Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Casino. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casino. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Macau - Pode ter papel “importante” quando Timor-Leste legislar o jogo

Timor-Leste está a debater a possibilidade de introduzir uma lei que permita a abertura de casinos. Se isso for uma realidade, a experiência de Macau “pode ser importante” para o processo que se seguirá, dada a sua “grande experiência” no sector, disse ao Jornal Tribuna de Macau o embaixador timorense em Pequim. Loro-Horta referiu, por outro lado, que Timor tem de aproveitar a totalidade das vagas para bolsas de estudo concedidas pela RAEM para que alunos venham estudar nas universidades do território. “Isso não está a ser aproveitado, por desconhecimento”, revela. Sobre o investimento de empresários locais no país, o diplomata confirma que “há alguns”, sobretudo no sector do café, mas também na construção de hotéis e no consequente desenvolvimento do turismo


Em Timor-Leste existe jogo, em pequena escala, mas a maior parte é ilegal, pelo que o pequeno país asiático tem acelerado o debate para a introdução de uma lei sobre o jogo. Segundo referiu ao Jornal Tribuna de Macau o embaixador timorense em Pequim, numa breve passagem por Macau, caso sejam permitidos os casinos no seu país, Macau pode desempenhar um “importante papel” no desenvolvimento do sector, no processo seguinte à aprovação da lei.

“Dada a sua grande experiência na gestão da indústria do sector do jogo, não tenho dúvida de que Macau será o parceiro ideal para a concretização do processo de abertura dos casinos em Timor-Leste”, salientou Loro-Horta, sem especificar em que moldes esse apoio seria concretizado.

Para o diplomata, “devido aos laços históricos que Macau tem com Timor, e mesmo a proximidade geográfica, não fará muito sentido levar companhias europeias ou americanas, tomando em consideração que Macau é, há vários anos, a maior cidade do jogo, tendo ultrapassado Las Vegas, fazendo muito dinheiro com o jogo”.

Acrescenta que em Timor já existe uma “enorme cultura de jogo, permitindo-se certas casas de jogo, principalmente com ‘slot-machines’”. Assim sendo, diz-se a favor da legalização e apresenta a sua razão: “É muito simples, se as pessoas continuam a jogar, então mais vale legalizar e convidar-se companhias sérias que têm décadas de experiência neste sector, como Macau”. “O Estado beneficiaria de impostos pagos pelas operadoras, a que se junta tudo aquilo que os casinos podem trazer, ou seja, turismo, hotéis, restaurantes, todo um ecossistema que é criado”.

O timorense, de 47 anos, nascido em Moçambique, que exerce o cargo de embaixador na capital chinesa há cerca de dois anos e meio frisa que a questão de abertura de casinos “está a ser discutida há muito tempo, até porque há cada vez mais sectores da sociedade interessados em que isso se concretize”.

No entanto, admite que há algum receio, por causa dos problemas sociais. “Sim, é verdade, há esse risco, mas julgo que o importante é haver controlo, regras rigorosas, como existe em Macau, não permitindo que, por exemplo, os funcionários públicos entrem nos casinos, ou pelo menos exigir que, para jogar, provem o seu rendimento mensal”.

Na relação com Macau, Loro-Horta destaca a questão dos estudantes timorenses que pretendem estudar no território. Segundo sabe, há 10 vagas de bolsas de estudo que podem ser aproveitadas, “mas apenas cinco estão a ser utilizadas, por desconhecimento, uma vez que não há muita informação e os alunos não sabem como candidatar-se”, observa, desejando que “essas oportunidades de virem para Macau sejam em breve uma realidade para os estudantes de Timor-Leste, para que depois possam regressar e ajudar o país a desenvolver-se”.

Ainda na vertente da juventude, o representante de Timor-Leste em Pequim lamenta o alto grau de desemprego. “Esse é um dos grandes problemas que enfrentamos, já que 70% da nossa população tem menos de 35 anos de idade e os números do desemprego são de facto elevadíssimos”, constata, falando numa estimativa de entre 70% a 80% de falta de emprego em Díli e Baucau.

