Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 1 de março de 2026

Estados Unidos da América - Português que dirige ensino em Los Angeles investigado pelo FBI

As autoridades norte-americanas executaram esta quarta-feira buscas à residência do responsável máximo pelo Distrito Escolar Unificado de Los Angeles (LAUSD), o português Alberto Carvalho, bem como à sede da própria instituição


As autoridades federais mantêm o sigilo sobre a natureza exata da investigação que envolve o segundo maior distrito escolar norte-americano, mas o jornal Los Angeles Times indica que a operação poderá estar relacionada com a empresa AllHere, tecnológica responsável pelo desenvolvimento de um “chatbot” de inteligência artificial para o LAUSD, que declarou falência em 2024 após o seu fundador ter sido alvo de acusações de fraude.

As diligências do FBI estenderam-se além de Los Angeles, abrangendo a habitação de Alberto Carvalho em San Pedro e um terceiro local nas proximidades de Miami, cidade onde o responsável dirigiu anteriormente o sistema de escolas públicas.

Um porta-voz do FBI confirmou à mesma fonte a realização das buscas, escusando-se a fornecer detalhes adicionais sobre as motivações subjacentes. Adicionalmente, foi reportada uma intervenção num quarto endereço no estado da Florida, alegadamente vinculado a um antigo colaborador da AllHere.

Alberto Carvalho, lisboeta, emigrou para os Estados Unidos aos 17 anos, licenciou-se em Ciências Biológicas pela Barry University em 1990, onde iniciou a sua carreira docente aos 25 anos como professor de Física, Química e Cálculo. Antes de assumir a liderança do LAUSD em fevereiro de 2022, dirigiu as Escolas Públicas do Condado de Miami-Dade durante 14 anos, período em que obteve reconhecimento internacional pela sua gestão educativa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Estados Unidos da América - Fela Kuti, inventor do Afrobeat, torna-se o primeiro africano a receber um Grammy pela sua carreira

Este prémio reconhece toda a sua obra e finalmente coloca a lenda nigeriana no topo do cenário musical mundial


Quase trinta anos após a morte do pioneiro do Afrobeat, no último domingo, 1.º de fevereiro, ele recebeu um prémio póstumo histórico na cidade de Los Angeles, onde Fela Anikulapo Kuti se juntou ao seleto grupo de lendas mundiais homenageadas com o Grammy Awards.

Ao lado de nomes como Carlos Santana e Whitney Houston, o "Presidente Negro" tornou-se o primeiro artista do continente africano a receber este prémio pelo conjunto da obra. Para este músico que fundiu jazz, funk e raízes africanas numa arma de resistência, este prémio confirma o que a África já sabia: o seu génio é universal.

Mas, por trás do glamour da cerimónia, este prémio também serve como um lembrete do preço da liberdade. Fela não era um artista de salão. As suas canções ecoavam o movimento anticorrupção e antimilitarista, o que lhe rendeu prisões e perseguições ao longo da vida. Se o Afrobeat moderno domina o mundo hoje, é porque Fela abriu o caminho com autenticidade crua. A sua prima, Yemisi Ransome-Kuti, celebrou esta vitória e afirmou categoricamente que "não devemos esperar a morte de grandes homens para celebrar o seu impacto".

O legado de Fela continua vivo graças aos seus filhos, Femi e Seun, assim como o seu neto, Made, que mantêm viva essa chama musical. Este Grammy não é apenas uma peça de museu; é um novo impulso para uma obra de 50 álbuns que se recusa a envelhecer.

Em 2026, a homenagem em Los Angeles prova que a voz de Fela Kuti, embora nascida nos clubes de Lagos, não conhece fronteiras.

Fela nunca procurou a aprovação do mundo; foi o mundo que, no fim, se curvou à sua verdade. Além do troféu, este triunfo é o de uma África que não precisa mais pedir permissão para existir ou brilhar. O "Presidente Negro" nos legou muito mais do que ritmos: ele restaurou a dignidade e a voz do continente. Quase trinta anos após a sua morte, o seu saxofone ainda ressoa como um lembrete eterno de que o coração pulsante da música mundial reside aqui, nesta terra que agora se recusa a ser silenciada. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Estados Unidos da América – Guitarrista português Nuno Bettencourt vence Grammy

O guitarrista português Nuno Bettencourt foi um dos vencedores da noite dos prémios Grammy, que decorreu em Los Angeles, ao ser distinguido na categoria de Melhor Atuação Rock pela participação em “Changes (Live from Villa Park)”

A gravação premiada da canção clássica dos Black Sabbath foi feita em julho de 2025, no Reino Unido, durante o concerto de despedida do cantor britânico Ozzy Osbourne. Bettencourt tocou com o cantor Yungblud, o baixista Frank Bello, o teclista Adam Wakeman e o baterista II.

Os vencedores subiram ao palco dos Grammy juntamente com Sharon Osbourne, viúva de Ozzy Osbourne, que estava visivelmente emocionada com a vitória. Yungblud fez o discurso de aceitação e Nuno Bettencourt falou mais tarde aos jornalistas, na sala de entrevistas aos vencedores.

O português nascido na Ilha Terceira, Açores, falou da ascensão da Inteligência Artificial e disse aos músicos aspirantes que não se preocupem com isso, porque nada pode substituir a magia das atuações ao vivo.

"Esta é a maior oportunidade para os rockers e para o rock'n'roll", afirmou. "A música verdadeira e as canções verdadeiras são histórias reais que te tocam, há sangue na partitura, colocas-te nessa partitura e ninguém vai reproduzir isso", continuou.

