Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Macau - Universidade Politécnica de Macau e Universidade de Coimbra cooperam em investigação digital

A promoção de estudos sino-portugueses está na base de um programa de investigação em Humanidades Digitais lançado em conjunto pela Universidade Politécnica de Macau e pela Universidade de Coimbra. O novo acordo visa desenvolver ainda mais o papel de Macau como ponte de intercâmbio académico entre a China e os Países de Língua Portuguesa


A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Coimbra (UC) lançaram em conjunto um programa de investigação em Humanidades Digitais, focado nas tecnologias da linguagem e dos textos e nas aplicações digitais. O novo acordo de intercâmbio entre os dois estabelecimentos de ensino superior tem por objectivo desenvolver ainda mais o papel de Macau como ponte de intercâmbio académico entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP) e aprofundar a cooperação internacional na investigação científica interdisciplinar.

“Com base na sólida parceria estratégica, as duas universidades expandem ainda mais as novas áreas de colaboração no ensino superior e constroem um ecossistema multilingue de humanidades digitais”, segundo se pode ler num comunicado da UPM.

O Programa Conjunto de Investigação em Humanidades Digitais reunirá as “vantagens das duas universidades” para desenvolver inovações de investigação multidimensionais, centrando-se na promoção de estudos de humanidades sino-portugueses.

A iniciativa inclui a digitalização dos arquivos históricos, a investigação e o desenvolvimento em modelos de linguagem portuguesa de grande escala e inteligência artificial, a revitalização digital do património cultural, bem como a comunicação digital contemporânea.

A mesma nota refere que o programa tem em Macau o elo principal, “transcendendo as restrições geográficas e caracterizando-se pela abertura, partilha e desenvolvimento sustentável, de modo a injectar um ímpeto inovador nos intercâmbios académicos e culturais entre a China e os PLP”.

O recém-lançado programa assume “uma missão significativa”, disse na cerimónia de lançamento o reitor da UPM. Marcus Im salientou que o acordo “promove a inovação de dados nas ciências humanas e sociais, através da construção de uma base de dados de textos interlinguísticos”. Além disso, por meio de exposições digitais e experiências interactivas, “estimula a divulgação e a partilha de recursos multiculturais”, sublinhou.

O reitor da UPM destacou ainda no seu discurso que as duas universidades têm cooperado há mais de 30 anos e que o nível de colaboração tem aprofundado desde o intercâmbio de quadros qualificados até à construção de laboratórios conjuntos nos domínios da cidade inteligente e de ‘big health’. Numa perspectiva de futuro, acrescentou que as duas partes já assinaram o acordo para estabelecer uma base de cooperação no domínio do ensino superior na “Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin”, “a fim de construir um campus internacional orientado para a comunidade mundial”.

Por sua vez, Nuno Mendonça, vice-reitor da UPM, realçou que as humanidades são “uma área central do pensamento crítico e da criação de sentido” e, com a inteligência artificial a alterar “profundamente o modo de investigação e de ensino”, a ascensão das humanidades digitais “não é apenas um desafio técnico, mas também um diálogo profundo que envolve ética e cultura”.

O comunicado da UPM frisa que “com os séculos de experiência nos estudos da cultura chinesa, a UC serve de ponte académica entre o Oriente e o Ocidente, com o objectivo de integrar as tecnologias linguísticas, as indústrias criativas e a investigação em património cultural através deste Programa”. No futuro, prossegue, “as duas universidades cooperarão para criar laboratórios académicos que serão pioneiros na inovação tecnológica no Campus em Hengqin, um espaço que simboliza a fusão entre tradição e inovação”.

A delegação da UC integrou os directores da Biblioteca Geral e do Departamento de Engenharia Informática, respectivamente António Mendes e Manuel Portela; o professor Hugo Oliveira; o coordenador do Curso de Doutoramento em Antropologia e Professor do Departamento de Ciências da Vida, Gonçalo Santos; e o coordenador de Projectos Globais, Ricardo Dias. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Portugal - Estudante da Universidade de Coimbra desenvolve modelo de IA para descoberta e otimização de fármacos

Yanan Tian, aluna do Programa de Doutoramento Conjunto entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Macao Polytechnic University (MPU), desenvolveu um modelo de inteligência artificial (IA) que visa a descoberta e otimização de fármacos.

Esta investigação, publicada na revista Nature Communications, foi realizada sob a orientação dos professores Joel P. Arrais, do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, e Huanxiang Liu, da MPU, no âmbito do programa Dual Doctoral Degree MPU-UC, que visa promover a cooperação científica e a formação avançada entre Portugal e Macau.

As proteínas quinases constituem uma das classes de alvos terapêuticos mais relevantes na investigação biomédica. O seu potencial resulta do papel central que desempenham na regulação de múltiplos processos celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular. No entanto, o desenvolvimento de inibidores altamente seletivos continua a ser um desafio, devido à forte conservação estrutural entre as quinases e ao elevado custo dos ensaios experimentais.

«Este trabalho propõe o modelo MMCLKin, uma estrutura baseada em métodos de IA avançada, concebida para prever com elevada precisão e interpretabilidade a atividade e seletividade de inibidores de quinases, acelerando significativamente o processo de descoberta e otimização de novos fármacos direcionados», explica Yanan Tian.

O MMCLKin combina redes de grafos geométricos, modelos de linguagem para sequências proteicas e mecanismos de atenção multicanal para identificar as características críticas das interações entre quinases e fármacos. «Os resultados demonstram que o modelo supera os métodos existentes na previsão da afinidade e seletividade de inibidores, mesmo em casos que envolvem estruturas desconhecidas ou quinases mutadas», afirma Joel P. Arrais.

