Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 24 de junho de 2025

Portugal – Universidade do Porto com primeira patente concedida no Chile

Dispositivo médico desenvolvido por uma equipa multidisciplinar do i3S e da Faculdade de Engenharia já está protegido em 20 territórios


Falamos de um sistema de esterilização reutilizável que permite eliminar os microrganismos que infetam, por exemplo, cateteres de diálise e, assim, dispensa o uso de antibióticos e outros químicos antisséticos que podem danificar o corpo humano. Foi pensado e criado por uma equipa multidisciplinar de investigadores da Universidade do Porto e já tem patente concedida em Portugal, em mais de uma dezena de outros países europeus e, agora, no Chile.

“A concessão de patente que protege esta invenção no Chile representa uma validação formal da novidade, originalidade e caráter disruptivo da nossa tecnologia”, refere Patrícia Henriques, investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da U.Porto (i3S) e uma das inventoras do dispositivo.

“Ao ser reconhecida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INAPI) no Chile, a invenção ganha um selo oficial de inovação, o que fortalece significativamente a sua credibilidade”, acrescenta.

Esta é a primeira tecnologia “made in U.Porto” a alcançar uma concessão de patente neste país sul-americano. A invenção já foi protegida na Europa, via patente unitária, e a equipa aguarda agora notícias dos institutos de propriedade industrial do Brasil, Canadá, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Índia e México, acreditando “estar no bom caminho para a concessão na Arábia Saudita”, outro país que seria um estreante para as patentes da U.Porto.

A tecnologia foi desenvolvida durante a tese de doutoramento de Patrícia Henriques, sob orientação de Inês Gonçalves, também investigadora do i3S/INEB. Da equipa de inventores fazem também parte Fernão Magalhães e Artur Pinto, investigadores do Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE) da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP).

O caráter inovador do dispositivo levou à criação de uma empresa – a GOTECH Antimicrobial – que, em janeiro deste ano, licenciou a invenção.

Um novo passo “para a melhoria dos cuidados de saúde”

“O Chile tem importância estratégica para a GOTECH Antimicrobial devido ao crescente uso de cateteres em pacientes de hemodiálise e ao risco associado de infeções da corrente sanguínea (CRBSIs)”, explica Patrícia Henriques.

A equipa vê aquele país como um mercado em expansão e com uma taxa significativa de complicações associadas aos cateteres, o que significa que “há uma clara necessidade de soluções antimicrobianas eficazes”, acrescentam.

Esta concessão representa um passo importante na estratégia de proteção regional da GOTECH, que será complementada com a concessão de patente no México e no Brasil, “reforçando assim a cobertura em três dos mercados mais relevantes da região”.

Para a equipa, esta proteção permitirá “garantir exclusividade comercial, fortalecer parcerias locais e aumentar a atratividade do ativo para investidores e stakeholders latino-americanos”, dizem. O objetivo é, então, “poder contribuir para a melhoria dos cuidados de saúde e abrir portas para a expansão na América Latina”, onde já identificaram oportunidades significativas.

Do laboratório para o mundo

A tecnologia agora patenteada no Chile destaca-se pelo seu elevado potencial clínico e comercial, aplicável não só em dispositivos de desinfeção de cateteres, mas em outros dispositivos médicos. Já foi validada em ambiente laboratorial, tendo demonstrado “segurança e eficácia contra microrganismos clinicamente relevantes, incluindo multirresistentes e fungos”, explicam os cientistas.

Os próximos passos envolvem terminar e otimizar o protótipo e passar para a produção em escala piloto com empresas certificadas. Têm também em vista a realização de um estudo clínico piloto entre 2025 e 2026, com um dos grandes prestadores de serviços de diálise à escala global. Acreditam que um estudo em pacientes “fornecerá evidências clínicas essenciais para apoiar a miniaturização, validação técnica e posterior condução de um estudo clínico multicêntrico em vários países do mundo.”

Neste momento, e em colaboração com o INESC TEC, a equipa está a aplicar a tecnologia no desenvolvimento da GOcap® – uma tampa reutilizável para desinfeção de cateteres de hemodiálise.

“A GOcap®, um dispositivo médico de classe IIa, já foi validada em condições clinicamente relevantes, nomeadamente em cateteres de hemodiálise comercialmente disponíveis e utilizando isolados clínicos obtidos de cateteres de hemodiálise infetados.”, concluem. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 11 de julho de 2024

Turquia – Jovens criam soluções na agricultura para combater as alterações climáticas

Estes adolescentes da Turquia são os finalistas do Prémio Terra pela sua solução rápida e barata para a quebra de colheitas


“A minha comunidade é a minha inspiração”, diz Beyza, de 17 anos, vice-campeã do The Earth Prize.

“Na Turquia, estamos a viver os efeitos das alterações climáticas. Esta região era a Mesopotâmia, onde a agricultura e a civilização nasceram, mas agora as pessoas estão a lutar contra as alterações climáticas e a seca.”

