Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 20 de julho de 2018

CPLP – Novos países e organização com a categoria de Observador Associado



A XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), decorrida nos dias 17 e 18 de julho de 2018, em Santa Maria, na ilha do Sal, em Cabo Verde, aprovou a concessão da categoria de Observador Associado da CPLP a Andorra, Argentina, Chile, França, Itália, Luxemburgo, Reino Unido, Sérvia e Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

De acordo com a Declaração de Santa Maria, estas adesões à categoria de Observador Associado conferem à CPLP “maior projeção política internacional e potenciam o desenvolvimento de relações de cooperação em diversas áreas, apelando à difusão da Língua Portuguesa através da sua inclusão curricular nos respetivos sistemas de ensino”.

Nesta senda, os Chefes de Estado e de Governo manifestaram, ainda, a satisfação com a apresentação pela República do Peru do seu propósito de candidatar-se à categoria de Observador Associado da CPLP.

Nesta matéria, a cimeira da CPLP reunida em Santa Maria aplaudiu a “intensificação do envolvimento dos Observadores Associados na Organização, materializada pela realização da primeira reunião do Comité de Concertação Permanente da CPLP com os Embaixadores dos Observadores Associados, em março de 2018, bem como pelo incentivo à sua participação nas reuniões técnicas da organização, com vista ao desenvolvimento de projetos conjuntos, de iniciativas de divulgação cultural, do diálogo político e da concertação em fóruns internacionais”.

Atualmente, a CPLP atribuiu a categoria de Observador Associado à Geórgia, ao Grão-Ducado de Luxemburgo, à Hungria, ao Japão, ao Principado de Andorra, ao Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, à República da Argentina, à República Checa, à República do Chile, à República Eslovaca, à República Francesa, à República da Ilha Maurícia, à República Italiana, à República da Namíbia, à República Oriental do Uruguai, à República do Senegal, à República da Sérvia, à República da Turquia e à OEI. CPLP

Eufrásia e Nabuco: uma história de amor

                                                           I
Eufrásia Teixeira Leite (1850-1930), nascida em Vassouras, no interior do Estado do Rio de Janeiro, foi mulher avançada para o seu tempo, que viveu sua infância e adolescência numa bela residência senhorial conhecida como a Casa da Hera e recebeu educação esmerada, pois apreciava literatura de alto nível, especialmente os textos do filósofo alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) e os contos e poemas do norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849).

Ela viveu um romance clandestino de 14 anos com Joaquim Nabuco (1849-1910), advogado, diplomata e herdeiro de José Tomás Nabuco de Araújo Filho (1813-1878), presidente da província de São Paulo (1851-1852), ministro da Justiça (1853-1857) e senador do Império pela Bahia (1857-1878), a quem o filho dedicou o livro Um estadista do Império, obra seminal para se conhecer a história política brasileira daquela época.

Apesar de pertencer à elite brasileira, que sempre se caracterizou por sua ancestral maldade para com as classes menos favorecidas, Joaquim Nabuco destacou-se como defensor da liberdade para os escravos, além de ter sido grande tribuno e combativo jornalista, que despertava a ira dos conservadores que o consideravam um "arrogante mulato nordestino e perigoso abolicionista". Foi também intransigente defensor das reformas sociais de base, que até hoje o Brasil ainda não conheceu.

Quem quiser saber a fundo a história desse romance deve procurar ler o livro Eufrásia e Nabuco (Rio de Janeiro, Mauad X Editora, 2012), da professora, historiadora e museóloga Neusa Fernandes (1934), que pesquisou parte da correspondência trocada entre os amantes, que hoje faz parte do acervo da Fundação Joaquim Nabuco. Quem ler essa correspondência vai descobrir que uma forte atração uniu esses amantes, que teriam sido separados por uma diferença ideológica intransponível. Eufrásia, talvez apegada ao seu amor por Nabuco, morreria solteira, enquanto ele acabaria casando com Evelina Soares Torres Ribeiro, aos 38 anos de idade.