De acordo com os autores do estudo, os ensaios biológicos ADP-Glo validaram o poder preditivo do modelo, demonstrando que cinco compostos sugeridos pelo MMCLKin inibem de forma eficaz a mutação LRRK2 G2019S, associada a doenças neurodegenerativas, sendo quatro deles ativos em concentrações nanomolares. Estes resultados reforçam o potencial do MMCLKin como ferramenta para acelerar o desenvolvimento de terapias direcionadas, abrindo novas perspetivas para o desenho racional de fármacos com maior seletividade e eficácia clínica.

«A abordagem proposta representa um avanço na aplicação da Inteligência Artificial à descoberta de fármacos, demonstrando como modelos computacionais de nova geração podem reproduzir in silico processos biológicos complexos que, de forma experimental, podem demorar anos ou mesmo décadas. O MMCLKin exemplifica como modelos baseados em IA conseguem simular e compreender interações moleculares com um grau de detalhe que permite prever a atividade e a seletividade de inibidores com elevada precisão», sublinham  

Esta capacidade permite a identificação rápida de candidatos terapêuticos promissores, reduzindo significativamente o tempo e o custo da investigação farmacêutica. Para além do seu impacto imediato, o MMCLKin abre novas direções de investigação no campo da modelação de quinases, ao proporcionar um quadro unificado para analisar padrões estruturais, mutacionais e funcionais ao longo de toda a família de quinases humanas.

«Este tipo de abordagem pode evoluir para modelos generalistas capazes de antecipar o comportamento de novas quinases — incluindo aquelas ainda sem estrutura identificada — e apoiar o desenho racional de terapias seletivas e personalizadas em diversas áreas, desde o cancro às doenças neurodegenerativas», concluem. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Macau - Universidade Politécnica de Macau projecta novo laboratório com universidade portuguesa

Marcus Im chefiou uma delegação da Universidade Politécnica de Macau a Portugal, para celebrar acordos com duas universidades portuguesas. Para o reitor da UPM, a criação de um laboratório com a Universidade Católica Portuguesa e o programa de intercâmbio de alunos com a Universidade de Lisboa constituem “um novo marco para Macau”


O reitor da Universidade Politécnica de Macau (UPM), Marcus Im, liderou uma delegação a Portugal para a assinatura de acordos de cooperação, sobre a inovação na investigação científica e a formação de quadros qualificados com a Universidade Católica Portuguesa e a Universidade de Lisboa, respectivamente. Estes acordos abrangem o estabelecimento de um laboratório conjunto e de um programa de intercâmbio de alunos e representam “um novo marco para Macau na cooperação sino-portuguesa no ensino superior”, segundo a UPM.

Marcus Im e Nelson Ribeiro, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, assinaram um acordo de cooperação para o estabelecimento do “Laboratório Conjunto UPM-UCP de Investigação em Cognição, Linguagem e Neurociência”. Este projecto será dedicado “à realização de investigação inovadora nas áreas de ponta da linguística aplicada, da fonética, das ciências da saúde e das neurociências, de modo a promover a colaboração interdisciplinar no domínio da investigação científica”, indica o comunicado.

No âmbito da formação de quadros qualificados, o reitor da UPM e o director da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Hermenegildo Fernandes, celebraram um acordo de intercâmbio de estudantes. Marcus Im realçou o papel de Macau como “importante ponte de cooperação amigável entre a China e Portugal” na promoção dos trabalhos de formação de quadros bilingues em chinês e português. Para o reitor, esta colaboração aprofundará “ainda mais o intercâmbio entre professores e estudantes das duas universidades”.

Nos últimos 30 anos, a UPM e as instituições de ensino superior portuguesas “têm testemunhado o fortalecimento contínuo das relações sino-portuguesas” e demonstrado “as vantagens únicas de Macau no avanço da cooperação educacional entre a China e Portugal”. A UPM acredita que “a criação do laboratório conjunto e a implementação do programa de intercâmbio de estudantes reforçam a influência internacional” da universidade.

Estas colaborações darão “um novo impulso à cooperação educativa e à investigação científica na nova era entre a China e Portugal, consolidando ainda mais o importante papel de Macau como ponte de cooperação amigável entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, reforça a UPM.

Fizeram também parte da delegação da UPM Joaquim Carvalho, subdirector da Faculdade de Línguas e Tradução e Christy Cheong, chefe do Serviço de Assuntos Académicos, entre outros. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 4 de abril de 2025

China - Académicos realçam papel de Macau nas relações com o Brasil

A conferência anual da Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía teve lugar na Universidade Politécnica de Macau, para debater, entre outros temas, o papel da RAEM como canal de comunicação nas relações entre a China e o Brasil. O debate contou com a presença de mais de uma centena de professores e alunos



Sob o tema “Potencialização da Grande Baía: Inovação e Desenvolvimento no Comércio Sino-Brasileiro sob a Nova Rota da Seda”, a conferência anual da Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía reuniu na Universidade Politécnica de Macau (UPM) mais de uma centena de professores e alunos, entre os quais especialistas e académicos de Guangdong, Hong Kong, Macau e Brasil. Segundo a UPM, o debate explorou as oportunidades geradas pelo desenvolvimento inovador do comércio China-Brasil, tendo em vista promover intercâmbios académicos da língua portuguesa na Grande Baía e impulsionar o novo padrão de cooperação e desenvolvimento de “Uma Faixa, Uma Rota”.

Vários oradores expuseram os seus pontos de vista, focados no papel estratégico, inovador e orientador das relações China-Brasil.

Marcus Im, reitor da UPM, disse durante o encontro que, com base na Grande Baía, aquela instituição de ensino desenvolve uma plataforma para a cooperação entre os dois países, em áreas como educação, ciências, tecnologias e cultura. Ao mesmo tempo, promove uma cooperação mais estreita no campo do ensino superior, “a fim de criar um novo padrão de cooperação vantajosa para ambas as partes e de prosperidade comum”.

