Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Macau – 25 de Abril, Sempre!

Apesar da pandemia, o 25 de Abril foi assinalado em Macau, com o palco das comemorações “instalado” nas redes sociais. Dois vídeos sobre uma data que “não pode passar em branco” tiveram feedback “positivos”. Numa data muito emotiva, Manuel Geraldes apontou que as redes sociais ajudaram a encurtar o distanciamento social. Por outro lado, Amélia António sublinhou que a iniciativa levada a cabo pela Casa de Portugal constituiu um sucesso e serviu de aprendizagem para o futuro



As celebrações em Macau do “Dia da Liberdade” deste ano foram condicionadas pela pandemia, mas a Casa de Portugal não quis que isso fosse motivo para “saltar a data”, pelo que gravou um vídeo comemorativo. Combinando um espectáculo de marionetas, um momento musical e narrativas sobre a Revolução dos Cravos, o vídeo foi produzido pela equipa da associação e divulgado nas redes sociais.



A presidente da Casa de Portugal disse ao Jornal Tribuna de Macau que sentiu as pessoas “perceberam que o trabalho foi feito com calor humano e empenho”. “Acho que, dentro do que era possível fazer foi um esforço bem recebido e bem feito. Pelas reacções das pessoas que nos mandaram ‘feedback’ e pelo movimento que teve o Facebook acho que despertou interesse e que as pessoas gostaram”, afirmou Amélia António.

Apesar do sucesso, reconheceu ter sido difícil levar a cabo este projecto. “Foi uma experiência muito em cima da hora, porque havia outras coisas a acontecer. Nós não tivemos, até muito tarde, a certeza do que podíamos fazer e portanto quando se decidiu que tinha de ser este formato foi já com muito pouco tempo”, contou, acrescentando que “estas coisas parece que são todas muito simples, mas dão muito trabalho”.

Segundo Amélia António, entre os elogios o público destacou especialmente a atenção dada ao público infantil “que é uma coisa pouco comum”.

Por outro lado, a responsável lamentou que esta celebração não decorresse como nos anos anteriores. “É triste que tenha de ser assim, não é um 25 de Abril que nos encha a alma”, lamentou Amélia António, porém, sublinhando que “serviu de aprendizagem para próximos projectos”.

“Isto não substitui a presença física nem o encontro entre as pessoas, mas alivia essa falta”, pelo que no futuro este formato voltará a funcionar, mas como complemento.

A Casa de Portugal arranca agora com a preparação de “Junho, mês de Portugal” e retomará os trabalhos interrompidos nas futuras instalações do restaurante no Tap Seac.

Conforme noticiámos na edição de sexta-feira, a “Comissão Ad Hoc 25 de Abril”, também produziu um vídeo musical que foi partilhado nas plataformas pela Associação 25 de Abril. Em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, Manuel Geraldes salientou que a interpretação de várias obras de Zeca Afonso por parte de José Li Silveirinha, jovem pianista de Macau, mereceu rasgados elogios.

“É um momento musical brilhante, lindíssimo. E claro que é isso que as pessoas dizem nas redes sociais”, afirmou.

A data “que não deve ser esquecida” é sempre um dia muito emotivo para Manuel Geraldes que mesmo com o confinamento social não deixou de o partilhar com “os de sempre”.

“Passei o dia em casa a ver um filme e a falar com as pessoas em Portugal. Recebi os telefonemas habituais desta altura, ainda estou cansado de ontem”, confessou, realçando que “com as redes sociais permitem-nos esta troca e partilha apesar das circunstâncias e da distância entre Macau e Portugal”. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Macau – Casa de Portugal comemora o 25 de Abril no Facebook

A Casa de Portugal escolheu o Facebook como plataforma para celebrar o 25 de Abril, respeitando o distanciamento social que a Covid-19 exige. Para assinalar a Revolução dos Cravos, a Casa de Portugal vai partilhar, ao longo do dia, uma série de vídeos na sua página de Facebook. Poemas de José Jorge Letria e Ary dos Santos serão os destaques deste sábado, dia do 46.º aniversário da Revolução de Abril.