O Estado ainda é o maior empregador, dispondo de cerca de 50.000 funcionários públicos, para uma população de perto de um milhão e 400 mil pessoas. “É muito”, diz. “O máximo que devíamos ter era 20.000”, destaca, referindo que o problema é “não haver sector privado e por isso os governos vão dando trabalho no Estado para tentar aguentar a pressão social”.

A falta de trabalho, principalmente para os jovens, tem sido “um pouco aliviada” com os trabalhadores emigrantes. “Têm ido para a Austrália, trabalhadores agrícolas fundamentalmente, mas também em fábricas, outros para a Coreia do Sul, sobretudo para o sector da pesca, para os parques de pesca, e também para o Reino Unido, mas aqui o Brexit fez regressar muitos timorenses, que recebem incentivos para voltar à terra natal”, salienta.

Empresários chineses fazem investimentos

No que concerne às riquezas naturais, que podem ajudar a crescer o país económica e socialmente, mencionou o petróleo, o gás natural e os minerais, principalmente, mas também o café, que tem gerado o interesse de muitos empresários, incluindo os de Macau, em importar o produto. “Há, nesse sector, algumas empresas de Macau que se têm dirigido a Timor, mas existe outro tipo de investimento da RAEM, que é na construção de hotéis, o que julgo crescerá bastante com a possibilidade de abertura dos casinos”, reforça.

Admitindo que a grande prioridade do Governo liderado por Xanana Gusmão é diversificar a economia, Loro-Horta reconhece a “grande dependência” do petróleo e do gás natural.

“Existem três áreas em que nós estamos a ver possibilidades de investir para poder diversificar a economia, que são o turismo, o sector agrícola e também as pescas”, afirma, apontando para os investimentos que os empresários chineses podem fazer, sendo que “a China é actualmente o segundo parceiro económico de Timor-Leste, logo a seguir à Indonésia”.

Nesse sentido, muito do seu trabalho como embaixador tem sido direccionado para o contacto com companhias do sul da China, principalmente de Guangdong, mas também de Fujian, Guangxi e Wuhan. “Há de outras partes da China, mas fundamentalmente a maior parte das empresas chinesas e as comunidades chinesas residentes em Timor são pessoas do sul da China, da região da Grande Baía e zonas próximas, que já é uma tradição que vem desde o século XIX”, lembra.

Na área de pescas e da aquacultura existem, de acordo com o diplomata, companhias interessadas em instalar-se em Timor-Leste. Por isso, “queríamos ver a possibilidade de aprofundar mais essa cooperação para ver se conseguimos investimentos chinês no nosso sector de pescas e não só na economia azul de maneira geral”, indica.

Dá exemplos de investimento chinês em viveiros de camarão, na zona de Manatuto, havendo outros interessados no mesmo sector na zona de Viqueque. O governo já deu o terreno, tendo-se iniciado a construção de infra-estruturas, como tanques.

Quanto ao turismo, Loro-Horta, filho do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, aborda a questão “fundamental” de haver no futuro mais voos regulares de acesso directo a Díli. “Para que o turismo se desenvolva, concretamente o turismo da China, é preciso mais voos directos para a capital”, reconhece.

Existem três vezes por semana, operados pela Aero Díli, entre Xiamen e Díli, e agora começou um voo também para outra cidade chinesa. “Tudo isso é um factor de desenvolvimento”, menciona, sublinhando que visita do Chefe de Estado timorense a Pequim, em 2024, onde se encontrou com o Presidente Xi Jinping, assim como a entrada de Timor-Leste na Associação de Nações do Sudeste Asiático, fez elevar o nível do país nas “Parcerias Estratégicas Abrangentes” da República Popular da China.

Loro-Horta conclui com o ponto da situação político-social de Timor-Leste. “O país está bastante estável, sobretudo se compararmos com alguns países da nossa região”, refere, afirmando que “a última vez que tivemos um caso sério de violência política foi em 2008, quando houve o atentado contra o Presidente Ramos-Horta”.

