Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta FAO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FAO. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - Calor extremo ameaça agricultura e segurança alimentar

O aumento do calor extremo está a redefinir a agricultura no Brasil, com impactos crescentes na produção e na segurança alimentar, segundo um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)


No documento, elaborado em conjunto com a Organização Meteorológica Mundial, afirma-se que "o calor extremo está a tornar-se uma das ameaças mais graves para a agricultura a nível global", afetando culturas, pecuária, pescas e florestas de forma simultânea.

No caso brasileiro, o relatório inclui um estudo específico sobre a onda de calor de 2024 e 2025, destacando efeitos combinados de temperaturas elevadas e seca sobre vastas áreas agrícolas.

Segundo o relatório, estes fenómenos estão ligados às alterações climáticas - ampliadas por um forte El Niño - e tendem a tornar-se mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

A FAO sublinha que o calor extremo "atua como um multiplicador de risco", agravando impactos já existentes sobre a produção alimentar, com quebras de colheitas e redução da produção nacional, inclusive na pecuária, o que pressiona a inflação de alimentos.

Em relação à soja, alimento que o Brasil mais exporta, a FAO observou que a produção foi duramente atingida, pois as temperaturas "excederam o limite crítico de 30°C" em mais de 60% dos dias durante a sua estação de crescimento.

Devido ao "stresse térmico implacável", a estimativa oficial para a colheita brasileira de soja foi reduzida em quase 10%, resultando em milhões de toneladas de alimentos perdidos.

O calor extremo também favoreceu a proliferação de pragas, como a "mosca-branca e fungos", que atacaram plantações de batata, feijão e cana-de-açúcar em várias áreas produtoras no estado de São Paulo.

A pecuária também foi amplamente afetada, com efeitos registados em praticamente todo o território brasileiro.

A pecuária leiteira também sofreu um "impacto significativo na saúde e produtividade" das vacas, especialmente no Sudeste brasileiro, segundo o documento.

Vacas sob forte stresse por calor, acrescenta-se no relatório, produzem menos leite e podem gerar descendentes com "desempenho reduzido", o que representa uma perda económica irreversível para o produtor rural.

Segundo a mesma fonte, em 2024 registou-se o "maior número de focos de incêndio e de área queimada" desde 2010, sendo que os picos mais evidentes foram no Centro-Oeste do Brasil atingindo os biomas da Amazónia, Pantanal e Cerrado.

"Os incêndios florestais devastaram uma área equivalente ao tamanho de Itália e causaram grave poluição atmosférica por micropartículas", sublinhou.

Sem a alteração climática induzida pela atividade humana, destaca-se no estudo, fenómenos devastadores como os incêndios no Pantanal em 2024 teriam sido "10.000 por cento menos frequentes" no território brasileiro.

Sobre a Amazónia, a FAO alerta que a combinação de calor extremo, seca e degradação ambiental pode reduzir a resiliência da floresta, aumentar o risco de incêndios e afetar o papel da floresta na regulação do clima global.

No relatório estima-se que cerca de 7% da floresta seja destruída para cada grau de aumento na temperatura global acima do limite de 1,5 °C.

Se o crescimento da floresta tornar-se negativo, aponta-se no estudo, a região corre o risco crítico de transitar para uma fonte líquida de emissões, acelerando o aquecimento global.

No relatório, chama-se a atenção para o mecanismo de retroalimentação, gerado pela perda de cobertura florestal e pela exposição do solo, o que provoca aquecimento da região.

Segundo a FAO, "em áreas da Amazónia, este ciclo de retroalimentação com solos expostos pode aumentar os efeitos locais do aquecimento em mais de 300%", agravando o impacto climático. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


quinta-feira, 22 de maio de 2025

Brasil - Cultivo de erva-mate é eleito Património Agrícola Mundial

Espécie consumida como chimarrão, tereré ou mate alia manejo florestal sustentável e continuidade cultural; plantio em florestas de araucária, no Paraná, ajuda a proteger a biodiversidade ameaçada. A comercialização do produto oferece emprego rural digno e conecta produtores por meio de cooperativas



O cultivo de erva-mate no sul do Brasil entrou para a lista do Património de Sistemas Agrícolas de Importância Global, Giahs. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO.

A agência também incluiu na lista outros cinco sítios, localizados na China, no México e na Espanha. Com as novas adições, a rede mundial de património agrícola agora conta com 95 sistemas em 28 países.

Manejo sustentável e continuidade cultural

No caso do Brasil, o título foi concedido para o cultivo de erva-mate em sistemas agroflorestais sombreados nas florestas de araucária no Estado do Paraná.

As folhas da espécie nativa são tradicionalmente consumidas como chimarrão, tereré ou mate, inclusive noutros países como Argentina, Uruguai e Paraguai.

O sistema tradicional de plantio remonta a práticas ancestrais de povos indígenas e comunidades tradicionais do sul do Brasil, que existem há mais de cinco séculos. Para a FAO, as técnicas usadas representam um modelo globalmente significativo de manejo florestal sustentável e continuidade cultural.

A agência destaca que o cultivo fortalece a biodiversidade, a soberania alimentar e a identidade cultural. Além disso, ajuda a conservar a floresta de araucária, um dos berços de biodiversidade mais ameaçados do planeta.

Numa região fortemente impactada pelo desmatamento, onde resta apenas 1% da floresta original, este sistema oferece um raro exemplo de práticas agrícolas que preservam a cobertura florestal e, ao mesmo tempo, apoiam os meios de subsistência e o património cultural.

Emprego rural digno

Mais de 100 espécies de plantas coexistem com a erva-mate. Muitos produtores conservam intencionalmente árvores frutíferas nativas, plantas medicinais e espécies forrageiras, apoiando tanto as funções ecológicas quanto o uso humano.

Esses agroecossistemas também preservam parentes selvagens de espécies cultivadas e diversidade genética dentro das populações de erva-mate, oferecendo potencial adaptativo diante das alterações climáticas e pragas emergentes.

