Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Portugal - Investigador da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto estuda como degradar o plástico com ajuda da inteligência artificial

Alexandre Pinto conquistou uma bolsa da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica para desenvolver ferramentas de design computacional de enzimas.


Anualmente, são produzidas 500 mil milhões de garrafas a partir de um plástico conhecido por PET (polietileno tereftalato), com graves consequências para o meio ambiente e para a saúde humana. Através da bioquímica computacional, é possível criar enzimas capazes de degradar este tipo de plástico. É esta a motivação de Alexandre Pinto, investigador e docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), que conquistou uma bolsa da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica (FEBS) e rumou à Universidade de Girona, em Espanha, para integrar o grupo da cientista Silvia Osuna, uma referência mundial em design computacional de enzimas.

Durante a estadia em Girona, Alexandre, que terminou em 2025 o doutoramento em Química, estará a trabalhar no desenvolvimento de ferramentas de design computacional de proteínas através da inteligência artificial.

“Espero que esta oportunidade ajude a reforçar a nossa capacidade de conceber enzimas mais eficientes para aplicações biotecnológicas na área da reciclagem de plásticos”, salienta o alumnus da FCUP.  O objetivo é aplicar estas novas moléculas, por exemplo, a bioreatores enzimáticos em centros de reciclagem, que terão assim taxas de degradação do plástico superiores e um menor gasto energético.

“A ciência computacional que desenvolvemos é poderosa, mas precisa de chegar a quem trabalha no laboratório e na indústria, e aproximar esses mundos é algo que me motiva cada vez mais”, confessa o jovem cientista, que tem desenvolvido a sua investigação no grupo High Performance Computing in Molecular Modelling, do LAQV/REQUIMTE – Laboratório Associado para a Química Verde, sob orientação da docente Maria João Ramos, especialista em bioquímica computacional.

O foco do seu trabalho é o estudo de enzimas capazes de degradar plásticos como o PET, com recurso a simulações de dinâmica molecular e métodos de mecânica quântica/mecânica molecular. Com todo o percurso académico realizado na FCUP, Alexandre tem como ambição dar uma aplicação prática à sua investigação, “contribuindo efetivamente para soluções sustentáveis no problema global dos plásticos”.

Para o investigador, ter sido selecionado para esta bolsa, um objetivo que surgiu ainda durante o doutoramento, é um “reconhecimento do trabalho desenvolvido e também da visibilidade e relevância internacional da ciência feita em Portugal”.

“É uma oportunidade única de aprender com um dos melhores grupos da área e de construir uma rede de colaborações que certamente marcará a minha carreira”, acrescenta Alexandre Pinto, que estará na Universidade de Girona até meados de junho.

Sobre a bolsa da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica

A Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica (FEBS, na sigla em inglês) é uma das organizações científicas mais prestigiadas na Europa na área das ciências bioquímicas.

A FEBS Short-Term Fellowship é uma bolsa da área das ciências biomoleculares (bioquímica, biologia molecular, biotecnologia, biomedicina, etc.) que tem como objetivo fomentar colaborações internacionais intensivas entre grupos de investigação europeus, através do financiamento de estadias curtas.

As bolsas têm uma duração de dois a três meses e destinam-se sobretudo a investigadores em início de carreira. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Vietname - O negócio sujo da reciclagem que está a fazer ricos

Agachado entre montanhas de plástico descartado, Lanh retira os rótulos das garrafas de Coca-Cola, Evian e chás vietnamitas locais para que possam ser derretidos e transformados em pequenos grânulos para reutilização. Mais lixo chega diariamente, acumulando-se como nevões multicoloridos ao longo das estradas e rios de Xa Cau, uma das centenas de aldeias de reciclagem “artesanais” que rodeiam Hanói, a capital do Vietname, onde o lixo é separado, triturado e derretido


As aldeias apresentam um paradoxo: permitem a reutilização de parte das 1,8 milhões de toneladas de resíduos plásticos que o Vietname produz anualmente e possibilitam aos trabalhadores a obtenção de salários tão necessários. Mas, a reciclagem é feita com pouca regulamentação, polui o ambiente e ameaça a saúde dos envolvidos, disseram à AFP trabalhadores e especialistas.

“Este trabalho é extremamente sujo. A poluição ambiental é realmente grave”, disse Lanh, de 64 anos, pedindo para ser identificada apenas pelo primeiro nome por receio de perder o emprego.

