Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Cabo Verde - Vera Duarte destaca Amílcar Cabral no seu centenário como um pensador e um visionário

Cidade da Praia – A escritora Vera Duarte destacou hoje a figura de Amílcar Cabral como um "pensador e um visionário" que pensou coisas para além do seu tempo.


"É um líder, ao reunir todos os combatentes da pátria, tanto de Cabo Verde como da Guiné-Bissau para a luta pela independência desses dois países", disse, Vera Duarte, em entrevista à Inforpress, no âmbito do centenário de Cabral que se assinala hoje, 12 de Setembro.

Considerou que para ele a luta de libertação "não era apenas" conquistar a independência, mas sim conquistar a independência e tirar o povo do sofrimento e ajudá-los a se tornarem cada vez mais cultos, ou seja, a emancipação dos povos era uma das prioridades dele.

Acrescentou que no quesito cultura Amílcar Cabral trabalhou "muito bem" sobretudo a questão da identidade dos homens e mulheres de Cabo Verde e Guiné-Bissau, por considerar que a participação das mulheres na luta poderia ser importante e disse entender que a luta pela libertação, liderada por Cabral é, em si, um acto de cultura.

"Ele lutou para combater a submissão e a alienação dos povos coloniais. Esta é a maior dimensão ética da batalha dele, pois mostrou a sua luta, apesar de estarmos sob domínios coloniais", frisou.

Lembrou que Amílcar Cabral, enquanto homem da Cultura, foi fundador e colaborador da criação da Academia dos escritores e das actividades culturais quando estudava no liceu em São Vicente. Aos 15 anos publicou o seu primeiro caderno de poesia “nos intervalos da arte da minerva e quando cupido acerta no alvo".

"Ao longo dos tempos ele publicou vários pequenos cadernos de poesia, mas acredita-se que ainda há alguns que não foram publicados”, sublinhou.

A escritora lembrou, igualmente, o discurso que ele fez no dia 08 de Março de 1969, nas zonas libertadas sobre a emancipação da mulher, pelo direito à vida, ao trabalho, à dignidade e a ser considerado companheiro na luta.

"Ele é um testemunho que influenciou e inspirou o pensamento de várias pessoas no mundo para a tomada de posições com os seus discursos. Actualmente muitas universidades do mundo estudam o pensamento dele", disse.

Por outro lado, destacou também que a língua portuguesa que, segundo Cabral, “é uma das ‘melhores coisas’ que os portugueses deixaram”, referindo que a língua não é senão um instrumento para os homens se relacionarem uns com os outros, é um meio para falar, para exprimir as realidades da vida e do mundo.

A mesma fonte mencionou um conjunto de pensamentos deste combatente, como a luta pelos direitos da mulher tanto a nível da educação, quanto à participação e ser dirigente de qualquer sector.

"Devemos a Amílcar Cabral o reconhecimento eterno por nos ter tirado das colónias", concluiu.

Amílcar Cabral, filho do professor Juvenal Lopes Cabral (cabo-verdiano de ascendência guineense) e de Iva Pinhel Évora (nascida na ilha de Santiago, Cabo Verde), nasceu a 12 de Setembro de 1924, em Bafatá, na então Guiné portuguesa (hoje Guiné-Bissau) e foi assassinado a 20 de Janeiro de 1973, em Conacri, República da Guiné.

As comemorações do centenário do nascimento de Amílcar Lopes Cabral, um político, agrónomo e referenciado como um “teórico marxista”, têm sido marcadas por diversos eventos académicos, culturais, políticos, desportivos, sociais em várias partes do mundo. In “Inforpress” – Cabo Verde

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Portugal - Escritora cabo-verdiana Vera Duarte dá à estampa livro de poesia “Urdindo palavras no silêncio dos dias”


Lisboa – A escritora cabo-verdiana Vera Duarte lança em Lisboa o seu mais recente livro de poesia com o título “Urdindo palavras no silêncio dos dias”, que reúne 100 poemas escritos durante a pandemia.

Em Lisboa, a apresentação da obra estará a cargo da professora da Universidade de Rio de Janeiro Carmem Ribeiro Seco e do professor e jurista português Boaventura de Sousa Santos, sendo que em Cabo Verde, o lançamento será feito no dia 25 de Maio, Dia da África.

