Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Timor-Leste - Suspensão de juízes reacende debate sobre a independência da justiça

A suspensão de quatro juízes do Supremo Tribunal de Recurso de Timor-Leste pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) reacendeu o debate sobre a independência da justiça no país, com críticas da sociedade civil e da oposição política


O CSMJ decidiu suspender quatro juízes conselheiros do Tribunal de Recurso, nomeadamente Deolindo dos Santos, Maria Natércia Gusmão, Jacinta Correia e Duarte Tilman, com base numa denúncia anónima.

A medida recebeu críticas internas e externas, incluindo da União Internacional de Juízes de Língua Portuguesa (UIJLP), que, em comunicado divulgado, disse ter desrespeitado os procedimentos legais previstos.

Para a organização dos juízes lusófonos, está em causa uma “questão que toca o próprio cerne da independência judicial”, salientando que a magistrada suspensa era a única vogal eleita pelos seus pares para o Conselho Superior de Magistratura Judicial timorense. “Na prática, uma suspensão disciplinar ilegal operou como mecanismo de destituição, alterando a própria composição orgânica do Conselho e afastando dele a única voz eleita pela magistratura”, afirmam os juízes lusófonos.

A UIJLP manifestou também preocupação como a deliberação foi tomada, ou seja, sem a presença de Maria Natércia Gusmão, a exclusão da suplente e a ausência do procurador-geral da República. “A decisão coube a um núcleo de membros de indicação política, do Presidente da República, do Governo e do Parlamento Nacional, precisamente a componente que a garantia de autogoverno judicial visa equilibrar”, acrescenta.

Para a directora-executiva do Programa de Monitorização do Sistema Judicial, Ana Paula Marçal, a “observância dos requisitos legais nos processos disciplinares é essencial”. “Não apenas para proteger os direitos individuais dos visados, mas também para salvaguardar a credibilidade do CSMJ e a confiança do público no sistema de justiça. Num Estado de direito democrático, a legitimidade de qualquer medida disciplinar depende igualmente da rigorosa observância dos procedimentos estabelecidos na lei”, afirmou Ana Paula Marçal, num comunicado divulgado à imprensa.

A decisão do CSMJ foi também ontem criticada pelo partido líder da oposição timorense, Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).

A Fretilin acusou o CSMJ desrespeitar os procedimentos legais e comprometer a imparcialidade, a credibilidade e a legitimidade institucional dos tribunais, mas também de fragilizar a confiança pública na justiça e gerar tensões no sistema judiciário.

Para o deputado, a decisão não respeitou o procedimento disciplinar e “impede o normal funcionamento do Tribunal de Recurso”.

O vogal do Governo do CSMJ, Alexandre Corte-Real, explicou que os juízes suspensos proferiram uma decisão num processo em que estavam envolvidas pessoas da família de um dos juízes. “Segundo as regras deontológicas, quando existem familiares envolvidos no processo, o juiz não pode decidir o caso e deve declarar o seu impedimento, afastando-se da sua apreciação. Isso não aconteceu. Os outros juízes tinham conhecimento dessa situação, mas não a denunciaram. Essa omissão consciente também deve ser objeto de investigação”, disse Alexandre Corte-Real.

O juiz explicou também que o CSMJ que ainda não foi fez uma “averiguação completa” e foi nomeado um instrutor para “realizar uma investigação com base na denúncia anónima”. “Os quatro juízes que estão ligados a este assunto foram sujeitos a uma suspensão provisória, de modo a permitir que o inquérito decorra normalmente”, acrescentou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 15 de julho de 2026

França - A comunidade saarauí em Paris denuncia a deterioração da saúde do prisioneiro político Naâma Asfari e pede a libertação de outros presos políticos saarauís

Paris – A comunidade saarauí de Paris e seus arredores participou, na terça-feira, da marcha cívica anual realizada na capital francesa para marcar o Dia Nacional da França, ao lado de 86 organizações não governamentais francesas.


Os participantes reafirmaram o seu apoio ao direito do povo saarauí à autodeterminação e procuraram chamar a atenção do público francês para a situação alarmante dos presos políticos saarauís detidos em prisões marroquinas.

Ao longo da marcha, que partiu da Praça da Bastilha em direção à Praça da República, membros da comunidade saarauí carregaram bandeiras nacionais saarauís e fotografias de presos políticos saarauís do Grupo Gdeim Izik. Através de faixas, panfletos distribuídos aos participantes e transeuntes, e discursos proferidos em nome da comunidade saarauí e das mulheres saarauís, os participantes renovaram o seu apelo pela libertação imediata de todos os presos políticos saarauís e pelo respeito ao direito inalienável do povo saarauí à autodeterminação e à independência.

A comunidade saarauí aproveitou a grande manifestação pública para chamar a atenção para a deterioração contínua da saúde do prisioneiro político saarauí Naâma Asfari, membro do Grupo Gdeim Izik, detido arbitrariamente em prisões marroquinas há mais de 15 anos. Os participantes condenaram as condições de sua detenção e expressaram preocupação com os graves riscos à sua saúde decorrentes da greve de fome que ele mantém para exigir o respeito aos seus direitos fundamentais e a implementação das recomendações e pareceres emitidos pelos mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas, que apelam à libertação dos prisioneiros políticos saarauís.

Representantes da comunidade saarauí enfatizaram que o caso de Naâma Asfari simboliza a situação difícil de todos os presos políticos saarauís, que, segundo eles, foram submetidos a julgamentos injustos, tortura, maus-tratos e detenção arbitrária por causa de seu apoio pacífico ao direito do povo saarauí à autodeterminação. In “Sahara Press Service” – Sahara Ocidental


França - Discurso de Jean-Luc Mélenchon sobre a divisão pós-colonial com os territórios ultramarinos encontra eco em Casamansa

Na atmosfera acalorada do salão de reuniões de Saint-Denis, em Seine-Saint-Denis, Jean-Luc Mélenchon optou, no domingo, 7 de junho de 2026, por não falar primeiramente sobre o poder de compra ou pensões, mas sim sobre a questão mais explosiva que a República Francesa enfrenta: a sua arquitetura institucional e o destino dos territórios localizados nas fronteiras da França continental. Para o líder do partido La France Insoumise, candidato declarado à eleição presidencial de 2027, o tempo dos ajustes tímidos acabou. Trata-se de uma ruptura com o passado, que ele abraça integralmente.


Falando para uma plateia receptiva, Mélenchon traçou uma linha clara: a Nova Caledónia caminharia "rumo à independência" sob uma presidência rebelde; a Córsega seria apoiada "rumo à autonomia ampliada que o seu povo exige"; quanto às Antilhas, Guiana Francesa e Reunião, não haveria "tabus" em relação à autonomia, com a perspectiva de um "direito pleno à autonomia" quando as populações envolvidas o desejassem e no ritmo que escolhessem.

