Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Indonésia - Lança programa de refeições gratuitas para crianças e grávidas

A Indonésia deu início ontem a um ambicioso programa de refeições gratuitas, no valor de 4,2 mil milhões de euros, para combater o atraso de crescimento devido à subnutrição, uma promessa eleitoral do Presidente, Prabowo Subianto



Subianto, que sucedeu a Joko Widodo em outubro, comprometeu-se a fornecer refeições gratuitas a dezenas de milhões de crianças em idade escolar e mulheres grávidas, afirmando que isso melhoraria a qualidade de vida e impulsionaria o crescimento económico. “Isto é histórico para a Indonésia, que pela primeira vez está a implementar um programa nacional de nutrição para crianças, estudantes, mães grávidas e lactantes”, sublinhou o porta-voz presidencial, Hasan Nasbi, no domingo à noite.

O Governo indonésio atribuiu 10 mil rupias (0,59 euros) por refeição às cozinhas que se comprometam a servir arroz, proteínas, legumes e fruta.

A meta do Executivo é atingir 19,47 milhões de crianças em idade escolar e mulheres grávidas em 2025, mas o objetivo final é de vir a fornecer refeições a quase 83 milhões de pessoas, incluindo alunos em mais de 400 mil escolas em todo o país, até 2029.

O orçamento global do programa é de 71 mil milhões de rupias (4,2 mil milhões de euros) para 2025, montante que permite ao Executivo manter o défice do Orçamento do Estado anual abaixo do limite máximo legislado de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), afirmou o líder da recém-formada Agência Nacional de Nutrição.

Dadan Hindayana acrescentou que o dinheiro permitirá adquirir cerca de 6,7 milhões de toneladas de arroz, 1,2 milhões de toneladas de frango, 500 mil toneladas de carne de bovino, um milhão de toneladas de peixe, legumes e frutas e quatro milhões de litros de leite, e que serão montadas, pelo menos, cinco mil cozinhas em todo o país.

O programa de refeições gratuitas visa combater o atraso de crescimento, que afeta 21,5% das crianças do vasto arquipélago de cerca de 282 milhões de pessoas. A Indonésia quer reduzir esta taxa para 5% até 2045.

Prabowo defendeu este programa com veemência durante a campanha presidencial e prometeu que as regiões mais pobres e isoladas do país do Sudeste Asiático serão a prioridade.

Depois de chegar ao poder, o antigo general visitou vários países, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido, para obter apoio financeiro.

Na China, durante a primeira visita como Presidente, em novembro, chegou a um acordo no valor de 10 mil milhões de dólares (9,7 mil milhões de euros) com o líder chinês Xi Jinping para apoiar várias políticas, incluindo o programa de refeições gratuitas. No entanto, alguns analistas duvidam da viabilidade do programa a longo prazo.

“Estou bastante pessimista se tudo for assumido pelo governo central. Economicamente, não será sustentável”, disse à agência de notícias France Presse Aditya Alta, analista do Centro de Estudos Políticos da Indonésia, em Jacarta. “O atraso de crescimento é um problema multidimensional e não pode ser resolvido através de uma única abordagem”, acrescentou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa” 


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Timor-Leste – Segundo o Índice Global da Fome é alarmante a situação no país

Timor-Leste regista níveis “alarmantes” de fome, uma situação que se agravou nos últimos anos, e é o segundo pior classificado entre 107 países, a seguir ao Chade, segundo a última edição do Índice Global da Fome (IGF)



O relatório, que atribui a Timor-Leste um IGF de 37,6 (num máximo de 100, a pior classificação), considera a situação no país “alarmante”, sendo a segunda pior no índice deste ano entre os países analisados.

Notando que a situação se agravou em Timor-Leste, os autores do relatório explicam que isso se deve a “uma série de fatores que tem contribuído para a insegurança alimentar crónica em Timor-Leste”.

Entre os fatores destaca a produtividade agrícola baixa, um consumo alimentar inadequado, “tanto em quantidade como qualidade”, e a dependência de muitos timorenses em estratégias “únicas de baixo valor de subsistência”.

“A infraestrutura básica de saneamento, água limpa, estradas, irrigação, escolas e saúde é pobre, como também é baixo o nível de capital financeiro e humano do país”, refere.

“Os riscos climáticos têm também tido impactos negativos (IPC 2019)”, refere.

De particular preocupação é a desnutrição infantil, “com mais de metade das crianças a sofrer de nanismo e quase 15% das crianças a sofrer debilitação”, nota o estudo.

O Índice anual, da autoria das organizações Weit Hunger Hilfe e Concern Worldwide, e que inclui a participação de especialistas da Chatham House e do European Centre for Development Policy Management, procura de forma “abrangente medir e rastrear a fome em global, regional e nacional”.

O IGF baseia-se em quatro indicadores base: “subnutrição (parte da população com ingestão calórica insuficiente), debilitação infantil ou ‘wasting ‘(crianças com menos de cinco anos que têm baixo peso para a sua altura, refletindo subnutrição aguda), nanismo infantil ou ‘stunting’ (crianças com menos de cinco anos e que têm altura baixa para a sua idade, refletindo crónica subnutrição) e mortalidade infantil (taxa de mortalidade das crianças com menos de cinco anos, refletindo a mistura fatal de nutrição inadequada e ambientes pouco saudáveis)”.

Com base nesses indicadores, o IGF determina a fome numa escala de 100, sendo zero a melhor pontuação possível (sem fome) e 100 a pior, com as classificações divididas por severidade, de baixo a extremamente alarmante.

Timor-Leste registou uma melhoria entre 2006 e 2012, passando de um índice de 41,4 para 34,6, porém a situação piorou nos últimos anos, com o país a cair para 37,6, o segundo pior classificado e o único de três com níveis “alarmante” de fome.

O relatório nota que a prevalência de subnutrição em Timor-Leste atinge quase um terço da população (30,9%), com a terceira taxa mais elevada dos países analisados em nanismo infantil (51,2%)

A mortalidade infantil caiu de 7,7 em 2006 para 4,6 em 2018, mas quase 31% da população timorense está subnutrida – valor que era de 41,6% em 2002.

Entre as crianças com menos de 5 anos, 14,6% sofrem de debilitação (‘wasting’ ou desnutrição aguda), tendo o valor aumentado 9,9% nos últimos cinco anos.

Mais de metade (51,2%) sofre de nanismo ou desnutrição crónica, o segundo pior nível dos países analisados, atrás do Iémen.

Em termos regionais – englobando o sul, leste e sudeste asiático -, Timor-Leste tem a pior classificação, sete pontos acima do Afeganistão, e mais de 10 acima da média. In “Mundo Português” - Portugal