Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Cabo Verde – UABÁ, Festival Internacional de Videodança

UABÁ estreia em Cabo Verde e coloca a videodança no centro do diálogo entre corpo, cinema e criação contemporânea

A primeira edição do Festival Internacional de Videodança acontece a 25 de setembro, no Centro Cultural Português, na Praia, com a mostra internacional “SARACOTEIO – Dança no Ecrã”


Cidade da Praia, Cabo Verde — setembro de 2026 — Cabo Verde acolhe a primeira edição do UABÁ – Festival Internacional de Videodança, uma nova iniciativa da Plataforma Kontornu dedicada à relação entre dança, cinema e artes performativas contemporâneas.

A sessão pública acontece sexta-feira, 25 de setembro de 2026, às 18h30, no Centro Cultural Português, na Praia, com entrada livre mediante reserva.

O UABÁ nasce com o propósito de criar em Cabo Verde um espaço regular de apresentação, reflexão, formação e circulação dedicado à videodança, uma linguagem artística híbrida que cruza o corpo e o movimento com a câmara, a montagem, o som, a paisagem e as possibilidades narrativas do audiovisual. Segundo a organização, trata-se da primeira plataforma em Cabo Verde dedicada exclusivamente a esta forma de criação.

Uma nova forma de olhar para a dança

Mais do que registar uma coreografia em vídeo, a videodança cria uma relação própria entre corpo e imagem. A câmara deixa de ser apenas um instrumento de documentação e passa a fazer parte da própria criação: transforma perspectivas, altera escalas, aproxima ou distancia o corpo, intervém sobre o tempo e cria novas possibilidades de espaço e narrativa.

É neste território que o UABÁ pretende atuar.

O nome UABÁ parte de uma expressão do crioulo cabo-verdiano associada ao assombro, à surpresa e à beleza — uma ideia que a organização assume como ponto de partida para aproximar o público de formas menos convencionais de experimentar a dança.

A criação do festival responde também à necessidade de ampliar as possibilidades de circulação e apresentação da criação contemporânea em Cabo Verde, estimulando simultaneamente a produção local, a formação de artistas e técnicos, o intercâmbio internacional e o acesso do público a novas linguagens artísticas.

“SARACOTEIO – Dança no ecrã”

A primeira edição do UABÁ é apresentada sob o tema “Saracoteio”, palavra que evoca movimento, liberdade, celebração e a energia do corpo em ação.

É a partir deste conceito que surge SARACOTEIO – Dança no Ecrã, uma mostra internacional desenvolvida através de uma parceria entre três plataformas/festivais de diferentes geografias:

UABÁ – Festival Internacional de Videodança, Cabo Verde;

Quinzena de Dança de Almada, Portugal;

ROLLOUT Dance Film Festival, Macau.

A parceria procura estabelecer uma rede de cooperação e circulação de obras entre diferentes territórios, particularmente entre geografias ligadas à lusofonia e à CPLP, criando possibilidades de diálogo entre artistas, festivais e públicos.

A programação reúne 15 obras de videodança, provenientes de Cabo Verde, Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau, Macau e Brasil, revelando diferentes abordagens estéticas, culturais e políticas ao corpo e ao movimento.

As obras apresentadas

Portugal

  • Nouage — Fu Le & Magalie Lanriot
  • Blossom — Ana Caridade
  • A ÁGUA ME LEVA — David J. Amado
  • Shark Skin — Francisco Miguel
  • On My Way To You — Andreia Rodrigues
  • Pégaso

Moçambique

  • ONE STEP AT A TIME — Bernardo Guiamba (Pak Ndjamena)

Macau

  • “SHELL” WE TALK — Cynthia Sio
  • Eyeland (眸墟生嶼) — Lao Pui Lon
  • The Rhythm of Sharing (分享的節奏)
  • Hermaphroditus (同體)
  • Third Person (第三者)

Guiné-Bissau / Portugal

  • Intervenção Jah — Welket Bungué

Brasil

  • #paranoiaconfinado

Cabo Verde

  • XINDZUTI



Por que criar um Festival de videodança em Cabo Verde?

Para a Plataforma Kontornu, a criação do UABÁ insere-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento das artes performativas em Cabo Verde.

1. Nova linguagem artística — Apresentar ao público uma forma contemporânea de criação que cruza dança, cinema, artes visuais e tecnologia.

2. Estímulo à produção local — Criar condições para que artistas cabo-verdianos possam experimentar e produzir obras na área da videodança, contribuindo para ultrapassar a escassez de circuitos e meios técnicos especializados.

3. Formação e capacitação — Desenvolver competências através de futuras oficinas, masterclasses e residências com profissionais nacionais e internacionais.