Nesse sentido, a produção de erva-mate contribui com compromissos globais ligados à restauração de ecossistemas e resiliência climática.

A comercialização do produto, principalmente por meio de cooperativas e mercados solidários, oferece emprego rural digno e conecta produtores a cadeias de valor regionais e nacionais.

Coletores de flores “sempre-vivas” em Minas-Gerais

Este foi o segundo património brasileiro incluído na lista da FAO, ao lado do sistema agrícola tradicional na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais.

O local é considerado a savana mais biodiversa do planeta, com um papel muito importante na regulação das chuvas da região.

Os agricultores locais desenvolveram um complexo sistema agrícola denominado "coletores de flores sempre-vivas", com base no seu profundo conhecimento dos ciclos naturais, ecossistemas e manejo da flora nativa, alcançando uma grande harmonia com o meio ambiente.

Os outros itens que passaram a integrar a lista do património da FAO são o cultivo de mexilhões perolados, chá branco e peras na China, um sistema que preserva mais de 140 espécies nativas no México e um conjunto de práticas agrícolas nas areias vulcânicas da ilha de Lanzarote, na Espanha. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Brasil - A luta quilombola pela preservação de práticas agrícolas tradicionais

A Comunidade do Cerrado mineiro preserva tradições reconhecidas pela ONU como único Património Agrícola Mundial do país. A coleta de flores sempre-vivas ajuda ao combate à pobreza, mas a cultura do eucalipto ameaça tradição



Andreia Ferreira dos Santos é apanhadora de flores. Criada pela avó no Quilombo Raiz, ela cresceu colhendo as “sempre-vivas”, que são mais de 300 espécies de plantas do Cerrado em Minas Gerais. Elas servem para compor buquês ornamentais de longa duração. 

Após colhidas e secas, estas flores são fundamentais para as comunidades tradicionais da região. Por isso, foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, como o primeiro Sistema Importante do Património Agrícola Mundial brasileiro.

Principal fonte de rendimento da comunidade

Andreia é parte da quinta geração do quilombo, que foi fundado pela sua trisavó. Ela conta que a sua identidade está incrustada na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais. Ali, ela e outros 100 quilombolas cultivam a “roça de toco” (sistema de cultivo com rodízio de culturas) e criam animais nos quintais. 

A principal fonte de rendimento da comunidade, contudo, advém da coleta das flores. De acordo com ela, em cada safra, que varia conforme a espécie, uma pessoa consegue apanhar até uma tonelada de flores, vendidas entre R$ 25 e R$ 70 reais, o quilo.

Mas a realidade mudou a partir dos anos 2000, com o processo de modernização agrícola no país. O cultivo de eucalipto chegou à região, gradualmente substituindo as florestas, e as flores, pela monocultura. 

Artesanatos e capim-dourado

Os quilombolas foram perdendo acesso ao território à medida em que o espaço para a colheita era reduzido entre as novas fazendas. 

A comunidade partiu então para o desenvolvimento de artesanatos. Andreia Ferreira dos Santos conta que “o impacto cultural e económico foi muito grande. Uma forma de continuar o nosso modo de vida foi agregar valor”. 

Foi assim que, desde 2006, o trabalho manual de capim-dourado do Quilombo Raiz chegou a feiras em todo o Brasil, e até a outros países, na forma de pulseiras, brincos, luminárias e diversos objetos.

Preocupada com a juventude 

Isso não significa que a atividade tradicional foi abandonada. “A colheita de flores continua sendo importante e é passada de geração em geração, mesmo espremidos no território e sem acesso aos campos de colheita tradicionais”, ressalta a líder, que se inquieta em relação ao futuro. 

“Eu fico um pouco preocupada com a juventude. Se a gente não consegue colher de forma positiva, que mantenha os jovens dentro do território, com os seus próprios rendimentos, é uma dificuldade. O território é muito importante para que continue a cultura e os modos de vida tradicionais”, destaca. 

Com o objetivo de articular a defesa dos direitos da comunidade, a mestre em estudos rurais entrou para os movimentos sociais em 2014. Ela integrou a Comissão de Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas. “Dentro da comunidade, outros jovens e eu temos a liderança. Foi onde eu me encontrei neste processo. Somos muito ativos em procurar acesso a políticas públicas”, explica.

Primeiro Património Agrícola Mundial do Brasil

A partir dessa mobilização, em 2015, a comunidade recebeu oficialmente do governo brasileiro o título de quilombo e, em 2018, a consagração como apanhadores de flores sempre-vivas. Dois anos depois, chegou o título de Património Agrícola.

Além do valor simbólico, os reconhecimentos conquistados têm o potencial de gerar resultados concretos. Segundo ela, a articulação nacional e internacional deu visibilidade à comunidade, o que contribuiu para barrar a entrada da mineração na região, evitando a contaminação da água nos campos de colheita. 

“O reconhecimento da ONU foi bem importante e impactante. A comunidade entende que é muito mais importante ter água do que ter dinheiro. Nós já vivemos do que temos até hoje e queremos continuar assim”.

Ação das mulheres e geração de rendimento

A organização da comunidade também possibilitou que o Quilombo Raiz se tornasse um fornecedor do Programa Nacional de Alimentação Escolar e começasse o processo para integrar o Programa de Aquisição de Alimentos, duas iniciativas de compras públicas oriundas da agricultura familiar. 

Para a coletora de flores, o acesso às políticas públicas é fundamental para manter o território: “não basta pensar na cultura, a gente tem que pensar na geração de rendimento também”.

Com muitas conquistas até aqui, a comunidade segue mobilizada para garantir os seus direitos, com destaque para a ação das mulheres. E lideranças como ela são a maioria: “é uma rede de mulheres trabalhando para a comunidade se manter. São elas que estão mais presentes nos quintais e na luta. A associação é composta só por mulheres. Elas estão em todos os contextos”. 

O que são os Sipams?