É um dilema enfrentado por muitas economias em rápido crescimento, onde a utilização e eliminação do plástico ultrapassou a capacidade do governo de recolher, separar e reciclar. Mesmo nos países ricos, as taxas de reciclagem são frequentemente muito baixas porque a reutilização de produtos plásticos pode ser cara e as taxas de triagem são baixas.

No entanto, os métodos rudimentares utilizados nas aldeias artesanais do Vietname produzem emissões perigosas e expõem os trabalhadores a produtos químicos tóxicos, alertam os especialistas.

“O controlo da poluição do ar é zero nestas instalações”, disse Hoang Thanh Vinh, analista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, com foco na reciclagem de resíduos. O esgoto não tratado é frequentemente despejado directamente nos cursos de água, acrescentou.

A verdadeira dimensão do problema é difícil de avaliar, existindo poucos estudos abrangentes.

Na aldeia de Minh Khai, segundo Vinh, uma análise de sedimentos detectou “uma contaminação muito elevada por chumbo e a presença de dioxinas”, bem como furano – todos associados ao cancro. Em 2008, verificou-se que a esperança de vida dos residentes das aldeias era uma década inferior à média nacional, segundo o Ministério do Ambiente.

As autoridades locais e o ministério não responderam aos pedidos de comentários da AFP.

Lanha acredita que o lixo tóxico em Xa Cau causou cancro no sangue do marido, mas ainda passa os dias a separar o lixo para pagar as suas despesas médicas. “Esta aldeia está cheia de casos de cancro, pessoas apenas à espera da morte”, disse ela.

Não existem dados sobre as taxas de cancro nas aldeias, mas a AFP falou com mais de meia dúzia de trabalhadores em Xa Cau e Minh Khai que relataram casos de colegas ou familiares com cancro.

O coordenador da Aliança Lixo Zero do Vietname, Xuan Quach, disse que a exposição contínua ao “ambiente tóxico” torna inevitável que os residentes enfrentem “riscos para a saúde que são, obviamente, maiores”.

Um residente de 60 anos, conhecido por Dat, separa o plástico em Xa Cau há uma década e disse que o trabalho “afecta definitivamente a saúde”. “Não faltam casos de cancro nesta aldeia”, aponta.

Mas também não faltam trabalhadores, ávidos da tábua de salvação económica que a reciclagem proporciona.

Em Xa Cau, o plástico acumula-se em redor de casas de vários andares, algumas com fachadas ornamentadas que indicam os anos em que foram construídas.

“Enriquecemos graças a este negócio”, disse Nguyen Thi Tuyen, de 58 anos, que vive numa casa de dois andares. “Agora todas as casas são de tijolo. No passado éramos apenas uma aldeia agrícola”.

A maior parte do lixo que os residentes reciclam é de produção local, dizem investigadores e residentes.

Embora o Vietname recicle apenas cerca de um terço do seu próprio lixo plástico, importa milhares de toneladas anualmente da Europa, EUA e Ásia. As importações dispararam depois de a China ter deixado de aceitar lixo plástico em 2018, embora o Vietname tenha recentemente endurecido as regulamentações e anunciado planos para eliminar gradualmente também as importações.

Para já, estatísticas comerciais dos EUA e da União Europeia mostram que as remessas para o Vietname provenientes destas duas economias atingiram mais de 200 mil toneladas em 2024.

Em Minh Khai, o proprietário de uma fábrica de grânulos de plástico disse que a oferta interna “não é suficiente”. “Preciso de importar do estrangeiro”, explicou Dinh, de 23 anos, no meio do zumbido das máquinas pesadas.

A maior parte do lixo doméstico não está separado, pelo que não pode ser facilmente reutilizado.

Houve esforços para melhorar o sector, incluindo a proibição da queima de resíduos não recicláveis ​​e a construção de instalações modernas. Mas, a queima continua e o lixo inutilizável é frequentemente descartado em terrenos baldios, referiu Vinh, defendendo que o governo deveria ajudar as empresas de reciclagem a mudarem-se para parques industriais com melhores medidas de protecção ambiental, formalizando um sector que processa um quarto da reciclagem do país.

“O método actual de reciclagem nas aldeias de reciclagem… não é nada bom para o ambiente”. In “Jornal Tribuna de Macau” com “AFP”


quarta-feira, 10 de julho de 2024

União Europeia - O que está por trás das novas tampas de garrafas de plástico?

Um novo requisito para um design fixado com fita para tampas de plástico em garrafas de bebidas entrou oficialmente em vigor na UE na passada quarta-feira, 3, mas o que está por trás desta medida?


Abrir uma Coca-Cola gelada num dia quente é um dos grandes prazeres da vida, mas de agora em diante será uma experiência diferente.