Por sua vez, o vice-director Permanente da Escola de Educação Profissional e Contínua da Universidade de Hong Kong, apresentou a história do comércio entre a China e o Brasil e o papel de Macau na cooperação entre os dois países. Macau enquanto plataforma entre a China e os PLP “constituiu um canal de comunicação para o estabelecimento das relações China-Brasil e tornou-se uma das pontes de ligação”, disse Sonny Lo.

O representante da RAEHK discursou sobre o tema “Relações Bilaterais entre a China e o Brasil e o Papel de Macau”, afirmando que o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada “cria mais possibilidades de comércio para o Brasil”, assim como a cooperação em matéria de comércio, investimento e tecnologia na Grande Baía e em Hengqin “abre novas oportunidades para o desenvolvimento comercial entre a China e o Brasil”.

Já o reitor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, Yan Xiangbin, salientou a vontade em explorar, em conjunto com os parceiros da Aliança, “novos caminhos para a cooperação na educação”, manifestando o interesse na formação de mais quadros qualificados para a promoção do intercâmbio entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). Assim, sustentou, poderá ser criado “um novo futuro para o desenvolvimento comercial” e aberto “um novo capítulo da cooperação entre a China e os PLP, fortalecendo as relações entre a China e o Brasil”.

Enquanto isto, o director do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas do Brasil, apresentou na conferência da Aliança os resultados académicos e de investigação científica do Grupo de Estudos Brasil-China da Universidade Estadual de Campinas, do Centro Cass-Unicamp de Estudos sobre a China e do Instituto Confúcio. Célio Hiratuka revelou que a Universidade de Campinas está em processo de criação de um centro de estudos interdisciplinares Brasil-China, que integrará recursos académicos para a realização de pesquisas em cinco áreas, nomeadamente sociedade, cultura e línguas, economia, políticas públicas e relações internacionais, ciências, tecnologias e inovação, ambiente, transição energética e desenvolvimento sustentável e saúde e ciências da vida. Deste modo, a universidade brasileira pretende “contribuir para a promoção da cooperação diversificada entre os dois países”, expressou.

A Aliança para o Ensino da Língua Portuguesa na Grande Baía foi criada em 2020 mediante a cooperação entre a UPM, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong e a Escola de Educação Profissional e Contínua da Universidade de Hong Kong. Tem como objectivo desenvolver o papel de Macau como plataforma entre a China e os PLP, reforçar o intercâmbio de professores e estudantes entre Guangdong, Hong Kong e Macau e, através da realização conjunta de seminários académicos, competições académicas, projectos de cooperação científica, entre outros, promover a integração, a inovação, a partilha e o desenvolvimento do ensino da língua portuguesa nas três regiões. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Macau - Alunos da Universidade Politécnica de Macau vencem Concurso de Interpretação na categoria de língua portuguesa

A terceira edição do Concurso Internacional de Interpretação Remota “Taça Yunshan” teve como vencedores, na categoria de língua portuguesa, introduzida pela primeira vez, alunos da Faculdade de Línguas e Tradução da Universidade Politécnica de Macau (UPM).


 

As distinções couberam a Zhao Qichao (campeão), Wang Xiaoyu (vice-campeã, professora orientadora: Wang Xiaoyan) e Mok Man Sam (segundo prémio). Segundo uma nota da UPM, os estudantes “demonstraram plenamente as suas excelentes capacidades na área de interpretação chinês-português”. 

Para além da língua de Camões, a prova abrangeu mais 15 idiomas e atraiu mais de 4000 participantes de várias universidades de países da Europa, Ásia e EUA. O director da Faculdade de Línguas e Tradução da UPM, Gaspar Zhang, sublinhou que, através da aprendizagem sistemática, os alunos podem consolidar os seus conhecimentos linguísticos profissionais em várias áreas, “tornando-se intérpretes e tradutores profissionais de alto nível”. 

A UPM recordou ainda que estão abertas as inscrições para o Curso de Mestrado em Tradução e Interpretação Chinês-Português da mesma faculdade. Os interessados podem inscrever-se online até 15 de Maio, na página electrónica de admissão da UPM. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Internacional - Académico da Universidade Politécnica de Macau alcança novo avanço na área do nanomagnetismo

Uma equipa de investigação, constituída por Wang Duo, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Politécnica de Macau (UPM), pela Universidade de Uppsala, na Suécia, pela Universidade de Nebraska em Kearney, nos Estados Unidos, pelo Instituto de Tecnologia Avançada de Shandong e pelo Grupo de Estudos da Universidade do Sudeste da China, teve novo avanço na área do nanomagnetismo.

“Através da investigação aprofundada do comportamento complexo do skyrmion magnético, apresentou um mecanismo que produz o skyrmion polar, e publicou os resultados da investigação na revista npj 2D Materials and Applications, subordinada da revista académica de renome internacional Nature, proporcionando novas ideias e bases para o desenvolvimento de materiais semicondutores, que deverão quebrar os limites físicos da tecnologia de semicondutores e promover uma maior evolução do tamanho e desempenho dos dispositivos electrónicos”, explica a UPM em comunicado.

Segundo a instituição, estes avanços podem “melhorar significativamente os desempenhos do computador e têm até o potencial de aumentar a velocidade de processamento de dados dos futuros computadores quânticos, uma vez que permitem melhorar o desempenho de armazenamento dos componentes electrónicos, acelerar a velocidade no processamento dos produtos electrónicos, consumir menos energia e economizar mais energia”.

