Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 4 de julho de 2026

Timor-Leste - Morreu o padre João Felgueiras, missionário jesuíta que estava no país desde 1971

O padre João Felgueiras morreu esta sexta-feira, 3 de julho, em Díli com 105 anos, avançou à Lusa fonte da residência dos jesuítas na capital timorense

João de Vasconcelos Baptista Felgueiras natural das Caldas das Taipas, no concelho de Guimarães, foi ordenado sacerdote em 1950 e residia em Timor-Leste desde 1971, tendo completado 105 anos em junho.

João Felgueiras dedicou a sua vida à educação e à língua portuguesa, mesmo quando estava proibida em Timor-Leste, durante a ocupação indonésia.

O antigo Presidente português Jorge Sampaio condecorou o padre jesuíta em 2002 como Grande Oficial da Ordem da Liberdade, pela sua luta pela preservação da língua portuguesa em Timor-Leste.

Em 2016, foi condecorado pelo ex-chefe de Estado timorense Taur Matan Ruak com a insígnia da Ordem de Timor-Leste.

Em 2022, voltou a receber uma condecoração por um Presidente de Portugal, quando o ex-chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa o distinguiu com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.

“Sinto-me português e timorense. Vim para aqui como missionário para trabalhar, enquanto a Companhia de Jesus quisesse e assim foi até agora. Todos contribuímos”, explicou em entrevista à Lusa há quatro anos, quando inaugurou a ampliação da Escola Amigos de Jesus, que fundou.

“O passado foi vivido, e estou contente de ter vivido em paz, não fiz nada contra ninguém, nada de mal contra o povo e estou contente poder ter contribuído alguma coisa”, salientou o homem que educou várias gerações de timorenses.

Presidente timorense lembra "figura excecional" da história do país

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, recordou o padre João Felgueiras como uma “figura excecional” da história timorense e um "profeta da educação e solidariedade".

“A República Democrática de Timor-Leste despede-se hoje de uma figura excecional da nossa história contemporânea, cuja vida foi integralmente dedicada ao serviço do próximo, à educação, à dignidade humana e à construção da nossa identidade nacional”, afirmou, numa declaração divulgada pela Presidência timorense.

“Num tempo em que a língua portuguesa era proibida e a identidade cultural do nosso povo era profundamente ameaçada, o padre Felgueiras escolheu permanecer ao lado do povo timorense, partilhando os seus sofrimentos, as suas esperanças e a sua resistência”, lembrou o também prémio Nobel da Paz.

José Ramos-Horta destacou também que o padre Felgueiras foi um “educador incansável”, que dedicou a vida à formação de jovens, promoção da língua portuguesa e à “criação de espaços de ensino e de dignidade humana, entre os quais se destaca a Escola Amigos de Jesus, projeto que simboliza o seu compromisso permanente com a educação como instrumento de liberdade e transformação social”.

O Presidente timorense reconheceu também o padre João Felgueiras como um “profeta da educação e da solidariedade” e que o seu legado vai permanecer nas instituições que ajudou a construir, mas também nas gerações de timorenses que educou. In “Diário de Notícias” – Portugal com “Lusa”


domingo, 5 de janeiro de 2025

Portugal - Programa dos 700 anos da morte de D. Dinis abre com exibição do rosto do rei em 3D

O programa evocativo dos 700 anos da morte do rei Dinis vai abrir na terça-feira, no Mosteiro de Odivelas, com uma cerimónia de apresentação da reconstituição científica do rosto do monarca, anunciou o instituto Património Cultural.



Na celebração, marcada para as 16:00, será apresentada uma reconstrução facial do rei Dinis (1261-1325) realizada através de impressão 3D baseada nos estudos arqueológicos e antropológicos desenvolvidos nos últimos anos, em contexto tumular e laboratorial, segundo o comunicado do Património Cultural – Instituto Público (PC-IP).

“Trata-se da primeira imagem cientificamente fundamentada de um monarca português da primeira dinastia, retratado no final de vida, resultando de um extenso e profícuo trabalho de investigação levado a cabo no Mosteiro de Odivelas, onde D. Dinis escolheu ser sepultado”, recorda este organismo do Ministério da Cultura.