Eufrásia, ao lado da irmã Francisca Bernardina (1845-1899), era detentora de uma das maiores fortunas da época, herdada dos pais, equivalente a 5% de todas as exportações brasileiras. Pertencia a uma família latifundiária, escravocrata e capitalista. Em 1872, depois da morte dos pais, as duas jovens decidiram morar em Paris. O romance com Joaquim Nabuco teve início durante viagem de navio para a Europa, em 1873, e duraria até 1887, quando Eufrásia remeteu sua última carta a Nabuco. Filantropa, ela soube como valer a sua opinião e seus direitos numa sociedade marcadamente machista, a uma época em que não havia nenhum movimento de defesa dos direitos femininos.

                                               II
Com raro talento e incansável vocação para o trabalho de pesquisa, a professora Neusa Fernandes desvenda os motivos que levaram à separação do casal. Além do problema ideológico, que talvez fizesse Nabuco sentir-se culpado por amar uma latifundiária e herdeira de vastas terras no Vale do Paraíba, segundo a historiadora, Eufrásia, que aumentara a sua riqueza como investidora e era, portanto, independente financeiramente, não só amava a liberdade de que desfrutava como, provavelmente, não aceitaria ver sua fortuna usada em campanhas abolicionistas.

Além disso, já acostumada ao progresso e ao bem-estar, insistia em viver em Paris, onde estava a maioria de seus interesses financeiros. Para piorar, a irmã de Eufrásia, Chiquinha, era contrária ao relacionamento dela com Nabuco, a ponto de ter conseguido desviá-la daquele que poderia ter sido o último encontro marcado entre eles, o que seria, mais tarde, comentado pelos namorados em correspondência trocada.

Por outro lado, Nabuco era um conhecido perdulário, gastador inveterado, que vivia nas mãos de agiotas, além de um emérito galanteador e conquistador de belas mulheres. Como prova disso, a pesquisadora recolheu uma maledicência publicada no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, de 14 de julho de 1886, em que Nabuco era chamado de “Narciso desventurado, que vive a namorar-se de si mesmo (...) tem no cérebro projeto de casamento rico”.

De Eufrásia, o livro reproduz 14 cartas para Nabuco, escritas com caligrafia esmerada. Numa delas, datada de Paris, 22 de janeiro de 1886, lê-se: “Como se engana pensando que enquanto sofre eu estou indiferente, que se eu o amo posso deixá-lo em tão grande ansiedade, eu que daria tudo para vê-lo feliz, que estou mergulhada nos prazeres e na excitação de Paris e que gozando de tudo o que ele pode me dar, não tenho tempo de pensar em mais nada que se eu estiver triste tenho a Ópera, o Bois, o mundo para me consolar e distrair, mas não fui a nenhum desses lugares, não fiz uma visita, só saí para compras indispensáveis, tenho mil saudades e nem penso em outra coisa senão na Tijuca, no Hotel dos Estrangeiros e em tudo o que se passou (...). (pág. 247).

Já de Nabuco para a amada, não há cartas porque sua correspondência, a pedido de Eufrásia, teria sido enterrada pelo advogado Raul Fernandes (1877-1968) – mais tarde, ministro das Relações Exteriores (1946-1951 e 1954-1955) –, fato que seria confirmado pelo sociólogo Gilberto Freyre (1900-19897) e pelo historiador Américo Jacobina Lacombe (1909-1993).

                                               III
Além de muitas ilustrações, o livro traz uma breve biografia de Eufrásia que, vivendo 38 anos em Paris, integrou-se à alta sociedade parisiense, exibindo nos salões modelos do famoso estilista Charles Frederic Whort (1822-1897). Deixaria em Vassouras a Casa da Hera, onde vivera até os 23 anos de idade, nas mãos de dois empregados, que, como caseiros, trataram da sua conservação, inclusive de uma biblioteca com 890 títulos, dos quais 90% em francês, e um acervo com 47 partituras para piano e muitos discursos de seu pai, o comendador Joaquim Teixeira Leite (1812-1872), lidos na tribuna da Assembleia Legislativa e na Câmara Imperial.

De Nabuco, obviamente, o capítulo dedicado à biografia é mais alentado. Advogado, literato, poeta, pesquisador da Amazônia, jornalista, diplomata, político e o maior pensador do processo da abolição da escravatura, foi um cidadão do mundo, tendo feito várias viagens a Europa. Dessa vida privilegiada, recolheu ideias avançadas para o seu tempo, defendendo a justiça social e a reforma agrária, embora nunca tenha deixado de ser monarquista, o que, a rigor, não constitui contradição, tendo em vista o que resultou da república proclamada no bojo de um improvisado golpe militar, que daria azo a outras intervenções desastradas da caserna na história política do País.    