Os resultados obtidos por esta equipa de investigadores “ajudarão no desenvolvimento das indústrias de nanotecnologia e semicondutores da próxima geração e desempenharão um papel vital na investigação e desenvolvimento de futuros produtos electrónicos”, sublinha a nota de imprensa. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 21 de dezembro de 2024

Macau - Cultura portuguesa ajuda a criar identidade sem reflectir legado, diz académica

A académica Vanessa Amaro disse que apesar de se observar uma “crescente valorização” da língua e cultura portuguesas em Macau, esta serve mais a “criação de uma identidade única” para o território do que reflecte o “significado do legado luso-macaense”. “Tem-se assistido a uma crescente valorização da cultura e da língua portuguesa em Macau, mas não necessariamente no sentido de um resgate histórico contextualizado”, disse à Lusa a professora do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa da Universidade Politécnica de Macau (UPM), Vanessa Amaro.

A académica, que se tem dedicado ao estudo da comunidade portuguesa em Macau desde 2012, notou que esta valorização “parece estar mais relacionada com a criação de uma identidade única” para o território, “construída sobre símbolos reconhecíveis da cultura portuguesa”. Símbolos como o pastel de nata, o galo de Barcelos, a calçada portuguesa ou os arraiais “foram apropriados como ícones culturais” e embora de origem portuguesa, servem agora de “ferramentas de ‘branding’ turístico”. Esta “apropriação cultural” tem sido recebida de diferentes formas pela comunidade portuguesa local, explica.

Alguns residentes observam a prática como “uma forma de preservação e celebração da herança luso-macaense”, que distingue Macau do resto do país e reforça o papel do território semiautónomo como ponte entre a China e os países lusófonos. Mas há também quem sinta que esta valorização cultural “corre o risco de transformar Macau num ‘parque temático’, onde a cultura é apresentada de forma superficial, mais como um produto turístico do que como uma vivência autêntica e historicamente enraizada”.

Este sentimento, continua a investigadora, é acentuado pelo “uso estratégico” destes símbolos, seja em campanhas publicitárias ou eventos que se destinam ao turismo e que muitas vezes “ignoram o contexto histórico e sociocultural mais profundo”. “O resultado é uma narrativa cultural simplificada, que privilegia a estética e o exotismo ao invés de refletir as complexidades e o verdadeiro significado do legado luso-macaense”, acrescenta. A abordagem, apesar de eficaz no turismo, pode “levar a uma desconexão com as vivências reais da comunidade local e com a história que moldou a identidade única de Macau”, remata.

Vanessa Amaro, com tese de doutoramento sobre as dinâmicas da comunidade no período pré e pós-transição, concentra atualmente a investigação na forma como os símbolos culturais portugueses estão a ser apropriados e reinterpretados no contexto pós-colonial de Macau, explorando o papel destes na construção de uma identidade local e na promoção do ‘branding’ turístico da cidade. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 5 de julho de 2024

Associação das Universidades de Língua Portuguesa - Distinguiu docente da Universidade Politécnica de Macau

Manuel Duarte João Pires, docente da Faculdade de Línguas e Tradução da Universidade Politécnica de Macau (UPM), foi distinguido com o Prémio Fernão Mendes Pinto de 2023, em reconhecimento da qualidade dos seus trabalhos, “altamente reputados” pela comunidade internacional na área de ensino de português.


A distinção teve lugar na Universidade Federal do Rio de Janeiro, durante a cerimónia de encerramento do 33º Encontro Anual da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP).

O professor assistente apresentou um artigo académico intitulado “Português no ensino superior da China: os estudantes chineses de mobilidade de crédito em Portugal e o ensino para a interação cultural”. Os resultados dos seus estudos “contribuem para aumentar a compreensão da comunidade internacional sobre o ensino bilingue de chinês e português, bem como fornecer um importante suporte de investigação científica, promovendo o intercâmbio linguístico e cultural entre as duas comunidades”, refere uma nota da UPM.

Criado pela AULP e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Prémio Fernão Mendes Pinto é atribuído anualmente, com o objectivo de reconhecer trabalhos académicos que contribuam para a promoção do intercâmbio cultural entre as comunidades lusófonas. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 7 de junho de 2024

Universidade de Coimbra e a Universidade Politécnica de Macau lançam doutoramento em tecnologias de informação

A Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade Politécnica de Macau (UPM) lançaram um duplo doutoramento em tecnologias de informação, disse ontem o reitor da instituição portuguesa, durante uma visita a Macau. O doutoramento nasceu este ano lectivo, de um acordo assinado em agosto, e “está a começar a dar os primeiros resultados”, com 18 estudantes, “divididos entre portugueses e chineses”, disse Amílcar Falcão. O responsável sublinhou que a UC quer, “no futuro, continuar a ter essa capacidade de mobilizar” estudantes dos dois lados, porque a instituição quer “aumentar o número de formações avançadas” em cooperação com Macau. Falcão disse que a UC “vai avançar”, já no próximo ano letivo de 2024/2025, com um programa de estudos avançados em Relações Económicas Internacionais, com a Universidade da Cidade de Macau, em língua inglesa. “[A visita a Macau serviu para] consolidar as parcerias que nós temos e perspetivar outras parcerias que estão em aberto e estamos em negociações”, referiu o reitor, dando como exemplo a área do envelhecimento.

Em Outubro, a UC criou um laboratório conjunto, com a Universidade de Macau (UM), para estudar o envelhecimento cognitivo e responder às necessidades geradas pelo aumento da esperança de vida. Também ontem, Amílcar Falcão esteve nas instalações da UM na vizinha Hengqin (ilha da Montanha). “Levamos connosco elementos para estudar e para apresentar um projecto a breve prazo às autoridades para podermos ter o apoio necessário”, disse o reitor da UC, sem revelar mais detalhes. Falcão revelou que a UC quer também reforçar a parceria com a UPM na área da inteligência artificial, ligada ao laboratório conjunto de tecnologia avançada para cidades inteligentes, criado pelas duas instituições em 2022. A UPM vai atribuir esta sexta-feira um doutoramento ‘honoris causa’ ao reitor da UC, durante a cerimónia de graduação do ano académico de 2023/2024. Falcão disse acreditar que é um reconhecimento da relação de longa data com a China, incluindo a criação, em 2016, de uma delegação do Instituto Confúcio, que promove o ensino do mandarim e a cultura chinesa no estrangeiro. Antes de visitar Macau, o dirigente passou por Xangai, no leste da China continental, e por Shenzhen, a cidade vizinha de Hong Kong, para “consolidar relações também de há muitos anos”, num “país estratégico” para a Universidade de Coimbra.