Enquanto muitos jovens marcham para exigir ações climáticas, Beyza alavancou a sua mente científica ao desenvolver uma “solução de cultivo alimentada por plasma que desafia a seca”.

“Não é bom assistir quando os grandes governos conseguem resolver estes problemas, mas estamos a tentar fazer isso e não eles”, diz Diyar, de 18 anos, que está a trabalhar no projeto com Beyza.

“E já que não somos capazes de mudar o clima - o problema em si - estamos a tentar resolver os efeitos dele. Acho que se este problema recebesse atenção suficiente de autoridades muito maiores, ele poderia ser resolvido - essa é a parte com a qual as pessoas estão com raiva.”

Junto com os seus colegas inventores da Equipe Ceres, eles inscreveram a sua solução no The Earth Prize, uma competição global de sustentabilidade ambiental para estudantes que fornece orientação e financiamento para ideias vencedoras.

Enquanto Beyza tira o protótipo ' Plantzma ' do guarda-roupa do quarto e o explica numa videochamada, fica claro que eles não são adolescentes comuns.

Como o plasma pode ajudar os agricultores a lutar contra as alterações climáticas?

“A nossa ideia para o Plantzma surgiu dos desafios agrícolas que observamos na nossa comunidade e família”, diz Beyza.

“Muitas pessoas que conhecemos trabalham na agricultura, já que a nossa região tem acesso limitado a recursos como a educação, e elas enfrentam problemas significativos devido à seca e à quebra de colheita - houve um declínio de 40% nas taxas de precipitação, levando a uma perda de 80% nas colheitas.”

A probabilidade de quebra de colheitas deverá ser até 4,5 vezes maior globalmente até 2030, e 25 vezes maior até 2050, de acordo com o Fórum Económico Mundial.

Isso não só afeta os meios de subsistência e a segurança alimentar dos agricultores, como também leva ao uso excessivo de fertilizantes, o que piora o problema por meio da poluição e da degradação do solo.

Beyza e a sua equipa decidiram resolver estes problemas com o Plantzma: um dispositivo fácil de usar que utiliza plasma para criar culturas mais resistentes e enriquecer a água de irrigação.

Com o preço de €176, um único dispositivo pode evitar perdas de colheitas em até 60% e reduzir o uso de fertilizantes caros em até 40%, estima a Equipa Ceres.

“Então, quando entrevistamos os agricultores, eles ficaram felizes em ouvir sobre este produto”, diz Beyza. “Ele pode ser usado clicando apenas em dois ou três botões.”

O que é exatamente o plasma?

Plasma — o quarto estado da matéria, além do sólido, líquido e gasoso — “é essencialmente ar ionizado supercarregado”, explica Diyar.

As suas partículas superaquecidas têm tanta energia que os eletrões se separam dos seus átomos. Ao contrário do gás, conduz eletricidade facilmente.

Raro na Terra, mas abundante no Espaço, o plasma requer três coisas para ser criado: um gás como o ar, um sistema de descarga com elétrodos e um sistema de voltagem, explica Beyza.

A sua jornada com plasma é uma prova da sua curiosidade científica além da sala de aula.

“Pensei em usar plasma porque eu gostava de exoplanetas”, ela relembra. “Então eu estava a ler muito os artigos da NASA, e a NASA tem muito trabalho sobre plasma e a sua ampla gama de usos.”

O dispositivo Plantzma usa plasma de baixa temperatura de duas maneiras.

“No tratamento direto, tratamos as sementes num recipiente com plasma antes do cultivo, melhorando a taxa de germinação e o potencial de crescimento desde o início, criando nanofissuras na superfície dessas sementes, e isso aumenta a resistência a doenças, seca e outros problemas ambientais”, explica Diyar.

“No tratamento indireto, tratamos a água de irrigação com plasma, enriquecendo as suas propriedades para beneficiar o crescimento das plantas, e esse processo transforma a água num fertilizante de plasma [ecológico e enriquecido com nitrogénio] que fornece nutrientes essenciais para a planta e estimula frutas e vegetais.”

'Quero trabalhar na ONU, esse é meu sonho'

A equipa Ceres quer que a sua tecnologia de plasma se torne o mais acessível possível, para que possa ser dimensionada e usada em comunidades rurais.

“A solução pode ser implementada em qualquer lugar do mundo onde a agricultura seja [prevalente], incluindo muitos lugares que não têm acesso a tecnologias modernas”, diz Beyza.

Para que isso se torne realidade, eles estão a tentar levantar fundos para promover a ideia e, eventualmente, expandi-la internacionalmente.

Enquanto Diyar se forma em engenharia elétrica na NYU Abu Dhabi, Beyza espera em breve estudar engenharia ambiental e ciência política na universidade.

“Sinto raiva sobre a alteração climática porque, como sabe, não está relacionada apenas ao meio ambiente, está principalmente relacionada à economia ... e estou com raiva do futuro, pensando: 'Os nossos recursos hídricos são suficientes para nós? E seremos capazes de mitigar os efeitos da alteração climática na nossa região?'”, pergunta ela.

