Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Instituto do Património Cultural. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Instituto do Património Cultural. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Cabo Verde - Cidade Velha registou quase 29 mil visitantes em 2025

A Cidade Velha, Património Mundial, recebeu 28.964 visitantes em 2025, um aumento de 29,2% face a 2024, ano em que foram contabilizadas 22.426 entradas. De acordo com os dados do Relatório de Estatísticas de Visitas do Gabinete de Gestão, divulgado esta sexta-feira, 13, pelo Instituto do Património Cultural (IPC)



Segundo o IPC, o acréscimo absoluto de 6538 visitantes evidencia uma trajectória consistente de crescimento da procura pelo sítio classificado.

Quanto ao público, o relatório indica que a maioria (57,3%) era composta por pessoas singulares (16.591). Seguiram-se os grupos organizados por agências, com 27,8% (8043), a comunidade educativa, com 12,8% (3705), e as instituições, com 1,7% (497).

Em termos de proveniência, os estrangeiros continuaram a dominar o perfil de visitante, totalizando 76,5% (22.157), enquanto os nacionais representaram 23,5% (6807).

A mesma fonte aponta que a distribuição das visitas ao longo do ano revela uma forte sazonalidade. O primeiro trimestre concentrou 35,2% do total anual (10.207 visitantes), sendo o período de maior procura. Seguiram-se o segundo trimestre, com 7394 visitantes (25,5%), e o terceiro, com 7234 (25%).

O último trimestre registou a menor afluência, totalizando 4129 visitantes (14,3%). Fevereiro destacou-se como o mês mais movimentado (5396 entradas), enquanto setembro apresentou o valor mais baixo (794). A média mensal situou-se em 2414 visitantes, refletindo um fluxo turístico expressivo, embora irregular ao longo do ano.

Conforme o IPC, no plano prospectivo, espera-se consolidar a Cidade Velha como o principal polo turístico cultural da ilha de Santiago, através de um conjunto de intervenções estruturantes em curso.

“Destacam-se a requalificação do troço Catedral–Misericórdia e do Bairro de São Sebastião, no âmbito do Projeto Turismo Resiliente e Desenvolvimento da Economia Azul, bem como a intervenção no Forte de São Veríssimo, integrada no Projeto de Requalificação da Orla Marítima, financiado pelo Governo através do Fundo do Turismo”, revela.

Por outro lado, o IPC indica que está em curso ainda, a instalação de nova sinalética e obras de melhoria do circuito dentro do Forte de São Filipe.

“Estas acções visam valorizar o património edificado e a zona costeira, reforçar a integração funcional e paisagística com a cidade histórica, criar espaços de lazer qualificados para visitantes e fomentar oportunidades de negócio para a comunidade local, contribuindo para uma experiência turística mais integrada e sustentável”, frisa. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”

 

terça-feira, 25 de março de 2025

Cabo Verde - Reabilitação da Igreja de São Roque na ilha da Boa Vista vai agregar valor ao circuito de turismo cultural segundo o Instituto do Património Cultural

Sal Rei – A presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Ana Samira Baessa, afirmou que as obras de reabilitação da Igreja de São Roque, localizada em Rabil, vão agregar valor ao circuito de turismo cultural da ilha.



As afirmações foram feitas por Ana Samira Baessa, que se encontra em missão na ilha da Boa Vista juntamente com a sua equipa técnica e a das Infraestruturas de Cabo Verde (ICV), para acompanhar a evolução das obras de reabilitação da Igreja de São Roque, iniciadas em Janeiro, no âmbito do Programa de Valorização do Património Histórico, Cultural e Religioso.

“É a igreja mais antiga da Boa Vista, e uma das mais antigas de Cabo Verde, o seu estado de conservação exigia alguma intervenção com carácter de urgência, porque estava bastante degradado. Estamos a falar de mais de 33 mil contos, que vão ser investidos na igreja, com muito rigor em termos de técnicas de conservação e protecção do património histórico e cultural”, informou.

A presidente do IPC indicou que a obra está na fase de preenchimento e consolidação de muros, sendo que se fala de uma igreja que foi construída com muita junção de argamassa e também de argila, que não tem tido manutenção.

Segundo a mesma fonte, o objectivo é reabilitar esse património, para servir a comunidade, mas também para valorização do património da ilha na perspectiva do turismo cultural e religioso, havendo mais uma alternativa para os turistas poderem sair dos hotéis.

“Com o programa não estamos a reabilitar só o edifício, nós estamos a reabilitar a parte da história e a parte da identidade cultural cabo-verdiana”, afirmou.

A reabilitação da Igreja de São Roque insere-se na estratégia governamental de valorização do património cultural, contribuindo para a conservação deste monumento histórico e para a dinamização do turismo cultural e religioso.

O investimento é financiado pelo Governo de Cabo Verde, a intervenção está enquadrada no Eixo IV do Programa de Reabilitação, Requalificação e Acessibilidades (PRRA), com um investimento global superior a 600 mil contos.

Além da Igreja de São Roque, outros projectos de restauração estão em andamento na ilha, incluindo o Farol do Morro Negro e o Forte Duque de Bragança. Estes projectos, financiados pela cooperação espanhola, têm como objectivo diversificar e valorizar os pontos de atracção turística na ilha. In “Inforpress” – Cabo Verde


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Cabo Verde - Integra programa da União Europeia para promoção de turismo local

O Instituto do Património Cultural de Cabo Verde vai ser integrado num programa europeu que junta as regiões autónomas dos Açores, Madeira e Canárias para promoção de turismo ligado às tradições locais. O projecto Renaturmac integra acções de valorização e promoção do património local em sintonia com as comunidades


O Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde vai ser integrado num programa europeu que junta as regiões autónomas dos Açores, Madeira e Canárias (Espanha) para promoção de turismo ligado às tradições locais, anunciou ontem a instituição.

O projecto Renaturmac reúne diversas regiões da Macaronésia e “integra acções de valorização e promoção do património local em sintonia com as comunidades”, explicou o IPC em comunicado.

A colaboração com as Ilhas Canárias, Açores e Madeira “fomentará o intercâmbio de boas práticas e a implementação de acções conjuntas para a preservação e promoção da identidade cultural e histórica do arquipélago”, indicou.

