Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Tailândia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tailândia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Macau - Mercado português de visitantes foi o que mais cresceu em 2025

A RAEM registou em 2025 um acréscimo de cerca de 14% nos visitantes internacionais, incluindo mais de 14.300 oriundos de Portugal, mercado que teve o maior crescimento anual, ao subir 43,5%. No entanto, a China Continental aumentou o seu peso nas entradas de visitantes, passando a representar 72,4% do total


Os esforços de diversificação dos visitantes em Macau produziram alguns resultados em 2025, com os mercados internacionais a registarem uma subida de 13,7% em termos anuais. Segundo os dados actualizados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau recebeu 2.755.474 visitantes internacionais, o que corresponde a 6,88% do total, uma percentagem que, todavia, ficou aquém dos 6,93% do ano anterior, devido ao crescimento acima da média do mercado da China Continental.

Portugal foi responsável pelo maior aumento entre os visitantes internacionais, embora o seu peso continue a ser quase inexpressivo no contexto geral do turismo de Macau. Ao longo de 2025, o território recebeu 14.331 visitantes de Portugal, número que ilustra um acréscimo homólogo de 43,5% e equivale a 0,04% do total. Desde 2008, quando começaram a ser compilados os registos das origens dos visitantes, o número mais elevado de entradas portuguesas foi atingido em 2017 (16.259).

Os Serviços de Turismo também retiraram dividendos da aposta no Sudeste Asiático, sobretudo junto dos visitantes das Filipinas (540.284), Indonésia (208.043), Malásia (188.977) e Tailândia (185.963), que cresceram 9,5%, 13,6%, 3,9% e 38,1%, respectivamente, face a 2024, compensando a quebra de 1,7% no mercado de Singapura (117.165).

Excluindo a Grande China, a Coreia do Sul foi a principal fonte de visitantes, com 547.638 (+11,3%). A DSEC destaca ainda os casos do Japão (159.455), EUA (162.460) e Índia (114.040), devido aos acréscimos de 26,1%, 9,8% e 9,8%, respectivamente.

No cômputo geral de 2025, o número de entradas de visitantes na RAEM totalizou 40.069.360, mais 14,7% em termos anuais, atingindo um novo recorde absoluto. Os dados incluem 23.524.943 excursionistas (+24,6%) e 16.544.417 turistas (+3,1%) num ano em que o período médio de permanência dos visitantes foi de 1,1 dias, menos 0,1 dias do que em 2024, devido ao reforço da proporção das excursões.

Os visitantes do Interior da China aumentaram 18,5% para 29.017.164, representando 72,4% do total, mais 2,3 pontos percentuais do que em 2024. Este crescimento foi fomentado pelos portadores de visto individual (15.440.699), que subiram 25,7%.

Já os visitantes de Hong Kong (7.300.582) e Taiwan (996.140) aumentaram 1,7% e 19,4%, respectivamente.

Preços dos quartos de hotéis caíram 3,5% em 2025

O preço médio dos quartos de hotéis em Macau desceu 3,5% para cerca de 1353 patacas em 2025, face ao ano anterior, segundo dados da Associação de Hotéis publicados no site dos Serviços de Turismo. Em 2024, os preços tinham subido 3,1% para 1402 patacas. No ano passado, a quebra foi impulsionada pelos quartos de cinco estrelas, cujo preço médio desceu 5% para 1513 patacas, bem como pelas unidades de três estrelas, onde se registou uma diminuição de 2,4% para 936 patacas. Em sentido contrário, os quartos de quatro estrelas encareceram 0,7%, para 1124 patacas. O preço médio tem em conta informações de 48 hotéis, incluindo 27 de cinco estrelas, 14 de quatro estrelas e sete de três estrelas. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 26 de março de 2025

Filipinas - Recebem cidadãos resgatados em centros de crime ‘online’ no Myanmar

Trinta pessoas desembarcaram ontem em Manila, os primeiros dos 206 filipinos que serão repatriados após serem resgatados de centros liderados por gangues de criminalidade ‘online’ no Myanmar, onde foram forçados a trabalhar.



O primeiro grupo chegou ontem de manhã num voo comercial ao Aeroporto Internacional Ninoy Aquino, na capital filipina, informou o subsecretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros das Filipinas, Eduardo de Vega, em declarações à televisão ABS-CBN. Esta quarta-feira, outros 176 filipinos regressarão a casa num voo fretado da Tailândia.

O subsecretário do Departamento de Trabalhadores Migrantes (DMW), Bernard Olalia, disse que os repatriados receberão uma ajuda financeira de 60.000 pesos (cerca de 1046 euros) à chegada.

As autoridades do país asiático afirmaram que os resgatados foram atraídos para a Tailândia com promessas fictícias de emprego, mas à chegada ao país foram traficados para o vizinho Myanmar para aí serem forçados a cometer fraudes ‘online’ a partir de computadores instalados nesses centros. “O nosso programa inclui fazer justiça, pelo que a DMN vai recolher testemunhos para podermos descobrir quem os recrutou ilegalmente e como chegaram a Myanmar”, afirmou Olalia, citado pelos meios de comunicação filipinos.

Nas últimas semanas, milhares de pessoas foram repatriadas depois de terem sido libertadas de centros de burlas online em Myanmar, no âmbito de uma mega operação liderada por Pequim.

A Tailândia espera receber cerca de 7000 pessoas provenientes do país vizinho.

A existência destes complexos, que na prática funcionam como prisões ou campos de escravos, no Sudeste Asiático, alegadamente geridos por máfias chinesas, onde as vítimas de tráfico de seres humanos são forçadas a cometer fraudes online, não é novidade.

Muitos destes complexos começaram por ser casinos ligados ao branqueamento de capitais. A dimensão das operações de salvamento pôs em evidência os abusos cometidos contra os trabalhadores forçados.

Um dos filipinos que regressou ontem ao seu país contou à ABS-CBN as longas horas de trabalho de quase 17 horas por dia, durante as quais tentava ganhar a confiança das vítimas para investirem em plataformas fraudulentas.

Aqueles que não atingiam as quotas estabelecidas pelos captores para os montantes de fraude, explicou, podiam ser deixados durante horas ao sol.

O Governo indonésio, que repatriou este mês 400 cidadãos resgatados de centros birmaneses, denunciou a tortura com eletrocussões e outras, bem como ameaças de remoção dos órgãos das vítimas de tráfico. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 10 de março de 2025

Timor-Leste - Jovens pianistas brilham em competições internacionais e preparam-se para novos desafios

Ainda muito jovens, Abílio António de Araújo Jr. e Afonso Rufino Abílio de Araújo têm acumulado sucessos em competições artísticas internacionais.



