Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Goa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Goa. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Goa - O Festival de Música do Monte regressa com três dias de harmonia cultural

Realizado anualmente num dos morros mais pitorescos de Goa, o Festival de Música do Monte, organizado pela Fundação Oriente, oferece vistas deslumbrantes do Rio Mandovi, as suas ilhas, um santuário de pássaros nas proximidades e o icónico centro histórico de Goa Velha, Património Mundial da UNESCO.


Criado em 2002, após a restauração da Capela de Nossa Senhora do Monte, do século XVI, pela Fundação Oriente, o festival foi concebido como uma plataforma para o intercâmbio artístico entre as tradições clássicas ocidentais e indianas.

Ao longo dos anos, tornou-se um importante encontro cultural que vai além da música e da dança, acolhendo artistas de Portugal e da Índia que compartilham não apenas os seus desempenhos, mas também a rica herança das suas regiões.

A edição de 2026 será realizada nos dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro, no pátio da Capela de Nossa Senhora do Monte, em Goa Velha, transformando mais uma vez o sereno pátio da capela num espaço para diálogo e celebração cultural. Esta é a quarta edição do festival sob a direção do Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes, diretor da Fundação Oriente, que conta com o apoio da equipa da Fundação Oriente.

O Festival de Música de Monte não exigirá ingressos para nenhum dos seus concertos e haverá dois autocarros para levar os visitantes do Gandhi Circle, em Goa Velha, até a Capela de Nossa Senhora do Monte, também em Goa Velha. O Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes informa: “A próxima edição do Festival de Música de Monte reunirá, através da música e da dança, diferentes elementos e diferentes partes da Índia e de Portugal. De Rajasthan, Gujarat, Ahmedabad, Mumbai e Delhi, na Índia, e de Lisboa e Alentejo, região no sul de Portugal, uma mistura de grandes músicos que oferecerá não apenas um festival de música e dança, mas também um evento cultural. Este é o ingrediente mais importante para nós no Festival de Música de Monte.

Claro que não podemos esquecer os artistas goeses, pois abriremos o Festival de Música de Monte com Sonia Shirsat e os seus amigos, todos goeses, para promover também os artistas, a música e a língua goesa.”

Falando sobre Ricardo Ribeiro, que encerrará o festival, o Dr. Paulo Gomes afirma: “Ele é um fadista português com uma voz inesquecível, que combina com maestria o fado clássico com influências contemporâneas. Hoje, é considerado uma das vozes mais influentes do fado em Portugal.” A Fundação Oriente tem o dom de selecionar apresentações excepcionais ano após ano, mantendo o festival vibrante e atual, apresentando artistas nacionais e internacionais raramente vistos no país.

“Trabalhamos na área das artes e seguimos certos critérios. Em primeiro lugar, recebemos um grande número de propostas de músicos indianos e portugueses. Para cada edição, os artistas são selecionados pela equipa curatorial responsável naquele ano. Temos um amplo banco de dados, o que facilita o processo de seleção em termos de qualidade, pois oferece uma grande variedade de opções. Dito isso, “Nunca é fácil escolher alguns artistas e não outros que também gostaríamos de convidar, isso faz parte do processo. No geral, graças ao volume de propostas que recebemos e ao nosso extenso banco de dados, a nossa missão é facilitada nesse sentido”, explica o Dr. Paulo Gomes. Dolcy D'Cruz – Goa in “O Heraldo”

Programa

30 de janeiro | 19h, HORIZONTES EM TRANSFORMAÇÃO, COM O CORO AO NAGA. Horizontes em Transformação é uma jornada musical que celebra as tradições vivas do nordeste da Índia. Enraizado nas tradições culturais Naga, o Coro representa com orgulho a sua herança por meio de trajes tradicionais, paisagens sonoras indígenas e desempenhos que incorporam o espírito e o legado dos seus ancestrais.

30 de janeiro | 17h45 CALIDOSCÓPIO – UMA SINFONIA DE CORES EM SOM, POR SÓNIA SHIRSAT E AMIGOS O FMM 2026 será inaugurado com uma apresentação da cantora goesa Sónia Shirsat, acompanhada por cinco músicos goeses. Eles apresentarão canções em português e concani, destacando os laços históricos entre Goa e Portugal, bem como o idioma oficial de Goa, o concani. O grupo será composto por Carlos Menezes, Allan Abreu, Prathamesh Chari, Irshad Khalifa e Franz Schubert Cotta.

31 de janeiro | 17h45 “ROOTS” – ONDE AS MELODIAS ESQUECIDAS DA ÍNDIA ENCONTRAM A SUA VOZ NOVAMENTE, POR ASAD KHAN E AMIGOS Liderado pelo mestre do sitar reconhecido pelo Grammy, Asad Khan, o Roots é um coletivo musical que dá vida às ricas melodias enterradas no solo cultural da Índia. Das tradições folclóricas do Rajastão, Gujarat, Maharashtra, Assam e Bengala, Asad reinventa dhuns, taranas, dohas e heets de casamento esquecidos, cada um enraizado nos humores da vida indiana: amor, saudade, chuva, colheita, celebração e despedida. O conjunto contará com Rais Khan, Dana Bharmal Harjan, Kalpa Joyti, Altamash Ansari e Jogi Laxman Premji.

31 de janeiro | 19h 100 PAREDES E STUTI CHORAL & STRING ENSEMBLE Em 2025/2026, celebra-se o centenário de Carlos Paredes, uma das figuras mais emblemáticas da cultura portuguesa e embaixador mundial da guitarra portuguesa. Para homenagear este marco, André Varandas e Bruno Costa criaram o projeto 100 Paredes. Em Goa, o grupo 100 Paredes atuará ao lado do aclamado Stuti Choral & String Ensemble, sob a direção de Parversh Java, com arranjos orquestrais do renomado compositor brasileiro Rodrigo Morte.

1º de fevereiro | 17h45 SAMANVAYA – HARMONIA POR RAUL & MITALI Mitali-Raul e a sua trupe apresentam Samanvaya – Harmonia; uma confluência de música e movimento, Odissi e Bharatanatyam, tradição e inovação, ritmo e expressão, património e contemporaneidade.

1 de fevereiro | 19h RICARDO RIBEIRO A voz de Ricardo Ribeiro, descrita como "uma vez ouvida, jamais esquecida", tornou-se um nome essencial no fado contemporâneo. Com uma presença vocal que evoca vida e morte num só fôlego, ele continua a trilhar o seu próprio caminho entre o fado tradicional e o futuro do género.



sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Guiné Equatorial – Vai participar na Olimpíada de Jovens Chefs de 2026 na Índia

Esta competição culinária juvenil, considerada uma das mais prestigiadas internacionalmente, será realizada em Nova Deli de 1 a 7 de fevereiro de 2026


Na última segunda-feira, 15 de dezembro, foi realizado o sorteio oficial da Olimpíada de Jovens Chefs de 2026, que definiu os grupos e locais onde cada país competirá na fase inicial da competição. A República da Guiné Equatorial competirá em Nova Deli, na Índia, um dos principais locais do evento.

