Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Myanmar - Conflito fez mais de 100 mil mortos desde golpe de Estado há cinco anos

Mais de 100 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra civil em Myanmar, na sequência de um golpe de Estado militar em 2021, informou uma organização especializada no acompanhamento de conflitos armados


Há cinco anos, o exército pôs fim a uma década de experiência democrática neste país do Sudeste Asiático, derrubando o Governo eleito de Aung San Suu Kyi e detendo a vencedora do Prémio Nobel da Paz.

As manifestações contra o golpe foram então reprimidas pelas forças de segurança, mas os ativistas pró-democracia abandonaram as cidades para combater a junta militar ao lado de movimentos armados de minorias étnicas há muito hostis ao poder central.

De acordo com os dados mais recentes da ONG norte-americana Acled (Armed Conflict Location and Event Data), que regista os incidentes relatados pelos meios de comunicação social, os confrontos causaram um total de 100.114 mortos em todos os lados envolvidos no conflito.

Não existe um balanço oficial e as estimativas variam consideravelmente, mas os analistas consideram este o conflito mais mortífero atualmente em curso na Ásia.

O líder dos militares golpistas, general Min Aung Hlaing, assumiu recentemente a Presidência do país na sequência de um processo eleitoral que foi qualificado no estrangeiro como uma manobra para prolongar o regime militar sob uma aparência de poder civil.

Segundo a ONU, mais de 3,7 milhões de pessoas estão deslocadas no interior do país e mais de uma em cada cinco pessoas encontra-se em situação de insegurança alimentar.

A maior cidade birmanesa, Rangum, vive uma relativa normalidade, mas a violência pode manifestar-se sob a forma de assassinatos esporádicos. Outras regiões são bombardeadas diariamente por ataques aéreos levados a cabo por aviões militares fornecidos pela Rússia e pela China.

A ACLED identificou mais de 1200 grupos armados distintos nesta guerra civil, classificando-a como “o conflito mais fragmentado do mundo”. “O conflito espalhou-se por todo o país”, comentou Sun Mon Thant, analista da ACLED. “Estamos a assistir a mais massacres. O exército tem como alvo escolas, clínicas, prisões…”, continuou.

A dinâmica geográfica do conflito oscilou ao longo dos últimos cinco anos. Uma ofensiva conjunta de vários grupos rebeldes permitiu-lhes alcançar avanços espetaculares no final de 2023, aproximando-se de Mandalay, a segunda maior cidade do país. Mas a situação voltou a inclinar-se a favor do exército no ano passado, segundo os analistas, depois de a China ter dado o apoio à liderança militar em Rangum e promovido a assinatura de tréguas com dois dos mais poderosos grupos armados étnicos.

O Estado-Maior birmanês instituiu, em fevereiro de 2024, o serviço militar obrigatório para reforçar as suas fileiras, recrutando à força cerca de 50 mil civis.

A guerra afectou indirectamente os países vizinhos, para onde fugiram muitos refugiados, acolhidos em campos na Tailândia e no Bangladesh.

Segundo observadores, grupos armados de todos os quadrantes financiam os esforços de guerra graças aos lucros do tráfico de drogas, como a heroína e a metanfetamina.

As zonas fronteiriças, com controlo reduzido, tornaram-se, além disso, um foco de centros de burlas online, que operam frequentemente a partir de complexos fortificados guardados por milícias. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


 

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Guiné-Bissau - Repórteres Sem Fronteiras alerta para sinais de repressão à liberdade de imprensa no país

Bissau – A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) considerou a decisão das autoridades guineenses em expulsar os órgãos de comunicação portugueses RTP, RDP e Lusa como “um sinal preocupante para o pluralismo e para o direito à informação”.

A Guiné-Bissau anunciou, na passada sexta-feira, 15 de Agosto, a expulsão de dois órgãos de comunicação social portugueses: a agência de notícias Lusa e os canais públicos RDP/RTP, cujos programas se encontram desde então suspensos. A decisão foi comunicada sem qualquer explicação oficial por parte das autoridades guineenses.

Para o director do escritório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) para a África Ocidental, Sadibou Marong, trata-se de um “sinal preocupante para o pluralismo e para o direito à informação”.

