Mais de 50 delegados e companhias de países lusófonos estarão presentes no Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2026 (MIECF na sigla inglesa) deste ano, indicaram os organizadores.
O presidente do Instituto de Promoção
do Comércio e do Investimento (IPIM), Che Weng Keong, destacou que os países de
língua portuguesa (PLP) têm vindo a desempenhar um “papel cada vez mais
relevante na cooperação internacional em matéria de ambiente e sustentabilidade”,
com o evento a ser uma oportunidade para reforçar a ligação entre Macau e estas
nações.
Organizado pelo Governo da RAEM, o MIECF realiza-se entre
26 e 28 de Março, na zona de exposições do casino-hotel The Venetian
Macao, e terá como tema “Cidades de Baixo Carbono e com Zero Resíduos:
Embarcando numa Colaboração Global”.
A edição de 2026 vai reunir mais de 350 expositores de 12
países e regiões, incluindo empresas líderes do sector energético e ambiental
do Interior da China, Macau, Hong Kong, países de língua portuguesa, países de
língua espanhola, e do Sudeste Asiático.
“No ano passado tivemos 26 expositores dos PLP e este ano
teremos mais de 50, de áreas como finanças verdes, reciclagem, e outras áreas
de ecologia. Como plataforma entre a China e os PLP é importante para Macau
atrair mais expositores para aumentar a cooperação”, indicou Che, na
conferência de imprensa de apresentação do certame.
O evento inclui fóruns, exposições, bolsas de contactos
temáticas e actividades de sensibilização ambiental, prevendo-se um aumento de
cerca de 20% na participação internacional face ao ano anterior.
Estarão presentes, por exemplo, o presidente da Agência
Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, e o professor de economia da
Universidade de Brasília e antigo vice-presidente de Sector Privado do Banco de
Desenvolvimento da América Latina, Jorge Arbache.
O 15.º Plano Quinquenal da China (2026-2030) aprovado
este mês apresenta projectos para intensificar a transição ecológica do país,
com foco na redução de 7% a 10% das emissões de carbono em toda a sua economia
entre 7% e 10% até 2035, em comparação com 2025, ano do pico de emissões do
país. O Governo da China prometeu anteriormente atingir o pico das suas
emissões de carbono antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até
2060.
O plano quinquenal prevê ainda combater a desertificação
do país, consolidar a liderança na indústria de veículos eléctricos, atingir
uma percentagem de mais de 30% de energia não fóssil, e a expansão do uso de
fontes de energia solar e eólica.
O director dos Serviços de Protecção Ambiental, Ip Kuong
Lam, sublinhou ontem que o território está em preparação da nova fase do
Planeamento da Protecção Ambiental de Macau (2026-2030), centrada na “redução
das emissões de carbono” e na “redução da poluição”. O responsável destacou
também medidas concretas em curso, nomeadamente no fornecimento de energia
eléctrica e nos transportes terrestres.
“Está planeado aumentar para 50% a proporção de energia
limpa na electricidade adquirida ao exterior, com o objectivo de alcançar a
neutralidade carbónica até 2050”, disse.
Perito da Universidade Tsinghua será orador principal
Por outro lado, He Kebin será o orador principal do
MIECF. Amanhã, no dia inaugural do MIECF, o professor da Faculdade de Ambiente
e director do Instituto para a Neutralidade Carbónica da Universidade Tsinghua
apesentará a sessão “Acção de Dupla Meta de Carbono e Construção de Cidades com
Zero Resíduos”, uma análise do papel fundamental dos sistemas de gestão de
resíduos sólidos.
Mais concretamente, o colóquio apresentará “referências
práticas e recomendações políticas concretas”, no sentido de “aprofundar a
promoção conjunta da gestão de resíduos sólidos e da estratégia da ‘Dupla Meta
de Carbono’”, refere o MIECF. Espera-se que o também membro da Academia Chinesa
de Engenharia ofereça “caminhos e abordagens viáveis às entidades
governamentais, ao sector e ao meio académico”, no âmbito da transformação
verde do desenvolvimento socioeconómico.
He Kebin dedicou a sua carreira à
investigação na área da protecção ambiental, “assumindo um papel de liderança
reconhecido”, refere o comunicado. Tendo acumulado “uma vasta experiência de
investigação nas áreas da gestão ambiental e da promoção de cidades com zero
resíduos”, He é actualmente vice-director do Comité Nacional de Peritos em
Ecologia e Ambiente e vice-presidente da Sociedade de Ciências Ambientais e da
Associação da Indústria da Protecção Ambiental da China, entre outros cargos. In “Jornal
Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
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