No dia 25, as festividades da Casa de Portugal vão começar com uma mensagem da presidente da associação, Amélia António, que será partilhada no Facebook. Depois, Sérgio Rolo passa a explicar a história do 25 de Abril às crianças, também através da rede social, contou ao Ponto Final Diana Soeiro, coordenadora Casa de Portugal. Mais tarde, Elisa Vilaça vai ler “Portugal ressuscitado”, um poema de José Carlos Ary dos Santos. Por fim, será partilhado o vídeo com música de Tomás Ramos de Deus e com arranjos de Miguel Noronha Andrade, cuja letra é o poema “O dia da Liberdade”, de José Jorge Letria.

Os vídeos, previamente gravados, começarão a ser partilhados na manhã de sábado, na página de Facebook da Casa de Portugal. Estes trabalhos serão preparados pelos colaboradores da instituição.

Segundo tinha explicado Amélia António à Rádio Macau, estas comemorações servirão para “manter o espírito do 25 de Abril”. “Não é por estarmos a viver uma situação mais difícil que esquecemos uma data tão importante e a esperança que nos trouxe, e que também tem de continuar a estar presente”.

Recorde-se que, habitualmente, a Casa de Portugal assinala a data com um jantar e um evento público. Porém, devido ao surto epidémico do novo coronavírus, este ano as comemorações acontecem na internet. In “Ponto Final” - Macau

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O 25 de Abril que não aconteceu

Quarenta anos depois da fugaz Revolução Portuguesa, três palpites sobre medo passageiro das elites, ilusão dos revolucionários e manobras do poder global



Estamos no mês das celebrações. Vão organizar-se muitas peregrinações ao 25 de Abril de 1974 com trajetos e até destinos diferentes, como se fossem pacotes de turismo da memória. Um tempo tão importante pelos lugares visitados como pelos evitados, pelo que vai ser dito como pelo que não vai ser dito. Remeto-me a imaginar os lugares evitados, o não- dito, propondo-me um exercício de sociologia das ausências. São três os 25 de Abril que vão estar ausentes.

O 25-de-Abril-de-quem-deve-teme. Para os poderosos, as elites de sempre (latifundiários, grandes industriais, banqueiros), todas com “sólida formação moral” certificada pela PIDE [a polícia política da ditadura salazarista], o 25 de Abril foi uma dor de cabeça, um desconforto inoportuno. Para alguns, até pareceu um bom negócio mas foi sol de pouca dura. A partir de 11 de Março de 1975, transformou-se numa ameaça que lhes causou medo e os obrigou a protegerem-se. Foi um susto passageiro, pois em 25 de Novembro do mesmo ano foi-lhes dito ao ouvido (para os portugueses comuns não ouvirem) que, com o tempo, tudo voltaria ao normal. Não seria sequer necessário criar uma comissão de verdade e reconciliação e muito menos uma que incluísse, além destas, justiça. Quarenta anos depois, quem teve medo já nem se lembra e quem lhes causou medo tem medo de lhes lembrar.

O 25-de-Abril-dos-revolucionários-aferventados. Foi a fulguração das ruas, das praças, dos campos, das escolas, das famílias, dos quarteis a incendiar a imaginação duma sociedade justa, como se a felicidade estivesse à mão, a opressão secular fosse um pesadelo passageiro e o futuro distante e radioso tivesse chegado aqui e agora para ficar. Havia partidos que se diziam de vanguarda mas nem retaguarda eram da alegria que transbordava. O país eram trabalhadoras rurais analfabetas a vasculharem maravilhadas as gavetas íntimas das senhoras da herdade; operários empolgados a tentarem convencer-se a si próprios de que tinham direitos contra o patrão; prostitutas a organizarem-se em sindicatos; jovens a fazerem sexo tão incessantemente quanto faziam cartazes e manifestos; camponeses a organizar “corporativas” por soar mais familiar do que cooperativas; jornalistas a poderem escrever socialismo ou comunismo como se fosse anúncio de filme em cartaz; professores a poderem leccionar Karl Marx e já não Carlos Marques como anteriormente faziam para despistar os informadores da PIDE no fundo da sala. Tudo aferventado porque mal cosido e a escaldar. A quem já foi senhor dos seus sonhos, mesmo que por pouco tempo, custa lembrar, em tempos de servidão, que já esteve levantado do chão.

