Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Espécie invasora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espécie invasora. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 25 de março de 2024

Portugal - Investigação da Universidade de Coimbra conclui que invasão por acácias afeta as comunidades aquáticas nos ribeiros

Uma investigação liderada pela Universidade de Coimbra (UC) concluiu que a invasão das florestas ribeirinhas por acácias afeta as comunidades aquáticas nos ribeiros. Os detalhes deste estudo podem ser consultados na revista Freshwater Biology.


Como indica o mais recente relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços do Ecossistema, a invasão por espécies exóticas é uma grave ameaça à biodiversidade e ao funcionamento dos ecossistemas. A mimosa (Acacia dealbata), árvore exótica originária da Austrália, é uma das principais espécies invasoras na Região Centro de Portugal, especialmente na bacia do rio Mondego, onde ocupa já áreas significativas.

De acordo com Verónica Ferreira, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), «este estudo mostra que as invasões biológicas num ecossistema terrestre podem ter efeitos em ecossistemas adjacentes, como os ribeiros, pelo que é importante considerar a interdependência entre ecossistemas na avaliação dos efeitos destas invasões».

Esta investigação concluiu ainda que «a diversidade de microrganismos decompositores e de macroinvertebrados são mais baixas em ribeiros que atravessam acaciais, comparativamente a ribeiros associados a floresta de espécies nativas, muito em resultado da menor diversidade dos detritos vegetais que entram nos ribeiros em acacial e que são dominados por detritos de mimosa. Por outro lado, os ribeiros em floresta de espécies nativas recebem uma grande diversidade de detritos vegetais, resultado da maior diversidade de plantas», constata a coordenadora do estudo.

«Estas alterações na diversidade dos organismos aquáticos nos ribeiros em floresta invadida são preocupantes, uma vez que comunidades menos diversas estão menos preparadas para lidar com alterações ambientais que possam ocorrer, como as associadas a mudanças climáticas, e podem ser menos eficazes a desempenhar funções no ecossistema, como a reciclagem dos nutrientes», alerta.

Dada a difícil gestão de espécies invasoras na floresta ribeirinha, devido há existência de grandes áreas, ao difícil acesso, à necessidade de controlo continuado e às sementes transportadas de zonas invadidas a montante, Verónica Ferreira acredita que «a melhor opção é proteger as zonas ribeirinhas nas zonas altas das bacias hidrográficas, que estão geralmente em melhor estado de conservação, o que pode implicar a limitação do acesso humano e a monitorização contínua para eliminar presença de indivíduos de mimosa isolados».

Para avaliar os efeitos da invasão da floresta ribeirinha por mimosa na diversidade e abundância de microrganismos decompositores e de macroinvertebrados, e ainda na decomposição de detritos vegetais, os investigadores da UC realizaram amostragens e medições mensais, ao longo de um ano, em seis ribeiros na Serra da Lousã, uma área grandemente invadida por mimosa, três ribeiros em floresta de espécies nativas e três ribeiros em floresta invadida por mimosa.

Este estudo foi realizado no âmbito do projeto “EXSTREAM - Effects of EXotic tree species on STREAM communities and processes: the case of invasion of native forests by Acacia spp.”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e coordenado por Verónica Ferreira, contando também com a colaboração do professor e investigador Albano Figueiredo do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Faculdade de Letras da UC (FLUC). Universidade de Coimbra - Portugal

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Portugal - Há vespas asiáticas e europeias - mas não à solta - na Reitoria da Universidade do Porto

As "Invasões biológicas" são o tema proposto pelo "Breviário" do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto para o mês de novembro


Durante o mês de novembro, o Breviário, ciclo mensal de exposições promovido pelo Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP), volta a abrir uma janela para as suas reservas. Desta vez, no átrio de entrada do edifício da Reitoria (Praça de Gomes Teixeira, aos Leões), vamos poder observar espécimes de uma coleção moderna: vespas (europeias e asiáticas).

Perante o tema “invasões biológicas”, ou seja, as espécies exóticas que se tornam invasoras, José Manuel Grosso-Silva, curador de Entomologia do MHNC-UP, escolheu a vespa asiática, também conhecida por vespa de patas amarelas.

Embora tivesse chegado à Europa anteriormente, esta espécie chegou a Portugal em 2010/2011, “causando alguns problemas” em termos de saúde pública, mas, principalmente, à apicultura (criação de abelhas com ferrão), “nomeadamente às colmeias”. A questão, afirma José Manuel Grosso-Silva, é que esta vespa asiática alimenta as larvas com as abelhas que consegue capturar. “As vespas adultas precisam de energia (do néctar ou pólen) e caçam as abelhas para obterem a proteína com que vão alimentar as suas larvas”, explica o curador.

