Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Brasil - Exame Nacional do Ensino Médio serve de acesso ao ensino superior no país e em Portugal


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começou a ser aplicado no último domingo (21) e segue no próximo dia 28. Trata-se do maior exame de acesso ao ensino superior do Brasil. Com as notas em mãos, é possível concorrer a vagas em instituições públicas e privadas em todo o Brasil e também em instituições estrangeiras.

Um dos principais programas federais que utilizam a nota do Enem é o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona estudantes para vagas em instituições públicas de ensino superior. Para concorrer, os candidatos não podem ter tirado zero na prova de redação. O Sisu geralmente tem duas edições no ano. A primeira delas ocorre em janeiro do ano seguinte à aplicação do Enem.

Por causa da pandemia, o calendário do Sisu 2021 foi atípico. Com as aulas suspensas para evitar a propagação do novo coronavírus, as universidades precisaram adaptar os períodos letivos. A expectativa é que, em 2022, o cronograma comece a ser regularizado.

O Programa Universidade para Todos (ProUni), por sua vez, seleciona estudantes para bolsas de estudos em instituições privadas de ensino superior. As bolsas podem ser integrais, de 100% da mensalidade, ou parciais, de 50%.

Para concorrer às bolsas integrais, o estudante deve comprovar renda familiar bruta mensal, por pessoa, de até 1,5 salário mínimo. Para as bolsas parciais, a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa. É preciso também não ter zerado a redação do Enem e ter obtido, no mínimo, 450 pontos na média das notas das provas.

Assim como o Sisu, o ProUni tem duas edições no ano. Em 2021, o ProUni também foi atípico por causa da pandemia. A primeira edição do programa utilizou as notas do Enem 2019, para que o calendário não sofresse impacto. As notas do Enem 2020, cujas provas ocorreram em janeiro e fevereiro deste ano, foram usadas na segunda edição do ProUni 2021.

Agora, o programa deverá ser normalizado. Os estudantes que fizeram o Enem 2021 poderão concorrer às bolsas do ProUni 2022. O ProUni geralmente ocorre após o Sisu.

A nota pode também ser usada para obter financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que oferece recursos a condições mais atrativas que as disponíveis no mercado.

Além dos processos seletivos conduzidos pelo governo federal, as instituições de ensino públicas e privadas têm liberdade para usar as notas em processos próprios. Os candidatos podem checar nas instituições onde têm interesse em estudar quais são os critérios adotados.

Instituições de ensino estrangeiras também utilizam as notas do Enem em processos seletivos. Atualmente, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) tem convênio com 51 instituições de ensino em Portugal. Cada instituição define as regras e os pesos para uso das notas. A lista das instituições está disponível no portal do Inep.

O Enem Portugal, como é chamado o programa de acordos interinstitucionais entre o Inep e as instituições de educação superior portuguesas, foi criado em 2014, quando algumas instituições de Portugal já aceitavam os resultados individuais do Enem em seus processos seletivos. Para simplificar o acesso dessas instituições ao desempenho dos candidatos interessados no ensino superior português, o Inep passou a realizar os acordos interinstitucionais de cooperação. Essa troca de informação possibilitou a ampliação de possibilidades de intercâmbio educacional.

Este programa se tornou possível com a mudança na legislação portuguesa, a partir do Decreto-Lei nº 36, de 10 de março de 2014, que regulamentou o estatuto do estudante internacional no país europeu. Em março do mesmo ano, o Ministério da Educação de Portugal permitiu às suas instituições definirem a forma de ingresso de estudantes internacionais.

Enem 2021

No primeiro dia do Enem, os candidatos fizeram as provas de linguagens, ciências humanas e redação. Ao todo, dos 3,1 milhões de inscritos, 74% compareceram ao exame. No segundo dia, os participantes farão as provas de matemática e ciências da natureza. Por causa da pandemia, o exame adotou uma série de medidas de segurança.

Considerando apenas o Enem impresso, que concentra a maior parte das inscrições, 3.040.907, as faltas chegaram a 25,5%. O estado com a maior porcentagem de faltas foi o Amazonas, com 40,6%. No Enem digital, 46,1% dos 68.893 inscritos não compareceram ao exame.

“Acredito que o Enem foi um sucesso”, avaliou o ministro da Educação, Milton Ribeiro, em coletiva de imprensa. Segundo ele, mesmo com número reduzido de inscritos, menor que edições anteriores, a porcentagem de faltas, ainda em período de pandemia, foi baixa e se equipara aos índices de abstenção observados antes da pandemia. “Isso demonstra que, mesmo em pandemia, tivemos uma boa assiduidade”, complementou o presidente do Inep, Danilo Dupas.

O tema da redação do Exame desta edição foi “Invisibilidade e Registro Civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”, segundo divulgou o Ministro da Educação, abordando a relação entre garantia de direitos e esse processo burocrático, de ter um “documento” e consequentemente acesso a serviços essenciais. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

UCCLA - Música ao vivo com a Banda Kafé Kafé


Dando seguimento aos concertos musicais ao vivo no auditório da UCCLA, vai subir ao palco a Banda Kafé Kafé, difundindo Moçambique e a sua cultura. Não falte, é no dia 3 de dezembro, às 20 horas.

