Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

São Tomé e Príncipe - Jovem escritor e jornalista lança livro que defende que a transformação de uma nação começa no carácter dos seus cidadãos

O jovem jornalista, escritor, poeta e palestrante em início de carreira são-tomense Kemilson D’Almeida acaba de lançar a sua primeira obra em formato físico, A Nação Começa no Coração – Reconstruindo o que o ódio, a divisão e a falta de carácter destruíram, já disponível para aquisição através da Amazon.


Escrito antes e durante o período da campanha eleitoral em São Tomé e Príncipe, o livro nasceu da observação de comportamentos marcados pela polarização, pela difamação, pelo discurso de ódio e pela crescente degradação do diálogo público. A partir dessa realidade, o autor propõe uma reflexão sobre a necessidade de reconstruir o carácter humano como condição essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade.

Apesar de inspirada pelo contexto são-tomense, a obra não é de natureza político-partidária. O livro dirige-se a leitores de diferentes sensibilidades e convicções, defendendo que nenhuma nação será verdadeiramente transformada apenas por mudanças de governos, leis ou instituições, sem que primeiro haja uma transformação no coração e no carácter de cada cidadão.

Ao longo de oito capítulos, A Nação Começa no Coração aborda temas como cidadania, responsabilidade, liderança, o poder das palavras, integridade, fé e transformação humana, convidando o leitor a refletir sobre o seu papel na construção de uma sociedade mais justa, ética e desenvolvida.

“Este não é um livro sobre política partidária. É um convite para olharmos para nós próprios e compreendermos que a mudança que desejamos para a nação começa dentro de cada um de nós.” — Kemilson D’Almeida

Atualmente residente em Portugal, Kemilson D’Almeida é jornalista da RSTP – Rádio Somos Todos Primos, Diretor de Comunicação da Associação dos Jovens Escritores Santomenses (AJES) desde a sua fundação, em 2021, escritor, poeta e palestrante em início de carreira. Ao longo da sua atividade jornalística, tem procurado valorizar o desporto, a cultura e as pessoas que, através do seu trabalho e dedicação, contribuem para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.

Em 2026, criou o Projeto DESPERTAR, uma iniciativa dedicada ao desenvolvimento humano e espiritual, com o propósito de inspirar pessoas a viverem com propósito, fortalecerem o carácter e cultivarem valores capazes de transformar vidas e comunidades. Através deste projeto, pretende promover palestras, conferências, encontros com jovens e outras iniciativas de formação e reflexão, incentivando o desenvolvimento pessoal, a liderança e o compromisso com uma sociedade mais íntegra e responsável.

O lançamento desta obra representa um novo passo no percurso literário do autor, que pretende fazer chegar A Nação Começa no Coração a escolas, bibliotecas, universidades, instituições públicas e privadas, organizações da sociedade civil e responsáveis políticos, promovendo o livro como um instrumento de reflexão sobre cidadania, carácter e responsabilidade.

A ambição de Kemilson D’Almeida é que a mensagem da obra ultrapasse as fronteiras de São Tomé e Príncipe e alcance leitores em toda a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), contribuindo para o fortalecimento de uma cultura de diálogo, integridade, respeito e compromisso com o bem comum.

Breve resumo da obra

A Nação Começa no Coração – Reconstruindo o que o ódio, a divisão e a falta de carácter destruíram é uma obra de reflexão que convida o leitor a olhar para além dos problemas visíveis da sociedade e a questionar a verdadeira origem da crise que afeta a nação.

Ao longo de oito capítulos, Kemilson D’Almeida defende que a transformação de um país não depende apenas de novas leis, novos governos ou melhores políticas públicas. Antes de qualquer mudança coletiva, é necessária uma mudança individual. Uma nação só pode ser reconstruída quando os seus cidadãos cultivam valores como o carácter, a honestidade, o respeito, a responsabilidade, a verdade e o amor ao próximo.

Inspirado pelas tensões observadas durante um período eleitoral em São Tomé e Príncipe, o autor analisa temas como a polarização política, a degradação do carácter, o poder das palavras, a responsabilidade individual e a importância da transformação interior. Sem favorecer qualquer partido ou ideologia, a obra apresenta uma mensagem dirigida a todos os cidadãos, independentemente das suas convicções políticas, sociais ou religiosas.

