Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 14 de julho de 2023

Guiné-Bissau - Bastonário da Ordem dos Jornalistas lamenta fecho das emissões da RTP e RDP/África no país

Bissau – O Bastonário da Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau (OJGB), António Nhaga lamentou o fecho das emissões da Rádio Televisão Portuguesa (RTP) e Rádio Difusão Portuguesa (RDP/África), que segundo diz,  “não abona em nada para a imagem do país”.

Em entrevista exclusiva concedida esta quinta-feira à ANG, António Nhaga sustentou que a liberdade de expressão é fundamental para o exercício democrático, acrescentando que não é benéfico para o país se os órgãos de comunicação social estão sendo fechados.

“Estou convencido de que tudo o que a Guiné-Bissau podia ganhar com a realização da Cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) está manchada. Porque, de facto, sair da realização da Cimeira da CEDEAO e Sessão Extraordinária da UEMOA digamos que ganhamos uma imagem, mas a seguir fecharmos a Rádio e a Televisão. Isso não abona para realização da democracia”, frisou.

O Governo guineense exigiu, em comunicado, tornado público no passado dia, 09 do corrente mês, a reposição da verdade sobre todas as injúrias, difamações e acusações, termologias que diz serem “levianamente proferidas” nos canais da RTP e RDP/África contra o Chefe de Estado Umaro Sissoco Embaló, sob pena de tomar “medidas retificadoras”.

Na quarta-feira a noite, segundo uma fonte da RTP/Africa, os dois serviços de comunicação social portugueses receberam ordem de fecho das suas emissões. A fonte da RTP/Africa disse que lhe foram dito que o fecho das duas emissões teria sido decidido   por “Ordem Superior”.

Para o Bastonário da Ordem de Jornalistas da Guiné-Bissau, a democracia exige liberdade de expressão, exige ainda ter órgãos de comunicação social onde as pessoas possam exprimir, e Nhaga salienta que se uma pessoa exprimir num programa da RTP ou RDP isso não pode impedir o Presidente da República e nem ninguém de exercer as suas funções.

O fecho dos órgãos de comunicação social, de acordo com o Nhaga, não dignifica o Estado Democrático que se quer construir no país, e sobretudo órgãos internacionais, porque a decisão vai ter efeitos na imagem externa do país.

António Nhaga sublinhou que nesse momento “quer queiramos ou não as pessoas vão dizer que não há democracia porque fecham rádios, e questiona se a RDP e RTP/África não estão noutros países dos PALOP, e diz que estão, mas nunca são fechadas e que de facto, os Presidentes tomam medidas caso necessário.

Para o comunicador, esse tipo de decisões pode comprometer as relações entre a Guiné-Bissau e Portugal.

“Portugal é um país que tem grande influência no mundo, é ouvido quendo cada vez que há problemas nos PALOP. Dizem que é quem colonizou e conhece melhor as suas colónias. Não é por acaso que dissemos que tudo que é nosso que vai passar pelo plano internacional passa por Portugal”, salientou.

António Nhaga adverte que Portugal pode ajudar o país a fazer corredores nas Nações Unidas, União Europeia, mas se houver mal-estar pode também bloquear, sustentando que Portugal pode não fazer esse bloqueio direto, mas há tentáculos onde pode contornar e fazer o que quer.     

Lamentou ainda que no país as pessoas não têm a noção de que a imprensa é fundamental para a democracia e para a construção de boa imagem de um país. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Guiné-Bissau - Atribuição da carteira profissional é única solução para combater o fenómeno “jornalismo político”, diz António Nhaga

Bissau - O Bastonário de Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau (OJGB) disse que, a única solução para combater o fenómeno “jornalismo político” é começar a classificar a classe jornalística através de atribuição da carteira profissional de jornalismo.

António Nhaga falava numa entrevista à ANG sobre o fenómeno “jornalismo político” que está a ganhar espaço dentro da classe jornalística guineense, no qual lamentou e condenou adesão progressiva e cada vez mais dos profissionais aos partidos políticos, num país onde as pessoas já têm ideia do é jornalismo.

Disse que, como se não basta, o subsídio da cobertura jornalística nos trabalhos do jornalismo constitui o maior problema do fenómenoʺ jornalismo partidário”.

Sublinhou que neste momento nem a Ordem, nem o Sindicados dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social têm poder de resolver esta questão, a não ser por meio de atribuição da carteira profissional e em caso da violação das condutas deontológicas que lhe seja retirada a carteira.

“Como ainda não há carteira profissional e a nossa profissão é aberta e onde qualquer pessoa no nosso país é jornalista, neste momento a Ordem dos Jornalistas está um pouco fragilizada no sentido em que por mais que falamos ninguém nos dá ouvidos”, explicou

Pediu ao Presidente da República para promulgar a lei de atribuição da carteira profissional e consequentemente a sua publicação no Boletim oficial e entrar em vigor.

O Bastonário acrescentou que, se o referido documento entrar em vigor vai permitir classificar os jornalistas com emissão de carteiras profissionais, adiantou que, esta é a solução imediata, fácil e consistente para resolução do problema.

Para aquele responsável, enquanto não existir a forma de como sancionar jornalistas, não se pode travar essas práticas de ser assessor de imprensa ao mesmo tempo jornalista e militante dos partidos políticos.

António Nhaga salienta que, estas situações não dignifica a classe e que os jornalistas guineenses estão a abrir portas para que a Federação Internacional dos Jornalistas e as pessoas que estão fora do país a ouvir que um jornalista foi espancado não vão acreditar, porque vão dizer que jornalistas na Guiné-Bissau fazem política.

Realçou que, os jornalistas têm de ser independentes e na sociedade democrática como esta que querem na Guiné-Bissau, o jornalista deve ser uma pessoa do bem e fala a verdade.

ʺUm jornalista não pode dizer que é uma pessoa de bem e estar no partido político e nem pode dizer que está a falar a verdade, porque quando entra num partido tem que alinhar com estatuto do mesmo onde não vai pôr nada contra esse partido.” Disse

Nhaga disse que, não há explicação para um jornalista inscrever-se no partido político, sabendo que esta profissão é nobre e não quer misturas, sustentando que o jornalista é como professor na sociedade que deve ter uma conduta exemplar.

Afirmou por outro lado que, o maior perigo deste fenómeno é a desacreditação da classe jornalística de uma vez por todas, onde ninguém mais vai acreditar no jornalismo guineense.

Considerou que, a solução viável e imediata para resolução este problema, para além da emissão da carteira profissional era bom que a Direção dos Órgãos de Comunicação Social tenha capacidade de poder identificar e se for necessário convocar uma reunião para advertir todos os jornalistas de que quem for apanhado com cartão de militância do partido vai ser expulso por justa causa, uma vez que partido e jornalismo são incompatíveis. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau