Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Macau - Recepção de “Junho, Mês de Portugal” volta a decorrer na Escola Portuguesa

Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação do Governo português, estará em Macau para as comemorações do 10 de Junho. Nesse dia, a recepção à comunidade lusa residente no território será este ano realizada nas instalações da Escola Portuguesa. A EPM foi escolhida por ser “um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas”, disse Alexandre Leitão na apresentação do programa do “Junho, Mês de Portugal”. A edição deste ano contará com 37 actividades


O Estado português volta a estar este ano representado nas celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Macau. Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação, foi a figura escolhida pelo Governo para se deslocar ao território, depois de em 2025 as celebrações não terem contado com qualquer representante vindo de Lisboa.

Recorde-se que a deslocação do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Macau para as cerimónias do 10 de Junho do ano passado, foi cancelada devido à situação política interna do país.

As comemorações serão assinaladas, como é habitual, com o hastear da bandeira, nos Jardins do Consulado, na manhã de 10 de Junho, seguindo-se a tradicional romagem à Gruta de Camões. O Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, revelou que a recepção à comunidade portuguesa, que nos últimos anos tem sido realizada na Residência Oficial da Bela Vista, terá desta feita por palco as instalações da Escola Portuguesa (EPM), ao final da tarde do mesmo dia 10, repetindo-se o que aconteceu em 2023.

A EPM foi escolhida “por ser um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas, e porque é uma instituição que materializa esta ideia de fusão entre povos e de plataforma”, salientou o Cônsul, referindo que em vários países onde existem escolas portuguesas, estas são normalmente o local onde se faz o dia de celebração de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Tem tudo a ver, é o presente, o passado e naturalmente o futuro, e o futuro está na escola”, enfatizou.

A Residência Oficial, no entanto, não fica fora das celebrações, uma vez que abrirá portas na tarde do dia 25 de Junho, no âmbito de um programa que permite a observação de obras de vários artistas, que decoram algumas salas da Residência Consular. “Queremos abrir o mais possível o Bela Vista às comunidades, não só portuguesas, mas todas as comunidades que devem conhecer aquele património magnífico”, frisou Alexandre Leitão.

O Cônsul-Geral proferiu estas declarações no decorrer da apresentação do programa de mais uma edição do evento “Junho, Mês de Portugal”.

Através de representantes das principais entidades que organizam o certame, nomeadamente a Casa de Portugal, Instituto Português do Oriente (IPOR), Fundação Oriente (FO), Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e o próprio Consulado, foram detalhadas as diversas actividades que vão decorrer oficialmente entre amanhã, com uma primeira exposição, da responsabilidade da SOMOS – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa, e 3 de Julho.

No programa, “que ainda não está fechado”, segundo referiu Patrícia Quaresma, directora do IPOR, estão incluídos 37 eventos, entre exposições, workshops, espectáculos performativos e na área da literatura, concertos e conferências, para além da quarta edição do “Roteiro Gastronómico: Comer e Beber à Portuguesa”.

Neste caso, a iniciativa conta com 35 estabelecimentos participantes, o que é um número recorde. “Pretendemos também consolidar o maior número de visitantes, de participações dos restaurantes, e que no ano passado alcançou já 2000, representando um crescimento de 300% face à segunda edição”, sublinhou Bernardo Pinho, delegado da AICEP em Macau.

“Mais uma vez estes estabelecimentos aderentes representam aquela que é a diversidade da gastronomia de pratos típicos portugueses em Macau, nomeadamente não só os restaurantes das concessionárias do jogo, mas também de estabelecimentos de rua, bares, cafés, padarias e take-away”, disse.

Durante o mês de Junho, cada um destes espaços de restauração promoverá uma oferta específica, com desconto de 10%. O BNU volta a ser parceiro nesta festa gastronómica, oferecendo uma viagem a Portugal após sorteio dos clientes do banco que consumirem nos estabelecimentos aderentes.

O evento destinado à promoção da comida portuguesa, que abarca também iniciativas do Clube Militar e do Hotel Sofitel, assume um papel importante no conjunto de actividades, conforme foi destacado por Alexandre Leitão. “O crescimento deste programa excedeu as nossas expectativas e a gastronomia é extraordinariamente importante quando se faz a acção cultural e projecção do que se chama o softpower de um país, cuja própria imagem assenta muito na capacidade que os chefes têm em traduzir no prato muita da cultura”, observou.

Concertos, espectáculos para crianças e exposições

O “Junho, Mês de Portugal” apresenta ainda concertos diversificados, alguns dos quais para crianças na Casa Garden, e uma actuação de jazz no Roadshow, com um quarteto de saxofone.

Em termos de espectáculos performativos, a Casa de Portugal irá apresentar já neste fim-de-semana um evento dedicado às crianças, nomeadamente bebés acompanhados pelos pais, em quatro sessões. “Será um espectáculo de cariz sensorial, em que os pequeninos têm oportunidade de experienciar texturas e sons, porque ainda não têm idade para palavras”, vincou Amélia António.

Para a presidente da associação de matriz lusa, estes eventos virados para os mais pequenos têm posto “muito em evidência” a crise de natalidade em Macau. “De ano para ano, nós sentimos pelas actividades que organizamos para esses sectores etários, que vemos mirrar, definhar, o universo dessa faixa etária, que é de facto uma coisa extremamente preocupante”, disse a dirigente.

Além de uma exposição dedicada a Camilo Pessanha, acompanhada pela leitura de poesia e música interpretadas por dois artistas que virão de Portugal, e uma outra mostra sobre a calçada à portuguesa, na Casa de Vidro, o Fado à Janela, no edifício-sede, será outra das apostas da Casa, que fechará a sua participação com um concerto de Afonso Cabral, no Teatro D. Pedro V. O evento incluirá ainda o Arraial de Santo António, nas instalações da EPM, a 13 e 14 de Junho.

Um recital lírico, no Teatro D. Pedro V, no dia 6, é uma das novidades do programa, tendo a particularidade de ser uma proposta de uma cooperativa de ópera de câmara de Hong Kong e com a produção de uma empresa local. Michel Reis, um dos promotores, afirmou que o objectivo é apresentar uma perspectiva de música composta para voz, com vários compositores. “Vamos ter algumas obras de autores do Brasil e a colaboração do Concurso Internacional de Canto – Cascais Ópera, que tem projectado cantores de todo o mundo e também portugueses, como Sílvia Sequeira, que vai estar em Macau juntamente com uma soprano, um barítono e uma pianista francesa, todos de Hong Kong”, destacou.