Em exposição na Reitoria vão estar agora “dois exemplares de vespa asiática (que é a mais escura das duas) e dois exemplares da vespa europeia que é mais colorida, embora tenha as patas escuras, em contraste com a asiática”. Também há diferenças gerais de comportamento, acrescenta José Manuel Grosso-Silva. “A vespa asiática faz os ninhos (os vespeiros) mais frequentemente em árvores (no meio da copa de uma árvore) do que em cavidades”.

Já a vespa europeia dá outra estrutura aos ninhos que constrói, basicamente, em cavidades. Ainda em termos comportamentais há outras diferenças, sendo aqui que reside o facto de ser um problema de saúde pública. A vespa europeia “é mais pacífica na proximidade do seu vespeiro”, em comparação com a asiática que é bem mais nervosa e protetora da colónia. “Se sentir alguma ameaça tem uma resposta de defesa que corresponde a um ataque em grupo àquilo que interpreta como uma ameaça à colónia”. Pode ser interpretado como ameaça alguém que passe muito perto ou que produza alguma espécie de vibração na proximidade do vespeiro.



Os exemplares em exposição foram colhidos por José Manuel Grosso-Silva, na região do grande Porto, com o objetivo de criar uma coleção de referência, com diferentes espécies de insetos. Trata-se de uma coleção moderna, do MHNC-UP, acrescenta o curador, “em constante crescimento”, e que tem por objetivo auxiliar a identificação de espécies por parte dos estudantes que desconheçam estes grupos e, assim, para além da bibliografia, têm um apoio em exemplares já identificados previamente.

Da etnografia aos instrumentos científicos, passando pela arqueologia, paleontologia e zoologia, o Breviario expõe, a cada mês, na “casa mãe” da Universidade, uma nova seleção de objetos das coleções do MHNC-UP, convidando os visitantes a conhecer o seu acervo. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 12 de abril de 2023

França - Caranguejos azuis estão a devastar a pesca na lagoa de Canet-en-Roussillon

Nos últimos três anos, a lagoa de Canet-en-Roussillon, no sul da França, foi invadida por um caranguejo azul, vindo da costa leste dos EUA, que devora quase tudo no seu caminho.


Os cientistas estão a tentar descobrir a causa da invasão, mas por enquanto a única maneira de manter os números sob controle é a pesca. Como o caranguejo tem um gosto tão bom, os donos dos restaurantes locais estão a pensar em colocá-lo no cardápio.

Dois pescadores em Canet-en-Roussillon, Yves Rougé e Jean-Claude Pons, abrigam-se na parte de trás da sua carrinha enquanto esperam para entregar os seus registos de pesca ao responsável local. Lá fora, o vento noroeste ruge sobre a quase deserta vila de pescadores.

Desde o início da invasão em 2020, os dois amigos anotaram meticulosamente o número de caranguejos azuis que capturaram. "Começámos a vê-los em 2017, já faz cinco ou seis anos que eles estão por aqui", explica Jean-Claude Pons. “Costumávamos ver um ou dois, depois dez e depois eram quilos todos os dias”.

Pons é pescador de enguias há mais de 35 anos. Hoje, ele está totalmente dominado pela proliferação deste crustáceo. Enguias, peixes, algas ... o caranguejo azul devora tudo no seu caminho.

Quando se instala nalgum lugar, ameaça a biodiversidade local, principalmente porque este caranguejo nadador move-se rapidamente e pode percorrer 15 quilómetros por dia.

Como resultado, o negócio de pesca de enguias de Yves Rougé e Jean-Claude Pons está parado há dois anos.

“Todos os dias pescávamos de seis a oito cestas de caranguejos”, diz Yves Rougé. “Em agosto de 2022, pescávamos 600 quilos por dia!” Os caranguejos destruíram a maior parte das suas redes de enguias, então eles tiveram que desenvolver novas especialmente para serem resistentes a caranguejos.

Por que os caranguejos azuis só estão naquela lagoa?

Agora abrigados numa cabana, os pescadores entregam os seus registos ao responsável do local, Roland Mivière. Jean-Claude Pons diz a ele que ainda não pegaram nenhum caranguejo este ano. O crustáceo, que vai para o subsolo quando a temperatura cai, ainda não emergiu.

Mas no ano passado, foi muito mais ativo. “Acho que é do nível de sal que eles não gostam”, diz o pescador. O inverno seco baixou o nível da lagoa, o que aumenta o teor de sal da água.