No ano passado registaram-se algumas manifestações de estudantes, protestos parecidos com o que se passou no Nepal, na Indonésia e nas Filipinas, com os jovens a criticarem o Parlamento por pretender comprar carros novos. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Tailândia - Melco Resorts & Entertainment espreita oportunidades no país

Embora ainda aguarde esclarecimentos sobre os regulamentos dos futuros resorts com casinos na Tailândia, a Melco Resorts & Entertainment já abriu um escritório em Banguecoque para explorar oportunidades de investimento na “Terra dos Sorrisos”. Para Lawrence Ho, eventuais projectos em cidades como Banguecoque ou Phuket têm “grande potencial”



A Melco Resorts & Entertainment abriu um escritório de representação em Banguecoque, com o objectivo de explorar oportunidades de investimento na Tailândia, país que deverá abrir as portas à operação de casinos em resorts integrados, prevendo-se que o Parlamento aprove a respectiva legislação no corrente ano. A instalação de um escritório na capital tailandesa insere-se no quadro desse processo, embora a Melco ainda esteja à espera de clarificações sobre as regras e os regulamentos dos futuros complexos de entretenimento para determinar a dimensão de um eventual investimento no país do Sudeste Asiático, explicou o presidente e director executivo do grupo, Lawrence Ho, num evento promovido em Banguecoque para anunciar uma parceria com a “Thailand Creative Content Agency” (THACCA), organismo que abarca os sectores criativos e culturais e que foi criado pelo Governo tailandês com o intuito de converter o país numa referência mundial na área do “soft power”.

De acordo com o jornal “Bangkok Post”, Lawrence Ho reconheceu que cidades como Banguecoque e Phuket têm “grande potencial” para o desenvolvimento de resorts integrados.

Depois de ter abandonado a “corrida” ao jogo no Japão em 2021, deixando cair os planos para investir em Yokohama, o grupo Melco opera actualmente resorts com casinos em Macau, nas Filipinas e Chipre, e está a desenvolver um novo empreendimento em Colombo, capital do Sri Lanka, com abertura prevista para meados deste ano. Além disso, possui escritórios de representação em Hong Kong, Singapura, Filipinas, Chipre e agora na Tailândia.

Para já, a parceria entre a Melco e a THACCA está centrada no programa “Global Soft Power Talks”, uma série de eventos destinada “a elevar a identidade da Tailândia através de contribuições culturais, criativas e inovadoras no entretenimento, design, arquitectura e muito mais”, segundo explicaram as duas partes num comunicado conjunto. Agendada para o próximo dia 24 de Fevereiro, a primeira sessão deverá contar com intervenções da Primeira-Ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, e líderes globais nos sectores da gastronomia, “branding”, design, arquitectura e artes performativas, entre outros.

Promover os activos culturais da Tailândia

“A nossa parceria com a Melco capacita-nos para amplificar a identidade e os activos culturais da Tailândia, garantindo que as nossas indústrias criativas são reconhecidas e celebradas em todo o mundo. Através de iniciativas como as ‘Global Soft Power Talks’, pretendemos inspirar inovação, colaboração e oportunidades que irão fortalecer a presença da Tailândia no panorama mundial”, sublinhou Surapong Suebwonglee, presidente da THACCA.

Na mesma linha, Lawrence Ho sustentou que a “rica herança cultural e o potencial criativo” tornam a Tailândia num “líder natural em ‘soft power’”. “O nosso papel é trazer expertise global, promover a troca de conhecimento e capacitar os talentos tailandeses para que atinjam o seu potencial máximo no panorama internacional”, acrescentou, garantindo ainda que o “sucesso” da Melco reside na “capacidade de combinar luxo, cultura e criatividade para criar experiências transformadoras”.

Ao abrigo desta parceria, cinco cidadãos tailandeses “excepcionais” também terão a oportunidade de participar num programa de formação de três meses com especialistas mundiais em centros criativos globais, incluindo nos EUA, Reino Unido, Itália, França e Macau.

“‘Global Soft Power Talks’ é mais do que apenas um evento. É um movimento para redefinir a forma como a Tailândia se envolve com o mundo”, acentuou Surapong Suebwonglee.

