Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 21 de julho de 2019

Desafinado















Vamos aprender português, cantando


Se você disser que eu desafino amor
saiba que isso em mim provoca imensa dor
só privilegiados têm ouvido igual ao seu
eu possuo apenas o que deus me deu

Se você insiste em classificar
meu comportamento de antimusical
eu, mesmo mentindo devo argumentar
que isto é bossa nova
que isto é muito natural
o que você não sabe, nem sequer pressente
é que os desafinados também têm um coração
fotografei você na minha rolleiflex
revelou-se a sua enorme ingratidão
só não poderá falar assim do meu amor
ele é o maior que você pode encontrar
você com a sua música esqueceu o principal
que no peito dos desafinados
no fundo do peito bate calado
que no peito dos desafinados
também bate um coração

O que você não sabe, nem sequer pressente
é que os desafinados também têm um coração
fotografei você na minha rolleiflex
revelou-se a sua enorme ingratidão
só não poderá falar assim do meu amor
ele é o maior que você pode encontrar
você com a sua música esqueceu o principal
que no peito dos desafinados
no fundo do peito bate calado
que no peito dos desafinados
também bate um coração

Paula Morelenbaum – Brasil

Composição:

Tom Jobim – Brasil
Newton Mendonça - Brasil



Angola – O turismo chega de comboio



Angola recebe dentro de uma semana o primeiro comboio turístico, proveniente de Dar Es Salaam, Tanzânia, que traz ao país mais de 100 turistas estrangeiros para uma estada de oito dias, num itinerário promovido pela sul-africana Rovos Rail.

Esta atividade foi anunciada em conferência de imprensa pela coordenadora da Benguela Turismo, Rebeca Barreiros, e responsáveis do Ministério da Hotelaria e Turismo de Angola.

O comboio chega a Angola, entrando pela fronteira do Luau, província angolana do Moxico, no dia 26 de julho, com 53 turistas norte-americanos, suíços, australianos, belgas, neozelandeses, holandeses e sul-africanos, que pagaram pacotes turísticos entre 12.000 a 25.000 dólares (cerca de 10.700 a 13.360 euros).

O segundo grupo, de 54 turistas, chega a Luanda, por via aérea, permanecendo na capital por alguns dias, antes de seguirem para Benguela, terminando a viagem em Dar Es Salaam.

Em declarações à imprensa, Rebeca Barreiros disse que este é um ano experimental, estando já previstas outras duas viagens para 2020 e 2021, tendo Angola incluída no itinerário.

“A empresa optou por um número menor de turistas, para ver qual era a aceitação do turismo internacional, que foi bastante grande, sendo que já estão confirmadas duas partidas” em julho de 2020 e 2021, disse Rebeca Barreiros.

Segundo a responsável, em 2021, um dos trajetos, já está totalmente vendido a um operador australiano e um neozelandês, significando “sucesso garantido para esse ano”.

Questionada pela agência Lusa se já se estudou a possibilidade de o trajeto ter início em Angola, Rebeca Barreiros respondeu afirmativamente, salientando que é uma hipótese em análise.

“Está a ser estudada essa situação, estão outros itinerários também a ser estudados para que a partida seja a partir do Lobito. Acredito que a Rovos Rail posteriormente tenha esse pensamento, ou seja, iniciar no Lobito viagens, ir e voltar”, frisou.

A escolha da Tanzânia deve-se à facilidade de ligação ferroviária entre os vários países, por onde vai passar o comboio – Zâmbia, República Democrática do Congo e Angola.

“O comboio que chegará a Angola partiu da Cidade do Cabo [África do Sul] numa data anterior e faz toda a costa africana até à Tanzânia e talvez no futuro comece a haver essa possibilidade de um [trajeto] Lobito/Vitória Falls [Zimbabué], que é possível, as linhas comunicam-se, Lobito/Cidade do Cabo, quem sabe, porque a linha de Vitória Falls/Cidade do Cabo é a mesma”, salientou.

Rebeca Barreiros disse que o comboio se assemelha a um hotel de cinco estrelas, apresentando “luxo e requinte, para um segmento de alto turismo”, com serviço de exclusividade, garantido por um ‘staff’ permanente, sem necessidade de os clientes saírem do comboio para pernoitarem num hotel.

“Todas estas carruagens são recuperadas de comboios que estiveram em circulação na África do Sul, são todas trabalhadas nas estações da própria Rovos Rail, são todos recuperados com a mesma característica, o mesmo ‘design’, o mesmo ‘layout’, ou seja, vai buscar um bocadinho o ‘glamour’ dos comboios antigos, o Sud Express, por exemplo, que havia antigamente em Istambul e Paris”, referiu.

Em Angola, os turistas que entrarem pelo Luau vão realizar visitas nas províncias do Bié, Huambo e Benguela, tendo como última etapa Luanda.

Por sua vez, o diretor nacional de Qualificação de Infraestruturas e Produtos Turísticos do Ministério da Hotelaria e Turismo, Afonso Vita, disse que Angola beneficia com este comboio turístico, porque “em todos os sítios onde vai passar haverá visitas e os visitantes poderão consumir e comprar o artesanato”. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

CPLP – Ministros reconhecem "empenho" da Guiné Equatorial no processo de integração



Mindelo - Os chefes da diplomacia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reconheceram hoje o "empenho" da Guiné Equatorial no processo de integração na organização, enquanto aguardam a abolição da pena de morte no país.

