Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 3 de julho de 2024

Índia deverá ultrapassar a China no crescimento da procura agrícola mundial

A Índia, que se tornou o país mais populoso do mundo, deverá também substituir a China como principal motor do crescimento da procura agrícola mundial nos próximos 10 anos, segundo a OCDE e a FAO


A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) disseram ontem que o consumo mundial de produtos agrícolas deverá aumentar 1,1% na próxima década.

Os países de rendimento médio e baixo serão responsáveis por quase 94% do aumento previsto, segundo o relatório anual conjunto da OCDE e da FAO citado pela agência espanhola EFE. As razões prendem-se com o facto de ser nestes países que, com diferenças, se prevê um crescimento demográfico, mas também com uma alteração dos padrões alimentares. Estes factores justificam o facto de a Índia e o Sudeste Asiático serem os principais intervenientes e absorverem 31% do aumento da procura na próxima década.

Isoladamente, o aumento da procura na Índia até 2033 será de 20,2% na produção vegetal, para 220,1 mil milhões de dólares (186,8 mil milhões de euros, ao câmbio actual). O aumento da procura na produção animal será de 41%, para 144,7 mil milhões de dólares (137,8 mil milhões de euros), e de 16% na produção pesqueira, para 48,8 mil milhões de dólares (45,5 mil milhões de euros).

A China continuará a ser, de longe, o maior mercado agrícola, mas com aumentos muito menores em termos relativos e absolutos. Os peritos preveem que a procura de produtos vegetais na China aumente 4,1%, para 414,4 mil milhões de dólares (386,8 mil milhões de euros).

A procura de produtos animais crescerá 5,55%, para 206,5 mil milhões de dólares (192,7 mil milhões de euros), e a de produtos da pesca 13,8%, para 207,1 mil milhões de dólares (193,3 mil milhões de euros).

Embora a China tenha sido responsável por 28% do consumo adicional de produtos do setor primário na última década, esta percentagem cairá para 12% até 2033, de acordo com os autores do relatório.

A Índia tem 1,42 mil milhões de habitantes e a China 1,41 mil milhões, segundo dados do Banco Mundial. A outra grande região que registará uma expansão significativa da procura é a África Subsariana, que contribuirá com 18% do aumento previsto, principalmente devido ao crescimento da população, a uma taxa de 2,40% por ano entre 2024 e 2033.

Globalmente, a produção no setor primário crescerá 1,1% por ano durante os próximos 10 anos, com aumentos de 1% para o valor das culturas, 1,3% para a pecuária e 1,1% para a pesca.

Os autores do estudo preveem que o aumento da produção resultará essencialmente de melhorias nos rendimentos, que representarão 80% no caso da agricultura, em que a extensão das terras cultivadas desempenhará um papel marginal.

Quanto ao comércio dos produtos do setor, prevê-se um aumento de 1% por ano, equivalente ao aumento da produção, o que significa que o peso relativo das exportações se manterá estável.

Em relação aos preços, a OCDE e a FAO consideram que continuarão a descer face aos picos atingidos no período 2020-2022, devido a questões como a crise da covid, a invasão russa da Ucrânia ou más colheitas por razões climáticas.

A curto prazo, prevê-se que a descida seja mais rápida e, a médio prazo, os preços reais (descontando o efeito da inflação) dos produtos do setor primário deverão também continuar a tendência histórica para a baixa. Esta situação deverá aumentar a pressão sobre a situação económica dos agricultores e beneficiar os consumidores.

Os autores do relatório disseram que se trata de uma evolução dos mercados globais e de ser necessário avaliar outros fatores que influenciam as decisões para ver se se transmitem aos mercados nacionais. Entre esses factores estão os custos específicos de transporte em cada lugar, as taxas de câmbio das diferentes moedas, as políticas comerciais e o grau de integração dos mercados locais com o comércio internacional. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 12 de abril de 2024

Brasil - Gastar melhor é investimento no futuro do país

A dificuldade de se fazerem reformas no país, ressalvados alguns importantes avanços nos últimos anos, vem de dois fatores principais: dificuldade da sociedade brasileira de fazer escolhas e a defesa do status quo, de interesses, de privilégios, por grupos, segmentos, regiões.