Wynn Resorts vai comprar casino em Londres

A Wynn Resorts, accionista maioritária da Wynn Macau, estabeleceu um acordo para adquirir o casino “Crown London” ao grupo australiano Crown Resorts, por um montante não especificado. O negócio, que ainda carece das aprovações regulatórias, deverá ser oficializado no segundo semestre deste ano. “Esta aquisição de um activo icónico oferece-nos uma presença numa cidade de entrada global e criará um canal para os hóspedes do Wynn visitarem os nossos resorts, particularmente o Wynn Al Marjan Island, com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2027 em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos”, disse o presidente executivo da Wynn Resorts, Craig Billings, citado no comunicado. Já a Crown Resorts frisou que a transacção apoia o seu foco no crescimento dos principais activos do grupo na Austrália, nomeadamente em Melbourne, Sydney e Perth. Anteriormente conhecido como “Aspinall’s”, o “Crown London” foi adquirido pela Crown Resorts em 2011. Este casino exclusivo para membros abrange dois imóveis históricos no luxuoso bairro de Mayfair, em Londres, disponibilizando 20 mesas de jogo, um restaurante e um lounge para entretenimento. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Cabo Verde - Receita bruta gerada pelo único casino do país aumentou 122% em 2021

A receita bruta do jogo gerado pelo único casino cabo-verdiano aumentou mais de 122% em 2021, face ao ano anterior, fortemente marcado pela pandemia de covid-19, ultrapassando um milhão de euros, segundo dados do Ministério do Turismo

De acordo com dados do Ministério do Turismo, a Inspecção Geral de Jogos (IGJ) tinha registado em 2020 uma receita bruta do jogo em casino – o único no país funciona na ilha do Sal – equivalente a 477.758 euros. Tratou-se de uma quebra de 67% face ao recorde de 1.468.198 euros em 2019, explicada com os oito meses de paralisação da atividade em 2020, devido às restrições nacionais e internacionais para conter a pandemia de covid-19.

Em 2021, com a retoma do turismo, a IGJ viu a receita bruta aumentar 122,6%, face ao ano anterior, para 1.063.39 euros, correspondente por seu turno a um volume de jogo superior a 6,2 milhões de euros. Da receita bruta, 10% corresponde ao pagamento dos concessionários do imposto especial sobre o jogo.

Cabo Verde atribuiu até 2021 duas concessões, para a zona jogo do Sal e outra para a zona de jogo de Santiago, no âmbito da lei de jogos, que define cinco zonas permanentes do jogo, em Santiago, São Vicente, Sal, Boavista e Maio. Contudo, o único casino em funcionamento em Cabo Verde localiza-se em Santa Maria, ilha do Sal, a mais turística do arquipélago.

O ministro do Turismo, Carlos Santos, afirmou em 2020 à Lusa que o Governo definiu na estratégia até 2030 a necessidade de um “desenvolvimento sustentável do turismo” em Cabo Verde, mantendo “produtos âncora”, como o sol e praia, reforçando a aposta nos cruzeiros e no turismo de natureza, mas também no jogo. “O jogo é um sector em que queremos continuar a apostar, respeitando todas a regras e boas práticas internacionais, porque atrai um tipo de cliente que tem um poder de compra muito razoável”, assumiu o governante.

O mais emblemático projecto nesta área é o hotel-casino que o grupo Macau Legend está a construir na Praia, num projecto de 250 milhões de euros, mas com sucessivos adiamentos na conclusão e poucos avanços visíveis na obra nos últimos anos.

Carlos Santos garantiu na altura que tal como o empreendimento que o grupo do empresário David Chow está a implantar entre o ilhéu de Santa Maria e a marginal da Praia, os grandes investimentos no setor turístico em Cabo Verde não foram colocados em causa pelos promotores, apesar das consequências da covid-19. “Creio que não. E nem temos tido sinais nesse sentido. Aliás, digo que a esmagadora maioria dos investidores que estão a fazer investimentos em Cabo Verde, antes da pandemia, imediatamente com a realização dos voos de repatriamento solicitaram ao Governo cabo-verdiano autorização para fazerem chegar os seus técnicos a Cabo Verde para dar continuidade aos projetos”, afirmou.

Em 2015, David Chow assinou com o Governo cabo-verdiano um acordo para a construção do hotel-casino, tendo sido lançada a primeira pedra do projeto em fevereiro de 2016. Trata-se de um dos maiores empreendimentos turístico de Cabo Verde, com um investimento global previsto de 250 milhões de euros – cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano – para a construção de uma estância turística no ilhéu de Santa Maria, que cobrirá uma área de 152.700 metros quadrados.