O Programa de Sistemas Importantes do C, Sipam, lançado pela FAO em 2002, é uma iniciativa do Escritório de Alterações Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente. Ele reconhece e apoia sistemas agrícolas tradicionais que combinam conservação da biodiversidade, património cultural, ecossistemas resilientes e meios de subsistência sustentáveis. Com 89 sistemas em 28 países, o Sipam exemplifica o compromisso da FAO em transformar os sistemas agroalimentares, integrando o conhecimento tradicional com práticas inovadoras para enfrentar desafios globais como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a pobreza rural. ONU News – Nações Unidas


sábado, 2 de novembro de 2024

Moçambique - Relatório aponta o país como um dos 22 focos de fome no mundo

Estima-se que 773 mil moçambicanos devem enfrentar níveis agudos de insegurança alimentar de outubro de 2024 a março de 2025, as razões incluem a violência na província de Cabo Delgado e maior probabilidade de tempestades tropicais, ciclones e inundações com a chegada do fenómeno La Niña


A insegurança alimentar aguda deverá aumentar tanto em magnitude como em gravidade em 22 países e territórios, de acordo com um novo relatório das Nações Unidas, divulgado nesta quinta-feira.
O levantamento destaca os Territórios Palestinos, Sudão, Sudão do Sul, Haiti e Mali como os locais sob o nível de alerta mais elevado. O conflito é a principal causa da fome em todas estas áreas.
Impacto da violência em Moçambique
A publicação, desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA, coloca Moçambique, juntamente com Chade, Líbano, Mianmar, Nigéria, Síria e Iémen, na lista de países de alta preocupação.
O relatório afirma que em Moçambique a situação de insegurança alimentar aguda deve piorar devido ao conflito na província de Cabo Delgado e eventos climáticos extremos induzidos pelo fenómeno La Niña, que estão a agravar perdas agrícolas.
Estima-se que 773 mil pessoas devem enfrentar níveis agudos de insegurança alimentar, de outubro de 2024 a março de 2025.
Aumento de tempestades ciclones e inundações
A situação de paz e segurança em Cabo Delgado deteriorou-se no primeiro semestre de 2024, após a retirada da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique.
A escalada, caracterizada por aumento e disseminação geográfica da violência, deixou mais de 160 mil deslocados de janeiro a julho de 2024, o que representa um aumento de 140% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além disso, o evento La Niña aumenta a probabilidade de tempestades tropicais, ciclones e inundações mais frequentes de novembro a abril, o que deve impactar negativamente os meios de subsistência em todo o país.
Preocupação com seca em Angola
O levantamento da FAO e do PMA indica que apesar da falta de dados recentes, a situação de segurança alimentar em Angola é preocupante e requer monitoramento.
As províncias do sul e do leste foram afetadas por uma seca induzida pelo fenómeno El Niño. Os baixos estoques de alimentos e a falta de oportunidades de trabalho na agricultura diminuíram significativamente o poder de compra das famílias.
A inflação no país tem aumentado de forma constante, atingindo 31,1% em julho.
Soluções precoces, específicas e diplomáticas
O diretor geral da FAO, Qu Dongyu, disse que a situação nos cinco principais focos de fome é catastrófica.  Segundo ele, “as pessoas enfrentam uma situação de extrema falta de alimentos e fome sem precedentes, impulsionada pela escalada de conflitos, crises climáticas e choques económicos”.
Para a diretora executiva do PMA, Cindy McCain, “chegou a hora dos líderes mundiais intensificarem e trabalharem para alcançar as milhões de pessoas em risco de fome”. De acordo com ela, isso significa fornecer soluções diplomáticas para os conflitos e usar a influência para permitir que os profissionais humanitários trabalhem com segurança.
O relatório sublinha que é essencial tomar medidas precoces e específicas para evitar uma maior deterioração da crise e evitar mortes em massa relacionadas à fome.
A FAO e o PMA apelam aos líderes mundiais para que priorizem a resolução de conflitos, o apoio económico e as medidas de adaptação climática para proteger as populações mais vulneráveis à beira da fome. ONU News – Nações Unidas



quarta-feira, 3 de julho de 2024

Índia deverá ultrapassar a China no crescimento da procura agrícola mundial

A Índia, que se tornou o país mais populoso do mundo, deverá também substituir a China como principal motor do crescimento da procura agrícola mundial nos próximos 10 anos, segundo a OCDE e a FAO


A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) disseram ontem que o consumo mundial de produtos agrícolas deverá aumentar 1,1% na próxima década.

Os países de rendimento médio e baixo serão responsáveis por quase 94% do aumento previsto, segundo o relatório anual conjunto da OCDE e da FAO citado pela agência espanhola EFE. As razões prendem-se com o facto de ser nestes países que, com diferenças, se prevê um crescimento demográfico, mas também com uma alteração dos padrões alimentares. Estes factores justificam o facto de a Índia e o Sudeste Asiático serem os principais intervenientes e absorverem 31% do aumento da procura na próxima década.

Isoladamente, o aumento da procura na Índia até 2033 será de 20,2% na produção vegetal, para 220,1 mil milhões de dólares (186,8 mil milhões de euros, ao câmbio actual). O aumento da procura na produção animal será de 41%, para 144,7 mil milhões de dólares (137,8 mil milhões de euros), e de 16% na produção pesqueira, para 48,8 mil milhões de dólares (45,5 mil milhões de euros).

A China continuará a ser, de longe, o maior mercado agrícola, mas com aumentos muito menores em termos relativos e absolutos. Os peritos preveem que a procura de produtos vegetais na China aumente 4,1%, para 414,4 mil milhões de dólares (386,8 mil milhões de euros).

A procura de produtos animais crescerá 5,55%, para 206,5 mil milhões de dólares (192,7 mil milhões de euros), e a de produtos da pesca 13,8%, para 207,1 mil milhões de dólares (193,3 mil milhões de euros).