O Projeto de Conservação e Restauro do Túmulo do chamado rei lavrador e trovador, iniciado em 2016 por iniciativa da extinta Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas (CMO), distrito de Lisboa, constitui o eixo condutor temático do programa alusivo ao sétimo centenário da morte do rei, que será anunciado na mesma cerimónia, indica o comunicado.

Para o efeito será celebrado um protocolo de colaboração entre a CMO, o PC-IP e a empresa pública Museus e Monumentos de Portugal (MMP) centrado na divulgação dos resultados científicos deste projeto.

A investigação decorreu com uma abordagem interdisciplinar que envolveu peritos em arqueologia, antropologia biológica, conservação e restauro, História e História da Arte, assinala ainda.

Partindo do Mosteiro de Odivelas com um conjunto de atividades a desenvolver no município, o programa evocativo vai prolongar-se até ao final de 2025 e terá expressão nacional, com iniciativas a desenvolver pelo PC-IP, pela MMP, e outras entidades interessadas em associar-se.

Na terça-feira, a sessão no Mosteiro de Odivelas terminará com uma conferência sobre Dinis, o rei, pelo professor José Augusto de Sotto Maior Pizarro, da Universidade do Porto.

O rosto do rei português foi reconstruído através de impressão 3D na Liverpool John Moores University FaceLab, sob coordenação científica da antropóloga Eugénia Cunha, da Universidade de Coimbra, que fez parte da equipa multidisciplinar encarregada do Projeto de Conservação e Restauro do Túmulo de D. Dinis.

Além dos responsáveis das três entidades envolvidas – CMO, PC-IP e MMP – a sessão contará com a presença de técnicos e investigadores que participaram na investigação.

O túmulo do rei Dinis foi aberto em 2019 e encerrado a 28 de junho de 2023, numa operação especial em que os restos mortais do monarca foram envoltos num tecido de linho e posicionados de modo a respeitar o esqueleto humano.

Por cima foi colocada uma cápsula em acrílico e ao lado uma caixa com pequenos fragmentos ósseos, para que eventuais futuras investigações possam ocorrer sem descerramento da arca tumular, recorda o PC-IP.

Este estudo forense, pioneiro em Portugal, incidiu sobre o monarca e o seu espólio, incluindo o manto real e a espada medieval descoberta em 2022.

Em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas, os trabalhos envolveram o Laboratório José de Figueiredo, da MMP e o Laboratório de Arqueociências (LARC) do PC-IP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Mídia: ter sucesso mesmo na morte

Os jornais, televisões, rádios e redes sociais dedicaram grandes espaços e tempos de duração com diferença de alguns dias, no Brasil e na França, para duas notícias necrológicas fora do comum: os falecimentos de um homem de televisão, Sílvio Santos, e de uma star do cinema, Alain Delon.

A língua francesa permite sintetizar esse tipo de passamento apoteótico com a frase "reussir sa mort" bem mais forte e expressivo que a tradução literal "ter sucesso na morte", que soa chocho, pois morte e ter sucesso são palavras que se opõem. Mas não se poderia utilizar "consagração na morte" porque ficaria a impressão de ter sido gloriosa a morte, dando a ideia de um ato heroico no momento de morrer.

Nada disso. Ambos tiveram seu sucesso, o seu reconhecimento durante a vida, mas ao deixarem de viver a mídia lhes prestou homenagens com os meios de que dispõe: manchetes, textos, reportagens, depoimentos, lembranças, vídeos, fotos. Os falecidos, tanto um como o outro, não puderam curtir essa apoteose póstuma como também não tiveram influência na sua programação.

A repercussão na mídia da morte de pessoas populares, ilustres, amadas, famosas, deriva de um trabalho paralelo de programação ignorado pelo público: todos os órgãos de imprensa têm um dossiê, uma biografia atualizada, fotos, tudo preparado para publicar e divulgar no dia da morte das personalidades e artistas mais conhecidos.

