Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 4 de julho de 2026

São Tomé e Príncipe – Anunciada a criação da Fundação Alda Espírito Santo no centenário da matriarca santomense

Personalidades nacionais e internacionais dos meios académico, cultural e institucional reúnem-se, durante dois dias, na capital santomense, para a Conferência Internacional que celebra o centenário de Alda Espírito Santo, figura incontornável da história, da cultura e da literatura de São Tomé e Príncipe.


“Alda do Espírito Santo não foi apenas uma nacionalista, não foi apenas uma poetisa, não foi apenas uma ativista cultural, não foi apenas uma pessoa generosa”, afirmou Inocência Mata, curadora da conferência.

“Alda do Espírito Santo afirmou-se como uma das vozes mais firmes da geração que sonhou, lutou e edificou a independência do nosso país”, destacou o Primeiro-Ministro, Américo Ramos.

Este encontro constitui um momento singular de valorização da vida, da obra e do legado da matriarca santomense, estando já em preparação a criação da Fundação Alda Espírito Santo.

“Uma fundação que funcionaria na Chácara, espero que ainda este ano isso seja possível, enquanto espaço permanente de investigação, preservação documental, promoção cultural e divulgação da sua obra, tornando-a acessível às gerações presentes e futuras”, anunciou Inocência Mata.

“Ao revisitarmos a vida e a obra de Alda Espírito Santo, somos chamados a reconhecer a força transformadora da palavra, o papel estruturante da educação e o valor da cultura como expressão profunda da nossa identidade”, sublinhou Américo Ramos.

Para o Chefe do Governo, a realização desta conferência representa um compromisso renovado com os valores que nortearam a vida de Alda Espírito Santo: a dignidade humana, a justiça social, a igualdade de oportunidades e a confiança num futuro melhor. José Bouças – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Timor-Leste - Xanana Gusmão recorda que foi através da língua portuguesa que a resistência falou ao mundo

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou que a língua portuguesa ocupa um “lugar especial” na história da resistência, porque foi através do português que “Timor-Leste falou ao mundo”


“A língua portuguesa ocupa igualmente um lugar especial na história da nossa resistência. Foi através desta língua que Timor-Leste falou ao mundo. Foi esta língua que levou a causa timorense às Nações Unidas, às organizações internacionais e aos países amigos. A língua portuguesa tornou-se símbolo de identidade, de resistência e de continuidade histórica do Estado timorense”, disse o primeiro-ministro timorense, no discurso divulgado à imprensa.

Xanana Gusmão participou ontem na cerimónia de celebração do 24.º aniversário da restauração da independência, que se assinala na quarta-feira, no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, que inclui a inauguração de uma exposição e um lançamento de um livro, denominado “Vida da Resistência”.

“Quando o invasor proibiu o uso do português, o povo timorense continuou a falar [o português] em segredo. Continuou a resistir em português. Assim, a língua portuguesa tornou-se uma língua de resistência”, salientou Xanana Gusmão.

Na sua intervenção na “Casa Sagrada”, o líder timorense destacou também que o 20 de Maio não é apenas uma data histórica, mas a “prova de que uma nação, mesmo pequena, pode alcançar grandes vitórias quando luta com coragem, em plena consciência, com unidade nacional e com um profundo amor à pátria”. “Hoje, não celebramos apenas a independência de um Estado. Celebramos, acima de tudo, a sobrevivência de uma nação. Celebramos a vitória da memória contra o esquecimento. Celebramos a vitória da esperança contra o medo e a vitória da dignidade humana contra a opressão”, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro deixou igualmente uma mensagem aos jovens, que representam a maioria da população do país. “A geração da resistência entregou-vos a liberdade. Agora cabe-vos defender o futuro desta nação. A luta da vossa geração já não se trava nas montanhas. A luta de hoje faz-se através da educação, do conhecimento, da disciplina, da honestidade e do trabalho”, disse Xanana Gusmão. “Precisamos de jovens preparados para defender a identidade, a cultura, a memória e os valores da resistência. Precisamos de jovens capazes de transformar o sofrimento do passado numa força para construir um futuro melhor”, acrescentou.

As celebrações do 24.º aniversário da restauração da independência tiveram início no domingo com a inauguração de uma feira de culinária local em Tasi Tolu e vão incluir também uma missa e a deposição de uma coroa de flores aos Heróis da Pátria, na terça-feira no cemitério de Santa Cruz, e a cerimónia de hastear da bandeira nacional, na quarta-feira. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 3 de abril de 2025

Timor-Leste - Olandina Caeiro: uma vida inteira a erguer a voz das mulheres timorenses

Resistente, mãe, ativista incansável. Olandina Caeiro enfrentou a prisão, a tortura e o exílio sem nunca desistir da luta por Timor-Leste e pelos direitos das mulheres. A sua voz continua viva na memória de quem com ela caminhou



Foi presa, torturada, separada da família e perdeu o emprego e a casa. Mas nem por um instante desistiu de lutar por Timor-Leste e pelos direitos das mulheres. Olandina Caeiro resistiu com coragem durante a ocupação indonésia, defendeu a liberdade quando poucos ousavam falar e, depois da independência, tornou-se uma figura incontornável na construção do Estado e da igualdade de género.