O 25-de-Abril-das-grandes-manobras. No ano anterior, a primeira experiência de socialismo democrático do século XX, o governo de unidade popular de Salvador Allende no Chile, tinha sido esmagada por militares a soldo da CIA. Portugal corria o risco de repetir a experiência, o que, do ponto de vista dos EUA, seria ainda mais grave por ocorrer na Europa Ocidental, uma zona de influência sua nos termos do Tratado de Yalta. Kissinger considerou a invasão do país com o apoio da NATO, mas a social-democracia europeia (sobretudo alemã) opôs-se e propôs que, em vez de militares, viesse dinheiro, muito dinheiro, para fortalecer os partidos e os movimentos sociais que se opunham ao “modelo soviético”. Assim se fez e os resultados foram os esperados. Portugal ficou então em dívida para com os alemães e assim continua hoje. Mudam-se os tempos mudam-se as dívidas mas não o endividamento. Quarenta anos depois, seria impertinente falar de imperialismo norte-americano quando afinal ele é agora europeu.

O 25 de Abril foi a mega-expectativa de ontem que está na origem da mega-frustração de hoje. Aos peregrinos ao 25 de Abril de 1974 eu aconselharia que acampassem por lá durante um tempo, tomassem o ar livre, cheirassem o alecrim, conversassem sobre Portugal como se fosse outra vez coisa sua e, em vez de regressarem, organizassem uma expedição ao presente e, já que estamos a falar de peregrinos, expulsassem os vendilhões do templo. Boaventura Santos – Portugal in “Outras Palavras”

domingo, 27 de abril de 2014

ASAM

Associação do Serviço de Administração Militar

Esta fotografia, que é "composta" por um pequeníssimo grupo de Homens do Sam que estiveram presentes na EVOCAÇÃO DA EPAM E DOS 40 ANOS DO 25 ABRIL74, deve ser considerada como a prova do "minuto zero" da institucionalização da ASAM!

Foto: ASAM - Local: Antigas instalações da EPAM - 25 de Abril de 2014 


Agora... tem-se/TEMOS de avançar para as acções que conduzam ao "primeiro segundo do minuto zero":

Discussão dos Estatutos e aquisição da personalidade jurídica da "ASAM"!
NUNCA, COMO AGORA (!), FOI TÃO PRECISA, E NECESSÁRIA, A NOSSA UNIDADE E DETERMINAÇÃO PARA AVANÇAR COM A (NOSSA) "ASAM"!
"UMA VEZ SAM SAM PARA SEMPRE!"! Associação do Serviço de Administração Militar - Portugal



sexta-feira, 25 de abril de 2014

A minha história de Abril de 1974

O protagonista ausente

Naquela manhã de 22 de Abril de 1974, segunda-feira, o dia seria igual a muitos outros que nos últimos tempos iam ocorrendo de quinze em quinze dias. Pela manhã bem cedo, apresentei-me mais uma vez no quartel da Administração Militar ao Campo Grande, para obter um passaporte militar que me garantia a presença em casa por mais uns dias e a redução da despesa por parte do Estado em alimentação da minha pessoa e mais cerca de 160 militares.

Estávamos todos numa amena cavaqueira na parada do quartel, aguardando que os serviços administrativos abrissem para recebermos o passaporte que nos permitia circular no exterior por um tempo determinado, uma, duas semanas. No serviço militar não é permitido distracções, mas a interessante conversa da altura levou-me a ficar distraído e a ficar de esguelha precisamente para o Comandante do quartel.

O meu cabelo estava ligeiramente comprido para um militar, nada que fosse um exagero, mas para o Comandante foi o suficiente para me interpelar em plena parada do quartel do Campo Grande e perguntar-me porque não estava eu com o cabelo cortado?