Os pescadores têm várias teorias: "Tenho a certeza de que não houve desova este ano", diz Yves Rougé. “Devíamos ter visto alguns agora.” O seu companheiro de equipa acrescenta: "Tem uma expectativa de vida de dois anos, os grandes podem ter morrido e não houve renascimento... ou ainda não."

Até agora, Canet é a lagoa mais afetada, segundo Roland Mivière. “O seu único predador é o polvo, que gosta de pedras. Como as lagoas são lamacentas e arenosas, não há ninguém por perto para comer o caranguejo.” As outras lagoas da costa mediterrânea francesa foram até agora poupadas pelo crustáceo que se espalha agressivamente.

Mas Christophe Guinot, um criador de ostras na lagoa vizinha de Leucate, não consegue deixar de ficar "extremamente preocupado".

Ao cumprimentar os seus clientes na sua barraca de ostras à beira de Leucate, o canal estreito que liga a lagoa ao mar, ele alerta sobre os perigos da espécie: "Eles são “serial killers”, não matam necessariamente para comer. E atacam tudo! Tudo o que nada, rasteja, se enterra, até algas..."

O impacto na sua produção de ostras é, no momento, "não muito perceptível". O caranguejo não está muito presente na lagoa de Leucate, embora as duas lagoas estejam separadas por apenas quinze quilómetros. “Por que não tem nada aqui?”, pergunta o criador de ostras. “É um mistério.”

Como os cientistas estão a tentar ajudar a resolver o mistério do caranguejo azul

"Estamos realmente perdidos, estamos a viver um dia de cada vez", suspira Jean-Claude Pons. Os pescadores de Canet não tiveram rendimento desde a invasão. Eles dizem que "aguardaram" o lançamento de um estudo científico em dezembro de 2022 para estudar o 'Callinectes Sapidus', este famoso caranguejo azul.

Cerca de € 400 000 de financiamento foram libertados nos últimos dois anos, dos quais € 166 000 são dedicados ao pagamento a pescadores para fornecer caranguejos aos cientistas. O estudo visa o comportamento e a biologia da espécie, com o objetivo de entender melhor por que este caranguejo só é encontrado na lagoa de Canet-en-Roussillon.

“Espécies invasoras estão presentes em muitos lugares, mas em Canet as condições são perfeitas para que eles permaneçam e proliferem”, afirma Yves Desdevises, diretor do observatório oceanológico de Banyuls-sur-Mer, responsável pelo estudo da biologia da espécie. “Há uma ligação com os níveis de salinidade da água, vivem muito bem no mar, mas só se desenvolvem realmente em zonas de salinidade baixa.”

Este é o factor comum em todos os lugares onde é um problema: o delta do Ebro na Espanha, as lagoas Palu e Biguglia na Córsega e a lagoa Canet-en-Roussillon na Occitânia. Todos têm baixos níveis de sal nas suas águas. Mas o cientista alerta que as causas do desenvolvimento do caranguejo são sempre "multifatoriais".

Quer se trate de uma alteração das condições ambientais, da falta de predadores ou da ausência de um parasita que o regule no seu habitat original na costa leste americana, Yves Desdevises ainda não sabe dizer porque é que está a proliferar no Mediterrâneo. E por que prefere certas áreas em detrimento de outras. O estudo deve fornecer "elementos interessantes" dentro de um ano.

Enquanto aguarda os primeiros resultados, o estado estuda a possibilidade de colocar polvos na saída da lagoa para ajudar a regularizar a espécie. Yves Desdevises admite que, no momento, a única solução é pescá-lo: "Poderia valer a pena desenvolver um setor comercial para pescá-lo pesadamente. Mas os locais já o devem estar a comer."

Os caranguejos azuis poderiam se tornar um alimento básico da dieta local?

Para além da sua agressividade e voracidade, este caranguejo é particularmente saboroso.

"Fiz uma sopa de caranguejo, foi extraordinária", entusiasma-se Jean Plouzennec, Master Chef francês e chefe de cozinha do restaurante Les Arbousiers em Céret, perto da fronteira espanhola.

No coração do interior do Vallespirien, Plouzennec caminha pela sua cozinha, silenciosa nesta época do ano. “Tem gosto de uma mistura de siri com santola, fica uma delícia à la plancha, é bem macio, e dá pra rechear também.”

Ele lamenta que a região não tenha uma cultura de "prato de marisco". Mexilhões e ostras são as estrelas desta costa. “Temos que apoiar os pescadores, encontrar maneiras de tornar este caranguejo mais atraente”, insiste o chef.