O relatório Economic Survey 2023 da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que engloba 38 países desenvolvidos e emergentes, apontou que o Brasil cresce menos do que a média dos emergentes e tem dívida pública muito superior. Chama a atenção para a importância de aumentar a produtividade da economia, especialmente quando perdemos o apoio do bônus demográfico. O que depende em boa medida do investimento público, que por sua vez, além de baixo, ainda vem caindo, resultado de uma política fiscal e orçamentaria equivocada, que sacrifica os chamados gastos discricionários, entre eles os investimentos, para privilegiar os gastos de custeio da máquina pública.

Os números deixam isso claro: os investimentos públicos em infraestrutura, durante a década passada, nos países emergentes, variaram em média de 5% a 7% do PIB, contra menos de 2% no Brasil. Os investimentos totais na economia brasileira variaram entre 15% e 20% contra a média de 23% dos países da OCDE, mais de 25% na Turquia e Índia, e mais de 40% na China. E pior, essa falta de recursos não motivou maior eficiência no gasto: um terço dos projetos públicos de infraestrutura no Brasil continua sendo paralisado temporária ou definitivamente. Diante desse quadro, o relatório serve de advertência a todos aqueles, dentro ou fora do governo, que pressionam por mais gastos públicos de custeio, seja por motivo político, seja para justificar pretensa necessidade para expansão da economia.

O Estado precisa aprender a gastar com mais eficiência o enorme volume de recursos que ja arrecada. Temos que entender que o avanço vem de gastar melhore não de gastar mais. Como na educação, onde gastamos perto de 6% do PIB, mais do que países que são referência e têm as melhores colocações no teste PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), em que estamos entre os últimos colocados. Gastar mais significa consumir hoje, gastar melhor significa pensar no amanhã. Os países sé evoluem quando investem no futuro, quando conseguem transformar o seu potencial em PIB potencial. Carlos Schneider - Brasil

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Carlos Rodolfo Schneider - Bacharel e Mestre em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), dirige hoje o Grupo H. Carlos Schneider, que inclui empresas como Ciser Fixadores, Ciser Automotive e Hacasa Empreendimentos Imobiliários.


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Macau - Alunos são os segundos melhores em matemática e terceiros melhores em ciência

Os alunos de Macau são os segundos melhores na literacia em matemática, os terceiros melhores em ciência e os sétimos em leitura, indicam os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) do ano passado, revelados ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).


O segundo lugar dos alunos de Macau na literacia em matemática é o melhor registo de sempre alcançado pelos estudantes da região. Segundo a avaliação, os alunos de Macau tiveram um resultado de 552 a matemática, apenas ultrapassados pelos estudantes de Singapura, que conseguiram um resultado de 572. A média da OCDE é de 472 pontos. Ainda na área da matemática, os alunos de Taiwan ficaram em terceiro lugar, enquanto os alunos de Hong Kong ficaram em quarto. O Japão fecha o top-5 dos resultados a matemática.

Em ciência, os alunos de Macau conseguiram 543 pontos, ficando abaixo de Singapura, com 561, e do Japão, com 547. A média da OCDE neste caso é de 485 pontos.

Já no que toca à leitura, Macau conseguiu 510 pontos. Nesta disciplina, os alunos de Singapura ficaram novamente em primeiro lugar, com 543 pontos. Irlanda (516), Japão (516), Coreia (515), Taiwan (515) e Estónia (511) foram os outros países e regiões que ficaram à frente de Macau. A média da OCDE no que toca à leitura é 476.

Além disso, a OCDE destacou que entre os países ou economias de alto desempenho, Macau é a região em que o desempenho em literacia em matemática está menos dependente do contexto socioeconómico e cultural dos alunos.

Por outro lado, Macau não acompanhou a tendência de decréscimo do desempenho médio dos alunos durante a pandemia, como aconteceu com a maioria dos países ou economias que participam no estudo. “A OCDE reconhece que o sistema de educação básica de Macau demonstrou resiliência e adaptabilidade durante a pandemia de COVID-19. As escolas de Macau garantiram que os alunos continuassem a receber uma educação de qualidade mesmo na adversidade e mantivessem um desempenho excepcional”, lê-se num comunicado divulgado pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), que acrescenta que “a OCDE acredita que o investimento e o apoio do Governo de Macau na educação foram cruciais para o sucesso do sistema educativo de Macau no PISA 2022”.

A DSEDJ assinala ainda que, “ao longo das últimas duas décadas, Macau melhorou constantemente o seu desempenho nas três literacias, servindo como modelo de excelência e equidade, sendo um dos poucos sistemas educativos a nível mundial que foram minimamente afectados pela pandemia”.