Isto é mais do que uma promessa eleitoral. É um ataque frontal ao modelo jacobino, ao centralismo herdado da Revolução que, durante tanto tempo, fez de Paris o coração pulsante e único de uma República "una e indivisível". Ao colocar a descolonização inacabada e o direito dos povos à autodeterminação no centro do seu discurso, Mélenchon reposiciona a França Insubmissa como herdeira de uma esquerda radical, pós-colonial e pluralista.

Um cálculo político e uma convicção

A escolha de Saint-Denis não é insignificante. Esta cidade, símbolo da diversidade francesa, onde descendentes de imigrantes dos territórios ultramarinos e da França continental convivem, permite a Mélenchon consolidar um eleitorado popular e ultramarino, muitas vezes negligenciado. Mas, para além da tática, o discurso revela uma mudança doutrinária. O político inflamado, que durante muito tempo defendeu a unidade republicana, criticando as suas tendências neocoloniais, abraça agora abertamente uma visão confederal ou diferenciada da República.

Para a Nova Caledónia, ainda marcada pelos Acordos de Matignon e Nouméa e pela violência recente, a promessa é direta. Para a Córsega, faz parte de um diálogo contínuo com os nacionalistas. Para os departamentos e regiões ultramarinos (DROM), a formulação permanece cautelosa — condicionada à vontade popular —, mas abre a caixa de Pandora institucional que sucessivos governos, tanto de direita quanto de esquerda, sempre fecharam com firmeza.

Casamansa: um espelho inesperado

Como jornalista da Casamansa, que há décadas observa as convulsões da política francesa que muitas vezes influenciam indiretamente a dinâmica africana, este discurso ressoa com particular força. A Casamansa, este território verdejante, outrora autónomo durante a colonização portuguesa e francesa, carrega as cicatrizes de um conflito de independência com o Estado senegalês há mais de quarenta anos. O Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) forjou a sua luta em torno de queixas históricas: o processo de descolonização, a marginalização económica, a exploração dos recursos naturais e a integração forçada num Estado-nação de estilo jacobino, modelado em parte no sistema francês.

Ver um dos principais candidatos da esquerda francesa, o herdeiro intelectual do pensamento universalista, reconhecer explicitamente o "direito à autonomia" e até mesmo à independência de povos insulares ou remotos não pode deixar ninguém indiferente. É claro que os contextos são diferentes: a França é uma potência democrática pós-imperial que luta com o seu legado colonial; o Senegal é um jovem Estado soberano, ansioso por preservar a sua unidade territorial fragmentada diante do risco de balcanização.

No entanto, os paralelos são impressionantes. O jacobinismo senegalês, centralizador e por vezes desconfiado das particularidades culturais e históricas da Casamansa (fulanis, diolas, mandincas, balantes, diahankeses, etc.), há muito responde com repressão, promessas não cumpridas e uma descentralização superficial. Os sucessivos acordos de paz permaneceram letra morta, mas a questão do estatuto específico da Casamansa permanece sem solução, como uma ferida que não cicatrizou completamente.

O discurso de Mélenchon, por extensão, levanta uma questão incómoda para os líderes africanos: se até mesmo para a França, a histórica guardiã do centralismo, é forçada a evoluir sob a pressão das suas populações ultramarinas, por quanto tempo os estados pós-coloniais poderão ignorar as legítimas aspirações por um maior controlo local sobre os recursos, a cultura e as instituições?

Reações e armadilhas

Na França, essa declaração forçará os outros candidatos a posicionarem-se. A direita e o centro a verão como uma ameaça à unidade nacional; Emmanuel Macron ou os seus potenciais sucessores serão acusados ​​de fraqueza se não responderem com firmeza. Em Reunião e Martinica, onde a autonomia tem raízes, mas a independência ainda é uma visão minoritária, o debate corre o risco de se polarizar violentamente.

Para Mélenchon, a aposta é arriscada: consolida a sua base ativista, mas pode assustar uma parcela do eleitorado francês apegada à ideia de uma República indivisível. Ele também está a explorar questões históricas, lembrando aos eleitores que a descolonização não estará completa até 2026.

Na Casamansa, onde os acontecimentos na França são acompanhados com uma mistura de esperança e ceticismo, este encontro serve como um lembrete de que as grandes potências não mudam por filantropia, mas sob a pressão combinada das urnas, da opinião pública e da história. A busca de Casamansa por uma paz justa, baseada na verdade histórica e no reconhecimento do seu caráter único, não deve nada esperar diretamente de Paris. Mas pode encontrar ali um incentivo intelectual: o direito dos povos à autodeterminação não é mais apenas um slogan terceiro-mundista dos anos 1960. Está-se a tornar, ainda que timidamente, um tema de debate no coração da metrópole.

Resta saber se Jean-Luc Mélenchon, caso chegue ao poder, traduzirá essas palavras em ações. O histórico de promessas eleitorais relativas aos territórios ultramarinos franceses sugere cautela. Mas a mensagem foi transmitida: a França pluralista que ele idealiza não pode mais ignorar as vozes vindas das ilhas, das florestas equatoriais… e, por extensão, dos arrozais da Casamansa. Abdou Diallo – Casamansa in “Le Journal du Pays”


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Timor-Leste - Xanana Gusmão recorda que foi através da língua portuguesa que a resistência falou ao mundo

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou que a língua portuguesa ocupa um “lugar especial” na história da resistência, porque foi através do português que “Timor-Leste falou ao mundo”


“A língua portuguesa ocupa igualmente um lugar especial na história da nossa resistência. Foi através desta língua que Timor-Leste falou ao mundo. Foi esta língua que levou a causa timorense às Nações Unidas, às organizações internacionais e aos países amigos. A língua portuguesa tornou-se símbolo de identidade, de resistência e de continuidade histórica do Estado timorense”, disse o primeiro-ministro timorense, no discurso divulgado à imprensa.

Xanana Gusmão participou ontem na cerimónia de celebração do 24.º aniversário da restauração da independência, que se assinala na quarta-feira, no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, que inclui a inauguração de uma exposição e um lançamento de um livro, denominado “Vida da Resistência”.

“Quando o invasor proibiu o uso do português, o povo timorense continuou a falar [o português] em segredo. Continuou a resistir em português. Assim, a língua portuguesa tornou-se uma língua de resistência”, salientou Xanana Gusmão.