Isso ocorre porque as garrafas plásticas na Europa estão a mudar devido às novas regras da UE.

Talvez já tenha deparado com as novas tampas de plástico que ficam presas à garrafa.

Caso contrário, faça isso em breve, pois elas já são obrigatórias em toda a UE.

Veja por que isso está a acontecer e o que as pessoas pensam sobre o novo design.

Qual é o novo design da tampa de garrafa plástica?

O novo design é bem direto. Em vez das tampas que estamos acostumados que se libertam completamente, há tiras extras de plástico a conectar a tampa à garrafa.

A Coca-Cola foi uma das primeiras a adoptar a mudança e lançou o design por toda a Europa no último ano.

“Esta pequena mudança tem o potencial de causar um grande impacto, garantindo que os consumidores reciclem as nossas garrafas e nenhuma tampa seja deixada para trás”, disse a gerente da Coca-Cola Ireland, Agnese Filippi, antes da introdução.

O que os consumidores pensam sobre as novas tampinhas de garrafa?

A Coca-Cola e outras grandes empresas de bebidas nem sempre foram tão abertas a mudar o design das suas garrafas.

Quando as regras que exigiam a mudança foram anunciadas pela UE em 2018, eles reagiram alegando que isso levaria a um aumento no uso de plástico e teria um custo para os fabricantes.

Agora que o novo design está a ser lançado em todo o continente, alguns consumidores também estão incomodados com ele.

Recorreram às redes sociais para reclamar que a tampa batia no rosto deles enquanto bebiam, dificultando a tarefa de servir as bebidas.

Por que a tampa está presa na minha garrafa de plástico?

É obrigatório que todos os estados da UE tenham eliminado gradualmente as tampas soltas até 3 de julho para garrafas plásticas de bebidas de até três litros. Faz parte de uma diretiva da UE anunciada em 2018 que visa reduzir o desperdício de plástico de uso único.

Tampas soltas foram proibidas como parte de um plano maior para lidar com o desperdício de plástico na Europa.

O bloco diz que eles são um dos produtos plásticos de uso único mais atirados nas praias.

No momento, grandes quantidades não são recicladas e acabam nos nossos oceanos. Investigadores estimam que a produção e a incineração de plástico lançaram mais de 850 milhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera em 2019.

As novas tampas de plástico são apenas uma de uma série de medidas adoptadas pela UE.

Embalagens para frutas e vegetais frescos, artigos de higiene para mini hotéis e fast food em restaurantes serão proibidas em breve, segundo a legislação acordada em março. Embora seja uma batalha difícil com grandes esforços de lobbies contra tais movimentos e nervosismo recente em torno do Acordo Verde Europeu.

A esperança é que, ao colocar a tampa, as pessoas sejam menos propensas a jogá-la fora, já que, para isso, seria preciso jogar a garrafa inteira fora junto.

Os estados-membros da UE são livres para definir os seus próprios requisitos de design, desde que “as tampas e tampinhas permaneçam presas aos recipientes durante o tempo de uso pretendido dos produtos”. Então, o design que estamos vendo atualmente em bebidas como a Coca-Cola não é o único possível, embora seja o mais comum, dado o seu domínio de mercado. Outras grandes empresas de bebidas já adoptaram o design da Coca-Cola.

O Reino Unido terá novas tampinhas de garrafa mesmo depois do Brexit?

Embora seja uma política da UE livrar-se delas, isso teve efeitos colaterais noutros países. As empresas produzem garrafas e tampas em massa, então é complicado fazer estilos diferentes para países diferentes. Como resultado, as principais empresas de bebidas também estão a lançar as novas tampas em países fora da UE, como o Reino Unido, embora não sejam legalmente obrigadas a isso. Euronews.green


terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Cabo Verde - Estudante da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto mapeia o País para proteger as tartarugas do plástico

Diana Sousa Guedes está a usar imagens de drone para mapear o lixo marinho nas praias de Cabo Verde. O objetivo é ajudar na conservação da tartaruga-comum


Diana Sousa Guedes, estudante do Programa Doutoral em Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), tem estado a mapear, com recurso a um drone, o lixo marinho das praias de Cabo Verde, num trabalho que procura perceber o impacto do plástico nas tartarugas-marinhas. O objetivo é proteger estas espécies ameaçadas de extinção, num cenário cujos resultados não são, desde logo, nada animadores.

“Numa das praias da ilha de Santa Luzia (lado norte), detetámos 917 itens de plástico grandes, médios e pequenos (maiores de um milímetro) por metro quadrado”, detalha a bióloga de 32 anos.