“Quero trabalhar na ONU, esse é meu sonho… Vejo que há uma falta de políticas ambientais em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento… [onde] as alterações climáticas são um verdadeiro desafio.

“Então, quando inventamos algo, torná-lo realmente acessível e mudar as políticas ambientais é realmente importante para essas comunidades vulneráveis.” Euronews.green


domingo, 11 de setembro de 2022

Portugal - Invenção portuguesa, boia telecomandada para salvamentos

Um equipamento de salvamento controlado de forma remota, que foi inventado, desenvolvido e fabricado inteiramente em Portugal, foi apresentado na semana passada, na Praia da Rocha


Trata-se de uma boia de salvação telecomandada, que promete revolucionar o salvamento no mar.

Chama-se U Safe e foi utilizada pela primeira vez na semana passada, no Algarve, onde um concessionário decidiu adquirir este equipamento para reforçar os meios de salvamento no mar.

A utilização da boia, que será operada por nadadores salvadores, é simples, de tal forma que uma criança de 9 anos conseguiu efetuar um salvamento.

Este equipamento foi inventado desenvolvido e fabricado inteiramente em Portugal e já que se encontra em uso em várias marinhas e guardas costeiras de todo o mundo. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 5 de julho de 2020

Portugal - Invenção portuguesa ‘anti-covid’ está a correr o mundo

A PortCov é uma máquina de desinfecção criada em Portugal, devido ao surto da covid-19, que já está a fazer sucesso em mercados tão diversos como o suíço e o brasileiro. No entanto, a sua utilização também tem registado alguns anticorpos



De acordo com o portal Portugueses na Suíça, esta invenção é semelhante a um detetor de metais aeroportuário e um dos seus exemplares foi adquirido pelo estabelecimento comercial Migros, em Villars-sur-Ollon, cantão de Vaud, tendo a sua chegada dividido opiniões.

À imprensa suíça, o responsável por aquela franquia de supermercados refere que “nos primeiros dias, vários curiosos testaram a máquina”, mas que a opinião dos seus utilizadores gerou divisões.

Por sua vez, o Flamengo, de Jorge Jesus, também adquiriu uma PortCov com o intuito de desinfetar, medir temperatura e controlar as entradas no centro de treinos do Urubu.

Este aparelho de desenho lusitano entra em funcionamento assim que “a pessoa usa o desinfetante para as mãos situado no exterior da máquina. Quando, de seguida, se posiciona no interior, os captores analisam o tamanho e os bocais necessários ativam-se automaticamente”, salientou António Dias, importador da invenção para a região helvética. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




terça-feira, 17 de setembro de 2019

Portugal – Universidade da Beira Interior regista patente nos EUA

O dispositivo fica disponível para a indústria americana e pode vir a aumentar a segurança aeronáutica



Um dispositivo desenvolvido na Universidade da Beira Interior (UBI) está patenteado nos Estados Unidos e disponível para a indústria americana de diversos setores, nomeadamente, no aeronáutico ou de produção de energia eólica em zonas de montanha.

A tecnologia criada por três investigadores da UBI, José Páscoa, Madhi Abdollahzadeh e Frederico Rodrigues, é baseada em atuadores a plasma e tem um campo vasto de aplicação. Além das aeronaves, pode servir para melhorar sistemas de produção de energia eólica e outros dispositivos onde ocorra acumulação de gelo.

A invenção tem por base o conhecimento adquirido que existe na UBI no campo da engenharia, neste caso, no Departamento de Engenharia Eletromecânica (DEM) e na unidade de investigação C-MAST - Center for Mechanical and Aerospace Science and Technologies, que também tem ligação ao campo da aeronáutica.

A partir do vasto conhecimento na área, os três elementos dos C-MAST avançaram com uma inovação que utiliza “técnicas de impressão 3D para pôr o atuador a plasma a aquecer a zona onde há formação de gelo e, em simultâneo, provocar um sopro que expulsa as partículas de gelo daquela zona”, explica José Páscoa, docente e investigador do Departamento de Engenharia Eletromecânica. “Pode ser aplicado, com custos baixos, nas asas dos aviões que voam para locais onde há baixas temperaturas”, acrescenta.

As empresas que, a partir de agora, pretendam utilizar esta tecnologia nos EUA ou nos cerca de 20 países, principalmente da Europa, onde a patente está já registada, têm de entrar em acordo com a UBI no sentido de obterem uma licença para utilizarem este princípio de funcionamento dos atuadores a plasma.

Esta invenção é também reflexo da elevada qualidade da ciência que se produz na UBI, comprovada pelo reconhecimento que tem obtido nos rankings em que é citada. “Constata-se que, no mundo, a cada hora do dia, há um trabalho científico publicado por outra universidade que cita investigação da UBI”, salienta José Páscoa, que é também Vice-Reitor para a Investigação. Universidade da Beira Interior - Portugal