Segundo o IPC, “a participação de Cabo Verde neste projeto marca um avanço significativo na valorização do património nacional e no turismo sustentável, trazendo benefícios diretos às comunidades locais”.

Cabo Verde receberá um financiamento de 45.000 euros para capacitação das comunidades do Parque Natural de Serra Malagueta, uma das principais zonas montanhosas da ilha de Santiago, que chega a mais de mil metros de altitude.

O objectivo passa por valorizar “a medicina tradicional e o artesanato, incentivando o uso sustentável dos recursos do parque e a identificação de valores patrimoniais e turísticos com potencial de desenvolvimento”.

O IPC é um dos beneficiários do Projecto Renarturmac, iniciativa da União Europeia (UE) no quadro do programa Interreg MAC 2021-2027, que visa a valorização e conservação do património natural e cultural das ilhas da Macaronésia. Os arquipélagos têm procurado unir esforços em busca de fundos europeus para o desenvolvimento.

Numa conferência de imprensa, após a III Cimeira da Macaronésia, realizada na quinta-feira, na ilha canária de Lanzarote, os presidentes das Canárias, Fernando Clavijo, e da Madeira, Miguel Albuquerque, o vice-presidente dos Açores, Artur Manuel Leal, e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Alberto Rui de Figueiredo, afirmaram ter retirado da reunião “um roteiro claro” para os próximos anos.

Assim, segundo Clavijo, há um foco no “reforçar o papel geoestratégico destes arquipélagos e afirmar a importância que podem ter, tanto para a União Europeia como para os continentes africano e americano”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Cabo Verde - Inauguração das obras do Farol Dona Maria Pia prevista para Setembro

Cidade da Praia – A presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Ana Samira Baessa, informou que a inauguração das obras do Farol Dona Maria Pia, situado na cidade da Praia, está prevista para o mês de Setembro.


Em declarações à Inforpress, a presidente do IPC informou que as obras de reabilitação do farol com duração de dois meses, estão a bom ritmo.

Depois da recuperação da estrutura física vai ser feita a parte de museografia, sendo que o farol vai albergar um pequeno centro de interpretação.

Vão ser criadas infra-estruturas de apoio ao turismo, como áreas de restauração e centros informativos, com o objectivo de potenciar a atractividade turística e cultural do local.

Este projecto insere-se no âmbito da valorização dos Faróis Históricos de Cabo Verde, uma iniciativa estruturante desenvolvida em parceria entre o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do Instituto do Património Cultural, e o Ministério do Mar, por intermédio do Instituto Marítimo e Portuário.

Segundo Ana Samira Baessa, o próximo farol a ser reabilitado vai ser o de Porto Inglês, na ilha do Maio, cujo projecto já está pronto, e posteriormente vai ser o Farol do Boi situada em Janela, na ilha de Santo Antão, todos com previsão para inauguração ainda este ano.

Estas intervenções contribuirão para reforçar os faróis como um ícone da navegação e um elemento patrimonial de elevado valor, integrando-o plenamente na estratégia de valorização do património histórico-cultural de Cabo Verde.

O financiamento é assegurado pela Cooperação Espanhola, através da Agência Espanhola de Cooperação e Desenvolvimento (Aecid), abrangendo a reabilitação de oito faróis históricos no arquipélago. In “Inforpress” – Cabo Verde


terça-feira, 19 de março de 2024

Cabo Verde - Candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal a património mundial será entregue em 2025

Cidade da Praia - A candidatura do Campo de Concentração de Tarrafal a património da humanidade da Unesco vai ser entregue em 2025, anunciou a presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Ana Samira Baessa.


O anúncio foi feito em conferência de imprensa, realizada para apresentação do programa de celebração dos 50 anos do 25 de Abril e do encerramento do Campo de Concentração do Tarrafal.

“Como é do conhecimento público, há vários anos se discute a questão da candidatura do Campo de Concentração de Tarrafal como património da humanidade. O campo tem sido valorizado ao longo dos anos, com a expectativa de avançar para este título”, disse a presidente do IPC quando instada sobre o andamento do processo.

Desde 2006, o espaço está classificado como património nacional, e está na lista indicativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) desde 2003.

Conforme explicou Ana Samira Baessa, a lista indicativa é um dos pré-requisitos estabelecidos pela UNESCO para a classificação dos sítios como património mundial. E, a candidatura do Tarrafal ainda não foi submetida devido a uma directiva do Centro do Património Mundial que limitava as candidaturas de sítios de memória até 2022.

“Isso porque nas considerações feitas pelos peritos do património mundial em algumas situações a classificação destes sítios poderia reacender os conflitos, naturalmente não é o caso do Campo de Concentração do Tarrafal, mas a convenção e as orientações técnicas para a sua aplicação são um instrumento bastante abrangente, portanto não há excepções”, enfatizou.

Em 2022, o Centro do Património Mundial foi aberto para a inclusão desses sítios na lista de património mundial, e, desde então, o IPC vem trabalhando para isso, sendo que, entre outros investimentos, o Campo de Concentração do Tarrafal foi totalmente reabilitado e musealizado em 2021, já pensando na sua candidatura.

“Estamos agora trabalhando na preparação do dossiê técnico, que deverá ser submetido à UNESCO em 2025. Todos os especialistas da UNESCO consultados até ao momento estão fortemente encorajando a conclusão deste trabalho técnico e a submissão desta candidatura”, anunciou, Ana Samira Baessa. In “Inforpress” – Cabo Verde


sábado, 10 de fevereiro de 2024

Cabo Verde - Descobertos vestígios de casas mais antigas do País onde funcionou a capitania

O Instituto do Património Cultural (IPC) e a Universidade de Cambridge descobriram vestígios de casas mais antigas do país, em Alcatraz, onde funcionou a capitania no Norte da ilha de Santiago


“Após um mês de escavação, foram achados vestígios da ocupação deste sítio no decurso do povoamento de Cabo Verde no século XV, com particular incidência para estruturas habitacionais mais antigas em todo o Cabo Verde”, divulgou o IPC.

Para a mesma fonte, trata-se de um “momento de extrema relevância” para a história de Cabo Verde, que confirma, “por meio de evidências materiais”, que Alcatraz funcionou como a Capitania Norte da ilha de Santiago, conforme a divisão administrativa do início do povoamento da ilha (1462), entregue ao capitão donatário Diogo Afonso há seis séculos.