Na ocasião poderá saborear as diversificadas iguarias de Edgar Bragança e da sua Comida com (C)Alma e conhecer melhor o artesanato da JAUA.

A entrada tem o valor de 7,50€ e o pagamento poderá ser feito por MBway através do número +351 939 358 707, com a respectiva identificação. Caso não tenha MBway, poderá enviar um email para anabela.simao@uccla.pt a solicitar a reserva e o pagamento será feito à entrada do concerto.

NOTA: A entrada requer a apresentação de Certificado Digital Covid ou apresentação de teste com resultado negativo, para além da utilização da máscara.

A Banda Kafé Kafé teve origem em Portugal. Oriunda da banda Trópico que, no ano 1990, dá lugar à banda Kafé Kafé que segue o projeto iniciado em Moçambique, pela família Deep. O desejo de continuar a divulgar tanto quanto possível a música de Moçambique e a sua cultura com os três músicos que compõem a banda, atualmente, levando a todos as maiores e melhores alegrias e momentos de lazer e prazer com um grande Kanimambo!

Conheça mais sobre a Banda Kafé Kafé aqui.

Veja e ouça a Banda Kafé Kafé no Mercado da Língua Portuguesa, no dia 23 de julho de 2021, através da ligação https://www.youtube.com/watch?v=aJWBgH1Tfvk.

O chef Edgar Bragança e a sua World Masala - Comida com (C)Alma apresenta comida exótica caseira oriunda de 12 regiões do mundo, como Brasil, Goa, Índia, Indonésia, México, Moçambique, Nepal, Paquistão, entre outros. As iguarias são diversas como chamuças, achares (picle indiano), paparis, sementes digestivas, chutney verde (de Goa), acepipes, bebinca, entre outras.

http://www.worldmasala.pt/

https://www.facebook.com/Comida.com.C.alma

https://www.facebook.com/World.Masala

Há cerca de 6 anos, a gestora Ana Lima resolveu dedicar-se à costura - aprofundando os seus conhecimentos na Lisbon Scool of Design, Modatex e Escola de Moda de Lisboa - e nasceu a marca JAUA, uma marca moçambicana que trabalha com as famosas capulanas (pano tradicional). JAUA é o nome dos membros da tribo, no norte de Moçambique (Niassa), a que pertencia a avó paterna de Ana Lima. A cultura matriarcal da tribo inspirou-a, a mulher como pilar, a força da tribo. A marca JAUA pretende valorizar a silhueta de todas as mulheres que desejem ter um visual único, com peças de roupa produzidas a partir das suas medidas, valorizando a sua imagem.

https://www.jaua.online

https://www.facebook.com/profile.php?id=100012517479774

https://www.instagram.com/jaua_atelier/


 

Portugal - Universidade de Coimbra lidera consórcio que pretende implementar rede estratégica para a Medicina Genómica na Região Centro

Ter a funcionar uma rede de referência para a área da medicina genómica na região Centro do país, dentro de dois anos, é o grande objetivo de um consórcio liderado pela Universidade de Coimbra (UC), em parceria com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

A medicina genómica – personalizada e de precisão – é uma área emergente da medicina que, através de testes genéticos (análise de DNA), é capaz de detetar várias doenças, permitindo antecipar resultados em saúde, estabelecer políticas de prevenção e desenvolver ações e sistemas inovadores que facilitem o diagnóstico precoce e novos tratamentos e tipos de terapias. No futuro, a medicina genómica terá grande impacto em doenças como o cancro, doenças neurodegenerativas, doenças metabólicas, doenças respiratórias e doenças cardiovasculares, entre outras.

Com a duração de dois anos, o designado “Projeto de Capacitação da Região Centro para a Medicina Personalizada/de Precisão, de base genómica” envolve mais de uma dezena de centros de investigação da Universidade de Coimbra, da Universidade de Aveiro (UA) e da Universidade da Beira Interior (UBI), bem como vários hospitais e unidades de saúde da região Centro, e conta com o financiamento de 1,2 milhões de euros, atribuído no âmbito do Programa Operacional da Região Centro (PO Centro 2020).

A medicina genómica «está a emergir em diversas regiões do mundo, nomeadamente, nos países com maior desenvolvimento económico e social, como uma área de inovação do diagnóstico clínico e do planeamento terapêutico, com forte impacto na qualidade de vida, na redução dos custos da saúde, globalmente, na economia da saúde», contextualiza Fernando Regateiro, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e coordenador do consórcio.

Com a medicina baseada em testes genéticos, acrescenta, «os médicos e os doentes esperam, tratamentos mais precisos, com individualização da dose e dos efeitos, diagnósticos precoces de doença, pré-sintomáticos, e a identificação de suscetibilidade para uma determinada doença».