Os pianistas Abílio António de Araújo Jr., de 14 anos, e Afonso Rufino Abílio de Araújo, de 8 anos, destacaram-se, entre fevereiro e março deste ano, em competições realizadas na Indonésia, e garantiram a qualificação para atuar em eventos de prestígio em Banguecoque, na Tailândia, a 26 e 27 de março, e em Hanói, no Vietname, em julho.

Foram ainda convidados a competir em Pequim, na China, em abril, mas, devido a compromissos escolares, não poderão participar.

Abílio Araújo Jr., filho mais velho do economista e empresário timorense Abílio Araújo, conquistou o primeiro lugar na competição nacional Perfect Tone, realizada em Jacarta, a 2 de março. Já Afonso Araújo brilhou na Ronda Preliminar do Festival Internacional de Artes para Estrelas em Ascensão 2025, também em Jacarta, a 23 de fevereiro, garantindo a sua presença na ronda final, que acontecerá na capital vietnamita.

Desde a primeira participação em competições, os filhos do músico e compositor timorense Abílio Araújo têm conquistado vários títulos e viajado pelo mundo, demonstrando o seu talento.

A estreia ocorreu em outubro de 2023, na Rhapsodie.co: Volume 1, realizada no Centro de Convenções da Indonésia, em Jacarta Ocidental. Abílio Jr. alcançou o terceiro lugar, enquanto Afonso recebeu a 1.ª Comenda na categoria do Conselho Associado das Escolas Reais de Música.

As vitórias abriram portas para novas oportunidades. No ano passado, ambos participaram no 11.º Festival Internacional de Artes Performativas para Jovens de Hong Kong e Competição de Música, onde conquistaram distinções e medalhas de ouro.

Um mês depois, Abílio Jr. conquistou o ouro na categoria de Piano Romântico, e Afonso garantiu o diamante no Festival de Música Rhapsodie Indonésia 2024. Com estas conquistas, qualificaram-se como finalistas para a 8.ª Competição Internacional de Música Ásia-Egeu 2024, que ocorreu em agosto, em Taiwan.

Em julho de 2024, participaram no Festival Internacional de Música e Artes Performativas 2024, realizado no Pullman Legian Beach Bali, na Indonésia. Afonso venceu o primeiro prémio na sua categoria, enquanto Abílio Jr. conquistou a platina.

Em outubro passado, regressaram à Rhapsodie.co: Volume 2, onde Abílio Jr. alcançou a 1.ª Comenda nas suas categorias, e Afonso ficou em segundo lugar. Apesar da agenda repleta de compromissos, os irmãos optaram por oferecer um concerto de Natal no Palácio da Presidência, em Díli, em vez de competirem em Tóquio, no Japão.

Além das competições na Tailândia e no Vietname, os jovens pianistas participarão, em abril, no Festival Nacional de Piano da Indonésia.

Desafios e sonhos dos jovens pianistas

Os pais, entusiastas da música e das artes, têm investido na formação dos filhos e acreditam que este é apenas o início de uma jornada promissora no cenário musical internacional.

Foi também do pai, Abílio Araújo, que herdaram o gosto pela música. “Quando o pai toca piano, sentimos que todas as emoções se libertam, como uma chuva miudinha a cair suavemente”, disse Abílio Jr. em declarações ao Diligente.

Representar Timor-Leste em competições internacionais é algo que ambos encaram com responsabilidade. “Sentimos que carregamos o peso do nosso país nas mãos e que devemos brilhar para Timor-Leste sair vitorioso”, explicam.

Além do peso de representar o país, a pressão antes das competições é inevitável, mas os irmãos desenvolveram estratégias para lidar com o nervosismo. “Sentir ansiedade é normal, principalmente quando competimos contra outros pianistas talentosos. Para nos acalmarmos, repetimos para nós mesmos: ‘Dá o teu melhor’.”

Sobre a experiência mais marcante que já tiveram, ambos concordam: “Viajar para Hong Kong foi inesquecível”. Abílio Jr. encantou-se pelo ambiente. Já Afonso queria muito visitar a Disneyland.

Conciliar os estudos com os ensaios diários é um desafio, mas ambos aprenderam a organizar-se: “Precisamos de saber dividir bem o tempo. Assim, conseguimos ensaiar sem prejudicar a escola”.

Quanto aos sonhos, Afonso tem um objetivo claro: “Quero aprender a tocar todas as valsas de Chopin”. Abílio Jr. tem um desejo mais ambicioso: “Quero dominar a música de Rachmaninoff. A sua música é dramática, mas incrivelmente bela”.

E se pudessem escolher qualquer palco do mundo para atuar? A resposta é imediata: “O Concurso Internacional de Piano Frederic Chopin, em Varsóvia, na Polónia. É a competição mais prestigiada do mundo. Queremos um dia chegar lá”. Antónia Martins – Timor-Leste in Diligente


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

China e Tailândia unidas contra redes de burlas

O Presidente chinês, Xi Jinping, e a Primeira-ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, prometeram combater as redes de burla que assolam o sudeste asiático, durante um encontro, em Pequim.

Myanmar, Camboja e Laos, que se situam a sul da China e partilham fronteiras com a Tailândia, tornaram-se os principais centros de operações de fraude online, onde pessoas atraídas por falsos anúncios de empregos bem remunerados são mantidas em complexos secretos e forçadas a trabalhar para grupos criminosos que gerem burlas dirigidas a pessoas de todo o mundo. A situação tem afectado a reputação da Tailândia, uma vez que surgiram vários casos de chineses atraídos para trabalhar em Banguecoque para depois serem traficados para alguns complexos em Myanmar, sendo o actor Wang Xing a mais recente vítima.

A Tailândia e a China tomaram medidas para resolver o problema das burlas, incluindo uma visita de Liu Zhongyi, vice-ministro chinês da segurança pública, à região fronteiriça.

“A China aprecia as fortes medidas adoptadas pela Tailândia para combater a fraude online. As duas partes devem continuar a reforçar a aplicação da lei, a segurança e a cooperação judicial”, disse Xi, citado pela televisão estatal CCTV.

“A Tailândia está disposta a reforçar a cooperação em matéria de aplicação da lei com a China e outros países vizinhos e a adoptar medidas resolutas e eficazes para combater os crimes transfronteiriços, como o jogo e a fraude”, garantiu Paetongtarn.

Esta semana, a Tailândia cortou o fornecimento de electricidade a algumas zonas de Myanmar junto à sua fronteira, para tentar perturbar as operações dos grupos fraudulentos. O efeito desta medida não é claro, uma vez que os complexos têm frequentemente geradores próprios.

A visita à China é a primeira de Paetongtarn como Primeira-ministra e ocorre numa altura em que os dois países celebram 50 anos de laços diplomáticos.