“Além de trazer evidências sobre os primórdios da história de Cabo Verde e reforçar a compreensão da organização administrativa e social da ilha de Santiago no século XV, esses achados arqueológicos têm o potencial de enriquecer significativamente o património cultural e a identidade nacional cabo-verdiana”, completou.

Os trabalhos arqueológicos estão a ser realizados pelo IPC e pela Universidade de Cambridge, em parceria com a Câmara Municipal de São Domingos, município onde fica situado o sítio histórico, classificado como património nacional.

Esta é a terceira escavação realizada na Baía de Alcatrazes, onde também funcionou um dos mais antigos templos da África subsaariana, depois de Novembro de 2022 e da primeira prospecção, em 2012, além de outros trabalhos arqueológicos realizados pelo meio.

Em Novembro de 2022, numa reportagem da Lusa, Christopher Evans, arqueólogo da Universidade de Cambridge e que lidera a equipa de trabalhos, disse que foram descobertos seis edifícios no local, onde os portugueses tiveram uma presença por apenas cerca de 50 anos, de 1475 a 1525.

“E isso significa que há dois aspectos que o tornam interessante. Uma delas é que é muito importante em termos de artefactos, cerâmica, metais, todo o tipo de coisa que encontramos, porque é um período muito curto e isso é importante. Isso também significa que o local não é muito complicado”, explicou, na altura, o investigador.

Localizada na parte oriental da ilha de Santiago, a cerca de 30 quilómetros do centro da cidade da Praia, Alcatrazes terá sido, segundo os historiadores, a segunda povoação de Cabo Verde, desenvolvida em 1462, ao mesmo tempo que Ribeira Grande de Santiago (hoje património da Humanidade), mas foi abandonada meio século depois devido à aridez do local.

As escavações acontecem a cerca de 200 metros da igreja católica, gótica, de Nossa Senhora da Luz, datada de 1480, que será a segunda mais antiga da África subsaariana, depois da Cidade Velha, e que foi totalmente reabilitada em 2020.

O objectivo do IPC é transformar o local num centro interpretativo e num museu a céu aberto, para mostrar a história de Cabo Verde desde a sua ocupação e povoamento. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


Cabo Verde - Forte de São Veríssimo em reabilitação para integrar circuito turístico

O Governo de Cabo Verde tem em curso projetos urbanísticos e ambientais de mais de 200 mil contos (1,8 milhões de euros) para resolver “problemas estruturantes” da Cidade Velha, património mundial, disse à Lusa fonte oficial


A presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Ana Samira Baessa, avançou que as obras arrancaram nas estruturas envolventes do monumento, nomeadamente nos muros com vista para o mar, para depois passar para o interior.

Nessa fase, prosseguiu, serão concluídos os trabalhos arqueológicos, musealização da estrutura interna, reposição das peças na sua posição original, nomeadamente os canhões, iluminação, criação de acessibilidades e introdução de conteúdos.

A presidente do IPC previu a conclusão dos trabalhos ainda durante o primeiro semestre deste ano. “É uma obra rápida”, sublinhou Samira Baessa.

Orçado em cerca de 30 mil euros, o projeto de reabilitação é cofinanciado pelo Governo de Cabo Verde, através do Fundo do Turismo, e pelo Fundo Africano do Património Mundial (AWHF, na sigla em inglês).

A dirigente institucional disse que as obras arrancaram com a parte do financiamento do Governo e que o valor do Fundo Africano “já está despachado” e que está à espera que esteja disponível nas contas da instituição “a qualquer momento” para a execução dos trabalhos técnicos.

Segundo o IPC, a Fortaleza de São Veríssimo “está prestes a conquistar um lugar de destaque no mapa do roteiro turístico da Cidade Velha, graças às obras de reabilitação e musealização”.

O Forte de São Veríssimo, à entrada da Cidade Velha, foi construído possivelmente nos finais do século XVI (1590) e terá sido inicialmente uma plataforma de tiro, sendo uma das várias estruturas de defesa dos constantes ataques dos piratas ao sítio.

A reabilitação do monumento está enquadrada no projeto maior de requalificação urbana e ambiental da Cidade Velha, que vai trabalhar todo o aspeto paisagístico do sítio, no município da Ribeira Grande de Santiago, classificado como património mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em 2009.

Primeira capital do arquipélago de Cabo Verde, até 1770, a Ribeira Grande de Santiago, a 12 quilómetros da Cidade da Praia, foi elevada a cidade em 1533, altura em que contava com cerca de 500 habitantes, um quarto dos atuais. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde com “Lusa”


sábado, 18 de novembro de 2023

Cabo Verde - Criação do parque arqueológico subaquático na Boa Vista

Trabalhos de prospecção subaquática na ilha de Boa Vista começaram esta semana e marcam o início da criação do primeiro parque arqueológico subaquático do país, informou o Instituto do Património Cultural (IPC)


Os trabalhos estão a decorrer na cidade de Sal Rei até este sábado, no âmbito do projecto de Cooperação Territorial, financiado pela União Europeia no quadro do Programa Mac 2014-2020, avançou a mesma fonte, em comunicado de imprensa.

O referido projecto tem como principal objectivo a implementação de uma Rede de Parques Arqueológicos da Macaronésia, prosseguiu ainda a nota.

Realizada por consórcio de empresas de mergulho nacional e do Senegal, acompanhados por arqueólogos da Universidade Nova de Lisboa e afectos ao Escritório Regional da Unesco em Dakar, a prospecção é “o pé de saída para a criação do parque arqueológico subaquático”.

Segundo o IPC, no quadro deste programa já foram desenvolvidas várias actividades, nomeadamente acções de sensibilização e informação sobre o Património Subaquático, o inventário e catalogação dos naufrágios ocorridos em Cabo Verde, a melhoria dos espaços de interpretação como o Museu do Mar em São Vicente, o Museu de Arqueologia da Boa Vista e várias outras iniciativas.

Em Junho, o país inaugurou o Museu de Arqueologia da Boa Vista, devolvendo o espólio arqueológico à ilha onde se registaram a maioria dos naufrágios no arquipélago.