A Casa Garden receberá algumas actividades, uma das quais uma exposição, em conjunto com o IPOR, de Eduardo Leal, fotógrafo documental português, que “revela um trabalho sobre a condição humana e sobre como vivem outras pessoas noutros lugares”, referiu Catarina Cottinelli, delegada da Fundação Oriente.

O Instituto Internacional de Macau colabora também no programa de eventos, recebendo exposições e conferências, uma das quais gira em torno da missão empresarial a Macau de entidades da Região Autónoma da Madeira. A outra, intitulada “Raízes e rumo: construir o presente e fortalecer o futuro”, a 13 de Junho, é uma iniciativa do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, explicou que os debates se focarão na renovação geracional, com a participação de vários jovens talentos.

Além disso, o evento dedicado a Portugal durante o próximo mês inclui outras exposições, como a “Ilha dos Amores”, organizada pelo Círculo dos Amigos da Cultura no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, “O Estúdio de Alexandre Marreiros – Dez Anos de Desenho e Pintura” na Fundação Rui Cunha, e mostra de trabalhos de Raquel Gralheiro, na Amagao.

No que diz respeito ao convite a artistas do exterior, o cônsul-geral de Portugal em Macau admitiu que seja agora mais difícil, devido aos custos acrescidos das viagens, em consequência da crise no estreito de Ormuz. A situação teve “impacto directo na organização deste programa cultural”, lamentou o diplomata. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Timor-Leste - Xanana Gusmão recorda que foi através da língua portuguesa que a resistência falou ao mundo

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou que a língua portuguesa ocupa um “lugar especial” na história da resistência, porque foi através do português que “Timor-Leste falou ao mundo”


“A língua portuguesa ocupa igualmente um lugar especial na história da nossa resistência. Foi através desta língua que Timor-Leste falou ao mundo. Foi esta língua que levou a causa timorense às Nações Unidas, às organizações internacionais e aos países amigos. A língua portuguesa tornou-se símbolo de identidade, de resistência e de continuidade histórica do Estado timorense”, disse o primeiro-ministro timorense, no discurso divulgado à imprensa.

Xanana Gusmão participou ontem na cerimónia de celebração do 24.º aniversário da restauração da independência, que se assinala na quarta-feira, no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, que inclui a inauguração de uma exposição e um lançamento de um livro, denominado “Vida da Resistência”.

“Quando o invasor proibiu o uso do português, o povo timorense continuou a falar [o português] em segredo. Continuou a resistir em português. Assim, a língua portuguesa tornou-se uma língua de resistência”, salientou Xanana Gusmão.

Na sua intervenção na “Casa Sagrada”, o líder timorense destacou também que o 20 de Maio não é apenas uma data histórica, mas a “prova de que uma nação, mesmo pequena, pode alcançar grandes vitórias quando luta com coragem, em plena consciência, com unidade nacional e com um profundo amor à pátria”. “Hoje, não celebramos apenas a independência de um Estado. Celebramos, acima de tudo, a sobrevivência de uma nação. Celebramos a vitória da memória contra o esquecimento. Celebramos a vitória da esperança contra o medo e a vitória da dignidade humana contra a opressão”, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro deixou igualmente uma mensagem aos jovens, que representam a maioria da população do país. “A geração da resistência entregou-vos a liberdade. Agora cabe-vos defender o futuro desta nação. A luta da vossa geração já não se trava nas montanhas. A luta de hoje faz-se através da educação, do conhecimento, da disciplina, da honestidade e do trabalho”, disse Xanana Gusmão. “Precisamos de jovens preparados para defender a identidade, a cultura, a memória e os valores da resistência. Precisamos de jovens capazes de transformar o sofrimento do passado numa força para construir um futuro melhor”, acrescentou.

As celebrações do 24.º aniversário da restauração da independência tiveram início no domingo com a inauguração de uma feira de culinária local em Tasi Tolu e vão incluir também uma missa e a deposição de uma coroa de flores aos Heróis da Pátria, na terça-feira no cemitério de Santa Cruz, e a cerimónia de hastear da bandeira nacional, na quarta-feira. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Bélgica - Concerto “Cantvs de Abril” celebra Revolução dos Cravos na cidade de Bruxelas

No âmbito das comemorações da Revolução dos Cravos, a Associação José Afonso (AJA) – Bruxelas convida a comunidade a assistir ao concerto “Cantvs de Abril”, no dia 24 de abril. O concerto realiza-se às 19h00, no Hôtel de Ville de Saint-Gilles


O grupo Cantvs, fundado em 2017 e composto maioritariamente por estudantes e ex-alunos da Hochschule für Musik und Tanz Köln, apresenta um repertório de arranjos originais de música tradicional portuguesa.

O evento é organizado pela AJA, com o apoio da embaixada de Portugal em Bruxelas e da Commune de Saint-Gilles. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Angola - Ciclo de palestras pretende homenagear heróis da Luta Armada de Libertação Nacional

O Arquivo Nacional de Angola, realizou nesta sexta-feira, 27 de Fevereiro, no auditório Agostinho Mendes de Carvalho ”Uanhenga Xitu”, o Ciclo de Palestras para comemorar o 65.º aniversário do início da Luta Armada de Libertação Nacional, que decorre sob o lema: Preservando os valores da Pátria, honremos os nossos heróis


O evento contou com a participação do Ministro da Cultura, Filipe Zau, com a sua delegação, nacionalistas, dirigentes dos órgãos de defesa e segurança, membros da sociedade civil entre outros.

Deste modo, o mesmo tem por objectivo preservar a memória colectiva, homenagear os heróis da luta de Libertação, e promover o debate académico e cívico, proporcionando um espaço de partilha de conhecimentos e experiências, assim como promover um diálogo inter-geracional.

Neste ciclo de palestras serão abordados temas como a actuação do movimento clandestino na Luta de Libertação Nacional (1956 - 1961), que terá como prelector o nacionalista, Manuel dos Santos Júnior, para o segundo tema será apresentado, a abordagem sobre a dimensão nacionalista do Cónego Manuel das Neves, na voz do preletor, Cónego Apolónio Graciano.