O PISA é um estudo internacional, coordenado pela OCDE, que visa avaliar globalmente a preparação dos alunos do ensino secundário, com a idade de 15 anos, para enfrentarem desafios e oportunidades na vida real. O PISA funciona num ciclo de três anos e foca-se nas competências e capacidades que uma pessoa moderna deve possuir, compreendendo, principalmente, as áreas de leitura, matemática e ciência. O foco da avaliação do PISA 2022 foi a literacia em matemática. Participaram nesta avaliação um total de 690 mil alunos do ensino secundário, provenientes de 81 países e economias. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”




quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Internacional - Programa de Avaliação de Alunos (PISA) analisa os conhecimentos de alunos de todo o mundo

Os alunos portugueses de 15 anos pioraram os seus desempenhos nos testes internacionais de Matemática e Leitura do PISA de 2022, invertendo a tendência de melhoria que se vinha registando na última década.


O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) voltou a analisar os conhecimentos a Matemática, Leitura e Ciência de alunos de todo o mundo - em 2022 participaram cerca de 690 mil alunos de 81 países e economias - e o retrato do desempenho dos estudantes releva "uma quebra sem precedentes", em que Portugal não foi exceção.

Aos jornalistas, o governante referiu que "mesmo com queda de resultados", há "convergência" com a média da OCDE. Referiu, no entanto, ser "muito difícil" apontar os fatores ou as políticas educativas responsáveis pelos resultados.

"​​​​​​De acordo com a OCDE há uma descida que tem a ver com a pandemia [de covid-19], mas a pandemia não explica tudo, porque há uma queda na média da OCDE desde 2012, em particular, que não foi ainda suficientemente explicada", disse o ministro.

João Costa referiu que "esta quebra nos resultados acontece em países até com políticas curriculares bastante diferenciadas".

O ministro sublinhou que interessa agora "é agir, depois das avaliações".

Os quase sete mil alunos de 224 escolas portuguesas que realizaram as provas de 2022 obtiveram piores resultados do que os seus colegas em 2018, colocando Portugal entre os países que mais baixaram de pontuação a Matemática, refere o relatório da OCDE hoje divulgado.

"Em comparação com 2018, o desempenho médio caiu dez pontos de pontuação em Leitura e quase 15 pontos de pontuação em Matemática, o que equivale a três quartos de um ano de aprendizagem", sublinha Mathias Cornmann, secretário-geral da OCDE, no texto introdutório do relatório.

Em Portugal, os resultados dos alunos foram ainda mais graves: Os estudantes obtiveram 472 pontos a Matemática, ou seja, menos 20,6 pontos do que nas provas realizadas em 2018. Já em comparação com os resultados nas provas de 2012, desceram 14,6 pontos.

Portugal surge assim na lista dos 19 países que baixaram mais de 20 pontos a Matemática, sendo que as notas desceram entre os alunos mais carenciados, mas também entre os mais privilegiados.

Três em cada dez alunos não conseguiram demonstrar ter conhecimentos mínimos a Matemática, ou seja, não atingiram o nível dois numa escala de seis valores.

Apenas 7% dos estudantes portugueses se destacaram, atingindo os níveis de proficiência mais elevados (5 e 6) a Matemática, uma disciplina que voltou a ser dominada por seis países asiáticos.

Em Singapura, 41% dos estudantes demonstrou conhecimentos bastante elevados, assim como 32% dos estudantes de Taiwan.

Seguiram-se os alunos de Macau e China (29% com muito bons resultados), Hong Kong (27%), Japão (23%) e Coreia (23%).


A condição socioeconómica é um dos fatores que mais influencia os resultados académicos e, em Portugal, os estudantes portugueses de famílias mais privilegiadas tiveram uma pontuação média de 522 pontos, ou seja, 101 pontos acima da média dos alunos mais carenciados.

Esta diferença de resultados não se afasta muito da média dos países da OCDE (93 pontos), segundo o estudo hoje divulgado, que procurou os casos de sucesso entre os mais carenciados.

Em Portugal, cerca de 9% dos estudantes desfavorecidos conseguiram estar entre os melhores alunos a Matemática, sendo a média da OCDE de 10%.

Apesar de o PISA de 2022 estar mais focado no retrato dos conhecimentos a Matemática, também foi feita uma prova de Leitura e, mais uma vez, os resultados médios pioraram: Os estudantes portugueses obtiveram 477 pontos, o que representa uma descida de 15,2 pontos em relação a 2018 e de 12,8 pontos face a 2012.

