Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação do Governo português, estará em Macau para as comemorações do 10 de Junho. Nesse dia, a recepção à comunidade lusa residente no território será este ano realizada nas instalações da Escola Portuguesa. A EPM foi escolhida por ser “um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas”, disse Alexandre Leitão na apresentação do programa do “Junho, Mês de Portugal”. A edição deste ano contará com 37 actividades
O Estado português volta a estar este
ano representado nas celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades Portuguesas em Macau. Fernando Alexandre, Ministro da Educação,
Ciência e Inovação, foi a figura escolhida pelo Governo para se deslocar ao
território, depois de em 2025 as celebrações não terem contado com qualquer
representante vindo de Lisboa.
Recorde-se que a deslocação do então Presidente da
República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Macau para as cerimónias do 10 de Junho
do ano passado, foi cancelada devido à situação política interna do país.
As comemorações serão assinaladas, como é habitual, com o
hastear da bandeira, nos Jardins do Consulado, na manhã de 10 de Junho,
seguindo-se a tradicional romagem à Gruta de Camões. O Cônsul-Geral, Alexandre
Leitão, revelou que a recepção à comunidade portuguesa, que nos últimos anos
tem sido realizada na Residência Oficial da Bela Vista, terá desta feita por
palco as instalações da Escola Portuguesa (EPM), ao final da tarde do mesmo dia
10, repetindo-se o que aconteceu em 2023.
A EPM foi escolhida “por ser um símbolo máximo do ensino
e da promoção da língua e da cultura portuguesas, e porque é uma instituição
que materializa esta ideia de fusão entre povos e de plataforma”, salientou o
Cônsul, referindo que em vários países onde existem escolas portuguesas, estas
são normalmente o local onde se faz o dia de celebração de Portugal, de Camões
e das Comunidades Portuguesas. “Tem tudo a ver, é o presente, o passado e
naturalmente o futuro, e o futuro está na escola”, enfatizou.
A Residência Oficial, no entanto, não fica fora das
celebrações, uma vez que abrirá portas na tarde do dia 25 de Junho, no âmbito
de um programa que permite a observação de obras de vários artistas, que
decoram algumas salas da Residência Consular. “Queremos abrir o mais possível o
Bela Vista às comunidades, não só portuguesas, mas todas as comunidades que
devem conhecer aquele património magnífico”, frisou Alexandre Leitão.
O Cônsul-Geral proferiu estas declarações no decorrer da
apresentação do programa de mais uma edição do evento “Junho, Mês de Portugal”.
Através de representantes das principais entidades que
organizam o certame, nomeadamente a Casa de Portugal, Instituto Português do
Oriente (IPOR), Fundação Oriente (FO), Agência para o Investimento e Comércio
Externo de Portugal (AICEP) e o próprio Consulado, foram detalhadas as diversas
actividades que vão decorrer oficialmente entre amanhã, com uma primeira
exposição, da responsabilidade da SOMOS – Associação de Comunicação de Língua
Portuguesa, e 3 de Julho.
No programa, “que ainda não está fechado”, segundo
referiu Patrícia Quaresma, directora do IPOR, estão incluídos 37 eventos, entre
exposições, workshops, espectáculos performativos e na área da
literatura, concertos e conferências, para além da quarta edição do “Roteiro
Gastronómico: Comer e Beber à Portuguesa”.
Neste caso, a iniciativa conta com 35 estabelecimentos
participantes, o que é um número recorde. “Pretendemos também consolidar o
maior número de visitantes, de participações dos restaurantes, e que no ano
passado alcançou já 2000, representando um crescimento de 300% face à segunda
edição”, sublinhou Bernardo Pinho, delegado da AICEP em Macau.
“Mais uma vez estes estabelecimentos aderentes
representam aquela que é a diversidade da gastronomia de pratos típicos
portugueses em Macau, nomeadamente não só os restaurantes das concessionárias
do jogo, mas também de estabelecimentos de rua, bares, cafés, padarias e take-away”,
disse.
Durante o mês de Junho, cada um destes espaços de
restauração promoverá uma oferta específica, com desconto de 10%. O BNU volta a
ser parceiro nesta festa gastronómica, oferecendo uma viagem a Portugal após
sorteio dos clientes do banco que consumirem nos estabelecimentos aderentes.