Na sua intervenção na “Casa Sagrada”, o líder timorense destacou também que o 20 de Maio não é apenas uma data histórica, mas a “prova de que uma nação, mesmo pequena, pode alcançar grandes vitórias quando luta com coragem, em plena consciência, com unidade nacional e com um profundo amor à pátria”. “Hoje, não celebramos apenas a independência de um Estado. Celebramos, acima de tudo, a sobrevivência de uma nação. Celebramos a vitória da memória contra o esquecimento. Celebramos a vitória da esperança contra o medo e a vitória da dignidade humana contra a opressão”, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro deixou igualmente uma mensagem aos jovens, que representam a maioria da população do país. “A geração da resistência entregou-vos a liberdade. Agora cabe-vos defender o futuro desta nação. A luta da vossa geração já não se trava nas montanhas. A luta de hoje faz-se através da educação, do conhecimento, da disciplina, da honestidade e do trabalho”, disse Xanana Gusmão. “Precisamos de jovens preparados para defender a identidade, a cultura, a memória e os valores da resistência. Precisamos de jovens capazes de transformar o sofrimento do passado numa força para construir um futuro melhor”, acrescentou.

As celebrações do 24.º aniversário da restauração da independência tiveram início no domingo com a inauguração de uma feira de culinária local em Tasi Tolu e vão incluir também uma missa e a deposição de uma coroa de flores aos Heróis da Pátria, na terça-feira no cemitério de Santa Cruz, e a cerimónia de hastear da bandeira nacional, na quarta-feira. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Casamansa - A Juventude pela Independência de Casamansa (JICASA) endurece a sua posição e reafirma a sua determinação pela independência do Senegal

Reunidos de sábado, 28, a domingo, 29 de março de 2026, em Balantacounda, os membros e representantes da JICASA demonstraram uma determinação inequívoca em continuar a luta pela independência da Casamansa, num contexto marcado por tensões persistentes na sub-região.


Impulsionada pelo forte apoio de Kassa, Fouladou, Pakao e Fogny, a reunião também contou com a participação notável de delegações da Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali e Guiné. Para os organizadores, esta participação reflete a crescente solidariedade regional com a causa da Casamansa.

Numa declaração contundente, a JICASA prestou uma homenagem entusiasmada aos combatentes da ATIKA, destacando as recentes vitórias militares contra as forças senegalesas entre fevereiro e março de 2026. O movimento considera essas ações como prova de uma resistência que permanece ativa e determinada no terreno.

Além do aspecto militar, a JICASA destaca os progressos políticos que considera significativos, enfatizando o papel central da diáspora. Esta última é elogiada pelo seu compromisso com as populações deslocadas e os refugiados da Casamansa na Gâmbia e na Guiné-Bissau, numa demonstração de solidariedade considerada "vital ".

O movimento condenou veementemente a situação dos 21 presos políticos da Casamansa detidos sem julgamento no Senegal, descrevendo-a como uma " flagrante injustiça " e exigindo a sua libertação imediata.

Outro ponto de discórdia: a governação na Casamansa. A JICASA critica as nomeações administrativas e coloniais impostas (governadores, prefeitos, administradores civis, diretores, médicos, juízes, comissários e comandantes), que compara a práticas de outra época, denunciando uma persistente marginalização das populações locais.

Nesse mesmo sentido, os jovens separatistas apontam para o silêncio dos deputados da Casamansa diante dos recentes acontecimentos trágicos, um silêncio que consideram " inaceitável ", especialmente em comparação com os debates no Parlamento da Gâmbia sobre a situação na Casamansa.

À luz destas descobertas, a JICASA apela para uma maior mobilização de todas as forças ativas — autoridades religiosas e tradicionais, sociedade civil e diáspora — para alcançar uma paz duradoura, mas também para apoiar o que considera uma luta legítima pela dignidade, justiça e autodeterminação.

Numa Casamansa marcada por mais de quatro décadas de conflito entre o exército senegalês e os combatentes do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC), esta nova posição confirma que a questão da Casamansa permanece sem solução e continua a cristalizar tensões e aspirações. Balanta Mané – Casamansa in “Le Journal du Pays”


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Reino Unido - Gastronomia e música marcam festa dos 50 anos da “Dipanda”

Música, gastronomia, moda e traços identitários da cultura nacional marcaram, no sábado, em Londres, a festa da “Dipanda” entre diplomatas e a comunidade de Angola no Reino Unido


Uma confraternização que envolveu uma massa considerável da comunidade angolana radicada em várias regiões da Inglaterra, incluindo uma representatividade da Irlanda, juntou-se em Londres para assinalar a data mais importante da Nação.

Num clima descontraído, segundo um comunicado de imprensa, abençoado no início por momentos de oração de acção de graças, com dois pastores angolanos radicados em Londres, o embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício, no seu discurso, levou os convidados a uma viagem, sem avião nem navio, a Angola.

José Patrício frisou que, 50 anos depois da Independência, Angola tem tudo para vencer os desafios do desenvolvimento sustentável, da transformação da sua matéria-prima, os seus imensos recursos naturais, a fim de alcançar a arrancada económica e não só.

O diplomata angolano ressaltou que o país tem recursos naturais, minerais, uma rica flora e fauna, belas paisagens, destinos turísticos encantadores e uma diversidade cultural, que representam um factor de desenvolvimento.

“Temos abundantes riquezas, madeira, café, ferro, cobre, ouro, diamante, petróleo, danças e tradições, destinos turísticos impressionantes e uma diáspora como activo incontornável do Estado, a Independência como maior conquista de Angola e um Deus para abençoar a Pátria e os angolanos. Por isso, Angola tem tudo para vencer”, asseverou.

O evento teve momentos de intervenção cultural, com a actuação do agrupamento Batoto Yetu, do músico Biura, que fez o embaixador subir ao palco para cantar, e de dois cantores da comunidade angolana, Wilma Assis e Yilly Ruel de Liverpool, assim como a passagem de modelo com trajes tradicionais das 21 províncias do país.

Na passarela também desfilou a Miss Universo 2011, Leila Lopes, angolana residente em Londres, que coordenou o momento de glamour durante a gala.

Na ocasião, foram premiados os vencedores do Concurso de Poesia e Desenho, alusivo às celebrações do 50.º aniversário da Independência Nacional, nas categorias infantil e juvenil, uma iniciativa da Embaixada e do Consulado Geral de Angola no Reino Unido. In “Jornal de Angola” - Angola


Angolanos celebram hoje 50.° aniversário da Independência Nacional

        Os angolanos em todo o mundo celebraram, esta quarta-feira, o 50.° aniversário da Independência Nacional, cujo acto central decorreu na Praça da República, em Luanda, com a presença de delegações estrangeiras e nacionais


As celebrações iniciaram-se um pouco mais cedo, com a cerimónia do hastear da bandeira-monumento no Museu de História Militar, em Luanda.