Nesta edição, a Guiné Equatorial será representada pela jovem chef Maria Ayang, da escola culinária do Grand Hotel Djibloho, que competirá em Delhi ao lado de participantes dos Emirados Árabes Unidos, Zimbabue, Inglaterra, Lesoto, Albânia, Bulgária, País de Gales e Omã.

A concorrente da Guiné Equatorial levará ao cenário internacional o talento, a criatividade e a excelência culinária que caracterizam a gastronomia do país.

A participação da Guiné Equatorial na Olimpíada de Jovens Chefs de 2026 reafirma seu compromisso com a formação culinária, a projeção internacional de jovens talentos e a promoção da gastronomia nacional em palcos globais, consolidando sua presença num dos eventos culinários juvenis mais relevantes do mundo.

É importante destacar que a Olimpíada de Jovens Chefs reúne anualmente jovens chefs de 50 países, tornando-se uma plataforma para o intercâmbio cultural e gastronómico, onde a inovação, a técnica e a identidade culinária de cada nação ganham destaque.

Para além da Guiné Equatorial estarão a concurso os países lusófonos Portugal e Timor-Leste. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


terça-feira, 10 de junho de 2025

Macau - Uma viagem pelas cores de Goa na fotografia de Miguel Quental

“Aquilo que realmente me chamou a atenção foram as cores, aquela beleza”. Foi a partir de uma caminhada espontânea pelas ruelas de Goa que Miguel Quental deu início a uma viagem fotográfica que manifesta a vibrante herança cultural da antiga cidade imperial. A exposição “Cores de Goa”, que será inaugurada neste sábado na Creative Macau, revela a riqueza das cores, da história e da fé que caracterizam este território no sudoeste da Índia


A Creative Macau prepara-se para receber, no próximo sábado, 14 de Junho, a exposição fotográfica intitulada “Cores de Goa”, uma mostra artística do advogado Miguel Quental que estará patente na galeria no rés-do-chão do Centro Cultural até ao dia 5 de Julho. Uma selecção de imagens captadas durante uma visita a Goa, a antiga cidade que deixou um legado multicultural de uma riqueza “extraordinária”, marcada por cores, aromas, sabores e crenças que parecem “transcender a imaginação”. “Parti um pouco à descoberta do património da UNESCO. Mas aquilo que realmente me chamou a atenção foram as cores. Aquela, aquela beleza…”, recorda Quental.

Nas palavras do artista, a sua descoberta foi espontânea, feita enquanto caminhava por rotas comuns, sem grande planeamento, mas que revelaram uma beleza impressionante. “Não andei à procura de sítios muito remotos. Dentro de todo aquele património, as cores é que são extraordinárias, bem como a conservação dos edifícios”.

A atenção de Quental foi imediatamente capturada pelas cores vívidas das igrejas antigas, dos símbolos católicos e das casas senhoriais, que parecem manter-se majestosas e impassíveis. “Foi então que comecei a fotografar principalmente as cores, mas também aqueles objectos religiosos que reflectem realmente a fé do povo. É extraordinário. A conservação das igrejas, a forma como tudo está bem mantido, despertou-me interesse”, disse ao Ponto Final.

Para o fotógrafo, essa experiência não foi apenas uma simples viagem, mas uma oportunidade de partilhar uma herança cultural que acredita merecer a atenção do público de Macau. “Gostava que estas imagens fossem um convite para que as pessoas visitem Goa. Merece a pena, pela sua diversidade cultural, sabores, cheiros. É um pouco como Macau, para quem chega cá, fica deslumbrado com as nossas cores também. E no fundo, poder repartir com os outros aquilo que eu vi na minha experiência, ainda que curta, é o que mais me motiva”, partilha.

A ligação de Goa a Macau, ambas com “resquícios” de um passado ligado a Portugal, reforça essa sensação de semelhança entre os patrimónios, embora Quental ressalte que Goa é suficientemente diferente para justificar a viagem. “As pessoas são simpatiquíssimas e realmente somos muito bem recebidos. No fundo, é um orgulho por parte da população de Goa receber os portugueses e mostrar aquilo que é a história e o passado”, sublinhou.

Paixão pela fotografia

A sua paixão pela fotografia acompanha-o há algum tempo, tendo começado desde que chegou a Macau. “Sempre gostei de fazer fotografia”, revela. Recentemente, o seu interesse evoluiu para uma prática mais consciente, procurando captar o melhor momento. “No ano passado viajei para Angola e Moçambique, uma experiência que também quis partilhar através da minha lente”. Na sua visita a Goa, usou vários tipos de câmaras, incluindo telemóveis, com o objectivo de captar a essência do momento de forma espontânea. “Uso o meu telemóvel muito mais do que a Sony. Às vezes, com o telemóvel é mais fácil fazer zoom, captar detalhes”, explica.

Apesar de se considerar um amador, Miguel Quental manifesta a sua paixão pela fotografia e o desejo de continuar a trabalhar nesta forma de expressão. “Tenho interesse em possivelmente juntar-me a um grupo ou associação fotográfica, outro incentivo para melhorar”, afirma, agradecendo o apoio de amigos na edição das suas imagens, como Francisco Ricarte, que o ajudou na pós-produção. “Disparo, mas depois, quando é com o telemóvel, não fica com grande qualidade. Portanto, busco partilhar conhecimento com outros fotógrafos que ajudam nas edições”, acrescenta.

A exposição “Cores de Goa” surge assim como uma oportunidade de explorar uma herança que mistura história, arte e fé, através do olhar de um artista que, além de advogado, é também um apaixonado por imagens que estimulam os sentidos. Quental espera que as suas fotografias sirvam de convite para que o público descubra uma cultura diferente, que traz outras expressões, tanto nas cores como na comida. “Espero que as pessoas gostem e que isto sirva de convite. A diversidade de culturas, sabores, cheiros… tudo isso faz com que a experiência seja completa, como uma viagem de sentidos”, reforça.

O evento de inauguração realiza-se neste sábado, às 18h30, na Creative Macau. Durante o período de exibição, até 5 de Julho, os visitantes terão a oportunidade de conhecer esta viagem visual que revela a beleza e a história de Goa, uma antiga cidade imperial que, apesar do tempo, mantém intacta a sua essência cultural. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Goa – Carlos Monjardino faz balanço “muito positivo” da presença da Fundação Oriente

A propósito do 30.º aniversário do início das actividades da Fundação Oriente em Goa, Carlos Monjardino faz um balanço “muito positivo” do papel da instituição na Índia, nomeadamente na cena cultural de Goa. Em declarações ao Ponto Final, o presidente do conselho de administração da Fundação Oriente afirma também que, após a desconfiança inicial das entidades oficiais de Goa, agora a instituição é perfeitamente aceite



Carlos Monjardino foi a Goa no início deste mês para assinalar os 30 anos de actividade da delegação indiana da Fundação Oriente. Ao Ponto Final, o presidente do conselho de administração da Fundação Oriente recordou o processo para estabelecer ali uma delegação e destacou o papel actual da instituição na Índia.