Por outro lado, Xi afirmou que a China está pronta a trabalhar num novo projecto ferroviário entre os dois países. Na terça-feira, a Tailândia aprovou uma ligação ferroviária de 10 mil milhões de dólares que ligará Banguecoque à linha de alta velocidade Laos-China. Segundo Xi, os dois países também esperam aprofundar a cooperação no domínio dos veículos eléctricos, uma vez que a Tailândia é um mercado emergente para os fabricantes chineses.

A China já foi uma parte significativa do segmento turístico da Tailândia, mas em 2024, o número de visitantes baixou para 6,7 milhões, muito abaixo dos 11 milhões em 2019, quando os chineses representavam quase um terço de todas as chegadas. Paetongtarn frisou que a Tailândia está disposta a acomodar os interesses chineses em questões fundamentais.

Vincou ainda que a Tailândia respeita “firmemente” o princípio de ‘uma só China’, a posição de Pequim segundo a qual Taiwan faz parte da China. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sábado, 25 de janeiro de 2025

Tailândia - Regista primeiros casamentos “gay”

A Tailândia celebrou os seus primeiros casamentos LGBTQ+ com a entrada em vigor de uma lei que autoriza a união entre pessoas do mesmo sexo, uma novidade no sudeste asiático. Centenas de casais “deram o nó” em vários locais da Tailândia, incluindo na capital, Banguecoque, onde decorreu um casamento em massa numa atmosfera de celebração apoiada pelo governo da Primeira-Ministra Paetongtarn Shinawatra.



A Tailândia junta-se assim ao Nepal e a Taiwan na pequena lista de países ou territórios asiáticos líderes em matéria de direitos LGBTI, enquanto em nações como a Índia e o Japão a legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo é travada no sector político e nos tribunais. Por outro lado, a comunidade gay continua a enfrentar o estigma e a perseguição em países como a Malásia, Indonésia ou Brunei.

Dois conhecidos actores tailandeses, Apiwat “Porsch” Apiwatsayree, de 49 anos, e Sappanyoo “Arm” Panatkool, de 38, receberam a certidão de casamento num cartório de Banguecoque, enquanto duas mulheres, Sumalee Sudsaynet, de 64 anos, e Thanaphon Chokhongsung, de 59, oficializaram a união noutro bairro da capital. “Estamos muito felizes, esperámos 10 anos por este dia”, declarou Thanaphon, citada pela agência AFP.

Enquanto isso, dezenas de casais LGBTQ+ vestidos com trajes de casamento tradicionais e contemporâneos acorreram a um grande salão num centro comercial para uma cerimónia colectiva organizada pela ‘Bangkok Pride’ e autoridades da cidade. No local, fileiras de funcionários em mesas ajudavam os casais a preencher formulários de casamento antes de receberem as suas certidões.

Ariya “Jin” Milintanapa, transgénero, disse estar “entusiasmada” com este dia, após duas décadas de espera. “Este dia é importante não só para nós, mas para os nossos filhos. A nossa família finalmente será uma”, afirmou.

A lei do casamento igualitário foi aprovada em Junho e ratificada em Setembro pelo rei Maha Vajiralongkorn. A legislação utiliza termos de género neutro em vez de “homens”, “mulheres”, “esposos” e “esposas”, e concede direitos de adopção e herança aos casais do mesmo sexo.

A Primeira-Ministra Paetongtarn Shinawatra declarou na semana passada que, independentemente do género, o “amor não tem limites nem expectativas”. “Todos serão protegidos pelas mesmas leis”, assegurou.

A Tailândia tem uma fama internacional de tolerância com a comunidade LGBTQIA+ e inquéritos publicados por meios de comunicação locais revelam amplo apoio ao casamento igualitário. No entanto, grande parte deste reino de maioria budista mantém valores tradicionais e conservadores, e as pessoas sexualmente diversas dizem enfrentar obstáculos e discriminação na vida quotidiana. In “Jornal Tribuna de Macau” com “Agências Internacionais”


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Tailândia - Melco Resorts & Entertainment espreita oportunidades no país

Embora ainda aguarde esclarecimentos sobre os regulamentos dos futuros resorts com casinos na Tailândia, a Melco Resorts & Entertainment já abriu um escritório em Banguecoque para explorar oportunidades de investimento na “Terra dos Sorrisos”. Para Lawrence Ho, eventuais projectos em cidades como Banguecoque ou Phuket têm “grande potencial”



A Melco Resorts & Entertainment abriu um escritório de representação em Banguecoque, com o objectivo de explorar oportunidades de investimento na Tailândia, país que deverá abrir as portas à operação de casinos em resorts integrados, prevendo-se que o Parlamento aprove a respectiva legislação no corrente ano. A instalação de um escritório na capital tailandesa insere-se no quadro desse processo, embora a Melco ainda esteja à espera de clarificações sobre as regras e os regulamentos dos futuros complexos de entretenimento para determinar a dimensão de um eventual investimento no país do Sudeste Asiático, explicou o presidente e director executivo do grupo, Lawrence Ho, num evento promovido em Banguecoque para anunciar uma parceria com a “Thailand Creative Content Agency” (THACCA), organismo que abarca os sectores criativos e culturais e que foi criado pelo Governo tailandês com o intuito de converter o país numa referência mundial na área do “soft power”.

De acordo com o jornal “Bangkok Post”, Lawrence Ho reconheceu que cidades como Banguecoque e Phuket têm “grande potencial” para o desenvolvimento de resorts integrados.

Depois de ter abandonado a “corrida” ao jogo no Japão em 2021, deixando cair os planos para investir em Yokohama, o grupo Melco opera actualmente resorts com casinos em Macau, nas Filipinas e Chipre, e está a desenvolver um novo empreendimento em Colombo, capital do Sri Lanka, com abertura prevista para meados deste ano. Além disso, possui escritórios de representação em Hong Kong, Singapura, Filipinas, Chipre e agora na Tailândia.

Para já, a parceria entre a Melco e a THACCA está centrada no programa “Global Soft Power Talks”, uma série de eventos destinada “a elevar a identidade da Tailândia através de contribuições culturais, criativas e inovadoras no entretenimento, design, arquitectura e muito mais”, segundo explicaram as duas partes num comunicado conjunto. Agendada para o próximo dia 24 de Fevereiro, a primeira sessão deverá contar com intervenções da Primeira-Ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, e líderes globais nos sectores da gastronomia, “branding”, design, arquitectura e artes performativas, entre outros.

Promover os activos culturais da Tailândia

“A nossa parceria com a Melco capacita-nos para amplificar a identidade e os activos culturais da Tailândia, garantindo que as nossas indústrias criativas são reconhecidas e celebradas em todo o mundo. Através de iniciativas como as ‘Global Soft Power Talks’, pretendemos inspirar inovação, colaboração e oportunidades que irão fortalecer a presença da Tailândia no panorama mundial”, sublinhou Surapong Suebwonglee, presidente da THACCA.