Na Praça da República, o primeiro momento simbólico foi a homenagem ao Presidente António Agostinho Neto, no sarcófago existente no local, sendo que o Presidente da República, João Lourenço, acompanhado pelos Chefes de Estado convidados, prestou homenagem ao proclamador da Independência Nacional.

A cerimónia incluiu o acto formal de condecoração com a medalha de honra ao Presidente António Agostinho Neto, a título póstumo, por ter sido primeiro Presidente da República e pelo contributo prestado à nação.

      Seguiu-se o discurso do Chefe de Estado, João Lourenço, o ponto alto da celebração.

O programa contemplou ainda um espaço para a manifestação de cidadania, com um desfile cívico representativo dos diversos segmentos da sociedade angolana, envolvendo cerca de seis mil participantes.

Depois, teve lugar o desfile militar, com contingentes dos vários ramos das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional, envolvendo aproximadamente quatro mil efectivos.

O encerramento foi marcado pela interpretação da música oficial dos 50 anos da Independência Nacional.

Angola alcançou a independência em 1975. In “Jornal de Angola” - Angola



sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Cabo Verde - Cidade da Praia vai acolher a 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa

A cidade da Praia, em Cabo Verde, será palco, de 16 a 18 de outubro, da 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa (EELP), que este ano se realiza sob o tema “Independência, Literatura, Inteligência Artificial”. O evento é organizado pela UCCLA em conjunto com a Câmara Municipal da Praia.


A abertura oficial contará com a intervenção do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e o encerramento do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga.

O encontro reunirá escritores, investigadores, editores, professores, críticos literários e leitores de vários países e regiões do espaço lusófono, promovendo o diálogo em torno do tema em análise. O programa coloca a Inteligência Artificial no centro das questões que hoje atravessam a criação literária e o futuro do livro.

Nesta edição estará, também, em foco o V centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões, num ano em que se assinala o cinquentenário das independências em vários países lusófonos.

Escritores confirmados:

Angola: Israel Campos;

Brasil: Ozias Filho;

Cabo Verde: Adolfo Lopes, Arménio Vieira (texto), Dina Salústio, Germano Almeida, Hélio Varela (vídeo), Manuel Pereira Silva, Nardi Sousa, Paulo Veríssimo, Princezito e Sérgio Raimundo;

Galiza: Teresa Moure Pereiro;

Guiné-Bissau: Emílio Tavares Lima;

Macau/China: Joaquim Ng Pereira; 

Moçambique: Sérgio Raimundo;

Portugal: Hélia Correia, Isabel Castro Henriques (vídeo), João de Sousa (editora A Bela e o Monstro - edição comentada Os Lusíadas), Manuel Alegre (texto) e Ricardo Araújo Pereira; 

São Tomé e Príncipe: Alice Goretti Pina;

Angola/Portugal: Cláudio Silva - Vencedor do Prémio de Revelação Literária.

Folheto da 13.ª edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa. UCCLA

sexta-feira, 4 de julho de 2025

São Tomé e Príncipe e Angola celebram a independência com partilha e promoção da identidade cultural comum

A semana cultural São Tomé e Príncipe – Angola reúne artistas plásticos, escritores, músicos e produtores de cinema no espaço CACAU em São Tomé. Durante 2 dias (Quarta e Quinta – Feira), santomenses e angolanos celebram através da cultura, os 50 anos da independência do arquipélago.


A música e a dança da “Tafua” vieram para São Tomé com os escravos angolanos. Aquecia as noites nas sanzalas das roças, e passou a ser uma manifestação cultural santomense. O intercâmbio histórico-cultural entre os dois países é antigo.

«A fortaleza de um povo e consequentemente de uma nação, subjaz na riqueza e diversidade da sua cultura. Foi com este espírito que decidimos organizar o encontro entre santomenses e angolanos», afirmou Fidelino de Jesus Florentino Peliganga, embaixador de Angola em São Tomé e Príncipe.

O diplomata que declarou a abertura do evento, acrescentou que a cultura tem servido como ponte entre «as nossas gentes…para partilhar a vivência da nossa raiz cultural comum evidente em manifestações como a Tafua aqui exibida e a Puíta também bem conhecida e muito popular».

Os laços histórico-culturais entre São Tomé e Príncipe e Angola começaram a ser tecidos pela colonização portuguesa. Laços que geraram consanguinidade, e muita cumplicidade. Alda do Espírito Santo matriarca do nacionalismo santomense e Agostinho Neto nacionalista angolano, em conjunto com outros estudantes das antigas colónias portuguesas, na Casa do Império em Lisboa – Portugal deram novo impulso a cumplicidade entre santomenses e angolanos, para a conquista da independência nacional dos dois países.

«Para alcançar a autodeterminação, a independência dos nossos países, e sobretudo para dar cabo e acabar com o fascismo português», frisou Lopito Feijó, poeta angolano, que participa no intercâmbio cultural em São Tomé.

O poeta angolano que se sentou ao lado da poetisa santomense Conceição Lima na abertura do evento, recordou que foi a geração de Alda do Espírito Santo e de Agostinho Neto a fonte de inspiração dos novos poetas e escritores santomenses e angolanos, que se despontaram a partir da década de 80 do século XX.

«Toda aquela geração Alda do Espírito Santo, José Craveirinha, Viriato da Cruz influenciaram toda a geração dos anos 80, que é a primeira geração de escritores que surge depois da independência», precisou.

Para Lopito Feijó, há uma força poética que obriga os escritores santomenses e angolanos a prosseguirem no aprofundamento das relações históricas.

«A relação de amizade entre dois poetas refiro-me a Agostinho Neto e Alda do Espírito Santo. É um ponto importante e de cumplicidade, que prosseguiu até os últimos dias da “Tia Alda” que acabou de falecer em Angola», pontuou.

“Tia Alda” é a forma familiar como os angolanos chamam a matriarca do nacionalismo santomense, autora do hino nacional que proclama a Independência Total de São Tomé e Príncipe.

O Ministro da Defesa e Ordem Interna, o Brigadeiro Horácio Sousa, que também preside a comissão nacional para os festejos dos 50 anos da independência nacional foi ao púlpito para declarar que a cultura santomense foi moldada ao longo dos séculos com muitas marcas de Angola. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


quarta-feira, 25 de junho de 2025

Moçambique - Mia Couto e os 50 anos da independência: "Nós queríamos descolonizar-nos, mas colonizamo-nos a nós próprios"

Em declarações à TSF, o escritor defende que é preciso encontrar um "modelo democrático mais próximo dos cidadãos" e garante que este desafio não é sentido apenas neste país africano

Mia Couto considera que Moçambique precisa de um modelo político "mais participativo e mais próximo das pessoas" (assim como "o resto do mundo"). Decorridos 50 anos da conquista da independência, o escritor diz à TSF que aquele país africano ainda não conseguiu ter uma governação que tenha em conta as necessidades da população.