Monjardino lembrou que o estabelecimento da delegação em Goa, em 1995, teve por base uma sugestão de Mário Soares, Presidente da República de Portugal na altura. “Ele pediu-me para contemplar a hipótese de a Fundação ter qualquer coisa em Goa, porque não havia ali nada de português, nem consulado, nem Camões, nada. Decidimos abrir”, contou. Esta foi a segunda delegação da Fundação Oriente, a primeira tinha sido estabelecida em Macau, em 1988, e a de Timor-Leste começou a sua actividade em 2002.

Sobre a presença em Goa, o responsável da Fundação Oriente destacou os subsídios concedidos para o ensino da língua portuguesa. Hoje em dia há ainda cerca de duas dezenas de professores subsidiados. Há ainda bolsas de estudo para estudantes goeses que querem frequentar o ensino superior em Portugal.

Além disso, “assumimo-nos também como criadores de um certo tipo de manifestações culturais com ligações a Portugal, sejam artistas sejam músicos, pintores, etc.”, referiu, apontando para o Festival de Música do Monte e para a exposição do pintor goês António Xavier Trindade que está patente no piso térreo do edifício da delegação, situado no bairro das Fontainhas.

Estes aspectos fazem com que Carlos Monjardino faça um “balanço muito positivo” da presença da Fundação em Goa. “Continuamos a ser uma pedra muito importante em tudo o que são eventos culturais em Goa”, frisou.

Sobre a inclusão da Fundação Oriente na comunidade local, Monjardino recordou que, “ao princípio, não da parte dos locais mas da parte oficial, houve alguma resistência porque ainda tinham na cabeça a parte colonial dos portugueses”. No fim da década de 1990, houve também entraves por parte de descendentes dos intitulados “freedom fighters”, um movimento que, no século XIX, lutou para acabar com o domínio da colonização portuguesa. No entanto, “isso foi desaparecendo ao longo do tempo e hoje em dia somos perfeitamente aceites, tanto que as entidades oficiais de Goa vão às nossas manifestações culturais e só tenho a dizer bem dessa relação”, conclui.

Delegação da Fundação Oriente em Goa: 30 anos a reforçar os vínculos históricos

No ano em que se comemoram os 50 anos de restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia, a delegação da Fundação Oriente em Goa comemora três décadas de actividade. O objectivo tem sido reforçar os laços históricos que ligam Portugal e a Índia. Ao Ponto Final, Paulo Gomes, delegado da Fundação Oriente em Goa, destaca o papel do organismo no apoio ao ensino da língua portuguesa, nas artes e na recuperação do território, por exemplo



Celebram-se agora 30 anos desde que a Fundação Oriente estabeleceu uma delegação em Goa, na Índia. Neste ano, também se assinalam os 50 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia. Através de iniciativas ligadas às artes, ao património e à língua portuguesa, a delegação de Goa da Fundação Oriente pretende valorizar os vínculos entre os dois países.

Para assinalar a data, Carlos Monjardino, presidente do conselho de administração da Fundação Oriente, bem como João Amorim, vogal do conselho de administração, estiveram em Goa, entre os dias 27 de Janeiro e 2 de Fevereiro, marcando também presença no segundo encontro anual das delegações de Goa, de Macau e de Timor-Leste. No âmbito das celebrações, a delegação de Macau deu a conhecer em Goa as obras de uma artista da região, Tsang Tseng Tseng e realizou-se também o Festival de Música do Monte, um dos mais importantes eventos do calendário cultural de Goa, que contou com a actuação da fadista portuguesa Cuca Roseta. Ainda no âmbito das efemérides, realizaram-se concertos de violino e guitarra portuguesa no Indian Council for Cultural Relations (ICCR), na capital indiana, Nova Deli.

“A Fundação Oriente não é apenas uma ponte entre Oriente e Ocidente, mas também entre diferentes partes do Oriente onde se fala Português e onde tem Delegações que colaboram entre si”, lê-se na nota oficial sobre as comemorações das efemérides, que destaca também que, ao longo dos últimos 30 anos, “a delegação da Fundação Oriente na Índia tem apoiado projectos de ensino da língua portuguesa nas escolas secundárias de Goa, bem como contribuído para a difusão da cultura, não só com apoios nas áreas da música, teatro, dança e literatura, como também através da realização de festivais, concertos, seminários, conferências, publicações e exposições de artistas indianos e portugueses, com intercâmbios entre os dois países”.

Um “papel determinante” nas relações Portugal-Índia

Paulo Gomes é o delegado da Fundação Oriente em Goa desde Junho de 2022. Ao Ponto Final, destaca o “papel determinante” da delegação nas relações entre os dois países.

O responsável começa por assinalar que a presença de três décadas da instituição em Goa surgiu “num período fundamental para voltar a estabelecer os laços entre Portugal e Índia”. Depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre a Índia e Portugal, em 1975, “praticamente nada existia, sob o ponto de vista cultural, nas relações entre Portugal e Goa e Portugal e a Índia”, e foi então que Carlos Monjardino, a sugestão de Mário Soares, decidiu implementar uma delegação da Fundação Oriente em Goa. Depois de as autoridades indianas terem percebido que a intenção não era política ou religiosa, mas sim cultural e educativa, o Governo Central indiano deu luz verde ao projecto.

Paulo Gomes destaca, em primeiro lugar, o papel da delegação no que toca ao ensino de língua portuguesa. A Fundação paga os honorários a cerca de 20 professores goeses que ministram português em 20 escolas secundárias, num universo de 1100 alunos. “Substituímos o Governo e pagamos os honorários desses professores, que é também uma forma de manter o português vivo em Goa”, diz o responsável. A par disso, são organizados cursos e workshops de português para professores.

No âmbito do ensino da língua portuguesa, há também um programa de bolsas de estudo em que é atribuído todos os anos três ou quatro bolsas para alunos do ensino superior e para investigadores que querem ir à Índia fazer os seus estudos, ou, ao contrário, investigadores e professores indianos que querem ir para Portugal.

Depois há também a área das artes performativas: “Nós temos uma galeria de arte com uma exposição permanente de um brilhante artista goês, António Xavier Trindade, que tem sido também um bom marco de ligação até para indianos que nos visitam de outros estados e que acham a colecção lindíssima”. Há ainda prémios para projectos de artes visuais e o já referido Festival de Música do Monte, por exemplo.