Apesar da descida, 77% dos alunos portugueses conseguiram atingir, pelo menos, o nível dois, ficando acima da média da OCDE (74%). Este resultado significa que estes jovens conseguem, pelo menos, identificar as ideias principais num texto de extensão moderada, encontrar informação e refletir sobre o propósito e a forma de um texto.

Apenas 5% dos portugueses conseguiram obter um nível 5 ou 6 em Leitura (7% é a média da OCDE), um nível que já implica ser capaz de compreender textos bastante longos, lidar bem com conceitos abstratos e conseguir estabelecer distinções entre um facto e uma opinião.

Já na prova de Ciências, Portugal surge como um caso de sucesso, ao contrariar a tendência de agravamento dos resultados: Em 2022, obtiveram 484 pontos, apenas menos 7,3 pontos do que em 2018 e do que em 2012.

O relatório indica que 78% dos alunos conseguiram ter, pelo menos, nível dois (OCDE é 76%). Entre estes, 5% tiveram desempenhos muito bons (nível 5 e 6), mostrando ser capazes de aplicar de forma criativa e autónoma os seus conhecimentos de ciência numa variedade de situações.

Numa comparação entre sexos, os rapazes portugueses voltam a ser melhores a Matemática (mais 11 pontos) e as raparigas a Leitura (mais 21 pontos).

No texto introdutório do relatório, Mathias Cornmann alertou que "um em cada quatro jovens de 15 anos é atualmente considerado como tendo um fraco desempenho em Matemática, Leitura e Ciências, em média, nos países da OCDE". InDiário de Notícias” - Portugal




sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Timor-Leste - Saiu da lista dos Estados frágeis da OCDE

 


Díli – Timor-Leste saiu da lista onde constam cerca de 60 países considerados frágeis, refere o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que destaca o reforço institucional e a resolução de conflitos no país.

“Agradecemos a decisão da OCDE de fazer sair o Estado de Timor-Leste do lote dos países frágeis. Peço a toda a população que dê o seu contributo para o fortalecimento da democracia, paz e estabilidade”, disse hoje o Ministro da Presidência do Conselho de Ministros (PCM), Fidélis Leite Magalhães, em declarações aos jornalistas, no Palácio do Governo.

O Ministro Fidélis Magalhães referiu ainda que a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Adalgiza Magno, anunciou aos membros do Governo os resultados do Relatório “Estados Frágeis 2020”, divulgado, ontem, 17 de setembro, que ditaram a saída oficial de Timor-Leste da lista dos países frágeis.

“O relatório refere que Timor-Leste registou uma diminuição da fragilidade em todas as dimensões, exceto na segurança, onde evidenciou um ligeiro aumento. Por outro lado, o documento realça o notável declínio na fragilidade económica e ambiental, fator que contribuiu decisivamente para a saída de Timor-Leste, pela primeira vez, da lista dos estados considerados frágeis”, concluiu. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Macau - Alunos de topo mas desfavorecidos com menos expectativas universitárias

O impacto do contexto socioeconómico sente-se mesmo quando se observam apenas alunos com resultados elevados, e persistem diferenças de expectativas profissionais entre rapazes e raparigas. São resultados observados sobre Macau num estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico



Em Macau, o estatuto socioeconómico influencia as expectativas dos alunos em completarem educação de ensino superior, mesmo entre estudantes com desempenho elevado. É o que revelam os resultados de um estudo lançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) de 2018.

“Empregos de Sonho: As aspirações de carreira e o futuro do trabalho dos adolescentes”, mostra diferenças derivadas do contexto socioeconómico em alunos de topo, com menos de 10% dos estudantes favorecidos a considerarem que não vão completar o ensino superior, em contraste com mais de 20% no caso dos desfavorecidos, no caso de Macau. A diferença é um pouco inferior à da média da OCDE.

A diferença é menos visível nas expectativas quanto a tornarem-se profissionais ou gerentes, variando entre cerca de 15% e menos de 30%. Em termos de género, as raparigas apresentam mais expectativas do que os rapazes em como vão completar educação superior, bem como em serem profissionais ou gerentes.

O estudo da OCDE, que é da autoria de Anthony Mann, Vanessa Denis, Andreas Schleicher, Hamoon Ekhtiari, Teeralynn Forsyth, Elvin Liu e Nick Chambers, aborda também as diferenças estatísticas entre raparigas e rapazes no que toca a ambições em áreas profissionais distintas.