Tal deve-se, acredita, aos "modelos" de Estado de outros países "política e culturalmente distantes" que a ex-colónia adotou: "Nós queríamos descolonizar-nos, mas colonizamo-nos a nós próprios."

O vencedor do prémio Camões 2013 defende, por isso, que é preciso encontrar um "modelo democrático mais próximo dos cidadãos" e diz que este desafio não é sentido apenas em Moçambique.

"Quem são as pessoas que, por exemplo, em Portugal ou em Espanha, ou onde for, se revêem nesta maneira de fazer política, em que há uma democracia parlamentar onde [os deputados] estão a discutir coisas que são completamente nas costas e distantes das preocupações das pessoas?", pergunta.

Questionado sobre como gostava que fosse o futuro do país, Mia Couto lembra com nostalgia o momento que viveu há 50 anos: "Eu gostava que houvesse o mesmo clima que já vivi, de utopia, em que as pessoas se podiam juntar todas num grande estádio e festejarem juntos a vida, sem diferenças de consideração política, étnica ou religiosa. In TSF” - Portugal


sexta-feira, 28 de março de 2025

Casamansa - Uma nação com uma história colonial formatada ainda em busca da autodeterminação

É imperativo, hoje mais do que nunca, compreender que a questão da Casamansa não pode ser reduzida a um simples conflito regional ou económico. Por trás desta luta secular está a história de uma nação, uma nação cujas fundações remontam a muito antes da integração forçada no Senegal sob o domínio colonial francês. Uma história há muito ignorada pelas elites políticas e pela mídia dominante, que preferem reduzir este conflito a uma simples rebelião interna, longe das raízes profundas que explicam a sua persistência.



Uma nação acima de tudo, ignorada e negada

Sob o jugo da colonização, Casamansa não era uma “região” do Senegal. Era uma nação independente, com fronteiras naturais e um povo unido por uma identidade política e cultural distinta. Os seus limites geográficos estendiam-se do Oceano Atlântico até às margens do Rio Falémé, perto da atual fronteira com o Mali. Casamansa não foi anexada por razões de desenvolvimento ou estratégia geopolítica, mas por uma decisão puramente administrativa das autoridades coloniais francesas, que ignoraram a história e as especificidades deste povo. Esse apego, imposto sem consulta, transformou uma sociedade orgulhosa e independente numa mera "região" marginalizada do Senegal, um apego que, mais de sessenta anos após a independência, continua a alimentar uma profunda divisão entre o povo de Casamansa e os senegaleses.

Anexação forçada: uma ferida aberta

As fronteiras traçadas pelos colonizadores franceses eram arbitrárias. Eles ignoraram as realidades sociais, culturais e históricas dos povos que governavam. Ao integrar a Casamansa no Senegal sem o consentimento dos seus habitantes, a França cometeu uma grave injustiça. Essa anexação forçada não apenas violou os direitos do povo da Casamansa, mas também semeou as sementes de um conflito que, após a independência em 1960, continuou a crescer em escala. É fundamental entender que, além das desigualdades económicas e das promessas não cumpridas, a causa do povo de Casamansa é, acima de tudo, um clamor pelo reconhecimento do seu direito à autodeterminação, pela sua dignidade como um povo distinto.

Um povo na procura de reconhecimento e dignidade

Os cidadãos da Casamansa não estão apenas exigindo maior autonomia económica. A luta deles é muito mais ampla: diz respeito ao reconhecimento de sua identidade política, cultural e histórica. Eles não estão simplesmente a procurar investimentos ou melhores condições de vida. O que eles exigem é respeito fundamental aos seus direitos como povo, um respeito que começa com o reconhecimento da sua história. Por muito tempo, o Estado senegalês, herdeiro de uma divisão colonial injusta, continuou a considerar Casamansa como uma "região rebelde", em vez de entender que se trata de uma nação inteira, cujas aspirações legítimas não podem ser ignoradas.

Casamansa: uma nação na procura do seu destino

O destino da Casamansa não se limita à construção de estradas, pontes ou infraestrutura. Esta não é uma questão de subdesenvolvimento a ser resolvida por medidas económicas. Trata-se de restabelecer a verdade histórica e reconhecer que esta nação foi destituída de sua autonomia e poder pelas decisões arbitrárias dos colonizadores. O processo de paz em Casamansa nunca poderá ser alcançado até que esta injustiça fundamental seja reconhecida. O Senegal não poderá reivindicar uma verdadeira reconciliação com a Casamansa enquanto continuar a tratar esta região como uma simples subdivisão administrativa.

A urgência do reconhecimento

A paz em Casamansa nunca poderá ser alcançada por meio de repressão militar ou promessas vazias de desenvolvimento económico. Isso requer uma profunda consciência e um diálogo político sincero, baseado no reconhecimento de uma verdade histórica: Casamansa foi anexada contra a sua vontade, e este povo tem direito à autodeterminação. Somente reconhecendo os direitos históricos do povo de Casamansa poderemos iniciar um verdadeiro processo de cura e reconciliação.

Uma nação por direito próprio

Para o Senegal, mas também para a África Ocidental como um todo, o reconhecimento de Casamansa como uma nação independente é essencial. A solução para este conflito não está em esquecer ou minimizar a história colonial, mas em compreender que a Casamansa foi anexada pela violência, e que essa violência continua a marcar a história do povo casamansês O reconhecimento dessa história ajudará a construir uma paz duradoura, finalmente dando a este povo o lugar que ele merece na comunidade das nações.

Casamansa não é apenas uma “região”. É uma nação independente, cuja história foi pisada e cuja voz, há muito ignorada, continua a exigir justiça. Para que a paz seja possível, é essencial reconhecer esta verdade histórica e admitir a injustiça original: a da anexação de um povo soberano pela força. Somente este reconhecimento pode abrir o caminho para uma verdadeira reconciliação e um futuro compartilhado. Antoine Bampoky – Casamansa in “Journal du Pays”


quarta-feira, 30 de outubro de 2024

UCCLA - Fórum no âmbito dos 50 anos da Independência dos PALOP e Moçambique


Vai decorrer, nos dias 4 e 5 de novembro, no auditório da UCCLA, o Fórum subordinado ao tema” Inovação, Vias-Férreas, Infraestruturas Tecnológicas e Apoios Logísticos”, organizado pela Casa de Moçambique no âmbito dos 50 anos da Independência dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e de Moçambique em particular.

O fórum, que terá início às 10 horas, irá reunir diversos responsáveis e comunidade moçambicana na diáspora.