Faleceu a 31 de março de 2025, aos 73 anos, vítima de cancro, no Hospital Prince Court Medical Center, na Malásia. Mas o legado que deixa vai muito além de datas e cargos: é o de uma mulher que, em todas as frentes — da rádio clandestina às mesas de negociação, das manifestações às embaixadas — nunca deixou de fazer ouvir a sua voz.

Maria Olandina Isabel Caeiro Alves nasceu a 02 de novembro de 1951, em Ermera. Professora do ensino primário de formação, cedo mostrou que o seu lugar era na linha da frente. Em 1975, foi uma das fundadoras do Voz de Timor, um dos primeiros jornais do país, e também deu voz à resistência na Rádio Maubere — duas plataformas essenciais para a comunicação com a população durante os dias sombrios da ocupação.

Ainda nesse ano, foi capturada pelos militares indonésios e levada para Kupang. Estava grávida. Deu à luz na prisão, mas nunca mais voltou a ver o marido, combatente das FALINTIL. Libertada quatro anos depois, carregava no corpo e na memória as marcas da tortura. E, ainda assim, continuou.

Entre a sobrevivência e a luta 

Durante os anos 80, ocupou vários cargos na administração pública, mesmo sob domínio indonésio. Em Baucau, em 1989, foi funcionária pública do sistema indonésio, mas nunca deixou de estar ativa na causa da independência. Voltaria a ser presa em 1992, perdendo o emprego e a casa. Recomeçou do zero, abrindo um restaurante em Díli.

Olandina nunca se afastou das lutas sociais. Em 1998, enquanto presidente da organização East Timorese Women Against Violence (ETWAVE), organizou uma manifestação contra a violência de género — numa altura em que poucas ousavam confrontar esse problema em público.

Foi também membro da Comissão Nacional sobre Violência contra as Mulheres, na Indonésia, e integrou o Parlamento Provincial entre 1997 e 1999. As causas sociais, em particular os direitos das mulheres, estiveram sempre no centro da sua atuação.

Após o referendo de 1999, Olandina intensificou a participação política. Em 2001, já durante a administração transitória, foi nomeada comissária da Comissão da Função Pública, contribuindo para a organização do novo aparelho do Estado timorense. No mesmo período, integrou também a Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), que documentou as violações de direitos humanos cometidas durante a ocupação.

A sua ação não se limitou às instituições. Foi presidente da Rede Feto em 2003, fundou a Academia do Café de Timor-Leste e, entre 2011 e 2015, desempenhou funções como primeira Cônsul-Geral de Timor-Leste em Denpasar, na Indonésia. Mais tarde, foi embaixadora na Malásia (2017) e no Vietname (2021).

A mulher a quem se recorria nos momentos difíceis

Para muitos, Olandina foi mais do que uma líder: foi um porto seguro. Virgílio Guterres, Provedor dos Direitos Humanos e Justiça, jornalista e seu companheiro na resistência, recorda-a como “um refúgio, um lugar onde podíamos restaurar forças e esperança”. Quando a repressão apertava, era nela que os jornalistas e ativistas encontravam confiança para continuar. “Ela era uma perda fundamental de esperança. Nos momentos de desespero, recorria a ela para restaurar a minha confiança na busca por fontes”, recorda.

No final dos anos 1990, quando a perseguição se intensificou, Olandina refugiou-se em Lisboa. Mas mesmo longe, não parou de defender Timor-Leste.

“O primeiro ensinamento que ela nos deixou foi dar voz às mulheres”, afirmou Virgílio Guterres. Olandina acreditava que nenhuma transformação social seria verdadeira se não incluísse as mulheres. Incentivou-as a ocupar espaços de liderança e combateu o silêncio imposto ao género feminino.

A sua vida foi feita de ruturas e reconstruções. Mas em todas elas, esteve sempre o mesmo princípio: justiça e dignidade para o povo timorense — com as mulheres no centro dessa mudança.

Memória viva entre companheiras de luta 

A história de Olandina Caeiro continua a ecoar na voz de quem com ela partilhou o caminho da resistência. Maria Domingas Alves, conhecida como “Micato”, companheira de luta desde os tempos da clandestinidade, recorda-a como uma mulher de força inabalável.

“Olandina foi uma mulher determinada, com um objetivo claro: garantir o bem-estar do seu único filho, mesmo nas condições mais adversas. Lutámos juntas pela libertação nacional, colaborámos na Fokupers, na Rede Feto e, mais tarde, trabalhámos também na Função Pública, entre 2015 e 2017”, relembra Micato, emocionada.

Para além do vínculo pessoal, Micato destaca o espírito incansável de Olandina. “Ela nunca parou de aprender para melhorar o seu trabalho. Durante a resistência clandestina, cada uma tinha a sua rede de contactos, mas reencontrámo-nos no final de 1997, quando a Fokupers começou a ter um papel fundamental na luta contra a violência de género. Participámos juntas numa manifestação histórica a 25 de novembro. Vi nela uma mulher verdadeiramente comprometida.”

A luta de Olandina não se limitou a Timor-Leste. Também representou as mulheres timorenses em conferências internacionais, nomeadamente em Jacarta, e, após a independência, ajudou a consolidar a Rede Feto, sempre com um sonho em mente: alcançar a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.