Mais do que identificar problemas, o livro propõe um caminho para a reconstrução da confiança, da convivência e da esperança, mostrando que o futuro de uma nação começa nas escolhas diárias de cada pessoa.

A Nação Começa no Coração é um convite à reflexão e à ação, lembrando que nenhuma sociedade se torna melhor sem que primeiro o ser humano decida tornar-se melhor. O destino de uma nação começa a ser escrito no coração de cada cidadão.

Sobre o autor:

Kemilson D’Almeida é jornalista da RSTP – Rádio Somos Todos Primos, escritor, poeta e palestrante em início de carreira. Atualmente reside em Portugal e exerce, desde 2021, as funções de Diretor de Comunicação da Associação dos Jovens Escritores Santomenses (AJES).

Colaborou também com a Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe como jornalista, locutor e comentador desportivo.

Em 2026, criou o Projeto DESPERTAR, uma iniciativa dedicada ao desenvolvimento humano e espiritual, através da promoção de palestras, conferências, encontros com jovens e outras ações de formação e reflexão. Acredita que a verdadeira transformação de uma sociedade começa no carácter de cada pessoa. In “Téla Nón” – São Tomé e Príncipe

Ficha Técnica

Título: A Nação Começa no Coração – Reconstruindo o que o ódio, a divisão e a falta de caráter destruíram

Autor: Kemilson D’Almeida

Categoria: Ensaio | Sociedade e Cidadania

Formato: Livro impresso

Disponível em: Amazon

Contactos para entrevistas e informações

Kemilson D’Almeida

📧 kemilsonsweeper@gmail.com

📞 +351 963 488 727


quinta-feira, 16 de julho de 2026

Angola - Leitores de diferentes gerações reflectem em torno da obra literária de Manuel Rui

A Biblioteca Contr’Ignorância, no município do Rangel, em Luanda, realiza neste Sábado, 18, mais uma edição do Clube de Leitura Handyman, desta vez para reflectir em torno da obra “Quem Me Dera Ser Onda”, do escritor angolano Manuel Rui, publicado pela primeira vez em 1982


A iniciativa vai reunir crianças, adolescentes, jovens e adultos a fim de descobrir novos mundos e conversar sobre a referida obra, com o objectivo de incentivar o diálogo, a reflexão e a descoberta de novos conhecimentos através dos livros, bem como valorizar a literatura angolana e a produção literária do país.

Segundo o coordenador de Projectos da biblioteca, Dilson Maria, uma das maiores virtudes desta sessão reside na diversidade de interpretações que cada participante construirá a partir da mesma obra. Na sua perspectiva, embora todos leiam o mesmo livro, cada leitor desenvolve uma leitura própria, influenciada pelas suas vivências, pela realidade social e pela sua sensibilidade.

“O clube não pretende convencer ninguém de que uma determinada obra é boa ou má. Pelo contrário, acreditamos que são precisamente os livros que suscitam dúvidas, desconforto ou opiniões divergentes que proporcionam conversas mais profundas e enriquecedoras”, afirmou.

O responsável esclareceu ainda que o encontro está aberto para quem já leu a obra e para aqueles que desejam apenas conhecer o funcionamento do clube de leitura.

Questionado sobre a escolha de “Quem Me Dera Ser Onda” para esta edição, explicou que a equipa acompanha regularmente os títulos mais procurados pelos utilizadores da biblioteca, procurando seleccionar obras capazes de despertar o interesse de crianças, adolescentes e adultos e estimular um debate participativo. Musseque Segunda – Angola in “O País”


terça-feira, 21 de abril de 2026

Angola - Conferência Nacional sobre Literatura reflecte sobre a produção literária angolana, na província do Uíge

A província do Uíge acolhe, entre os dias 1 e 2 do próximo mês, a 1.ª edição da Conferência Nacional sobre Literatura Angolana, uma iniciativa que pretende reunir escritores, investigadores, críticos literários, editores e académicos de diferentes gerações para analisarem os caminhos da literatura produzida no país