Programa


 

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

UCCLA - 25.º aniversário de Timor-Leste

Ao ter presente o referendo que teve lugar no dia 30 de agosto de 1999, em Timor-Leste, e que abriu as portas ao reconhecimento internacional da independência do país, a UCCLA saúda o povo de Timor-Leste recordando o frémito de solidariedade para com as vítimas da luta em prol da independência, simbolizadas nos acontecimentos visionados no cemitério de Santa Cruz que correram mundo.                             


As visualizações desses acontecimentos conduziram a uma reação imediata de todos os povos de língua portuguesa que irmanados com os demais povos de todos os continentes, geraram uma cadeia de solidariedade para com a justa luta do povo de Timor-Leste em prol da liberdade e da independência.

Há 25 anos que Timor-Leste ocupa o lugar que lhe é devido na ONU, na CPLP e quatro das suas cidades são hoje associadas da UCCLA.

A UCCLA orgulha-se, ainda, de ter projetado parte da recuperação dos edifícios e parques públicos danificados ou destruídos por efeito da invasão que o território de Timor-Leste foi objeto, antes da independência, e ter tido colaboradores seus destacados durante cerca de quatro anos em Díli para o acompanhamento dos trabalhos. De igual modo orgulha-se de ter visto uma candidatura de um projeto multidisciplinar, recente, para a cidade de Dili apresentado à União Europeia em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e com a Autoridade Municipal de Díli e ter sido deferido com a duração de três anos, encontrando-se em execução a 8 meses do seu termo. Vítor Ramalho - UCCLA


quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Guiné-Bissau - Assinala oficialmente 50 anos de independência e 59 de criação das Forças Armadas

Bissau - A Guiné-Bissau assinalou oficialmente esta quinta-feira, os 50 anos da independência e os 59 da criação das Forças Armadas, com as cerimónias a terem lugar na Avenida Amílcar Cabral, requalificada, em Bissau.


O acto mais importante da cerimónia foi a apresentação de uma Mensagem à Nação, pelo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, após a qual se seguiu o desfile civil e militar.

Terminada a fase de desfiles, o Presidente guineense deslocou-se com os  convidados para o Palácio da República, situado na Praça dos Heróis Nacionais, para um almoço oficial que encerra as cerimónias de celebração do cinquentenário da independência e do Dia das Forças Armadas.

A cerimónia ficou também marcada com a condecoração com a Medalha Colinas de Boé de diversas personalidades, nomeadamente, o primeiro-ministro demissionário de Portugal, António Costa, o selecionador nacional de futebol, Baciro Candé e o internacionalista cubano, Comandante Moia.

A cerimónia comemorativa dos 50 anos da independência e dos 59 anos da criação das Forças Armadas, foi marcada com a presença de sete chefes de Estado, dois vice-presidentes da República e quatro primeiros-ministros e cujo ato marcado ainda com um desfile civil e militar na renovada avenida Amílcar Cabral, em Bissau. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


Guiné-Bissau - Exposição “Amílcar Cabral” viaja até Bissau nos 50 anos da independência

Bissau – A exposição “Amílcar Cabral”, organizada para as comemorações do 25 de Abril em Portugal, viajou até à Guiné-Bissau para assinalar os 50 anos da independência do país africano e abre ao público, na quinta-feira, no Palácio Presidencial.

Aquele que é considerado herói nacional na Guiné-Bissau é homenageado nesta exposição que já esteve patente no Palácio Baldaya, em Lisboa, e inicia agora uma itinerância pela Guiné-Bissau e, no próximo ano, Cabo Verde.

A mostra abre ao público no dia das comemorações dos 50 anos da independência da Guiné-Bissau, para a qual contribuiu decisivamente o histórico guerrilheiro, assassinado antes da proclamação unilateral da mesma.

A Guiné-Bissau prepara-se para assinalar, em 2024, o centenário do nascimento de Amílcar Cabral e a história do líder político, engenheiro agrónomo e ativista cultural poderá ser visitada nesta exposição.

Trata-se de uma nova edição de “Amílcar Cabral, Uma Exposição” organizada pela Comissão Executiva da Estrutura de Missão para as Comemorações do quinquagésimo aniversário da Revolução portuguesa, e que conta com o apoio do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, da Embaixada de Portugal em Bissau e das autoridades guineenses.

Comissariada por José Neves e Leonor Pires Martins, um dos responsáveis pelo projeto de arquitetura da mostra,

Ricardo Santos, explicou à Lusa que “a exposição passa um pouco por toda a vida de Amílcar Cabral, mas também toda a influência que a obra dele tem até aos nossos dias”.

Organizada de forma cronológica, a mostra começa nos anos 50, 60 do século passado e acaba com vídeos e instalações, mais recentes, da autoria de pessoas que continuam a trabalhar sobre a obra e a memória de Amílcar Cabral.

A exposição é composta por documentos históricos, recortes de jornais, cartazes, fotografias e documentos, nomeadamente com o partido que fundou, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), assim como por um mapa com todas as viagens que fez pelo mundo.

O adido para a cooperação e representante do Instituto Camões na Guiné-Bissau, António Nunes, disse à Lusa que o instituto financiou o transporte e a montagem por entender que “seria vantajoso que a população da Guiné-Bissau pudesse ter acesso à exposição para que vissem o impacto que Amílcar Cabral teve”.

A organização destaca que a história da Guiné-Bissau, a primeira colónia a declarar a independência, é indissociável do 25 de Abril e da liberdade em Portugal.

O académico Vítor Barros irá guiar os visitantes nesta mostra com o entusiasmo com que tem estudado e publicado em revistas e seminários internacionais sobre Amílcar Cabral.

Observou à Lusa que o homem ligado à independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde “continua ainda hoje em várias partes do mundo a despertar interesse e admiração” e gostava que “as ideias de Cabral fossem ensinadas nas universidades e em escolas de referência”. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau com “Inforpress” e “Lusa”


sábado, 23 de setembro de 2023

Cabo Verde - Jornalista e escritora afro-brasileira Joyce Ribeiro lança livro “Chica Da Silva”

A visita da jornalista e pivot da TV Cultura brasileira acontece no âmbito da celebração dos 50 anos da proclamação da independência da Guiné-Bissau. Além da apresentação do seu livro, as atividades de comemoração da efeméride em Cabo Verde têm como pontos altos a organização de uma Recriação Histórica sob o lema “O valor da cultura como elemento de resistência”


Chica da Silva é um romance escrito pela jornalista Joyce Ribeiro que retrata a história emocionante da mulher mineira escravizada, que virou um conto de fadas narrado no cinema, na televisão e na música.

“Um romance histórico que fala de lutas, preconceitos que estruturaram sociedades, de separações, boatos e injustiças, mas também mergulha na força transformadora do amor. A trajetória de Chica da Silva, a escrava mineira que encantou o rico contratador de diamantes e desembargador João Fernandes de Oliveira, no século XVIII, ganha seguidores em diversos cantos do mundo. Mesmo quem viu o filme ou a novela, vai se surpreender com o livro” realça a nota de imprensa.