O projeto deste consórcio tem como principais eixos o mapeamento de disponibilidades existentes na região Centro na área da genómica, a definição e elaboração do Relatório de Estratégia Regional para o período 2023-2030, capacitação para a medicina genómica, transferência de conhecimento e disseminação do conhecimento junto dos profissionais de saúde e do público em geral e ações de natureza educativa.

Está já em curso o mapeamento aprofundado dos recursos atuais e a avaliação das necessidades, a médio e longo prazo, dos atores da região Centro que atuam ou tenham interesse na área da medicina genómica. Segundo o consórcio, «não existe um mapeamento específico e detalhado que identifique a capacidade tecnológica disponível, por exemplo, para o armazenamento de amostras biológicas humanas (biobancos) e para o processamento das mesmas, para a extração de DNA genómico de alta qualidade de vários tipos de amostras (sangue, saliva, biópsias sólidas, etc.) e para a implementação de procedimentos padronizados de controlo de qualidade do DNA».

No que respeita à capacitação técnica para a medicina genómica, isto é, preparar os diversos stakeholders para os desafios colocados por esta abordagem médica, as três universidades envolvidas no projeto vão realizar estudos laboratoriais de genómica nas áreas do cancro, diabetes e doença pulmonar obstrutiva crónica.

Na UC, a capacitação técnica vai focar-se na área do cancro, a segunda causa de morte a nível mundial e em Portugal. Na última década, salienta Fernando Regateiro, que irá coordenar o estudo, o tratamento do cancro «sofreu uma verdadeira revolução deixando de estar dependente apenas do diagnóstico histológico e estadio da doença, para ser individualizado de acordo com o perfil molecular do tumor, o perfil genético do paciente e a sua resposta imunológica. A descoberta de novos marcadores de prognóstico e preditivos da resposta terapêutica tem sido acompanhada pelo lançamento no mercado de um número crescente de fármacos-alvo, isto é, dirigidos a alterações genéticas tumorais específicas».

Por sua vez, a UA vai desenvolver um estudo em sequenciação de exomas de indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), em particular na identificação de variantes genéticas associadas à resposta destes pacientes à reabilitação pulmonar (RP).  Em Portugal, a DPOC atinge mais de 800 mil pessoas e a sua incidência na região Centro é aproximadamente de 13%.

Na UBI vão ser realizados estudos moleculares em doenças do metabolismo, com foco na identificação das formas monogénicas da diabetes (sequenciação de exomas), uma doença crónica que é a principal causa de insuficiência renal, de amputações e de cegueira, e a quarta principal causa de morte na maior parte dos países desenvolvidos.

O consórcio prevê, ainda, desenvolver uma plataforma de transferência de tecnologia para apoio à criação de “startups”, com o objetivo de encontrar parceiros de negócio e potenciar a procura de investimento, bem como encontrar oportunidades de colaboração.

As instituições de saúde que integram o consórcio são: Centro Hospitalar de Leiria, Centro Hospitalar do Baixo Vouga, Centro Hospitalar do Médio Tejo, Centro Hospitalar do Oeste, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Centro Hospitalar Tondela-Viseu, Centro Hospitalar Universitário Cova da Beira, Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, ULS da Guarda e ULS de Castelo Branco.

Colaboram ainda a Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares, através da Delegada Regional de Educação do Centro, a Associação Portuguesa de Imprensa e a Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Guiné-Bissau - XIV reunião dos PALOP-TL

Bissau - Os Ordenadores Nacionais dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor-Leste (PALOP- TL), prometem prosseguir com procedimentos de governação nos respectivos Estados, para garantir mais eficácia, eficiência, impacto e visibilidade à cooperação com a União Europeia.

A promessa consta na Declaração de Bissau lida esta quinta-feira pelo Ministro das Finanças da Guiné-Bissau, João Aladje Mamadu Fadia, no final da XIV reunião dos PALOP-TL que decorreu na capital guineense.

O documento refere que os ordenadores se comprometem a envidar esforços para a adequada implementação dos projectos relativos ao 11º Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED), visando o pleno alcance dos resultados esperados.

Reafirmaram a vontade política para fortalecer a cooperação entre os PALOP-TL, visando também o fortalecimento da cooperação com a União Europeia em áreas de interesse comum e em particular no quadro do novo instrumento de vizinhança para desenvolvimento.

A Declaração de Bissau destacou a necessidade de identificação das futuras áreas de cooperação e da concentração nas três áreas de intervenção, nomeadamente, o Estado de Direito, a governação económica e financeira e geração do emprego na área da cultura.

Para o efeito, o documento anuncia o início de formulação de projectos nas áreas do Estado de Direito e da governação económica e financeira, no início do 2022.

A Declaração de Bissau assinalou a transferência da Presidência da organização para a Guiné-Bissau. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

Indonésia – Governo oferece barco ambulância a Timor-Leste


Díli – O Governo da Indonésia, através da sua embaixada em Díli, entregou um barco ambulância ao Ministério da Saúde timorense.

“Trouxe a mensagem do Governo indonésio que espera que este barco ambulância seja usado da melhor forma possível pelo Ministério da Saúde com o objetivo de servir os pacientes”, disse o representante da Embaixada da Indonésia, Alamsyah, à margem da cerimónia de entrega no Porto de Díli.