Embora a China tenha sido responsável por 28% do consumo adicional de produtos do setor primário na última década, esta percentagem cairá para 12% até 2033, de acordo com os autores do relatório.

A Índia tem 1,42 mil milhões de habitantes e a China 1,41 mil milhões, segundo dados do Banco Mundial. A outra grande região que registará uma expansão significativa da procura é a África Subsariana, que contribuirá com 18% do aumento previsto, principalmente devido ao crescimento da população, a uma taxa de 2,40% por ano entre 2024 e 2033.

Globalmente, a produção no setor primário crescerá 1,1% por ano durante os próximos 10 anos, com aumentos de 1% para o valor das culturas, 1,3% para a pecuária e 1,1% para a pesca.

Os autores do estudo preveem que o aumento da produção resultará essencialmente de melhorias nos rendimentos, que representarão 80% no caso da agricultura, em que a extensão das terras cultivadas desempenhará um papel marginal.

Quanto ao comércio dos produtos do setor, prevê-se um aumento de 1% por ano, equivalente ao aumento da produção, o que significa que o peso relativo das exportações se manterá estável.

Em relação aos preços, a OCDE e a FAO consideram que continuarão a descer face aos picos atingidos no período 2020-2022, devido a questões como a crise da covid, a invasão russa da Ucrânia ou más colheitas por razões climáticas.

A curto prazo, prevê-se que a descida seja mais rápida e, a médio prazo, os preços reais (descontando o efeito da inflação) dos produtos do setor primário deverão também continuar a tendência histórica para a baixa. Esta situação deverá aumentar a pressão sobre a situação económica dos agricultores e beneficiar os consumidores.

Os autores do relatório disseram que se trata de uma evolução dos mercados globais e de ser necessário avaliar outros fatores que influenciam as decisões para ver se se transmitem aos mercados nacionais. Entre esses factores estão os custos específicos de transporte em cada lugar, as taxas de câmbio das diferentes moedas, as políticas comerciais e o grau de integração dos mercados locais com o comércio internacional. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sábado, 10 de fevereiro de 2024

Angola debate ação em favor da segurança alimentar e nutricional

O governo e agências parceiras discutiram medidas para o alcance das metas globais sobre segurança alimentar e nutricional. As Nações Unidas integram parceiros de cooperação que pretendem melhorar a nutrição infantil e promover o desenvolvimento do capital humano


A situação de segurança alimentar e nutricional em Angola reuniu autoridades do país e parceiros tendo como foco o processo de transformação desde a produção ao consumo. Até esta quinta-feira, a interação em Luanda incluiu agências da ONU.

Em 2021, a colaboração entre os participantes avaliou essas questões e definiu prioridades para o fortalecimento dos sistemas alimentares nacionais. A medida deu sequência à Cimeira das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares.

Fortalecimento dos sistemas alimentares

Falando no Workshop para Revisão e Atualização da Segunda Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Ensan II, o secretário de Estado das Florestas de Angola, André de Jesus Moda, pediu que a atuação na área continue sendo conjunta.

“As partes interessadas ao processo já estavam coincidentes da necessidade de atuar a todos os níveis e com a máxima urgência, de forma coerente e sustentável, para o alcance dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos diálogos que foram realizados em quatro regiões.”

Participaram no evento entidades como Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, IFAD, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA.

Futuro mais sustentável e inclusivo

O representante da Agência das Nações Unidas para Infância, Unicef, em Angola, Antero de Pina, falou a jornalistas sobre o benefício do intercâmbio entre instituições priorizando o cuidado de crianças desde a idade pré-escolar.

“É um esforço que tem sido feito de forma integrada. Não é só o Ministério da Agricultura e Florestas, mas também os da Saúde, da Educação e da Indústria e Comércio, que estão aqui a participar. E ainda o Ministério das Pescas. É um esforço conjunto para que as políticas e as estratégias nacionais coincidam em tudo para melhorar a situação nutricional do país, e em especial das crianças, que são as mais afetadas. Uma criança afetada por mal nutrição tem mais propensão para ter mais doenças e falecer se não dermos uma atenção particular a esta situação de mal nutrição. Essa é a preocupação que o Unicef tem: evitar que as crianças sofram dos impactos de mal nutrição”.

Alavancar a economia e o desenvolvimento

Tal como em 2021, o evento desta semana reavaliou a implementação dos resultados do processo de transformação dos sistemas alimentares e contribuições para que sejam alcançadas as metas globais.

A cooperação entre Angola e as Nações Unidas enfatiza medidas para que o país enfrente os desafios relacionados aos sistemas alimentares promovendo “um futuro mais sustentável e inclusivo para todos”, tal como prevê a Agenda 2030.

Com o Ensan II e os seus mecanismos, a meta é promover o desenvolvimento do capital humano que “a longo prazo geram retorno produtivo e consequentemente contribui para o alavancar da economia e desenvolvimento”. ONU News – Nações Unidas com “ONU Angola”   


segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Portugal – Universidade do Porto em projeto pioneiro para melhorar alimentação em Angola

Equipa da Universidade esteve envolvida na criação da “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola”, a primeira do género a ser desenvolvida para aquele país


Foi apresentada, no passado dia 6 de dezembro, a versão preliminar da nova “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola”, a primeira tabela da composição de alimentos a ser desenvolvida naquele país africano e em cuja elaboração estiveram envolvidas docentes da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação (FCNAUP) e da Faculdade de Medicina (FMUP) da Universidade do Porto.

A “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola” foi desenvolvida no quadro do programa “FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola”, dinamizado pela U.Porto em colaboração com o Governo de Angola, com a gestão do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., das agências locais das Nações Unidas, FAO e PNUD, e do Hospital Val D’Hebron, e com financiamento da União Europeia.

O objetivo desta parceria é contribuir para a redução da fome, da pobreza e da vulnerabilidade à insegurança alimentar e nutricional nas províncias do sul do país mais afetadas pelas alterações climáticas – o Cunene, a Huíla e o Namibe.