O lançamento do livro Chica Da Silva, de Joyce Ribeiro, aconteceu no passado dia 21 de setembro na Biblioteca Nacional de Cabo Verde, na cidade da Praia.

Comemorações dos 50 anos da independência da Guiné em Cabo Verde

Segundo a organização, a comemoração dos 50 anos de Independência da Guiné-Bissau é um espaço de partilha e fórum de conhecimento, querendo “afirma-se como singular na divulgação, dinamização e conhecimento histórico-cultural, mas também no reforço dos laços culturais e do intercâmbio entre Guiné-Bissau, Cabo Verde e Brasil”.

As atividades de comemoração desta efeméride são organizadas pelas Associações Cabaz di Tera, Fidjuz di Cabral e Associação dos Guineenses Residentes em Cabo Verde, em parceria com a Embaixada da Guiné-Bissau em Cabo Verde e com o Alto Patrocínio da Presidência da República de Cabo Verde. In “A Nação” – Cabo Verde


quinta-feira, 15 de setembro de 2022

São Tomé e Príncipe - Músico brasileiro Álvaro Henrique apresenta recital dos 200 anos da independência do Brasil

São Tomé – O músico brasileiro Álvaro Henrique apresentou na noite de quarta-feira no Museu Nacional de São Tomé e Príncipe o recital dos 200 anos da independência do Brasil num evento organizado pela embaixada brasileira com assistência de várias entidades nacionais, estrangeiras e elementos do público.

Considerado um dos “violonistas Brasileiros favoritos” da Villa-Lobos Magazine, Álvaro Henrique tem conectado plateias com um mundo de emoções e histórias por meio de apresentações temáticas.

Conhecido pelo drama e humor das suas apresentações, além das suas presenças de palco com a plateia, Henrique viajou por 15 países e lançou 2 álbuns a solo e um DVD.

Os programas de recital de Álvaro Henrique incluem vários instrumentos de cordas dedilhadas cobrindo uma vasta gama de histórias e culturas, tocando ainda a antiga vihuela, o violão barroco ateorbado, o violão do século XIX e, claro bem como o violão moderno.


O seu repertório flexível permite apresentações com cinco séculos de música e culturas, incluindo obras de vários compositores, como Mario Ferraro e Ernest Mahle bem como obras de Villa-Lobos, Scarlatti, Tárrega e Guerra-Peixe, assim como transcrições surpreendentes de obras de Tchaikovsky e Stravinsky.

Além das funções de presidente-fundador da Associação Brasiliense de Violão (BRAVIO), primeira associação da América do Sul parceira da Guitar Foundation of America (GFA), Álvaro Henrique organizou, desde 2005, mais de 100 eventos entre concertos, saraus, palestras, masterclasses, festivais e concursos.

De 2010 a 2012 foi professor na Universidade Federal de Uberlândia, e durante esse breve período teve 12 alunos de graduação premiados em concursos, tocando em grandes cidades como Salzburg (Áustria), e/ou gravando CDs distribuídos mundialmente. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”



 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Brasil - Pesquisa resgata local exato da proclamação da Independência do País


Pesquisadores resgataram a localização do ponto exato onde Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822. Segundo o professor do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP) Jorge Pimentel Cintra, o local chegou a ser marcado fisicamente “com bastante precisão” no início do século 20, mas, ao longo das décadas, uma série de confusões e mal entendidos fez com que a informação acabasse se perdendo.

Cintra conta que o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo determinou, em 1902, o lugar, dentro do perímetro de onde atualmente fica o Parque da Independência, na zona sul paulistana. “Nesse local foram colocados um mastro e uma pedra, como se pode ver em fotos da época. E aí permaneceram até 1921 ou 1922 quando os jardins foram remodelados, com grandes escavações”, relata.

A partir da retirada desse marco, começaram a ser atribuídos outros pontos, como o local onde foi instalado o Monumento à Independência, de autoria do artista Ettore Ximenes, inaugurado em 1922, nas comemorações do centenário da Independência. Há ainda o famoso quadro de Pedro Américo, que ajudou a formar o imaginário sobre o momento, mesmo não sendo preciso do ponto de vista histórico.

Havia também uma pedra fundamental que foi colocada anteriormente, segundo o pesquisador, no lugar errado. “O local que prevaleceu situa-se no jardim acima da Rua dos Patriotas, junto à primeira fonte, para quem sobe”, diz sobre a primeira tentativa de demarcação que, equivocada, ajudou a aumentar a confusão sobre o tema.

De acordo com o pesquisador, não se sabe porque essa marcação foi colocada fora do lugar, uma vez que o ponto foi medido com precisão à época (1825), quando se pretendia erguer um monumento no local.

Há três anos, Cintra vem pesquisando o assunto como parte de um estudo sobre o caminho de Dom Pedro no dia 7 de setembro. Para precisar o ponto exato do grito, o professor analisou relatos de quatro testemunhas que estavam presentes no momento do fato histórico. Além disso, ele recorreu à ata de setembro de 1825 da Câmara Municipal de São Paulo. “Ela dá uma informação precisa do local: 184 braças [104,8 metros] da cabeceira sul da ponte sobre o riacho do Ipiranga. Estiveram presentes nessa demarcação engenheiros, agrimensores e pessoas que presenciaram o fato e moravam na região”, detalha.

Apesar da precisão dessas indicações, Cintra diz que as mudanças do espaço ao longo do tempo dificultam a localização. “A dificuldade maior foi determinar a posição da cabeceira da ponte em 1822, pois o rio foi retificado e a ponte foi destruída. Para isso, recorri a mapas antigos em que figuravam o rio e a ponte antes da retificação”, conta.

Os mapas antigos foram sobrepostos com um programa de cartografia digital. Com essas informações, foi possível fazer a marcação no parque usando sistema de localização por satélite (GPS). O ponto correto fica em um bosque, na parte esquerda do parque, se o observador estiver de frente para o Museu Paulista. O trabalho foi detalhado em artigo assinado com o pesquisador Alexandre Cintra.

Para o pesquisador, ter o ponto exato, apesar de não mudar a essência do entendimento do fato histórico, permite examinar detalhes da situação, como a movimentação dos mensageiros e da guarda de honra do então príncipe regente.

A Princesa decisiva

“Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1.822 Pedro, O Brasil está como um vulcão”.

Mais direta, impossível. Era mais do que uma correspondência de amor. O início da carta de Maria Leopoldina da Áustria, então com 25 anos de idade, para o marido, o imperador D. Pedro I, manifestava angústia e um chamado para uma transformação do Brasil. Na verdade, uma separação (de Portugal).