Talvez hoje com as novas tecnologias, arquivos e atualização de dados automáticos, não exista mais a figura do repórter mortuário nos grandes jornais, figura importante por garantir o prestígio do órgão junto às famílias enlutadas. No jornal Estadão, como é conhecido o tradicional matutino criado pelo velho e respeitado Mesquita, o dedicado colega responsável pelos obituários, na época em que ali trabalhei, ainda na rua Major Quedinho, acabou integrando no seu nome a sua função. Era o célebre Toninho Boa Morte, encarregado do noticiário fúnebre.

Sua dedicação à sua função vale um parágrafo. Sua dedicação à função garantiu sua popularidade nas redações paulistanas, tanto que ao chegar sua vez de morrer, aos 77 anos em março de 2011, António Carvalho Mendes mereceu destaque no Estadão e na Folha de S. Paulo. Foram mais de 800 mil mortes registradas com zelo durante cinquenta anos de serviço.

No caso de Sílvio Santos, chamou a atenção a maneira com que toda imprensa deu destaque à sua morte tornando-a um luto nacional, por personificar o homem comum e ser uma expressão da cultura popular brasileira. O luto francês e de certa forma europeu e mesmo internacional foi mais sofisticado, Alain Delon sintetizava o gosto refinado, artístico da cultura cinematográfica francesa personificado no que se convencionou considerar seu melhor ator, elevado à condição de star.

A televisão cria líderes populares, dotados é claro de poder de comunicação e de carisma, e Sílvio Santos conseguiu se tornar parte da família da maioria dos brasileiros, com sua presença na tela dos televisores. Politicamente era de direita mas sabia conviver com Lula e Dilma, como soubera com os ditadores militares.

Isso tem um nome, mas não importa, até petistas ficaram tristes no dia de sua morte e compartilharam isso nos seus whatsapps. A revista Veja fala dessa política do beija-mão do dono da SBT, que incluiu também o presidente Bolsonaro.

E pouca gente se lembrou de criticar o Baú da Felicidade que, no seu canal Youtube, Leonardo Stoppa, chama de Baú da Infelicidade. Celso Lungaretti lembra o vendedor de bugigangas na Praça da República, fala de sua mãe, embrulhada na ilusão do Baú da Felicidade e, no seu blog Náufrago da Utopia, pergunta: "mas por que fez tanto sucesso, apesar de ser o pior tipo do sanguessuga, aquele que chupa o sangue das coitadezas? Porque quem na conversa vende algodão por veludo sempre se dá bem no Brasil, onde tem bobo pra tudo". Paulo Ghiraldelli, no seu Canal, lembra também de seu pai, enganado pelo camelô Silvio Santos.

Alain Delon era o cinema francês, a expressão visual nas telas do saber artístico dos grandes realizadores do cinema com a beleza, malícia, atração dos excessos sexuais sugeridos mais a brutalidade cativante dos gângsters franceses. Delon era o homem francês e o que as mulheres pensavam e desejavam desse homem refletido no seu olhar que podia ser cínico e cruel.

De origens modestas, tanto Sílvio quanto Alain conseguiram surpreender com sua força e expressão natural. Sílvio, um vendedor de bugigangas como camelô nas praças paulistanas, encontrou seu público maior na televisão popular; Alain, mau aluno expulso de diversas escolas, era manhoso, esperto, sabia enganar. Seria um péssimo açougueiro, profissão a que seu tio lhe destinava. Viver o que não era e o que era, como excelente ator, foi seu tremendo sucesso.

Mas possuía também seu lado secreto mau e misterioso, que fortalecia sua imagem. Durante anos toda imprensa francesa seguiu seus passos, tentando decifrá-lo no famoso escândalo do seu amigo iugoslavo Markovic, encontrado morto num depósito de lixo. Uma história envolvendo até a esposa do primeiro-ministro e depois presidente francês Pompidou. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

domingo, 6 de agosto de 2023

França - Morreu a historiadora francesa Hélène Carrère d'Encausse

Foi primeira mulher à frente da Academia Francesa

Morreu a historiadora francesa Hélène Carrère d'Encausse, este sábado, aos 94 anos.

A historiadora foi a primeira mulher à frente da Academia Francesa. Desde 1999 que era "secretária perpétua" desta instituição, tendo sido a primeira mulher a ocupar o cargo.