4. Internacionalização — Inserir Cabo Verde em redes internacionais de videodança e fortalecer relações com festivais, artistas e instituições de diferentes geografias.

5. Impacto social e educativo — Utilizar a criação contemporânea como ferramenta de diálogo, inclusão e aproximação entre diferentes públicos e gerações.

A ambição da organização é que o UABÁ possa contribuir, a médio e longo prazo, para posicionar Cabo Verde como um ponto de encontro estratégico para a videodança em África e no espaço da CPLP.

Uma plataforma para além da exibição

Embora a sessão de 25 de setembro tenha como centro a apresentação de filmes, o UABÁ é pensado pela Kontornu como uma plataforma com uma dimensão mais ampla.

A proposta passa por desenvolver progressivamente um ecossistema em torno da videodança, envolvendo criação, exibição, formação, investigação, intercâmbio e circulação internacional.

Nesse sentido, o festival pretende abrir novas possibilidades para bailarinos, coreógrafos, realizadores, videastas, performers, estudantes, investigadores e outros profissionais interessados na relação entre corpo e audiovisual.

A iniciativa integra a estratégia da Kontornu de construir, a partir de Cabo Verde, redes internacionais de criação e circulação para a dança e as artes performativas.

Uma dimensão internacional a partir de Cabo Verde

A dimensão internacional é uma das características centrais do projeto.

Ao estabelecer uma colaboração com a Quinzena de Dança de Almada, em Portugal, e o ROLLOUT Dance Film Festival, em Macau, o UABÁ cria desde a sua primeira edição uma rede que permite colocar artistas e obras de diferentes contextos em circulação.

Esta dimensão é particularmente relevante para Cabo Verde, permitindo que o país não seja apenas um território de receção de propostas internacionais, mas também um ponto de produção, encontro e circulação artística.

A Kontornu assume como uma das suas missões fortalecer as relações entre Cabo Verde, África, a diáspora e outras geografias, criando oportunidades para artistas e instituições nacionais participarem em redes internacionais.

Declaração da Organização

O UABÁ nasce da vontade de criar em Cabo Verde um espaço onde a dança possa existir para além do palco e encontrar o cinema, a imagem, o som e outras formas de criação. Queremos que o público descubra a videodança não apenas como um registo de uma coreografia, mas como uma linguagem artística autónoma, capaz de produzir novas experiências sobre o corpo e o movimento.”

Com esta primeira edição, queremos também afirmar Cabo Verde como um lugar de encontro e circulação para esta linguagem, estabelecendo relações com artistas, festivais e instituições de outras geografias e criando, progressivamente, condições para que os artistas cabo-verdianos possam produzir e circular internacionalmente.” Plataforma Kontornu – Cabo Verde

Informações essenciais

UABÁ: Festival Internacional de Videodança — 1.ª edição

Sessão: SARACOTEIO – Dança no Ecrã

Data: 25 de setembro de 2026

Hora: 18h30

Local: Centro Cultural Português – Praia, Cabo Verde

Entrada: Livre, mediante reserva

Contacto: kontornu@gmail.com

Telefone: +238 924 57 01

Website: www.kontornu.com

Organização: Plataforma Kontornu

Parcerias artísticas: Quinzena de Dança de Almada e ROLLOUT Dance Film Festival

Sobre a Plataforma Kontornu

A Kontornu – International Festival of Dance & Performing Arts é uma plataforma internacional de dança e artes performativas sediada em Cabo Verde, dedicada à criação, circulação, investigação, pensamento e encontro através do corpo e das práticas performativas contemporâneas.

A dança contemporânea constitui o eixo central da sua atividade, estabelecendo diálogos com a performance, teatro físico, circo contemporâneo, danças urbanas, música, artes visuais e outras linguagens híbridas.

A plataforma trabalha na criação de pontes entre Cabo Verde, África, a diáspora e diferentes redes internacionais, desenvolvendo festivais, programas de formação, intercâmbios, residências, coproduções e projetos de mobilidade artística.

O UABÁ integra esta estratégia como uma plataforma especializada na relação entre dança, corpo e audiovisual.

Perguntas frequentes para imprensa

O que é o UABÁ? É um Festival Internacional de Videodança criado pela Plataforma Kontornu, dedicado à relação entre dança, corpo e audiovisual.

É um festival de cinema ou de dança? É uma plataforma híbrida. A videodança cruza as linguagens da dança e do cinema, utilizando o audiovisual não apenas para registar a dança, mas como parte integrante da criação.

Por que se chama UABÁ? O nome parte de uma expressão do crioulo cabo-verdiano associada ao assombro, à surpresa e à beleza.