Por sua vez, o debate sobre o 4 de Fevereiro de 1961, no seu contexto histórico e as suas causas, que será orientado pela nacionalista e Tenente-General, Engrácia Cabenha. – Maria Custódia – Angola in “O País”




sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Macau - Actividades comemorativas dos 450 anos da Diocese arrancam na Região

A Diocese de Macau, a primeira do Extremo Oriente moderno, foi fundada no dia 23 de Janeiro de 1576. Volvidos 450 anos, a efeméride é comemorada com uma programação que tem início com uma cerimónia litúrgica inaugural, e se prolonga até ao próximo aniversário. As actividades planeadas até Janeiro de 2027 são diversas e marcadas por espectáculos musicais, competições desportivas e simpósios académicos que pretendem promover uma reflexão sobre os últimos quatro séculos e meio de missão em Macau, ao mesmo tempo que se esboçam as orientações futuras da instituição


A Diocese de Macau vai assinalar 450 anos de existência com um extenso programa de actividades e exposições comemorativas. Sob o tema “De Macau para o Mundo: 450 Anos de Missão e Misericórdia”, as festividades estendem-se até ao próximo aniversário, a 23 de Janeiro de 2027.

Em comunicado enviado às redacções, a Diocese escreve que a sua fundação em 1576 teve como missão a construção de pontes entre os mundos oriental e ocidental, promovendo em Macau serviços como “a educação, a caridade e o serviço pastoral”. A ocasião não é apenas de celebração, mas também de reflexão e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo de quatro séculos e meio, assim como “a marca profunda e duradoura no desenvolvimento cultural, educativo e religioso” que perdura, até hoje, na região.

O programa para os próximos 365 dias foi desenvolvido com o propósito de “revisitar o percurso histórico” da Diocese, mas também a intenção de “apresentar a sua visão para o futuro” e os novos caminhos a desbravar nos próximos anos. Esta intenção é explanada numa mensagem publicada pelo bispo Stephen Lee Bun-sang na página oficial da instituição: celebrar este aniversário é permitir “que a memória do passado se torne numa bússola para traçar mapas de esperança para o futuro, e não apenas uma recordação guardada num álbum histórico”.

O logótipo oficial do aniversário foi seleccionado através de um concurso público que decorreu na primeira metade do ano passado, em que os residentes de Macau foram convidados a determinar a imagem representativa da efeméride relacionando-a com o tema “O Espelho do Mar Reflecte a Propagação Universal do Evangelho”. Diz a Diocese, em comunicado, que a proposta escolhida “simboliza a fé enraizada, a comunhão e a continuidade”.

Um ano de celebrações

A cerimónia inaugural arranca ao anoitecer. A celebração litúrgica “Lux Vera – Passagem da Verdadeira Luz” vai iluminar Macau com um “gesto simbólico de transmissão da chama” entre as nove paróquias da região.

Também a Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT) vai emitir uma emissão filatélica especial que integra um conjunto de quatro selos, cada um deles representativo de um edifício emblemático do catolicismo em Macau (o Paço Episcopal, a Igreja de S. Lázaro, o Seminário de S. José e a Sede da Cáritas).

A emissão inclui um bloco que tem como fundo a imagem de um mapa antigo da região e, em primeiro plano, uma imagem do Centro Católico da Diocese. Os CTT explicam que este contraste simboliza “uma fusão entre o velho e o novo para delinear o contexto histórico e expressar ainda a importância de Macau como berço e centro da expansão do catolicismo no Oriente”.


A segunda actividade está prevista para o dia 7 de Fevereiro, pelas 19h30, com um concerto de música sacra na Igreja da Sé. São vários os grupos locais convidados a participar nesta celebração: o Coro Diocesano de Macau e a Schola da Catedral de Macau, que actuarão juntos, o Cantate Chorus, o Dolce Voce e o Coro Perosi. Das regiões vizinhas, são convidados os Vox Antiqua e o Coro da Universidade de São Francisco, vindos de Hong Kong, e a Orquestra Barroca de Cantão.

O comunicado realça que a apresentação do novo Órgão de Tubos da Sé Catedral “assinala a continuidade do património musical e litúrgico da Diocese, proporcionando aos fiéis e ao público em geral a oportunidade de experienciar a profundidade espiritual cultivada ao longo de 450 anos através do diálogo entre a arte e a fé”.

Ainda no primeiro trimestre do ano, vai decorrer um jogo amigável de voleibol misto para os funcionários e docentes das escolas católicas de Macau, visando fomentar o intercâmbio académico, e uma iniciativa intitulada “A Cruz da Fé – Tecida em Unidade”, que terá lugar durante a Quaresma.

O segundo trimestre, de Abril a Junho, começa com o simpósio “A Educação Católica – Ontem, Hoje e Amanhã”, acompanhado por uma mesa-redonda de directores escolares. O novo Centro Católico de Macau vai ser inaugurado em Abril, à entrada da Rua do Campo, depois de um processo de reconstrução que já decorre deste 2021. Trata-se de um edifício de dezassete pisos, inspirado no conceito de “encontro entre Deus e a Humanidade”, que funcionará como “um ponto central de recolha e difusão de informação religiosa local”, disponibilizando serviços de acolhimento para visitantes e peregrinos.

O edifício vai ainda integrar espaços expositivos, que serão estreados logo no momento da abertura do espaço. As duas grandes mostras temáticas preparadas para a ocasião são “Honrar o Passado, Criar o Futuro” e “Testemunha do Património, Missão no Mundo”, que a Diocese diz reflectirem o seu desenvolvimento “a partir de perspectivas históricas, pessoais e culturais, bem como as suas orientações futuras”.

De Julho a Setembro, a única actividade até agora anunciada é um concerto de homenagem ao padre jesuíta Matteo Ricci, considerado o fundador das missões jesuíticas na China e a primeira pessoa a promover a expansão do conhecimento ocidental no Oriente. Mais do que a evangelização da população, a missão do italiano na China é frequentemente exaltada pela abordagem assente no diálogo, no intercâmbio e na inculturação, assim como o respeito pelas culturas e costumes locais.