A notícia da sua morte abalou profundamente aqueles que a conheceram. Fora do país no momento do falecimento, Micato lamenta não ter podido participar no funeral. “Fiquei comovida ao ver um vídeo onde ela cantava, já doente, aceitando com serenidade a doença que Deus lhe deu. Desejo muita força ao seu filho e às netinhas — que sigam o exemplo desta mulher forte, enquanto mãe e avó.”

Também ela, como tantas outras mulheres timorenses, pagou um preço elevado pela luta: foi presa, torturada e queimada com cigarros durante a ocupação indonésia. “A resistência feminina mostrou ao inimigo que não nos calávamos. Denunciámos as violações e as torturas. Muitas de nós, como a mana Olandina, mesmo trabalhando como funcionárias públicas do sistema indonésio, nunca deixámos de lutar pela independência”, sublinha Micato.

Antes de concluir, deixa um apelo: “A história de mulheres como a Olandina, a Rosa Muki Bonaparte ou a Merita Alves não pode cair no esquecimento. As novas gerações, especialmente as mulheres jovens, precisam de conhecer o passado e dar continuidade à luta pela igualdade.” Joana Silva – Timor-Leste” in Diligente


quinta-feira, 20 de março de 2025

Timor-Leste - Bui-Lesa: a força de uma mulher na luta pela independência

Bui-Lesa, um nome que ecoa na história da resistência timorense, representa a força inabalável das mulheres na luta pela independência. Desde tenra idade, enfrentou os horrores da guerra, desafiando o medo e a opressão. O seu legado é um testemunho da coragem feminina na construção da liberdade



Ana Senhorinha Alves da Silva, conhecida como Bui-Lesa, é uma mulher destemida. Desde a adolescência, dedicou-se à luta pela independência de Timor-Leste, enfrentando os horrores da guerra com coragem inabalável. Além de combatente, desempenhou um papel essencial em funções de apoio estratégico, demonstrando a força das mulheres na resistência. A sua trajetória representa a contribuição fundamental das mulheres na busca pela liberdade e na garantia de direitos fundamentais, frequentemente negados.

Nascida a 12 de fevereiro de 1965, filha de Sebastião Alves e Miranda Olinda Alves da Silva, Bui-Lesa é a terceira de cinco irmãos, quatro mulheres e um homem.

Aos 13 anos, começou a envolver-se na luta pela independência de Timor-Leste, particularmente através da sua participação na Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN). O seu envolvimento não se limitava à educação, mas também procurava fortalecer o seu espírito de resistência pela liberdade e autodeterminação do seu país. Desde tenra idade, o seu compromisso com a causa e a determinação em contribuir para a mudança foram evidentes. A sua adesão à FRETILIN e a experiência na luta moldaram a sua compreensão da realidade política e das formas pelas quais poderia contribuir para um futuro mais justo.

Como se envolveu na luta?

Envolvi-me na luta através das Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste (FALINTIL) quando tinha apenas 13 anos. Em 1978, quando o inimigo [as forças indonésias] atacou, toda a população fugiu para o monte Matebian. Permanecemos lá por algumas semanas, até que o local foi bombardeado e muitas pessoas perderam a vida. Foi um período de medo e trauma, mas o facto de estar com toda a minha família ajudou-me a manter a coragem.

Quando soubemos que o inimigo iria queimar a área, os líderes das FALINTIL aconselharam a população a render-se para evitar mais vítimas, enquanto eles continuavam a lutar. Foi nesse momento que me separei da minha família. O meu irmão mais novo perdeu-se de nós, e os meus pais, junto com duas das minhas irmãs, foram procurá-lo. Eu e a minha segunda irmã mais velha, que acabou por se render anos depois, ficámos sob a proteção de um membro das FALINTIL para continuarmos a luta.

Foi uma separação difícil, mas não havia alternativa. O meu pai deixou-nos um conselho ao partir: “Levem-nas convosco. Se morrerem, se ficarem feridas ou se sobreviverem, devem estar sempre juntas, mas não as deixem render-se.”

A partir desse momento, esforcei-me para resistir, fortalecendo-me e seguindo o caminho da luta pela liberdade. Apesar das ameaças, continuei, porque sabia que estávamos a lutar não só pela libertação da nossa terra, mas também para garantir os direitos das mulheres, frequentemente negligenciados.

Quais foram os papéis importantes desempenhados pelas mulheres na guerra?

Naquela época, todas as pessoas, homens e mulheres, tinham papéis fundamentais na luta. No entanto, algumas funções eram mais frequentemente atribuídas às mulheres, como cozinhar, costurar, ajudar no transporte de equipamentos e infiltrar-se para recolher informações.

Além disso, as mulheres desempenharam um papel importante na segurança, mesmo quando só tínhamos pedras como armas. Enfrentámos desafios tanto por causa da guerra como das limitações impostas às mulheres no ambiente militar. No entanto, demonstrámos coragem e contribuímos para a resistência.

Muitas mulheres estiveram na linha da frente, ao lado dos homens, lutando com armas, transportando suprimentos, servindo como mensageiras e protegendo civis. Também tiveram um papel crucial na logística, na assistência médica improvisada e no fornecimento de informações estratégicas.

Como era a rotina durante a guerra?