Qual é o tema da primeira edição? “Saracoteio”, conceito associado ao movimento, liberdade, celebração e energia do corpo em ação.

O que é “SARACOTEIO – Dança no Ecrã”? É a mostra internacional apresentada nesta primeira edição, resultado da parceria entre o UABÁ, a Quinzena de Dança de Almada e o ROLLOUT Dance Film Festival.

Quantos filmes serão apresentados? A seleção publicada pela organização reúne 15 obras.

De que países vêm as obras? Cabo Verde, Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau, Macau e Brasil.

Há artistas cabo-verdianos na programação? Sim. A seleção inclui XINDZUTI, de Cabo Verde.

Quem pode assistir? A sessão é dirigida ao público em geral e tem entrada livre mediante reserva.

É necessário ter conhecimentos de dança ou cinema? Não. A programação é pensada para públicos diversos e pretende aproximar a videodança de pessoas que podem estar a contactar com esta linguagem pela primeira vez.

Onde acontece? No Centro Cultural Português, na Praia.

Quando? 25 de setembro de 2026, às 18h30.

Contacto de imprensa

Plataforma Kontornu

Email: kontornu@gmail.com

Telefone: +238 924 57 01

Website: www.kontornu.com


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Guiné Equatorial - Aborda a vigilância epidemiológica e a resposta a emergências de saúde com as entidades da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Ocorreu numa reunião que o Ministério da Saúde da Guiné Equatorial realizou com o Ministério da Saúde do Brasil e a Fundação Oswaldo Cruz


No âmbito da cooperação para o fortalecimento da rede de emergências de saúde pública da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Guiné Equatorial trocou experiências com o Ministério da Saúde do Brasil e a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) sobre capacidades em vigilância epidemiológica, preparação e resposta a emergências de saúde.

O Ministério da Saúde e Infraestrutura Sanitária da Guiné Equatorial, por meio da Direção-Geral de Saúde Pública, aproveitou a ocasião para apresentar aos presentes a organização do sistema nacional de vigilância e resposta, incluindo o trabalho do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COES) e as experiências adquiridas durante as emergências da COVID-19 e do vírus de Marburg.

As discussões se concentraram no avanço das visitas técnicas aos serviços de saúde pública, na troca de protocolos e documentos regulatórios, na realização de reuniões virtuais entre os países da CPLP e no desenvolvimento de programas de treino em epidemiologia e resposta a surtos.

Com esta reunião, a República da Guiné Equatorial foi informada sobre a linha de trabalho da FIOCRUZ em pesquisa, formação e cooperação internacional.

Esta sessão de trabalho representa uma oportunidade para reforçar ainda mais as capacidades nacionais de preparação e resposta a emergências de saúde através da troca de conhecimentos e da cooperação técnica entre as instituições de saúde dos países da CPLP. Feliciano Ava - Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea” 


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

CPLP - Rotatividade ou concurso: escolha do diretor executivo do IILP vai ser decidida pelo Conselho de Ministros

O Comité de Concertação Permanente (CCP) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que reúne os representantes permanentes dos Estados-Membros junto da organização, aprovou esta terça-feira, em Díli, 28 documentos, mas não alcançou consenso sobre a forma de escolha do diretor executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).


A questão foi remetida para a XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, que decorreu esta quarta-feira, 19 de agosto, em Díli.

Entre os documentos aprovados pelo CCP estão projetos de resolução relacionados com o orçamento da CPLP, recrutamento de recursos humanos, resposta a desastres naturais, mobilidade, alimentação, oceanos, juventude e as comemorações dos 30 anos da organização.

“Celebrar 30 anos não é fazer festas, mas fazer seminários, workshops”, afirmou Natália Carrascalão, embaixadora de Timor-Leste junto da CPLP e coordenadora do CCP.

Diretor do IILP: rotatividade ou concurso público?

A principal questão que ficou em aberto prende-se com o modelo de escolha do diretor executivo do IILP.

Atualmente, a CPLP mantém um sistema de rotatividade entre os Estados-Membros. Está, no entanto, em discussão a possibilidade de substituir este modelo por um sistema de concurso público internacional.

“A CPLP tem de ser cada vez mais transparente. Para tudo, tem de haver concurso. No entanto, a posição de Timor-Leste é continuar com a rotatividade, até terminar com a Guiné Equatorial”, afirmou Natália Carrascalão.

Segundo a embaixadora, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial são os três Estados-Membros que ainda não ocuparam o cargo no âmbito do atual sistema de rotatividade.