O quarto e último trimestre de 2026 é aquele em que decorrerá “a iniciativa mais simbólica de grande dimensão do ano comemorativo”, segundo o comunicado da Diocese. A Grande Cerimónia Comemorativa está marcada para o dia 31 de Outubro, composta por uma recepção e uma Celebração Eucarística subsequente. Os fiéis vão unir-se em torno da Eucaristia nesta ocasião para demonstrar gratidão a Deus “pelas graças e pela missão concedidas ao longo de quatro séculos e meios” e rezar “para que Ele continue a orientar o caminho a seguir” nos anos vindouros.

As outras actividades agendadas para o final do ano, coincidentes com a aproximação da época natalícia, centram-se nos temas da família, da infância e da juventude. No dia 28 de Novembro, decorre o Carnaval do Dia da Família da Diocese, intitulado “Crescer em Conjunto como Família”. Já no mês de Dezembro, no dia 5, as famílias e jovens são novamente chamadas a participar no encontro juvenil “Caminhar Juntos, Zarpar de Novo”.

A Diocese de Macau esclarece que o ano comemorativo quer angariar uma “participação transversal e intergeracional”, envolvendo fiéis, residentes, famílias, escolas, jovens e diferentes grupos das comunidades da região na (re)descoberta do “desenvolvimento histórico da Diocese e o seu serviço à comunidade”.

“À medida que se aproxima do seu 450.º aniversário, a Diocese de Macau espera caminhar juntamente com os residentes de Macau na reflexão sobre o passado e na continuação da sua missão de fé, serviço e cultura nesta nova etapa”, conclui a instituição representante da comunidade católica local. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”




terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Cabo Verde - Viva o 13 de Janeiro!

Salvé!

Esta data, rica de simbolismo, repleta de significação na história da nossa ainda jovem democracia (35 anos), deverá ser comungada por todos os cabo-verdianos. Digo isso, porque aqui chegados, parece estar a haver pontualmente, algum retrocesso no sentido da interiorização nacional da data.

Devemos todos recordar que o feriado foi sufragado pelos Deputados da Nação, dos Partidos políticos com representação parlamentar na altura, em 22 de Março de 1999, Lei n.º 95/V/99, que assim instituiu o 13 de Janeiro como feriado nacional.

Daí que se estranhe bastante a resistência incompreensível e inexplicável, pela actual CM da Praia, instituição de grande importância nacional, por ser a Câmara Municipal da capital do país que reiteradamente vem fazendo a uma data que é de todos. Sim, de todos!

Explico-me: qual foi o ponto de partida para o 13 de Janeiro de 1991?

Ora bem, o 13 de Janeiro, resultou porque para ele concorreram a sociedade civil cabo-verdiana, os três Partidos políticos à época existentes, a saber: o PAICV, a UCID e o então, recém-fundado, MPD. Todos, todos convergiram para que existisse esta data memorável!  Terem-no feito em divergência ou em convergência, não importa, antes pelo contrário, foi assim salutar pois, já transpirava a democracia.

Na realidade, o que importa é que todos foram à sua maneira, obreiros.

Houve uma movimentação nacional que galvanizou os cidadãos de todas as ilhas e os das nossas comunidades emigradas. Sem o concurso de todas as forças vivas, sociais e políticas residentes e fora de Cabo Verde ao tempo, não seria possível esse magnífico dia em que o povo das ilhas, pela primeira vez, (aqui aplica-se bem) em completa liberdade, foi chamado às urnas para escolher através do voto secreto, quais seriam os seus representantes no Parlamento cabo-verdiano.

Como não comemorar com festiva alegria, tal momento histórico de repleta euforia nacional?  Como tentar apagar da memória colectiva, a data que marcou, esperemos que para sempre, a fundação e a instituição do modelo de governação democrático no nosso país?

Que fique claro que a data não tem pertença partidária e nem podia ter, foi obra de todos.  Consequentemente, qualquer tentativa para colocá-la partidariamente, serve apenas para diminuí-la para beliscá-la gravemente na sua enorme grandeza.

Por favor! Não façamos este triste serviço à nossa história democrática tão bela e bem-vinda às ilhas!!

Note-se: as eleições foram livres. Ganhou o MPD, como poderia ter ganhado o PAICV. O povo decidiu soberanamente.

Estas são as palavras que me ocorreram hoje e, com as quais, queria salvar (na significação crioula do termo) o 13 de Janeiro!

E tal como comecei, assim termino:

Salvé e Viva 13 de Janeiro! Ondina Ferreira – Cabo Verde in Coral-vermelho.blogspot


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Reino Unido - Gastronomia e música marcam festa dos 50 anos da “Dipanda”

Música, gastronomia, moda e traços identitários da cultura nacional marcaram, no sábado, em Londres, a festa da “Dipanda” entre diplomatas e a comunidade de Angola no Reino Unido


Uma confraternização que envolveu uma massa considerável da comunidade angolana radicada em várias regiões da Inglaterra, incluindo uma representatividade da Irlanda, juntou-se em Londres para assinalar a data mais importante da Nação.

Num clima descontraído, segundo um comunicado de imprensa, abençoado no início por momentos de oração de acção de graças, com dois pastores angolanos radicados em Londres, o embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício, no seu discurso, levou os convidados a uma viagem, sem avião nem navio, a Angola.

José Patrício frisou que, 50 anos depois da Independência, Angola tem tudo para vencer os desafios do desenvolvimento sustentável, da transformação da sua matéria-prima, os seus imensos recursos naturais, a fim de alcançar a arrancada económica e não só.

O diplomata angolano ressaltou que o país tem recursos naturais, minerais, uma rica flora e fauna, belas paisagens, destinos turísticos encantadores e uma diversidade cultural, que representam um factor de desenvolvimento.

“Temos abundantes riquezas, madeira, café, ferro, cobre, ouro, diamante, petróleo, danças e tradições, destinos turísticos impressionantes e uma diáspora como activo incontornável do Estado, a Independência como maior conquista de Angola e um Deus para abençoar a Pátria e os angolanos. Por isso, Angola tem tudo para vencer”, asseverou.

O evento teve momentos de intervenção cultural, com a actuação do agrupamento Batoto Yetu, do músico Biura, que fez o embaixador subir ao palco para cantar, e de dois cantores da comunidade angolana, Wilma Assis e Yilly Ruel de Liverpool, assim como a passagem de modelo com trajes tradicionais das 21 províncias do país.

Na passarela também desfilou a Miss Universo 2011, Leila Lopes, angolana residente em Londres, que coordenou o momento de glamour durante a gala.

