A Diocese de Macau, a primeira do Extremo Oriente moderno, foi fundada no dia 23 de Janeiro de 1576. Volvidos 450 anos, a efeméride é comemorada com uma programação que tem início com uma cerimónia litúrgica inaugural, e se prolonga até ao próximo aniversário. As actividades planeadas até Janeiro de 2027 são diversas e marcadas por espectáculos musicais, competições desportivas e simpósios académicos que pretendem promover uma reflexão sobre os últimos quatro séculos e meio de missão em Macau, ao mesmo tempo que se esboçam as orientações futuras da instituição
A Diocese de Macau vai assinalar 450
anos de existência com um extenso programa de actividades e exposições
comemorativas. Sob o tema “De Macau para o Mundo: 450 Anos de Missão e
Misericórdia”, as festividades estendem-se até ao próximo aniversário, a 23 de
Janeiro de 2027.
Em comunicado enviado às redacções, a Diocese escreve que
a sua fundação em 1576 teve como missão a construção de pontes entre os mundos
oriental e ocidental, promovendo em Macau serviços como “a educação, a caridade
e o serviço pastoral”. A ocasião não é apenas de celebração, mas também de
reflexão e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo de quatro séculos
e meio, assim como “a marca profunda e duradoura no desenvolvimento cultural,
educativo e religioso” que perdura, até hoje, na região.
O programa para os próximos 365 dias foi desenvolvido com
o propósito de “revisitar o percurso histórico” da Diocese, mas também a
intenção de “apresentar a sua visão para o futuro” e os novos caminhos a
desbravar nos próximos anos. Esta intenção é explanada numa mensagem publicada
pelo bispo Stephen Lee Bun-sang na página oficial da instituição: celebrar este
aniversário é permitir “que a memória do passado se torne numa bússola para
traçar mapas de esperança para o futuro, e não apenas uma recordação guardada
num álbum histórico”.
O logótipo oficial do aniversário foi seleccionado
através de um concurso público que decorreu na primeira metade do ano passado,
em que os residentes de Macau foram convidados a determinar a imagem
representativa da efeméride relacionando-a com o tema “O Espelho do Mar
Reflecte a Propagação Universal do Evangelho”. Diz a Diocese, em comunicado,
que a proposta escolhida “simboliza a fé enraizada, a comunhão e a
continuidade”.
Um ano de celebrações
A cerimónia inaugural arranca ao anoitecer. A celebração
litúrgica “Lux Vera – Passagem da Verdadeira Luz” vai iluminar Macau com um
“gesto simbólico de transmissão da chama” entre as nove paróquias da região.
Também a Direcção dos Serviços de Correios e
Telecomunicações (CTT) vai emitir uma emissão filatélica especial que integra
um conjunto de quatro selos, cada um deles representativo de um edifício
emblemático do catolicismo em Macau (o Paço Episcopal, a Igreja de S. Lázaro, o
Seminário de S. José e a Sede da Cáritas).
A emissão inclui um bloco que tem como fundo a imagem de
um mapa antigo da região e, em primeiro plano, uma imagem do Centro Católico da
Diocese. Os CTT explicam que este contraste simboliza “uma fusão entre o velho
e o novo para delinear o contexto histórico e expressar ainda a importância de
Macau como berço e centro da expansão do catolicismo no Oriente”.
A segunda actividade está prevista para o dia 7 de
Fevereiro, pelas 19h30, com um concerto de música sacra na Igreja da Sé. São
vários os grupos locais convidados a participar nesta celebração: o Coro
Diocesano de Macau e a Schola da Catedral de Macau, que actuarão juntos, o
Cantate Chorus, o Dolce Voce e o Coro Perosi. Das regiões vizinhas, são
convidados os Vox Antiqua e o Coro da Universidade de São Francisco, vindos de
Hong Kong, e a Orquestra Barroca de Cantão.
O comunicado realça que a apresentação do novo Órgão de
Tubos da Sé Catedral “assinala a continuidade do património musical e litúrgico
da Diocese, proporcionando aos fiéis e ao público em geral a oportunidade de
experienciar a profundidade espiritual cultivada ao longo de 450 anos através
do diálogo entre a arte e a fé”.
Ainda no primeiro trimestre do ano, vai decorrer um jogo
amigável de voleibol misto para os funcionários e docentes das escolas
católicas de Macau, visando fomentar o intercâmbio académico, e uma iniciativa
intitulada “A Cruz da Fé – Tecida em Unidade”, que terá lugar durante a
Quaresma.
O segundo trimestre, de Abril a Junho, começa com o
simpósio “A Educação Católica – Ontem, Hoje e Amanhã”, acompanhado por uma
mesa-redonda de directores escolares. O novo Centro Católico de Macau vai ser
inaugurado em Abril, à entrada da Rua do Campo, depois de um processo de
reconstrução que já decorre deste 2021. Trata-se de um edifício de dezassete
pisos, inspirado no conceito de “encontro entre Deus e a Humanidade”, que
funcionará como “um ponto central de recolha e difusão de informação religiosa local”,
disponibilizando serviços de acolhimento para visitantes e peregrinos.
O edifício vai ainda integrar espaços expositivos, que
serão estreados logo no momento da abertura do espaço. As duas grandes mostras
temáticas preparadas para a ocasião são “Honrar o Passado, Criar o Futuro” e
“Testemunha do Património, Missão no Mundo”, que a Diocese diz reflectirem o
seu desenvolvimento “a partir de perspectivas históricas, pessoais e culturais,
bem como as suas orientações futuras”.
De Julho a Setembro, a única actividade até agora
anunciada é um concerto de homenagem ao padre jesuíta Matteo Ricci, considerado
o fundador das missões jesuíticas na China e a primeira pessoa a promover a
expansão do conhecimento ocidental no Oriente. Mais do que a evangelização da
população, a missão do italiano na China é frequentemente exaltada pela
abordagem assente no diálogo, no intercâmbio e na inculturação, assim como o
respeito pelas culturas e costumes locais.
O quarto e último trimestre de 2026 é aquele em que
decorrerá “a iniciativa mais simbólica de grande dimensão do ano comemorativo”,
segundo o comunicado da Diocese. A Grande Cerimónia Comemorativa está marcada
para o dia 31 de Outubro, composta por uma recepção e uma Celebração
Eucarística subsequente. Os fiéis vão unir-se em torno da Eucaristia nesta
ocasião para demonstrar gratidão a Deus “pelas graças e pela missão concedidas
ao longo de quatro séculos e meios” e rezar “para que Ele continue a orientar o
caminho a seguir” nos anos vindouros.
As outras actividades agendadas para o final do ano,
coincidentes com a aproximação da época natalícia, centram-se nos temas da
família, da infância e da juventude. No dia 28 de Novembro, decorre o Carnaval
do Dia da Família da Diocese, intitulado “Crescer em Conjunto como Família”. Já
no mês de Dezembro, no dia 5, as famílias e jovens são novamente chamadas a
participar no encontro juvenil “Caminhar Juntos, Zarpar de Novo”.
A Diocese de Macau esclarece que o ano comemorativo quer
angariar uma “participação transversal e intergeracional”, envolvendo fiéis,
residentes, famílias, escolas, jovens e diferentes grupos das comunidades da
região na (re)descoberta do “desenvolvimento histórico da Diocese e o seu
serviço à comunidade”.
“À medida que se aproxima do seu 450.º
aniversário, a Diocese de Macau espera caminhar juntamente com os residentes de
Macau na reflexão sobre o passado e na continuação da sua missão de fé, serviço
e cultura nesta nova etapa”, conclui a instituição representante da comunidade
católica local. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto
Final”
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