De acordo com o comunicado final da XXIV reunião ordinária do conselho de ministros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realizou na cidade do Mindelo, ilha cabo-verdiana de São Vicente, foi aprovada uma resolução sobre o "Apoio à Integração da Guiné Equatorial na CPLP".

No comunicado, os ministros dos Negócios Estrangeiros/Relações Exteriores lusófonos referem que "saudaram" a realização da Missão de Acompanhamento do Programa de Adesão da Guiné Equatorial à CPLP, entre os dias 05 e 07 de junho de 2019, chefiada pelo embaixador cabo-verdiano, José Luís Monteiro.

"Recordando o mandato conferido ao Secretariado Executivo pela XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo (Santa Maria, 17 e 18 de julho de 2018), felicitaram as conclusões resultantes desta missão, encorajaram o Comité de Concertação Permanente a formular iniciativas concretas para a melhor integração da Guiné Equatorial na Comunidade, e tomaram nota, com satisfação, do empenho deste Estado-membro no seu processo de integração", lê-se no comunicado final.

Em concreto, explicou no final da reunião o chefe da diplomacia de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, está a necessidade do ensino da língua portuguesa e, como principal recomendação, a abolição da pena de morte na Guiné Equatorial - dois compromissos assumidos pelas autoridades de Malabo aquando da adesão à CPLP como membro de pleno direito, na cimeira de Díli em julho de 2014.

"A proposta de abolição, em termos legais, já foi entregue ao parlamento da Guiné Equatorial. Acreditamos que até ao final do ano haverá uma decisão definitiva em relação a esta questão. Ou seja, a abolição da pena de morte na Guiné Equatorial", enfatizou o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de Cabo Verde.

O governante anunciou ainda que o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, foi convidado hoje a realizar uma visita oficial à Guiné Equatorial, a ter lugar em breve.

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, afirmou em 12 de julho, em entrevista à agência Lusa, em Malabo, que a abolição da pena de morte será discutida em setembro pelo parlamento e prometeu "influenciar" os deputados para a aprovação da lei antes do final do ano.

"Posso garantir que vamos influenciar o parlamento para que aceite a abolição da pena de morte. O Governo fez o seu trabalho e acaba de enviar [a proposta de diploma legal] ao parlamento", disse o Presidente equato-guineense.

A entrada da Guiné Equatorial, uma ex-colónia de Espanha, na CPLP, de que já era observador associado, foi um processo polémico porque o Governo de Malabo é acusado de sistemáticas violações de direitos humanos e de desrespeito dos direitos da oposição.

Está em vigor uma moratória que impede o cumprimento das condenações à pena capital, que já foram decretadas pelos tribunais do país, mas sem consequências. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

sábado, 20 de julho de 2019

Macau - Instituto Politécnico de Macau abre candidaturas para doutoramento em Português



O Instituto Politécnico de Macau (IPM) abriu as candidaturas para o ano lectivo de 2019/2020 do curso de doutoramento em Português. Em nota divulgada, o organismo diz que “há três caminhos possíveis: Língua Portuguesa e Ensino, Tradução, e Culturas e Literaturas em Português. O IPM acolhe os candidatos que reúnam os requisitos necessários e que estejam “interessados em desenvolver estudos ao mais alto nível relacionados com a língua portuguesa”.

O Curso de Doutoramento em Português “visa o estudo aprofundado de tópicos relativos à língua portuguesa e ao ensino da língua, às comunidades e países que se expressam em português e às cultura e literatura comunitárias desses territórios, bem como, acompanhando as tendências internacionais dos estudos na área da tradução, desenvolver estudos que possam contribuir para o desenvolvimento desta mesma área”.

De acordo com a mesma nota, este curso de doutoramento tem parcerias de investigação científica com os centros de investigação da China e Portugal, com os quais se vai poder reforçar e apoiar o desenvolvimento científico dos alunos, incentivando activamente a investigação e inovação científica de alto nível nesta área. Diz o IPM que serão assim reforçadas as capacidades dos alunos em termos de investigação, inovação e independência no estudo e investigação nas áreas de língua, ensino, tradução, literatura e cultura, entre outras relacionadas com a língua portuguesa.

O IPM assinala que o curso de licenciatura em Tradução e Interpretação Chinês-Português/Português-Chinês foi recentemente aprovado pela A3ES, Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior de Portugal, e refere que em toda a China, “este foi também o primeiro curso a ter obtido o reconhecimento e a certificação internacional nesta área”. No ano lectivo de 2019/2020, o Instituto Politécnico de Macau vai abrir cursos de pós-graduação na área de língua portuguesa, incluindo os cursos de mestrado em Tradução Chinês-Português e de doutoramento em Português. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

Brasil - Instituto brasileiro para promover língua portuguesa arranca com projeto em Luanda


Mindelo - O novo Instituto Guimarães Rosa, para promoção da língua portuguesa e da cultura brasileira, vai avançar ainda este ano com as primeiras ações, nomeadamente um projeto-piloto em Angola, anunciou à Lusa o chefe da diplomacia do Brasil.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, falava no Mindelo, ilha cabo-verdiana de São Vicente, onde participou na XXIV reunião ordinária do conselho de ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), encontro durante o qual apresentou o novo instituto, uma iniciativa do Governo brasileiro que prevê a promoção da língua portuguesa no exterior.