Em Maio de 2019, a UC e a Universidade de Fudan, em Xangai, assinaram acordos que permitiam aos alunos da instituição chinesa frequentar cursos intensivos de verão de português em Coimbra. Um mês antes, a UC e a Universidade de Estudos Internacionais de Pequim formalizaram a criação do Centro de Estudos sobre a China e os Países de Língua Portuguesa. A universidade portuguesa criou em 2018 a Academia Sino-Lusófona e o Centro de Estudos Chineses, em parceria com a Academia Chinesa de Ciências Sociais. In “Ponto Final” - Macau



quinta-feira, 21 de março de 2024

Portugal - Universidade Politécnica de Macau e Universidade de Lisboa assinam protocolo de cooperação

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Lisboa assinaram um protocolo de cooperação que pretende estreitar a cooperação académica sino-lusófona, informou a instituição de Macau. A assinatura do protocolo aconteceu em Lisboa, no âmbito da visita de uma delegação da UPM à capital portuguesa.


“Ambas as partes chegaram a consenso em vários aspectos, nomeadamente, o reforço do intercâmbio de docentes e alunos nas áreas de línguas, ciência e tecnologia, saúde, entre outras, o desenvolvimento de projectos de investigação científica, a realização conjunta de conferências e palestras académicas e a troca de publicações académicas, com o intuito de elevar a cooperação académica entre a China e os países de língua portuguesa a um novo patamar”, lê-se no comunicado da UPM.

Na ocasião, Vivian Lei, vice-reitora da UPM, lembrou que as instituições têm uma cooperação há quase duas décadas e disse esperar que as duas partes possam “reforçar e promover o intercâmbio e a cooperação nas áreas do ensino superior e da ciência e tecnologia, formando quadros de alta qualidade para o desenvolvimento da estratégia ‘1+4’ da diversificação adequada da economia de Macau”.

Luís Ferreira, reitor da Universidade de Lisboa, salientou a “grande importância dada pela UL à cooperação com as instituições de ensino superior de Macau e as de outras regiões da China”, tendo manifestado também a sua expectativa sobre as novas oportunidades trazidas pela construção e desenvolvimento da Área da Grande Baía e da Zona de Cooperação Aprofundada, mostrando-se confiante de que, no futuro, “a cooperação bilateral terá um desenvolvimento diversificado”. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 9 de março de 2024

Macau – Universidade Politécnica de Macau vai acolher conferência sobre ensino lusófono

A importância de Macau como ponte sino-lusófona e o reforço da cooperação académica inter-regional são questões a debater na Conferência FORGES, ligada ao ensino superior dos países de Língua Portuguesa. O Fórum terá lugar em Novembro, com organização da Universidade Politécnica de Macau


As instituições de ensino superior dos países e regiões de língua portuguesa (PLP) vão reunir-se na Universidade Politécnica de Macau (UPM) em Novembro deste ano para discutir o papel da RAEM como plataforma entre a China e os PLP, de modo a reforçar o intercâmbio e a cooperação internacional.

Já com a preparação da 14ª Conferência em vista, a presidente da Associação do Fórum de Gestão do Ensino Superior dos Países e Regiões de Língua Portuguesa (FORGES) deslocou-se ao território onde manteve contactos com responsáveis da UPM. Margarida Mano, que é igualmente vice-reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP), referiu no final do encontro que “ao longo de mais de uma década, o Fórum FORGES e a UPM têm vindo a cooperar, através da realização conjunta de projectos de investigação científica e conferências, entre outras formas de intercâmbio, convidando prestigiados académicos chineses e portugueses para presidirem a palestras, tendo sido obtidos resultados significativos”.

Durante a visita, Margarida Mano presidiu a uma palestra intitulada “Novos Horizontes Sino-Lusófonos: Ensino Superior nos Países de Língua Portuguesa”, apresentando o valor e o desenvolvimento do Português, a situação do ensino superior naqueles países, os desafios globais e os pontos de cooperação cruzada, entre outros. Estiveram presentes cerca de 100 professores e alunos.

Im Sio Kei, reitor da UPM, reiterou que a instituição de ensino que lidera “irá continuar a desenvolver o papel de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, e aproveitar as novas oportunidades trazidas pela construção da Zona de Cooperação Aprofundada, sendo que, Macau, na qualidade de anfitrião, vai discutir a cooperação com as instituições de ensino superior dos PLP, contribuindo para a prosperidade académica da China e dos países que falam português”.

A UPM vai organizar a Conferência FORGES pela terceira vez, depois de em 2012 ter sido anfitriã da segunda edição do Fórum e de em 2021 ter co-organizado os debates via online. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Lusofonia - Universidade Politécnica de Macau e Universidade do Porto lançam 5ª edição da revista “Orientes do Português”

Com o objectivo de dinamizar o ensino do português na China e promover a comunicação e o intercâmbio no âmbito lusófono, em 2019 a Universidade Politécnica de Macau (UPM), em parceria com a Universidade do Porto, lançou a revista “Orientes do Português”. A UPM, em comunicado, divulgou que acaba de ser publicado o quinto volume da revista, que classifica como a primeira iniciativa de uma revista académica em língua portuguesa na Ásia. Esta pode ser consultada em versão digital a partir das páginas electrónicas do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP) da UPM e pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).