Em 1980, Xanana Gusmão e outros líderes, como Kalisa e Ologari, organizaram uma reunião para estruturar o comando e distribuir funções. Cada pessoa foi designada conforme as suas capacidades. Eu fui escolhida como assistente na unidade Tuba-Rai, liderada pelo comandante Moisés Kina e pelo vice-comandante Nokodara.

Antes de me juntar à resistência armada, tinha estudado em Viqueque, no posto administrativo de Watulari, o que me permitia ler e escrever. Assim, integrei um grupo de companheiros que ensinava aqueles que ainda não sabiam ler. Usávamos folhas de palmeira e pequenos pedaços de madeira para escrever. Além da alfabetização, estudávamos conceitos políticos básicos, partilhando conhecimentos para fortalecer a luta.

Houve algum momento em que sentiu vontade de se render?

Pensei em desistir, mas nunca o fiz. Durante quase toda a minha vida, vivi desta forma. Muitas vezes, debaixo das árvores, refletia sobre quando a guerra chegaria ao fim. Se tivesse de morrer, estava preparada, mas render-me? Nunca.

Sempre me agarrei às palavras do meu pai: “Se morrermos, morremos com as FALINTIL. Mas render-nos? Nunca! “O nosso objetivo era claro: garantir que as mulheres combatentes vissem os seus direitos reconhecidos. Se nos sacrificássemos, que fosse por um resultado que valesse a pena.

Quando me infiltrei em Watulari, na aldeia de Makadiki, encontrei uma madre da congregação SSPS, cuja comunidade também existia na Indonésia. A certa altura, pediu-me que a acompanhasse até Atambua, garantindo que só regressaríamos quando a guerra terminasse. Via o sofrimento das mulheres combatentes dos Falintil na floresta e queria proteger-me.

Mas recusei. Respondi que permaneceria ali, a lutar ao lado dos meus companheiros.

Como era ser mulher no meio militar? Enfrentou desafios específicos?

Ser mulher no meio militar era extremamente difícil. Eu era ainda uma menina e não compreendia bem o que era a menstruação. O acesso a roupa interior era um problema. Tínhamos de recolher restos de tecido deixados pelos homens para costurar a nossa própria roupa. Além disso, lavar a roupa era um desafio, pois tinha de ser feito às escondidas.

Durante uma operação em Kribas, sob ordens de Xanana Gusmão, comunicávamos com a população através de sinais: incendiávamos casas e disparávamos contra animais para avisar a chegada dos FALINTIL. Foi um momento intenso.

O mais doloroso era ver as nossas mulheres tornarem-se vítimas de violência sexual e exploração. O sofrimento era insuportável. Muitas vezes, parecia preferível morrer a continuar a viver com aquela dor.

Como era a comunicação com a sua família?

Soube da morte do meu pai através dos companheiros que participaram na operação. Foi um momento de profunda tristeza, mas a luta tinha de continuar.

Em 1990, consegui enviar uma carta para saber notícias da minha família. Foi assim que soube que o meu irmão mais novo tinha conseguido concluir os estudos e que a minha mãe e as minhas irmãs estavam bem. A minha irmã mais velha, que tinha fugido com os sogros, já tinha tido um filho. Essas notícias deram-me forças para continuar.

Teve alguma missão que marcou sua trajetória?

As mulheres também participaram nas operações, juntamente com os homens, sendo designadas para diferentes funções. Algumas foram escolhidas para permanecer na retaguarda, enquanto outras tinham a missão de recolher materiais essenciais. Sempre que um ataque era realizado num determinado local, eram as mulheres que entravam para recuperar os itens necessários à resistência.

Relativamente às operações, também participei, juntamente com os homens, incluindo Falur Rate Laek, em atividades clandestinas em Watulari. Naquela região, a população vivia com medo, pois muitas famílias já tinham sido vítimas da repressão. Por isso, ninguém se atrevia a envolver-se na resistência clandestina. Diante dessa realidade, tornou-se essencial intensificar as ações secretas na zona. Recebi ordens de Falur Rate Laek, que me perguntou se eu tinha coragem de realizar uma operação de guerrilha urbana naquela área.

Naquele momento, após tanto tempo a presenciar a guerra sem saber quando terminaria, refleti sobre a situação. Muitas mulheres já se tinham rendido por diferentes razões, enquanto outras perderam a vida. No entanto, decidi seguir em frente e levar a operação adiante na aldeia, com a missão de capturar um fuzil, uma pistola e um rádio HT de um jovem que tinha sido perseguido em Viqueque. Porém, a missão foi cancelada quando recebemos a informação de que ele já não era um alvo.

Algum tempo depois, participei noutra operação em Watulari, onde precisei de me infiltrar sozinha numa zona de Makadiki. Durante quase um mês, escondi-me na casa de um morador local. A missão era extremamente perigosa, pois, se fosse descoberta pelo inimigo, toda a aldeia poderia ser massacrada. No entanto, finalmente consegui estabelecer comunicação com Malirin e Odir Miguel, que já faleceram. Eles ajudaram a organizar o contrabando de equipamento militar das forças indonésias, permitindo-nos realizar um ataque e capturar cinco das seis armas que estavam no local.

Acredita que sua experiência como veterana é bem reconhecida pela sociedade?

Apesar do reconhecimento oficial dos veteranos, nem todos aqueles que participaram na luta armada durante anos são devidamente valorizados. Por isso, continuamos a recomendar ao governo que considere esse aspeto.