"Antes de mais nada queremos organizar uma atuação, hoje, do Brasil, que é um pouco dispersa. Nós temos determinados centros de estudos brasileiros ao redor do mundo, mas trabalham de maneira um pouco dispersa, individualmente. A ideia é transformar isso num processo em algo coordenado e dar-lhe uma dimensão política e uma nova visão", explicou, em entrevista à Lusa, Ernesto Araújo.

"Uma visão de que o Brasil é um país que tem, e pretende ter, uma certa presença no mundo, uma responsabilidade no mundo, e temos uma cultura e temos a responsabilidade, junto com os países aqui da comunidade [CPLP], de propagar a língua portuguesa e defender a língua portuguesa", acrescentou.

Segundo o chefe da diplomacia brasileira, e embora sem adiantar mais informação, o primeiro projeto-piloto envolvendo o novo Instituto Guimarães Rosa será lançado em Luanda, através do Centro Cultural do Brasil em Angola, seguindo-se Lima, no Peru.

"Espero que ainda este ano estejam em curso esses projetos-piloto", afirmou Ernesto Araújo.

"Batizámos esse instrumento de Guimarães Rosa, um grande escritor e diplomata brasileiro, justamente para simbolizar essa conexão entre a atividade diplomática e a promoção da língua portuguesa", concluiu o ministro Ernesto Araújo.

O novo instituto, de iniciativa brasileira, foi apresentado hoje na reunião do conselho de ministros da CPLP, tendo merecido o pronto elogio de Portugal.

"O instituto Camões [público, português], para além do IILP [Instituto Internacional da Língua Portuguesa, promovido pela CPLP], é na verdade o único instituto de promoção internacional da língua portuguesa. Tendo o Brasil como parceiro, a escala vai ser completamente diferente", afirmou, questionado pela Lusa, no Mindelo, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

Macau - Imagens que narram um século da história de Macau em exposição na Casa Garden



Macau acolhe, na próxima quarta-feira, uma exposição com mais de 150 imagens que ilustram um século da história do antigo enclave português, entre 1844 e a década de 1940.

Depois de passar pelo Museu do Oriente, em Lisboa, a exposição “Macau: 100 Anos de Fotografia” chega à Casa Garden para abordar a história social e política daquele território que esteve sob administração portuguesa durante 450 anos.

“Trata-se de uma mostra documental sobre a evolução da cidade, os seus costumes e tradições, a vivência das comunidades e alguns acontecimentos marcantes na história de Macau”, refere a Fundação Oriente, em comunicado.

Comissariada por Rogério Beltrão Coelho, jornalista que trabalhou em Macau, a exposição reúne imagens do acervo do Museu do Oriente, mas conta com contributos do Museu Francês de Fotografia, do Museu Militar do Porto e de particulares.

A exposição recorda, neste século de imagens, acontecimentos como as celebrações do IV Centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia (1898), as primeiras travessias aéreas de Lisboa a Macau – 1924 e 1931 -, os efeitos dos tufões (com destaque para o de 1874) e diversas manifestações artísticas e desportivas.

Além das imagens colhidas pelo fotógrafo amador francês Jules Itier em 1844 – que são as mais antigas conhecidas imagens da região – a mostra presta homenagem a Man Fok, “que pode ser considerado, em Macau, o maior fotógrafo chinês do final do século XIX”, indicou a organização.

Outra figura em destaque é José Neves Catela (1902-1951), que foi, durante 25 anos, a partir de 1925, ano em que chegou ao território, “o fotógrafo português de Macau”, segundo a Fundação Oriente.

Neste sentido, estarão em destaque alguns dos “mais importantes fotógrafos chineses, portugueses e de outras nacionalidades” que, ao longo daquele período, “fizeram de Macau tema das suas fotografias, incluindo profissionais sedeados em Hong Kong”.

“Macau: 100 Anos de Fotografia” inaugura na quarta-feira, às 18:30, e estará patente até 21 de Setembro. In “Hoje Macau” - Macau

sexta-feira, 19 de julho de 2019

São Tomé e Príncipe - Assembleia Nacional reforça cooperação com Portugal



São Tomé – Assembleia da República de Portugal e a Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe assinaram em Luanda, um novo Acordo de Cooperação bilateral, – informou, terça-feira, em São Tomé, o líder do Parlamento São-tomense, Delfim Santiago das Neves.

Santiago Das Neves anunciou o facto à imprensa, quando na sede da casa Parlamentar, em São Tomé, fazia o balanço de sua recente deslocação a Luanda, onde tomou parte na 9ª Cimeira dos Líderes dos Parlamentos da CPLP.

De acordo com a segunda figura do Estado de São Tomé e Príncipe, a reunião de Luanda valeu a pena porque reflectiu-se sobre diversos assuntos de interesse comum, incluindo alteração dos Estatutos da Assembleia Parlamentar da CPLP para se introduzir o secretariado da mesma organização que ficou sedeado em Angola.