Uma outra área de actuação da delegação da Fundação Oriente em Goa tem a ver com a publicação e literatura. “Nós temos as nossas próprias publicações anuais sobre a Goa, sobre a Índia, um conjunto interminável de conferências, de workshops que também desenvolvemos aqui na Fundação, com escritores, autores portugueses, brasileiros, indianos”, assinala Paulo Gomes.

Outro aspecto “essencial” tem a ver com a recuperação do património, essencialmente património com ligações a Portugal, como igrejas e capelas, mas também algum património hindu. Por fim, destaque para a acção social da delegação em Goa. “Nós temos tido aqui um papel importante, quer a apoiar organizações governamentais, quer a apoiar idosos ou orfanatos”, diz o delegado.

Para Paulo Gomes, a maior conquista da delegação tem sido a preservação do ensino da língua portuguesa: “A grande conquista foi os jovens de hoje poderem estar em escolas a aprender português, tendo novamente contacto com a língua portuguesa”. Outra vitória, refere, tem a ver com “a abertura da Fundação para a diversidade”. “Ter aceitação e reconhecimento das entidades governamentais, da sociedade civil, dos empresários, é algo que nos deixa muito satisfeitos e creio que é a maior conquista”, frisa.

Reforçando que a relação da delegação com todos os sectores da sociedade de Goa “é fantástica”, Paulo Gomes sublinha: “A nós não nos interessa política, não nos envolvemos em religião, estamos aqui para não perder aquilo que foram os quase 450 anos de presença portuguesa aqui, a herança histórica, religiosa, cultural e patrimonial que existe entre os dois países”.

O delegado da Fundação adianta que, para o futuro, está prevista uma iniciativa nova que pretenderá dar novas oportunidades a raparigas abandonadas que estão em orfanatos na vertente da formação linguística ou das artes, por exemplo. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com


sábado, 1 de fevereiro de 2025

Goa - Está de volta o Monte Music Festival e melhor do que antes

Durante três dias em Goa e um dia em Nova Deli, músicos da Índia e de Portugal vão deslumbrar o Monte Music Festival em concertos que serão recordados tanto pela música como pelo cenário



“A ideia de mudanças no 23.º Monte Music Festival surgiu porque estamos a comemorar o 30.º aniversário da Fundação Oriente em Goa. Acreditamos que é importante ter uma edição especial do Monte Music Festival, para comemorar isso”, diz Paulo Gomes, diretor da fundação em Goa.

O festival de três dias abre com, diz Gomes, "dois dos instrumentos musicais mais emblemáticos da Índia e de Portugal – o sitar e a guitarra portuguesa – para prestar homenagem aos dois países".

O sitarista Asad Khan, músico premiado com o Grammy, e Ricardo J Martins, um dos mais brilhantes guitarristas portugueses, juntar-se-ão no palco para criar algo mágico, enquanto se apresentam tendo como pano de fundo o pôr do sol.

Ao cair da noite, o grupo local Ekchar subirá ao palco com uma homenagem a Goa, apresentando fado, música folclórica e contemporânea, proporcionando uma experiência indo-portuguesa única ao público.

“A história do Ekchar é muito interessante, pois, em 2023, eu estava a conversar com esses músicos e convidei-os a apresentarem-se como um grupo, eles concordaram e então tiveram de inventar um nome. Ekchar foi sugerido e ele ficou”, diz Gomes.

A primeira apresentação de sábado (1.º de fevereiro) será um recital de Odissi por um dos expoentes mais promissores da forma, Krishnendu Saha e seus discípulos da Escola Nrityormi de Odissi, intitulado 'Pravaha, Uma Bênção'.

Em seguida, acontecerá o World Violin Fusion, de Sharat and Friends, onde Sharat Chandra Srivastava será acompanhado pelo seu filho Raghav Chandra para um jugalbandi clássico hindustani, e depois por Mayank Bedekar na tabla, Amar Tirkey na guitarra, Jagtinder Singh Sidhy nos vocais e Sina Fakhroddin na percussão, de Nova Déli.

Falando sobre Saha, Paulo Gomes disse: “No ano passado, eles vieram, mas apenas como um casal e apresentaram-se com as suas filhas foi incrível. Acho que é importante para os alunos terem esse tipo de palco e gostaríamos de promover estas escolas.”

A fechar as cortinas em Goa estará uma das mais aclamadas fadistas da sua geração, Cuca Roseta, com o desempenho intitulado, ' Mandovi -Tejo', que faz alusão à importância dos dois rios para os respetivos locais. Ela trará o fado e os ritmos goeses para o palco.

“O título 'Mandovi -Tejo', dois rios de Portugal e Goa, é porque Cuca Roseta trará músicas de Lisboa, os seus originais, mas ela também canta em concani e acho que ela cantará aqui também, mas ela convidará músicos goeses para se juntarem a nós e trará um músico de Moçambique que tem laços goeses”, disse Gomes.

Falando sobre o concerto como um todo, ele disse: “Temos uma grande variedade aqui, com grupos de Goa, Rajastão, Deli e Portugal, e é muito equilibrado, com instrumentais, vocais e dança.”

“Por ocasião do 50.º aniversário do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia, nós, juntamente com o Conselho Indiano para as Relações Culturais e a Embaixada de Portugal, decidimos realizar este concerto em Deli para comemorar isso”, disse Gomes.

Iniciado em 2002 na restaurada Capela de Nossa Senhora do Monte, do século XVI, esta edição do Monte Music Festival é organizada pela Fundação Oriente e Taj Cidade de Goa, com o apoio da Goa Tourism Development Corporation, ICCR, The Souza Group, Embaixada de Portugal, INTACH, Goa, Healthway Hospitals, Furtados Music e o Departamento de Arqueologia do Governo de Goa. Alexandre Barbosa – Goa in “Gomantak Times”

Detalhes do evento

DIA 1, Sexta-feira, 31 de janeiro

17h45: 'Between Strings', de Asad & Ricardo J Martins, recital de Sitar e

Guitarra Portuguesa

19h00: Ekchar apresenta fado, mando, música goesa

DIA 2, sábado, 1 de fevereiro  

17h45: Krishnendu Saha e seus discípulos apresentam ‘Pravaha uma bênção’

19h00: ‘World Violin Fusion’ por Sharat Chandra Srivastava e amigos

Dia 3, domingo, 2 de fevereiro

17h45: 'Ecos do Deserto' de Manganiar

19h00: 'Mandovi-Tejo' de Cuca Roseta

LOCAL: Capela de Nossa Senhora de Monte, Velha Goa

A entrada é gratuita, não são necessários passes; haverá transporte disponível a partir do Gandhi Circle, Velha Goa


domingo, 29 de dezembro de 2024

Goa – Naturais aproximam-se cada vez mais da língua e cultura portuguesas

O investigador Óscar Noronha considerou que o interesse pela cultura portuguesa em Goa tem crescido nos últimos anos, uma tendência acompanhada por um aumento do número de alunos da língua de Camões



“Atualmente, pelo menos da parte do povo, há maior abertura à língua e cultura de matriz portuguesa. Ele tem melhor consciência de como é rica e única a cultura indo-portuguesa”, declarou o professor universitário goês à agência Lusa.