O encontro, que tem como lema “Literatura nacional versus literatura regional”, vai reflectir ainda sobre temas voltados para a valorização das línguas nacionais, o papel da literatura na construção da identidade cultural, os desafios enfrentados por escritores contemporâneos, bem como a legitimação da literatura regional, com maior ênfase para a literatura feita no Uíge. “O encontro nasce da necessidade de se criar um espaço sério de reflexão em torno da literatura angolana, num momento em que surgem novas abordagens sobre a produção literária fora dos grandes centros tradicionais”, afirmou Vrackichakiri Abelardo, escritor e organizador da iniciativa.

De acordo com o responsável, a organização entendeu trazer para o centro da discussão os temas em abordagem, por considerar que o país vive um momento em que se torna necessário repensar os conceitos literários e compreender até que ponto determinadas províncias têm vindo a desenvolver linguagens próprias dentro do universo da criação escrita. Além da questão da regionalização da literatura, a conferência vai ainda centrar-se na situação actual da crítica literária em Angola.

Para Vrackichakiri, uma das maiores preocupações da organização está relacionada com o enfraquecimento do exercício crítico no país, situação que, no seu ponto de vista, tem impedido uma avaliação mais profunda da qualidade das obras que têm sido publicadas nos últimos anos. In “O País” - Angola


terça-feira, 3 de março de 2026

Moçambique - Georgina Florindo lança “Ecos de um Grito Calado” e dá voz às mulheres que sofrem em silêncio

A cidade de Vilankulo foi palco, no último sábado (28.02), do lançamento da obra Ecos de um Grito Calado, da escritora moçambicana Georgina Florindo, publicada pela editora Gimacu. O evento reuniu amantes da literatura, académicos e membros da sociedade civil, num momento marcado por emoção e reflexão em torno de uma das problemáticas mais sensíveis da sociedade moçambicana: a infertilidade feminina e o peso social que a acompanha.


Licenciada em Letras e Ciências Sociais, a autora explicou que o livro nasceu de conversas profundas com mulheres que não podem conceber e que, por essa razão, enfrentam opressão nos seus lares, famílias e comunidades. “É um apelo à empatia por estas senhoras, que sofrem em silêncio”, afirmou Georgina Florindo, sublinhando que a obra pretende provocar uma mudança de mentalidade e maior sensibilidade social.

A apresentação esteve a cargo de Sodito Mananze, que destacou a qualidade narrativa da autora e a atualidade do tema abordado. Segundo o apresentador, a história acompanha a vida de uma mulher marcada por estigmas e humilhações por não conseguir ter filhos.

Mananze sublinhou ainda que a personagem vive sob o “peso de um silêncio ensurdecedor”, enfrentando rejeição, desprezo e pressão cultural no próprio lar. A narrativa, segundo frisou, retrata de forma crua a realidade de muitas mulheres moçambicanas, transformando a literatura num espaço de denúncia e reflexão social. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sábado, 10 de janeiro de 2026

Guiné-Bissau - Cantor Charbel lança “grito de socorro” e apelo à paz

O cantor guineense Charbel Pinto afirmou esperar que a Guiné-Bissau ultrapasse as “brigas entre irmãos”, ao lançar uma música que descreve como “grito de socorro” e apelo à paz


A música Dur (dor, em português) foi escrita em crioulo guineense, no dia do último golpe de Estado no país e surge como uma intervenção social: “Relata que estamos cansados de cair e levantar, de ver os irmãos a brigarem. Está na hora de nos abraçarmos e seguirmos em frente”, disse o músico, em entrevista à Lusa, a partir de Bissau para a cidade da Praia.

“Eu canto muito em crioulo de Cabo Verde porque amo a língua e acredito que a música não tem fronteiras. Sinto que guineenses e cabo-verdianos são irmãos de luta e de sangue, graças ao nosso grande líder e pai, Amílcar Cabral”, referiu.

Mas o contexto político levou Charbel a abrir uma exceção no seu percurso artístico, cantando em crioulo da Guiné-Bissau e desviando-se da habitual temática romântica e festiva, dizendo que não pode “ver o país a sofrer” e ficar calado.