Apesar desta praia não ter habitantes, os números não deixam de surpreender os cientistas. Diana Sousa Guedes aponta para o papel das correntes oceânicas: “estando na rota do Giro do Atlântico Norte, as praias do Norte e Este destas ilhas acumulam muito do lixo que vem dos oceanos”.

Com estes dados, a jovem investigadora pretende obter um mapa de Cabo Verde com as zonas mais vulneráveis para a nidificação da tartaruga-comum (Caretta caretta), tendo em conta a poluição por plástico e as previsões de subida do nível do mar no arquipélago.

“Estes mapas poderiam levar a medidas práticas, por exemplo, pressionar para a restrição na produção e utilização de materiais de pesca feitos de plástico e o incentivo a materiais mais sustentáveis; a limpeza mais regular destas praias mais vulneráveis; ou a educação e sensibilização ambiental das comunidades locais de pescadores”, conta.

Oitenta por cento do lixo encontrado corresponde, precisamente, a redes de pesca e materiais ligados a esta atividade. O plástico que vai ter às praias dificulta a sobrevivência das tartarugas-marinhas que, quando eclodem do ninho, veem-se numa corrida de obstáculos para chegar ao mar.


Plástico afeta a sobrevivência das tartarugas bebés

Na base deste mapa, está o trabalho de campo realizado em 2021, sob orientação de Neftalí Sillero, do CICGE – Centro de Investigação em Ciências Geo-Espaciais na FCUP.

Diana Sousa Guedes, que está agora no 3º ano do doutoramento, fez uma “grande amostragem de macro-plásticos, através de drone, e micro-plásticos, com a recolha de amostras de areia. O trabalho concentrou-se em sete das nove ilhas que compõem o arquipélago: Boavista, Maio, Sal, Santa Luzia, Santiago, Santo Antão e São Vicente.

No mesmo ano, comparou os padrões de emergência de juvenis de tartaruga-comum dos ninhos com e sem plástico. “Neste estudo verificámos que o plástico na superfície dos ninhos afeta a emergência sincronizada dos juvenis, por exemplo, cria um efeito de barreira impedindo-os que saiam todos ao mesmo tempo do ninho”, conta.

“Isto pode ser problemático porque a emergência sincronizada do ninho dá-lhes uma vantagem de sobrevivência nas praias: ao saírem todas juntas, o risco de predação (por caranguejos, por exemplo) é menor”, acrescenta a estudante.

Já em 2022, fez um estudo para quantificar a contaminação química causada pelos plásticos na areia dos ninhos. Nos ninhos com plástico, detetaram níveis significativos de retardadores de chama (PBDEs, éteres difenílicos polibromados), que são aditivos químicos adicionados a vários produtos, nomeadamente, eletrónicos, materiais isolantes ou têxteis, para que estes não inflamem. “Estes contaminantes podem causar imensos problemas endócrinos nos organismos”, explica Diana.

É precisamente esta contaminação que mais preocupa a investigadora. “Muitos destes químicos são persistentes e também não se sabe até que ponto se degradam no ambiente.”

O trabalho de mapeamento das praias de Cabo Verde envolve ainda outra ameaça, consequência das alterações climáticas, que está a afetar estes animais. A subida do nível do mar também põe em risco as tartarugas, uma vez, que, ficando o areal disponível “muirto molhado”, inunda o ninho e inviabiliza os ovos.  De acordo com as Nações Unidas, só na última década, a subida do nível médio do mar duplicou

Documentário “Marés de plástico”

No ano passado, Diana regressou à Boavista, em Cabo Verde e produziu, com a coorientadora Filipa Bessa, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Mare) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, um mini-documentário intitulado “Marés de Plástico”.

A produção do filme envolveu instituições cabo-verdianas, como a BIOS.CV, e espanholas. O objetivo foi compilar os dados recolhidos durante a investigação e mostrar o trabalho realizado em Cabo Verde.

Atualmente a estudante está a escrever os primeiros capítulos da sua tese e tem já planos para continuar a investigação após terminar o doutoramento.

Para além de Filipa Bessa e Neftalí Sillero, este trabalho conta também com a orientação de Adolfo Marco, Estação Biológica de Doñana, na Espanha e que tem mais de 20 anos de experiência em conservação de tartarugas em Cabo Verde. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 26 de agosto de 2023

Portugal - Projeto científico de jovens portugueses conquista prata na Ásia

Três alunos de uma escola secundária em Ovar ganharam esta sexta-feira a medalha de prata num dos “maiores concursos” de ciência da Ásia para jovens pré-universitários com um projeto que testou a biodegradabilidade do plástico e esferovite usando larvas


Em declarações à Lusa, a presidente da Fundação da Juventude, Carla Mouro, salientou a “cada vez mais impressionante qualidade” dos jovens cientistas nacionais e a importância que “apostar na ciência” tem para o país.