Santiago das Neves que pôs acento tónico no processo de mobilidade no interior da CPLP, o qual considerou de fundamental para troca de contacto, conhecimento, aproximação e facilidade no fluxo de comércio entre Estados da CPLP.

Sustentou, igualmente, que tal mobilidade resultado de laços de consanguinidade entre povos da CPLP que se identificam através de língua comum: o português.

Além de ter-se reunido em privado com principais líderes angolanos, nomeadamente, João Lourenço e Fernando Dias dos Santos, Delfim Neves avistou-se por mais de duas horas com membros da comunidade São-tomense em Angola, ao qual reportou que “foi extremamente gratificante encontrar-me com os nossos compatriotas”.

“Auscultar os seus problemas, alguns colocaram questões bastante pertinentes e obviamente tomámos boa nota e na medida possível, o Estado do nosso País vai resolvê-los para o bem da comunidade e da qualidade de vida dos São-tomenses seja lá onde ele estiver e que mantenham os laços umbilicais com a mãe Pátria”, acrescentou.

Enalteceu, igualmente, laços de cooperação entre São Tomé e Luanda com o qual o Parlamento São-tomense acaba de subscrever um novo acordo de cooperação assim como a nova instalação da Assembleia Nacional de Angola, que considerou de “excelente infraestrutura que reflecte o poder dos Deputados numa nação”.

Delfim Neves, anunciou igualmente, aposta na diplomacia parlamentar onde pontuou a cooperação com a Índia, através do Embaixador de Nova Deli com quem discutiu, em Luanda, entre outros, a cooperação parlamentar a luz de iniciativas lançadas pelo Congresso da Índia.

A cimeira de Luanda produziu um comunicado final que foi lida aos jornalistas pela Deputada da Bancada do MLSTP, Cristina Dias, da Rede de Mulheres Parlamentares e Celmira Sacramento da Bancada do ADI, leu igualmente, um documento produzido pela tal Cimeira onde se recomenda medidas visando reforçar acções de paridade entre os Estados Membros da CPLP.

Samora Ferreira, Secretário-geral da Assembleia Nacional (Parlamento), além de ter assinado um novo acordo de cooperação bilateral com seu homólogo da Assembleia da República, pontuou questões respeitantes a 15ª Reunião das Associações dos Secretários-gerais onde se aprovou um plano de 2019-2020, compreendendo múltiplas acções conducentes ao reforço de aproximação, competência assim como de organização de quadros da área designadamente de informática e outras de excelência entre parlamentos. Manuel Dendê – São Tomé e Príncipe in “STP Press”

África - Assinatura de memorando para acelerar a eliminação da malária


A Comunidade Económica dos Estados da África Central Unidos (CEEAC), a Aliança para Fazer Retroceder a Malária (RBM), a Aliança dos Líderes Africanos contra a Malária  (ALMA) e UNOPS assinaram recentemente um memorando de entendimento em Niamey (Níger) para eliminar a malária

Através deste memorando, o CEEAC, o Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projectos, a Parceria RBM e a Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) estão empenhados em perseguir objectivos regionais, como manter a malária na agenda política e programática. nos níveis global, nacional e local; proporcionar um fórum de alto nível para o acesso aos objetivos da malária de 2020 e 2030, inclusive no que diz respeito às necessidades de financiamento; fornecer um fórum para avaliar o progresso e resolver as dificuldades para alcançar os objetivos desejados.

Também se comprometem a manter a atenção coletiva voltada para a malária na comunidade internacional, nas Nações Unidas e nas organizações regionais; fornecer uma plataforma para a promoção coletiva entre organizações multilaterais sobre prioridades políticas, tais como a liberação oportuna de fundos de doadores e a implementação efetiva da estratégia global essencial para a consciencialização, aquisição e distribuição da malária; ferramentas de controle da malária; e fornecer um fórum para o intercâmbio de informações e práticas relevantes para o combate à malária.

Os signatários informaram que tal memorando é o resultado da vontade dos líderes africanos, apoiados pelos parceiros técnicos e financeiros, que consideram necessário fortalecer a cooperação e a sinergia de ações entre as quatro instituições para uma melhor eficiência.

Através deste acordo, as partes concordam em colaborar nos ODS 2017-2030 sobre os papéis e funções do programa, promoção, disseminação e comunicação para mudanças comportamentais. In “Guineaecuatorialpress” – Guiné Equatorial

quinta-feira, 18 de julho de 2019

CPLP – Segundo diretor-geral da FAO, Portugal e Brasil devem "ajudar mais" os outros países da Organização



Lisboa - O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) afirmou que Portugal e Brasil devem "ajudar mais" a comunidade lusófona no cumprimento do acordo assinado entre as organizações em 2014.

"Os países não conseguem andar mais rápido por si só. São países pobres (...), e pelo número de vezes que se troca de governo nesses países, percebemos que enfrentam crises sistémicas", disse hoje José Graziano da Silva, em Lisboa, acrescentando que "parte dessa crise sistémica é a falta de recursos disponíveis".

"Então esses países precisam de ajuda. Portugal e Brasil precisam de ajudar mais a CPLP".

As declarações de José Graziano da Silva surgiram no contexto de um balanço do Programa de Cooperação Técnica (PCT) entre a FAO e a CPLP, assinado em 2014.