Como assinala a historiadora, em 14 de setembro de 1885, Nabuco faria um discurso na Câmara dos Deputados em que denunciaria “a política do chicote” que fazia do Brasil “um país de algumas famílias transitoriamente ricas e de dez milhões de proletários”. Um discurso extremamente atual que talvez só merecesse um reparo: hoje seriam mais de 100 milhões de proletários.

                                               IV
Neusa Fernandes, nascida no Rio de Janeiro, tem graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), 1960, e em Museologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), 1968, além de mestrado em História Social, 1999, e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), 2002, e pós-doutorado pela UERJ, 2009. É pós-graduada em História pela Universidade de Madri.

Professora de História do Estado do Rio de Janeiro, título conquistado por meio de concurso público, no qual obteve o primeiro lugar, atuou em várias universidades cariocas. Foi pró-reitora de Pesquisa na Universidade Severino Sombra, em Vassouras, e diretora do Museu da República, Museu do Primeiro Reinado, Museu da Cidade e outras instituições. Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), presta serviços ao Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação. É vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro (IHGRJ) e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Vassouras (IHGV).

É autora de 14 livros de História e de Museologia, entre os quais A Inquisição em Minas Gerais (Rio de Janeiro, Mauad X, 2016), Efemérides Cariocas (Rio de Janeiro, 2016), em co-autoria com Olinio Gomes P. Coelho (Rio de Janeiro, 2016), e Dicionário Histórico do Vale do Paraíba Fluminense, em co-autoria com  Irenilda Cavalcanti e Roselene de Cássia Coelho Martins (Vassouras, IHGV/Nova Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, 2016). Adelto Gonçalves - Brasil

__________________________________ 

Eufrásia e Nabuco, de Neusa Fernandes. Rio de Janeiro: Mauad X Editora/Instituto Histórico e Geográfico de Vassouras, 336 p., 2012. Site: www.mauad.com.br
­­­­­­­­­­­­


____________________________________________________

Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

Angola - A CPLP e a circulação dos cidadãos

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização que, pela sua diversidade, caracterizada pela existência no seu seio de países de diferentes continentes, quer imprimir uma nova dinâmica à sua cooperação multilateral, pretendendo avançar para uma maior circulação dos cidadãos dos Estados membros por aquele espaço.

Os Estados membros da CPLP estão conscientes de que a sua cooperação não se deve limitar apenas a questões de ordem cultural, havendo a possibilidade de se potenciar as relações económicas, até para que cada país da CPLP possa tirar partido do que outros parceiros têm de melhor, num mundo em que todos precisamos uns dos outros.



A circulação de cidadãos dos Estados membros da CPLP pelos países da comunidade foi um assunto central da 12ª cimeira de Chefes de Estado e de Governo daquela organização, e espera-se que passos importantes venham a ser dados no sentido de haver, por via da facilitação da mobilidade das pessoas, uma maior aproximação entre os povos de um bloco internacional que tem já suscitado o interesse de outros países que não os de língua portuguesa. Há a vontade dos países membros da CPLP de fazer crescer a organização, havendo já sinais de que é possível eliminar barreiras na circulação de cidadãos de países da comunidade.

Angola já deu passos na facilitação da circulação de cidadãos da CPLP neste espaço, ao abolir os vistos em passaportes ordinários com Cabo Verde e Moçambique e ao simplificar o processo de aquisição de vistos para os cidadãos dos restantes Estados membros da comunidade. Os cidadãos dos países da CPLP esperam dos seus governantes acções mais ousadas no que diz respeito à dinamização, por exemplo, da cooperação empresarial, criando-se um ambiente em cada um dos Estados membros que incentive os negócios, no interesse de todos.

Em tempo de crise económica e financeira, importa que se intensifiquem as relações comerciais e que se crie em cada Estado membro da CPLP um quadro jurídico que seja suficientemente atractivo para o investimento, de modo a que cada país beneficie de capitais e do conhecimento e experiências de outros parceiros.