Na mesma linha, Lawrence Ho sustentou que a “rica herança cultural e o potencial criativo” tornam a Tailândia num “líder natural em ‘soft power’”. “O nosso papel é trazer expertise global, promover a troca de conhecimento e capacitar os talentos tailandeses para que atinjam o seu potencial máximo no panorama internacional”, acrescentou, garantindo ainda que o “sucesso” da Melco reside na “capacidade de combinar luxo, cultura e criatividade para criar experiências transformadoras”.

Ao abrigo desta parceria, cinco cidadãos tailandeses “excepcionais” também terão a oportunidade de participar num programa de formação de três meses com especialistas mundiais em centros criativos globais, incluindo nos EUA, Reino Unido, Itália, França e Macau.

“‘Global Soft Power Talks’ é mais do que apenas um evento. É um movimento para redefinir a forma como a Tailândia se envolve com o mundo”, acentuou Surapong Suebwonglee.

Wynn Resorts vai comprar casino em Londres

A Wynn Resorts, accionista maioritária da Wynn Macau, estabeleceu um acordo para adquirir o casino “Crown London” ao grupo australiano Crown Resorts, por um montante não especificado. O negócio, que ainda carece das aprovações regulatórias, deverá ser oficializado no segundo semestre deste ano. “Esta aquisição de um activo icónico oferece-nos uma presença numa cidade de entrada global e criará um canal para os hóspedes do Wynn visitarem os nossos resorts, particularmente o Wynn Al Marjan Island, com inauguração prevista para o primeiro trimestre de 2027 em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos”, disse o presidente executivo da Wynn Resorts, Craig Billings, citado no comunicado. Já a Crown Resorts frisou que a transacção apoia o seu foco no crescimento dos principais activos do grupo na Austrália, nomeadamente em Melbourne, Sydney e Perth. Anteriormente conhecido como “Aspinall’s”, o “Crown London” foi adquirido pela Crown Resorts em 2011. Este casino exclusivo para membros abrange dois imóveis históricos no luxuoso bairro de Mayfair, em Londres, disponibilizando 20 mesas de jogo, um restaurante e um lounge para entretenimento. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Tailândia - Herança arquitectónica portuguesa é motivo de debate

Desde Ayutthaya até ao centro histórico de Phuket, passando pela capital Banguecoque. O património arquitectónico edificado de origem portuguesa carece de alguma atenção, defendeu a arquitecta Maria José Freitas ao Ponto Final. Um webinar recentemente realizado pretendeu ser mote para uma discussão mais aprofundada sobre a presença ocidental no antigo reino do Sião


Em jeito de preparação para a próxima assembleia geral anual internacional do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla inglesa), o Comité Científico Internacional sobre Património Construído Partilhado (ISCSBH, na sigla inglesa) realizou um webinar no passado dia 3 de Setembro onde se discutiu a presença de arquitectura e património partilhado, de índole ocidental, na Tailândia, antigo reino do Sião.

“O objectivo foi o de analisar criticamente as arquitecturas europeias na Tailândia. Acompanhando a presença portuguesa e holandesa, e não só, este tipo de arquitectura atingiu um estágio de consolidação, particularmente no período da segunda metade do século XIX até à Segunda Guerra Mundial, momento histórico significativo de transformação para aquela região, antigamente denominada por Sião”, referiu ao Ponto Final a arquitecta Maria José Freitas, presidente do ISCSBH.

Há vestígios de arquitectura ocidental em diversas partes da Tailândia. A antiga capital Ayutthaya é um desses exemplos. Por ali encontram-se os Campos Portugueses, muito provavelmente resquícios da maior comunidade ocidental na cidade. Ainda hoje se pode ver aquilo que são as ruínas das igrejas de São Pedro e de São Paulo, onde jazem ossadas de antepassados portugueses. “Muito deste património está pouco preservado e carece de maior atenção”, constatou Maria José Freitas

Também o centro histórico de Phuket ou alguns edifícios na actual capital Banguecoque são “declaradamente reflexo da presença portuguesa no Sião”. “Muitos edifícios construídos neste período moderno estão actualmente em uso. Por exemplo, o edifício da Embaixada de Portugal é grande exemplo disso. Torna-se, por isso, premente olhar para todos estes exemplos, procurando soluções que passem pela sua preservação, porque são exemplos únicos. É importante ter em conta como o processo de patrimonialização – parcialmente em construção – está em constante desenvolvimento”, referiu a arquitecta portuguesa ao nosso jornal.

No webinar, para além da intervenção de Maria José Freitas que falou de Portugal e da Tailândia, bem como dos 500 anos de história partilhada e património edificado como memória presente, houve ainda lugar para a discussão da génese e razões para uma presença europeia na Tailândia, por Luc Citrinot, bem como uma visão sobre a presença europeia na Tailândia, por Peeraya Boonprasong. As presenças alemã e italiana também não ficaram esquecidas com discussões promovidas, respectivamente, por Siegfried Enders e Romeo Carabelli. “Uma espécie de ‘outra Europa’, modernidade e tecnologia do poder não colonial. Uma experiência insubstituível de cooperação para o desenvolvimento”, defenderam.

Recorde-se que, historicamente, Portugal e Tailândia têm uma história que se toca por diversas vezes ao longo de 500 anos. Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar àquele país do sudeste asiático. A relação entre os dois territórios remonta ao ano de 1511, quando Afonso de Albuquerque conquistou Malaca, território que prestava vassalagem ao reino do Sião. Para apaziguar os ânimos, o vice-rei da Índia enviou o emissário Duarte Fernandes à capital do reino, Ayutthaya, onde foi muito bem recebido. Depois, os portugueses “instalaram-se” por lá, dando inclusive origem a uma comunidade luso-siamesa que ainda hoje tem descendência na Tailândia, tal e qual Malaca. Em 2018, celebraram-se os 500 anos do Primeiro Tratado de Amizade e Comércio celebrado entre os dois países. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Tailândia - Portugal vence a maior competição de Robótica do Mundo, o RoboCup 2022

A equipa das universidades do Porto e de Aveiro foi a grande vencedora da liga de "Simulação 3D" do RoboCup 2022


A equipa FC Portugal, composta pelo Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores da Universidade do Porto (LIACC/U.Porto), sediado na Faculdade de Engenharia (FEUP), e pelo Instituto de Eletrónica e Informática de Aveiro (IEETA/UAveiro), acaba de sagrar-se campeã do mundo no RoboCup 2022, a competição de robótica que decorreu em Banguecoque, na Tailândia, entre os dias 13 e 17 de julho.