O atual diretor executivo do IILP é o português João Neves, que iniciou o mandato em janeiro de 2023. O mandato tem a duração de três anos e pode ser renovado uma vez. (IILP)

O modelo previsto nos Estatutos do IILP estabelece, contudo, que o diretor executivo seja recrutado entre cidadãos nacionais dos Estados-Membros através de concurso público internacional, para um mandato de três anos, renovável uma vez por igual período.

A discussão no Conselho de Ministros deverá, por isso, determinar como será aplicada esta regra e qual será o modelo a seguir para a próxima direção do instituto.

Alterações climáticas e risco para as infraestruturas

A reunião do CCP começou com uma apresentação sobre a Coalizão para Infraestruturas Resilientes a Catástrofes (CDRI), iniciativa dedicada ao reforço da resiliência das infraestruturas perante desastres naturais e alterações climáticas.

“Sabemos que é um tema importante para todos, com as mudanças climáticas e o que tem acontecido pelo mundo, para percebermos quais são os apoios que pode haver”, explicou Natália Carrascalão.

De acordo com os dados apresentados na reunião, o Brasil é, entre os países lusófonos, aquele que apresenta a maior perda anual estimada de infraestruturas devido a desastres climáticos, com cerca de 13,7 mil milhões de dólares.

Em Timor-Leste, a estimativa aponta para perdas anuais de aproximadamente 50 milhões de dólares em infraestruturas devido a desastres naturais.

28 documentos seguem para o Conselho de Ministros

Os 28 documentos aprovados pelo CCP serão agora apreciados pelo Conselho de Ministros da CPLP, juntamente com a questão que ficou sem consenso.

Natália Carrascalão adiantou que, depois de aprovadas as resoluções, caberá à Missão Permanente de Timor-Leste junto da CPLP, em Lisboa, acompanhar o seu cumprimento.

A XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP realizou-se esta quarta-feira, 19 de agosto, em Díli. InDiligente” – Timor-Leste


segunda-feira, 27 de julho de 2026

CPLP - “Com honra e responsabilidade”: Portugal assume presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da Organização

O presidente da Assembleia da República portuguesa disse esta sexta-feira, em Luanda, que Portugal abraçou com grande honra e sentido de responsabilidade a presidência da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)


Portugal vai assumir, em 2027, a presidência rotativa da Assembleia Parlamentar da CPLP (APCPLP), atualmente presidida pelo parlamento de Moçambique.

Aguiar Branco, em declarações à imprensa no final da XV Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacou que Portugal vai assumir, pela primeira vez, a presidência para o biénio 2027/2029.

O presidente do parlamento português desejou ainda que a presidência de Portugal «possa fortalecer a CPLP», no espírito de que estão imbuídos todos os Estados-membros.

Sobre o encontro que terminou esta sexta-feira, Aguiar Branco fez um balanço positivo, que serviu para tratar muitos temas da atualidade, como a digitalização, a resiliência das instituições democráticas, o prestígio dos parlamentos, o estimular da participação das mulheres na atividade política.

«Foi muito rica e muito variada as matérias que tratámos», considerou Aguiar Branco. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 25 de julho de 2026

Galiza - Curso Internacional de materiais para o português decorreu com êxito em Compostela

Compostela acolheu um pioneiro e inédito curso internacional para a criação de materiais didáticos de português, adaptados ao contexto galego


Entre os dias 6 e 11 de julho, nas instalações da Escola Galega de Administração Pública (EGAP), aconteceu a XVI edição do Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais Didáticos de Português, uma iniciativa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

A importância do curso reside, em parte, por ser esta a primeira vez que o prestigiado curso do IILP decorre na Galiza, reconhecendo o crescente dinamismo do ensino do português no território e a relevância do contexto linguístico galego para o desenvolvimento de recursos pedagógicos específicos. O curso já tinha acontecido em outros territórios vinculados com a lusofonia, como Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor-Leste…entre outros. A formação foi orientada pelas especialistas Edleise Mendes e Viviane Furtoso, referências internacionais na área da didática do português como língua estrangeira e língua não materna.

Na formação, com uma duração de 35 horas, uma equipa de docentes de português trabalhou de maneira colaborativa para a elaboração de unidades didáticas que serão agora disponibilizadas de forma gratuita no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira. Nesse sítio existem já milhares de unidades didáticas, que incidem em conteúdos e aspectos linguísticos e socioculturais, das comunidades vinculadas com a língua portuguesa.