Por outro lado, quanto à aprendizagem da língua, “o número de alunos tem aumentado ao longo dos anos”, num contexto em que “tanto a Fundação Oriente como o instituto Camões têm exercido um papel relevante nesse sentido”.

Em 1961, a União Indiana anexou o então estado da Índia, colónia portuguesa que era constituída pelos territórios de Goa, Damão e Diu.

“Os meus pais, Fernando de Noronha e Judite da Veiga, apesar do novo condicionalismo político, continuaram, na medida do possível, com o modo de vida a que estavam habituados. Por isso é que viemos, muito naturalmente, a falar a língua portuguesa e a cultivar a literatura e a música portuguesas, sem embargo do nosso amor à língua concani”, declarou Óscar Noronha.

O seu pai inculcou na família “um amor ao idioma luso” e, a pedido dos filhos, “deixou registadas as suas memórias” em dois livros: “Momentos do meu passado” (2002) e “Goa tal como a conheci” (2018), este publicado postumamente.

“Escrevi a biografia do meu tio-avô, monsenhor Castilho de Noronha, que foi parlamentar [da antiga Assembleia Nacional do Estado Novo], além de ter sido professor do Seminário de Goa, diretor de um jornal e autor de duas obras sobre a filosofia indiana”, disse.

Como “muitos aspectos da cultura comunitária estão a desaparecer”, Óscar Noronha produz há alguns anos o ‘podcast’ “Renascença Goa” com o objetivo de “redescobrir a cultura indo-portuguesa”, além de ter traduzido e editado obras em inglês e português.

O Saint Xavier’s College, de Mapuçá, tem vindo a organizar, anualmente, o Dia da Língua e Cultura Portuguesa, com a participação de alunos de escolas de ensino secundário do estado de Goa.

Também, entretanto, passou a haver localmente “grande interesse” por fado e mandó, dois géneros musicais que o irmão de Óscar, o guitarrista Fernando Noronha, decidiu valorizar abrindo em Pangim a casa da especialidade “Madragoa”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Goa - Celebra Natal com missa em português

Duas missas, uma delas em português, assinalam na quarta-feira o Natal da comunidade católica de Goa, na Índia. À meia-noite é celebrada em concani a “missa do galo”, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Pangim, capital do estado de Goa, devendo a eucaristia das 10h30 ser rezada em português, como acontece todos os domingos nesse templo



“No que diz respeito às celebrações natalinas, perdura o mesmo espírito católico de antanho, embora, como em toda a parte, algo comercializado”, disse à agência Lusa Óscar Noronha, residente em Pangim, onde nasceu há 59 anos, quando a antiga colónia portuguesa já estava integrada na então União Indiana, desde 1961.

Para este goês, um divulgador da língua e da cultura portuguesas, “a ‘missa do galo’ é fator ‘sine qua non’” dos festejos natalícios.

“Existe só esta igreja em Goa onde se pode ouvir missa em português. Participo nela com a minha família e fazemos parte do coro, como vinham fazendo também os nossos pais”, afirmou.

A Igreja da Senhora da Conceição foi construída no século XVII, no lugar de uma ermida primitiva implantada, em 1541, na encosta poente do Monte Conceição, virada para a foz do rio Mandovi, no oceano Índico.

Nas casas de Óscar Noronha e demais católicos de Goa, “a nível doméstico, também não faltam o presépio, a estrela pendurada nos alpendres e a música natalina, bem como a consoada, que se refere aos típicos doces goeses, e as reuniões familiares”.

“A nossa gastronomia natalina é rica e maioritariamente goesa, constituída por pratos típicos, como o peixe com maionese ou o balchão, o sarapatel, a cabidela, a galinha cafreal, o ‘xacuti’ de galinha, a leitoa assada e o arroz refogado, entre outros”, descreveu o investigador e professor universitário de língua inglesa.

Como sobremesa associada ao Natal, destacou o doce de grão, o ‘neureô’, o dodol, a cocada, o ‘manddaré’, as teias de aranha, o ‘cormolam’ e a bebinca, “rainha dos doces” nos antigos territórios de Goa, Damão e Diu, administrados por Portugal como “estado da Índia”, até 1961.

“Julgo que, pelo menos hoje em dia, somente as famílias que, tradicionalmente, vieram apreciando a gastronomia portuguesa terão na sua ementa pratos como bacalhau, feijoada, vinhos do Porto e de mesa, ou doces como o ‘sans rival’ e o bolo-rei”, adiantou.

Óscar Noronha é irmão do multi-instrumentista Orlando Noronha, que toca guitarra portuguesa em espetáculos de fado e mandó, um género musical popular de Goa que pode ser cantado e dançado.

Este ano, o docente fez a primeira tradução de concani para português do hino “Sam Franciscu Xavier”, em honra do missionário jesuíta Francisco Xavier (1506-1552), que está sepultado na Basílica do Bom Jesus de Goa.

“É um hino tradicional de Goa. Dizem que data do século XIX, mas tenho um palpite que seja mesmo do século XVII”, admitiu.

A partir dos anos de 1880, porém, o compositor Raimundo Barreto (1837-1906) passou a ser considerado “o autor do mais comovente hino local, que ainda hoje fala ao coração do goês, tanto em Goa como na diáspora”.

“Em dezembro de 1961, houve romarias à velha cidade de Goa para pedir ao santo que salvasse Goa das mãos da União Indiana, mas não se realizou o pedido”, referiu Óscar de Noronha.

No dia 01 de dezembro, a versão do hino em concani teve estreia em Pangim, durante uma novena a São Francisco Xavier, com interpretação pelo coro da Igreja Matriz.

“A tradução será pelo menos um pequeno contributo à história da comunidade cristã de Goa”, disse.

Na década passada, fundou a editora Third Millennium, tendo publicado livros em português, inglês e concani.

Óscar Noronha divulga ainda a cultura indo-portuguesa através de um blogue pessoal e no Youtube, sendo também editor associado da Revista da Casa de Goa, que se publica em Lisboa. In “Bom dia Europa” Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Goa - O tempero dourado que você verá nos festivais, tradições e muito mais

De 'Nag Panchami' a 'Bonderam' e à culinária local, a curcuma é uma parte inseparável da vida goesa


As chuvas incessantes deste ano levaram a um dilúvio. Se os campos de arroz nos khazans ficaram submersos pelos quarenta dias e quarenta noites bíblicos, como nos tempos de Noé, os vegetais nas encostas foram castigados pela chuva e apodreceram devido ao excesso de humidade do solo.