Na ocasião, foram premiados os vencedores do Concurso de Poesia e Desenho, alusivo às celebrações do 50.º aniversário da Independência Nacional, nas categorias infantil e juvenil, uma iniciativa da Embaixada e do Consulado Geral de Angola no Reino Unido. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

França - Dino D’Santiago fala em Paris de “uma nova Lisboa feita de cruzamentos de povos”

Paris – O artista luso-cabo-verdiano Dino D’Santiago abriu, em Paris, um festival que celebra os 50 anos de independência dos países africanos de língua portuguesa saudando “uma nova Lisboa” que se renova no tempo, “feita de cruzamentos de povos”.


“Lisboa nu bai Paris” - “Lisboa vai a Paris” em crioulo cabo-verdiano -, o festival concebido por Dino D’Santiago em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian para celebrar os 50 anos das independências, realizou-se este fim de semana em Paris.

Em declarações à Lusa à margem do concerto de sábado à noite, Dino D’Santiago considerou ser importante falar da capital portuguesa porque, 50 anos depois das independências, “nasceu uma nova Lisboa”, que “é uma filosofia que se renova com o tempo”, e “mais um fragmento dessa história feita de cruzamentos de povos”.

“É um manifesto de convivência, um sonho de um lugar onde todos os corpos se sintam em casa”, disse.

“Lisboa nu bai Paris” define-se como um espaço de encontro entre artistas, músicos e pensadores de diferentes origens. Na abertura, o festival propôs uma conversa aberta ao público, gratuita, entre o artista Dino D’Santiago e a filósofa Luísa Semedo, sobre o legado da independência dos países de África de língua portuguesa.

Para Luísa Semedo, o colonialismo continua a ser uma realidade nestes países, apesar de já terem passado cinquenta anos desde a independência, sendo o maior desafio “chegar a uma verdadeira independência”.

“Não basta dizer agora somos independentes, é preciso viver essa independência, apesar das dificuldades económicas”, afirmou.

A filósofa apelou ainda às novas gerações de activistas para que “não traiam os valores dos revolucionários de antigamente”, citando Amílcar Cabral, figura emblemática da independência, e sublinhando que a luta revolucionária pela independência não tem fim porque “os próprios revolucionários, como Amílcar Cabral, sabiam que esta luta era um processo e, portanto, é uma luta que não tem fim”.

Para Dino D’Santiago, “os jovens estão muito à frente, misturam culturas, usam t-shirts de Angola ou Cabo Verde com orgulho”. Para além de Lisboa, é “Portugal que está a transformar-se, com miúdos a falar crioulo no metro, sejam brancos ou negros”.

O festival representa um movimento contemporâneo de afirmação da africanidade dos afro-portugueses, segundo o artista, que considera que é mais fácil para estas populações viverem em Portugal hoje do que há 20 anos.

“Se fosse adolescente actualmente, “seria mais fácil”, diz, apontando que vê pelas sobrinhas “uma aceitação natural, um orgulho em usar o cabelo afro, em falar crioulo, em vestir padrões africanos”.

Esta evolução, considera, acabou por ter também um impacto nas gerações que conheceram a luta pela independência: “Mesmo os nossos pais estão a mudar: falam crioulo, ensinam aos netos”.

Em 50 anos, estas mudanças são também visíveis nos gostos musicais dos portugueses, que colocam nos topos dos rankings artistas de África de língua portuguesa. No entanto, a extrema-direita avança em Portugal, mas isso não assusta Dino D’Santiago, que afirma que “a extrema-direita parece maior por causa das redes sociais, mas o povo é mais forte e quer ser feliz”.

“A música africana sempre trouxe felicidade”, afirmou.

O festival “Lisboa nu bai Paris” foi aberto pela artista cabo-verdiana Kady, neta da voz da rádio Libertação, Amélia Araújo, sentiu-se diretamente tocada pela independência tocou-a diretamente porque a sua “avó foi combatente da luta de libertação: “Sinto que estar aqui é como se eu estivesse a dar continuidade a esse legado, a honrá-la, e a todos os combatentes”, disse à Lusa.

A programação do festival conta também com artistas dessa nova geração lusófona como Fattú Djakité, Nídia, DJ Marfox, EU.CLIDES, Umafricana e Soluna, entre outros. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


terça-feira, 20 de maio de 2025

Namíbia - Primeiro Dia da Memória do Genocídio será comemorado nos Jardins do Parlamento com feriado público

O diretor executivo do Ministério da Tecnologia da Informação e Comunicação, Audrin Mathe, diz que a Namíbia celebrará o primeiro Dia da Memória do Genocídio nos Jardins do Parlamento

O dia será comemorado em memória das atrocidades cometidas pela Alemanha contra os Nama e Ovaherero há mais de 100 anos.

Em declarações à Desert FM nesta terça-feira, Mathe disse que o evento será oficialmente reconhecido como feriado público, nas proximidades do Alte Feste, um dos locais onde essas atrocidades foram cometidas.

"A Alte Feste, como vocês devem se lembrar, é bem perto dos Jardins do Parlamento. Como este é um evento inaugural, o evento acontecerá lá e então tomaremos decisões sobre onde serão os próximos eventos", disse ele.

Segundo Mathe, o planeamento para este evento inaugural está em andamento há semanas, se não meses. Ele afirmou que há planos para falar diretamente com as comunidades afetadas.

Ele disse que o governo tem conversado com os líderes tradicionais dessas comunidades para que o evento se torne inclusivo e reconheça as atrocidades cometidas.

“Mas, à medida que nos aproximamos do final da semana, início da próxima, devemos estar em condições de divulgar mais detalhes, especificamente sobre a programação e quem falará. Por enquanto, basta dizer que a nossa liderança nacional estará presente. Os líderes das comunidades afetadas também estarão presentes”, disse Mathe.

Ele acrescentou que o Dia da Memória do Genocídio percorreu um longo caminho desde as discussões em torno dele em 2016, levando o governo a anunciar em 2024 que o dia seria reconhecido e comemorado em 28 de maio de 2025 pela primeira vez.

"Quase 80% do povo Nama foi exterminado durante aquele genocídio, e os Ovaherero foram reduzidos a 50% da população. Não foi apenas o massacre, mas também a distribuição de terras que criou a pobreza nacional entre a população", disse Mathe.