Depois da independência, que mudanças espera para as mulheres em Timor-Leste?

Atualmente, vemos mais mulheres a assumir cargos importantes, mas muitas ainda vivem sem acesso pleno aos seus direitos. A luta pela igualdade continua. A crescente participação feminina na política e na sociedade demonstra que as mulheres têm um papel essencial no desenvolvimento do país. Lourdes do Rêgo – Timor-Leste in Diligente


domingo, 11 de fevereiro de 2024

França - Paris homenageia os seus resistentes, incluindo portugueses

Para prestar homenagem, por ocasião da entrada de Missak Manouchian no Panteão, aos combatentes da resistência estrangeira e mais particularmente aos republicanos portugueses e espanhóis, um certo número de actos terão lugar no dia 21 de fevereiro, em Bordéus e Paris


Em Paris, o conjunto de organizações que gere as celebrações, acaba de anunciar o programa para dia 21 de fevereiro.

Às 10 horas, na rue Victor Basch, número 36, em Montrouge, tem lugar uma cerimónia de colocação de coroas de flores, em memória de António Ferreira, combatente da resistência portuguesa assassinado pelos nazis, naquele bairro parisiense, a 24 de agosto de 1944.

Logo a seguir, às 11:30, na rue de Plaisance, acontece a cerimónia em memória de Missak Manouchian e dos membros do “l’affiche rouge”.

De tarde os eventos continuam. Às 14 horas, tem lugar uma deposição de coroas de flores em frente à placa, no jardim dos combatentes “Nueve”, em memória dos espanhóis que libertaram Paris em 24 de agosto de 1944.

Às 16 horas, na Mairie do 14.º arrondissement, Place Ferdinand Brunt, tem lugar uma conferência seguida de debate sobre os “Portugueses na Resistência em França, 1940-1945”; com Marie-Christine Volovitch Tavares, historiadora e vice-presidente do CERMI, Cristina Clímaco, historiadora da Universidade de Paris 8, e Georges Viaud, presidente da sociedade histórica e arqueológica do 14º arrondissement e presidente da delegação da Liga de Combatentes portugueses, de Paris. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo

Programa completo das comemorações aqui.


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Timor-Leste – Vicente Paulino defende português como língua de luta

Díli – Assinala-se amanhã, 05 de maio, o Dia Mundial da Língua Portuguesa e a Tatoli dá-lhe a conhecer diferentes perspetivas sobre a presença do português em Timor-Leste. Uma primeira iniciativa é com Vicente Paulino, escritor timorense e Diretor do Centro de Estudo de Cultura e Arte (CECA) da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL).

“A língua portuguesa tem uma grande importância para o povo timorense, porque com essa língua resistimos na nossa luta contra a invasão da Indonésia e com o português afirmamos a nossa própria identidade cultural e nacional de Timor-Leste”, afirmou o diretor.

O escritor do livro “Alma Guerreira Timorense” defendeu, então, o português como uma língua de luta contra a invasão da Indonésia.

Vicente Paulino destacou a necessidade do português ser retomado no âmbito do ensino superior e como língua de comunicação no funcionalismo público.

O docente avançou ainda que é necessário lançar um convite aos jovens timorenses para melhorarem a escrita de português e, por via dele, adquirirem competências e conhecimentos num plano nacional e internacional.

“A língua portuguesa é nossa, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e do mundo”, referiu.

De acordo com os dados dos Censos 2015 da Direção-Geral de Estatística do Ministério das Finanças, 50% da população entre os14 e os 24 anos fala e entende o português.

Lembrou que a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) ratificou, a 5 de maio de 2019, a celebração daquela data como sendo o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Isaura de Deus – Timor-Leste in “Tatoli”

 

sábado, 18 de dezembro de 2021

Cabo Verde – Livro de PinPin Barela (Edson Andrade) “Simenti Sekeru” foi lançado em Santa Cruz


Santa Cruz – O jovem escritor Edson Jorge Andrade, que responde pelo pseudónimo de “PinPin Barela”, lançou em Santa Cruz, o seu primeiro livro intitulado “Simenti Sekeru”.

O autor explicou, em declarações à Inforpress, que com “Simenti Sekeru” quer fazer as pessoas chegarem nas raízes e perceber a questão “da resistência e da persistência”.

“Simenti Sekeru é algo resistente. Depois de colocado no chão, mesmo sem a chuva, se mantém intacta e quando chover, depois de dois ou três anos, a semente nasce. Portanto, mantém a sua resistência e é essa resistência que eu quero que as pessoas vejam e tenham perante os seus sonhos”, disse.

Edson Andrade adiantou que com esta obra, escrita na língua materna, o crioulo, quer também dar o seu contributo para a valorização e preservação da língua cabo-verdiana.

O escritor aproveitou para apelar às pessoas a serem persistentes e a focarem nas coisas que realmente “gostam de fazer” e que não desistam, salientando que “desistir não é a solução”.