Sendo a galega uma variedade tão próxima da portuguesa, os níveis de dificuldade estabelecidos para os materiais no Portal (níveis 1, 2 e 3) foram adaptados à realidade galega. Cabe destacar a visão diversa e pluricêntrica que as formadoras do PPPLE defendem e promovem nos cursos de capacitação, tentando construir pontos de partilha e entendimento entre as múltiplas identidades que compõem na atualidade a língua portuguesa. Agora, pela primeira vez desde a inauguração do PPPLE, unidades didáticas criadas com o foco na Galiza farão parte dessas propostas didáticas que chegam a mais de 25.000 docentes de português em todo o mundo.

O evento foi organizado pela Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG) e a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com a colaboração da Junta da Galiza e o apoio do Observatório do Ensino da Língua Portuguesa. A ação, ao abrigo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, integra ainda as comemorações dos 30 anos da CPLP.

Para a Associação de Docentes de Português da Galiza (DPG), a realização desta iniciativa em Santiago de Compostela representa um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas na promoção do ensino do português e reforça a cooperação entre instituições galegas e organismos internacionais dedicados à difusão da língua portuguesa. A formação constitui igualmente uma oportunidade para consolidar uma comunidade docente especializada e contribuir para uma oferta educativa cada vez mais ajustada à realidade sociolinguística galega. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


quinta-feira, 23 de julho de 2026

"CPLP demasiado próxima dos governos e excessivamente distante dos cidadãos" afirma activista social

Lisboa – O presidente da Associação Maense em Portugal (AMP), Carlos Frederico, defendeu que a CPLP deve colocar os cidadãos no centro da sua acção, considerando que 30 anos após a sua criação continua “demasiado próxima dos governos”.

Em entrevista à Inforpress, a propósito do 30.º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinalado a 17 de Julho, o dirigente associativo considerou que a organização deve fazer “uma reflexão profunda” sobre o impacto da sua acção na vida dos mais de 300 milhões de cidadãos dos nove Estados-membros.

“Ao longo de mais de 20 anos à frente de uma associação que acompanha centenas de estudantes e emigrantes, aprendi uma lição incontornável: os cidadãos não vivem de comunicados finais, vivem de oportunidades”, afirmou.

Na sua perspectiva, é precisamente nesta vertente que a CPLP “continua a falhar”, defendendo que o principal problema da comunidade não reside nos seus princípios fundadores, mas na dificuldade em concretizá-los.

Segundo Carlos Frederico, a CPLP nasceu com “propósitos nobres”, como promover e difundir a língua portuguesa, fortalecer a cooperação multilateral, facilitar a mobilidade entre os Estados-membros, estimular o desenvolvimento económico e social e aproximar culturas e construir uma comunidade assente na solidariedade entre povos irmãos.

“Tudo isto continua a fazer sentido. O problema nunca esteve na ideia fundadora, mas sim na sua execução”, afirmou.

O presidente da AMP apontou como principais desafios a mobilidade entre os países da comunidade, o reconhecimento de diplomas e qualificações profissionais, os processos migratórios e os obstáculos enfrentados por estudantes, trabalhadores e empresários.

“Todos os anos testemunhamos uma realidade frustrante: jovens que enfrentam obstáculos colossais para estudar noutro país lusófono, profissionais impedidos de exercer as suas funções devido a processos administrativos excessivamente burocráticos e famílias separadas por procedimentos migratórios lentos, complexos e desgastantes”, afirmou.

Perante esta realidade, questionou “onde está a CPLP quando os cidadãos mais precisam dela”.

Embora reconheça o trabalho desenvolvido pela organização em áreas como cultura, saúde, cooperação técnica, segurança alimentar e concertação diplomática, Carlos Frederico considerou que “actividade institucional não deve ser confundida com impacto real na vida das pessoas”.

“Uma organização internacional não deve aferir o seu sucesso pelo número de reuniões realizadas, mas pela melhoria tangível do quotidiano das populações. E é esta ligação que permanece, infelizmente, frágil. A CPLP mantém-se demasiado próxima dos governos e excessivamente distante dos cidadãos”, defendeu.

Na entrevista, apelou a uma mudança de prioridades, propondo maior investimento em bolsas de estudo, emprego jovem, programa de mobilidade académica e profissional, reconhecimento mais rápido de competências e incentivo ao empreendedorismo entre os Estados-membros.

Na sua opinião, a comunidade tem um enorme potencial, reunindo mais de 300 milhões de pessoas, uma língua comum, uma juventude dinâmica, universidades, empresas e uma vasta diáspora espalhada pelo mundo.

Carlos Frederico defendeu igualmente um maior envolvimento da sociedade civil na construção do futuro da CPLP.

“A língua portuguesa não é propriedade dos governos. Pertence aos milhões de cidadãos que a falam, que nela sonham, trabalham e constroem diariamente o amanhã”, afirmou, deixando claro que não pretende “diminuir” a CPLP com tais declarações.