No caso específico da nova “Tabela”, o objetivo passa por permitir uma melhor compreensão do valor nutricional dos alimentos e das receitas locais. Trata-se, por isso, de um instrumento essencial para a intervenção nutricional e alimentar em Angola, para o desenvolvimento de intervenções e políticas públicas na área alimentar e, em particular, para combater situações de insegurança alimentar que afetam a região.


No âmbito desta parceria internacional, desenvolveu-se ainda um Pacote Pedagógico de Educação Alimentar e Nutricional que prevê a disseminação de materiais a utilizar em ações de sensibilização junto das comunidades rurais, bem como ações de formação para os profissionais de saúde e outros técnicos que intervém juntos das comunidades locais.

Liderada pelos docentes Duarte Torres, da FCNAUP, e Carla Lopes, da FMUP, a equipa técnica da U.Porto teve um papel importante na recolha de dados sobre hábitos alimentares e gastronomia local e na elaboração dos recursos educativos.

Para esse trabalho foram decisivas as visitas realizadas, entre março e  junho de 2022, pelas nutricionistas Rita Pereira Luís e Isa Viana, às províncias de Cunene, Huíla e Namibe, no sul de Angola. Nesta missão, as profissionais tiveram a oportunidade de recolher dados sobre práticas alimentares, gastronomia local e alimentos consumidos e produzidos nas três províncias, bem como de implementar diversas atividades, nomeadamente formações para profissionais de saúde das unidades sanitárias locais.

Aos representantes da Universidade coube ainda apoiar a implementação de ações de formação, nomeadamente os Grupos Temáticos de Nutrição sobre Cestas Alimentares e Demonstrações Culinárias, e a formação em nutrição para a aplicação do Questionário de Linha de Base FRESAN/Camões, I.P., dirigida aos técnicos das organizações da sociedade civil. Universidade do Porto - Portugal




terça-feira, 9 de maio de 2023

Internacional - Preços mundiais dos alimentos subiram em abril pela primeira vez num ano

Índice de Preços de Alimentos da FAO sobe, influenciado pelas cotações internacionais mais altas de açúcar, carne e arroz. O preço do trigo, milho e laticínios caem juntamente com os óleos vegetais, com a expectativa de colheita recorde de soja no Brasil


A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura aponta que os preços internacionais de produtos alimentares subiram em abril pela primeira vez num ano, em meio a aumentos nas cotações mundiais de açúcar, carne e arroz.

Para o economista chefe da FAO, Maximo Torero, é importante acompanhar de perto a evolução dos preços e as razões dos aumentos de preços. Segundo ele, à medida que as economias recuperam de desacelerações significativas, a procura aumentará, pressionando os preços dos alimentos.

Índice de Preços de Alimentos da FAO

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha as mudanças mensais nos preços globais de produtos alimentares, teve uma média de 127,2 pontos em abril de 2023, um aumento de 0,6% em relação a março.

Nesse nível, o índice ficou 19,7% abaixo de abril de 2022, mas ainda 5,2% acima de abril de 2021.

O índice subiu 17,6% em relação a março, atingindo o seu nível mais alto desde outubro de 2011, devido à redução das expectativas de produção e resultados na Índia, China, Tailândia e União Europeia causada por condições climáticas secas.

O início lento da colheita de cana-de-açúcar no Brasil, juntamente com os preços internacionais mais altos do petróleo bruto, o que pode aumentar a procura por etanol de cana-de-açúcar, também influenciou no aumento.

Proteína animal

O Índice de Preços da Carne da FAO subiu 1,3% durante o mês, impulsionado principalmente pelas cotações mais altas da carne suína, seguidas pelos preços das aves, que aumentaram em meio à procura de importações asiáticas e às restrições de produção estimuladas por questões de saúde animal.

Os preços internacionais da carne bovina também aumentaram devido à queda na oferta de gado para abate, principalmente nos Estados Unidos.

Enquanto isso, os índices de preços de outras grandes categorias de produtos alimentares, com exceção do arroz, continuaram em tendência de queda.

Cereais

O Índice de Preços de Cereais da FAO caiu 1,7% em relação a março e ficou em média 19,8% abaixo do valor de abril de 2022.

Os preços internacionais do trigo caíram 2,3%, devido principalmente às grandes disponibilidades de exportação na Austrália e Rússia.

Já o milho caiu 3,2%, com os suprimentos na América do Sul aumentando com as colheitas em andamento.

Óleo vegetal e lácteos

O preço do óleo vegetal caiu 1,3% no mês, registando o seu quinto declínio mensal consecutivo. O óleo de palma permaneceu estável, enquanto as cotações dos óleos de soja, colza e girassol diminuíram em sintonia com a pressão da colheita sazonal de uma safra de soja potencialmente recorde no Brasil.

Os lácteos também caíram 1,7%, impactado pela persistente procura global de importação de leite em pó e maiores disponibilidades de exportação de queijo na Europa Ocidental. ONU News – Nações Unidas


domingo, 4 de dezembro de 2022

Portugal – Enquanto o líder da Confederação dos Agricultores de Portugal afirma que os preços dos produtos agrícolas vão continuar a subir, a FAO anuncia quebra nos preços a nível internacional

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou o Índice de Preços de Alimentos mantendo a tendência de baixa após recorde em março. A produção global de cereais deve ser menor em 2022


O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, caiu 0,3% em novembro.

O indicador ficou em 135,7 pontos, seguindo em queda após bater o seu nível mais alto em março, com a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Cereais e óleo vegetal

O preço dos cereais caiu 1,3% em relação ao mês anterior, mas ainda está 6,3% mais alto em comparação ao ano passado.

Trigo e milho ficaram mais baratos 2,8% e 1,7%, respectivamente, influenciados pela extensão da Iniciativa de Grãos do Mar Negro. Já os preços internacionais do arroz subiram 2,3%.