O lançamento do livro aconteceu no salão nobre da Câmara Municipal de Santa Cruz e teve como convidados os artistas Romeu di Lurdis e Cerino Silva. In “Inforpress” – Cabo Verde



 

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Timor-Leste - Governo lança CD Timor-Maubere “Músicas da Resistência”

Timor-Maubere “Músicas da Resistência” é um disco com 12 músicas cantadas por Veteranos, grande parte escritas por atuais dirigentes e figuras proeminentes da história da Resistência. Foi apresentado no dia 4 de agosto, no Palácio do Governo, pelo Primeiro-Ministro e pelos Ministros de Estado Agio Pereira e Estanislau da Silva.

O grupo, composto por sete antigos guerrilheiros, tocou quatro músicas neste evento: “Maubere Timor”, com letra de Kay Rala Xanana Gusmão (atual Ministro do Planeamento e Investimento Estratégico) e música de Berliku, “Presidente Nicolau Lobato”, escrita por Mari Alkatiri (Presidente da Zona Especial de Economia Social de Mercado – ZEESM) e música de Estanislau da Silva (Ministro de Estado, Coordenador dos Assuntos Económicos e Ministro da Agricultura e Pescas), “3 de março”, de Kay Rala Xanana Gusmão  e “Buka tuir”, de Antoninho  Baptista Alves “Hamar” (atual Diretor do Arquivo & Museu da Resistência Timorense).

O deputado e Presidente da Associação de Combatentes dos Veteranos da Luta de Libertação Nacional (ACVLLN), David Ximenes, fez um sentido discurso de reflexão sobre os tempos da Resistência e o sofrimento dos guerrilheiros durante a luta pela restauração da independência.

Num momento ímpar, que refletiu a emoção vivida neste evento, e sem que estivesse previsto, a audiência, composta maioritariamente por antigos combatentes e funcionários do Palácio do Governo, foi brindada com a atuação espontânea dos dois Ministros de Estado, que subiram ao palco e recordaram antigas músicas do tempo da luta.

A gravação deste CD, que pode ser adquirido na ACVLLN, foi uma iniciativa do Gabinete do Primeiro-Ministro, com o objetivo de homenagear a Resistência timorense a partir daqueles que a viveram diretamente. Governo de Timor-Leste

 

sábado, 7 de agosto de 2021

Portugal - Exposição em Lisboa reúne publicações coletivas e resistência artística, comuns a Portugal e Brasil


Uma exposição que reúne publicações coletivas disseminadas em redes informais, com produção de poetas e artistas, de Portugal e do Brasil, num contexto de colaboração e resistência, vai estar patente até setembro na Galeria Avenida da Índia, em Lisboa.

Com curadoria de Rui Torres, como indica a organização, a mostra tem como título “Redes, colaboração e resistência em/entre Portugal e Brasil, 1962-1982 – Obras do Arquivo Fernando Aguiar e da Coleção Moraes-Barbosa”, dos quais foram selecionadas 34 publicações coletivas, entre livros, revistas e catálogos.

Ao todo, estão representadas 75 obras de 41 poetas e artistas dos dois países, entre os quais Abílio-José Santos, Álvaro de Sá, Ana Hatherly, Ânima, António Aragão, António Dantas, António de Campos Rosado, António Nelos, Ariel Tacla, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Edgard Braga, E. M. de Melo e Castro, Erthos Albino de Souza, Haroldo de Campos, Iberê, José-Alberto Marques e José Lino Grünewald.

Partilhando a língua portuguesa, mas atuando em rede e circulando internacionalmente, estas obras permitem, segundo a curadoria, “entender uma variedade de coordenadas e práticas estéticas situadas na confluência de rede, colaboração e resistência. Por outro lado, os formatos e canais alternativos, usados, parecem prenunciar o modo como diferentes códigos e processos artísticos se misturam e agitam na atual sociedade em rede”.

Julio Plaza, Leonhard Frank Duch, Liberto Cruz, Manuel de Seabra, Neide Sá, Nei Leandro de Castro, Nenn, Omar Khouri, Paulo Miranda, Pedro Osmar, Pedro Tavares de Lima, Pedro Xisto, Peo, Quirinus Kuhlmann, Regina Silveira, Régis Bonvicino, Ronaldo Azeredo, Salette Tavares, Silvestre Pestana, Sílvio Antonio Spada, Ubirajara Ribeiro, Willy Corrêa de Oliveira e Wlademir Dias-Pino são outros poetas e artistas representados na mostra resultante das duas coleções privadas.

“Ao identificar formas análogas de expressão que constituem atos comuns de resistência em Portugal e no Brasil, ainda que em tempos diferentes e em diálogo com comunidades distintas, torna-se possível observar uma intervenção social vital, promovendo uma ação poética e política, acionada por operações críticas de reinvenção da leitura e da escrita, da participação e da produção, da liberdade e da resistência”, adianta ainda o curador, num texto sobre a exposição.

O período em causa, 1962-1982, também coincide com os derradeiros anos de guerra colonial (1961-1974), da ditadura portuguesa (1926-1974) e da ditadura militar brasileira (1964-1985).

As publicações escolhidas para esta exposição estão associadas a grupos ou movimentos mais ou menos locais – Poesia Experimental, Noigandres, Invenção, Poema/processo, Código, Arte postal, entre outros – mas, “em vez de abordar esses movimentos como eventos sincrônicos depositários de uma identidade local, é examinada a forma como a sua atividade cooperativa espoletou formas radicais de inovação que sobreviveram aos seus próprios movimentos”, assinala Rui Torres.