Ele acrescentou que as pessoas foram retiradas de suas terras, presas e levadas para o deserto para morrer.

Mathe encorajou as pessoas a encontrarem maneiras apropriadas de reconhecer a importância do Dia da Memória do Genocídio, incentivando ainda os cidadãos a aproveitarem a oportunidade para refletir sobre o fato de que já se passaram 35 anos desde a independência e nem todos têm acesso à terra.

“Desde 1990, o governo tenta comprar terras e ajudar os afetados, mas os preços frequentemente triplicam quando vendidos ao estado. Terrenos no valor de N$ 4 milhões de repente custam N$ 12 milhões. Precisamos de um diálogo honesto sobre como o governo pode adquirir e distribuir terras de forma acessível”, disse Mathe. Feni Hiveluah – Namíbia in “The Namibian”


sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Portugal - Comemoração ’10 de Junho’ deve ser em comunidades mais longínquas como as da Ásia-Pacífico

O Presidente português admitiu que o próximo 10 de Junho venha a ser celebrado junto de comunidades emigrantes portuguesas mais longínquas como as da Ásia-Pacífico, na Austrália, em Macau ou em Goa.



Na semana passada, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou a celebração, que no seu entender decorreu “de uma forma original”, do 25.º aniversário da transferência de administração de Macau de Portugal para a República Popular China.

“E, portanto, não se estranhará que um destes dias, num 10 de junho, nas celebrações fora do território físico português, se pense em comunidades tão mais longe, e que normalmente não são tão acessíveis como têm sido europeias, africanas, norte-americanas ou latino-americanas, como sejam as da Ásia-Pacífico”, disse.

Segundo o chefe de Estado, isso poderá acontecer junto de comunidades portuguesas da Ásia-Pacífico que “sejam mais longe ainda como a Austrália, ou sejam mais próximas como a China ou como a Índia, e nelas, naturalmente, Macau e Goa”.

O próximo 10 de Junho, em 2025, será o último que Marcelo Rebelo de Sousa irá celebrar enquanto Presidente da República, num modelo de duplas comemorações, em Portugal e junto de comunidades portuguesas no estrangeiro, que lançou no primeiro ano de mandato, em articulação com o então primeiro-ministro, António Costa.

Em 2016 o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi celebrado entre Lisboa e Paris, em 2017 entre o Porto e o Brasil, em 2018 entre os Açores e os Estados Unidos da América e em 2019 entre Portalegre e Cabo Verde.

Em 2020, devido à pandemia de covid-19, realizou-se apenas uma cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e em 2021 também só houve comemorações em território nacional, na Madeira.

Em 2022 as comemorações foram em Braga e no Reino Unido, e em 2023 no Peso da Régua, distrito de Vila Real, e na África do Sul, pela última vez com António Costa como primeiro-ministro.

Em 2024, já com Luís Montenegro na chefia do Governo, o 10 de Junho foi celebrado em três concelhos de Leiria afetados pelos incêndios de 2017 – Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera – e em Coimbra, e na Suíça. In “Mundo Lusíada” - Brasil 


quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Cabo Verde - Vera Duarte destaca Amílcar Cabral no seu centenário como um pensador e um visionário

Cidade da Praia – A escritora Vera Duarte destacou hoje a figura de Amílcar Cabral como um "pensador e um visionário" que pensou coisas para além do seu tempo.


"É um líder, ao reunir todos os combatentes da pátria, tanto de Cabo Verde como da Guiné-Bissau para a luta pela independência desses dois países", disse, Vera Duarte, em entrevista à Inforpress, no âmbito do centenário de Cabral que se assinala hoje, 12 de Setembro.

Considerou que para ele a luta de libertação "não era apenas" conquistar a independência, mas sim conquistar a independência e tirar o povo do sofrimento e ajudá-los a se tornarem cada vez mais cultos, ou seja, a emancipação dos povos era uma das prioridades dele.

Acrescentou que no quesito cultura Amílcar Cabral trabalhou "muito bem" sobretudo a questão da identidade dos homens e mulheres de Cabo Verde e Guiné-Bissau, por considerar que a participação das mulheres na luta poderia ser importante e disse entender que a luta pela libertação, liderada por Cabral é, em si, um acto de cultura.

"Ele lutou para combater a submissão e a alienação dos povos coloniais. Esta é a maior dimensão ética da batalha dele, pois mostrou a sua luta, apesar de estarmos sob domínios coloniais", frisou.

Lembrou que Amílcar Cabral, enquanto homem da Cultura, foi fundador e colaborador da criação da Academia dos escritores e das actividades culturais quando estudava no liceu em São Vicente. Aos 15 anos publicou o seu primeiro caderno de poesia “nos intervalos da arte da minerva e quando cupido acerta no alvo".

"Ao longo dos tempos ele publicou vários pequenos cadernos de poesia, mas acredita-se que ainda há alguns que não foram publicados”, sublinhou.

A escritora lembrou, igualmente, o discurso que ele fez no dia 08 de Março de 1969, nas zonas libertadas sobre a emancipação da mulher, pelo direito à vida, ao trabalho, à dignidade e a ser considerado companheiro na luta.

"Ele é um testemunho que influenciou e inspirou o pensamento de várias pessoas no mundo para a tomada de posições com os seus discursos. Actualmente muitas universidades do mundo estudam o pensamento dele", disse.

Por outro lado, destacou também que a língua portuguesa que, segundo Cabral, “é uma das ‘melhores coisas’ que os portugueses deixaram”, referindo que a língua não é senão um instrumento para os homens se relacionarem uns com os outros, é um meio para falar, para exprimir as realidades da vida e do mundo.

A mesma fonte mencionou um conjunto de pensamentos deste combatente, como a luta pelos direitos da mulher tanto a nível da educação, quanto à participação e ser dirigente de qualquer sector.

"Devemos a Amílcar Cabral o reconhecimento eterno por nos ter tirado das colónias", concluiu.

Amílcar Cabral, filho do professor Juvenal Lopes Cabral (cabo-verdiano de ascendência guineense) e de Iva Pinhel Évora (nascida na ilha de Santiago, Cabo Verde), nasceu a 12 de Setembro de 1924, em Bafatá, na então Guiné portuguesa (hoje Guiné-Bissau) e foi assassinado a 20 de Janeiro de 1973, em Conacri, República da Guiné.