A histórica vitória foi alcançada na liga de Simulação 3D, após o triunfo por 6-1 frente à equipa alemã magmaOffenburg, resultado que espelha bem o domínio da equipa FC Portugal, cujo historial incluía já dois terceiros lugares – em 2016 e 2018 – na competição.

A prestação dos robôs portugueses na competição permitiu ainda interromper um ciclo vitorioso dos EUA que durava há vários anos:  84 golos e só 2 sofridos, numa prova em que participaram 10 equipas provenientes da Alemanha, Brasil, China, EUA, França e India.

O RoboCup é a mais importante competição mundial de robôs e tem como objetivo principal promover a investigação e desenvolvimento em Robótica e em Inteligência Artificial. O desafio é que universidades de todo o mundo possam testar os seus limites a partir de uma competição de futebol robótico com robôs domésticos e industriais ou então simulando missões de socorro e salvamento sempre com robôs.

O RoboCup teve a sua estreia em 1997 em Nagoia, Japão, e acontece anualmente em vários países e continentes. No caso do futebol robótico, o grande objetivo é que em 2050 exista uma equipa de robôs humanoides que possa defrontar a seleção campeã do mundo de futebol desse ano.

Além das competições, o RoboCup inclui ainda uma conferência científica designada RoboCup Symposium, que este ano contou com a organização de Nuno Lau, Professor da Universidade de Aveiro, e um dos membros da equipa FC Portugal.

A próxima edição do RoboCup vai decorrer em Bordéus, França, em julho de 2023, potenciando assim uma participação de equipas portuguesas muito mais numerosa.

A participação portuguesa

A equipa FC Portugal é um projeto conjunto das universidades do Porto e Aveiro, que usa as competições de futebol robótico do RoboCup para desenvolver investigação em Coordenação de Equipas de Robôs e Aprendizagem Computacional para Robôs e Equipas de Robôs. A equipa, este ano, foi composta por Miguel Abreu (estudante do Programa Doutoral em Engenharia Informática da FEUP e investigador do LIACC), Nuno Lau (Universidade de Aveiro/IEETA) e Luís Paulo Reis (FEUP/LIACC), embora outros estudantes das Universidades do Porto e Aveiro tenham também colaborado no seu desenvolvimento.

A equipa FC Portugal é baseada em comportamentos desenvolvidos usando inteligência artificial, nomeadamente aprendizagem por reforço e usa técnicas multiagente para a coordenação da equipa. A segurança e robustez do jogo de equipa é potenciado por uma movimentação em campo rápida e omnidirecional (os robôs humanoides podem andar em todas as direções) e por uma manipulação de bola de excelente qualidade (drible e chuto) que surpreendeu todas as equipas.

Esta foi a primeira vitória de uma equipa portuguesa numa competição principal do RoboCup desde a vitória da equipa CAMBADA, da Universidade de Aveiro, em 2008, na Liga de Robôs Médios. Universidade do Porto – Portugal

Mais Informações




segunda-feira, 16 de maio de 2022

Tailândia - Indústria de orquídeas prejudicada pela pandemia e guerra


Os orquidófilos da Tailândia, já cansados ​​após dois anos de serem atingidos pela pandemia, preparam-se para nova baixa nos rendimentos à medida que a guerra na Ucrânia e as mudanças nos padrões climáticos obscurecem ainda mais o seu futuro.

Outrora considerado um passatempo popular entre a elite da Tailândia, o cultivo de orquídeas transformou-se numa indústria multimilionária, e o reino é o maior produtor e exportador mundial de orquídeas cortadas. A pandemia, porém, viu recentemente, uma em cada cinco quintas fechadas, de acordo com a Associação Tailandesa de Exportadores de Orquídeas.

“Ninguém tem coragem de comprar flores, e o transporte é muito complicado”, disse Somchai Lerdrungwitayachai, enquanto olhava desesperado para o mar de púrpura na sua fazenda de orquídeas a oeste de Banguecoque.

Ele cultiva orquídeas Dendrobium Sonia – uma variedade híbrida com delicadas pétalas brancas e roxas. Populares no Japão, China e EUA, são utilizadas ​​em variados eventos, desde cerimónias religiosas até formaturas universitárias.

Na sua propriedade de 20 hectares, os trabalhadores tratam as flores com uma solução especial antes de cortar os caules e colocá-los num pequeno frasco contendo vitaminas e nutrientes, para preservar a sua aparência fresca até duas semanas.

Mas os tempos estão difíceis. Há dois anos que Somchai está a usar as suas economias para continuar a pagar aos seus 50 funcionários. A covid-19 e a invasão da Ucrânia pela Rússia elevaram os preços dos fertilizantes e pesticidas em 30%, explicou.

Somando-se a estes problemas, as vendas estão em queda dramática: a China pré-pandemia comprava habitualmente 270 milhões de orquídeas anualmente da Tailândia e no ano passado, o número caiu para apenas 170 milhões. O prejuízo veio dos centros urbanos chineses que antes, eram responsáveis por 80% da receita de exportação de Somchai.

Os confinamentos devido aos coronavírus em várias grandes cidades são considerados responsáveis pelas quebras das encomendas, mas também houve problemas com o transporte rodoviário das orquídeas. Onde demorava apenas três dias, o mesmo trajecto pode agora pode levar entre oito a 10 dias.

No negócio das flores, tempo é dinheiro, e orquídeas murchas são frequentemente descartadas antes que possam chegar à casa de um cliente.

Enquanto Somchai entrega os seus produtos directamente no exterior, a maioria dos cultivadores de orquídeas na Tailândia usa grandes exportadores baseados em Banguecoque. Os custos do frete aéreo triplicaram ou quadruplicaram nos últimos meses, dependendo do destino, disse Wuthichai Pipatmanomai, vice-presidente da Associação Tailandesa de Exportadores de Orquídeas e co-proprietário da Sun International Flower, uma grande exportadora.

Antes da pandemia, a empresa entregava 3,6 milhões de orquídeas por mês para China, Japão, Vietname e EUA. Agora, apenas 1,2 milhão de flores saem do depósito e ele teve de demitir metade da sua equipa. “Pedimos apoio financeiro às autoridades, mas não recebemos nada”, disse Wuthichai. “O tempo está a esgotar-se”.

Aumentar o preço de venda em 20% fez com que vários importadores – principalmente os da Europa – o abandonassem para se concentrar em mais flores locais. A única esperança é que as vendas para o Japão permaneçam estáveis ​​e as habituais para os EUA aumentem com o início da temporada de casamentos, referiu.