Iniciada em 1999, a Coleção Moraes-Barbosa, de São Paulo, no Brasil, é um repositório de arte conceptual e videoarte, além de um arquivo de 15000 objetos de dança e performance, música experimental, poesia visual, revistas e publicações de arte.

Atualmente, encontram-se em curso vários projetos com artistas, investigadores e críticos de arte que exploram o arquivo, assim como um projeto com a Universidade de São Paulo, dedicado ao estudo da arte e inteligência artificial, salienta a galeria.

O Arquivo Fernando Aguiar, de Lisboa, contém cerca de 50000 itens relacionados com a poesia experimental e visual, performance, arte postal, livros e edições de artista, movimento Fluxus e arte conceptual, desde os anos 1960, com destaque para a componente da poesia experimental portuguesa.

O acervo documental é constituído por livros, catálogos, revistas, revistas de artista, cartazes, desdobráveis, fotografias, ‘slides’ e negativos, provas de contacto, vídeos, poesia digital, cassetes, discos e CD de poesia sonora, e postais, entre outros.

A exposição vai estar patente até 05 de setembro, de terça-feira, a domingo, na Galeria Avenida da Índia, em Lisboa. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”




 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Internacional - Centro de investigação português entre os mais citados do mundo

O Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa é um dos centros de investigação mais citados do mundo



O Laboratório Associado da Católica está entre as 10 instituições que integram a lista da revista Global Health Research and Policy, que distinguiu os centros com maior impacto, a nível mundial, na investigação sobre a resistência a antibióticos no ambiente.

Num estudo em que se avaliou a atividade e o impacto da investigação realizada sobre esta temática, a nível mundial, entre 2000 e 2019, com base no número, na evolução e no índice de citação de publicações científicas, o CBQF ocupa o terceiro lugar no top 10 de instituições mais citadas. A lista conta com cinco instituições da China, uma do Canadá, duas dos Estados Unidos da América e duas de Portugal – entre as quais figuram a Universidade Católica Portuguesa e a Universidade do Porto.

No que diz respeito à análise do número de publicações, expressa por produto interno bruto per capita, Portugal ocupa o nono lugar, antecedido pela China, Estados Unidos da América, Índia, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Espanha, Brasil e seguido pela França.

A preponderância de instituições chinesas neste ranking pode ser justificada, como os autores reconhecem, pelos graves problemas de resistência a antibióticos naquela região, designadamente devido à produção animal e, também, pelo ativo financiamento para a investigação neste domínio, concedido pela Fundação Nacional Chinesa para as Ciências Naturais. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 5 de março de 2020

Cabo Verde – Antigo Campo de Concentração do Tarrafal encerra para obras

O Ex-Campo de Concentração do Tarrafal vai fechar para obras a partir do próximo dia 9 de Março, segunda-feira, durante um prazo previsto de oito meses



O Ex-Campo de Concentração do Tarrafal vai fechar para obras a partir do próximo dia 9 de Março, segunda-feira.

Numa nota enviada à nossa redacção, o Instituto do Património Cultural (IPC) avança que o encerramento do Museu da Resistência – Ex Campo de Concentração do Tarrafal deverá acontecer por um período de 8 meses, o tempo que deverá durar as intervenções.

Recorde-se que o edifício foi contemplado na lista dos bens históricos a serem reabilitados no quadro Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidade – PRRA levada a cabo pelo Governo, através do Ministério das Infraestruturas, do Ordenamento do Território e Habitação.

Inclusive, ultrapassados os trâmites do concurso público, no passado dia 27 de Fevereiro o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, procedeu à assinatura de consignação da obra e descerramento da placa que marca o arranque das mesmas. In “A Nação” – Cabo Verde

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

França - Livro sobre resistentes portugueses no país apresentado em Paris

Foto: Luísa Semedo



No domingo dia 10 de novembro teve lugar na Casa de Portugal na Cité Universitaire a apresentação do livro “A sombra dos Heróis – A história desconhecida dos resistentes portugueses que lutaram contra o nazismo” da autoria de José Manuel Barata-Feyo.

O livro “Sombra dos Heróis”, para citar a sua contracapa “dá vida à história desconhecida de centenas de homens e mulheres de carne e osso, lutadores de exceção, num relato fascinante sobre a resistência e abnegação humanas” e prossegue explicando que “cidadãos de um país neutro, centenas de Portugueses podiam ter-se adaptado às circunstâncias e ao diktat do invasor alemão. Em vez disso deixaram o conforto relativo das suas famílias, das suas casas e dos seus empregos, esqueceram o interesse próprio e lançaram-se num combate desigual pela liberdade”.

O livro retrata assim a luta de mais de três centenas de resistentes portugueses em França durante a II Guerra Mundial e inclui uma lista com os nomes e vários detalhes biográficos de cada um. O autor explicou no encontro que todos os nomes provêm dos arquivos franceses e que são, portanto, nomes oficiais verificados.

O livro comporta também testemunhos na primeira pessoa destes resistentes como o de Bento da Costa que declara em 1945 “Se tivesse de recomeçar, voltaria a fazer o mesmo caminho com todo o meu coração para abolir a brutalidade nazi”.