A CPLP pode vir a ser um dinâmico espaço de cooperação, com benefícios para milhões de pessoas de uma comunidade que quer diversificar as suas áreas de actuação. In “Jornal de Angola” - Angola

Cabo Verde – FAO espera que segurança alimentar seja uma preocupação dos países da CPLP

Santa Maria, Ilha do Sal – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) quer o engajamento político “ao mais alto nível”, na CPLP, na questão da segurança alimentar, declarou a directora-geral Adjunta.

Helena Semedo, que participou na XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorreu nos dias 17 e 18 na ilha do Sal, disse esperar que a segurança seja uma preocupação dos Presidentes, dos primeiros-ministros, e não apenas dos ministros da Agricultura.

Mais, que o direito à alimentação seja consagrado nas Constituições e que os pequenos agricultores também façam “parte central” de todas as estratégias de desenvolvimento, sobretudo agora, assinalou, que há o compromisso dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, em que o objectivo primeiro é a erradicação da pobreza e o segundo é a erradicação da fome.

“Temos menos de 15 anos para alcançar esses objectivos, portanto há a necessidade de uma acção imediata, rápida e eficaz”, alertou.

A responsável lembrou que a Cimeira dos Chefes de Estado foi precedida da reunião do Conselho de Segurança Alimentar da CPLP (CONSAN), em que se discutiram políticas e estratégias para aumentar e melhorar a agricultura familiar e ter acesso à alimentação.

Neste particular, apontou, congratulou-se com Cabo Verde, cujo parlamento aprovou uma lei em que o direito à alimentação encontra-se agora consagrado na Constituição pois, a agricultura, a segurança alimentar e o agro-negócio são “muito importantes” para o bem-estar da maioria da população que vive nos países da CPLP.

Questionada sobre a disponibilidade e formas de a FAO apoiar os países da CPLP no combate à subnutrição e à erradicação da fome, Helena Semedo referiu-se ao apoio a nível de políticas e de “estratégias adequadas”, já que se constata dois fenómenos actuais na Comunidade que são subnutrição e a obesidade, esta última que deriva de dietas não saudáveis.

A proposta, elencou, é trabalhar em dietas mais saudáveis, em produções que possam contribuir para uma alimentação mais saudável, ajudar a nível de políticas, estratégias, projectos e programas, e também apoiar os países na busca de financiamento.

“A FAO é uma agência técnica e tem alguns fundos, contribui, mas não são suficientes”, concretizou, daí a organizar trabalhar com os países da CPLP para a mobilização de recursos, item que figura no programa de acção da CONSAN, nos próximos dois anos.

Da mesma forma, a directora-geral Adjunta da FAO abordou a importância que a pesca tem para a segurança alimentar, de uma forma geral, exemplificando que de 2006 a 2018 o consumo per capita de peixe aumentou de seis para 20 quilogramas.

Mas, sintetizou, há o outro lado, que se baseia em fenómenos e dados que mostram a sobre exploração de alguns recursos em alguns países, embora ainda não seja o caso de Cabo Verde e de África.

Em Cabo Verde, precisou, há estudos que também apontam que se deve ter cuidado com algumas espécies, fundamentalmente migratórias como o atum e o chicarro, pelo que defendeu uma acção mais regional do que local.

“A pesca representa uma parte muito importante do bem-estar das populações”, declarou Helena Semedo, chamando atenção, contudo, para o fenómeno da pesca ilegal e não regulamentada, já que não abundam mecanismos de controlo da pesca, havendo um da FAO, designado Acordo de Porto, que Cabo Verde já ratificou.

Por isso, encorajou os restantes países a fazer o mesmo, já que o acordo vai ajudar, sublinhou, na legislação nacional em caso de apreensão de um barco saber como agir, denunciar se um barco entra na ZEE da CPLP, pois, combatendo a pesca ilegal pode-se aumentar os recursos a serem pescados.

“A FAO está disponível para colaborar com a CPLP nas áreas ligadas à segurança alimentar, agricultura, pescas, nutrição e combate a obesidade que começa a ser um problema nos países da CPLP”, avançou Helena Semedo.