A curcuma que brotou novamente dos rizomas dormentes, no solo ou de um novo plantio, sobreviveu.

Os agricultores estão a colher folhas de curcuma desde o início de agosto para vender no mercado. Elas estão disponíveis em maços de vinte, cinquenta ou cem folhas, dependendo da procura local.

Comidas festivas

Attol (feito de grão-de-bico) ou methiamchi pez (preparado com grãos de feno-grego)no primeiro dia de agosto foi seguido por Nag Panchami, celebrado com patoleo em 9 de agosto.

No mesmo dia, comemoramos com um 'Balchão de Sexta-feira' dedicado a Alexyz, o famoso cartunista (que, aliás, também costumava fazer uma divertida página central, intitulada 'Domingo Xacuti', no GT Weekender antigamente).

Neste sábado, 17 de agosto de 2024, celebraremos o 'Patoienchem Fest' em Malar, na ilha de Divar, antes do Pasoi ou caminhada ao redor da vila, ambos organizados pelo festakar de Goa, Marius Fernandes. Também haverá um desfile de bandeiras com carros alegóricos no Bonderam pelo Sao Mathias Sports Club.

Os doces para todos estes eventos levam folhas de açafrão, que conferem um sabor delicado ao preparo.


A curcuma é uma especiaria fácil de cultivar, conhecida botanicamente como Curcuma longa e localmente como haldi ou holod. Ela tem propriedades antimicrobianas e é usada na ayurveda, medicina herbal local.

Quando uma empresa dos EUA tentou recentemente patentear algumas aplicações da curcuma, a Índia contestou com sucesso as alegações e impediu o patenteamento do tempero tradicional e da planta medicinal ayurvédica da Índia.

Infelizmente, a Índia não contestou a desqualificação da estrela do wrestling, Vinesh Phogat, nas Olimpíadas de Paris tão veementemente. Imagine ouvir o apito soando por cem gramas, não milhas!

Aplicações medicinais e culturais

A curcuma é um antisséptico tradicional, item de cuidado da pele e bem-estar na Índia, incluindo Goa. O uso da curcuma é relatado para prevenir Alzheimer e doenças cardíacas.

Estudos recentes indicam que o uso de açafrão também pode reduzir a incidência de cancro.

Ela tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Dizem que a curcumina ajuda a superar sintomas de depressão, o que pode ser a razão pela qual um noivo recebe um copo de leite quente com açafrão na primeira noite após o casamento!


Começando com o Konsachem Fest em Raia, Salcete, em 5 de agosto, e continuando até Ganesh Chaturthi, a curcuma é parte de nossa cultura, religião e tradições. Até mesmo casamentos são precedidos por cerimónias como Haldi e Ros, ou unção da noiva com pasta de curcuma e leite de coco.

Nós, Goeses, usamos açafrão no nosso curry ou umonn, seja ele preparado com camarões, peixes ou vegetais. A curcuma também é um ingrediente importante da nossa Caldinha de camarão contendo dedo-de-maranhão, rabanete ou pepino maduro. Miguel Braganza – Goa in “Gomantak Times”

__________________

Miguel Braganza - Ex-presidente do Comitê de Agricultura do GCCI, CEO da Planter's Choice Pvt Ltd, Diretor Adicional da OFAI e Garden

 





domingo, 14 de julho de 2024

Goa - Communicare Trust distribui livros em português

Todos os anos, a Communicare Trust distribui livros em português a diferentes escolas de Goa. No passado sábado, dia 6 de julho de 2024, foram distribuídos 250 livros por cinco escolas diferentes.


A viagem começou no HSSE de Carmel, onde tivemos uma sessão de debate com os alunos sobre as várias atividades que os livros poderiam levar. Do Carmel visitámos o Pe. Escola Secundária do Agnelo, Navelim HSSE, Escola Secundária do Loyola – onde tivemos uma simpática recepção por parte do professor de Português, Constâncio Cecil de Melo – e por fim a Escola Secundária do Convento de Fátima.

Estamos confiantes que este ano trará belas criações inspiradas nestes livros.

Um muito obrigado à Fundação Oriente Índia e ao seu dinâmico diretor, Paulo Gomes, pelo apoio prestado a este projeto. In “Communicare Trust” - Goa




domingo, 5 de maio de 2024

Goa - A cor e a diversidade cultural no Dia Mundial da Língua Portuguesa

As celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa em Goa em 2024 vão centrar-se no tema da cor e da diversidade cultural, aspetos tão característicos do contexto multicultural e plurilinguístico de Goa. Alunos e professores do programa de Estudos Portugueses na Shenoi Goembab School of Languages and Literature da Universidade de Goa animarão a sessão de leitura que se realizará nas instalações do Camões - Centro de Língua Portuguesa (CLP) em Goa.


O dia 5 de maio coincide ainda com o encerramento da exposição Cor Gimache (Cores de verão), que exibe obras de oito artistas plásticos sediados em Goa, mostra organizada pelo CLP em Goa e o Quadro Art Gallery, sob a curadoria de Savia Viegas, conhecida artista e escritora goesa que participará também na sessão de leitura.

A fechar o serão, os participantes e o público em geral poderão desfrutar da Noite Lusófona, festa anual de fim de ano académico que conta com a participação do grupo goês “Ondas Lusófonas” composto pela cantora Nádia Rebelo e os músicos Franz Schubert Cotta e Siddarth Cota. Camões - Centro de Língua Portuguesa - Goa



























sexta-feira, 26 de abril de 2024

Macau - CURB lança obra de Sérgio Barreiros Proença sobre planeamento urbano de Macau, Índia e Timor

A Center for Architecture and Urbanism – Macau (CURB) vai lançar o livro “Macau India and Timor Urbanism – Continuity and Rupture on the Establishment of Urban Planning Between 1934 and 1974”, cujo autor é Sérgio Barreiros Proença. A apresentação da obra acontece a 3 de Maio, na Casa Garden


Este livro “oferece uma perspectiva única sobre o desenvolvimento do planeamento urbano de Macau, Goa e Timor, e torna acessível um rico arquivo de planos urbanos destes três territórios”, diz a CURB em comunicado. Este projecto de investigação tem também o apoio da Fundação Macau e do CIAUD – Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design.

Sérgio Barreiros Proença licenciou-se em 2001 em Arquitectura Planeamento Urbano e Territorial na Faculdade de Arquitectura – Universidade Técnica de Lisboa, é Mestre em Cultura Arquitetónica Moderna e Contemporânea desde 2007 e Doutor em Urbanismo desde 2014 com a tese “A Diversidade da Rua na cidade de Lisboa. Morfologia e Morfogénese”. Sérgio Barreiros Proença é também membro fundador do Forma Urbis Lab, um laboratório de investigação sobre o tema da Morfologia Urbana, e coordena actualmente o projecto de investigação em curso sobre “As Ruas Portuguesas da Orla Atlântica. Leitura interpretativa e desenho em contexto de alterações climáticas”.