Tendo por tema “Do saber ao ensinar: contributos teóricos para o ensino do Português Língua Estrangeira”, o volume 5 da revista apresenta contribuições de investigadores reconhecidos em diferentes geografias. O artigo de Isabel Margarida Duarte, da Universidade do Porto, aborda o tema “Do saber ao ensinar: contributos teóricos para o ensino do Português Língua Estrangeira”. Outros artigos provêm de académicos da Universidade do Minho, Instituto Politécnico de Bragança. Minfen Zhang, da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, contribuiu para a edição com um texto intitulado “A primeira versão chinesa da Bíblia: uma abordagem das estratégias de tradução e interpretação no contexto da acomodação cultural”.

A instituição académica indicou ainda que está aberta a contribuições em diversas áreas relacionadas com a linguística portuguesa, a linguística de contacto (que envolve a língua portuguesa e línguas asiáticas), o ensino e a aprendizagem do português como segunda língua (L2), os estudos de tradução, estudos de literatura e cultura lusófona, assim como outras áreas. Temas relacionados com história, cultura, literatura e arte do Oriente que são influenciadas pelas culturas dos países lusófonos podem ser alguns dos temas abordados nestes textos candidatos. A revista acolhe a participação de especialistas e académicos da China e de outros países, sendo bem-vindos os artigos relacionados com os temas propostos. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Macau - Académicos detalham apoios a Portugal depois de ciclone em 1941

Três académicos da Universidade Politécnica de Macau debruçaram-se sobre a operação de solidariedade promovida pela comunidade chinesa de Macau para apoiar vítimas de um ciclone que fustigou Portugal em 1941. O apoio partiu de instituições como a Associação de Beneficência Tung Sin Tong ou do Hospital Kiang Wu, em parceria com o Governo


Em Fevereiro de 1941, um poderoso ciclone afectou Portugal e deixou um rasto de destruição em todo o país, numa altura em que todas as atenções estavam viradas para as várias frentes de batalha da Segunda Guerra Mundial. Macau, à luz da neutralidade assumida no conflito pelo Governo de António de Oliveira Salazar, não estava directamente envolvida na guerra, mas acabou por se tornar num território de acolhimento para milhares de refugiados chineses que tentavam escapar à ocupação japonesa de Xangai e Cantão. O êxodo levou a população local a triplicar, atingindo-se a fasquia de meio milhão de habitantes.

Mesmo enfrentando uma grave crise social, Macau não deixou de enviar dinheiro para as vítimas portuguesas do ciclone, como prova a investigação intitulada “Angariação de Fundos pelos Chineses de Macau para a Reconstrução do Ciclone de 1941 em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial: Perspectiva da Escolha Pública”, da autoria dos académicos Baoxin Chen, Xi Wang e Kan Chen, da Universidade Politécnica de Macau (UPM).

A elite chinesa de Macau da época, em conjunto com o Governador de Macau, Gabriel Maurício Teixeira, enviou um total de 31075,23 dólares de Hong Kong, o equivalente a 310752,3 dólares de Hong Kong tendo em conta o câmbio actual, após uma campanha de angariação de fundos. Entidades como a Associação de Beneficência Tung Sin Tong e Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu participaram nestas iniciativas.

Segundo os autores da investigação, a concessão de donativos por Macau “ilustra a vontade da elite chinesa e do Governo de Macau de procurar capital político e poder em resposta à crise [gerada pela] guerra”. Trata-se ainda de um “evento de caridade diplomática internacional pouco conhecido e que é relevante para as relações luso-chinesas”, lê-se no artigo.

“Apesar deste ter sido o momento mais difícil da Segunda Guerra Sino-Japonesa, a elite chinesa de Macau mobilizou forças sociais e angariou fundos para ajudar na reconstrução” após a passagem do ciclone, algo que foi “amplamente apoiado e mereceu a cooperação da população chinesa de Macau”.

Tratou-se de “uma actividade política civil” que mostra “o comportamento e o processo de escolha do público no fornecimento e distribuição de bens públicos e na elaboração de regulamentos adequados a fim de influenciar a escolha da população e maximizar a utilidade social”. Para os académicos, a campanha de recolha de donativos constitui um “extraordinário acontecimento histórico da diplomacia internacional das relações luso-chinesas em tempo de guerra” que “foi inadvertidamente esquecido”, consideram os autores.

Cartas guardadas

O estudo foi desenvolvido graças a uma bolsa atribuída pela própria instituição de ensino e só foi possível devido ao acesso que os investigadores tiveram às chamadas “Cartas de Crédito”, provas documentais em português e chinês dos donativos atribuídos, e que estavam à guarda de Luo Jing Xin, coleccionador ligado à Sociedade de Colecção de Nostalgia de Macau.

Segundo o artigo científico sobre esta investigação, a primeira parte das “Cartas de Crédito” está em chinês e conta com 52 páginas, enquanto a segunda parte contém 36 páginas em português. Os autores fizeram ainda uma pesquisa intensiva entre jornais chineses da época, que relataram este episódio e publicitaram a campanha de recolha de fundos. Uma cópia destas “Cartas de Crédito” está hoje à guarda do Centro de Estudos Culturais Sino-Ocidentais da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UPM.

Os investigadores descrevem que os representantes da elite chinesa dirigiram-se ao Governador assim que souberam da tempestade, apresentando “condolências às vítimas a fim de mostrarem simpatia em nome do povo chinês”, tendo dito que “os chineses de Macau estavam dispostos a ajudar as pessoas que tinham ficado sem casa devido ao ciclone, para que pudessem sentir o calor e a preocupação por parte da sociedade chinesa do outro lado do mundo”.

Foi ainda referido por estes representantes da comunidade chinesa que “a angariação de fundos iria beneficiar os compatriotas portugueses em sofrimento”, além de proporcionar “às autoridades de Macau uma oportunidade para demostrar a sua lealdade e capacidade de governação do Governo português”.