A interpelação foi justamente em frente à barbearia que existia naquele quartel e como estava encerrada, a minha resposta foi lesta ao afirmar que aguardava que a barbearia abrisse.

Não satisfeito com a resposta o Comandante questionou-me qual a razão que eu não tinha cortado o cabelo num cabeleireiro no exterior. Respondi rapidamente que auferia apenas 90 escudos mensais, o que não me permitia cortar o cabelo num estabelecimento onde qualquer comum cortava. O meu vencimento de trabalhador antes de entrar no serviço militar era de três mil e cem escudos.

O Comandante de seu nome Barros, Major Barros, não gostou da minha resposta e fez-me mais duas perguntas que eu respondi prontamente, o que não o satisfez e de imediato me deu voz de prisão até à data de embarque para a colónia de Moçambique, que estava prevista para 18 de Junho de 1974, como efectivamente veio a acontecer.

Chamou o Tenente, comandante da companhia de intendência e mandou-me deter num quarto da ala de sargentos do quartel. Acompanhei calmamente o Tenente que foi à procura de um quarto disponível para cumprir a ordem, pois apenas os soldados podiam ser detidos na prisão.

A área de sargentos estava esgotada, pois estavam muitos militares em trânsito para as áreas de combate para onde tinham sido designados e foi essa a informação que o Tenente foi transmitir ao Comandante.

Entretanto o Major Barros foi verificando que o meu caso não era único e decidiu voltar atrás na decisão de prisão e marcou uma revista para duas horas depois para a verificação do atavio.

No Campo Grande junto à Avenida do Brasil havia uma barbearia, perto da pequena capela que por lá ainda existe e eu tive a honra de ser o primeiro a cortar o cabelo, pois o desenrolar do acontecimento tinha sido observado pelos outros 160 colegas.

Duas horas depois, formou-se a companhia, 4 pelotões, cada um com cerca de 40 jovens militares, um aspirante a comandar cada pelotão e o Tenente da companhia de intendência.

Não apareceu o Comandante Barros, mas sim o 2º Comandante, o Major Queiroz de Azevedo, que iniciou a revista por uma ponta do primeiro pelotão, formados em U alargado e, quando chegou ao terceiro pelotão, mesmo por trás da minha pessoa, mandou-me para a frente da companhia, começou a fazer o elogio do atavio de um militar e por fim pediu o meu número mecanográfico, para me dar um louvor, isto tudo debaixo de um sorriso escondido de toda a companhia incluindo o Tenente que duas horas antes tinha andado à procura de um quarto para me deter.

Este dia 22 de Abril de 1974, foi o meu dia, parece que os Deuses resolveram brincar comigo.

Três dias depois dava-se o 25 de Abril de 1974, estava em casa e em casa fiquei, pois tinha a mulher grávida, esperávamos um filho para Maio, que os nervos fizeram antecipar para o dia 26 de Abril de 1974, quando nasceu a minha filha.

Na segunda-feira dia 29 de Abril de 1974 regressei ao quartel, o ambiente era outro, havia festa por todo o lado e todos aqueles que tinham presenciado a minha cena na semana anterior corriam para mim e diziam: “Seixas, tu é que devias ter cá estado para levares o Barros preso para o Lumiar!”

O que tinha acontecido naquela quinta-feira, 25 de Abril de 1974, no quartel do Campo Grande foi que o Comandante, Major Barros, não aderiu ao Movimento das Forças Armadas e o 2º Comandante, o Major Queiroz de Azevedo, que aderiu passou a comandar o quartel. O Major Barros foi levado num “jeep” detido acompanhado por colegas meus e preso no quartel da Escola Prática de Administração Militar (EPAM) no Lumiar.

Penso que o tal louvor nunca chegou a sair no diário da unidade, o que eu sei e continuo hoje a dizer, que a única pessoa que até agora me deu voz de prisão, três dias depois estava preso e por isso e apenas isso, me considero o protagonista ausente. Que nunca mais, uma pessoa por seu arbítrio decida deter um cidadão. João Seixas - Portugal

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Macau celebra 40 anos de Abril

As comemorações dos 40 anos do 25 de Abril vão ser assinaladas em Macau com várias manifestações culturais e recreativas, tendo como ponto alto um concerto de Rui Veloso.