Dur tinha de sair para acalmar as pessoas e tocar os seus corações”, explicou.

Segundo o cantor, a música não faz referências a partidos nem a figuras políticas, mas denuncia a realidade do país e defende a democracia.

“É uma reflexão e apelo à paz. Não quero que ninguém a interprete como perseguição. Luto por um país democrático. Não podemos viver numa ditadura onde não se pode falar quando as coisas estão mal”, afirmou.

O videoclipe divulgado na Internet aborda ainda desigualdades sociais e violência, com destaque para as más condições das infraestruturas públicas.

“Mostrei escolas degradadas. Ter boas escolas e hospitais não é um favor, é uma obrigação”, disse, acrescentando que “as mães perdem os seus filhos nos hospitais com uma facilidade que não se vê noutros países”.

Além da mensagem no seu novo tema, na entrevista à Lusa, o músico alertou para o desgaste da população e para a instabilidade económica, apontando o aumento dos preços dos bens essenciais.

“Sem estabilidade, a única grande fonte de riqueza do país, a castanha de caju, não atrai investimento estrangeiro”, referiu.

Charbel apontou também para o risco de instabilidade social caso a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) não responda de forma alinhada com a vontade da população.

“O povo espera uma resposta final da CEDEAO. Se não for a favor, pode haver revolta. Isso seria um desastre para o país”, afirmou, defendendo o respeito pelos resultados eleitorais.

“Se existe um resultado verdadeiro, não importa quem venceu. Que o vencedor assuma o poder e que seja o povo a julgar, não os militares”, disse.

Desde o lançamento da música, a 19 de dezembro, afirmou ter recebido mensagens de apoio, mas também críticas e ameaças.

“Recebi muitas mensagens positivas e algumas negativas, de perseguição, com ameaças de violência”, disse.

“Deixo uma mensagem para que este seja um ano de paz e de calma. Os guineenses já sofrem muito”, acrescentou.

A 26 de novembro, um dia antes do anúncio dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, os militares depuseram o Presidente Umaro Sissoco Embaló, no poder na Guiné-Bissau, desde 2020, e suspenderam o processo eleitoral.

O candidato da oposição Fernando Dias da Costa, que reclama a vitória, refugiou-se na Embaixada da Nigéria, em Bissau, apontando o golpe como uma orquestração de Embaló para evitar a divulgação dos resultados eleitorais.

O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, está detido e mantido incontactável desde o dia do golpe, sem que haja culpa formada. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde com “Inforpress” e “Lusa”



quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Moçambique - Poeta Tchaka Waka Bantu denuncia ameaças após lançar “Xawani, Carta para Eduardo Mondlane”

O poeta e declamador moçambicano Tchaka Waka Bantu lançou, recentemente, “Xawani, Carta para Eduardo Mondlane”, uma poderosa reflexão sobre os desafios que Moçambique enfrenta desde a independência.


 

Em pouco tempo, a obra, apresentada em forma de declamação e acompanhada de um vídeo, viralizou nas redes sociais, alcançando mais de 30 mil visualizações apenas na página do Facebook da Moz Entretenimento.

Na “carta“, Tchaka Waka Bantu aborda a crise social e política que o país atravessa, incluindo os assassinatos de figuras como Elvino Dias e Paulo Guambe. O poeta utiliza a narrativa para questionar o rumo da nação, sugerindo que Eduardo Mondlane, primeiro presidente do partido Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), não reconheceria o país se o visse hoje.

Entretanto, o impacto da obra gerou repercussões negativas para o autor. Em nota enviada à Moz Entretenimento, Tchaka Waka Bantu revelou estar sob ameaças e intimidações. Segundo ele, as retaliações não se limitam a “Xawani, Carta para Eduardo Mondlane”, mas também a outro vídeo, intitulado “Ndzidlayani”, onde denuncia acções violentas da polícia contra manifestantes nos últimos meses.