Os valores do óleo vegetal subiram 2,3% em novembro, encerrando sete meses consecutivos de queda. Os preços internacionais dos óleos de palma e soja subiram, enquanto os de colza e girassol caíram.

Lácteos e carne

Quem consumiu produtos lácteos viu uma queda de 1,2% desde outubro, com as cotações mundiais de manteiga, desnatado e leite em pó integral caindo, em meio a uma redução na procura de importação. Já a procura por queijo aumentou, em parte devido a disponibilidades de exportação menos dinâmicas dos principais países produtores do Oeste da Europa.

Segundo a FAO, a carne ficou 0,9% mais barata em novembro, com a queda dos preços internacionais da carne bovina. A queda foi puxada pelo aumento da oferta de exportação da Austrália e pela já alta oferta do Brasil, apesar da forte procura de importação da China.

Por outro lado, os preços mundiais de todos os outros tipos de carne recuperaram, liderados por cotações mais altas da carne ovina.

Açúcar

De acordo com o índice da FAO, o açúcar subiu 5,2% em novembro, influenciado pela forte compra em meio à oferta global reduzida com os atrasos na colheita nos principais países produtores e o anúncio da Índia de uma cota de exportação de açúcar mais baixa.

Os preços mais altos do etanol no Brasil também exerceram pressão de alta sobre os preços mundiais do açúcar.

Previsão de produção mundial de cereais para 2022 é reduzida

A FAO divulgou nesta sexta-feira o Relatório de Oferta e Procura de Cereais. A agência reduziu ainda mais a sua previsão para a produção mundial de cereais em 2022, que agora é de cerca de 2,7 milhões de toneladas, uma queda de 2,0% em relação a 2021.

A redução reflete as perspectivas de baixa produção de milho na Ucrânia, onde o impacto da guerra tornou as operações pós-colheita excessivamente caras.

A FAO também reduziu sua previsão de produção global de trigo para o ano, mas, apesar desse corte, o novo número de 781,2 milhões de toneladas permaneceria um recorde. Espera-se que a produção global de arroz caia 2,4% abaixo da alta histórica do ano anterior.

A entidade ainda destaca que o plantio da safra de trigo de inverno de 2023 está em andamento em meio a preocupações com a disponibilidade dos principais produtos agrícolas e condições climáticas nos Estados Unidos e na Rússia.

No Hemisfério Sul, as lavouras de grãos grossos estão sendo semeadas, e as previsões oficiais no Brasil apontam para uma área recorde de plantio de milho. ONU News – Nações Unidas

Em Portugal, Eduardo Oliveira e Sousa alerta que os preços dos produtos agrícolas junto do consumidor vão continuar a aumentar “ainda durante algum tempo, mesmo que a inflação pare”, e só por “milagre” poderiam voltar aos valores de há um ano. “É natural que continuem a subir durante algum tempo para amortizaram a diferença de velocidades entre o aumento do custo de produção e o valor da venda desse mesmo produto”, refere o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

Em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena1, o porta-voz dos empresários agrícolas diz que muitas explorações ligadas à pecuária já fecharam e que vêm aí “outro tipo de falências, associadas à conta da luz”, quando fizeram as contas no final do ano e os acertos finais ao consumo. Eduardo Oliveira e Sousa antecipa que “há explorações que no ano que vem não terão condições para iniciar a campanha, fruto do preço da energia”. E já pediu ao ministro do Ambiente para que os agricultores tenham acesso ao mercado regulado da eletricidade, como os consumidores domésticos, notando que o preço atual é “incompatível com a maior parte das culturas de regadio”.

Lembrando que, apesar da chuva que caiu nas últimas semanas, no sul do território a situação de escassez está longe de estar superada, o líder da CAP critica a ministra da Agricultura pelo facto de, ao contrário dos espanhóis, os agricultores portugueses ainda não terem recebido “um euro” sequer dos apoios relacionados com a seca. Aponta falta de “habilidade política e técnica” a Maria do Céu Antunes para resolver este problema — e igualmente de capacidade técnica no que toca à gestão do Plano Estratégico de Política Comum (PEPAC). In “ECO” - Portugal


terça-feira, 11 de outubro de 2022

Moçambique - FAO quer garantir a produção de alimentos para deslocados em Cabo Delgado

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, intensifica esforços para apoiar as vítimas do conflito no norte de Moçambique. A agência assiste 18,4 mil famílias através da agricultura e pecuária. Deste número 70% são deslocados e 30% de famílias acolhedoras


A agência das Nações Unidas especializada em agricultura e alimentação realiza uma parceria com o governo de Moçambique para levar alimentos e incentivar a produção de comida em Cabo Delgado, no norte do país.

A área tem sido alvo de um conflito de grupos armados não-governamentais com tropas do governo.

Apoio humanitário após ataques

Com uma população fortemente rural, Cabo Delgado depende da agricultura e dos pequenos produtores para alimentar a sua população. Por causa da insegurança, muitos produtos não chegam aos campos, e para os especialistas da FAO, projetos locais podem minimizar o sofrimento dos moradores produzindo alimentação e garantido a segurança nutricional.

A ONU News, em Maputo, conversou com Brasilino Ubisse Salvador, funcionário de projetos na FAO.

Ele cita parte dos trabalhos efetuados, destacando o distrito de Palma, onde a FAO foi a primeira agência a prestar apoio humanitário após os ataques.

“Conseguimos assistir 300 famílias e temos planos de assistir mais 1,3 mil famílias. Em Quissanga, não estava no plano dos nossos projetos, mas porque a população estava a clamar por produtos agrícolas, houve um pedido do comité executivo provincial e fomos capazes também de assistir 300 famílias com kits de produtos agrícolas e algumas associações do Ingd, em cabritos e galinhas, para poderem pelo menos produzirem comida para a sua alimentação e garantirem a segurança nutricional deles e das suas crianças.”

Grupos armados e barreiras ao apoio humanitário

Ubisse Salvador explica que o apoio não está centrado apenas nos deslocados internos.