Questionado sobre os desafios para os próximos 30 anos da CPLP, o presidente da AMP sublinhou que as suas críticas não visam diminuir a organização, mas contribuir para o seu fortalecimento, defendendo que a comunidade deve abandonar uma lógica excessivamente institucional e colocar, de forma efectiva, os cidadãos no centro das suas políticas.

“(…) Uma comunidade de língua comum apenas será verdadeiramente coesa e forte quando os seus povos sentirem que habitam um espaço onde as oportunidades fluem com a mesma naturalidade e facilidade que as palavras.”, conclui. Feliciano Monteiro – Agência Inforpress


Angola - Líderes parlamentares da CPLP preparam detalhes para início da sessão

Os presidentes dos Parlamentos Nacionais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram em Luanda, com foco na preparação da XV Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da CPLP, que arranca sob o lema, "Governação Democrática, Segurança e Integridade: Fortalecendo a Resiliência Institucional da CPLP"


A reunião orientada pela presidente em exercício da Assembleia Parlamentar da CPLP, a moçambicana Margarida Talapa, contou com a participação dos líderes dos Parlamentos de Angola, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial e Timor-Leste.

O encontro marcou o compromisso com o aprofundamento da cooperação interparlamentar e pela definição de prioridades comuns para a região.

Antes da conferência, os presidentes dos Grupos Nacionais dos Parlamentos da CPLP também estiveram reunidos para abordar sobre alguns instrumentos essenciais que servirão de análise nos debates da sessão intercalar. Pedro Ivo – Angola in “Jornal de Angola”


domingo, 19 de julho de 2026

Portugal - David Levy Lima e Yuran Henrique representam Cabo Verde em exposição dos 30 anos da CPLP

Lisboa – Os artistas plásticos cabo-verdianos David Levy Lima e Yuran Henrique participam na exposição “CPLP: 30 anos de arte compartilhada”, inaugurada em Lisboa, no âmbito das comemorações do 30.º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


A mostra, organizada pela CPLP em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.), reúne 14 obras de artistas dos nove Estados-membros da comunidade, propondo um diálogo entre diferentes linguagens e sensibilidade artísticas do espaço lusófono.

David Levy Lima participa com a obra “Nôs Mar” (2025), um óleo sobre tela de 140X100 centímetros (cm), enquanto Yuran Henrique apresenta “Kabra” (2022), um acrílico sobre papel 59X42 cm.

Segundo a organização, a exposição pretende assinalar os 30 anos da CPLP sob lema “CPLP 30 Anos: Unidade na Diversidade, Uma Comunidade para os Povos”, através da criação artísticas.

A exposição estará patente na sede do Camões,I.P., em Lisboa, até 31 de Julho.

As comemorações do 30.º aniversário da CPLP, iniciadas em Janeiro e que se prolongam até 2027, incluem ainda conferências, concertos, debates e outras actividades culturais e institucionais em Lisboa, sede da CPLP, e nos Estados-membros, assinalando os 30 anos da organização.

A CPLP, fundada em 17 de Julho de 1996, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Inforpress” – Cabo Verde


Moçambique - Camões – Centro Cultural Português e Catalogus lançam colectânea que celebra os 30 anos da CPLP com vozes da literatura contemporânea

O Camões – Centro Cultural Português e a Catalogus apresentam, no próximo 21 de Julho, às 17h30, em Maputo, a colectânea “As casas ainda respiram”, uma obra comemorativa dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O lançamento decorrerá nas instalações do Camões – Centro Cultural Português e reunirá textos de escritores e poetas da literatura contemporânea em língua portuguesa.


Com 170 páginas, a colectânea reúne excertos de romances, contos e poemas de autores oriundos do espaço lusófono, procurando celebrar a língua portuguesa como elemento de união entre diferentes povos e culturas. A publicação apresenta textos de Alice Pina, Álvaro Fausto Taruma, Ana Bárbara Pedrosa, Calila das Mercês, Camila Afonso, Cheila Delgado, Edson Incopté, Elisângela Rita, Eltânia André, Helena Abrahamsson, Israel Campos, Jamila Pereira, Rita Canas Mendes, Samuel F. Pimenta e Virgília Ferrão, oferecendo aos leitores moçambicanos um panorama da literatura contemporânea em língua portuguesa.

A obra resulta de uma iniciativa conjunta do Camões – Centro Cultural Português em Maputo e da Catalogus para assinalar as três décadas da CPLP, organização criada em Julho de 1996 e actualmente constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Cada texto evidencia diferentes identidades, perspectivas e experiências, reflectindo a diversidade cultural que caracteriza o universo literário dos países lusófonos.