O diretor-geral da FAO considera que o PCT "caminhou mais devagar" que o esperado, mas que a transformação do escritório da agência da ONU em Portugal num "escritório de Portugal e de apoio à CPLP" é "uma grande contribuição" para ter "condições para andar mais rápido".

O acordo assinado em março de 2014 entre FAO e CPLP pretendia a formação de produtores agrícolas de países africanos lusófonos e de Timor-Leste para a segurança alimentar e nutricional.

Na ocasião, o então secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, explicou que o objetivo era "capacitar os países e as instituições em matéria de produção agrícola" e a FAO contribuiria com 500 mil dólares (445 300 dólares ao câmbio atual).

José Graziano da Silva, cujo mandato à frente da FAO está no último ano, abordou também os desastres climáticos nos países lusófonos, em particular a seca no sul de Angola e os ciclones em Moçambique.

"Essa seca em Angola é recorrente, já não é o primeiro ano, e o mesmo se passa com o ciclone em Moçambique. Tem-se repetido nos últimos três/quatro anos", estimou.

"A diretriz maior da nossa atuação, além de acudir quando ocorrem os desastres climáticos, é promover a resiliência das populações, a capacidade de resistirem a esse impacto. Porque infelizmente essa é a nova realidade. Isso vai repetir-se cada vez mais", lamentou o responsável da FAO.

Nesse sentido, Graziano da Silva explicou que a atuação da FAO tem sido dirigida para a substituição de culturas "mais resistentes à seca", como cultivos. Já em Moçambique, o responsável indicou as "culturas perenes, que podem resistir a essas inundações" como uma alternativa.

José Graziano da Silva falou aos jornalistas em Lisboa, à margem da assinatura de um protocolo de cooperação entre a agência das Nações Unidas e a Universidade Aberta (UAB).

Esta parceria vai levar técnicos da FAO a aulas, palestras e conferências do mestrado de Ciências do Consumo Alimentar da UAB e vai permitir a integração de estágios de alunos nas Nações Unidas.

Com a parceria, as duas instituições pretendem reforçar as relações de cooperação e intercâmbio na área da formação.

"Considero que é um privilégio podermos trabalhar neste programa conjunto, que será depois um modelo de ação com envolvimento dos especialistas da FAO (...), em especial com o mestrado de Ciências do Consumo Alimentar , assim como poderá também permitir aos nossos alunos um contacto muito mais aproximado (...) levando-os a ter uma participação intensa e serem, inclusive, meios de apoio às políticas da FAO nos vários territórios", considerou o reitor da UAB, Paulo Silva Dias, após a assinatura do acordo de cooperação. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

Portugal - As barreiras que dificultam a prática de desporto nas crianças

A falta de tempo e de dinheiro são duas grandes barreiras para a prática de desporto em crianças com idades entre os 6 e os 10 anos de idade, mas a segurança também, especialmente nas raparigas, revela um estudo desenvolvido por uma equipa do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Intitulado “Parental perception of barriers to children's participation in sports: biological, social, and geographic correlates of Portuguese children", o estudo, publicado no "Journal of Physical Activity and Health", pretendeu identificar as barreiras percebidas pelos pais que podem contribuir para estratégias de promoção da atividade física em crianças, e perceber até que ponto o estatuto socioeconómico, o local de residência e o sexo, a idade e a participação desportiva das crianças afetam essas barreiras percebidas.

Dos 834 pais questionados, residentes nos concelhos de Coimbra e Lousã, quase metade referiu a falta de tempo e a falta de dinheiro como as principais barreiras para a prática desportiva das crianças. Saúde, transporte, segurança, instalações, clima, cansaço e falta de interesse das crianças foram outras barreiras relatadas.

«Como esperado, de modo geral, os pais com menor poder socioeconómico indicaram mais barreiras, principalmente a nível do custo e do transporte para a prática dessas atividades. Curioso foi que os pais de raparigas reportaram mais barreiras relacionadas com o custo e a segurança do que os pais de rapazes», refere Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo publicado.

Segundo a investigadora do CIAS, o facto de os pais de raparigas indicarem o custo e a segurança como barreiras pode, «até certo ponto e aliado a outros fatores já conhecidos, ajudar a explicar porque é que os rapazes praticam mais desporto do que as raparigas».

No que diz respeito ao local de residência - locais com maior ou menor nível de urbanização -, a maior diferença que os investigadores encontraram está na falta de tempo: «os pais dos meios mais urbanizados referem significativamente mais vezes a falta de tempo como barreira do que os pais de meios menos urbanizados. Comummente, a maioria das famílias, particularmente das comunidades urbanas, tem pai e mãe em empregos de tempo integral, o que pode contribuir para a falta de tempo dos pais nesses ambientes».

Os resultados deste estudo «devem ser considerados no planeamento e nas intervenções futuras para promover efetivamente a atividade física em crianças. Por exemplo, as barreiras mencionadas pelos pais podem ser superadas em alguns casos com o envolvimento de governos locais, decisores políticos e escolas, disponibilizando sessões de desporto locais para crianças imediatamente após a escola ou durante o dia escolar», recomendam os autores. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia - Portugal

Brasil - Porto de Santos: ponte ou túnel?

