundância, características demográficas, taxas de mortalidade e impacto da pesca em cetáceos no Golfo da Biscaia e Costa Ibérica e avaliará a eficácia de medidas de mitigação, no sentido de alcançar o bom estado ambiental (BEA) no âmbito da Diretiva Quadro Estratégia Marinha (DQEM).

Entre as espécies prioritárias do projeto encontram-se o golfinho-comum (Delphinus delphis), o boto (Phocoena phocoena), o roaz (Tursiops truncatus), a orca (Orcinus orca), a baleia-comum (Balaenoptera physalus), a baleia-anã (Balaenoptera acutorostrata) e o zífio (Ziphius cavirostris).

Esta iniciativa, coordenada pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC - Espanha), tem como objetivo reforçar a colaboração e a investigação científica entre os três países para avaliar o estado das populações de cetáceos e reduzir as suas capturas acidentais. Entre as ações a ser desenvolvidas até 2023, serão identificadas e propostas medidas técnicas tendo em vista a redução destas capturas.

O projeto CetAMBICion envolve 15 parceiros de administrações públicas e de organismos públicos de investigação e de conservação, em colaboração com o setor pesqueiro e Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA).

Portugal participa no projeto através do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), da Direção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), e da Universidade do Algarve (UAlg).

Dada a sua missão o IPMA irá participar em diversas tarefas. Pelo seu papel no âmbito da DQEM o IPMA irá participar especialmente na definição de indicadores e estratégias para avaliação de cetáceos. E pelo seu papel no quadro para a recolha de dados, o IPMA irá participar também especialmente na determinação de impactos da pesca sobre cetáceos, sobretudo com base em dados de capturas acidentais recolhidos por observadores científicos a bordo de embarcações de pesca (Programa Nacional de Amostragem Biológica-PNAB).

Além dos parceiros portugueses, a Espanha participa no projeto através da entidade coordenadora (CSIC), da Fundação AZTI (AZTI), Fundação Biodiversidade (FB), Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO), da Secretaria Geral da Pesca (SGP) e da Secretaria do Estado do Meio Ambiente (SEMA). A França é representada pelos parceiros do Ministério da Transição Ecológica (MTE), da Universidade de La Rochelle (LRUniv) e do Gabinete Francês da Biodiversidade (OFP).

O projeto enquadra-se na convocatória DG ENV/MSFD 2020 (DQEM) da Comissão Europeia, e desenvolve-se em consonância com os requisitos da Diretiva Habitats e da Política Comum das Pescas.

As atividades previstas serão desenvolvidas em estreita colaboração com o sector pesqueiro. In “Instituto Português do Mar e da Atmosfera” - Portugal

 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Namíbia - Intervenção nos equipamentos de pesca reduziu 98,4% da captura acidental de aves marinhas


A regulamentação das artes de pesca pode ter uma grande influência no ambiente e na vida das espécies. Todos os anos morrem milhares de animais marinhos em capturas acidentais, por ficarem presos nas redes. Cerca de 41% das aves marinhas sofrem com esta ameaça, sendo os albatrozes uma das principais espécies afetadas.

Um novo estudo da BirdLife International Marine Program, publicado no Biological Conservation Journal, revela a eficácia de implementar uma boa regulação neste setor. Em 2015 o Ministério das Pescas e Recursos Marinhos da Namíbia alterou o regulamento e o equipamento de pesca, obrigando a incluir linhas tóri nas modalidades de arrasto e de palangre.

A equipa esteve a bordo de algumas embarcações no Oceano Atlântico Sul e acabou por confirmar o sucesso da operação. Anteriormente, estimava-se uma média de 20 a 30 mil mortes por ano de aves marinhas.

Em 2009 morreram cerca de 22 mil aves por captura acidental nas frotas de pesca palangre, no entanto, em 2018, verificaram-se apenas 215 mortes, uma redução de 98,4% de mortalidade. Quanto à pesca de arrasto, reduziu-se de 7.030 mortes em 2009 para 1.452 mortes em 2017. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Timor-Leste – Secretaria de Estado das Pescas planeia aquisição de barcos para pescadores

Díli- O Secretário de Estado das Pescas (SEP), Ilídio de Araújo, comprometeu-se em adquirir novos barcos mais funcionais para os pescadores, através de verbas provenientes do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2021.

“Não podem continuar a utilizar os barcos tradicionais. O Orçamento Geral do Estado de 2021 contempla, assim, a aquisição de novas embarcações”, afirmou aos pescadores, na segunda-feira (17/08), em Hera.

Segundo o SEP, a aquisição de um barco mais moderno e funcional visa minimizar as condições precárias do beiro tradicional, medida que permitirá aos pescadores competirem no que toca a atividades piscatórias.