Alamsyah revelou também que a construção do barco ambulância custou 202 mil dólares americanos.

Também o Diretor-Geral do Serviço Nacional de Ambulância e Emergência Médica (SNAEM), Horácio Sarmento, agradeceu aos governos da Indonésia e de Timor-Leste por concretizarem a entrega do barco ambulância ao Ministério da Saúde.

“Através da cooperação entre os dois países, realizámos hoje a cerimónia de entrega. O barco em causa pode facilitar o serviço do Ministério da Saúde, especialmente o do SNAEM, responsável pela transferência de pacientes de Ataúro e de Oé-Cusse para o Hospital Nacional Guido Valadares”, afirmou.

O dirigente mostra-se preocupado com o facto de o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2022 não prever verbas para a manutenção de rotina e custos operacionais.

“Solicitámos ao Parlamento Nacional, especialmente à Comissão F, durante a discussão do OGE, que alocasse orçamento para a manutenção do barco”, frisou.

O evento contou com a participação da Ministra da Saúde, Odete Belo, representante da OMS, membros do Governo e outros convidados.

O barco foi construído em Surabaia, Indonésia, pela Empresa PT. Fiberboat Indonesia e tem capacidade para acomodar 20 passageiros. Afonso do Rosário – Timor-Leste in “Tatoli”


 

Macau - Joaquim Coelho Ramos faz o balanço de três anos à frente do Instituto Português do Oriente em entrevista ao jornal Ponto Final

Joaquim Coelho Ramos está de partida do Instituto Português do Oriente (IPOR). Não já, apenas em Fevereiro do próximo ano, mas, em jeito de balanço, falou ao Ponto Final. O académico fala em resultados positivos em tempos muito complicados, muito por culpa da pandemia de Covid-19 que, entre várias coisas, lhe tirou a possibilidade de trazer professores para Macau. Falta de recursos humanos é, de facto, um problema para o IPOR. Ao mesmo tempo, o ainda director da instituição acedeu a comentar as mais recentes polémicas surgidas na imprensa lusa relacionadas com a norma de português europeu e a norma de português do Brasil. “Sofro com uma certa mágoa e com uma certa tristeza que o preconceito linguístico continue a vigorar”, desabafou ao nosso jornal


Recebeu-nos no seu gabinete e mostrou-se muito à vontade para o podermos fotografar por diversos espaços do Instituto Português do Oriente (IPOR). Joaquim Coelho Ramos, um beirão cidadão do mundo, tem sido o director da entidade nos últimos três anos e vai levar Macau no coração, “porque é impossível não levar Macau no coração”. Falou ao Ponto Final daquilo que foi feito no seu mandato e o que ficou por fazer. Sem desculpas, é directo em todas as respostas e assume que vai colocar no seu relatório final que os colaboradores do IPOR terão de ver as suas condições de trabalhos, em especial os seus salários, revistos em alta, “por uma questão de justiça”.

Que balanço faz destes três anos à frente do IPOR?

O balanço é positivo relativamente àquilo que no contexto de direcção me tinha proposto fazer. Penso que foram alcançados os objectivos, pelo menos a grande maioria. Inclusivamente foi possível esbater as consequências que a pandemia trouxe e que podiam ter sido obstáculos sérios aos objectivos principais. Quais eram eles? Em primeiro lugar, alargar um pouco o escopo da intervenção do IPOR, sobretudo na área do ensino do português para fins específicos. Ou seja, era importante para nós trabalharmos mais a área do português jurídico, do português económico. Enfim, essas áreas mais voltadas para o mercado e isso foi conseguido. Alargar também a relação que o IPOR mantinha com outras entidades de Macau, quer entidades de matriz portuguesa, quer outras entidades. Não nos limitámos ao relacionamento com as entidades de matriz portuguesa, mas tentámos aumentar esta integração, este diálogo com as entidades locais, sobretudo de carácter associativo e fundacional. Um outro elemento que, enfim, surgiu um pouco acelerado por causa da pandemia teve que ver com a transformação ou, se quisermos, com o aumento de competências dos agentes do IPOR na área digital. Portanto, neste contexto, trabalhámos a criação de duas plataformas que chamamos plataformas de leitura, que na verdade são plataformas de desenvolvimento do conhecimento da língua portuguesa. Uma é para o Governo de Macau e outra, em articulação com o Instituto Camões, para a rede internacional que está ainda a ser desenvolvida. Foi possível também dotar os nossos docentes de acções de formação complementares e regulares na área das competências digitais. Concretizámos algumas relações pendentes, nomeadamente com o Centro Internacional de Línguas de Sichuan para a formação de médicos e pessoal de saúde.

Está satisfeito com os resultados alcançados?