SÃO PAULO – Desde que existe como nação organizada, o Brasil sempre investiu menos do que o necessário na expansão de sua infraestrutura, além de nunca ter se preocupado com a manutenção daquilo que já construíra. O resultado são rodovias, ferrovias, viadutos, pontes, túneis, vias urbanas e saneamento básico em flagrante estado de deterioração. Sem contar as aglomerações urbanas que sobrevivem sem sistema de saneamento básico – são cerca de 35 milhões de habitantes, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2017) –, o que obriga a população a consumir água de poços convencionais e artesianos nem sempre bem conservados e sujeitos à contaminação por águas servidas.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, o governo federal deverá investir por ano R$ 300 bilhões em infraestrutura, o que equivale a 4,2% do produto interno bruto (PIB), percentual ainda muito baixo, a se levar em conta o que a China tem investido: mais de 10%.  A título de comparação, basta lembrar que, em 2018, o governo investiu R$ 120 bilhões, o que equivale a apenas 1,7% do PIB. Segundo estudo da consultoria InterB, a parte significativa da infraestrutura brasileira tem entre 30 e 40 anos e baixo nível de manutenção, o que resulta em perdas de eficiência, elevado custo de operação e risco de integridade física.

No Porto de Santos, responsável pela movimentação de 27% do comércio exterior brasileiro, por exemplo, a situação da infraestrutura não foge à regra do resto do País. Ainda agora discute-se a construção de uma ponte, que teria 7,5 quilômetros de extensão, com início na entrada de Santos, no quilômetro 64 da Via Anchieta, até o acesso à Ilha Barnabé, com altura de 85 metros e 325 metros de largura entre os pilares, para não prejudicar as operações portuárias.

O que preocupa é que a engenharia brasileira não tem sido um bom exemplo de eficiência. Basta ver que hoje a pista descendente da Rodovia dos Imigrantes, inaugurada em dezembro de 2002, só é acessível para veículos leves, enquanto os caminhões e carretas que levam contêineres e outras cargas para o Porto de Santos são obrigados a usar a Via Anchieta, construída na década de 1940, o que resulta em trânsito lento e engarrafamentos. Tudo por causa de um erro de cálculo que tornou a pista inclinada em demasia para a descida de veículos pesados (declividade de 6%).

Talvez por isso a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e a Autoridade Portuária já se colocaram contra aquele empreendimento, pois a estrutura da ponte pode vir no futuro a inviabilizar a expansão do porto. Como alternativa sugerem a construção de um túnel submerso que interligue as duas margens do cais, que seria construído entre o Cais de Outeirinhos e o distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, a cerca de 21 metros de profundidade.

Os projetos já existem e a diferença entre os dois investimentos mostra que o ideal seria mesmo investir na construção do túnel: a ponte está orçada em R$ 2,9 bilhões, enquanto o túnel deve custar R$ 3,2 bilhões. É de se lembrar que desde 1927 discutem-se projetos para uma ligação seca entre Santos e Guarujá. E, a se levar em conta o ritmo das audiências e as divergências em torno dos dois projetos, com certeza, vamos chegar a um século de discussões infrutíferas. Milton Lourenço - Brasil  


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Cargas, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Reino Unido - Cinco séculos da circum-navegação celebrados em Londres na Organização Marítima Mundial



Londres - O 500.º aniversário da viagem de circum-navegação iniciada pelo navegador português Fernão de Magalhães, em 1519, é hoje celebrado na Organização Marítima Mundial, em Londres, numa iniciativa conjunta das embaixadas de Portugal e de Espanha no Reino Unido.

Uma conferência com o historiador português João Paulo Oliveira e Costa e o jornalista Francisco Taronjí vai debater e refletir sobre a primeira volta completa ao mundo, iniciada pelo navegador português Fernão de Magalhães e completada pelo navegador espanhol Juan Sebstián Elcano, em 1522.

"O propósito é recordar uma viagem de grande importância e significado científico comandada em grande parte do seu percurso por um navegador português, que muitos consideram ter dado uma contribuição significativa para o que hoje se chama 'globalização'", disse à agência Lusa o embaixador de Portugal no Reino Unido, Manuel Lobo Antunes.

Este acontecimento merece ser celebrado na sede da Organização Marítima Mundial porque, acrescentou, "contribuiu para um melhor conhecimento científico do globo, abrindo rotas marítimas alternativas para o comércio de produtos entre a Ásia e a Europa".

Portugal e Espanha têm previsto um programa de ações conjuntas para comemorar os 500 anos da primeira volta ao mundo, da qual faz parte uma viagem de circum-navegação pelos navios-escola Sagres (português) e Juan Sebastián Elcano (espanhol).

Está também prevista uma exposição itinerante organizada pelos Ministérios da Cultura dos dois países, a coprodução de uma série televisiva, e a elaboração de um estudo sobre a "Projeção mundial do espanhol e do português".

A apresentação de uma Declaração dos Ministros da Cultura da União Europeia, sobre o significado da circum-navegação, é outra das ações apresentadas.

As embaixadas de Portugal e de Espanha também vão coordenar a organização de atividades conjuntas nos países da Rota de Magalhães-Elcano: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Filipinas, Brunei, Indonésia, Timor-Leste, Moçambique, África do Sul e Cabo Verde. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

Cabo Verde - Lourenço Gomes de Pina lança este ano o seu segundo romance “Memórias Reveladas”

Cidade da Praia – O escritor e técnico agrário Lourenço Gomes de Pina pretende dar à estampa ainda este ano o seu segundo romance intitulado “Memórias Reveladas”, informou hoje à Inforpress o próprio.