Dois meses de recolha

Foi então criada uma comissão de angariação de fundos depois da aprovação do Governador Gabriel Teixeira, e publicado no jornal Va Kio, dia 27 de Março de 1941, um artigo onde se descreviam “os enormes prejuízos causados pelo ciclone em Portugal e a situação de vida das pessoas”. Lia-se, na peça, o seguinte: “O ciclone varreu todo o território de Portugal. Por onde se passava havia telhas, árvores e casas destruídas até à ruína, tendo depois seguido [o ciclone] directamente para a vizinha Espanha”.

Apelava-se ao ressurgimento do “Grande Espírito Tradicional Chinês, ‘仁義 (Ren Yi)”, relativo aos sentimentos de benevolência e rectidão. No artigo apelava-se ainda à ajuda da população, para que a comissão pudesse “reunir os donativos suficientes para prestar ajuda e apoio necessários aos que sofrem”.

A 22 de Março de 1941 o comité reuniu pela primeira vez para discutir o formato da recolha de donativos. O encontro foi presidido pelo presidente da Associação Comercial de Macau, Ko Ho Ning, com representantes das associações do Hospital Kiang Wu e da Tung Sin Tong. Foi então criado o “Comité de Ajuda dos Chineses para a Catástrofe do Ciclone Português”, presidido por Ko Ho Ning.

A 25 de Março organiza-se uma segunda reunião na Associação Comercial, onde se chegou a um “consenso sobre a estrutura organizacional, o funcionamento e as questões de implementação da angariação de fundos”. Nesta reunião, determinou-se que o Banco de Cantão, localizado na Rua Cinco de Outubro, e o Banco Tung Tak, na avenida Almeida Ribeiro, seriam as principais agências a guardar os donativos, recolhidos em Outubro e angariados entre 22 de Março e 23 de Maio. Neste processo “os chineses de Macau demonstraram um enorme fervor filantrópico”, destacam os académicos.

Para angariar dinheiro, organizaram-se bazares de beneficência, competições desportivas ou espectáculos de teatro de ópera cantonense, nomeadamente por parte do Teatro Tai Ping, à época bastante conhecido tanto em Macau como em Hong Kong.

O estudo revela que a comunidade chinesa de Macau, “de todos os estratos sociais” foi “a principal fonte de donativos”, contribuindo com 14.156,94 dólares de Hong Kong [câmbio da época], o que constituiu cerca de metade do dinheiro recolhido. Além das associações já referidas, participaram nesta recolha de fundos “celebridades e comerciantes conhecidos que se refugiaram em Macau durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, bem como o Governador de Macau e funcionários do Governo”. São destacados no estudo donativos de Zhou Yong Neng, que chefiava a delegação do Kuomitang em Macau, ou Sir Robert Ho Tung.

Esta campanha de recolha de fundos não tinha apenas objectivos de apoio social, mas também uma forte mensagem política, “não se tratando de uma mera actividade de auxílio e de caridade, mas de um acto deliberado com requisitos políticos específicos”, com diversas implicações.

“Naquela época eram inseparáveis as relações sociais entre Portugal e Macau e havia o objectivo comum de proteger Macau”, apesar das diferenças socioculturais entre portugueses e chineses e o grande distanciamento geográfico.

A elite chinesa acreditava que “China e Portugal tinham um destino comum ligado ao desenvolvimento histórico” e, numa altura em que Macau e a comunidade chinesa enfrentavam os dissabores da guerra, “os dois lados não eram apenas parceiros a enfrentar uma crise, mas também uma força vital na protecção de uma pátria comum – Macau”.

Os investigadores acreditam que esta ideia “permitiu que o evento de angariação de fundos corresse bem e reunisse mais contributos sociais”, apesar de constituir “um desafio”.

Segundo uma reportagem do jornal Público de 12 de Fevereiro do ano passado, que cita o meteorologista Paulo Pinto, “nunca houve tamanha destruição” em Portugal como a tempestade registada nesse ano de 1941. Não se sabe ao certo quantas vítimas o ciclone deixou, mas terão sido mais de uma centena de mortos e centenas de feridos.

Adélia Nunes, geógrafa portuguesa e autora de um dos poucos estudos sobre o incidente, relatou ao jornal que “foi uma situação catastrófica para o país”, tendo o ciclone atingido também Espanha. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Universidade Politécnica de Macau venceu concurso mundial de tradução chinês-português

Uma equipa da Universidade Politécnica de Macau (UPM) venceu a 7ª edição do concurso mundial de tradução Chinês-Português, que atraiu estudantes de mais de 40 instituições de ensino superior, anunciou a instituição.


Uma equipa da Universidade de São José, de Macau, e outra do Instituto Politécnico de Leiria ficaram em segundo lugar, indicou ainda a UPM. Na terceira posição ficaram equipas da Universidade Católica Portuguesa, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Dalian, no nordeste da China, e da Universidade de Nankai, de Tianjin, perto da capital chinesa.

O concurso atribuiu ainda um prémio especial, para instituições lusófonas, que foi para equipas da Universidade de São Paulo, no Brasil, e da Universidade do Minho.

A UPM sublinhou que a competição atraiu mais de 100 equipas de mais de 40 instituições de ensino superior da China, de Macau e dos países de língua portuguesa, “tendo a resposta sido esmagadora”

Os prémios do concurso vão de duas mil patacas a um máximo de 40 mil patacas. Cada equipa tinha de traduzir pelo menos 1500 frases.

O concurso estava aberto a estudantes de licenciatura na China, em Macau, em Hong Kong, ou de instituições de ensino superior que sejam membros da “Language Big Data Alliance” (LBDA) e de outros países ou regiões com tradução de chinês e português, língua chinesa e portuguesa ou áreas afins, bem como a estudantes dos Institutos Confúcio de todo o mundo.