O Museu de Arqueologia da Boa Vista fica situado no antigo edifício da Alfândega Velha em Sal Rei, que foi reabilitado.

O museu contém acervos arqueológicos recolhidos na Boa Vista desde a década de 1990, ilha onde decorreram mais de 80% dos naufrágios no arquipélago e os objectos estavam expostos no Museu de Arqueologia da Praia.

Descoberta em 1480 por navegadores portugueses, a Boa Vista dista cerca de 450 quilómetros da costa africana e conheceu o seu desenvolvimento a partir do século XVII quando se percebeu a qualidade do sal ali existente, que se tornou na sua maior fonte de rendimento, atraindo empresários de vários pontos, incluindo estrangeiros.

Assim, a costa da ilha ficou também conhecida por ter sido palco de históricos naufrágios e ataques de piratas e corsários, uma vez que assumiu papel crucial na exportação de sal a partir de Cabo Verde.

Só na segunda metade do século XIX há registo de pelo menos 50 naufrágios de navios de várias nacionalidades ocorridos ao largo da Boa Vista, actualmente a segunda ilha mais turística do arquipélago - depois do Sal - onde também foi reabilitado o secular Forte Duque de Bragança, que defendia a ilha dos piratas. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


quinta-feira, 8 de junho de 2023

Cabo Verde - Inauguração do projecto de requalificação e reabilitação do Forte Duque de Bragança, localizado no ilhéu da cidade de Sal Rei

Sal Rei – O primeiro-ministro considerou na Boa Vista que a intervenção na reabilitação do Forte Duque de Bragança enquadra-se na política cultural definida desde 2017 pelo Governo para restaurar, reabilitar e requalificar patrimónios históricos e religiosos do País.


Ulisses Correia e Silva falava na quarta-feira, 07, no acto de inauguração do projecto de requalificação e reabilitação do edifício histórico Forte Duque de Bragança, localizado no ilhéu da cidade de Sal Rei, construído em 1820 para proteger Boa Vista.

O chefe do Governo destacou, por isso, a importância deste tipo de intervenção, uma vez que países que deixam degradar os seus patrimónios “não valorizem a sua história e identidade”, pois, considerou, além do valor económico este tipo de património tem “um valor simbólico forte” do percurso e história da Nação e da transmissão de valores para o futuro.

“Este património tem um valor turístico importante porque é uma centralidade de visita da ilha, ao mesmo tempo agradável porque para se chegar aqui se faz uma travessia de pouco tempo no mar, o que aumenta possibilidade de haver mais visitantes, e isto terá uma devolução com valor acrescido para a população e para o território local e nacional”, frisou, reconhecendo a parceria com a Câmara Municipal da Boa Vista.

Na ocasião, o chefe do Governo felicitou o Instituto do Património Cultural (IPC) por este projecto que, a seu ver, “demonstra o trabalho meritório” que a instituição tem vindo a desenvolver com “esforço e qualidade”, que ficou também com a marca do ex-presidente do IPC, Hamilton Jair Fernandes, pela dedicação a este restauro e iniciativa de colocar este património dentro do leque dos reabilitados.

“Com estas reabilitações estamos a restaurar, a reconstituir, e a restituir a nossa história como povo independente, e não somente o património colonial como tem sido veiculado em debates”, afirmou, por seu lado, o ministro da Cultura, Abraão Vicente, que recordou outras reabilitações como a Catedral e o Pelourinho da Cidade Velha e o Forte de São Filipe.

O presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, Cláudio Mendonça, manifestou-se satisfeito pela requalificação, visto que vai valorizar o espaço e a cidade de Sal Rei, destacando-o como um “elemento importante para resgatar e valorizar a história e a cultura” da ilha, contribuindo para “alavancar a actividade económica” da Boa Vista, que é o turismo.

“Hoje colocou-se uma gota de água para o desenvolvimento do município”, disse o autarca, garantindo que a sua equipa fará de tudo para valorizar e conservar o espaço, a começar pelo aspecto ambiental, que deve merecer a atenção não só da autarquia, como dos munícipes, entidades públicas e privadas.

A reabilitação é parte integrante do Plano Nacional de Reabilitação dos Edifícios Históricos e Estudos Religiosos, coordenado pelo Ministério da Cultura das Indústrias Criativas, através do Instituto de Património Cultural (IPC).

As obras de requalificação do Forte Duque de Bragança incluíram a conservação e restauro de sete canhões do monumento, colocados no passadiço que vai desde o Forte até o litoral, e a musealização com colocação de sinaléticas informativas à volta do ilhéu.

Além da reabilitação deste edifício histórico e património e a musealização de todo o ilhéu foram igualmente criados roteiros subaquáticos, reabilitada e requalificada a antiga Alfândega, edifício onde foi instalado o Museu de Arqueologia Subaquática, que será inaugurado hoje, projetos que complementam o núcleo de arqueologia da Boa Vista.

O projecto contou com co-financiamento da Direção Nacional do Ambiente, através do programa da Bio-Tur com o financiamento do PNUD no valor de 3508 contos, sendo o valor global do investimento de 4208 contos. In “Inforpress” – Cabo Verde


sexta-feira, 31 de março de 2023

Cabo Verde - Recuperado mais um canhão de forte secular no ilhéu da Boa Vista

A reabilitação em curso no secular Forte Duque de Bragança, construído num ilhéu para proteger a ilha cabo-verdiana da Boa Vista dos piratas, vai envolver a conservação dos sete canhões, um dos quais agora recuperado de uma colecção privada.


De acordo com informação divulgada pelo Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde, responsável pela obra de reabilitação e musealização do Forte com mais de 200 anos, do período colonial português, o restauro dos canhões vai decorrer até 06 de Abril, através de profissionais de conservação da instituição que se encontram no ilhéu.

“De referir que um destes canhões foi restituído no quadro desta missão, já que tinha sido apropriado há vários anos por um particular”, acrescentou a mesma fonte.

O Forte, construído durante o período colonial português, em 1820, no ilhéu na baía do porto da vila de Sal Rei, tinha a função de defesa do ancoradouro contra os então frequentes ataques de piratas à ilha da Boa Vista.

A um quilómetro da ilha da Boa Vista e da cidade de Sal Rei, sobreviveram até aos dias de hoje apenas os canhões e algumas muralhas, que ainda recordam as guerras do passado e a protecção da exportação de sal, pastel, algodão, gado, cal e cerâmica na altura.