O autor José Manuel Barata-Feyo nasceu em 1947, na Soalheira, serra da Gardunha. Exilado em Paris, cidade onde iniciou a carreira jornalística, trabalhou para o International Herald Tribune, foi o assistente do Diretor para a Europa, África e Médio Oriente do New York Times News Service e colaborou com o jornal francês Libération.

Depois do 25 de Abril foi correspondente na capital francesa da agência noticiosa ANOP, de vários jornais e revistas portugueses e, a partir de outubro de 1978, da RTP2. Regressou a Portugal em 1980, exercendo vários cargos de chefia e direção em jornais, revistas e televisão.

O encontro foi organizado pelo Convivium Lusophone e a associação “Les amis du Lusofolie’s” e contou com a participação do historiador e Diretor da Secção Internacional de Português do Liceu de Saint Germain-en-Laye, José Carlos Janela, que fez uma contextualização histórica, do jornalista da Rádio Alfa, Artur Silva, que colocou perguntas ao autor, do Embaixador de Portugal na Unesco, Sampaio da Nóvoa, que fez uma intervenção sobre a importância do livro e estabeleceu uma ponte com a situação atual de um mundo que está a viver o recrudescimento da extrema-direita.

O encontro contou ainda com as participações do ator Jorge Tomé que fez algumas leituras de excertos do livro e do cantor Dan Inger dos Santos que cantou uma canção sobre a guerra. O encontro foi coordenado pelo organizador do evento, João Heitor, que começou por pedir um minuto de silêncio por todos estes Resistentes, tendo sido um dos momentos mais emocionantes do encontro.

Por fim o público pôde colocar questões ao autor e o encontro encerrou com uma sessão de autógrafos e um cocktail providenciado pela associação “Hirond’Ailes”. Luísa Semedo - França In “Lusojornal”


terça-feira, 3 de abril de 2018

Brasil: a questão democrática e a soberania

Seminário

Brasil: a questão democrática e a soberania

Adão Villaverde (Professor na Escola Politécnica da PUCRS)

4 de abril de 2018, 19h00

Casa do Alentejo (Lisboa)

Discute-se a conjuntura brasileira atual, comparando as ameaças à democracia com o cenário que levou ao golpe no ano de 1964 e descortinou uma ditadura no país por mais de 25 anos. Na sua exposição, baseada em livro publicado recentemente, o autor aborda vários temas desde o ajuste fiscal e o Estado mínimo, ao neoliberalismo e à ameaça aos direitos sociais, principalmente aos trabalhistas. Em geral, trata-se de contrariar o argumento dos adversários da democracia de que um mundo sem política e sem políticas seria melhor.

Nota biográfica

Adão Roberto Rodrigues Villaverde é Professor na Escola Politécnica da PUCRS, foi Secretário de Estado do Rio Grande do Sul-Brasil, nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação e Coordenação e Planeamento, na administração do Governador Olívio Dutra.

Foi também Presidente do Fórum Nacional de Ciência e Tecnologia do Brasil e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.

Deputado estadual do Partido dos Trabalhadores, é o autor da designada "Lei Villaverde" que estabelece o controle sobre o enriquecimento ilícito do gestor público e da "Lei Kiss" de segurança e prevenção contra incêndios, depois da tragédia que vitimou 242 jovens numa boate na cidade de Santa Maria. Centro de Estudos Sociais – Universidade de Coimbra



domingo, 4 de junho de 2017

Aquele Inverno



















Vamos aprender português, cantando


Heihei.
Heihiihei

Há sempre um piano
um piano selvagem
que nos gela o coração
e nos trás a imagem.
daquele Inverno, naquele inferno.

Há sempre a lembrança
de um olhar a sangrar
de um soldado perdido
em terras do Ultramar
por obrigação naquela missão.

Combater na selva sem saber porquê
e sentir o Inverno a matar alguém
e quem regressou, guarda sensação
que lutou numa guerra sem razão.
Sem razão... Sem razão...

Há sempre a palavra
a palavra "nação"
Os chefes trazem e usam
Pra esconder a razão
Da sua vontade, aquela verdade.

Para eles aquele Inverno
será sempre o mesmo inferno
que ninguém poderá esquecer
ter que matar ou morrer
ao sabor do vento, naquele tormento.

Perguntei ao céu: será sempre assim?
Poderá o Inverno nunca ter um fim?
Não sei responder, só talvez lembrar
o que alguém que voltou a contar... recordar...
Recordar...

Perguntei ao céu: será sempre assim?
Poderá o Inverno nunca ter um fim?
Não sei responder, só talvez lembrar
o que alguém, que voltou a contar.


Resistência, Miguel Ângelo - Portugal





domingo, 12 de junho de 2016

Nasce selvagem








Vamos aprender português, cantando


Mais do que a um país 
Que a uma família ou geração
 
Mais do que a um passado
 
Que a uma história ou tradição
 
Tu pertences a ti
 
Não és de ninguém
 

Mais do que a um patrão
 
Que a uma rotina ou profissão
 
Mais do que a um partido
 
Que a uma equipa ou religião
 
Tu pertences a ti
 
Não és de ninguém
 

Vive selvagem
 
E para ti serás alguém
 
Nesta viagem
 

Quando alguém nasce,
 
Nasce selvagem
 
Não é de ninguém.

Quando alguém nasce, 
Nasce selvagem
 
Não é de ninguém.
De ninguém.

Resistência - Portugal