Dentro de alguns dias, no dia 2 de
março, o comentarista político Reinaldo Azevedo estará estreando no canal Metrópoles. Foi o próprio
Azevedo quem anunciou, em meados de janeiro, ter se demitido do portal Uol,
plataforma da Folha, onde apresentava Olha Aqui, além de escrever suas colunas.
Acostumado a trocar diariamente de boné e de camisa, vai
trocar mais uma vez de emprego, porém sem mudar de opinião. Quem garante é o
jornalista Pedro Zambarda, em franca ascensão no concorrido mundo das redes
sociais, talvez o primeiro a anunciar, no Canal Meteoro, a queda, embora
voluntária, de Azevedo.
Zambarda ainda não sabia, em janeiro, se Azevedo ficava
só na BandNews FM e TV, mas podia adiantar a causa da inesperada partida do
Uol, onde garantia uma boa audiência: a direção do Uol vai mudar sua linha
política, "o portal está se bolsonarizando neste ano de eleição e se
preparando para apoiar Flávio Bolsonaro ou o Tarcísio" e a prova é a
recente contratação de dois novos comentaristas vindos da direita conservadora,
Alexandre Borges e José Fucs. Uma escuta dos áudios dos novos comentaristas não
deixa dúvidas.
Uma reportagem de Gabriel Perline para Notícias da TV
conta a trajetória de Alexandre Borges, que inclui CNN Brasil, Jovem Pan e
Antagonista. E, embora não muito citado, Alexandre Borges, antes de ser
contratado como analista político pela CNN em 2021, tinha sido marqueteiro de
Wilson Witzel, eleito governador do Rio em 2018 e cassado em 1921; de Celso
Russomano, candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo em 2012; sendo amigo
pessoal de Flávio Bolsonaro, candidato à presidência.
José Fucs, vindo do Estadão e revista Exame, colunista da
Gazeta do Povo e colaborador da revista Oeste, é um liberal muito especial,
pois nega a tentativa de golpe, mesmo diante de Ricardo Kotscho e Daniela Lima
na sua primeira apresentação no Uol. Essa estreia foi muito mal recebida pela
audiência do Canal. Numa reportagem no Estadão, em 2019, Fucs chamava, o que
seria mais tarde conhecido como gabinete do ódio, de "rede bolsonarista
jacobina".
No anúncio de sua inesperada partida, diante do surpreso
Diego, seu apresentador no É da Coisa, Azevedo fez questão de frisar ser uma
decisão pessoal e a seu pedido, "eu pedi pra sair", "estou com
novos projetos, estou precisando descansar, reorganizar minha vida, cuidar
melhor de minha saúde", "não aconteceu absolutamente nada", não
quero e não vou dar entrevista. Eu pedi para sair e não ficar expondo. Eu fui
muito bem tratado no Uol, esse tempo que fiquei aqui. Sempre escrevi o que eu
quis, escrevo o que eu quero, não tenho nenhuma limitação". E negou também
qualquer relação de sua demissão com o Banco Master, nada a ver com o podcast
que faz com Walfrido Warde, advogado demissionário de Daniel Vorcaro,
enfatizando ser uma decisão sua.
Foi uma boa decisão do Reinaldo Azevedo essa de ir para o
Metrópoles?
O canal, de acordo com o site DCM, pertence ao Luiz Estevão,
ex-senador preso num grande escândalo, perdoado depois por Bolsonaro, apoia o
governador Ibaneis Rocha do Distrito Federal e faz uma campanha contra o STF,
utilizando o escândalo do banco Master e políticos bolsonaristas. Rui
Martins – Suíça
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Rui Martins é jornalista, escritor,
ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento
internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação
da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda
Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas
suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica
da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED,
l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et
Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito
na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil
e RFI.
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