André Silva, Carolina Leite e Lara Pereira, todos com 18 anos, alunos da Escola Secundária Júlio Dinis em Ovar, conseguiram o segundo lugar no China Adolescents Science and Technology Innovation Contest (CASTIC) e foram ainda distinguidos com o “Special Award” pela Indonesian Young Scientist Association, prémio que dá acesso a um novo concurso promovido por esta instituição.

“É de salientar a qualidade, cada vez mais impressionante, dos projetos que os jovens portugueses apresentam nos concursos que a Fundação organiza. Este projeto que foi à China foi escolhido através da Mostra Nacional de Ciência e a qualidade dos trabalhos da Mostra é impressionante”, afirmou Carla Mouro.

Segundo a responsável, “esta distinção, entre outras que Portugal vai conseguindo, mostra que a aposta na Ciência tem resultados e não só resultados económicos”.

Coordenados pelo professor Carlos Oliveira, os três jovens cientistas apresentaram um projeto intitulado “Larvas: Praga ou Solução?”, que testou a biodegradabilidade do plástico e também da esferovite usando larvas-da-farinha (tenebrio molitor) e larvas de traça-da-cera (galleria mellonella).

Segundo informação veiculada pela Fundação da Juventude, “aquelas espécies de larvas, geralmente reconhecidas como pragas para cereais, para produtos armazenados ou para colmeias de abelhas, mostraram potencial para uma mais rápida degradação de poliestireno expandido e de vários tipos de plástico (sintético, reciclado e biodegradável), podendo abrir novos caminhos para lidar com estes materiais de lenta decomposição e de grande concentração no meio ambiente”.

O CASTIC é organizado anualmente pela Associação Chinesa de Ciência e Tecnologia e pelo Ministério da Educação chinês, contando já com 37 edições, sendo que a edição deste ano realizou-se em Wuhan, de 23 a 25 de agosto.

O evento recebe projetos científicos em várias áreas, das ciências sociais à astronomia, passando pelas ciências do ambiente, e reuniu mais de 500 alunos de toda a China e cerca de uma centena de participantes internacionais. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


domingo, 16 de maio de 2021

Reino Unido - Há cogumelos capazes de decompor plástico


Uma solução para a poluição produzida por plástico pode estar na Natureza. Quem o diz é uma equipa de cientistas do Reino Unido. O relatório “State of World’s fungi” reúne toda a informação disponível sobre cogumelos. Segundo a equipa dos Reais Jardins Botânicos de Kew, que produziu o documento, várias características de algumas espécies podem ser úteis.

O Aspergillus tubingensis, por exemplo, consegue decompor plástico. Com uma “dimensão similar à de pequenos tomates”, em semanas foram capazes de decompor um tipo de plástico muito utilizado para o isolamento de arcas congeladoras e couro sintético. O polyester polyurethane demora anos a decompor-se.

Esta característica especial destes fungos pode ser desenvolvida pelos cientistas e, assim, ajudar a contornar o crescente problema relativo ao excesso de plástico que o planeta encara.

Mas as curiosidades sobre estes fungos — elencadas no relatório dos Reais Jardins Botânicos de Kew — não ficam por aqui. Os diferentes usos dos cogumelos oscilam entre a utilização medicinal e nutricional e à produção de novos tipos de biocombustíveis, além de poderem ajudar no fabrico do papel. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

domingo, 9 de maio de 2021

Internacional - Manta, o veleiro que vai recolher plásticos nos oceanos


Yvan Bourgnon é um velejador francês que nas suas travessias pelos mares encontrava enormes manchas de lixo plástico. Bourgnon e a equipa decidiram então agir e criar o projeto SeaCleaners. E, para combater a poluição plástica, projetaram o Manta, um veleiro de grandes dimensões que se alimenta de plástico.

A embarcação de 56 metros será capaz de recolher, processar e recuperar grandes quantidades de resíduos plásticos do oceano. Construído em aço de baixo carbono, o Manta possui um sistema de propulsão híbrido elétrico. O barco pode mover-se a baixa velocidade, entre os 2 e os 3 nós, e atinge uma velocidade máxima de mais de 12 nós.