“Meu coração de mulher e de esposa prevê desgraças se partirmos agora para Lisboa. (…) O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com vosso apoio ou sem vosso apoio, ele fará sua separação”.

Para três biógrafos e pesquisadores da vida de Leopoldina, consultados pela Agência Brasil, a princesa atuou de diferentes formas que foram primordiais para que ocorresse a Independência do Brasil.

Os historiadores Mary Del Priore, Clóvis Bulcão e Paulo Rezzutti entendem que ações de bastidores, com autoridade intelectual diferenciada, e sentimento de preservação do trono, resultaram para que o dia 7 de setembro tivesse entrado para a história.

A pesquisadora Mary Del Priore entende que há influência das relações pessoais e familiares de Leopoldina no contexto político. A esposa do imperador foi constrangida pela exposição frequente pública da amante, Domitila de Castro, a Marquesa De Santos, em compromissos da família que governava o Brasil.

“A Leopoldina, que está no papel, representou uma criatura muito sofredora e extremamente vilipendiada e humilhada pelo marido. Mas teve uma atuação muito importante em todo o processo”, afirma Mary Del Priore.

A pesquisadora contextualiza que, até a Revolução Francesa (1789), a sexualidade dos príncipes e dos reis era algo associado à virilidade de quem ocuparia o trono. “O rei seria considerado poderoso se ele tivesse muitas amantes e filhos Depois, no final do século 18, e no início do século 19, com todos os ideais iluministas e republicanos, ter uma amante significaria que o homem era fraco”.


Poder

O escritor e pesquisador Paulo Rezzuti explica que as cartas são as pistas que tornam possível decifrar os pensamentos da Regente, tanto o seu olhar político como os sentimentos conflituosos para a família. Segundo o pesquisador, é possível verificar que Leopoldina encontra nas cartas uma forma de se abrir com pessoas que ela confiava. “Então se percebe uma mulher que estava acostumada a governar e a reinar. Ela foi criada pra isso”, esclarece o autor de D. Leopoldina, a história não contada: A mulher que arquitetou a Independência do Brasil.​

Pedro, segundo os biógrafos, compreende que Leopoldina é uma aliada. “Se não entendesse que ela era uma aliada, jamais o imperador teria colocado ela como regente do Brasil enquanto ele fazia a viagem para São Paulo”, aponta o pesquisador.

“No dia 13 de agosto, Pedro saiu do Rio de Janeiro e colocou ela como princesa no Brasil. Ele chegou em São Paulo no dia 25 de agosto e voltaria ao Rio de Janeiro um mês depois, no dia 14 de setembro”, explica Rezzutti. Quando o Brasil ficou Independente, a regente era a esposa. Tornava-se, então, a primeira mulher que ocupou o mais alto cargo o Brasil. E em um período de extrema tensão. Havia conflitos na Bahia desde fevereiro.

Um dos aspectos da força de Leopoldina estava ligado ao momento do Conselho dos Ministros, quando Dom Pedro estava em São Paulo, e foi ela, na situação de princesa regente, que estava reunida com José Bonifácio de Andrada e Silva (presidente da junta governativa de São Paulo e assessor de Dom Pedro) quando recebeu a correspondência do reino com uma série de imposições ao Brasil. Ela, então, ajudou a articular o desenrolar dos acontecimentos que culminaram com a Independência.

Os pesquisadores enfatizam que ela percebeu que os filhos iriam ficar sem trono. Por isso, pensou em resguardar o caminho para os herdeiros. “É espetacular o devotamento da Leopoldina ao Brasil e ao projeto dela de uma coroa (pensando no país) para os filhos”, afirma Mary Del Priore.

Como o imperador não era fluente em outros idiomas, Leopoldina incumbiu-se da tarefa de receber marinheiros mercenários para compor as forças de resistência brasileiras. Segundo os estudiosos, ela falava inglês, francês, alemão e recebeu os militares.

Leopoldina escreveu para as lideranças na Europa pedindo reconhecimento do Brasil e de Dom Pedro, como alguém aclamado pelo povo. “Ela foi uma presença muito proativa”, diz Del Priore.

Um exemplo disso é que, mesmo depois da dor de perder o filho (no dia 2 de fevereiro de 1822), João Carlos (que ela esperava que seria o futuro imperador do Brasil,), essa mulher vence essa dor e todas as dificuldades. “Ela estava grávida novamente e foi de barrigão no Arsenal da Marinha falar com os militares”.

Não seria a primeira vez que Leopoldina usava a sagacidade para resolver dúvidas importantes para o país, em uma mistura de questões familiares e políticas. Em janeiro de 1822, por exemplo, quando ocorre o Dia do Fico (marco, em 9 de janeiro, também para a Independência do Brasil que ocorreria naquele ano), Leopoldina, grávida, usa como pretexto a gestação para não voltar a Portugal.

Os historiadores analisam que Leopoldina percebeu que a ausência do imperador poderia enfrentar revoltas que gerassem divisões do território. “Ainda não se tinha essa ideia de sentimento de nacionalidade. Isso vai ser o processo da independência que vai trazer essa ideia de unidade nacional”, afirma o escritor Paulo Rezzutti.

Segundo outro biógrafo de dona Leopoldina, o escritor Clóvis Bulcão, a princesa foi lentamente sendo envolvida por aquele ambiente de disputa, de radicalização entre brasileiros e portugueses. “Ela vai tomando claramente o lado do Brasil”. “É importante lembrar que o pai dela, o imperador da Áustria, quando fez o casamento com a família Bragança deixa bem claro que não era pra se meter em aventura revolucionária”, contextualiza Bulcão.

Essa desobediência rompeu com a tradição do império austríaco. Bulcão avalia que, no final, ela vai ter um papel importante naqueles últimos dias que antecedem o 7 de Setembro. O clima vai ficando cada vez mais tumultuado e tenso. Dom Pedro, quando foi pra São Paulo e proclamou a Independência, deixa Leopoldina como regente no Rio. “Então, na verdade, o Brasil, quando nasce em 7 de setembro, tem uma mulher como a governante”.

O escritor Paulo Rezzutti entende que a personagem foi apagada da história de forma injusta e por machismo, já que ela age nos bastidores políticos, além do que se esperaria dela. Uma mudança de olhar da história ocorre só no século seguinte. Clóvis Bulcão considera uma ação de machismo em relação a historiadores que diminuíram o papel de Leopoldina.

Para Mary Del Priore, até o final do século 20, era incomum que as histórias de mulheres ganhassem maior repercussão. “A historiografia vem descobrindo protagonistas femininos. Está se fazendo justiça a uma mulher que trabalhou pela independência do Brasil com todas as forças e com muito amor”. In “Mundo Lusíada” - Brasil