Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Portugal - Polpa de café pode ajudar a combater a síndrome metabólica

Estudo liderado por investigadores da FMUP e da FFUP demonstra benefícios no controlo do peso, da glicose e da pressão arterial


Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em colaboração com a Faculdade de Farmácia (FFUP) e o Laboratório Associado para a Química Verde e da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE/LAQV), concluiu que a polpa de café – um subproduto frequentemente descartado durante a produção do grão – apresenta benefícios metabólicos relevantes.

Publicado na revista científica Antioxidants, o trabalho demonstrou que a suplementação com polpa de café reduziu o aumento de peso, melhorou os níveis de glicose no sangue, diminuiu a resistência à insulina e atenuou a subida da pressão arterial em animais alimentados à base de uma dieta rica em frutose.

Fátima Martel, professora da FMUP e uma das autoras deste trabalho, explica que foram avaliados os efeitos da polpa de café num modelo experimental, no qual se mimetizaram as alterações observadas na síndrome metabólica humana. Os resultados indicam que a suplementação com este subproduto contribuiu para atenuar várias dessas alterações, incluindo a acumulação de gordura no fígado e perturbações no metabolismo da glicose.

“Os componentes bioativos da polpa de café atuam de forma integrada sobre as vias metabólicas, inflamatórias e vasculares, revelando-se um potencial funcional relevante na mitigação de múltiplos componentes da síndrome metabólica”, descreve a investigadora.

O estudo destaca que este subproduto é particularmente rico em cafeína e compostos fenólicos, associados a uma elevada atividade antioxidante e a efeitos benéficos no combate à inflamação, hipertensão, diabetes e acumulação de gordura.

Aplicações alimentares em desenvolvimento

“A polpa de café pode ser utilizada de diferentes formas, como infusão ou incorporada em alimentos como pães, bolos, bolachas e iogurtes”, descreve Rita Carneiro Alves, investigadora do REQUIMTE/LAQV, que acrescenta que as equipas de investigação já desenvolveram bolachas e bebidas com polpa de café, que registaram boa aceitação num painel de avaliação sensorial.

Saliente-se que a introdução da polpa seca de café no mercado da União Europeia foi recentemente autorizada pelas autoridades competentes.

Assim, os investigadores sugerem que a polpa de café poderá evoluir para um recurso multifuncional, capaz de gerar alimentos funcionais e ingredientes tecnológicos.

“Esta transição não só amplia o portefólio de aplicações económicas, como também contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis e para a redução do impacto ambiental da produção de café”, finalizam as investigadoras.

Os próximos passos passam pela transposição dos resultados obtidos para o contexto clínico em humanos, mas a realização desses ensaios dependerá da obtenção de novo financiamento.

O estudo contou com a participação dos investigadores Nelson Andrade, Ilda Rodrigues, Francisca Carmo, Gabriela Campanher, Isabella Bracchi, Joanne Lopes, Emília Patrício, João T. Guimarães, Juliana A. Barreto-Peixoto, Anabela S. G. Costa, Liliana Espírito Santo, Marlene Machado, Thiago F. Soares, Susana Machado, Maria Beatriz P. P. Oliveira, Rita C. Alves, Fátima Martel e Cláudia Silva, e foi realizada no âmbito do projeto COBY4HEALTH, liderado pelo REQUIMTE e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Universidade do Porto - Portugal


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