"A imperfeição é a essência do rock'n'roll. Toda a gente tenta disfarçar as imperfeições, mas é aí que reside a essência", disse. "E, se conseguires fazer isso em palco, que é onde o rock'n'roll realmente acontece, a IA não se vai meter contigo", acrescentou.

Minutos antes, Yungblud tinha usado o discurso de vitória para agradecer a Ozzy Osbourne, que morreu apenas duas semanas depois do concerto "Back to the Beginning", onde a versão premiada de "Changes" foi gravada.

"Crescer a adorar um ídolo que ajudou a encontrar a nossa identidade, não apenas como artista mas também como homem, é algo pelo qual estou muito grato", disse o cantor. "Mas, depois, formar uma relação com ele e honrá-lo no seu último espetáculo, é algo estranho de compreender".

Yungblud prometeu que "a música rock está de volta" e disse que "seis gerações de músicos rock" se juntaram para fazer acontecer a performance em Villa Park, Birmingham.

Nuno Bettencourt, guitarrista da banda Extreme e CEO da Atlantis Entertainment, era um de dois portugueses nomeados para a 68ª edição dos Grammy.

O outro era Bráulio Amado, designer e ilustrador, que foi nomeado na categoria de Melhor 'Recording Package'" pelo trabalho gráfico do álbum "Balloonerism", de Mac Miller, desenvolvido com o artista norte-americano Alim Smith.

O Grammy acabou por ser entregue a Meghan Foley e Michelle Holme, diretores de arte de "Tracks II: The Lost Albums", de Bruce Springsteen. Tiago David – “Agência Lusa”


quarta-feira, 16 de julho de 2025

Estados Unidos da América - ‘Pior que a pandemia’: buscas por imigrantes paralisam comércio em Los Angeles

Nayomie Mendoza estava acostumada a ver uma fila de clientes formar-se no seu restaurante à hora do almoço no bairro da moda de Los Angeles, o LA Fashion District. Mas as operações migratórias da administração de Donald Trump esvaziaram as suas mesas.


“As nossas vendas caíram 80%”, disse à AFP Mendoza, responsável pelo Cuernavaca’s Grill, um colorido restaurante mexicano do popular bairro comercial.

“O que nos salva é que temos muitos envios ao domicílio, cerca de 20%”, disse Mendoza, ao explicar que na região muitos têm medo de sair às ruas.

No coração de Los Angeles, o LA Fashion District é um vibrante bairro com inúmeras lojas de roupas e acessórios, mas com uma predominante mão de obra latina, tornou-se também alvo da ofensiva anti-imigração do governo Trump, com operações em fábricas e outros pontos comerciais de Los Angeles.

Agora as suas calçadas estão vazias, mesmo neste início de Verão, quando turistas lotam a cidade californiana.

A administração Trump aumentou a pressão sobre Los Angeles, declarada “santuário” de protecção para imigrantes pelas suas autoridades democratas em oposição ao presidente republicano.

Com um terço da população de origem estrangeira e uma estimativa de centenas de milhares de pessoas em situação irregular, a investida federal contra os imigrantes enfureceu os habitantes, que saíram às ruas para protestar no mês passado.

O governo Trump, entretanto, não parece estar disposto a recuar.

“É melhor que se habituem connosco, porque muito em breve isso será normal. Vamos a todos os lugares, na hora que quisermos, em Los Angeles”, disse à Fox News Gregory Bovino, da Patrulha de Fronteira dos EUA, avisando que “o governo federal não vai sair de Los Angeles”.

Mas, Nayomie Mendoza afirma que as operações não só atingem estrangeiros ou sem documentos, como também indústrias inteiras, num momento em que os comerciantes tentam recuperar de um começo de ano difícil, após os vorazes incêndios que atingiram a região de Los Angeles em Janeiro.

Devido à falta de clientes, Mendoza fecha as portas às 15:00. Um contraste com o ano passado, quando trabalhava até à noite devido à procura. “Isso é provavelmente pior do que a pandemia”, comentou.

Manuel Suárez, dono de uma loja de brinquedos numa rua próxima ao restaurante, concorda. “Agora é pior porque na pandemia, embora fosse pandemia, havia vendas”, afirmou Suárez, que trabalha há 35 anos no popular bairro.

“Agora está completamente em crise”, lamentou, ao explicar que muitos comerciantes decidiram fechar as lojas por precaução, à medida que as operações se intensificam na cidade.

Outros reduziram o número de funcionários devido à queda nas vendas.

“O gato e o rato”

As operações “semearam o medo na nossa comunidade latina”, disse Jose Yern, administrador da Anita’s Bridal Boutique, especializada em vestidos para debutantes.

“As pessoas têm medo de vir (ao distrito), mas se vêm, vão a uma loja específica, fazem o que têm de fazer e depois voltam para casa”, acrescentou o comerciante, enquanto no passado, possíveis clientes caminhavam entre os coloridos vestidos expostos em manequins.

O medo é palpável nas ruas: qualquer som de sirene dispara os alertas. Os comerciantes comunicam com walkie-talkies e notificam qualquer barulho, helicóptero ou presença uniformizada nas ruas próximas para avisar aqueles que não têm documentos.

Alguns até observam dos telhados e dão o sinal de alerta ao grito de “a migra”.

“É lamentável que o governo não entenda que quando nos ataca, todos perdemos”, comentou um vendedor que preferiu não se identificar. “Mas não vamos embora. O que vai acontecer aqui é que vamos ficar a jogar o gato e o rato. Vamos ver quem se cansa primeiro”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”