O evento destinado à promoção da comida portuguesa, que
abarca também iniciativas do Clube Militar e do Hotel Sofitel, assume um papel
importante no conjunto de actividades, conforme foi destacado por Alexandre
Leitão. “O crescimento deste programa excedeu as nossas expectativas e a
gastronomia é extraordinariamente importante quando se faz a acção cultural e
projecção do que se chama o softpower de um país, cuja própria imagem
assenta muito na capacidade que os chefes têm em traduzir no prato muita da
cultura”, observou.
Concertos, espectáculos para crianças e exposições
O “Junho, Mês de Portugal” apresenta ainda concertos
diversificados, alguns dos quais para crianças na Casa Garden, e uma actuação
de jazz no Roadshow, com um quarteto de saxofone.
Em termos de espectáculos performativos, a Casa de
Portugal irá apresentar já neste fim-de-semana um evento dedicado às crianças,
nomeadamente bebés acompanhados pelos pais, em quatro sessões. “Será um
espectáculo de cariz sensorial, em que os pequeninos têm oportunidade de
experienciar texturas e sons, porque ainda não têm idade para palavras”, vincou
Amélia António.
Para a presidente da associação de matriz lusa, estes
eventos virados para os mais pequenos têm posto “muito em evidência” a crise de
natalidade em Macau. “De ano para ano, nós sentimos pelas actividades que
organizamos para esses sectores etários, que vemos mirrar, definhar, o universo
dessa faixa etária, que é de facto uma coisa extremamente preocupante”, disse a
dirigente.
Além de uma exposição dedicada a Camilo Pessanha,
acompanhada pela leitura de poesia e música interpretadas por dois artistas que
virão de Portugal, e uma outra mostra sobre a calçada à portuguesa, na Casa de
Vidro, o Fado à Janela, no edifício-sede, será outra das apostas da Casa, que
fechará a sua participação com um concerto de Afonso Cabral, no Teatro D. Pedro
V. O evento incluirá ainda o Arraial de Santo António, nas instalações da EPM,
a 13 e 14 de Junho.
Um recital lírico, no Teatro D. Pedro V, no dia 6, é uma
das novidades do programa, tendo a particularidade de ser uma proposta de uma
cooperativa de ópera de câmara de Hong Kong e com a produção de uma empresa
local. Michel Reis, um dos promotores, afirmou que o objectivo é apresentar uma
perspectiva de música composta para voz, com vários compositores. “Vamos ter
algumas obras de autores do Brasil e a colaboração do Concurso Internacional de
Canto – Cascais Ópera, que tem projectado cantores de todo o mundo e também
portugueses, como Sílvia Sequeira, que vai estar em Macau juntamente com uma
soprano, um barítono e uma pianista francesa, todos de Hong Kong”, destacou.
A Casa Garden receberá algumas actividades, uma das quais
uma exposição, em conjunto com o IPOR, de Eduardo Leal, fotógrafo documental
português, que “revela um trabalho sobre a condição humana e sobre como vivem
outras pessoas noutros lugares”, referiu Catarina Cottinelli, delegada da Fundação
Oriente.
O Instituto Internacional de Macau colabora também no
programa de eventos, recebendo exposições e conferências, uma das quais gira em
torno da missão empresarial a Macau de entidades da Região Autónoma da Madeira.
A outra, intitulada “Raízes e rumo: construir o presente e fortalecer o
futuro”, a 13 de Junho, é uma iniciativa do Conselho das Comunidades
Portuguesas do Círculo da China. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional
da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, explicou que os debates
se focarão na renovação geracional, com a participação de vários jovens
talentos.
Além disso, o evento dedicado a Portugal durante o
próximo mês inclui outras exposições, como a “Ilha dos Amores”, organizada pelo
Círculo dos Amigos da Cultura no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, “O
Estúdio de Alexandre Marreiros – Dez Anos de Desenho e Pintura” na Fundação Rui
Cunha, e mostra de trabalhos de Raquel Gralheiro, na Amagao.
No que diz respeito ao convite a artistas do exterior, o
cônsul-geral de Portugal em Macau admitiu que seja agora mais difícil, devido
aos custos acrescidos das viagens, em consequência da crise no estreito de
Ormuz. A situação teve “impacto directo na organização deste programa
cultural”, lamentou o diplomata. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”
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