As comemorações do centenário do nascimento de Amílcar Lopes Cabral, um político, agrónomo e referenciado como um “teórico marxista”, têm sido marcadas por diversos eventos académicos, culturais, políticos, desportivos, sociais em várias partes do mundo. In “Inforpress” – Cabo Verde

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Internacional - Universidades de Portugal e França celebram 25 anos de parceria na área da Engenharia Mecânica

As Universidades de Coimbra, Bretagne Sud e Aveiro celebram, nos próximos dias 4 e 5 de julho, 25 anos de parceria na área da Engenharia Mecânica. As comemorações vão decorrer em Lorient, França, mas o evento também será transmitido online.


A programação do evento inclui uma breve explicação da história destes 25 anos de colaboração, palestras científicas relacionadas com calibração de modelos de plasticidade com Inteligência Artificial, desafios na conformação virtual de chapas metálicas, entre outros. Haverá ainda uma sessão planetária de homenagem ao professor Frédéric Barlat e um painel de discussão com a participação de doutorados que realizaram a sua formação científica no âmbito desta colaboração e farão a partilha das suas experiências.

«Tudo começou com uma grande amizade entre três alunos de doutoramento (Luís Menezes, Sandrine Thuiller e Pierre Yves Manach) e, este ano, comemoramos 25 anos de colaboração científica intensa e muito frutífera. Em 1999, decidimos iniciar uma colaboração entre Coimbra e Lorient, França, que rapidamente envolveu a minha equipa de investigação à época e a de Lorient», começa por recordar Luís Menezes, docente do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

A partir desta data, continua o também investigador do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processo (CEMMPRE), «concorremos a programas de cooperação bilateral, o que permitiu o financiamento da mobilidade entre as duas cidades. Rapidamente, esta colaboração se estendeu ao Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro, onde fui orientador de doutoramento de alguns colegas», constata.

Para o docente da FCTUC, «comemorar 25 anos é um grande marco. O futuro conta com as novas gerações, cuja formação científica resultou já desta colaboração e que continua a criar e partilhar conhecimento científico», conclui.

As inscrições para participar no evento online podem ser feitas através deste email: sandrine.thuillier@univ-ubs.fr. Universidade de Coimbra – Portugal

PDF_flyer_fp25years-2024.pdf


quarta-feira, 19 de junho de 2024

O “Pátria”: 100 anos desde a primeira viagem aérea entre Portugal e Macau

Uma exposição itinerante, a apresentação do livro “De Portugal a Macau, a Viagem do Pátria”, conferências e o descerramento de uma placa comemorativa serão as actividades em homenagem ao centenário da primeira viagem aérea entre Portugal e Macau, que acontece amanhã, dia 20 de Junho, às 16h45, no Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. O evento está inserido nas comemorações do “Junho, Mês de Portugal na RAEM” e estende-se ao Clube Lusitano em Hong Kong


Para celebrar o centenário da viagem aérea entre Portugal e Macau, o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong receberá amanhã, dia 20 de Junho, uma comitiva composta por elementos do Município de Odemira, Universidade do Porto e Força Aérea Portuguesa, chefiada pela Comissão Organizadora do evento, que trazem consigo uma série de actividades.

As mesas de conferências darão início às 16h45, no Auditório Dr. Stanley Ho, seguidas pela apresentação do livro “De Portugal a Macau – A Viagem do Pátria”, de Sarmento Beires. Também será inaugurada a exposição itinerante “Portugal Na Aventura de Voar”, que reconstitui a história da viagem aérea inaugural entre Portugal e Macau. Além disso, será realizado o descerramento de uma placa evocativa do centenário, que contará com a presença da neta de Brito Paes, um dos afamados aviadores envolvidos na travessia. O mesmo programa será reproduzido no Clube Lusitano, em Hong Kong, a partir das 18h30.

A iniciativa faz parte das comemorações do “Junho – Mês de Portugal na RAEM”, e o projecto é realizado em parceria com a Fundação Oriente e o Club Lusitano de Hong Kong, com o patrocínio do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e do Instituto Português do Oriente. O programa das comemorações estende-se até Setembro.

A comissão organizadora também destacou o envolvimento do Município de Odemira, que em 2024 uniu-se à Força Aérea Portuguesa e à Universidade do Porto para assinalar a comemoração do centenário da primeira viagem aérea entre Portugal e Macau, iniciada em Vila Nova de Milfontes, em 1924.

A saga do “Pátria”

O Primeiro Centenário da Independência do Brasil foi celebrado com a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, onde Sacadura Cabral e Gago Coutinho, a bordo do “Lusitânia”, realizaram mais uma façanha exploratória portuguesa, carregada de simbologia e perícia.

Em 1924, Portugal voltou a fazer história na aviação, ao realizar com sucesso o primeiro voo entre Portugal e Macau. A bordo do avião “Pátria”, entre o dia 7 de Abril e 20 de Junho, três aviadores portugueses, Brito Paes, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, completaram um percurso de mais de 13 000 quilómetros, que havia sido considerado impossível de ser realizado.

A imprensa portuguesa e estrangeira acompanhava de perto essa aventura, admirada com a fragilidade dos recursos técnicos utilizados pelos aviadores portugueses, em comparação ao material de ponta da aviação estrangeira. No entanto, o povo português não se impressionou com as dificuldades e mobilizou-se para apoiar a viagem, organizando várias actividades para arrecadar os fundos necessários.

O raide foi uma experiência única para os três aviadores, que sonhavam ligar Portugal a um dos seus pontos mais distantes, Macau. Além disso, foi um ensaio para o objectivo maior de dar a volta ao mundo de avião, um sonho da aviação da época.

O avião escolhido foi um Breguet XVI, um antigo bombardeiro nocturno de guerra, que transportava até 550kg de carga. Após completarem dois terços do percurso, o avião sofreu um acidente ao aterrar de emergência na Índia, devido a uma tempestade, e teve de ser substituído por outro avião usado, mais uma vez, comprado com fundos arrecadados pelo povo português.