Hélène Carrère nasceu em Paris em julho de 1929, sendo o pai o economista e filósofo georgiano Georges Zourabichvili (assassinado em 1944), que emigrou para França após a revolução russa, e a mãe Nathalie von Pelken, uma aristocrata russo-alemã. Adquiriu a nacionalidade francesa em 1950.

Os seus estudos centraram-se na antiga União Soviética e na Rússia, com monografias, grandes ensaios e biografias de personalidades como Lenine ou Estaline.

Hélène Carrère d'Encausse foi ainda deputada no Parlamento Europeu, entre 1994 e 1995, eleita pelo partido francês de direita Rassemblement pour la République (RPR). In “Contacto” – Luxemburgo com “Lusa”


terça-feira, 14 de março de 2023

Moçambique - Boaventura de Sousa Santos entende que Azagaia interpretou ansiedades dos moçambicanos de forma crítica

O sociólogo Boaventura de Sousa Santos entende que Azagaia foi um sociólogo que soube interpretar ansiedades do povo moçambicano de forma crítica. Para o intelectual português e para o académico moçambicano Eduardo Lichuche, estudar as letras de Azagaia é fundamental porque permite compreender as angústias dos jovens


O programa Noite Informativa da Stv Notícias desta sexta-feira debateu sobre o legado de Azagaia. A partir de Portugal, o sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos, defendeu que Azagaia soube ser um pedagogo interventivo com a sua arte, tendo-se esmerado em mostrar que a sociedade moçambicana podia ser melhor, que os políticos podiam ser mais honestos e a sociedade mais equitativa e justa. “É isso que sempre admirei nele, soube ser um sociólogo do chão, digamos assim, sem desprimor para os sociólogos de Moçambique com os quais tenho trabalhado e que tenho grande admiração. Foi um homem que soube interpretar as ansiedades e um grande sociólogo crítico, o que traduziu em arte”.

Boaventura de Sousa Santos já se tinha referido à qualidade lírica e crítica das letras de Azagaia num vídeo que, recentemente, circulou bastante nas redes sociais. Também devido ao vídeo, quando o rapper moçambicano morreu, o sociólogo português recebeu condolências de pessoas de vários países. “Por causa desse vídeo, eu tenho recebido condolências de vários países porque sabiam a minha admiração por Azagaia. Grandes rappers do Brasil, nomeadamente, Emicida, Gog, que são grandes amigos meus, todos eles choraram a morte do Azagaia”.

Na percepção do sociólogo, o autor de Babalaze e Cubaliwa foi capaz de incentivar a sociedade civil moçambicana de modo a não aceitar imposições externas. Por exemplo, de instituições da Bretton Woods. “Ele era um educador. Eu penso que o que ele fez foi lutar para que a sociedade civil e os cidadãos não aceitassem uma série de imposições de instituições internacionais, o Banco Mundial e o FMI, porque fazem uma série de imposições que os governos aceitam facilmente. Isso cria uma grande revolta. E essa revolta está expressa nas letras maravilhosas do Azagaia”.

Na mesma edição do programa Noite Informativa, o Director da Escola de Comunicação e Artes (ECA – UEM), Eduardo Lichuche, disse que Azagaia foi uma figura plural, tendo sido um etnomusicólogo, um poeta, um sociólogo e até político, por aquilo que expressa nas suas mensagens e na forma como analisa a realidade social. Portanto, Eduardo Lichuche recomenda o estudo da obra do rapper. “A importância de pessoas como Azagaia é precisamente essa, fortalecer o nosso conhecimento sobre aquilo que acontece na nossa sociedade”. Azagaia morreu quinta-feira, 9 de Março. José dos Remédios – Moçambique in “O País”


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Brasil - Quase 17 milhões de vertebrados terão morrido nos incêndios do Pantanal

Os incêndios florestais de 2020 no Pantanal, gigantesca área húmida do Brasil, poderão ter causado a morte imediata de até 16,9 milhões de vertebrados, incluindo lagartos, aves e primatas, segundo um estudo publicado na revista Scientific Reports


Os incêndios florestais no Pantanal ocorreram entre janeiro e novembro de 2020, causando enormes danos naquela que é maior área húmida tropical do planeta, de acordo com uma nota da publicação.

