Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 27 de dezembro de 2025

Internacional - Relatório aponta para queda histórica da liberdade de expressão no mundo

Dados alarmantes incluem crescimento de 63% da autocensura entre jornalistas e diminuição de 37% na liberdade académica e artística. A Unesco alerta para a impunidade em assassinatos de profissionais da imprensa, havendo tendências positivas que abrangem a ampliação do acesso a redes sociais e fortalecimento do jornalismo de investigação

A liberdade de expressão chegou ao nível mais baixo em décadas, após uma queda de 10% em comparação a 2012. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.

O declínio é comparável apenas ao observado na Primeira Guerra Mundial, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e ao final da década de 1970, durante a Guerra Fria.


Maior controlo sobre os meios de comunicação

O relatório sobre as tendências globais da liberdade de expressão e do desenvolvimento dos meios de comunicação abrange o período de 2022 a 2025. O estudo alerta para um aumento alarmante da autocensura entre jornalistas, com crescimento de 63%, a uma média de cerca de 5% ao ano.

Esta tendência é um reflexo do crescimento de 48% no controlo de meios de comunicação por governos e grupos poderosos e de uma maior incidência de vigilância digital e leis restritivas, que tornam a reportagem independente cada vez mais difícil.

Também foi observada uma queda de 37% na liberdade académica e artística, mostrando que o problema vai além do jornalismo.

Aumento de ataques contra jornalistas

Os profissionais da comunicação sofrem risco significativo de morte no exercício da profissão. Entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, 310 jornalistas foram mortos, sendo 162 deles em zonas de conflito.

Embora tenham ocorrido avanços modestos, com a taxa de impunidade caindo de 95% em 2012 para 85% em 2024, a maioria dos responsáveis por estes assassinatos segue sem punição.

Os ataques a jornalistas incluem violência física, ameaças digitais e perseguição judicial. Muitos são forçados a deixar os seus países. Desde 2018, mais de 900 profissionais do setor na América Latina e no Caribe foram obrigados a exilar-se.

Repórteres do meio ambiente estão entre os mais expostos. Cerca de 70% deles relatam ter sido atacados por causa do seu trabalho. Foram 749 ataques entre 2009 e 2023, com aumento acentuado nos últimos anos.

O assédio online também cresceu globalmente, afetando de forma desproporcional as mulheres. Um novo estudo do Centro Internacional para Jornalistas revelou que 75% das jornalistas e trabalhadoras da mídia sofreram violência online relacionada com o trabalho em 2025, em comparação com 73% em 2020.

Tendências positivas

Apesar do grave retrocesso global na liberdade de expressão, o relatório identifica avanços importantes. Entre 2020 e 2025, mais 1,5 mil milhão de pessoas passaram a ter acesso a redes sociais e plataformas de mensagens, ampliando as possibilidades de participação cívica em todo o mundo.

O jornalismo de investigação colaborativo também ganhou força no período, resultando num aumento de grandes reportagens transfronteiriças. Equipas dedicadas à verificação de factos fortaleceram-se em diversos veículos de imprensa.

Além disso, leis que reconhecem os meios de comunicação comunitários vêm se multiplicando globalmente, ajudando a preservar uma fonte vital de informação local.

A Unesco pede aos países que protejam e invistam no jornalismo para promover sociedades pacíficas. Para a agência, a defesa do jornalismo livre e independente deve ser reconhecida como uma prioridade. ONU News – Nações Unidas


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