Para nós é muito importante que a experiência acumulada, por exemplo pelos nossos professores, seja passada ou pelo menos conste em livro ou na Internet para que outros que tenham os mesmos problemas tenham ali soluções, sem inventarem. É igualmente importante consolidar a visão de Macau como plataforma de excelência que é muito falada no contexto do Fórum Macau. Para nós era importante ajudar a concretizar esse ponto. E como é que o fazemos? Enviamos professores para dar formação na Austrália, no Vietname, no interior da China, enfim, onde nos peçam. Enviamos especialistas consoante aquilo que nos seja pedido. Conseguimos no primeiro ano, e depois conseguimos fazer isso por via digital. Conseguimos abrir o Centro de Língua Portuguesa em Chengdu. Ainda não tivemos oportunidade de lá ir cortar a fita, mas está a funcionar. Houve a efectivação de alguns processos que tinham sido protocolados.

Disse que queria continuar o bom trabalho de João Laurentino Neves, mas que queria internacionalizar e apostar na investigação.

Essencialmente tem a ver com uma área que me parecia muito importante na altura e que continua a parecer. Tudo o que lhe vou dizer está limitado ao contexto pandémico. A ideia é, justamente, operacionalizar os conhecimentos e a experiência adquirida, transferindo-os para pessoas que têm os mesmos problemas, mas que não têm um guião para lidar com eles. Exemplos concretos. A língua portuguesa e as suas diferenças com as línguas maternas com as quais trabalhamos: mandarim, cantonês, etc. Como se podem ultrapassar problemas que surjam. Como é que se ensinam artigos definidos a pessoas que nem sequer têm esse conceito na mente. Como é que se ensina a operacionalizar o conjuntivo para este tipo de alunos. Não é da mesma maneira que se ensina para alunos espanhóis ou norte-americanos. Que estratégias é que nós encontrámos que funcionaram ou não. Que estratégias outras pessoas encontraram em Chengdu ou no Vietname, e depois tentarmos aprender uns com os outros para não perdermos tempo. Era esta visão científico-pragmática que me interessava trazer, aproveitando a experiência do IPOR e penso que foi conseguido. Uma outra dimensão que para mim é muito importante, e que penso que se tem conseguido, passa pela proximidade entre o Instituto Politécnico de Macau (IPM), a Universidade de Macau (UM) e o IPOR, trabalhando com docentes dessas instituições. Já o fizemos. Para nós é muito importante trazer as novidades da academia para o terreno.

O laboratório de língua do IPOR em que pé é que está?

Está concluído e é utilizado sempre que os professores entendem que deve utilizado. É uma mais valia tecnológica que permite direccionar ensino a problemas específicos de aluno A, B ou C. Que permite gravar o feedback dos alunos em determinados contextos e depois analisá-lo para fazer pedagogia direccionada. É um recurso completamente activo que pode ser usado e tem sido usado.

Está satisfeito com os materiais didácticos que foram produzidos estes três anos?

Estou satisfeito com os materiais didácticos produzidos, mas não estou satisfeito com a celeridade com que esperava que eles tivessem sido produzidos e não foram. Mas mais uma vez, a pandemia de Covid-19 é a grande culpada. Nós estamos neste momento a ultimar dois manuais de língua portuguesa, de nível inicial e de nível intermédio/avançado. Esperávamos que estivessem prontos no final deste ano, mas não podemos exigir o impossível aos nossos profissionais. A verdade é que os nossos professores tiveram que fazer um esforço de adequação a novas competências digitais, quando estão a fazer uma coisa não podem fazer a outra, e os manuais vão ser adiados para o princípio do próximo ano. Não é grave, embora isso não tenha correspondido à nossa calendarização. Estou ainda satisfeito com a transformação dos materiais existentes para o formato digital que tem uma metodologia completamente diferente e que foram disponibilizados gratuitamente na página do IPOR para o mundo inteiro. Nós temos notícia da utilização desses materiais nos EUA, no Chile, na Rússia, portanto estamos satisfeitos com o alcance que o IPOR está a ter por via do seu trabalho científico-pedagógico.

Como está o ensino do português na China? Ainda existe um interesse efectivo na língua portuguesa?

O feedback que tenho é que o interesse mantém-se e está em crescendo. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que há cada vez mais universidades a quererem ensinar a língua portuguesa. Sim. Mas também quer dizer que este interesse não é um ramo de flores para efeitos político-diplomáticos. É uma realidade no terreno porque as instituições estão a fazer investimento na formação de professores. Se fosse apenas um exercício de retórica, não havia esta dedicação com recursos materiais para a formação de professores, mas não só, também tradutores no interior da China. O interesse é real e agora compete-nos não só dar resposta a esse interesse como ajudar a dar resposta a esse interesse.

Pode dar-me números de alunos que directa ou indirectamente estão ligados ao IPOR?

Tenho os números do último ano civil. O IPOR teve cerca de 4800 alunos nos diversos cursos que disponibiliza, quer internamente, quer externamente, sendo que o maior crescimento se verificou na procura de cursos para infância e juventude, que duplicou. Estamos com 170, mais ou menos. Não temos mais porque não temos capacidade de resposta. Precisava de trazer professores do exterior. Temos professores de Portugal, do interior da China e de Macau. Os docentes recrutados no interior da China e em Macau fizeram mestrado ou uma parte da sua formação em Portugal, ou na Universidade do Porto ou na Universidade Católica. Ainda assim, precisava de mais professores e não estou a conseguir trazer de Portugal pelas razões que todos conhecemos. Não temos capacidade de resposta neste momento, mas continuamos a ter procura.