A reabilitação em curso no Forte desde 2022 vai permitir a instalação de um centro interpretativo daquela área, conforme anunciou anteriormente o ministro da Cultura.

“Quando reconstruímos lugares como estes estamos a reconstruir parte da nossa própria história”, disse o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, durante uma recente visita à Boa Vista.

“Apresenta-se também, a partir deste Forte, o berço da ecologia de uma reserva natural da marinha a todo o mundo a partir de um património que serve como alavanca para a construção para contar a história da Boa Vista. Teremos, ainda, uma espécie de centro interpretativo para contar a história do ilhéu, da infra-estrutura, e uma plataforma que se ligará ao Centro Interpretativo do Museu da Arqueologia Subaquática, com uma sala dedicada ao ilhéu”, acrescentou.

Trata-se de uma obra avaliada em 4,2 milhões de escudos cabo verdeanos (38 mil euros), co-financiada pela Direcção Nacional do Ambiente através do programa da Bio-Tur e com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O Forte já foi anteriormente alvo de trabalhos de prospecção arqueológica e neste momento as obras têm como foco a consolidação dos restos arquitectónicos, em sítios onde se revelem necessários, para que possa impedir a contínua degradação, aliás visível neste momento.

Após a conclusão da reabilitação, o objectivo do Governo cabo-verdiano é integrar o monumento na rota do turismo local, sendo esta a segunda ilha mais procurada pelos visitantes do arquipélago.

Segundo o IPC, o projecto, além de permitir reabilitar um Forte histórico para o arquipélago, vai ainda gerar indirectamente uma nova fonte de rendimento para os pescadores locais, que garantem o transporte entre a ilha do Sal, onde prospera o turismo internacional e o ilhéu da Boa Vista. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau com “Lusa”


sábado, 18 de fevereiro de 2023

Cabo Verde - Inauguração das obras de reabilitação do Forte Duque de Bragança no ilhéu de Sal-Rei prevista para Março, segundo o Instituto do Património Cultural


Sal Rei – As obras de reabilitação e conservação do Forte Duque de Bragança, no monumento natural do ilhéu de Sal-Rei, decorrem “a bom ritmo” e a sua inauguração está prevista para Março próximo, informou o Instituto do Património Cultural (IPC).

Esta constatação foi feita após a directora dos Museus, Ana Samira Baessa, ter visitado as obras da fortaleza, no ilhéu de Sal-Rei, na Boa Vista, para se inteirar dos trabalhos que se encontram na sua fase final.

De acordo com IPC, este projecto visa a reabilitação e musealização do Forte do Duque de Bragança, com foco na consolidação dos restos arquitetónicos, em sítios onde se revelem necessários, para que possa impedir ao máximo a contínua degradação que tem sido notado ao longo do tempo, minimizando danos maiores.

Este projecto é co-financiado pela Direcção Nacional do Ambiente, através do programa da Bio-Tur, com o financiamento do PNUD, em 3,5 mil contos, sendo o valor global do investimento, de 4,2 mil contos.

Para a efectivação deste projecto, cujos trabalhos deram início em Outubro de 2022, o IPC conta com a parceria da Câmara Municipal da Boa Vista. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Cabo Verde - Bairros da Cidade Velha já têm comissão de moradores que vão contribuir na gestão do Património Mundial


Cidade da Praia – Os diferentes bairros da Cidade Velha, Património Mundial da Unesco, já contam com os seus representantes, os quais vão desempenhar o papel de “mediador actuante” entre os responsáveis pela gestão do sítio e a comunidade.

De acordo com nota do Instituto do Património Cultural (IPC) enviada à Inforpress, esta eleição teve como objectivo fazer com que cada bairro tenha um “mediador actuante”, entre os responsáveis pela gestão do sítio e a comunidade, fazendo jus ao eixo I – Envolvimento, Participação e Coesão Social, do Plano de Gestão da Cidade Velha, Património Mundial, 2019/2022, aprovado pela Unesco.

Este procedimento, que destaca a necessidade da implicação da população local no processo de gestão do sítio histórico, propõe uma nova abordagem de integração dos residentes e os mecanismos de articulação interinstitucional.

O que implica, de acordo com a mesma fonte, uma articulação permanente entre as instituições com responsabilidade nesta vertente com a comunidade, com vista a se valorizar e incorporar o seu contributo, visando “despertar um novo olhar” em relação a riqueza histórica do lugar.

Neste sentido, continua a mesma fonte, foram eleitos os representantes dos bairros de São Pedro, São Brás, Santa Marta, Largo Rua Calhau, São Sebastião e Santo António da Cidade Velha, Património Mundial.

Avança ainda que os líderes foram escolhidos “de forma livre e democrática” pelos membros dos bairros, acrescentando que a partir de agora terão a responsabilidade de participar no processo de seguimento e avaliação do plano de gestão, bem como tomar parte na gestão do sítio e nos fóruns de discussão.

Os escolhidos estão incumbidos ainda de representar o seu bairro em todas as atividades desenvolvidas e disseminar as informações no seu bairro sobre o processo de gestão, e, por outro lado, recolher as preocupações dos residentes nos diferentes bairros.

Os mesmos devem estar disponíveis para apoiar no processo de sensibilização para as boas práticas, zelar pelo cumprimento das normas de salvaguarda do sítio histórico e propor acções com vista a valorização do sítio.

“Com esta iniciativa espera-se uma gestão do sítio Património Mundial, mais participativa e principalmente impactante para a população local”, enfatizou o IPC na nota. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

domingo, 25 de setembro de 2022

Cabo Verde - Cidade Velha contemplada com um projecto da Unesco virado para valorização do sítio histórico

Cidade da Praia – A Cidade Velha, através de uma candidatura apresentada pelo Instituto do Património Cultural, foi contemplada com um projecto da Unesco na ordem dos 110 mil euros para capacitar os moradores na preservação e valorização do Património Mundial.

Denominado “Gestão do Património Mundial pós-covid-19”, o projecto passa por integração de estratégias de conservação, turismo e meios de subsistência locais em sítios do património mundial, mediante a capacitação dos habitantes, associações comunitárias locais e pequenas e médias empresas, para o seu envolvimento na valorização do património Cultural da Cidade.