A obra envolve a construção de um hotel com ‘boutique casino’, de 250 quartos, uma grande piscina e várias instalações para restaurantes, bares e estabelecimentos comerciais, além de uma marina.

Contudo, uma minuta de adenda ao acordo entre a empresa e o Governo cabo-verdiano, de Abril de 2019, refere que, “considerando que, face à evolução da envolvente nacional do empreendimento nos últimos dois anos, o promotor sugeriu, e o Governo entendeu aceitar, uma proposta de realização do projeto de investimento por fases”. Assim, nesta primeira fase do projecto, que deveria então estar concluída dentro de 22 meses, serão investidos 90 milhões de euros.

David Chow recebeu uma licença de 25 anos do Governo de Cabo Verde, 15 dos quais em regime de exclusividade na ilha de Santiago. Esta concessão de jogo custou à CV Entertaiment Co., subsidiária da Macau Legend, o equivalente a cerca de 1,2 milhões de euros. A promotora recebeu também uma licença especial para explorar, em exclusividade, jogo ‘online’ em todo o país e o mercado de apostas desportivas durante dez anos. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Macau – Trabalhadores lusos de casinos admitem regressar a casa

Os portugueses que estão a trabalhar em casinos de Macau, forçados a encerrar devido ao surto do novo coronavírus, afirmaram que vão regressar a Portugal.

Com taxas de ocupação nos hotéis a descerem dramaticamente e com as salas de jogo fechadas por determinação do Governo de Macau, os ‘resorts’ integrados incentivaram os trabalhadores de vários departamentos a anteciparem as férias.

Vários portugueses contactados pela agência Lusa, que pediram para não ser identificados por não estarem autorizados a falar, explicaram que os casinos ofereceram um sistema de bónus (dias adicionais) aos trabalhadores que marcassem férias para estas próximas semanas. No início da semana circularam informações de que os operadores estavam a enviar funcionários para casa sem vencimento, o que motivou uma reacção do Governo de Macau, que expressou a sua oposição e lembrou a obrigatoriedade de as empresas cumprirem a legislação laboral.

A falta de trabalho efectivo e os preços das viagens para Portugal, mais baratas do que é habitual, muito por causa da diminuição de procura de voos devido ao surto do novo coronavírus, convenceu os portugueses a optarem por um regresso temporário a Portugal.

Recorde-se que as receitas dos casinos em Macau já tinham descido 11,3 em Janeiro, em relação a igual período de 2019, um resultado explicado pelas autoridades pelo surto do novo coronavírus, que reduziu o fluxo de jogadores na capital mundial do jogo. Para ilustrar a dimensão da perda turística em Macau, o número de visitantes na região durante a chamada “semana dourada” do Ano Novo Lunar, de 24 a 31 de janeiro, desceu quase 80 por cento, em relação a igual período de 2019.

Entretanto, o número de mortos na China continental devido ao novo coronavírus aumentou hoje para 908, mais 97 do que no domingo, informaram as autoridades.

Segundo os números divulgados pela Comissão Nacional de Saúde da China, são agora 40 171 as pessoas infectadas no país. Um aumento de 97 mortes indica um recrudescimento de casos do novo vírus, 2019-nCoV, depois de ter havido uma quebra no dia anterior.

A mesma fonte precisou que até à meia noite local contavam-se 6484 casos graves e que 3281 tiveram alta, depois de se curarem da doença, que começou no final de 2019 na cidade de Wuhan, na província central de Hubei.

Até agora a Comissão, disse, fez o seguimento médico a 399 487 pessoas que tiveram contacto próximo com os infectados, dos quais 187 518 continuam em observação.

Na última contagem, anunciada na manhã de domingo, o número de mortes na China continental era de 811, a que se somavam mais duas mortes fora da China continental, um nas Filipinas e outro em Hong Kong.

Esse balanço já ultrapassa o da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que entre 2002 e 2003 causou a morte a 774 pessoas em todo o mundo, a maioria das quais na China, mas a taxa de mortalidade permanece inferior.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países. In “Hoje Macau” - Macau com “Lusa”