A tendência para este ano, apesar de o ano ainda não ter terminado, é de crescimento, portanto.

Vai ser ela por ela, com uma eventual queda no curso geral porque muitos alunos que nos procuram são alunos do interior da China e, por isso, houve algumas desistências devido às dificuldades de mobilidade. Um aluno que se inscreve para um ano lectivo e que, passados três meses, vê que tem de estar uma semana ou mais sem poder vir, acaba por desistir. Esta limitação à mobilidade causada pela pandemia tem levado a algumas desistências, mas a tendência é de estabilidade.

Como está a questão dos associados? No passado saíram alguns importantes. Entrou alguém?

Há negociações para a entrada de novos associados. Não posso dizer os nomes, mas há negociações com entidades de Macau para se juntarem à estrutura associativa. Vamos ver se isso, de facto, se concretiza, pois temos de ver a disponibilidade para entrarem como associados implica entrarem com alguma verba, portanto em ano de pandemia, as pessoas querem pensar bem. Seja como for, a nível de associados há negociações em desenvolvimento e é provável que cheguem a bom termo, pois as conversações indicam isso. Vamos ver. Sou muito pragmático. Quando assinarmos o acordo vai acontecer.

E a situação da Livraria Portuguesa? É para manter o contrato nos actuais moldes?

A livraria teve a concessão estendida até 2023 por causa da pandemia, mas essa é uma competência que pertence à assembleia-geral, não é da direcção. O assunto deve ser objecto de análise em finais de 2022.

Como é que estão as contas do IPOR?

As contas do IPOR estão positivas. O IPOR é uma entidade sem fins lucrativos e não pode ter lucros, mas também não tem perdas. As contas estão equilibradas. Tem sido possível fazer investimentos, nomeadamente na infra-estrutura. Nesse aspecto não há preocupação. Tem sido possível cativar apoios e parcerias plurianuais para podermos ter bases para criar planos de prazo. Isso tem tido, mesmo em época de pandemia, algum sucesso. Um deles foi o processo plurianual, com a duração de quatro anos, com a SJM, que já é conhecida, e outra foi uma parceria com a Galaxy Foundation que é muito recente, cuja decisão tem dois meses. Em princípio vamos ter uma parceria de três anos, sobretudo na área cultural, entre o IPOR e a Galaxy Foundation. Na área institucional, acabámos de fechar um acordo muito importante com a Fundação Rui Cunha que permite disponibilizar as competências linguísticas do IPOR aos trabalhos da fundação e as competências técnico-jurídicas ao nível de economia e linguagens muito específicas ao IPOR, para além da cooperação cultural.

Fora a Covid-19, qual ou quais foram os grandes desafios destes três anos?

Recursos humanos. É muito importante valorizar os recursos humanos do IPOR. É importante termos a noção de que estamos a trabalhar com profissionais altamente qualificados, com um nível de diferenciação atípico. Muitas entidades de Macau nos procuram por causa dessa especificidade dos nossos recursos humanos e, portanto, é preciso que esses recursos saiam valorizados a todos os níveis.

É possível, portanto, que os professores do IPOR sejam aliciados pelas melhores condições do IPM ou da UM?

É possível e é um facto. É uma realidade com a qual temos de lidar dia-a-dia. Foi feito um esforço nestes anos para melhoria das condições a esse nível. Houve aumentos que, não sendo concorrenciais, aconteceram. Foram negociados plurianualmente, que andam entre os 2,5% e os 3%. Foi criado um fundo de pensões que também configura um aumento real, embora ele possa ser levantado apenas em determinadas circunstâncias, por exemplo quando os professores saiam definitivamente de Macau ou quando atingem os 65 anos ou em caso de extrema necessidade, mas, na verdade, o dinheiro fica guardado nesse fundo e é deles. Temos ainda pago cursos aos professores que entendem ter cursos com atribuição de grau académico ou sem atribuição de grau académico. Se alguém quiser fazer um mestrado, o IPOR participa com um apoio, não muito grande, mas o possível no pagamento de propinas. Temos feito um esforço, mas temos que trabalhar mais nisso. Vou colocar, e digo-lhe sem hesitação, esta questão no meu relatório final, por uma questão de justiça. Estamos a trabalhar com gente altamente qualificada que sabe muito bem aquilo que faz e que tem de ser muito motivada.

Veio de Praga, em 2018, para o extremo Oriente. Foi difícil a adaptação?