Portanto, concluiu, o sistema de informação dos dados é “muito importante”, mas Cabo Verde “há muito” que não faz as estatísticas a nível das pescas, pelo que esta constitui matéria para a discussão com o Governo em que a FAO vai apoiar.

“Se não tivermos estatísticas não poderemos dizer em que nível se encontra a exploração do stock dos recursos e não podemos ter políticas apropriadas”, justificou, porque perante o que não é baseado em dados científicos e concretos, finalizou, “não se pode ter decisões políticas também baseadas em informações incorrectas”. In “Inforpress” – Cabo Verde

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Angola - Governo quer capacitar 50 mil professores do ensino primário até 2022

O Ministério da Educação apresentou ontem, 18, em Luanda, o Projecto de Capacitação de Professores Primários (CAPPRI), que vai formar, em quatro anos, cerca de 50 mil docentes, em todo o território nacional em diferentes fases de implementação



Orçado em mais de 219 milhões de kwanzas, o CAPPRI tem como objectivo principal preparar os professores para fazerem o seu trabalho de forma mais fácil, apelativa e inovadora, nas áreas de Leitura e Escrita, Matemática e Desporto, Arte e Cultura.

A ministra da Educação, Maria Cândida Pereira Teixeira, que procedeu ao lançamento do projecto, disse que, segundo estudos recentes, a percentagem de aproveitamento académico de alunos por províncias, municípios e escolas foi de 55 por cento e que o domínio de conteúdos por partes dos alunos foi de 50 por cento. Já a competência profissional dos professores foi de 49 por cento, de acordo com o mesmo estudo.

"Através da metodologia de (Ensinar a Ensinar) e com apoio de um guia pedagógico que complementa o programa de ensino primário, o CAPPRI introduz no dia-a-dia do professor uma nova metodologia de ensino que facilita a aprendizagem dos alunos, mas também motiva os docentes para o gosto de ensinar", referiu.

Este guia, diz a ministra, também aborda a importância do ensino de crianças com necessidades educativas especiais, inserindo-as no ensino normal.

De acordo com Maria Cândida Pereira Teixeira, a metodologia de "Ensinar a Ensinar" vai funcionar com métodos teóricos e práticos que serão leccionados por uma equipa de 38 pessoas que vão prestar total apoio ao projecto.

Entretanto, as equipas serão constituídas por sete coordenadores e 21 formadores que estarão distribuídos pelos sete municípios de Luanda.

"A partir de hoje, 19, inicia a formação em cada município, em dois períodos (manhã e tarde) e cada professor receberá aulas num período de 15 dias", disse a ministra.

Já Leonor Sá Machado, presidente da empresa responsável para execução do projecto, disse que se pretende formar cerca de 1300 professores por mês, nos sete municípios de Luanda, perfazendo um total de 5600 no ensino primário este ano.

"A partir do próximo ano será nas províncias de Luanda/Benguela e Huambo, em 2020 vamos envolver a província da Huíla e outras até complementarmos os 50 mil professores em 2022 ", salientou.

"Este projecto visa melhorar o desempenho de cada professor primário, a qualidade de metodologia do seu trabalho na sala de aula, o que, por sua vez, vai estimular o aluno a desenvolver melhor as suas capacidades, habilidades e valores, tornando assim o professor num modelo a seguir", garantiu.

De salientar que em 2016, o Ministério da Educação lançou o Projecto de Aprendizagem para Todos (PAT). A ministra da Educação, Maria Cândida Pereira Teixeira afirmou à imprensa que os dois projectos estão ligados apesar de terem financiamentos diferentes. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

Macau - Empresa doa equipamento de filtragem de água a países lusófonos

A empresa de Macau China-Portugal Investment Promotional Company Limited doou um total de seis conjuntos de equipamento de filtragem de água a Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe – dois conjuntos a cada um dos três países.

Segundo o jornal local Macau Daily News, o equipamento foi desenvolvido e fornecido pela empresa Simple Water Investment Company Limited, sedeada em Zhuhai, e pretende melhorar a qualidade da água potável naqueles países de língua portuguesa.

Este equipamento já foi instalado em inúmeras escolas e escritórios no Interior da China e tem capacidade para fornecer água potável a mais de mil pessoas em simultâneo, acrescenta a notícia.