A embarcação também poderá ser usada para emergências em áreas extremamente poluídas após desastres naturais como ciclones ou tsunamis. Quando os resíduos são trazidos para bordo existe uma unidade de triagem manual que faz a separação de acordo com o tipo de material encontrado. Depois, os plásticos são cortados em pequenos pedaços e encaminhados para uma unidade de conversão de resíduos em energia, onde até 95% do material é convertido em eletricidade através de um processo de pirólise – e esta energia alimenta todo o equipamento elétrico do Manta.

O veleiro conta ainda com duas turbinas eólicas, 500 metros quadrados de painéis solares e dois hidro-geradores. A previsão é que o primeiro modelo do Manta seja entregue em 2024 e circule principalmente na Ásia, África e América do Sul. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

domingo, 20 de dezembro de 2020

Internacional - The Interceptor, a máquina movida a energia solar que limpa 50 mil kg de plástico


Em 2019, o holandês Boyan Slat apresentou o The Interceptor: um equipamento flutuante para capturar o lixo plástico nos rios. Agora, a organização The Ocean Cleanup anunciou uma parceria com a empresa finlandesa Konecranes para fabricar uma nova geração dos dispositivos flutuantes.

Projetado para aproveitar o fluxo natural do rio para capturar plásticos, o Interceptor retira os detritos da água e direcciona-os para as lixeiras dispostas no seu interior. Usando dados de sensor, cada lixeira é preenchida até atingir sua capacidade total.

O veículo é capaz de extrair 50 mil quilos de lixo por dia – chegando a 100 mil em condições otimizadas. A embarcação é totalmente movida a energia solar e possui baterias de íon-lítio integradas. Esta máquina de limpeza é alimentada, na sua totalidade, por energia solar, não produzindo gases poluentes para a atmosfera. É ainda silenciosa e funciona de forma completamente autónoma, podendo operar de dia e de noite.

Segundo Boyan Slat, diretor-executivo da “The Ocean Clean Up”, o Interceptor será responsável por limpar 1000 dos rios mais poluidores do mundo no que toca ao plástico. Estes mesmos rios são responsáveis por cerca de 80% da poluição plástica dos oceanos do mundo. In “Green Savers Sapo” - Portugal


 

sábado, 14 de novembro de 2020

Internacional - Larvas devoram plástico e podem ajudar a salvar o Planeta

 


Com a ajuda de bactérias que vivem no seu sistema digestivo elas conseguem destruir poliestireno (plástico usado em embalagens ou copos descartáveis). A experiência foi descrita na revista científica Environmental Science & Technology.

Uma equipa de cientistas colocou 50 dessas larvas (que são vendidas em lojas de animais para alimento de répteis, peixes e aves) num pequeno espaço com poliestireno. Após 21 dias, as larvas tinham “comido” 70% desse plástico. Para chegarem a esta conclusão, os investigadores isolaram uma estirpe da bactéria Pseudomonas aeruginosa do sistema digestivo dessas larvas. Esta bactéria conseguia crescer na superfície de poliestireno e destruí-la. Finalmente, identificaram ainda uma enzima da bactéria – a serina hidrólase –, a grande responsável pela biodegradação.

Em abril foi também descoberta uma enzima mutante que recicla garrafas de plástico em poucas horas. A descoberta foi publicada na revista Nature. Já no ano passado, testes levados a cabo pela cientista Amanda Callaghan, da Universidade de Reading, no Reino Unido, descobriram que as larvas de mosquito que cresçam em água contaminada com plástico, acumulam este contaminante nos seus corpos. Quando crescem e se transformam em mosquitos adultos, alguns destes plásticos continuam nos seus corpos e acabam, depois, por contaminar os animais que se alimentam de mosquitos. In “Green Savers Sapo” - Portugal



terça-feira, 29 de setembro de 2020

Portugal - Cientistas da Universidade de Aveiro alertam para o lixo da pandemia

É urgente encontrar alternativas ao uso de máscaras e luvas descartáveis. O apelo é de uma equipa de cientistas da Universidade de Aveiro (UA), que nos últimos meses têm estudado o aumento de lixo e o recuo generalizado na gestão sustentável de resíduos de plástico, dois enormes efeitos colaterais derivados do combate à pandemia



Se numa primeira fase o confinamento que alastrou um pouco por todo o globo trouxe ganhos para o meio ambiente, com a redução da poluição atmosférica, numa segunda fase cedo se percebeu que o ambiente iria sofrer.  A quantidade de plásticos não reutilizáveis, entre máscaras, luvas e outros materiais de proteção, que foi preciso passar a usar na proteção diária para prevenir o contágio pelo coronavírus, aumentou exponencialmente à medida do aumento de casos. E muitos desses materiais já estão espalhados no ambiente.