A longo prazo, porém, as mudanças nos padrões climáticos também são preocupantes para os produtores. “Estamos a experimentar cada vez mais os efeitos das alterações climáticas”, disse Wutachai, apontando para uma recente onda de frio surpresa no início de Abril, quando a temperatura caiu acentuadamente de 36°C para 21°C em apenas 24 horas, afectando a produção de orquídeas.

“Estamos preocupados que essas situações ocorram cada vez com mais frequência”, salientou.

Fortunas murchas

As restrições no país, por causa das infecções por coronavírus também atingiram as vendas domésticas – a falta de turistas fez com que restaurantes e hotéis reduzissem os pedidos, e as proibições de reuniões afectaram as cerimónias budistas tailandesas. E apesar da reabertura internacional do reino, a procura local ainda continua morna.

É certo que o maior mercado de flores de Banguecoque continua a parecer frenético, com os retalhistas a correr carregados de grandes cestos contendo flores. Os vendedores, contudo, contam uma história diferente. Than Tha Win, na sua barraca de orquídeas aguarda pacientemente por clientes, e diz que as suas vendas caíram 70%. “Todos ainda têm medo de vir ao mercado por causa do covid-19”, disse o jovem de 21 anos.

A vendedora Waew, de 45 anos, disse que agora tem diariamente, cerca de 600 orquídeas não vendidas e tenta conter as perdas arrancando as pétalas e vendendo-as como um produto separado.

“Parar de trabalhar com orquídeas? Impossível, não sei fazer outra coisa”, reconhece. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


 

quarta-feira, 20 de abril de 2022

“O Oriente Místico de Chao Bálos” romance histórico de Pedro Daniel Oliveira

O ex-jornalista português, radicado na Tailândia, apresenta o seu primeiro livro, primeiramente em formato e-book, no próximo dia 1 de Maio. A obra narra a vida de um português do século XVI, que decide deixar o Reino de Portugal, e despedindo-se do amigo de infância, Damião de Góis, parte para o desconhecido Oriente. “Bastante exigente” consigo próprio, o autor acabou por escrever a obra “conforme a prática do século XVI, um pouco adaptada aos tempos modernos”

O ex-jornalista português Pedro Daniel Oliveira, que viveu 17 anos em Macau e actualmente encontra-se radicado em Banguecoque, na Tailândia, vai lançar no próximo dia 1 de Maio o seu primeiro livro, um romance histórico intitulado “O Oriente Místico de Chao Bálos” que versa sobre a vida de um português do século XVI – Chao Bálos (nome asiático de João de Barros) –, que decide deixar o Reino de Portugal e parte para o desconhecido Oriente.

E como surgiu, agora, esta oportunidade de editar o livro, perguntámos a Pedro Daniel Oliveira. Ao Ponto Final, o antigo profissional da comunicação social explicou que há dez anos foi orador da palestra “Os Portugueses no Sião”, no C&C Club, da Fundação Rui Cunha. “Na altura fui incitado a escrever um livro sobre a temática, mas depressa percebi que não ia acrescentar nada de novo ao que historiadores e investigadores já tinham avançado. O romance histórico foi o caminho natural. Sou bastante exigente comigo próprio e impus o desafio de escrever conforme a prática do século XVI, um pouco adaptada aos tempos modernos. Foi um longo processo de aprendizagem e aperfeiçoamento pelo qual tive de passar. Quis também ser fiel, o mais possível, aos acontecimentos da época, resultando tudo em muito tempo de pesquisa e de confrontação de fontes.”

Do Reino de Narsinga à Terra do Elefante Branco, passando pela Ilha de Sanchoão, Chao Bálos começa o seu périplo por Goa, pela região do Malabar, pelo Médio Oriente, mais concretamente, Mascate e Ormuz, chegando inclusivamente a ir a Meca. “Uma falsa embaixada bem-sucedida que efectua no Reino do Achém (Aceh), na ilha de Samatra, faz com que se refugie no bandel dos portugueses em Odiaa (Ayutthaya), capital do Reino do Sião, actual Tailândia. Numa ida a Sunda conhece o aventureiro Fernão Mendes Pinto, que viaja no junco do herói para Odiaa, e vão depois incorporados no exército siamês para fazer a guerra no Chiang Mai, então reino vassalo do Sião”, pode ler-se na sinopse do livro, enviada em comunicado de imprensa pelo autor.

Regressado da guerra, refere ainda a mesma sinopse, “um amor proibido com uma mulher nobre siamesa faz com que a sua vida corra perigo, escapando por pouco da morte que foi orquestrada por um poderoso homem da corte. O herói é então obrigado a fugir. Anos mais tarde encontra-se na ilha de Sancham (ilha de Sanchoão), na China, onde testemunha as derradeiras semanas de vida do Padre Mestre Francisco de Xavier, depois tornado Santo”.

A residir em Malaca, o capitão da fortaleza confia-lhe a missão de ir a Goa entregar uma carta ao provincial da Companhia de Jesus. Nesta sua curta estadia na capital do império ultramarino conhece fortuitamente Luís Vaz de Camões, partilhando ambos algo em comum.

Do nosso lado, a incerteza sempre presente. Se não existem dúvidas de que Camões esteve em Goa, o mesmo não se passa em relação à sua presença em Macau, apesar da existência da Gruta de Camões no jardim com o nome do poeta, no centro de Macau. Alguns académicos defendem a presença do poeta em Macau. Outros há que acreditam piamente que nunca pisou o solo do território. Esteve e não esteve em Macau o poeta português, autor d’Os Lusíadas? “Menciono isso no livro. Ambas facilmente se comprovam”, afirmou Pedro Daniel Oliveira, sem mais se alongar sobre o assunto.

Pedro Daniel Oliveira ressalvou, durante a conversa que mantivemos, que o romance histórico que agora torna público “abarca um pouco do reinado de D. Manuel I e o início do reinado de D. João III, continuando depois com a chegada de Vasco da Gama a Goa para ser Vice-Rei, e sua morte, as diferenças da Índia entre Lopo Vaz de Sampaio e Pero Mascarenhas e estende-se ate à morte do Padre Mestre Francisco de Xavier na ilha de Sanchoão, o assentamento dos portugueses em Macau, a queda de Ayutthaya (Odiaa) às mãos dos birmaneses e a morte dos primeiros padres dominicanos no Sião”. “A novela histórica tem uma componente místico-religiosa, na qual são abordados vários temas relacionados com o cristianismo-catolicismo, o islamismo, o hinduísmo e o budismo.”