Os pescadores de Canet dizem que tentaram de tudo para despertar o interesse, mas muitas vezes o preço a que vendiam o caranguejo era demasiado baixo: “No auge, vendíamos por 2€ o quilo, o que é ridiculamente baixo”. Yves Rougé concorda com o chef e o cientista: “Esta não é uma região de caranguejos, apenas os asiáticos costumavam a comprá-lo com frequência.” E não por muito mais dinheiro, apenas a 3€ o quilo.

“Felizmente, há um estudo científico, caso contrário não teríamos continuado”, suspira Jean-Claude Pons, apontando para as novas redes desenvolvidas para resistir às garras do caranguejo azul.

“100% das pessoas que compraram siri azul comigo ficaram satisfeitas, e escrever o siri azul no cardápio é um grande toque”, diz Christophe Guinot, que acredita que o caranguejo pode tornar-se um lugar-comum na dieta local. “Precisamos promover, não fazemos o suficiente, há uma inércia no campo de trabalho”, suspira.

"Por que não lançar um grande festival de caranguejo azul?" pergunta, imaginando um evento na vila de pescadores de Canet com planchas, panelas, grelhas e braseiros.

Isso soa como uma boa solução para controlar os números e, ao mesmo tempo, ajudar a indústria pesqueira local a sobreviver. Gaël Camba – França in “Euronews.green”




quarta-feira, 28 de abril de 2021

Portugal - Inseto da Austrália reduz significativamente o potencial invasor da acácia-de-espigas

Um pequeno inseto australiano libertado em Portugal para o controlo natural da acácia-de-espigas está a reduzir de forma significativa a capacidade de propagação desta espécie, uma das piores invasoras no litoral português. A conclusão é de um estudo que acaba de ser publicado Journal of Environmental Management.


Em 2015, Portugal foi o primeiro país da Europa continental a efetuar a libertação intencional de um agente para controlar biologicamente uma planta invasora, depois de mais de uma década de estudos efetuados por uma equipa do Centro de Ecologia Funcional (CFE), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e da Escola Superior Agrária (ESAC), do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC).

Os investigadores do CFE e da ESAC efetuaram a libertação deste agente de controlo biológico – uma pequena vespa australiana formadora de galhas (Trichilogaster acaciaelongifoliae), muito específica – para controlar a acácia-de-espigas (Acacia longifolia), desde 2015, em 61 locais ao longo da costa portuguesa. Esta introdução foi depois acompanhada pela equipa, nos anos seguintes, para estudar o estabelecimento, dispersão e efeitos ao longo dos primeiros anos pós-libertação do inseto.

Os resultados dessa monitorização, agora publicados, mostram que, embora o estabelecimento inicial «tenha sido limitado pelo facto de o agente ter sido introduzido a partir do hemisfério sul, as taxas de estabelecimento aumentaram muito após a sincronização de seu ciclo de vida com as estações do hemisfério norte e fenologia da acácia-de-espigas. Atualmente observa-se um crescimento exponencial das populações, que se afastam cada vez mais dos locais de libertação. Observou-se que passados poucos anos os ramos de acácia-de-espigas com galhas de Trichilogaster acaciaelongifoliae diminuíram a produção de vagens (menos 84%), sementes (menos 95%) e ramos secundários (menos 33%)», sublinham Hélia Marchante e Elizabete Marchante, coordenadoras do estudo.


A acácia-de-espigas, esclarecem, é uma das plantas invasoras «com maior dispersão ao longo do litoral português, onde forma extensas áreas monoespecíficas; produz milhares de sementes anualmente, que se acumulam no solo por várias décadas, e promovem a rápida reinvasão de áreas intervencionadas. A vespa australiana introduzida promove a formação de galhas nas gemas florais e vegetativas da acácia-de-espigas, reduzindo o seu potencial invasor».

Francisco López-Núnez, investigador do CFE e primeiro autor do estudo, observa que «apesar de a introdução e estabelecimento deste agente de controlo biológico ainda ser recente e ter distribuição limitada ao longo do território, os resultados agora publicados confirmam o estabelecimento com sucesso do agente em Portugal e mostram que este está a afetar de forma negativa a capacidade da acácia-de-espigas se reproduzir e crescer».

As espécies invasoras «são uma das principais causas de perda de biodiversidade a nível global, promovendo também prejuízos elevados a nível económico e de saúde humana. A gestão destas espécies é um desafio complexo e muito dispendioso. O controlo biológico de plantas invasoras é uma ferramenta chave para a gestão mais sustentável destas espécies, mas ainda é muito pouco utilizado na Europa», concluem Hélia Marchante e Elizabete Marchante. Universidade de Coimbra - Portugal