Nos alunos com elevado desempenho em matemática e/ou ciência, de entre os países analisados Macau é um dos que apresenta menos jovens com vontade de prosseguir carreira em profissões de ciência e engenharia. É algo que apenas menos de 20% dos alunos de topo pretendem, e onde os rapazes apresentam mais ambição. A diferença de expectativas entre géneros aumenta nas carreiras relacionadas com a saúde, mas desta vez são as raparigas que têm mais vontade de prosseguir na área.

“Resultados do PISA mostram que as aspirações profissionais dos jovens não são uma reflexão simples da sua capacidade académica. (…) Análises mostram que controlando para níveis de proficiência, as crianças de famílias mais favorecidas têm maior probabilidade de quererem ir para a universidade do que crianças de famílias da classe trabalhadora. Similarmente, o pensamento sobre a carreira é frequentemente influenciado pelo género e contexto de imigração, bem como pelo estatuto socioeconómico”, descreve o estudo.

No âmbito da percepção que os jovens têm sobre o que necessitam para atingir as suas expectativas profissionais, em Macau um pouco mais de 20% de entre aqueles que pretendem ser profissionais ou gerentes não planeiam completar o ensino superior. Uma tendência mais vincada nos casos de estudantes de contextos socioeconómicos desfavorecidos. Isto ainda que as escolas que atraem mais estudantes desfavorecidos apresentem mais orientação de carreira por parte de conselheiros.

O documento apresenta ainda um prefácio do co-fundador da Tencent, que aborda desafios enfrentados actualmente na área da educação. “Apesar de completarem um número sem precedentes de anos de educação formal, os jovens continuam a ter dificuldades no mercado de trabalho e os governos continuam a preocupar-se com a incompatibilidade entre o que as sociedades e as economias exigem e o que os sistemas educativos oferecem. A coexistência de licenciados universitários desempregados e de empregadores que dizem não conseguir encontrar pessoas com as ferramentas que procuram, mostra que mais educação não significa automaticamente melhores trabalhos e melhores vidas”, descreve Charles Yidan. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Macau - Alunos da Região melhoram em todos os índices e sobem ao 3.º lugar a nível mundial

Os testes do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), cujos resultados foram ontem revelados, mostram que os alunos de Macau melhoraram a literacia científica, matemática e de leitura. Macau fica, assim, no 3.º lugar de entre os 79 países e economias a participar no programa da OCDE. Macau foi mesmo a única região a apresentar um “progresso contínuo e rápido em termos de qualidade educativa”, diz a organização



Macau é a única região, de entre as 79 que participaram no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que registou um “progresso contínuo e rápido em termos de qualidade educativa”, notou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Os resultados do índice, divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), mostram que os alunos de Macau melhoraram os índices de literacia matemática, científica e de leitura. Em cada um dos três indicadores, Macau está no 3.º posto a nível mundial.

O PISA é um estudo internacional coordenado pela OCDE que avalia a preparação dos alunos de 15 anos que frequentam o ensino secundário a nível global. Participaram neste estudo, que se realiza de três em três anos, um total de 600 mil alunos. O teste consiste num teste digital de duas horas e num questionário de 40 minutos. Em Macau, 3775 alunos fizeram o teste.

O teste realizou-se em 2018, mas os resultados foram apresentados ontem por Cheung Kwok Cheung, administrador do projecto nacional do PISA de Macau, e por Lou Pak Sang, director da DSEJ, e mostram que a literacia matemática tem vindo a aumentar desde 2003, o primeiro ano em que Macau participou no estudo. Em 2015, o índice de literacia matemática foi de 544 pontos e este ano os alunos de Macau chegaram aos 558. Macau fica em 3.º lugar do índice, atrás de China – cujos resultados foram contabilizados apenas em Pequim, Xangai, Jiangsu e Guangdong – e Singapura, respectivamente, e à frente de Hong Kong, que está na 4.ª posição. Portugal ficou-se pelo 28.º lugar.

Os resultados da literacia científica também registaram uma subida. Dos 529 pontos que se registaram em 2015, Macau chegou, em 2018, aos 544. Macau fica em 3.º lugar na literacia científica, também atrás da China, que fica em 1.º lugar, e de Singapura, que fica em 2.º. Na literacia científica, em 4.º fica a Estónia. Hong Kong desce para 9.º e Portugal fica em 26.º lugar. Segundo o relatório, a percentagem de alunos de Macau que se situam num nível elevado aumentou “significativamente” para 13,6%. Os alunos de Macau mostram-se “habilitados a resolver problemas científicos de grau mais elevado” e são “possuidores de uma forma de pensamento igual à dos cientistas”.