Na apresentação da colectânea, o director do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, José Manuel Amaral Lopes, destaca que a celebração dos 30 anos da CPLP representa também a valorização de uma língua que aproxima povos, incentiva a criação literária e fortalece o diálogo intercultural, reafirmando a diversidade cultural como um dos maiores patrimónios da lusofonia. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 17 de julho de 2026

CPLP - 30 anos, os jovens e o bloco de língua portuguesa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, celebra aniversário com debate de representantes das nações que formam a organização; integração, mulheres em espaços de decisão, afirmação da língua portuguesa, democracia e paz foram alguns dos temas debatidos, em evento da juventude lusófona em Cascais, Portugal


Com um encontro de jovens e para ouvir os jovens, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, iniciou a última semana de celebrações que antecedem o seu aniversário de 30 anos neste 17 de julho.

O evento coorganizado com entidades parceiras como o Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas, IPDAL, foi realizado durante o fim de semana, em Cascais, Portugal.

Passaporte lusófono

A ONU News conversou com alguns dos participantes para saber o que eles esperam deste novo momento da CPLP, e o que pode ser feito na prática para acelerar não só a integração, mas o desenvolvimento e a contribuição da juventude das nações que falam português.

Um dos participantes, Vitor Andrade, líder da organização Conexão Lusófona, defendeu a criação de um “passaporte lusófono” para que os jovens possam estudar e trabalhar em qualquer país de língua portuguesa.

“Temos um conjunto de prioridades mais assertivas. Uma delas é, sem dúvida, a questão ambiental. A questão ecológica. É verdade que a nossa geração já nasceu com ela que preocupa bastante. Temos outra prioridade que afeta o quotidiano dos nossos jovens dos nossos países: questões como a parte migratória. Infelizmente, cada vez mais países estão a ter medidas de força na área migratória e tornando mais difícil trabalhar num Estado diferente e, portanto, trabalhamos também a esse nível.”

Mulheres no Executivo

O Encontro de Política Externa e Pensamento Estratégico reuniu estudantes da Guiné-Bissau, Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, e de estudantes de países como Argentina, Itália e Cazaquistão que falam o português como língua estrangeira.

Dentre os temas debatidos estiveram a saúde das democracias na lusofonia e outras partes do mundo e a sub-representação nos países de língua portuguesa da liderança feminina em cargos executivos. Atualmente, todas as nações lusófonas são chefiadas por homens.

Para a estudante brasileira de mestrado em Direito da Universidade de Lisboa, Nicole Brito, é hora de corrigir este défice elegendo mulheres para cargos legislativos e levando mais representação feminina a postos de comando.

Democracia e futuro

“Olha, infelizmente, eu sinto que ainda faltam mulheres, eu sinto que ainda existe uma resistência, eu sinto que ainda existe uma falta de representatividade.”

Participaram da mesa de debates, a secretária-executiva da CPLP, a embaixadora angolana, Fátima Jardim, o presidente do IPDAL, Paulo Neves, e o embaixador aposentado, António Almeida-Ribeiro.

A nova realidade geopolítica foi um dos temas neste momento de aniversário da CPLP. Para a jovem guineense, Luísa Aminata, a crise da democracia é um entrave para que jovens, como ela, possam se expressar sobre o que esperam de seus governos e de seu futuro.

“Neste evento, estamos a falar sobre democracia sob pressão, e então para termos uma boa democracia precisamos investir na educação, principalmente na educação das meninas. Nesse caso, eu tenho uma página que criei chamada Madrinha das Meninas, com a intenção de motivar mais jovens meninas para eles fazerem sentir que são capazes de realizar tudo o que querem, que são capazes também de participar nas decisões do nosso país, nas decisões do mundo, porque é muito importante que nós mulheres também tenhamos essa oportunidade.”

Concertação político-diplomática

Desde a independência de Portugal, vários países de língua portuguesa, especialmente na África, enfrentaram múltiplos desafios com longas guerras civis, combate à corrupção e à pobreza, golpes de Estado e a consolidação da paz e da segurança. Com a chegada da CPLP, o bloco passou a cooperar em várias áreas de concertação político-diplomática até a entrada de Timor-Leste em 2002, que abriu os horizontes da organização para o sudeste da Ásia.

Desde então, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem visto aumentar o número de membros-observadores que hoje já são mais de 30 nações incluindo França, Reino Unido, Estados Unidos e Catar, além de um número recorde de entidades da sociedade civil e organizações não-governamentais que atuam com status consultivo no bloco. Essa presença de cidadãos é um dos diferenciais da CPLP ao ser comparada com outros pares, por exemplo.