“Temos um rácio de 70% para os deslocados e 30% de família acolhedoras no nosso critério de seleção de beneficiários para serem apoiados, porque sabemos que os fundos nunca são suficientes para dar apoio a todas as famílias, damos prioridades àquelas famílias que têm crianças para amamentar, mulheres grávidas e também no todo rácio das pessoas que apoiamos tentamos garantir que pelo menos 50% das famílias sejam chefiadas por mulheres.”

A insegurança devido aos ataques de grupos armados tem sido uma das barreiras ao apoio humanitário das agências.


Segurança e produtos agrícolas

“Em distritos como Quissanga e Palma, já estamos lá porque as condições de segurança estão minimamente garantidas. Neste momento, uma missão das Nações Unidas está a fazer uma avaliação em Eráti e Memba, em Nampula, para ver se há condições de apoiar as populações afetadas pelos recentes ataques. Há um desafio agora porque há um movimento de deslocados, que começam a voltar para suas zonas de origem, e para isso temos que estar sempre em alerta em questões de segurança para ver se há condições de nós entrarmos nesses locais ou não.”

Os produtos e utensílios agrícolas são alguns dos apoios que a FAO disponibiliza aos deslocados internos. A atividade é realizada em coordenação com as entidades do governo moçambicano.

Galinhas e sementes compradas localmente

A criação de galinhas é uma solução alternativa para combater a insegurança alimentar e a subnutrição. A FAO distribui galinhas e sementes localmente adquiridas promovendo o desenvolvimento da economia local.

“Cada família recebe quatro galinhas, sendo um macho e três fêmeas, e cada família recebe duas cabras. Essas cabras, em cada quinta família, damos um macho porque as prioridades são fêmeas para poder aumentar a produtividade, isso tudo para ver se diversificam a fonte de renda as comunidades e não dependerem só da agricultura, mas ter uma fonte extra de renda assim como de proteína para as crianças e as mulheres. Em Cabo Delgado, temos 18,4 mil famílias, dessas todas, 6 mil é a parte de pecuária e o remanescente é para a parte de agricultura.”

A FAO continua a providenciar apoio técnico aos especialistas do governo para que estes possam ajudar os beneficiários na melhoria das práticas de cultivo, pesca, pecuária, técnicas pós-colheita e nutrição. Ouri Pota – Moçambique ONU News




quinta-feira, 25 de agosto de 2022

FAO - Disponibiliza dados sobre gestão sustentável da terra em português

Plataforma leva recomendações de melhores práticas no manejo sustentável do solo para os 10 países que têm o português como língua oficial. Para além de informações, o projeto pretende ampliar troca de informações entre os países lusófonos

Em agosto, o sítio da rede global de Visão Mundial das Abordagens e Tecnologias de Conservação, Wocat, tornou acessível para as mais de 260 milhões de pessoas que falam português ao redor do mundo, o seu acervo gratuito de melhores práticas de gestão sustentável da terra.

A tradução foi viabilizada pelo projeto “Revertendo o Processo de Desertificação nas Áreas Suscetíveis do Brasil: Práticas Agroflorestais Sustentáveis e Conservação da Biodiversidade”, também conhecido como Redeser.

Perda de biodiversidade

O Redeser tem como objetivo interromper e reverter o processo de desertificação, por meio de ações para enfrentar as causas cada vez mais crescentes da degradação do solo e da perda de biodiversidade nos ecossistemas da Caatinga, com foco nas Áreas Suscetíveis à Desertificação, ASD.

O projeto é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, GEF, e tem o Ministério do Meio Ambiente do Brasil como principal parceiro executor.

Já o Wocat, lançado em 1992, tem o objetivo de documentar, compartilhar e aplicar conhecimentos de gestão sustentável da terra. A rede estabelece um espaço inovador para compartilhar e dar escala a boas práticas para enfrentar a degradação do solo, as mudanças climáticas e a perda da biodiversidade.

Estão disponíveis mapas, gráficos, informações relevantes e documentos sobre práticas de gestão sustentável testadas em diferentes lugares do mundo. Além disso, os profissionais que atuam na área também podem compartilhar as suas próprias práticas e pesquisas.

Troca de experiências

Segundo o coordenador técnico do projeto, Gustavo Pinho, a tradução da plataforma propicia um ambiente mais acessível e amigável para pesquisadores e instituições, o que permitirá um maior intercâmbio das experiências não só pelo Brasil, mas também por outros países.

Pinho adiciona que além de ser uma oportunidade de melhorar o conhecimento dos países que falam português sobre as práticas de manejo sustentável do solo, também aumentam a representatividade das ações dos países que falam português na plataforma.

Em 2020 o Banco de Dados Global de gestão sustentável da terra da rede Wocat foi oficialmente reconhecido pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, Unccd, como o principal banco de dados global sobre melhores práticas de manejo. ONU News – Nações Unidas com “FAO Brasil”




quarta-feira, 8 de junho de 2022

Angola, Cabo Verde e Moçambique na lista de países com risco de insegurança alimentar

Relatório da ONU alerta para grave situação de fome provocada por conflitos, choques climáticos, pandemia, enormes encargos da dívida pública e a guerra da Ucrânia

A guerra na Ucrânia agravou o aumento constante dos preços globais de alimentos e energia, minando a estabilidade económica em todo o mundo, alerta um relatório da ONU.

O estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA, aponta que o conflito levou a aumentos de preços, particularmente em áreas caracterizadas pela marginalização rural e sistemas agroalimentares frágeis.


Corrida contra o tempo

As duas agências pediram uma ação humanitária urgente para salvar vidas e meios de subsistência e prevenir a fome em 20 áreas onde a necessidade deve aumentar até setembro. Três países de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde e Moçambique estão na lista de nações sob risco de insegurança alimentar.