O governante sugeriu, contudo, aos pescadores que apresentassem diretamente uma proposta à SEP.

“Se não fizerem a proposta, os técnicos não terão conhecimento da vontade em adquirir novas embarcações. A proposta é feita em nome do grupo. Não pode ser feita por um só indivíduo”, disse.

Ilídio de Araújo revelou ainda que o Executivo planeia igualmente a construção de um mercado específico destinado aos pescadores, medida que impediria a venda do peixe em locais inapropriados, como os passeios.

A SEP pretende também, como refere o governante, levar a cabo a realização de uma formação junto dos pescadores para os capacitar de mais ferramentas sobre a atividade piscatória.

Para Ilídio, o desenvolvimento do país não se faz apenas com os recursos petrolíferos e minerais, mas também por meio do investimento no setor das pescas, entre outros, para que o Estado possa arrecadar receitas.

“Precisamos de melhorar a agropecuária. Caso gritante é o de Hera que está há muito abandonada”, concluiu. In “Timor Post” – Timor-Leste

domingo, 10 de novembro de 2019

Cabo Verde - Empresário norueguês investe na remodelação da unidade de transformação do pescado em Porto Novo

Porto Novo – As obras de remodelação da unidade de transformação do pescado no Porto Novo já arrancaram, projecto que está a cargo do empresário Geir Eriksen (Noruega), que promete investir 70 mil contos na reforma e equipamento desta infra-estrutura.

A unidade de transformação do pescado instalada, em 2015, pela edilidade portonovense, no âmbito da cooperação japonesa, nunca chegou a funcionar, devido, precisamente, a problemas com os equipamentos.

No quadro de um protocolo assinado, em 2018, com a câmara do Porto Novo, este investidor no sector das pescas prevê, ainda este ano, operacionalizar essa unidade, que passará a processar o pescado para o mercado nacional.

Este empresário promete alargar os investimentos neste município, prevendo, nos próximos dois anos, investir no Porto Novo cerca de um milhão de contos no sector das pescas, mais precisamente na transformação do pescado para exportação na construção de um cais de pesca, para dar suporte ao empreendimento.

Este projecto faz parte de um pacote de investimentos privados “já engajados” pela autarquia portonovense, nos diferentes domínios, com destaque para a pesca e turismo, segundo o edil, Aníbal Fonseca.

A nível do turismo, o investidor Marcel Van der Schild (Holanda) tem tudo acertado com os responsáveis municipais para erguer, nas imediações da praia balnear de Curraletes, um resort de médio porte. In “Inforpress” – Cabo Verde

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Portugal – Marinha contribui para a preservação e exploração sustentada dos recursos de pesca existentes no mar do Canadá




O navio patrulha oceânico Viana do Castelo irá largar no próximo domingo, 1 de Setembro, da Base Naval de Lisboa rumo à Terra Nova, no Canadá, onde irá colaborar com a Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), na missão de inspecção da actividade da pesca nos Grandes Bancos do mar da Terra Nova.

Esta missão, que surge no âmbito das funções da Marinha, nas áreas da vigilância, patrulha dos espaços marítimos e protecção de recursos naturais, decorre até ao dia 30 de Setembro. Estarão embarcados no navio da Marinha quatro inspectores, sendo um inspector de pesca da DGRM, dois inspectores de pesca da Estónia e um coordenador da Agência Europeia de Controlo de Pescas (EFCA).

Vistorias das embarcações de pesca

As acções de vistorias das embarcações de pesca estendem-se por uma vasta área marítima, denominada por área NAFO (North Atlantic Fishing Organization), situada a Leste da Terra Nova-Canadá, onde o navio português irá navegar cerca de 650 horas, percorrendo aproximadamente 7.000 milhas, cerca de 13.000 km, explica um comunicado da Marinha.

No decorrer da missão prevê-se a realização de uma paragem logística no porto de St. John’s, Terra Nova. Um porto intrinsecamente ligado à história marítima das campanhas portuguesas da pesca do bacalhau, que ali também fizeram escala durante décadas.

Exploração sustentada dos recursos de pesca

Esta missão representa o contributo de Portugal para a preservação e exploração sustentada dos recursos de pesca existentes na área convencionada, salvaguardando o ecossistema marinho numa região do globo onde, para além de navios de pesca portugueses, pescam com frequência inúmeros navios de diferentes nacionalidades.

O NRP Viana do Castelo conta, para esta missão, com uma guarnição de 49 militares, complementada com a referida equipa de inspectores. João Borges – Portugal in “Agricultura e Mar Actual”