Macau fica também em 3.º lugar da classificação geral relativamente à literacia de leitura. Macau fez 525 pontos em 2018 e tinha feito 509 em 2015. À semelhança dos outros dois índices, China fica em 1.º e Singapura em 2.º. Hong Kong volta ao 4.º posto e Portugal em 24.º.

Diferenças de género atenuadas, ‘bullying’ em queda

Segundo os dados do PISA, as diferenças de género nos alunos de Macau foram esbatidas. As alunas têm tido melhores resultados do que os alunos. Em 2018, o desempenho médio em literacia de leitura das alunas de Macau continua a ser melhor do que o dos alunos, mas a diferença tem vindo a diminuir. Em 2009, a diferença entre rapazes e raparigas era de 34 pontos e em 2018 foi de 22. Houve, assim, “uma aproximação ao nível detido pelas raparigas de Macau ou mesmo uma progressão superior à obtida por estas”, indicou a DSEJ na apresentação.

Na literacia matemática os alunos também diminuíram a distância para as alunas. “Em comparação com os resultados obtidos no PISA 2015, o progresso dos rapazes de Macau na literacia matemática foi 2,5 vezes superior ao das raparigas”, indica o relatório. No que toca à literacia científica, o progresso dos rapazes foi 1,4 vezes maior do que o apresentado pelas raparigas.

Segundo Lou Pak Sang, “o Governo e as escolas de Macau atribuem grande importância ao fenómeno do ‘bullying’. Macau aparecia no fundo da tabela de 2015 e agora está a meio. Os resultados do estudo do PISA 2018 demonstraram que, após três anos de esforço, a situação do ‘bullying’ nas escolas de Macau melhorou”. Segundo o relatório, a percentagem de alunos frequentemente alvo de intimidação foi de 10%. Já 27% dos estudantes de Macau foram vítimas de ‘bullying’. Nestes dois parâmetros, Macau aproxima-se da média da OCDE, que é, respectivamente, 7% e 27%.

A DSEJ atribui os resultados positivos ao plano de prevenção de ‘bullying’ e à formação dos docentes, no sentido de melhorar o seu trabalho pedagógico para “fazer com que os alunos aprendam com sucesso e obtenham atenção e carinho, no sentido de aumentar o seu sentimento de pertença às escolas e propiciar uma vida de aprendizagem agradável”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Brasil - Projeto de uma hidrovia nas fronteiras do Mercosul

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse ontem em Paris que o projeto de uma hidrovia nas fronteiras do Mercosul será retomado e vai sair do papel, com criação de uma autoridade supranacional para definir os próximos passos do empreendimento.

Serra, que participa da reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, reuniu-se com a chanceler argentina, Susana Malcorra.

"Combinei com a chanceler que vamos já trabalhar com a ideia de uma autoridade supranacional a respeito da hidrovia. Ela representa o maior potencial de transporte no mundo e que está empacada por fatores absurdos, inclusive de legislação trabalhista na Argentina no governo anterior, que só boicotou essa hidrovia", disse o ministro.

O projeto da hidrovia envolve Bolívia, Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil. "Vamos agora retomar esse empreendimento como algo sério. Vai ser um grande investimento econômico", disse, acrescentando se tratar de concessão privada.

"Já estamos nos mobilizando. Tem que ter uma autoridade supranacional inclusive para dizer quais passos devem ser tomados", afirmou Serra, ressaltando que apenas a elaboração do modelo da hidrovia "já será um passo muito adiante".

O chanceler também teve um encontro com o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, que acaba de ser reeleito.

A OCDE, disse Serra, reiterou novamente o convite para que o Brasil se torne membro da organização, que reúne 34 países, a grande maioria desenvolvidos. "O secretário-geral da organização disse que poderia eliminar passos intermediários e já ir direto à fase final" para o ingresso do Brasil, uma espécie de "fast-track" para acelerar o processo.

Serra rebateu com veemência as conclusões da OCDE sobre a piora da economia brasileira em razão das "profundas divisões políticas" no país - queda de 4,3% este ano.

"A OCDE não afirma coisa nenhuma. Eles estão especulando com relação as poucas informações que dispõem" sobre o Brasil, disse Serra. Para o chanceler, a organização, que divulga anualmente estudos internacionais sobre variadas áreas, "não tem conhecimento" da situação brasileira. Daniela Fernandes – Brasil in “Valor Econômico”