Em declarações à imprensa, Sadibou Marong, afirmou que a medida constitui “uma espécie de aviso” que poderá reforçar a auto-censura nos meios de comunicação locais e nacionais, sobretudo num contexto em que a Guiné-Bissau se prepara para eleições presidenciais. Segundo o responsável da RSF, a decisão das autoridades pode contribuir para reforçar a auto-censura em torno de temas de interesse nacional.

A organização recorda ainda que este episódio não surge de forma isolada. Recentemente, o correspondente da RTP na Guiné-Bissau, Waldir Araújo, foi alvo de uma agressão perpetrada por indivíduos ainda não identificados. Para a RSF, este ataque não deve ficar impune, sob pena de agravar a auto-censura já disseminada entre os jornalistas no país.

“É extremamente importante que as autoridades levantem esta suspensão”, apelou Sadibou Marong, acrescentando que é necessária uma investigação transparente para identificar e levar à justiça os autores da agressão contra o jornalista da RTP. A RSF defende a adopção de todas as medidas indispensáveis para garantir que os profissionais da comunicação social possam exercer o seu trabalho sem receio de represálias.

Este domingo, em visita a Cabo Verde, o Presidente guineense recusou dar esclarecimentos sobre o caso, limitando-se a afirmar que “o problema é entre a Guiné-Bissau e Portugal”. A medida tem gerado fortes críticas: em Portugal, o governo manifestou o seu repúdio, e a Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou um “ataque contra a liberdade de imprensa e contra o Estado de Direito”. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Camarões - Coligação da sociedade civil pede a Presidente há 42 anos no poder que desista da recandidatura a novo mandato

Uma coligação de professores universitários, membros da sociedade civil e líderes tradicionais lançou um apelo público instando o Presidente dos Camarões, Paul Biya, no poder desde 1982, a não se recandidatar — ou a ser destituído caso o faça. Defendem que, aos 92 anos, a permanência de Biya no poder simboliza um sistema político estagnado, inadequado para lidar com crises urgentes como o conflito anglófono, as dificuldades económicas e a corrupção endémica

Estas vozes colectivas desencadearam um novo debate: enquanto alguns autarcas locais e chefes tradicionais insistem que Biya personifica a estabilidade, outros — incluindo líderes religiosos — descrevem a sua candidatura como «irrealista» e alertam que ameaça o progresso democrático.

A Human Rights Watch e outros observadores também criticaram o regime por reprimir a oposição e os grupos independentes antes da votação, alegando detenções e restrições à actividade política. In “Jornal de Angola” - Angola


sábado, 16 de setembro de 2017

Catalunha – Deputados dinamarqueses contra repressão do governo espanhol

Demolidora carta de deputados de sete partidos dinamarqueses contra a repressão do governo espanhol. Exigem um diálogo para resolver a questão catalã e criticam a escassa divisão de poderes e as ameaças do Estado espanhol



Dezessete membros do parlamento dinamarquês de diferentes grupos políticos (dois ex-ministros) escreveram uma carta arrasadora contra a repressão do governo espanhol. Reclamam ao presidente espanhol, Mariano Rajoy, que faça um "papel construtivo" e que dialogue imediatamente com as autoridades catalãs. A carta foi enviada ao Congresso espanhol, ao Governo espanhol, ao Parlamento da Catalunha, à Generalitat e ao Parlamento e ao Governo da Dinamarca.

Registaram esta semana, novamente, mais de um milhão de cidadãos percorreram as ruas da Catalunha, de uma forma pacífica, exigindo um referendo.

Os parlamentares expressam a sua "profunda preocupação" com a situação na Catalunha e afirmam que chegou-se a um momento crítico. Advertem o estado espanhol que as "ações repressivas" dos últimos dias e as "ameaças crescentes" para funcionários públicos, deputados, autarcas, meios de comunicação, empresas e cidadãos não serão a solução para o problema político.

"As ameaças e as acções judiciais não são a solução", afirmam os deputados. Que sejam políticos e não juízes nem forças policiais, como em qualquer país democrático da Europa. Além disso, explicam que sentem-se desconcertados e preocupados com a aparente falta de habilidades políticas para abordar a questão catalã.

"O acordo e a boa cooperação serão a única solução possível", sentenciam. Deputados do Parlamento da Dinamarca

Tradução e adaptação – “Baía da Lusofonia”