Para chegar a essas conclusões, Walfrido Moraes Tomas, da Embrapa Pantanal (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Pantanal), e Ronaldo Morato, do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade de São Paulo, fizeram uma estimativa das mortes de animais em decorrência dos incêndios florestais a partir dos cadáveres encontrados nas áreas queimadas.

Nesse sentido, os investigadores recolheram amostras de esqueletos ao longo de 114,43 quilómetros, imediatamente após o incêndio.

Os especialistas encontraram um total de 302 cadáveres e, apesar do mau estado de conservação, conseguiram identificar a espécie da maioria dos casos.

A partir desses primeiros dados, a equipa fez uma extrapolação dos números para calcular o total de animais que morreram na área queimada, observando tanto vertebrados pequenos (com peso corporal inferior a dois quilogramas), quanto vertebrados médios e grandes (com peso superior a dois quilogramas).

Assim, a estimativa é que entre 13206700 e 18811300 pequenos vertebrados morreram nos 39030 quilómetros quadrados de área queimada do Pantanal entre janeiro e novembro de 2020.

Os pequenos vertebrados incluem pequenos lagartos, pássaros e roedores.

Os autores também deduziram que entre 691090 e 1196570 vertebrados médios e grandes morreram imediatamente, incluindo ungulados (divisão de mamíferos que compreende os animais de casco) e primatas.

No total, segundo as estimativas, 16952000 vertebrados perderam a vida nos incêndios, concluíram os cientistas, que alertam que a sua amostragem não incluiu várias espécies que se sabe que também morreram nos incêndios, como onças, pumas e antas.

Ressaltaram ainda que sua estimativa não reflete o impacto total dos incêndios que, além disso, terão causado a morte de animais devido à perda de ‘habitat’.

Fatores antropogénicos influenciaram significativamente a frequência, duração e intensidade da seca meteorológica em muitas regiões do mundo, e o aumento da frequência de incêndios florestais é uma das consequências mais visíveis das alterações climáticas induzidas pelo homem, escreveram os cientistas no artigo.

Apesar do papel que os incêndios desempenham na determinação dos resultados da biodiversidade em diferentes ecossistemas, os incêndios não controlados podem causar impactos negativos na vida selvagem.

Este estudo destaca, dizem os especialistas, “o impacto catastrófico” que os incêndios florestais de 2020 tiveram sobre a vida selvagem do Pantanal e a importância de prevenir futuros desastres. In “Sapo 24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”


terça-feira, 6 de abril de 2021

Timor-Leste - Após 381 dias de pandemia registou-se a primeira morte por covid-19


Díli – Timor-Leste regista hoje a primeira morte de uma doente com o novo coronavírus, uma mulher de 44 anos que sofria de insuficiência renal, revelou o Coordenador do Pilar Sete de Combate à Covid-19 do Ministério da Saúde, Nílton do Carmo da Silva.

A mulher foi diagnosticada com covid-19 a 24 de março e a equipa de saúde transportou[1]a para o centro de isolamento de Tasi Tolu. Começou por ter sintomas a 04 de abril e foi transferida para o isolamento de Vera Cruz, mas, com as cheias que ocorreram no passado domingo, foi mudada para o Hospital de Lahane.

“A paciente encontrava-se em estado grave e sofria de insuficiência renal crónica. A equipa de saúde efetuou o tratamento de acordo com o seu estado de saúde, mas, cerca das 07 horas de hoje acabou por falecer. Registamos, assim, um caso de morte com a comorbidade de insuficiência renal crónica”, disse o médico, em Lahane, Díli.

Segundo Nílton da Silva, o cadáver será tratado como o de um doente de covid-19.

“A equipa de saúde entregará o cadáver ao MSSI [Ministério da Solidariedade Social e Inclusão], sendo depois transportado para o local designado para enterrar doentes de covid-19, em Metinaro”, afirmou.

O médico explicou ainda que, além de problemas renais, a doente sofria de hipertensão. “Daremos ajuda ao marido e ao filho para acompanharem o processo fúnebre e voltarem para o centro de isolamento”, referiu.

Timor-Leste tem atualmente 472 casos ativos de covid-19 e 766 infeções desde o surgimento do novo coronavírus. Maria Auxiliadora – Timor-Leste in “Tatoli”