Em meio a várias crises alimentares provocadas por conflitos, choques climáticos, consequências da Covid-19, enormes encargos da dívida pública e a guerra da Ucrânia, as condições devem ser particularmente graves onde a instabilidade económica e o aumento dos preços se juntam a queda na produção de alimentos induzida pelo clima.

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou que está “profundamente preocupado com os impactos de crises sobrepostas que comprometem a capacidade das pessoas de produzir e aceder a alimentos, levando milhões a níveis extremos de insegurança alimentar aguda”.

Ele adiciona que a FAO está numa “corrida contra o tempo” para ajudar os agricultores nos países mais afetados, aumentando rapidamente a produção potencial de alimentos e aumentando a sua resiliência diante dos desafios.

Desastres climáticos

Além dos conflitos, o relatório conclui que choques climáticos frequentes continuam a causar fome aguda e mostra que entramos num “novo normal”, no qual secas, inundações, furacões e ciclones dizimam repetidamente a agricultura e a pecuária, impulsionam o deslocamento da população e empurram milhões para a miséria em países de todo o mundo.

O diretor executivo do PMA, David Beasley, reforçou que a situação é uma terrível combinação e além de prejudicar os mais vulneráveis, também vai sobrecarregar milhões de famílias que até agora conseguiram encontrar formas de sobrevivência.

Ação rápida necessária

De acordo com o relatório, Etiópia, Nigéria, Sudão do Sul e Iémen permanecem em “alerta máximo” como lugares com condições catastróficas. Afeganistão e Somália estão perto desta categoria preocupante desde o último relatório, divulgado em janeiro.

Todos estes seis países têm partes da população enfrentando níveis de “catástrofe”, em risco de deterioração para condições catastróficas, com até 750 mil pessoas enfrentando fome e morte.

De acordo com o estudo, 400 mil estão na região de Tigray, na Etiópia, arrasada pela guerra – o número mais alto já registado num único país, desde a fome na Somália em 2011.

Primavera Árabe

A República Democrática do Congo, Haiti, Sahel, Sudão e Síria estão em situação de “alta preocupação”, como na edição anterior deste relatório, com o Quênia agora adicionado à lista.

Angola, Líbano, Madagáscar e Moçambique também continuam sendo foco de fome. Sri Lanka, Benin, Cabo Verde, Zimbabué, Guiné e Ucrânia entraram na classificação na publicação atual.

O chefe do PMA alerta que as condições agora são muito piores do que durante a Primavera Árabe, em 2011, e a crise dos preços dos alimentos de 2007 a 2008, quando 48 países foram abalados por distúrbios políticos, tumultos e protestos. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 16 de maio de 2022

Cabo Verde e FAO reforçam capacidades do país na abordagem dos efeitos das alterações climáticas


Cidade da Praia – O Governo e a FAO assinaram uma parceria no âmbito do projecto que visa “Reforçar as capacidades de Cabo Verde na abordagem dos efeitos das alterações climáticas em sectores-chave da economia azul”, orçado em 500 mil dólares.

O documento foi rubricado pelo secretário de Estado das Finanças, Alcindo Mota, e pela representante da FAO em Cabo Verde, Ana Touza.

Segundo a representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, trata-se do primeiro projecto financiado pelo Fundo Mundial para o Clima, que reúne grandes fundos de financiamento climático a nível mundial, que Cabo Verde recebe.

“É um projecto para ser executado pela FAO, o objectivo é, em primeiro lugar, capacitar todos os actores chaves das diversas áreas da economia azul, nomeadamente a aquacultura, os sectores das pescas, do turismo e da energia”, informou.

A partir deste financiamento, acrescentou, vai-se formular o plano de trabalho para a acção climática relativamente ao sector da economia azul e outros, sendo um outro objectivo, a formulação de uma proposta de um projecto mais alargado para um fundo, para executar projectos para além dos 10 milhões de dólares em investimentos.

Este projecto, a nível do País, conforme avançou Ana Touza, está orçado em cerca de 500 mil dólares, para ser executado em oito meses, com vista a criação de capacidades, planeamento, e, sobretudo, para reforçar e preparar um outro projecto mais alargado para a próximo ano, que terá como objectivo incorporar toda a parte climática, a sustentabilidade de todas as acções relativamente aos sectores da economia.

O secretário de Estado das Finanças, Alcindo Mota, por seu lado, considerou que este é um importante acordo, por ser a primeira vez que Cabo Verde está a aceder ao Fundo Verde para o Clima, realçando a parceria da FAO em aceder a este importante canal de financiamento para a economia azul.

Alcindo Mota assegurou que o Governo tem vindo a acompanhar com muita equidade os impactos, quer em matéria das alterações que tem a ver com os produtos energéticos, mas também dos impactos que têm que ver com os produtos alimentares, e tem desenhado uma série de programas visando mitigar o impacto da seca e agora da guerra na Ucrânia, para as famílias mais vulneráveis.

“Cabo Verde é um dos países mais impactados, sendo um pequeno Estado insular em desenvolvimento. (…) Com este projecto estaremos a nos capacitar institucionalmente e tecnicamente por forma a que possamos apresentar outros projectos ao Fundo Verde para o Clima, e aí acedermos, efectivamente, a fundos que nos ajudam a potenciar esses sectores, quer a nível da pesca, da aquacultura, do turismo, e de outros”, afirmou.

O ministro do Mar, Abraão Vicente, na sua participação em modo virtual, destacou a importância deste projecto, salientando que a assinatura do documento, além de estar alinhada com a agenda internacional, serve para o desenho de políticas mais assertivas.

“Por isso, da parte do Ministério do Mar manifesto todo o nosso engajamento, apoio, todo o alinhamento das nossas equipas técnicas, no sentido de, juntamente com a FAO e com a Direcção Nacional do Planeamento, fazer o trabalho técnico e preparatório para tirar o máximo proveito desta linha de financiamento, desenhando os projectos que correspondem às necessidades de cada uma das ilhas”, declarou. In “Inforpress” – Cabo Verde