A responsável do projecto, Yolanda Gomes, disse que o projecto apresentado ao público tem o papel de redefinir a estratégia de uma nova abordagem em relação ao sítio mundial, já que durante a fase crítica da pandemia da covid-19 o encerramento das fronteiras afastou os turistas da Cidade Velha, face às restrições impostas para fazer face à pandemia.

Considerando que foi um período “morto” para os operadores económicos, Yolanda Gomes declarou que o projecto conta com o financiamento do Fundo do Património Mundial e que se almeja despertar a população e operadores a desenvolver as suas mudanças de atitudes para projectar novas oportunidades de negócio no sítio histórico.

Melhorar a divulgação e promoção em termos de digitalização de informação afiguram-se como uma das preocupações dos promotores do projecto, que almejam dotar os habitantes da Cidade Velha de uma plataforma digital nos próximos três anos, com rendimentos assegurados tantos nos mercados formais como informais.

Nesta perspectiva, o IPC aposta em trabalhar com a comunidade em termos de capacitação para que no final as oportunidades de negócios sejam bem identificadas pelos próprios moradores, de forma a que as condições de vida sejam melhoradas.

Este projecto conta igualmente com a parceria da Câmara Municipal da Praia, instituição que esteve representada no evento pelo vereador Manuel Monteiro que manifestou o forte engajamento desta autarquia para que o sucesso desta iniciativa seja uma realidade.

A apresentação do projecto foi seguida de uma conversa aberta liderada pelo presidente da associação “Dono Nha Destinu” (Dono do meu Destino) Admilson Mendes, sob o tema “Turismo cultural comunitário”, cujo foco é consciencializar sobre a produção cultural na comunidade e criar a dinâmica cultural nas comunidades de Ribeira Grande de Santiago. In “Inforpress” – Cabo Verde

 

sábado, 2 de julho de 2022

Cabo Verde - Obras do núcleo de arqueologia e museologia e do Forte de Duque de Bragança arrancam este mês


Sal Rei – O presidente do Instituto do Património Cultural (IPC) informou que já se iniciaram processos formais para reabilitar o núcleo de arqueologia da Boa Vista, em Sal Rei, e o Forte Duque de Bragança, no ilhéu Djéu.

Hamilton Fernandes, que avançou à Inforpress ao fazer o balanço da missão à Boa Vista, indicou que as obras arrancam neste mês de Julho.

A visita, segundo a mesma fonte, foi ocasião ainda para encontros com parceiros locais, entre eles a câmara municipal, para iniciar a implementação dos projetos ligados à preservação do património e criação de novas ofertas a nível turístico-cultural.

Acompanhado da diretora dos Museus, Ana Baessa, e do arquiteto, Ricardo Ortet, em visitas ao edifício da ex-alfândega, situado no litoral da Praia de Diante, na cidade de Sal Rei, que albergará o Núcleo de Arqueologia da Boa Vista, Hamilton Fernandes informou que o espaço já foi cedido pelo Ministério das Finanças ao Ministério da Cultura.

Segundo explicou, a este projecto, que consta da diretiva de investimento turístico 2022/2026 aprovado recentemente pelo Conselho de Ministros, está alocado uma verba através do Fundo do Turismo, no valor de 12 mil contos.

O mesmo indicou ainda que, do total de 110 mil euros do projecto MERGULHAR2, cujo objectivo é valorizar a região subaquática da MACARONESIA, parte desta verba, isto é, 2500 contos serão utilizados neste projecto que terá sede no ex-edifício da alfândega, com conteúdo museológico, integrado num conjunto com suportes interpretativos e sistema audiovisual, entre outros recursos.

Sobre o encontro com empreiteiros, Hamilton Fernandes contou que através de uma lista pequena de propostas se irá selecionar a melhor, tendo em conta que, conforme sublinhou, é preciso salvaguardar o tempo de execução da obra, porque todo o projecto terá que ser instalado num horizonte temporal de seis meses.

“É importante mencionar que o projecto tem haver em certa medida com uma questão de justiça e justeza para com a ilha”, disse, indicando que o grosso do espólio dos trabalhos de arqueologia subaquática realizada desde os finais da década de 90, que se encontra no Museu da Arqueologia, da Cidade da Praia, é proveniente da ilha da Boa Vista.

Daí o dirigente do IPC pressupor que já é o momento de devolver à ilha da Boa Vista este “importante legado móvel”, no caso, acervos que serão instalados no museu.

Por outro lado, destacou a importância do museu para interpretação turística cultural, no aumento da diversificação de oferta de espaço de visitas onde turistas e nativos poderão conhecer a história da Boa Vista e de Cabo Verde, dado ao papel da ilha na abolição da escravatura, sendo que foi um entreposto de vigia atlântica e de comercialização do sal.

Ou seja, enalteceu, há uma “narrativa histórica importante” que pode ser passível de ser transformada em ativo, pelo que o museu será mais um espaço de contemplação e lazer a ser oferecido aos nativos e turistas.

A mesma fonte acrescentou que este projecto estará interligado com o de reabilitação do Forte Duque de Bragança, localizado no ilhéu Djéu, cujo processo teve início na sexta-feira, 24, com assinatura do protocolo com a Direção Nacional do Ambiente, através do programa Biotour, financiado pelo PNUD no valor de 4000 contos.

O responsável garantiu que, haverá a preocupação ambiental, em que será tido em conta a capacidade de carga no ilhéu Djeu, pelo que, indicou, haverá instalação de equipamentos leves e removíveis, como passadiços colocados para acesso a um circuito desenhado, painéis de sinalética localizados em pontos estratégicos e um quiosque em que o rendimento das vendas será revertido para campanhas de limpeza, manutenção do próprio Forte ou para outras actividades conexas.

Neste ponto, destacou o papel das ONG ambientais nos quesitos de sensibilização ambiental e remoção de resíduos a serem produzidos no local, acrescidas com as que são levadas pelas correntes marítimas nas zonas costeiras do ilhéu.

Entretanto, o dirigente do IPC alertou para que esta responsabilidade ambiental seja partilhada com a Câmara Municipal da Boa Vista, a Direção-geral do Ambiente, representado pela Ministério do Ambiente através da delegação na ilha, que envolverá também os privados, operadores turísticos, peixeiras e pescadores, que também ganharam com o projecto, por exemplo com disponibilização de botes para transporte de pessoas para o ilhéu.