“Estou sob ameaças e intimidações após ter publicado um vídeo profissional, ‘Xawani, Carta para Eduardo Mondlane’. Isso também se deve a um outro vídeo amador, ‘Ndzidlayani’, que denuncia atitudes desumanas perpetuadas pela polícia”, afirmou o poeta.

Apesar das intimidações, Tchaka reafirmou o seu compromisso com a luta pela justiça através da sua arte. “Caso algo me aconteça, saibam que o empenho na luta árdua pela vitória do homem, por meio desta arma nobre chamada cultura, terá acabado pelas balas. Contudo, o desejo de continuar lutando não deixa nunca acabar em vocês. Estamos em tempos maus!”, declarou.

A obra de Tchaka Waka Bantu reacendeu debates importantes na sociedade moçambicana, ao mesmo tempo que expõe os riscos enfrentados por artistas e activistas que utilizam as suas vozes para denunciar injustiças. Ernesto Mabjaia – Moçambique in “Moz Entretenimento”


quinta-feira, 25 de abril de 2024

Nações Unidas - Debate de lusófonos realça desafios pós 25 de abril

O Secretário-geral António Guterres defende que do ponto de vista histórico, a revolta “deveria ter ocorrido décadas mais cedo”. Os embaixadores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste realçam impacto da revolução no nascimento de novas nações



Para marcar os 50 anos da “Revolução dos Cravos”, a ONU News realizou um debate de alto nível com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e os representantes permanentes nas Nações Unidas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste.

A discussão trouxe reflexões sobre a importância daquele momento histórico, quando antigas colônias portuguesas se mobilizavam pela liberdade e o país europeu transitava do autoritarismo para a democracia.

Estar do lado certo da história

Tendo vivenciado os eventos da conhecida como a “Revolução dos Cravos” em Portugal, Guterres declarou que “estar do lado da liberdade contra a opressão” é estar do lado certo da história.

“É claro que estamos do lado certo da história libertando um país da ditadura e estamos do lado certo da história reestabelecendo justiça nas relações internacionais, depois de um passado colonial que é inaceitável”.

Para o líder da ONU, “a verdade é que não teria havido o 25 de Abril sem o que foi a luta dos movimentos de libertação africanos”. Segundo ele, “as duas coisas estão interligadas e é por isso que não há uma relação de causa e efeito”.

Nesse sentido, o chefe das Nações Unidas afirmou que se alguma coisa pode ser criticada no 25 de abril, é que, “do ponto de vista histórico, deveria ter ocorrido décadas mais cedo”.

Interlocutores legítimos

Em resposta à primeira pergunta do debate, o representante de Angola, Francisco José da Cruz, afirmou que a “Revolução dos Cravos” teve uma grande importância para os angolanos por ter criado a dinâmica que levou à independência do país.

“Ficou mais claro o desejo de Portugal de avançar neste processo quando o secretário-geral das Nações Unidas, Kurt Waldheim, visitou Portugal em agosto e Portugal deixou claro que este seria o caminho a seguir e que os movimentos de libertação seriam os interlocutores legítimos neste processo que levaria à independência”.

Respondendo à mesma pergunta, o embaixador brasileiro, Sérgio Danese, disse que o 25 de abril teve dois impactos principais no Brasil, que à época vivia um regime militar. O primeiro foi o de mostrar que “havia uma esperança” para um caminho de redemocratização. O segundo foi na diplomacia.

“Nós tínhamos uma contradição muito forte na nossa política externa. Nós reconhecíamos a independência de todas as ex-colônias francesas, britânicas, holandesas, mas nos mantínhamos presos ao colonialismo português e o 25 de Abril e as suas imediatas consequências nos libertaram prontamente desse jugo. E nós fomos o primeiro país a reconhecer Angola. E depois fomos dos primeiros a reconhecer cada uma das ex-colônias portuguesa.

Cooperação bilateral

Respondendo sobre o que ajudou a moldar novas relações entre as nações do bloco lusófono, a embaixadora de Cabo Verde, Tânia Romualdo, destacou a relação entre os povos como a base para o vínculo entre os Estados que surgiram naquele momento.