Esta nova obra, segundo explicou, está numa fase avançada e contém depoimentos de vivências e experiências de pessoas com 70 a 80 anos de idade, cujo objectivo é transmitir esses ensinamentos aos mais novos.

“Memórias Reveladas”, informou, deverá ser apresentada, em princípio, em finais de Outubro, mas por enquanto vai continuar a fazer a promoção do seu primeiro livro de romance “Presente do Destino” lançado em Agosto de 2018, na cidade da Praia.

O livro será relançado hoje, quarta-feira 17, no salão Nobre da Câmara Municipal de Santa Cruz.

Dividido em cinco capítulos e 148 páginas, “Presente do Destino” retrata, segundo o autor, “um pouco o percurso” de Cabo Verde, revelando factos da fome 1947 vivenciado no arquipélago, mas com enfoque na Freguesia de São Lourenço dos Órgãos e Santa Cruz, interior de Santiago.

“Trata-se de um livro que conta o destino do cabo-verdiano, revelando expressões antigas tipicamente do crioulo de Santiago, realçando a importância, por exemplo, do batuque que tem vindo a resistir ao longo de vários séculos e tem sido um meio através do qual se vem transmitindo também a nossa existência, a nossa identidade cultural”, afirmou.

Presente do Destino, ajuntou, também espelha o retrato dos homens de São Lourenço dos Órgãos e de Santa Cruz que na busca do sustento diário, desdobram-se em vários labores. In “Inforpress” – Cabo Verde

Macau - Curso de Verão de Língua Portuguesa na Universidade de Macau junta centenas de jovens

Voltam a juntar-se no Curso de Verão de Língua Portuguesa na Universidade de Macau centenas de jovens, que têm como elemento comum a vontade de aprofundar conhecimentos desta língua. Entre os participantes encontram-se também alunos brasileiros, que procuram investir na escrita e conhecer a instituição de ensino



A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver”, era uma das frases estampadas nas costas das t-shirts dos alunos do 33º Curso de Verão de Língua Portuguesa da Universidade de Macau (UM). Saramago não foi o único em destaque na cerimónia de abertura que decorreu ontem. Também Camões e Mia Couto se podiam ler, entre outros autores. O curso decorre até 2 de Agosto, sendo que os cerca de 500 alunos contam com quatro horas lectivas por dia, de segunda a sexta, tendo ainda a possibilidade de participar noutras actividades, como danças folclóricas, desporto ou escrita criativa.

A multiculturalidade é visível através das diferentes nacionalidades dos participantes, passando do Japão à Coreia do Sul, Filipinas, Itália ou mesmo os EUA. Neymar, de 19 anos, é um dos participantes desta edição. Vindo da China Continental, estuda Português há um ano. “Cinco alunos da Universidade de Macau fizeram intercâmbio na minha universidade e disseram que o ensino aqui é bom. E os meus professores sugeriram também”, apontou.

A sua vinda tem um duplo objectivo. Por um lado, aprender mais usos da língua. Por outro, ganhar mais informações para decisões futuras. “Não conheço muito bem Macau, e no terceiro ano vou decidir qual o lugar onde vou estudar, entre Portugal, o Brasil ou Macau. E vim para Macau para experimentar”, explicou.

“O curso de verão, nos seus 33 anos de existência, continua a ser fiel aos seus princípios de criação, dotar os que nele participam de um conhecimento mais aprofundado da língua portuguesa, de uma consciência da sua variedade, riqueza e complexidade culturais e do seu crescente e inestimável valor em todo o mundo”, discursou Ana Nunes na cerimónia de abertura. A coordenadora do curso notou que a UM responde ao interesse do Governo na formação de bilingues, e que tenta também dar resposta às exigências crescentes do mercado de trabalho.

A docente explicou ainda que no curso recorrem a estratégias dinâmicas de ensino e aprendizagem. Depois da China, a Coreia do Sul é dos países com maior representatividade. Kim Miri, de 20 anos, está a estudar Português no ensino superior. “Queria estudar Espanhol, mas como na Coreia exigia notas mais altas do que as minhas, acabei por ir para Português”, reconheceu. O desvio de percurso não comprometeu o empenho da jovem, que quis participar neste curso de verão para aprofundar os conhecimentos de Português.

Curso atrai alunos brasileiros

A novidade deste ano é a presença de dois alunos brasileiros, que vivem actualmente na China. “Como o que estudam verdadeiramente na escola é o Inglês e o Chinês, eles falam Português mas começam a ter algumas dificuldades na expressão escrita e vêm para aqui precisamente para aprimorar a escrita”, explicou Ana Nunes. Para além disso, querem conhecer Macau e há quem esteja interessado em estudar na UM.

Luca Martins é um desses casos. O jovem de 19 anos quis aproveitar a oportunidade de conhecer a universidade e de se focar na escrita. Os seus pais moram na China há já cinco anos. Ele chegou há ano meio e meio e está a estudar Chinês. Mas considera “uma possibilidade” um dia frequentar a UM. Entre as suas áreas de eleição encontram-se as letras, línguas e literatura. “Com sorte [poderei] fazer alguma coisa envolvendo isso, numa especialidade aqui. E instrumentalizar isso para usar lá no Brasil”, equacionou.

