Dados alarmantes incluem crescimento de 63% da autocensura entre jornalistas e diminuição de 37% na liberdade académica e artística. A Unesco alerta para a impunidade em assassinatos de profissionais da imprensa, havendo tendências positivas que abrangem a ampliação do acesso a redes sociais e fortalecimento do jornalismo de investigação
A liberdade de expressão chegou ao
nível mais baixo em décadas, após uma queda de 10% em comparação a 2012. Os
dados são da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura,
Unesco.
O declínio é comparável apenas ao observado na Primeira
Guerra Mundial, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e ao final da
década de 1970, durante a Guerra Fria.
Maior controlo sobre os meios de comunicação
O relatório sobre as tendências
globais da liberdade de expressão e do desenvolvimento dos meios de comunicação
abrange o período de 2022 a 2025. O estudo alerta para um aumento alarmante da
autocensura entre jornalistas, com crescimento de 63%, a uma média de cerca de
5% ao ano.
Esta tendência é um reflexo do crescimento de 48% no
controlo de meios de comunicação por governos e grupos poderosos e de uma maior
incidência de vigilância digital e leis restritivas, que tornam a reportagem
independente cada vez mais difícil.
Também foi observada uma queda de 37% na liberdade académica
e artística, mostrando que o problema vai além do jornalismo.
Aumento de ataques contra jornalistas
Os profissionais da comunicação sofrem risco
significativo de morte no exercício da profissão. Entre janeiro de 2022 e
setembro de 2025, 310 jornalistas foram mortos, sendo 162 deles em zonas de
conflito.
Embora tenham ocorrido avanços modestos, com a taxa de
impunidade caindo de 95% em 2012 para 85% em 2024, a maioria dos responsáveis
por estes assassinatos segue sem punição.
Os ataques a jornalistas incluem violência física,
ameaças digitais e perseguição judicial. Muitos são forçados a deixar os seus
países. Desde 2018, mais de 900 profissionais do setor na América Latina e no
Caribe foram obrigados a exilar-se.
Repórteres do meio ambiente estão entre os mais expostos.
Cerca de 70% deles relatam ter sido atacados por causa do seu trabalho. Foram
749 ataques entre 2009 e 2023, com aumento acentuado nos últimos anos.
O assédio online também cresceu globalmente,
afetando de forma desproporcional as mulheres. Um novo estudo do Centro
Internacional para Jornalistas revelou que 75% das jornalistas e trabalhadoras
da mídia sofreram violência online relacionada com o trabalho em 2025,
em comparação com 73% em 2020.
Tendências positivas
Apesar do grave retrocesso global na liberdade de
expressão, o relatório identifica avanços importantes. Entre 2020 e 2025, mais
1,5 mil milhão de pessoas passaram a ter acesso a redes sociais e plataformas
de mensagens, ampliando as possibilidades de participação cívica em todo o
mundo.
O jornalismo de investigação colaborativo também ganhou
força no período, resultando num aumento de grandes reportagens
transfronteiriças. Equipas dedicadas à verificação de factos fortaleceram-se em
diversos veículos de imprensa.
Além disso, leis que reconhecem os
meios de comunicação comunitários vêm se multiplicando globalmente, ajudando a
preservar uma fonte vital de informação local.
A Unesco pede aos países que protejam
e invistam no jornalismo para promover sociedades pacíficas. Para a agência, a
defesa do jornalismo livre e independente deve ser reconhecida como uma
prioridade. ONU News – Nações Unidas
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