“Essa revolução permitiu não começar, mas continuar essa profunda amizade que unia os povos. Portugal às ex-colônias, o Brasil, enfim. Havia ali uma união, uma amizade muito forte que antecedeu a própria revolução, que contribuiu para a revolução e que ajudou para que o processo da descolonização, após o 25 de Abril, acelerasse a cooperação bilateral”.

No debate sobre a Revolução dos Cravos, veio à tona a questão da convergência dos países de língua portuguesa, não obstante a diversidade durante a construção democrática e de novas nações.

Bloco lusófono

O embaixador Pedro Comissário, de Moçambique, destacou como o bloco lusófono se distingue por vínculos de proximidade e solidariedade junto das Nações Unidas. O país é o único do bloco lusófono atualmente representado como membro não permanente do Conselho de Segurança.

“A CPLP é um modelo totalmente diferente do modelo da Commonwealth ou da Francofonia. É um modelo de Estados soberanos, mas ligados por um vínculo de profunda fraternidade. O 25 de abril deu-nos essa base, esse impulso para que hoje tenhamos este afeto que une os nossos países.”

Nessa questão, a embaixadora de Portugal, Ana Paula Zacarias, mencionou os esforços em curso na frente diplomática para se fazer ouvir a voz comum, em português, nas Nações Unidas. Ela enfatizou que algumas posições comuns já se escutam na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança.

“E fazê-la ouvir significa trabalhar em conjunto. Trabalhar em conjunto nas áreas que já foram identificadas. Sobretudo, temos muito a fazer na coordenação política, na coordenação das questões de segurança e defesa, que são neste momento um aspecto fundamental. E tudo o que tem a ver com a luta contra as alterações climáticas.”

Cenário político e de desenvolvimento

O representante de Timor-Leste, Dionisio Babo Soares, falou de um reforço em nível interno e externo para impulsionar a futura atuação em bloco num mundo marcado por complexidades no cenário político e de desenvolvimento.

“Para Timor-Leste, a CPLP é um ponto de entrada ao mundo.  Os países-membros são os que estão localizados em diferentes partes do mundo. O esforço para a reintrodução da Língua Portuguesa em Timor-Leste está sendo mais intensivo. Trabalhamos juntamente com Portugal nesse sentido e estamos empenhados a avançar com esse programa que é ter o português como língua oficial das Nações Unidas, mas para além disso há também trabalharmos em várias áreas.”

Olhando para o futuro, Guterres classifica as relações de cooperação que hoje existe entre os países lusófonos como um “símbolo de paz” que deve inspirar o mundo.

“Uma mensagem de grande esperança de que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que está em todos os continentes e onde há hoje um profundo sentido de fraternidade que infelizmente falta no mundo, onde vemos divisões profundas, guerras e conflitos por toda a parte. Que esta comunidade, que é um símbolo de paz, possa ter um papel decisivo em restabelecer a confiança que está perdida, infelizmente, no nosso mundo e em restabelecer as condições que nos possam permitir não apenas mais paz, mas ao mesmo tempo um desenvolvimento mais justo”.

A íntegra do debate inclui intervenções completas do secretário-geral da ONU, António Guterres, e dos embaixadores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 19 de setembro de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra promove reflexão sobre moldes e tecnologias aditivas na Marinha Grande

Por iniciativa do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai decorrer, já esta sexta-feira, 22 de setembro, pelas 14h30, o evento “Reflexão sobre moldes e tecnologias aditivas: desafios e limites”, no Centro Empresarial da Marinha Grande.


Este evento que conta com a colaboração das empresas GLN, ITJ e Ramada Aços, bem como dos centros para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto (CDRsp) e Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE), serão discutidos temas como “Tecnologias aditivas na indústria dos moldes hoje”, “Materiais”, “Geometrias impossíveis”, “Defeitos”, “Equipamento” e “Custos”. No final, haverá espaço para um debate.

Esta reflexão resulta de duas motivações cruciais associadas à importância que as tecnologias aditivas têm vindo a assumir na indústria metalomecânica, em particular no fabrico de moldes para plásticos. O material e a geometria deixaram de ter os limites impostos pelo mercado e pelos processos de fabrico convencionais. Contudo, há ainda delimitações que impedem uma indústria tão versátil como a dos moldes de usar os processos aditivos no seu dia-a-dia.