Um representante da empresa de Zhuhai disse ao jornal esperar que a doação possa também permitir à Simple Water Investment explorar oportunidades de negócio nos três países.

O equipamento vai começar a ser entregue este mês e deverá ser instalado até Outubro, de acordo com a notícia. In “Fórum Macau”

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Portugal - Museu de Arte Antiga reabre salas de mobiliário

As salas do Museu de Arte Antiga, em Lisboa, que contam a história do mobiliário português do século XV ao século XIX, reabrem terça-feira ao público após renovação, havendo uma cómoda que guarda um "segredo"



No piso 1 do museu, após “profundas obras de renovação”, as salas reabrem com uma nova museografia, mais informação, luzes instaladas para valorizar as peças e nova sinalética, explicou à agência Lusa Conceição Borges Sousa, conservadora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).

Cadeiras, mesas, arcas, armários, peças de devoção, como as pequenas cadeiras e camas onde se sentava ou deitava o Menino Jesus, e tronos, preenchem as várias salas que apresentam, de forma cronológica, cinco séculos da História do mobiliário português em vários estilos.

“Esta exposição ajuda a compreender, através do mobiliário, muito da vida privada da sociedade portuguesa nas várias épocas, e, por outro lado, demonstra a enorme perícia dos marceneiros portugueses, e o seu extraordinário trabalho”, salientou Conceição Borges Sousa.

A responsável explicou à Lusa que há 15 peças novas que foram introduzidas no percurso, renovado, e pelo menos seis nunca tinham sido expostas ao público.

Foram escolhidos móveis emblemáticos para cada época, nomeadamente, logo à entrada, uma porta gótica de armário, que apresenta as linhas decorativas do seu tempo, inspiradas em motivos das pregas de linho do vestuário usado, explicou.



Mais à frente está a cadeira do rei Afonso V, em carvalho, datada de 1470, proveniente do Convento do Varatojo, que cria uma cenografia do poder através de outras peças que a ladeiam, como uma tapeçaria que representa o rei sentado.

“É muito rara. Poucos tronos desta época conseguiram chegar aos nossos dias”, comentou a conservadora do MNAA.

As salas vão revelando um percurso que passa pelo Renascimento, a Expansão Marítima, o Maneirismo, o Barroco, o mobiliário D. José ou D. Maria.

Entre as peças há uma cómoda-papeleira que esconde um segredo: “É raríssima e muito importante para o museu, porque tem a data, 1790, e o nome do autor – Domingos Tenuta – escrita num lugar muito escondido”.

Abrindo várias partes da cómoda – que possui desenhos entalhados muito elaborados – e retirando algumas gavetas, é possível ver, na parte de trás de uma delas, escrito a dourado, o nome do autor numa tira de madeira, que por seu turno também abre, e pode ser um esconderijo para o que ali couber.

Ao longo de cinco meses, as peças que se encontravam anteriormente foram retiradas e muitas delas restauradas, com a colaboração da restauradora Sofia Júlio, que trabalhou em 111 do total.

Oitenta por cento destas peças de mobiliário são provenientes de conventos extintos em Portugal, indicou a especialista, acrescentando que os materiais usados variam, e a partir dos Descobrimentos vêm para Portugal madeiras de outras regiões, com o Brasil ou as Índias.

O percurso conta ainda com a cadeira estofada que terá pertencido à rainha Maria Francisca de Sabóia, proveniente do Convento das Francesinhas, uma mesa de pé de galo em forma de salva do século XVIII, diversos contadores e arcas – que eram polivalentes porque serviam para transportar, dormir ou comer – e o trono de Pedro IV, decorado em branco e vermelho.

Para a reabertura das salas com a nova exposição, a responsável sublinhou ainda a colaboração de Patrícia Machado, na organização das tabelas com a informação sobre as peças, e de Miguel Metelo de Seixas, especialista em heráldica, bem como do apoio mecenático da Fundação Millénnium BCP.

Criado em 1884, o MNAA acolhe a mais relevante coleção pública de arte antiga do país, em pintura, escultura, artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão Marítima Portuguesa, desde a Idade Média até ao século XIX, sendo um dos museus nacionais com o maior número de obras classificadas como tesouros nacionais. In “Sapo 24” - Portugal