O material utilizado na elaboração desta obra resulta da participação na equipa e do trabalho desenvolvido no âmbito do Projecto de Investigação em Urbanismo, Os Planos de Urbanização nas Antigas Províncias Ultramarinas, 1934-1974, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, e realizado na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa com a coordenação da professora doutora Maria Clara Mendes.

Além do autor da obra, o evento de lançamento do livro contará também com a presença do editor, Nuno Soares, director do Departamento de Arquitectura e Design da Faculdade de Artes e Humanidades da USJ e Presidente da CURB, e de Hendrik Tieben, Director da Escola de Arquitectura da Universidade Chinesa de Hong Kong. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 24 de abril de 2024

Macau - Encontro de delegações da Fundação Oriente para partilhar o “que se faz de melhor” na RAEM e em Goa

O 1.º Encontro de Delegações da Fundação Oriente (FO), que se realiza em Macau por ocasião do 25 de Abril, é uma “primeira aproximação” entre as representações e “uma rampa de lançamento” para maior intercâmbio


“Tivemos aqui uma ideia de aproximação, uma primeira aproximação, não só para trocar experiências entre nós, delegados (…) mas isto foi uma coisa que nasceu (…) do interesse que temos em aprender com aquilo que se faz de melhor em cada um desses sítios”, disse à Lusa a delegada da Fundação Oriente em Macau, Catarina Cottinelli.

A decorrer entre 24 e 29 de Abril, esta primeira edição junta apenas Macau e Goa, estando a delegação de Timor-Leste ausente devido a compromissos.

Nadia Rebelo, Franz Schubert Cotta e Omar de Loiola Pereira, três músicos de Goa, sobem ao palco, na Casa Garden, Macau (27 de Abril), e no Clube Lusitano, em Hong Kong (28 de Abril), para dois concertos que incluem temas de fado e de mandó, género musical goês.

Está prevista ainda uma conferência sobre o trabalho da Fundação Oriente na Índia, com incidência na recuperação de património cristão no estado indiano de Goa e no apoio e promoção do ensino de português. “A fundação aqui também tem o papel não só dessa manutenção do património, dessas ligações a Portugal, mas também tudo o que seja o incremento dos laços entre Portugal e Índia, mais concretamente em Goa. E, além dessa recuperação, também temos vindo pontualmente a suportar ou apoiar o governo de Goa na recuperação de algum património hindu”, disse à Lusa o delegado da FO Goa, Paulo Gomes.

O encontro na região chinesa, onde Catarina Cottinelli diz esperar elevar a cumplicidade entre as representações, é também uma oportunidade para dar a conhecer as comunidades com quem trabalham e até “a própria estratégia” para as respetivas regiões, “que é um pouco diferente” e adaptada “a cada contexto”. “A fundação [em Macau], hoje em dia, tem um papel mais na vertente cultural, do intercâmbio cultural, de promover as atividades que fazemos aqui, promover justamente uma relação maior com a cultura chinesa e portuguesa, e, neste caso, a cultura de Macau”, explicou.

Cottinelli já pensa em encontros futuros, na Índia e em Timor-Leste, e assegura que as ideias existem, nomeadamente a realização de residências artísticas. “Por que não trazermos artistas de Goa e vice-versa”, sugeriu, avançando ainda a possibilidade de levar artistas de Macau que queiram fazer investigação em Goa. Já Paulo Gomes admite que este primeiro evento pode ser uma “rampa de lançamento” para a realização de “duas ou três atividades anuais que envolvam as três delegações”.

A Fundação Oriente nasceu em 18 de março de 1988 como uma das contrapartidas impostas pela então administração portuguesa em Macau à concessão em regime de exclusividade da exploração do jogo no território. Desenvolve acções culturais, educativas, artísticas, científicas, sociais e filantrópicas, com vista à valorização e à continuidade das relações históricas e culturais entre Portugal e o Oriente. Após a abertura da delegação da FO em Macau, em 1988, seguiu-se Goa, em 1995, e Timor-Leste, em 2002. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 23 de abril de 2024

Ásia - Ensino de português na China pode ser exemplo para a Índia

O delegado da Fundação Oriente (FO) em Goa defende que a estratégia de ensino do português adoptada pela China, onde a aprendizagem da língua tem crescido nos últimos anos, pode servir de exemplo para a Índia


“Eu dou sempre esse exemplo da China (…), [onde] olham para o português como uma grande oportunidade, principalmente na área do negócio. Não só para Portugal, porque nós somos um território muito pequeno, mas para os PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa] essencialmente, pelas oportunidades de negócio que existem”, disse em declarações à Lusa Paulo Gomes, mencionando ainda "naturalmente o Brasil".

A China (excluindo Macau), onde o ensino universitário do português arrancou nos anos 1960, conta com pelo menos 30 licenciaturas em língua portuguesa e 50 instituições de educação superior com programas de ensino de português.

Já na Índia, cursos de língua portuguesa ao nível da educação superior são oferecidos apenas na Universidade de Goa, confirmou à Lusa o responsável pelo Camões – Centro de Língua Portuguesa em Goa, Delfim Correia da Silva.

"É preciso fazer muito mais", alertou Paulo Gomes, referindo que, sendo o português uma das línguas "mais faladas do mundo", quem a domina "tem uma vantagem competitiva".

"Porque os indianos têm uma particularidade, os goeses, em particular pela história, são poliglotas por natureza. A Índia tem 28 línguas oficiais, mais de 400 dialetos", reforçou.

Mas além do aspeto comercial, o responsável alertou para outras "áreas de oportunidade", nomeadamente ao nível da formação académica.

"Nas universidades, quer em Portugal, quer no Brasil, há uma grande procura, principalmente pelos jovens goeses. O domínio do português a este nível é, sem sombra de dúvida, uma excelente oportunidade", considerou.

Paulo Gomes referiu ainda que, em Goa, existe "documentação antiga em português que carece de traduções" e fluentes na língua podem contribuir neste trabalho.

A Fundação Oriente, em Goa há cerca de três décadas, tem também apoiado a promoção do português, mas ao nível do ensino secundário, sendo esta "uma das rubricas que consome maior investimento" da instituição.

É responsável pelo pagamento dos honorários de todos os professores goeses que ensinam português nas escolas secundárias públicas de Goa - um total de 22 docentes a trabalhar em cerca de 20 estabelecimentos e responsáveis por 1123 alunos.

Um aumento do número de estudantes em comparação com o ano passado (cerca de 800), lembrou Paulo Gomes, indicando que, depois de uma queda durante a pandemia da covid-19, registou-se uma subida, resultado de um trabalho de proximidade da FO com os professores e alunos e a realização de atividades que acabam por atrair interessados.

A Fundação Oriente nasceu em 18 de março de 1988 como uma das contrapartidas impostas pela então administração portuguesa em Macau à concessão em regime de exclusividade da exploração do jogo no território.