Para a cabo-verdiana Odara dos Santos, a Comunidade é um espaço que relembra que os jovens têm uma voz dentro das democracias e que podem ajudar a combater a desinformação.

Mundo digital e voz da juventude

“Falando da CPLP, são diferentes países e com distância continental que merece aproximação entre esses países de forma física. Também no mundo digital é muito importante aprimorarmos isso mais entre esses países e é preciso que haja um intercâmbio mais aprofundado, mas também que os jovens entendam que eles têm uma voz dentro da democracia. Eles podem construir pontes e desenvolver os seus países desde agora, independentemente da idade, porque o mundo se faz do conjunto de pessoas e que de diferentes gerações se constrói um mundo melhor.”

Em 1989, quando chefes de Estado dos sete países lusófonos se reuniram para criar a CPLP, no estado do Maranhão, no Brasil, eles desenharam também a estrutura de um Instituto Internacional de Língua Portuguesa, IILP, que tem sede em Cabo Verde.

Segundo a entidade, existem mais de 330 línguas no espaço da lusofonia. E mais de 185 são indígenas. Uma das línguas mais faladas na diáspora, o português é considerado hoje a quinta ou sexta língua mais usada no mundo e a mais falada no Hemisfério Sul. Para o estudante angolano Gaspar da Silva, a CPLP é importante para a integração das diversas diásporas de língua portuguesa espalhadas pelo mundo.

Português gera empregos

“A CPLP vem para conciliar os interesses de todos os nove países que dela fazem parte, para que haja conexão entre eles e quem está na diáspora. Há aqui uma grande relação e um papel muito importante que a CPLP tem, para que, de certa forma, tem nos juntado para que jovens e tomadores de decisão de muitos países discutam mesmas ideias e pensamentos para a resolução de problemas da mesma comunidade CPLP.”

Ayrton Pahula afirma que a maior presença da língua portuguesa como língua oficial de organizações internacionais também gera empregos e oportunidades para a lusofonia.

“Os jovens podem até falar noutras línguas, mas falar na sua língua materna é diferente. Pensar na sua língua materna é diferente. Então, neste sentido, eu penso que devemos explorar pensar muito a questão da língua em função dessas oportunidades que se perdem”.

E um desses exemplos é o próprio secretário-geral do IPDAL, Gastón Ocampo. Ele nasceu na Argentina, mas aprendeu o português para trabalhar com jovens lusófonos, o que segundo ele abriu um mundo de oportunidades.

“Eu não estaria aqui se não fosse pelo português. Eu acho que o português abriu-me portas e abriu-me também a cabeça para nós também pensarmos num futuro em que eu me vejo também na África Lusófona. Vejo-me em Timor-Leste, em Macau, quem sabe?”

Em evento separado, durante a sua passagem pelo Fórum Político de Alto Nível, em Nova Iorque, a secretária de Estado de Portugal, Ana Isabel Xavier, foi entrevistada pela ONU News e afirmou que a CPLP é simplesmente insubstituível.

“CPLP é insubstituível”

“Nós estamos, de facto, agora a celebrar os 30 anos da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, e estamos a celebrar com um optimismo de facto, bastante reforçado. Quando nós olhamos hoje para a CPLP, olhamos desde logo para um espaço lusófono que partilha uma cultura comum, uma identidade comum, mas mantendo também aquilo que é a identidade única de cada um destes países, que, em conjunto, formam uma comunidade de princípios e de valores que é absolutamente insubstituível.” Eleutério Guevane e Monica Grayley – ONU News – Nações Unidas


CPLP - Mensagem da Secretária Executiva por ocasião do 30.º Aniversário que hoje, 17 de julho, se comemora


Mensagem da Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Embaixadora Maria de Fátima Jardim, por ocasião do 30º Aniversário da CPLP, assinalado a 17 de julho de 2026

 

terça-feira, 14 de julho de 2026

CPLP – Após 30 anos a Organização continua sem se afirmar junto da China, diz especialista

O especialista em relações internacionais Luís Bernardino considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) chega ao 30.º aniversário sem ter conseguido afirmar-se junto da China, onde continua pouco conhecida

“A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam em 17 de julho. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou.

Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou.

Criado em 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa reúne a China e os países lusófonos, mas funciona à margem da estrutura institucional da CPLP, embora utilize Macau como plataforma de ligação.

Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu.

O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme.

Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infraestruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou.

No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou.

O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou.

Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas.

Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou.

Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu.

O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros atores globais o farão”, disse.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (actualmente suspensa devido ao golpe de Estado), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”