Sob a organização da associação Casa de Portugal em Macau, e com o patrocínio da Fundação Macau e apoio institucional do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, o conjunto de iniciativas estende-se entre amanhã e domingo.

A companhia de dança portuguesa Amalgama abre o programa de comemorações, ao apresentar o espectáculo “Diáspora” no casino Sands Macau, amanhã.

Na véspera do aniversário da Revolução dos Cravos é inaugurada a exposição do concurso de arte da Casa de Portugal em Macau “Prémio 25 de Abril”, na sede da associação.

Para a tarde de 25 de Abril, sexta-feira, está reservada a inauguração da mostra fotográfica “25 de Abril Sempre. 40 fotos com 40 anos”, dos irmãos José e Álvaro Tavares. A exposição, co-organizada pela Comissão Ad Hoc 25 de Abril, vai estar patente na galeria Comendador Ho Yin do Clube Militar.

Já nessa noite, o músico Rui Veloso sobe ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Macau para um concerto co-organizado pela Fundação Oriente.

O dia seguinte traz ao território o historiador e ex-secretário de Estado da Cultura António Reis para uma palestra, em mais uma iniciativa co-organizada pela Comissão Ad Hoc 25 de Abril no Clube Militar. Subordinada ao tema “A Revolução do 25 de Abril”, a conferência dará lugar a um concerto de música de câmara pelo grupo Caixa de Pandora, seguido de jantar com música ao vivo pela também banda portuguesa 80 & Tal.

O filme “Águas Mil”, do realizador português residente em Macau, Ivo Ferreira, é projectado no Cinema Alegria, na tarde de domingo. A iniciativa, co-organizada pela produtora cultural Babel, encerra as comemorações alusivas aos 40 anos da revolução portuguesa. in “Ponto Final” - Macau

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Greve

Portugal está hoje, 27 de Junho de 2013, em greve geral promovida em conjunto pelas duas centrais sindicais, CGTP e UGT.

Ontem no Parlamento, o Primeiro-ministro português, abordando o tema da greve afirmava “o país precisa menos de greves e mais de trabalho e de rigor”, esquecendo-se que é o grande responsável pela destruição de 459 800 postos de trabalho, que o país perdeu desde o 3º trimestre de 2011.

Em 2001, no início do séc. XXI e antes da entrada na Zona Euro, Portugal tinha uma taxa de desemprego das mais baixas da Europa, 4,1% de taxa média nesse ano. Hoje, tem a 3ª taxa de desemprego mais elevada da União Europeia, 17,8% segundo dados do Eurostat para o mês de Abril de 2013, somente ultrapassado por Grécia e Espanha.

Que pensarão os cidadãos portugueses quando ouvem um governante afirmar que é preciso trabalhar, mas só vêem desemprego e mais desemprego, nos seus amigos, nos seus vizinhos, na sua família, dentro da própria casa.

No longínquo ano de 1985, é preciso recordar que a memória é curta, os políticos anunciavam que a futura entrada na Comunidade Económica Europeia (CEE), seria um sinal de conforto para os portugueses, que em dez anos estariam a viver como a maioria da população do centro e norte da Europa.

Para tal propósito, consideraram ser necessário abater a frota de pesca, acabar com a agricultura, reduzir ao essencial a indústria, porque os serviços seriam a grande aposta para Portugal. O resultado está à vista de todos.

Sinto-me envergonhado, hoje, quando assisto nos diversos órgãos de comunicação social, a um pedido de solidariedade para aqueles que em 2013 nada têm, como a situação mais natural, como um fado. Recordo-me dos tempos de aluno na escola primária, em que o colégio solicitava aos familiares dos alunos para levarem produtos de mercearia para distribuir pelos mais carenciados. Hoje, passados mais de cinquenta anos, depois de tantas promessas não cumpridas, de tão farta vilanagem, presencio a vivências de todo impensáveis, após o 25 de Abril de 1974. Baía da Lusofonia