Nesse sentido, a reflexão e o debate sobre os processos aditivos e a indústria dos moldes é essencial para se atingir a qualidade exigida para os produtos plásticos resultantes da injeção e manter o prestígio do setor que é estratégico para o desenvolvimento da economia portuguesa, reforçando o seu carácter exportador. Universidade de Coimbra - Portugal




quinta-feira, 4 de maio de 2023

Moçambique - Daniel da Costa e Nayara Homem reflectem sobre as variantes do português na Beira


A 5 de Maio de cada ano, celebra-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Para assinalar a data, a Associação Kulemba vai realizar, próxima sexta-feira, 5 de Maio, às 18 horas, na Livraria Fundza, Cidade da Beira, uma conversa subordinada ao tema “Diálogo entre as variantes do Português de Moçambique, Brasil e Portugal”.

De acordo com a nota de imprensa da Associação Kulemba, na sessão aberta gratuitamente ao público, o escritor e jornalista freelancer Daniel da Costa (Moçambique) e a actriz e escritora Nayara Homem (Brasil) vão recorrer a experiências vivenciadas nos seus locais de trabalho e nas suas viagens para juntos reflectirem sobre as variantes do português falado em Moçambique, Brasil e Portugal, ressaltando as semelhanças e diferenças dessas mesmas variantes.

Na Livraria Fundza, localizada na baixa da Cidade da Beira, o evento deverá durar cerca de 90 minutos e a moderação será feita pelo docente universitário Jane Mutsuque.

Daniel da Costa nasceu em Tete, em 1964, e ingressou no jornalismo em 1987. Trabalhou na então Televisão Experimental de Moçambique como repórter, e na Rádio Moçambique como produtor de programas. Exerceu a crítica de teatro e literatura. Tem colaboração dispersa pelos principais semanários de Moçambique. Foi coordenador da Gazeta de Artes e Letras, suplemento literário da prestigiada revista Tempo. Foi membro de vários júris, incluindo o dos Prémios Gazeta, da revista Tempo, e o Prémio Nacional de Literatura, instituído pela Associação dos Escritores Moçambicanos. É autor dos seguintes títulos de ficção narrativa, editados pela Ndjira: Xingondo (2003), A ciência de Deus e o sexo das borboletas (2007) e A flauta do Oriente (2008).

Nayara Homem é especialista em comunicação, arte e cultura, e nos quase 20 anos de percurso pelo mundo das artes desempenha papéis como produtora cultural, investigadora, escritora, maquiadora, actriz, palhaça, performer e apresentadora. Transita entre circo, teatro, tv, cinema, literatura e fotografia. Os seus caminhos artísticos e as pesquisas incluem passagem por vários países (Espanha, França, Suíça, Peru, México, Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Argentina, Moçambique – chegou em Maio de 2021).

É autora dos livros As tintas do riso (2018), fruto de pesquisa independente, com abordagem filosófica, de tema inédito, cujo foco é a relação entre maquiagem e a arte da palhaçaria, e Cinemaquia (2022), que traz ferramentas e reflexões para maquiadores de cinema e interessados no tema. Em 2020, inicia a sua pesquisa de doutoramento em Estudos Africanos (ISCTE-IUL- Lisboa) para se debruçar sobre a produção de humor e riso em culturas africanas e, a partir de 2021, inicia o seu mergulho na cultura nyau, pesquisando a dança-religião Gule Wamkulu, Património Imaterial da Humanidade. In “O País” - Moçambique


 

segunda-feira, 11 de maio de 2020

UCCLA - Lança reflexão sobre a Cultura em tempos de Pandemia

Numa altura em que todos estamos vulneráveis e com esperança de novos e bons dias, a UCCLA lança o desafio aos escritores de Língua Oficial Portuguesa para refletirem sobre a “Cultura em tempos de Pandemia”.

Leia os textos e conheça os autores - oriundos do Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe - que já aderiram a esta iniciativa da UCCLA aqui.