Escrever, reescrever e a liberdade para ficcionar

Ao nosso jornal, o português confessou ainda que a pesquisa histórica para a feitura deste livro “foi contínua”. “Muitas vezes tive que reescrever o que tinha escrito por ter informação mais completa sobre determinados eventos ou situações. Noutras tive que optar pela minha versão, pois nem sempre as versões da altura eram coincidentes. Tive liberdade para ficcionar, sempre com o propósito de não enganar o leitor, assim como me aconselhou a aclamada Deana Barroqueiro numa agradável conversa que tivemos na esplanada da pastelaria Caravela, por altura de uma edição do Rota das Letras”, disse, acrescentando que, no total, o livro demorou oito anos e meio a ser escrito.

A sua presença de anos em Macau, onde chegou a formar família, bem como os anos que já leva de vivência na Tailândia, deram a Pedro Daniel Oliveira alguma bagagem para poder escrever sobre esta aventura a Oriente. Contudo, o autor explica que o fascínio pela Ásia vem de longe e, aproveita para agradecer a quem lhe proporcionou, um dia, deixar Portugal rumo a longínquas paragens. “Em pequeno via na televisão a série ‘Os Heróis de Shaolin’. E via filmes do Bruce Lee com as cassetes Beta. Começou aí o meu fascínio pela Ásia. Confesso que nunca pensei viver na Ásia, muito menos em Macau ou na Tailândia. Só posso estar grato pelos anos que vivi em Macau. O Manuel Gonçalves permitiu que trabalhasse na TDM, o José Rocha Diniz que fosse jornalista e o padre Albino, e depois o padre Mandia, sem esquecer o José Miguel Encarnação, que bebesse o suficiente da religião católica para que este livro pudesse ver a luz do dia. Acho que apesar de tudo tive sorte”, confessou ao Ponto Final.

O primeiro livro de Pedro Daniel Oliveira, com 581 páginas, é uma edição de autor. O autor confessou ao nosso jornal que contactou cerca de 25 editoras em Portugal, para as quais enviou um exemplar do livro, mas apenas uma se mostrou disponível para o editar em livro. “Infelizmente, a resposta deles ocorreu no auge da pandemia. Estando a residir na Tailândia tornou tudo muito difícil para mim. Sem querer avançar datas, a edição em papel está certamente nos meus planos, mas por agora julgo que neste momento não é ainda a altura ideal para avançar”, admitiu.

A presente edição, que inclui um extenso glossário e uma lista toponímica que documentam a pesquisa desenvolvida para a construção deste romance, conta ainda com ilustração de capa da autoria do cartoonista Rodrigo de Matos e grafismo de Oswald Pio Vas. O livro “O Oriente Místico de Chao Bálos” estará, numa primeira fase, apenas disponível na loja virtual da Amazon Books, sendo primeiramente disponibilizado no formato Kindle eBook, sendo que deverá ser publicado posteriormente no formato tradicional. A pré-venda está disponível em www.amazon.com/~/e/B09Y74XGWS. E o que podemos esperar da adesão do público? Pedro Daniel Oliveira é um “optimista por natureza”. “Há público que certamente vai adorar. No entanto, estou curioso em saber qual será a aceitação por parte do público em geral sobre um tipo de escrita não convencional e que é um pouco mais densa do que outros romances de época”, vaticina o autor.

Pedro Daniel de Oliveira nasceu em Benavente, Portugal, em 1974. Tem forte ligação a Alenquer, pelo lado materno, e a Samora Correia, pelo lado paterno. Alistou-se na Força Aérea Portuguesa, fez o curso de Polícia Aérea e tirou a subespecialidade de Treinador Tratador de Cães Militares, desempenhando serviço no CFMTFA. Ingressou na Polícia de Segurança Pública e ficou colocado na 81.ª Esquadra de Miraflores, Divisão de Oeiras, do COMETLIS. Pediu exoneração da corporação e em Fevereiro de 2000 emigrou para Macau. Trabalhou como assistente de realização na Teledifusão de Macau (TDM). Em Agosto de 2004, transitou para o jornalismo no Jornal Tribuna de Macau. Prosseguiu a actividade profissional no semanário católico O Clarim durante quase todo o ano de 2005, e optou por regressar a Portugal, onde continuou como jornalista no semanário regional O Mirante. Voltou a Macau em finais de 2007 e retomou funções no semanário O Clarim, colaborando esporadicamente com a Revista Macau e com a Macao Magazine. Reside em Banguecoque, capital da Tailândia, desde Setembro de 2018. Presentemente, está a tirar a licenciatura em Gestão de Negócios Internacionais, na Bangkok Thonburi University. É grande adepto de desporto. Praticou atletismo no Maratona Clube de Portugal, foi internacional por Macau em hóquei em patins e dedica-se agora ao CrossFit. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 25 de junho de 2021

Timor-Leste - Porto de Tíbar contribuirá para crescimento económico do país, segundo o embaixador da Tailândia

Díli – O Embaixador da Tailândia em Timor-Leste, Ekapol Pulpipat, apreciou o compromisso do Governo timorense de construir o Porto de Tíbar por considerar que a obra ajudará o país no seu crescimento económico.

O embaixador revelou ainda que existem inúmeros empresários tailandeses que querem investir em Timor-Leste.

“Assim que o novo porto timorense esteja pronto, os nossos empresários vão iniciar o investimento em Timor-Leste. O Governo tailandês está pronto a cooperar com o seu homólogo timorense, principalmente com o Ministério da Agricultura e Pescas. Pretendemos acelerar os serviços de importação e exportação de bens, quando o porto estiver concluído”, disse Pulpipat à Tatoli, no seu local de trabalho no Farol, Díli.

Ekapol Pulpipat sublinhou também que o Porto de Tíbar disponibilizará postos de trabalho para jovens timorenses, uma vez que atracarão no local navios de carga vindos de vários países para transportarem produtos comerciais de e para Timor-Leste.

“Assim, a economia do país vai desenvolver-se e o Governo timorense arrecadará mais impostos para os seus cofres”, defendeu.

Recorde-se que a cerimónia de lançamento da primeira pedra para a construção do Porto de Tíbar foi realizada a 30 de agosto de 2018 pelo Primeiro-Ministro Taur Matan Ruak.

O projeto deveria ser concluído no próximo mês de agosto, mas tal não será possível devido à crise sanitária provocada pela covid-19, pelo que o seu término foi reagendado para o mês de abril de 2022. Camilio de Sousa – Timor-Leste in “Tatoli”

 

sábado, 1 de agosto de 2020

Tailândia – O país que que melhor está a recuperar da pandemia

De acordo com o Índice Global COVID-19 (GCI), a Tailândia ocupa o primeiro lugar no ranking mundial dos 184 países que registaram a maior recuperação da pandemia causada pelo novo coronavírus, tendo obtido uma pontuação de 82,06% no índice de recuperação

Até hoje, foram confirmados 3312 casos de covid-19 na Tailândia, dos quais 3135 já se encontram recuperados, 119 em tratamento e 58 mortes. Este resultado veio confirmar o país como um exemplo em termos de esforço no combate à pandemia.