Após o sucesso do raide, os aviadores foram recebidos como heróis pelas comunidades portuguesas em Macau, Hong Kong e Xangai, e regressaram a Portugal, desta vez pelo mar, com paragens em várias comunidades portuguesas na América. Em Lisboa, os três aviadores heróis foram recebidos com festa e condecorados com a Ordem de Torre Espada de Valor, Lealdade e Mérito pelo Presidente da República. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 11 de junho de 2024

Macau – Assinalado o Dia de Portugal com votos de amizade entre os povos

Ontem foi o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O 10 de Junho foi assinalado também em Macau com a tradicional romagem à Gruta de Camões. Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, fez votos de amizade entre o povo português e o de Macau e da República Popular da China



Comemorou-se ontem o 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em Macau, cantou-se “A Portuguesa” e seguiu-se a habitual romagem à Gruta de Camões. Em representação do Governo de Portugal, esteve em Macau a ministra portuguesa da Justiça, Rita Alarcão Júdice.

Na ocasião, Alexandre Leitão destacou a importância do Dia de Portugal, descrevendo-o como “o dia maior da vida diplomática”. Citado pela TDM Rádio Macau, o cônsul-geral português afirmou: “É o dia do nosso país, é o dia que evoca o nosso poeta maior, é o dia que evoca as comunidades portuguesas que estão em toda a parte e aqui em Macau estão com particular relevo, são mais de 150 mil. É um dia incontornável e sempre uma grande honra”. Alexandre Leitão apontou a “novos rumos” de “entendimento, parceria e amizade com o povo de Macau e da República Popular da China”. À margem das celebrações, Alexandre Leitão disse ainda que devem ser aproveitadas as potencialidades da cooperação entre Portugal e Hong Kong.

Também à Rádio Macau, a ministra portuguesa descreveu a sua presença em Macau para assinalar o 10 de Junho como “um grande privilégio”. Este “é um dia extraordinário para Portugal, para as comunidades portuguesas, para a língua portuguesa que aqui em Macau também tem a sua presença, e para o poeta que faz 500 anos e que também por aqui passou”. “É uma grande honra para mim poder estar a participar nestes festejos em Macau”, sublinhou.

A romagem à gruta contou com a presença de dirigentes de associações de matriz portuguesa. Amélia António, presidente da Casa de Portugal, aproveitou a oportunidade para pedir mais atenção do Governo de Lisboa às questões relacionadas com a área da Justiça em Macau, após não ter sido renovada a licença do juiz português Carlos Carvalho. Uma decisão “desastrosa”, afirmou Amélia António à emissora.

“Penso que Portugal às vezes anda distraído. Esta recusa da renovação de um dos magistrados é desastrosa. Primeiro, porque faz muita falta. Segundo, porque é um sinal muito negativo dado ao Governo local. São coisas que em Portugal não se avalia, coisas que são de rotina lá, aqui não são de rotina”, afirmou a presidente da Casa de Portugal à TDM.

Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses e da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), também esteve presente e afirmou que a RAEM devia “facilitar a residência dos portugueses”, o que “seria um grande gesto das autoridades”.

Cooperação com Portugal “é um modelo exemplar”, diz o chefe do executivo

Ontem, ao fim da tarde, o Chefe do Executivo discursou na recepção na Residência Consular, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas. Na ocasião, Ho Iat Seng apresentou as suas “saudações festivas e sinceros cumprimentos ao povo português, aos portugueses que vivem em Macau e à comunidade macaense”.

No discurso, o Chefe do Executivo descreveu a relação entre a China e Portugal como “um modelo exemplar de cooperação e intercâmbio entre dois países que têm diferente sistema social, contexto histórico e dimensão territorial”.

Ho lembrou ainda os “laços profundos” entre Macau e Portugal: “A cooperação e o intercâmbio entre as duas partes nos domínios da economia e do comércio, da inovação científica e tecnológica, dos recursos humanos, dos cuidados médicos e de saúde, da educação e da cultura têm sido continuamente reforçados”.

O Chefe do Executivo recordou também que, em Abril deste ano, realizou-se em Macau a VI Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, “demonstrando os resultados frutíferos do aprofundamento da cooperação económica e comercial e dos intercâmbios humanísticos e culturais entre a China e os países de Língua Portuguesa”.

“Macau, o elo de ligação e a ponte das relações sino-portuguesas, irá potenciar ainda mais a sua função de Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países da Língua Portuguesa”, afirmou, acrescentando que a RAEM irá aproveitar “a oportunidade proporcionada pela iniciativa Uma Faixa, Uma Rota para continuar a fomentar uma colaboração frutífera tripartida com Portugal e o interior da China, visando o progresso e o desenvolvimento compartilhados”.

Ho Iat Seng assinalou também que “o desenvolvimento da RAEM tem sido concretizado de forma saudável nos seus múltiplos aspectos, a diversificação das indústrias começou a produzir efeitos, a integração entre Macau e Hengqin e a construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau foram aceleradas de forma constante, dando início a uma nova conjuntura de recuperação económica”, acrescentando que “estas realizações são inseparáveis dos esforços incessantes das comunidades portuguesas de Macau, e comprovaram a sua tenacidade, a dedicação e o profissionalismo”.

No discurso, o Chefe do Executivo aproveitou para agradecer às comunidades portuguesas pelo seu “apoio e cooperação no trabalho do Governo da RAEM, bem como o seu contributo para a promoção do desenvolvimento económico e social de Macau”.

“Faço votos para que a amizade entre a China e Portugal, e entre os seus povos, perdure para sempre! E que, juntos e de mãos dadas, criemos um futuro risonho!”, concluiu o Chefe do Executivo.

Portugueses sem convite obrigados a esperar mais de uma hora à porta da Residência Consular

Dezenas de portugueses que queriam participar na recepção do 10 de Junho na Residência Consular foram obrigados a esperar mais de uma hora à porta até que terminassem os discursos oficiais e que o Chefe do Executivo deixasse o local. Inicialmente tinha sido indicado que as portas da Residência Oficial da Bela Vista abriam às 18h30 e que a entrada era livre para os portadores de cartão do cidadão ou bilhete de identidade da República Portuguesa. O que acabou por se verificar foi que os portugueses sem convite foram barrados pelos seguranças. Segundo relatos ouvidos pelo Ponto Final, a situação originou várias críticas por parte dos portugueses que queriam estar presentes, descrevendo a situação como “ridícula” e “humilhante”. Pelas 19h30, já muitos dos cidadãos tinha abandonado o local, mas ainda restavam cerca de três dezenas que continuavam à espera para entrar. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”