Não. Foi até relativamente fácil por várias razões. Primeiramente, encontrei pessoas que abriram os braços logo no dia um e fizeram-no em vários contextos. No contexto profissional com a UM, com o IPM, nomeadamente com o Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP). Num contexto mais académico, foi muito fácil estabelecer pontes com ex-alunos da Universidade de Coimbra, nos quais também me incluo. Ex-alunos da Universidade do Porto, enfim, nos quais também me incluo, embora noutro curso. Estas relações que chamaria emocionais servem também para a proximidade entre as pessoas. Na dimensão associativa, as relações com entidades como a Fundação Oriente ou a Casa de Portugal foram muito boas.

E o apoio do Consulado?

O apoio do Consulado está para além da simples relação institucional. Gostava mesmo de referir que a equipa do Consulado, que está completamente sobrecarregada de trabalho, nunca recusou nada que permitisse o bom ou melhor funcionamento do IPOR. E depois ainda há a própria pessoa do nosso cônsul-geral que tem uma sensibilidade muito especial para a área cultural e para área da língua, e isso fez a diferença. Não há outra maneira de o colocar. A forma como ele participou em tomadas de decisão em situações que eram muito importantes para o IPOR ou a forma como ele facilitou contactos importantes para concretizar coisas como melhoramentos de infra-estruturas, a forma como ele se coloca pessoalmente à disposição para, por exemplo, fazer eventos na residência consular, que não deixa de ser a sua própria residência. Nunca essa porta esteve fechada e muito do sucesso que o IPOR tem, deve-se à excelente cooperação e à total abertura que este consulado lhe tem disponibilizado. Só tenho palavras de elogio e penso que isso tem de ser público.

Leva Macau no coração?

Levo porque é impossível não levar Macau no coração. Para já, por ser um ponto de encontro de culturas. Isso para alguém que tem um prazer especial em trabalhar com aspectos linguísticos e aspectos pluriculturais, é muito importante. Depois, porque cria desafios que são únicos. Alguns deles provenientes, de facto, desta multiculturalidade. Tudo isto gera um entusiasmo de trabalho que é muito importante.

Ficaria mais tempo?

Ficaria, claro. Até porque alguns projectos, por causa da pandemia, ficaram ou atrasados ou suspensos. Vou ter saudades de ver as placas escritas em chinês e português. Saudades de comer comida de rua. Vou ter saudades de ir à missa na Igreja de Santo Agostinho. Sou católico, e sou católico como sou director do IPOR, praticante. Vou ter saudades de me perder nos becos e ruelas de Macau. E saudades de ir às vossas exposições de fotografia.

Ainda assim, era suposto já ter ido embora e só vai em Fevereiro.

É verdade. Portanto, já estou aqui a ter um bónus [risos]. Gostava de ter trabalhado mais na área editorial ou em áreas que já discuti recentemente com a nova cônsul-geral de Portugal em Cantão [Ana Menezes Cordeiro] como é o caso da fotografia, arte digital, indústrias criativas. Acho que há muito para fazer na área da arquitectura. Gostaria de ter trabalhado mais nessa área, confesso. Há grandes nomes da arquitectura em Macau.

Quando se fala ou se pensa no IPOR o foco vai logo para a língua. Essa faceta cultural vê-se pouco ou não?

Não acredito num ensino de língua portuguesa sem uma forte componente cultural, porque a língua não é uma coisa que caia do céu aos trambolhões. A língua não é um fenómeno paraquedista. Nós falamos a língua que falamos porque as condições de contexto e condições culturais nos indicaram uma determinada evolução a partir das línguas anteriores. Nós somos o que somos também por forte influência cultural e isso determina a forma como falamos a língua. Não é por acaso que o português é uma língua pluricêntrica, com uma centralidade na Europa, com uma centralidade no Brasil, com centralidades que se discutem e são analisadas em vários países de África.

Tem sido, se calhar vezes de mais, trazido a lume a polémica entre o português de Portugal e o português do Brasil. Recentemente, alguma imprensa portuguesa até escreveu “brasileiro” referindo-se à língua falada naquele país da América do Sul. O que lhe apraz dizer sobre isto?

Apraz-me dizer muita coisa, mas por decoro não o posso fazer. Apraz-me publicamente dizer que sofro com uma certa mágoa e com uma certa tristeza que o preconceito linguístico continue a vigorar. Que a visão, o conhecimento que penso seria um exemplo até de patriotismo no contexto português, que seria procurar saber mais sobre a sua própria língua, não motive os portugueses. Entristece-me que algumas pessoas continuem a olhar para o português europeu e para o português do Brasil, para não falar noutras variantes, como se fossem duas línguas diferentes. Na verdade, o português é uma língua, mas quando li, nomeadamente num órgão de comunicação social um texto sobre essa ideia do “brasileiro” e os nossos filhos já estão a falar “brasileiro”, fiquei muito chocado como linguista, para além de ter ficado triste enquanto português. E fiquei muito chocado porque, a verdade é que se eu for de Lisboa para a minha região, Beira Alta, tenho uma marca que se chamava dialectalmente de alto-duriense beirão, tenho um S apical. Assobio quando digo S. Há regiões onde se diz testo e noutras se diz tampa. E poderia estar aqui a dar vários exemplos. Não preciso de inventar problemas entre a norma portuguesa europeia e a norma portuguesa do Brasil. Basta-me andar 50 quilómetros dentro de Portugal para, se eu quiser, arranjar falsos problemas. É natural que use palavras que o meu vizinho não use para exprimir as mesmas coisas. Isto são questões tão falsas. Há, por exemplo, palavras e expressões da norma portuguesa do Brasil que são do português europeu arcaico. Não há forma de aferir se em Portugal se falava com a oralidade que nós hoje identificamos no português do Brasil. Não temos cassetes da época, mas temos um razoável grau de segurança para dizer que talvez algumas vogais fossem mais abertas do que são hoje. Existe uma boa possibilidade de que o português europeu e o português do Brasil tenham âncoras mesmo a nível da forma como se fala que são perfeitamente comuns. Isto é tudo um problema artificial e é um problema de xenofonia. Não acredito que haja uma xenofobia generalizada, mas há, de facto, problemas de xenofobia. Quando tentamos criar problemas artificiais entre o português do Brasil, o português europeu ou o português seja de onde for, que não estão linguisticamente sustentadas, isso é uma expressão xenófoba, não tem outro nome. As pessoas vêem na língua muros que não existem cientificamente.