“Será mais um espaço de visitação em que haverá toda uma cadeia econômica à volta da sustentabilidade da ilha”, finalizou, sublinhando serem projectos de reabilitação com perspectiva turístico, histórico e cultural assente na sustentabilidade ambiental. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Cabo Verde - Instituto Camões cofinancia musealização de ruínas de igreja

O Instituto Camões vai cofinanciar em 15 mil euros o projeto de musealização das ruínas da Igreja Nossa Senhora da Conceição, situado na Cidade Velha, Património Mundial em Cabo Verde, informou o Instituto do Património Cultural cabo-verdiano

Segundo aquele instituto cabo-verdiano citado pela Inforpress, o projeto irá permitir a conservação dos vestígios local e inovar as infraestruturas culturais do sítio histórico cabo-verdiano.

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, localizado na Cidade Velha, Património Mundial, é conhecida como uma das mais antigas igrejas de Cabo Verde, (construída entre 1466 e 1470), serviu de oratório para os habitantes senhoriais sediados no bairro de São Pedro.

De acordo com o IPC, a musealização deste património histórico justifica-se pela necessidade de uma “nova abordagem” na gestão da Cidade Velha como sítio classificado como Património Mundial da Humanidade.

Conforme o projeto, criado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, a musealização irá permitir uma “compreensão fidedigna” da história e do sítio arqueológico na sua íntegra, gerar empregos através de espaços de qualidade como um produto turístico de excelência, bem como aproveitar o património através de políticas públicas, no sentido de melhorar as condições de vida da comunidade.

“Seguindo as recomendações da UNESCO, segundo a qual é desejável um melhor equilíbrio entre a conservação do património histórico e o desenvolvimento urbano, valorização do espaço natural e ambiental, com vista a contribuir para melhorar a qualidade de vida e sentido de pertença dos residentes e visitantes”, descreveu o IPC.

A mesma fonte recordou que em 2015 a mesma igreja foi alvo de escavações para estudos arqueológicos lideradas por dois cientistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Durante as escavações, os arqueólogos recuperam a planta da superfície da igreja, para além de várias lápides de dignitários locais da época como o de Fernão Fiel de Lugo, traficante de escravos e tesoureiro da Cidade Velha entre 1542 e 1557.

A musealização da Igreja Nossa Senhora da Conceição é mais um projeto do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde que é financiado pelo Camões Instituto de Portugal, depois da reabilitação da Capela Gótica no interior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, num valor de 50 mil euros, refere a Inforpress. In “A Semana” – Cabo Verde com “Inforpress”


sábado, 12 de dezembro de 2020

Cabo Verde - O projeto do futuro Museu da Emigração


Há sensivelmente um mês, o Instituto do Patrimônio Cultural (IPC) de Cabo Verde, que tem por missão a identificação, inventariação, investigação, salvaguarda, defesa e divulgação dos valores do patrimônio cultural, móvel e imóvel, material e imaterial da nação insular, antiga colônia portuguesa, localizada perto da costa noroeste de África, apresentou virtualmente o projeto do futuro Museu da Emigração de Cabo Verde.

A iniciativa, que visa a preservação e valorização da identidade cultural do arquipélago, formado por dez ilhas vulcânicas na região central do Oceano Atlântico, através de um espaço museológico que permita perpetuar e salvaguardar todo o processo histórico da emigração cabo-verdiana, constitui no âmbito da cultura lusófona uma excelente notícia e um projeto estruturante. Pois como assinalam os responsáveis do IPC, Cabo Verde é “historicamente desde a sua génese um país de emigração, migração interna entre as ilhas, emigração para o estrangeiro”, como seja, a emigração para o continente africano, como por exemplo, para outras antigas colônias lusas, designadamente São Tomé e Angola, e para vários países europeus, mormente para Portugal.

Na esteira das palavras do antropólogo Gaudino Cardoso, Cabo Verde, cuja metade da população vive fora do país, consequência da escassez de recursos naturais e da pobreza econômica do território insular, constitui “Avenidas de Comunicação com o resto do Mundo”.

Uma “avenida de comunicação” que no caso concreto de Portugal contribui para que a comunidade cabo-verdiana seja atualmente uma das comunidades imigrantes mais representativas. No início deste século estimava-se que havia 83 000 descendentes ou originários de Cabo Verde a residirem no território nacional, dos quais 90% na Grande Lisboa. Como sustenta Sandra Maria Moreira Cabral da Veiga, na tese Os Emigrantes cabo-verdianos em Portugal: Identidade construída, os cabo-verdianos “constituem o grupo contemporâneo de emigrantes com níveis de consolidação mais significativos no contexto da sociedade portuguesa” e são “uma das mais importantes comunidades de emigrantes em Portugal, quer em termos numéricos, quer históricos”.

Futuro polo dinamizador das profundas relações históricas e culturais da nação cabo-verdiana com a pátria lusa e o mundo lusófono, o recente anúncio da criação do Museu da Emigração de Cabo Verde pode ter igualmente o condão de despertar em Portugal o adormecido projeto do Museu Nacional da Emigração, cuja criação foi aprovada, como recomendação, pela Assembleia da República, a 27 de outubro de 2017, e cuja construção está prevista desde 2018 em Matosinhos.

Um projeto, há muito ambicionado pelas comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, cuja passagem do papel para a realidade peca por tardia, que além de uma perspetiva polinuclear de articulação com vários museus municipais e regionais ligados ao fenômeno migratório, como é o caso por exemplo, do Museu das Migrações e das Comunidades, em Fafe, o Espaço Memória e Fronteira, localizado em Melgaço, e o Museu da Emigração Açoriana, instalado na Ribeira Grande. Deve igualmente, possuir uma dimensão de articulação e cooperação transnacional, não só com outros núcleos museológicos espalhados pelas comunidades portuguesas, como é o caso da Galeria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico em Toronto, que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá, mas também com o mundo lusófono, como é o caso do vindouro Museu da Emigração de Cabo Verde. Daniel Bastos – Portugal in “Mundo Lusíada”


 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Cabo Verde – Acessibilidade a todos os patrimónios reabilitados melhorada

 


Cidade Velha – O ministro da Cultura, Abraão Vicente, garantiu hoje que todos os patrimónios que estão neste momento a ser reabilitados recebem também obras de acessibilidade para permitir que todos tenham acesso, independentemente das suas condições de mobilidade.