O surto epidémico do covid-19 atinge, de forma inesperada e dramática, toda a Humanidade, envolvendo a adoção de planos de contingência, também adotados por Países de Língua Oficial Portuguesa, que determinam constrangimentos de mobilidade exterior e distanciamento social no interior dos respetivos países. Tem-se revelado como uma crise de saúde pública com graves consequências sociais e económicas.

A UCCLA não podia deixar de fazer um apelo à reflexão sobre o papel da cultura no combate a esta Pandemia. Parecendo evidente que perante este flagelo, os povos e os países se verão confrontados com novos desafios sociais e políticos, sobre os quais importa refletir e encontrar novas respostas.

Neste novo contexto o papel da Cultura, e em especial dos escritores, é determinante. Assim lançamos o desafio aos escritores de Língua Oficial Portuguesa, que desejem contribuir para essa reflexão, para elaborarem textos, quer em poesia quer em prosa, tendo como limite cerca de 5.000 caracteres. Estes deverão ser enviados por email (cultura@uccla.pt e ruilourido@uccla.pt), durante os próximos dois meses, com termo no dia 25 de maio de 2020.

A UCCLA responsabiliza-se por divulgar os textos, com identificação da autoria e uma breve nota biográfica, nas suas plataformas digitais e em livro (a ser publicado após o tratamento editorial). Vitor Ramalho

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Polícia na Comunidade Lusófona

Comandantes de polícia dos países de língua portuguesa reunidos em São Tomé.

Chefes da Polícia da CPLP, estão a debater em São Tomé e Príncipe, o papel da Polícia no desenvolvimento sustentável do Estado. O Comandante da Polícia de São Tomé e Príncipe, Roldão Boa Morte, realçou a ligação directa entre a segurança e o desenvolvimento.

Numa situação de insegurança, não se pode falar de desenvolvimento. Constatação feita pelo Comandante Geral da Polícia Nacional de São Tomé e Príncipe, o Supra intendente Roldão Boa Morte, na abertura da nona reunião dos Chefes de Polícias da CPLP. «Sem segurança não pode haver desenvolvimento e vice-versa. Por conseguinte, sem segurança e nem desenvolvimento não haverá o respeito pelos direitos de liberdades e garantias do cidadão», referiu Roldão Boa Morte.



O Comandante Geral da Policia de Timor Leste, Ostílio Monteiro, que é  Presidente em exercício do Conselho de Chefes da Policia da CPLP, também usou da palavra, para destacar os acontecimentos que assolam o mundo, como sendo desafios que se colocam as polícias da CPLP.

Já o Primeiro Ministro Gabriel Costa, que abriu o evento, sublinhou a importância da reunião. «O vosso encontro será com certeza um meio de aprofundamento sério das grandes questões que se prendem com segurança e ordem pública, como nos encontros anteriores o que tem dado viabilidade a nossa organização e tem demonstrado grande capacidade de inovação numa evolução acelerada, quando a criminalidade nos nossos territórios», pontuou.

Guiné-Bissau, é o único país ausente, na reunião que pretende debater a Segurança Interna no seio dos países da CPLP, e o papel da polícia no desenvolvimento sustentável do Estado.

Até 20 de Setembro, São Tomé é palco de reflexão sobre a Polícia da Comunidade Lusófona. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Reflexão

“É hoje que vivemos, de facto, as consequências da partida prematura de Neto que, apesar dos erros, em contextos em que dificilmente um homem do seu tempo e carácter contornaria, nos deixou um sinal claro de uma liderança criativa; e mesmo um sinal de arrependimento sobre os seus equívocos humanos, em direcção a uma verdadeira reconciliação nacional.

Não partisse Neto tão cedo, acredito hoje que com Holden Roberto (que cedo entendeu que nada se ganhava com lutas fratricidas) e mesmo com Jonas Savimbi, cujas motivações do tumultuado pensamento e acção política começam agora a ser reavaliados, teríamos hoje uma Angola diferente da que temos hoje, onde nenhuma liderança consegue erguer-se acima sequer de meros interesses familiares, num país onde tudo chegaria para todos. E é pena!” Marcolino Moco - Angola