Coisas sem sentido, portanto.

Não faz sentido rigorosamente nenhum. A língua não é uma fisga para a gente atirar uma pedrinha à canela por qualquer motivo que trazemos na cabeça. Isto é uma coisa séria. Não podemos andar a inventar guerrinhas onde elas não existem. Devíamos ter muito mais que fazer, muito mais prazer em conhecer a nossa própria língua e em saber que se me apetecer dizer bala em português europeu, vou dizer “bala” e vai haver muita gente que vai entender. E se eu disser rebuçado no Brasil vai haver muita gente que vai entender. E se me apetecer dizer em Portugal “trem” vai haver muita gente que vai entender o que estou a dizer, e se me apetecer dizer comboio no Brasil também vai haver muita gente que vai entender. Tenho a plena noção do que é a minha língua e tenho a plena noção que uma palavra tem cinco ou seis sinónimos e posso escolher aquele que muito bem me apetecer. Isso nada tem a ver com influências de A ou de B. Sou linguista, conheço suficientemente mal a minha língua para admitir que tenho de estudar muito mais sobre ela e tenho de ter mais prazer em conhecer melhor a minha língua. E isso é que deveria estar na cabeça de todos nós, portugueses. Há xenófobos em Portugal, há xenófobos no Brasil. Não pode haver instrumentalização de uma coisa como é a língua para justificar a nossa xenofobia. Temos de parar de procurar desculpas, para começarmos a procurar soluções.

O que vai fazer a seguir?

Ainda não sei. Vou para Lisboa e espero ter isso clarificado agora em Dezembro. A minha vida recente tem sido no Camões, por isso gostava de continuar ligado à instituição. Acabei de ter um filho. Passar alguns anos em Portugal seria simpático, mas a minha mulher é checa e portanto. Não sei. Seria útil, mesmo profissionalmente, ficar uma temporada por Lisboa até porque já não estou em Portugal desde 2005 para saber o que é este Portugal e o que é que se tem feito. O que é que se tem feito ao nível da língua. Quais são os novos talentos culturais que podemos mandar para o mundo. O que nasceu do desafio da pandemia que seja internacionalizável. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


Portugal - Prémio Gulbenkian para a Humanidade

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade distingue pessoas, grupos de pessoas e/ou organizações de todo o mundo cujas contribuições para a mitigação e adaptação às alterações climáticas se destaquem pela sua originalidade, inovação e impacto. O Prémio, no valor de 1 milhão de euros, é atribuído anualmente


A 3.ª edição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade sublinha o compromisso da Fundação Calouste Gulbenkian para com a urgência da ação climática. Este compromisso traduz-se na ambição de acelerar a transição para uma sociedade neutra em carbono, de mitigar os efeitos negativos das alterações climáticas para as pessoas, para o ambiente e para a economia, e de promover uma sociedade mais resiliente e preparada para as alterações globais do futuro, protegendo em especial os mais vulneráveis.

Com esta iniciativa, pretende-se destacar e alavancar respostas de ação climática de elevada dimensão, contribuindo para acelerar a descarbonização da economia, proteger as pessoas e os sistemas naturais dos graves efeitos associados à crise do clima e promover o desenvolvimento sustentável.

A humanidade enfrenta uma crise climática severa e sem precedentes, com consequências devastadoras para as pessoas, a natureza e a economia.

Os últimos cinco anos foram os mais quentes desde que há registo e este aumento da temperatura global, causado por níveis excessivos de gases de efeito de estufa na atmosfera, está a provocar graves desequilíbrios no Planeta. Além dos impactes no ambiente – a perda de biodiversidade e o colapso dos ecossistemas naturais -, as alterações climáticas afetam componentes essenciais do bem-estar humano e do desenvolvimento socioeconómico.

Sem uma mudança drástica, a humanidade continuará a sofrer estas consequências, especialmente aqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade.

Saiba mais aqui. Fundação Gulbenkian