Para além disso, uma universidade do Continente que não tem curso de Português voltou este ano a enviar um grupo de estudantes. O número subiu de 25 para 43.

O curso conta com bastantes alunos no nível básico. “Talvez também porque muitas universidades começaram agora na China Continental a oferecer cursos de Português e provavelmente os alunos vieram agora fazer o curso de verão no nível básico porque acabaram de começar e o curso de verão é uma forma de estarem em contacto com a língua”. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Açores - Expedição Luso-Espanhola descobre novo jardim de corais moles nos Açores após erupção vulcânica



A expedição científica Explosea2 continua em curso e foi descoberto um novo jardim de corais moles no mar dos Açores.

Localizado entre 125 e 160 metros de profundidade, na zona dos Capelinhos na ilha do Faial, este novo jardim de corais moles é uma zona de elevada riqueza biológica.

É a primeira vez que uma expedição organizada por instituições espanholas e portuguesas localiza um jardim de corais moles em águas portuguesas e é o primeiro jardim de corais moles registado nos Açores.

Projecto Explosea

A expedição, a bordo do navio “B/O Sarmiento de Gamboa”, promovida pelo Instituto Geológico e Mineiro de Espanha (IGME) em colaboração com a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), no âmbito do projecto Explosea começou dia 11 de Junho e decorre até 27 de Julho com o objectivo de estudar locais de interesse com emissões submarinas associadas a vulcanismo.

Com este objectivo têm sido realizados levantamentos de multi-feixe para aquisição de batimetria, perfis de CTD (salinidade, temperatura e pressão) e mergulhos com o ROV “Luso” para recolha de amostras de água e vídeos de alta resolução das zonas de interesse.

A bordo a equipa científica do IGME, EMEPC, CSIC, ITER, Universidade Complutense, Universidade de Gottingen, IHM, IMAR da Universidade dos Açores descobriu, através de mergulhos com o ROV “Luso”, um novo jardim de corais moles dominado por uma espécie da Ordem Alcyonacea.

“Descoberta extraordinária”

Segundo Luis Somoza, chefe de missão da Expedição Explosea2, “esta é uma descoberta extraordinária pois trata-se de um jardim de coral formado num de três cones vulcânicos submarinos na zona dos Capelinhos e que esteve em erupção há 52 anos atrás, sendo uma zona relativamente recente à escala geológica. Trata-se de uma zona rica em ferro, que cria as condições perfeitas para o desenvolvimento de todo um ecossistema, com elevada riqueza biológica, mostrando a importância de proteger estes locais. Esta descoberta permite ainda avaliar a sucessão ecológica de espécies que ocorre quando um evento geológico de grande impacto ocorre”.

“Um evento vulcânico similar ocorreu em 2011 e 2012 na Ilha El Hierro nas Canárias e com esta descoberta sabemos agora que o mesmo tipo de jardim se poderá formar, sendo uma das primeiras comunidades de corais a crescer na zona, uma vez que os corais rígidos dependem da disponibilidade de carbonato de cálcio na água, que está menos disponível nestas zonas de erupção recente. No caso dos Capelinhos, no Faial, a área agora descoberta já se encontra dentro de uma área marinha protegida, do Parque Marinho dos Açores, sendo importante proteger locais similares”, acrescenta Luis Somoza.

ROV Luso

Como explica António Calado, coordenador da equipa de pilotos do ROV Luso a bordo, “com a experiência que temos de mais de 10 anos de operação no mar profundo, com o ROV Luso, conseguimos perceber quando chegamos a um local especial. E este foi sem dúvida um desse locais! É para mostrar ao mundo locais como este e para perceber como funcionam para os podermos proteger, que trabalhamos todos os dias”. “Quando os encontramos temos o desafio dos caracterizar da melhor forma, quer seja através da aquisição de dados que ajudem a compreender as especificidades daquele local, quer através das imagens de alta definição que adquirimos, tentando disponibilizar imagens de qualidade que ajudem a compreender a singularidade do local, quer através da recolha de amostras que em locais como este pretendemos que seja o menos perturbadora possível preservando o local e as suas características”.

Animais coloniais

Os corais moles são animais coloniais que crescem usualmente em superfícies rochosas. Não têm um esqueleto rígido de carbonato de cálcio que lhes sirva de suporte, ao contrário dos corais duros.

Marina Carreiro-Silva, investigadora do IMAR da Universidade dos Açores, especialista em ecossistemas de corais de profundidade, e investigadora convidada a bordo, refere que “este jardim de corais constitui um novo tipo de habitat nunca antes descrito, contribuindo para aumentar o conhecimento da biodiversidade e mapeamento dos ecossistemas marinhos vulneráveis dos Açores no âmbito de projectos internacionais e nacionais em curso no nosso grupo de investigação. A monitorização deste local constitui ainda uma oportunidade singular para o estudo dos processos de colonização biológica, crescimento e longevidade destes organismos, bem como para a avaliação do potencial de recuperação natural de comunidades de corais impactadas por actividades humanas, como paralelo a um evento geológico”. In “Agricultura e Mar Actual” - Portugal