A Tailândia começou a tomar medidas de prevenção contra a pandemia logo no início do ano, em janeiro, e tem mantido restrições muito fortes à entrada de viajantes no país, tendo encerrado todos os acessos marítimos, aéreos e terrestres ao turismo.  Dentro do próprio país cumpre-se também o recolher noturno das 22h00 às 04h00, limitações nas deslocações entre províncias e a proibição de encontros sociais.

O GCI baseia 70% dos seus cálculos em grandes dados e análises diárias de 184 países, enquanto os outros 30% provêm do Índice de Segurança Sanitária Global, uma avaliação da segurança sanitária global de 195 países preparada pelo Centro Johns Hopkins para a Segurança Sanitária nos Estados Unidos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Tailândia - Jornalista condenada a prisão por injúrias em comentário sobre exploração de imigrantes

Banguecoque - Um tribunal tailandês condenou uma jornalista a dois anos de prisão por injúrias, devido a um comentário na rede social Twitter sobre uma queixa sobre exploração de trabalhadores imigrantes num aviário.

Suchanee Cloitre, que então trabalhava no canal de TV Vocie, foi denunciada pela Thammakaset Co por comentar uma queixa de maus-tratos interposta por 14 imigrantes birmaneses em agosto de 2016 contra a empresa.

O tribunal de Lopburi, no centro do país, determinou a sentença de prisão à jornalista, libertada após pagar uma fiança de 75 mil baht (2240 euros), avançou hoje a agência de notícias Efe, que cita o advogado, Waraporn Uthairangsri.

"Suchanee ficou muito surpresa. O tribunal não deveria condená-la com uma pena tão grave. Mas agora ela está mais calma e a preparar o apelo", disse.

Grupos de direitos humanos denunciam o uso deste tipo de ações judiciais como uma forma de intimidação e assédio a ativistas. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Timor-Leste - Duas crianças timorenses participarão na comemoração do Dia Mundial da Criança em Banguecoque



DÍLI — A Comissária Nacional dos Direitos da Criança, Dinorah Granadeiro, disse que o Ministério da Solidariedade Social e Inclusão realizou um seminário sobre o Dia Mundial da Criança, subordinado ao tema Estadu no Parte Hotu Investe atu Labarik Goza Sira-Nia Direitu, com vista à celebração dos direitos das crianças.

Além da comemoração deste dia, teve ainda lugar a abertura do processo de seleção de crianças que representarão o Estado timorense em Banguecoque, na Tailândia, no âmbito da celebração do Dia Mundial da Criança a nível regional.

“Neste processo de seleção, vamos tentar encontrar duas crianças – uma rapariga e um rapaz, para que possam representar o Estado timorense na celebração dos 30 anos desta convenção a nível regional, em Banguecoque”, disse a Comissária Nacional dos Direitos das Crianças, Dinorah Granadeiro, em declarações aos jornalistas, no salão da Luz Clarita.

No âmbito da celebração deste dia, Timor-Leste pretende efetuar o lançamento de duas campanhas nacionais no próximo dia 25 de novembro, uma associada ao tema da violência contra as crianças e outra centrada na proibição de efetuar compras a crianças.

“Iremos lançar estas duas campanhas. Uma referente ao tema da violência contra as crianças, porque registamos um número elevado de casos de maus tratos. A outra campanha pretende impedir que pessoas possam comprar bens às crianças que vendem os seus produtos nas ruas da cidade de Díli. Então, queremos sensibilizar os pais para que não obriguem os seus filhos a venderem bens para obter rendimento familiar. As crianças não têm obrigação de procurar rendimento para a família”, referiu.

“Se as pessoas se habituarem a não comprar os bens que as crianças vendem nas ruas, estas acabarão por desistir de vender.  Por isso, vamos sensibilizar e educar a população para que evitem comprar às crianças,” acrescentou.

Dinorah destacou ainda a importância de todas as crianças usufruírem de momentos de lazer, no gozo dos seus plenos direitos, de frequentarem a escola, entre outros.

Segundo a Comissária Nacional dos Direito das Crianças, apesar de o rendimento familiar em Timor-Leste ser inferior a de muitos países, abaixo dos padrões exigíveis, não significa que os pais tenham de obrigar os seus filhos a trabalharem para garantir o sustento familiar. Aumentar o rendimento familiar, para Dinorah, é o dever de qualquer pai. Felicidade Ximenes – Timor-Leste in “Tatoli”

domingo, 7 de outubro de 2018

Macau - Instituto Português do Oriente quer reforçar língua portuguesa a Oriente

O novo diretor do Instituto Português do Oriente (IPOR), em Macau, disse à agência Lusa que vai reforçar a colaboração com o Vietname e a Tailândia, países onde a procura da língua portuguesa está a aumentar a passos largos



Aprofundar a colaboração com os "pontos de rede" do Sudeste Asiático e dar resposta a esse aumento da procura pelo ensino do português são os principais objetivos de Joaquim Coelho Ramos, que sucedeu em setembro a João Laurentino Neves, responsável pela entidade nos últimos seis anos.

Entre os principais "pontos de rede" onde vai apostar numa "linha de intervenção", o novo diretor do IPOR destacou o Vietname e a Tailândia, mas sem descartar Austrália e Timor-Leste.

Só no espaço de um ano, o IPOR deu formação, através de cursos gerais ou específicos, a cerca de 5000 alunos, um «número que tem vindo sempre a aumentar», frisou Joaquim Coelho Ramos.

No Vietname, em particular, o responsável realçou a existência de novos projetos especiais e de escolas privadas para dar resposta à procura da aprendizagem da língua.

«Penso que há uma aproximação muito grande entre o Oriente e aquilo que é hoje a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], um projeto que está a crescer internacionalmente e a definir aquilo que são os seus objetivos, não só na área da cultura, da língua naturalmente, mas também na economia», disse.

O português é, por isso, «um despertar natural, porque, ao fim e ao cabo, é um instrumento de aproximação às áreas geográfica, geopolítica e de mercado», disse.

Joaquim Coelho Ramos mostrou-se ainda entusiasmado com o reforço de uma "«diplomacia cultural», prioridade definida pelo novo cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves, durante um encontro com jornalistas.

«Vejo isso com grande entusiasmo. A ideia é articularmos esse trabalho» da diplomacia cultural, afirmou.

O IPOR foi fundado a 19 de setembro de 1989 pela Fundação Oriente e pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.

O Governo de Macau, região administrativa especial chinesa desde 20 de dezembro de 1999, desenvolveu políticas para promover a língua e a cultura lusófona desde o início dos anos de 1980. In “Revista Port. Com” com “Lusa”