Alertados para o problema, depois de verem os espaços públicos inundados por máscaras e luvas abandonadas, Joana Prata, Ana Luísa Silva, Armando Duarte e Teresa Rocha-Santos, investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), uma das unidades de investigação da UA, publicaram três artigos científicos. No primeiro estudo, elaboraram uma série de recomendações de gestão coletiva, mas também individual, deste novo lixo que ameaça inundar rios e mares. No segundo estudo, alertam para a necessidade de encontrarem alternativas para o uso e gestão final adequados de equipamentos de proteção.  Na terceira publicação, que contou ainda com a participação de Amadeu Soares e Diana Campos, também do CESAM, os cientistas abordam os impactos a curto prazo da produção e utilização deste lixo e resumem uma série de recomendações políticas para a sua correta gestão.

Os artigos foram realizados em parceria com a Universidade de Dalhousie (Canadá), o Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (Espanha) e a Beijing Normal University (China).



Espaços públicos inundados por plástico

“Fomos motivados a alertar para este assunto devido à quantidade de material de proteção pessoal descartável que encontramos em espaços públicos. O descarte correto das máscaras e luvas descartáveis foi negligenciado e estes resíduos passaram a ser encontrados nas ruas e passeios”, diz a investigadora Joana Prata.

Ana Luísa e Joana Prata, primeiras autoras destes estudos, estimaram, com base em estratégias de saúde pública, que a nível mundial são necessárias mensalmente 129 mil milhões de máscaras e 65 mil milhões de luvas. Números imensos nos quais não estão contabilizadas as batas descartáveis e outros materiais de proteção, cuja "gestão desadequada tem como resultado uma contaminação ambiental generalizada".

Para contornar o problema ambiental, a dupla do CESAM diz que é urgente encontrar alternativas sustentáveis para as máscaras, luvas e plásticos de utilização única. Que dentro do possível, esses materiais sejam reciclados depois da sua desinfeção ou quarentena, que se use preferencialmente máscaras feitas com materiais reutilizáveis e que se regresse ao caminho da economia circular que estava a ser traçado para os materiais plásticos antes de surgir a pandemia, são apenas algumas das principais recomendações avançadas pelas cientistas nos 3 estudos publicados.

Recuos na economia circular

Em muitas áreas do mundo, apontam, existiu uma reversão de leis e regulamentos que visavam a redução do uso de plásticos de utilização única, como é o caso das taxas sobre sacos de plástico finos. “Os próprios consumidores passaram a procurar alimentos embalados em plástico devido à preocupação com a possível transmissão do vírus através de objetos e maior prazo de validade”, dizem as investigadoras.

A gestão dos resíduos de plástico também sofreu grandes alterações com a escalada da pandemia: “em muitas áreas do mundo a reciclagem dos plásticos parou, noutras as entidades debatiam-se com o tratamento adequado dos crescentes resíduos hospitalares potencialmente infeciosos”.

A pandemia trouxe alterações na utilização do plástico, com aumentos e decréscimos no seu uso dependendo das aplicações. O aumento de consumo de plásticos “foi observado em embalagens alimentares, como de takeaway, e no material de proteção pessoal”.

A pandemia trouxe a urgência de se preservar a saúde no imediato e deixar para mais tarde as consequências ambientais. “Não deveríamos descontinuar uma estratégia ambiental a longo-prazo quando é compatível com as atuais medidas de combate à pandemia e contribui para a futura preservação da saúde humana. Por exemplo, não há evidencias que a utilização de luvas descartáveis seja mais eficaz do que a correta higienização das mãos”, exemplificam.

As cientistas recomendam por isso que o uso dos plásticos seja feito de uma forma responsável. Isto incluí otimização da sua produção, utilização ponderada, substituição do descartável pelo reutilizável, e gestão de resíduos eficaz e sustentável como refere a investigadora Ana Luísa.

“Situações de emergência, pelos mais variados motivos, irão repetir-se no futuro”, anteveem. Por isso, “teremos de delinear estratégias para uma produção e utilização sustentáveis dos materiais plásticos em situação de emergência. Os plásticos podem ser bons ou maus, tudo depende da forma como são utilizados e descartados”. Universidade de Aveiro - Portugal

sábado, 26 de setembro de 2020

Moçambique - Da lixeira à reciclagem, o plástico ajuda a estudar e matar a fome

 


Madalena Júlio, de 16 anos, apanha à mão plásticos na maior lixeira de Moçambique para sustentar a família, num negócio em que entrou há três anos.