Em declarações à Inforpress em Lisboa, Vera Duarte explicou que os poemas da obra foram escritos entre Junho de 2020 e Julho de 2021, mas que para além do tema da pandemia da covid-19, o livro aborda outros temas que lhe “tem perseguido ao longo da sua escrita”, como a questão do feminicídio, pedofilia, violência contra as mulheres, o racismo e a emigração clandestina.

“Isso tudo, tem uma mágoa grande com alguns acontecimentos que tiveram lugar durante a pandemia, como por exemplo o assassinato de George Floyd [EUA] ou de Giovani Rodrigues, mas é também onde se encontra o canto ao amor, à liberdade, à fraternidade e muito essa sensação que sinto por ser cabo-verdiana que acaba por ser toda essa mestiçagem e da crioulização do cabo-verdiano”, explicou.

Segundo Vera Duarte, nesse livro fala muito sobre a “nação crioula” e da mestiçagem, porque o cabo-verdiano tem “muita mistura” no seu ser, algo que “constitui muita a matéria incandescente” da sua poesia.

“É um livro de reflexão poética, porque a minha grande preocupação em cada coisa que escrevo, vai muito daquilo que me vem na alma e que me faz existir como pessoa, mas na verdade é que eu procuro escrever poesia da forma mais bela que eu puder, já que entendo que a poesia, trazendo uma mensagem, deve ser essencialmente uma poesia bela e que dá o prazer da leitura”, frisou.

Vera Duarte garantiu que esse livro lhe deu “muita alegria e muito bom esse regresso à poesia”, porque tinha passado algum tempo sem escrever a poesia, porque estava debruçada sobre contos, romances e crónicas.

O lançamento do livro “Urdindo palavras no silêncio dos dias” está marcado para o final da tarde desta quinta-feira, 28, nas instalações da Associação Caboverdeana de Lisboa.

Em relação aos próximos projectos, Vera Duarte revelou que já está a escrever e a preparar um livro de contos que provisoriamente está a chamar de “Contos infantis para adulto ler”, ou seja, são contos para crianças, mas que trazem “temáticas importantes” e que, eventualmente, até ao final deste ano estará disponível. In “Inforpress” – Cabo Verde



 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Cabo Verde – Escritora Vera Duarte recebe prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2021


Cidade da Praia – A escritora cabo-verdiana Vera Duarte Pina recebe no dia 02 de Outubro o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2021, em reconhecimento pela sua “luta no activismo literário e cultural sobre os direitos humanos”.

Este prémio é promovido no âmbito do Freixo Festival Internacional de Literatura, um evento de referência cultural para a literatura em língua portuguesa.

Instituído desde 2017, em Portugal, o primeiro prémio foi atribuído a Manuel Alegre, seguindo-se Nuno Júdice, em 2018, e José Jorge Letria em 2019.

Em 2020, o prémio foi entregue a Ana Luísa Amaral.

Ainda em 2020, o prémio foi alargado aos restantes países da lusofonia, tendo sido o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, agraciado com este prémio.

Este ano, para além de Vera Duarte, foram distinguidos com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia, Albertino Bragança (São Tomé e Príncipe), Abraão Bezerra Batista (Brasil) Abdulai Sila (Guiné-Bissau), Luís Carlos Patraquim (Moçambique), Agustín Nze Nfumu (Guiné Equatorial), João Tala (Angola) e Xanana Gusmão (Timor-Leste).

Guerra Junqueiro assumiu um papel político e social de relevo na sua época, revolucionando e inspirando a formação de poetas e escritores do século XX.

Este prémio literário, que tem Guerra Junqueiro como patrono, pretende destacar e evidenciar todos aqueles que partilham dos mesmos ideais, e que utilizam a escrita para defender as causas que foi, em tempos, a luta deste grande poeta português.

“Vera Duarte Pina é conhecida e reconhecida nas lutas que encabeça em defesa dos direitos humanos. E não é possível dissociar a vida literária de Vera Duarte Pina com o ativismo literário e cultural a que nos habituou ao longo dos anos”, referiu a curadora do Prémio, Avelina Ferraz.

O evento acontece na Biblioteca Nacional de Cabo Verde, na Cidade da Praia, no dia 02 de Outubro, as 17:00, e será apresentada por Norma Lima. In “Inforpress” – Cabo Verde