Abraão Vicente fez esta declaração à margem do acto de inauguração do passadiço no Forte de São Filipe, Cidade Velha, uma iniciativa da Federação Cabo-verdiana de Associações de Pessoas com Deficiência (FECAD), em parceria com o Instituto do Património Cultural (IPC), no âmbito de um programa de acesso à cultura em Cabo Verde e desenvolvimento turístico e de representação das pessoas com deficiência, financiado pela União Europeia.

Todas as obras que receberam reabilitação neste momento recebem uma programação e as obras já incluem o acesso a todos. Os museus de Cabo Verde, alguns deles, estão a receber obras para promover o acesso. Tudo aquilo que são patrimónios e espaços culturais estão a ser neste momento adaptados”, disse.

Exemplificando, Abraão Vicente citou o Convento de São Francisco, que tem um difícil acesso para pessoas com dificuldade de mobilidade, e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (todos na Cidade Velha) que, segundo disse, já foi criada com esses aspectos.

Em relação ao passadiço no Forte de São Filipe, o governante referiu que representa o “reforço da parceria da parceria entre Cabo Verde e a União Europeia, que financiou no valor de 2800 contos a criação das condições para que o Forte seja totalmente visitável e acessível”.

O também ministro das Indústrias Criativas afirmou ainda que esta obra dá mais acesso, não só às pessoas com dificuldades de locomoção, mas também aos próprios cidadãos sem nenhuma dificuldade, porque cria um outro campo de visita do próprio ao espaço.

Segundo o titular da pasta da Cultura, tal como se está a fazer na Biblioteca Nacional com o livro, procede-se também com os patrimónios, por forma a torná-los mais visitáveis em qualquer das ilhas.

“No caso do Forte, eu creio que é um instrumento que valoriza a próprio gestão do Forte (…) Nossa ideia, a partir de 2021, é dar uma outra dinâmica, mais forte. Realização aqui de eventos, criar mais conteúdos em que o Forte de São Filipe sirva como pretexto para promover Cabo Verde e promover também o Património da Humanidade que é Cidade Velha”, completou.

Por seu turno, a embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Sofia Moreira Sousa, destacou a importância e a simbologia deste projecto.

“Estamos aqui na Cidade Velha, Património da Humanidade e, realmente, para nós é muito importante aliar esforços com uma entidade como a FECAD, como o Instituto do Património Cultural de Cabo Verde, de trabalhar em conjunto de forma que seja um património de toda a humanidade. Ou seja, que as pessoas que tenham mobilidade reduzida possam também desfrutar, visitar, percorrer e aproveitar essa paisagem maravilhosa e este monumento que é pela importância histórica que detém”, realçou.

Já o presidente da FECAD, António Pedro Melo, falou em “um momento histórico”, uma vez que, segundo ele, “há poucos anos era impensável fazer um passadiço num monumento histórico”.

“Hoje tudo está-se a mudar e para melhor. Isso é muito bom. Eu acho que é um passo muito importante, nós vamos ter que continuar o nosso trabalho de sensibilização e junto das autoridades e das instituições como forma de conseguir uma maior sensibilidade, para que as pessoas com deficiência e daí sonhar mesmo com a inclusão”, finalizou. In “Inforpress” – Cabo Verde

domingo, 15 de novembro de 2020

Cabo Verde – Instituto do Património Cultural apresenta catálogo do Inventário do Património Cultural Imaterial de Ribeira Grande de Santiago

 


Cidade da Praia – O Instituto do Património Cultural (IPC) apresenta esta segunda-feira, 16, o catálogo do Inventário do Património Cultural Imaterial (PCI) da Ribeira Grande de Santiago, um documento que figura como um dos produtos do inventário de base comunitária.

Este inventário, realizado nas comunidades de Calabaceira, Salineiro e Centro Histórico do concelho da Ribeira Grande de Santiago, segundo uma nota do IPC, remata a importância da Ribeira Grande de Santiago no contexto mundial, enquanto sítio histórico e património da humanidade.

“O inventário, organizado em colaboração com a Unesco Dakar e a secção do Património Cultural Imaterial da Unesco, almejou ser uma primeira etapa no processo de reconhecimento do papel das comunidades como obreiras no processo de salvaguarda do património local, capacitando-as para a elaboração e prática do inventário do seu património cultural imaterial”, informou.

Esse conjunto manifesta-se em domínios como tradições e expressões orais, incluindo a língua, enquanto vector de transmissão, artes do espectáculo, práticas sociais, rituais e eventos festivos, conhecimentos e práticas relacionadas com a natureza e as aptidões ligadas ao artesanato tradicional.

“O catálogo sistematiza as informações mais expressivas do inventário e pretende consciencializar as comunidades locais para a importância do património imaterial enquanto identidade partilhada, que as conecta aos seus antepassados e deve ser legada às gerações vindouras, criando uma ponte passado-presente-futuro, passível de potenciar o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida dos locais”, precisou.

Depois desta inventariação, cabe agora à direcção do património imaterial do IPC a responsabilidade de empreender as medidas de salvaguarda, visando a viabilidade e revitalização do património imaterial nos seus diferentes aspectos. Isto é, através do processo de inventário tendo em vista a sua classificação, salvaguarda e, no plano internacional, a inscrição de bens culturais nacionais na Lista Representativa da Unesco.

Além da caracterização dos domínios e tipologias das manifestações dos PCI, no catálogo realizado nas três comunidades pertencentes ao município de Ribeira Grande de Santiago, também foram identificados os que se encontram em risco e estipuladas as potenciais medidas para a sua salvaguarda.

Este inventário enquadra-se na estratégia global da UNESCO de reforço das capacidades dos países para implementação da Convenção de 2003, em particular, o programa “Reforço das capacidades dos países lusófonos da África para implementação da Convenção de 2003”.

A apresentação do referido catálogo será feita pela directora do Património Imaterial, Sandra Mascarenhas, através de um ‘live’ na página do Facebook do IPC. In “Inforpress” – Cabo Verde