“Comecei a apanhar porque a minha mãe não tinha dinheiro para pagar a escola. Eu apanhava o lixo para vender e comprar cadernos”, conta à Lusa, enquanto aguarda na fila de pagamento do plástico vendido a uma empresa de reciclagem nos arredores da lixeira de Hulene, Maputo.

O pai é deficiente e a mãe está desempregada.

A lixeira é a fonte de sobrevivência da família de 11 pessoas que vive a poucos metros.

Madalena aventurou-se no meio do lixo durante o quinto ano de escolaridade e hoje, no oitavo, intercala os dias de apanha de plásticos com os dois irmãos.

“Temos uma esquina [na lixeira] onde acumulamos o plástico até que seja suficiente para vender”, explica Madalena.

A recolha de plástico em Maputo, um negócio dominado maioritariamente por jovens e mulheres, tem sido a base de rendimento de muitas famílias, principalmente das que vivem nos arredores da lixeira.

Ali ao lado, Lisete Boavida, 57 anos, entrou na mesma lide em 2000 para sustentar cinco filhos, depois de ter sido abandonada pelo marido.

“Comecei e a minha vida está a andar até hoje”, sublinha.

“Consegui criar os meus filhos e tenho netos. Através do trabalho ali [na lixeira], construi uma casa”, que embora precária, tem “energia e água”, refere.

Lisete e Madalena cruzam-se sempre quando entregam os fardos de plástico no ponto de recolha da empresa que o separa e lava.

“Temos uma máquina que tritura e lava ao mesmo tempo. O resultado é um plástico limpo, pronto para ir a uma fábrica, para ser derretido e transformado”, detalha Luís Stramota, diretor executivo da Valor Plástico, uma empresa de reciclagem em Maputo.

O lixo plástico ali vendido já foi usado em garrafas, sacos, bacias, tigelas, bidões e recipientes de cosméticos, chega embrulhado em redes mosquiteiras de combate à malária, é pesado e vendido a 10 meticais (11 cêntimos de euro) cada quilo.

A manhã é agitada na empresa, a cada instante chegam novos catadores carregados de plásticos, à cabeça ou em carros de mão (‘tchovas’), as máquinas “roncam” sem parar e o espaço para circular fica mais apertado.

A Valor Plástico tem cerca de 800 catadores registados e processa, por dia, cerca de 12 a 14 toneladas de plástico.

Segundo Stramota, a lixeira de Hulene recebe diariamente cerca de 1.000 toneladas de resíduos, dos quais aproximadamente 120 a 160 toneladas são de plástico, referindo que “há uma grande operação de coleta e muitas famílias têm a sua base de sustento lá”.

“Nos últimos meses processámos cerca de 800 toneladas. O facto de se ter atribuído um valor ao plástico faz com que as pessoas o procurem e façam a recolha”, acrescenta Luís Stramota.

Da Valor Plástico, o lixo que já virou matéria-prima segue para a Topack, uma das raras empresas em Moçambique a transformar o lixo plástico noutros utensílios, dando-lhes uma nova vida, completando um ciclo.

“A reciclagem permite-nos reutilizar os mesmos produtos por um determinado número de vezes, diminuindo assim o impacto no nosso meio ambiente”, refere Jaime Lima, diretor geral da Topack.

“Nós adquirimos e recolhemos plástico oriundo de outras indústrias e de catadores. Fazemos a seleção por tipo e depois há o processo de transformação”, explica.

Há um ruído ensurdecedor na fábrica: grandes máquinas estão em funcionamento para dar uma “nova vida” ao lixo plástico, uma atividade que emprega cerca de 200 pessoas.

“Convertemos matéria-prima e reciclada de plástico em produtos que podem ser usados em casa, noutras indústrias, assim como na área da logística”, explica Lima.

Tudo acontece como num toque de magia: bocados de plástico entram numa máquina e em 30 segundos sai uma bacia pronta a ser usada ou outro utensílio, de acordo com o molde: cabides, tigelas, açucareiros, reservatórios de água, cadeiras, mesas ou grades para a indústria de bebidas.

“O grande prazer que dá ao trabalhar nesta indústria é poder ajudar o próximo, ver a reação das ‘mamanas’ e jovens quando nos vendem o plástico e sabem que têm garantida pelo menos a refeição do dia”, conclui Luís Stramota, da Valor Plástico. In “Green Savers Sapo” – Portugal com “Lusa”