Desenvolve ações culturais, educativas, artísticas, científicas, sociais e filantrópicas, com vista à valorização e à continuidade das relações históricas e culturais entre Portugal e o Oriente.

Depois da abertura da delegação da FO em Macau, em 1988, seguiu-se Goa, em 1995, e Timor-Leste, em 2002. In “MadreMedia” – Portugal com “Lusa”

domingo, 21 de abril de 2024

Goa - O último livro de Alexandre Moniz Barbosa é uma história intrigante

O jornalista e autor, Alexandre Moniz Barbosa, compartilha percepções sobre o seu mais novo livro, “Colonial Sunset”, e o que moldou a história que ele procurava contar


Mesmo enquanto respiramos agora, em algum lugar, alguém está a inventar uma história que pretende nos levar a uma montanha-russa de emoções - fazendo os nossos olhos lacrimejarem ou soltando uma risada - impactando-nos de uma forma que nunca teríamos imaginado.

O objectivo final é sempre estimular os leitores com informações interessantes e tocar um ou dois corações, deixando os pensamentos preencherem o papel. Mas tudo começa com algo simples, como a intenção de contar uma história, e este autor tem algo a partilhar.

Tendo anteriormente escrito livros como Goa Rewound, Raw Earth, Kaddio Boddio, no seu novo livro, intitulado Colonial Sunset, o autor-jornalista Alexandre Moniz Barbosa tece uma história de amor entre uma mulher goesa e um soldado português.

Esta obra de ficção desenrola-se tendo como pano de fundo a libertação de Goa, no meio da agitação política e da incerteza, abordando temas como o amor, a liberdade e o preconceito. 

Publicado pela Editora Broadway, Pangim, o livro teve o lançamento no passado sia 19 de abril, na Fundação Oriente, Fontainhas, Pangim.

Em declarações à Gomantak Times Digital, Alexandre Moniz Barbosa partilha o que moldou a história que procurou contar.

Qual foi a ideia que deu origem a “Colonial Sunset”, o seu sexto livro, e por que escolheu este título?

AMB - A ideia surgiu de uma entrevista que fiz a um casal – um português e uma senhora goesa – em 2011, que tinham vindo a Goa para celebrar o seu jubileu de ouro. Foi interessante porque o homem era soldado do exército português na época da Libertação e a mulher era de Goa.

Eles casaram-se em 17 de dezembro de 1961, apenas dois dias antes da Libertação. Isso fez-me pensar: e se tivesse sido ao contrário? E assim surgiu a ideia do livro.

O título Colonial Sunset não significa apenas o fim do domínio colonial em Goa, mas há outra história no livro que acontece nos tempos atuais, e isso mostra como as perspectivas entre os goeses mudaram de 1961 até agora; portanto, é também um pôr-do-sol dos preconceitos das pessoas que existiam em 1961. Portanto, é um jogo de palavras 'colonial' e 'pôr-do-sol'.

Porque escolheu a Libertação de Goa como pano de fundo para a sua história?

AMB - Acredito que precisamos entender melhor esse período. A mera história e as suas interpretações não ajudam, é a literatura que facilita esse aprendizado e compreensão.

O meu livro é uma história de Libertação. Pode haver, e haverá, muito mais histórias esperando para serem contadas. Na verdade, tenho a ideia de outra obra ambientada no mesmo período, mas provavelmente não trataria dos acontecimentos de 19 de dezembro de 1961.

Quão difícil foi escrever este livro, que é uma obra de ficção?

AMB - Cada livro tem o seu próprio nível de dificuldade. Este livro exigiu uma pesquisa substancial da época, dos edifícios em Pangim (tal como acontece nesta cidade), da vida social da época e também de como as pessoas reagiriam às situações.

O que me ajudou foi que eu tenho livros sobre esse período em casa e, assim, não precisei ficar muito tempo na biblioteca. Além disso, eu poderia recorrer a lembranças de conversas que tive com pessoas que viveram naquele período, para compreender a vida daquela época.

Por se tratar de ficção, pude tomar algumas liberdades, mas não muitas, pois tive que manter a história o mais próximo possível dos acontecimentos reais.

Quanto tempo levou para escrever este livro? Como se manteve motivado para manter viva a sua centelha criativa?

AMB - Acho que concluí o primeiro rascunho em cerca de 75 dias. Começou então o processo de reescrita – adição e exclusão – que demorou muitos mais meses, e depois, a edição da obra.

Assim, o livro cresceu em extensão e foi enriquecido em conteúdo até atingir a sua forma final. Como estou afastado do jornalismo em tempo integral, consegui terminar o primeiro rascunho em 75 dias, caso contrário teria demorado muito mais.

O que me mantém motivado é que, à medida que escrevo, os personagens começam a ganhar vida e depois começam a falar comigo. Assim, deitado na cama à noite e tentando dormir, um personagem pode dizer que precisa de situações mais desafiadoras, ou pode dizer que o que escrevi não é como ele reagiria a uma situação específica. Eles ganham vida e isso mantém-me a escrever, pois tenho de fazer justiça ao personagem.

Dado que este é o seu sexto livro, já enfrentou algum bloqueio de escritor? Como supera isso?

AMB - Escrevo quando tenho uma história para contar. Não é como se eu tivesse de escrever algo novo quando termino um livro ou conto. Nesse sentido, não enfrentei bloqueio de escritor.

Mas existem tantos temas dentro de Goa sobre os quais se pode escrever. É uma questão de desenvolver a ideia de uma única frase em milhares de frases.

Então, se tem essa ideia e é apaixonado por expandi-la como uma história – conto ou romance – então precisa disciplinar-se para sentar e escrever, e depois reescrever.

Acha que escrever é uma carreira gratificante, visto que nem todos os escritores ganham dinheiro?

AMB - É gratificante e é uma paixão; não é uma carreira.

Algum escritor o inspirou ou há algum escritor específico que admira?

AMB - Fui estimulado por vários escritores. Ruskin Bond é um deles, PG Wodehouse é outro que cresci lendo e ainda adoro reler os seus livros.

Além disso, na minha juventude, eram os escritores de suspense que eu escolhia para ler. Isso mudou mais tarde, e comecei a ler outros autores, incluindo escritores premiados.

Agora, porém, estou a ler muitos autores indianos e de géneros variados. Por exemplo, neste momento, como é época de eleições, tenho escolhido deliberadamente ficção sobre a política e as eleições indianas, e estou a considerá-la muito interessante, pois consigo relacionar o que estou a ler com a vida real.

Mas, em momentos diferentes, houve diferentes géneros e escritores que me interessaram. Por exemplo, quando escrevi Touched by the Toe, era Loyd Douglas e o seu livro The Robe que estava a tocar na minha mente. Abigail Crasto – Goa in “Gomantak Times”