O objectivo da competição de tradução Chinês-Português é “promover o intercâmbio cultural e a compreensão mútua entre a China e os países de língua portuguesa”, sublinhou a UPM.

O concurso, que se realiza desde 2017, “já atraiu cerca de 900 equipas e milhares de estudantes e professores de universidades da Ásia, África, Europa e América do Sul”, disse, em Junho, a vice-reitora da UPM, Lei Ngan Lin.

Na altura, o presidente do concurso, Gaspar Zhang Yunfeng, disse que o evento ajuda a “promover o intercâmbio entre estudantes de instituições de ensino superior de todo o mundo em termos de técnicas de tradução entre as línguas chinesa e portuguesa e formar talentos de tradução em ambas as línguas”. E também “promover a aplicação dos últimos resultados do ensino e da investigação em tradução em Macau, na China continental e nos países de língua portuguesa no âmbito da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”, acrescentou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Portugal - Universidade Politécnica de Macau e Universidade Católica reforçam área de “big health”

A área da “big health” está no centro de mais um protocolo assinado entre uma instituição de ensino superior local e outra de Portugal, desta feita a Universidade Politécnica e a Universidade Católica. O acordo vai permitir reforçar a cooperação tecnológica e científica, bem como os programas de intercâmbio de professores e estudantes


A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade Católica Portuguesa assinaram um protocolo em Portugal, representadas pela vice-reitora da instituição da RAEM, Lei Ngan Lin, e pelo vice-reitor da universidade portuguesa, Peter Hanenberg. O acordo visa “aprofundar a cooperação estreita entre as duas partes no domínio das ciências da saúde e em vários outros domínios, contribuindo assim para a promoção da cooperação entre os dois territórios no ensino superior”.

Na cerimónia de assinatura, Lei Ngan Lin explicou que o protocolo pretende reforçar o desenvolvimento de talentos para a indústria de “big health” de Macau e, através do lançamento conjunto de “projectos de investigação inovadores”, proporcionar aos docentes, investigadores e estudantes “um leque mais vasto de oportunidades de aprendizagem e investigação”. Desta forma, poder-se-á promover a investigação científica na área de big health e também o desenvolvimento da indústria educativa.

Peter Hanenberg, por sua vez, frisou que, “mediante o reforço da cooperação com a UPM em várias áreas, incluindo big health e ciência e tecnologia, a Católica irá promover ainda mais o desenvolvimento científico e a investigação inovadora, dando os seus contributos na promoção da cooperação entre Portugal e Macau no ensino superior”.

No âmbito do protocolo de cooperação, a UPM e a Católica reforçarão a cooperação tecnológica e científica, bem como os programas de intercâmbio de professores e estudantes. “Através do estabelecimento de uma cooperação académica a longo prazo, serão realizados conjuntamente projectos de investigação inovadores para promover o intercâmbio e a partilha de conhecimentos. Além disso, esta cooperação proporcionará mais oportunidades de aprendizagem e investigação para estudantes e professores, contribuindo de forma positiva para o desenvolvimento da investigação científica e da educação na China e em Portugal”, considera a UPM em comunicado. In “Jornal Tribuna de Macau“ - Macau


quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Macau - Resultado de investigação científica da Universidade Politécnica de Macau publicado em revista internacional

Uma equipa de investigação, liderada por Yuan Xiaochen, professora adjunta da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Politécnica de Macau (UPM), publicou na revista académica de renome internacional “Expert Systems with Applications” um artigo académico sobre os resultados de pesquisa da tecnologia de marca de água múltipla, intitulado “Marca de água múltipla paralela usando correlação adaptativa entre blocos” (Parallel Multiple Watermarking Using Adaptive Inter-Block Correlation).


De acordo com a instituição, a revista “Expert Systems with Applications” é uma revista académica internacional de topo em áreas como a Ciência de Computação e a Inteligência Artificial, sendo uma publicação que se encontra no 5.º lugar entre as revistas da área da Inteligência Artificial, no Ranking do Índice-H5 do Google Scholar e reconhecida como revista de nível A pela Associação Chinesa de Inteligência Artificial.

A UPM salientou que, “com o desenvolvimento da Internet e dos dispositivos electrónicos, as imagens digitais tornaram-se mais acessíveis ao público, ao mesmo tempo que surgiram mais casos de uso não autorizado de imagens de terceiros para fins comerciais”, pelo que a protecção dos direitos de autor das imagens digitais está a ganhar cada vez mais importância, com objectivo de criar um ambiente de rede saudável e seguro.

“A marca de água digital é um método confiável de reconhecimento de direitos autorais que incorpora informações dos direitos de autor em imagens digitais, criando desta forma marcas de água digitais. Algumas tecnologias especiais podem ser usadas para extrair informações das marcas de água inseridas na imagem para reconhecimento dos direitos de autor, se necessário”, explicou.

Neste caso, a equipa incorpora a tecnologia de “Parallel Multiple Watermarking” e mais tecnologias como do algoritmo de complexidade das linhas, para que as marcas possuam melhor impercetibilidade e robustez. O grupo de investigação analisou teoricamente a racionalidade da incorporação paralela de várias marcas de água de forma ortogonal e validou a eficiência da incorporação paralela por meio de experiências que simularam vários ataques. “Os resultados mostram que o desempenho da solução tecnológica de marca de água múltipla proposta por este estudo é satisfatório, contribuindo assim para a construção de um ambiente de rede saudável e seguro, e também para o desenvolvimento de Macau como uma cidade inteligente com condições de vida ideais”, realçou. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 28 de outubro de 2023

Macau - Licenciatura de português na Universidade Politécnica de Macau sem novas turmas por falta de alunos

A Universidade Politécnica de Macau não abriu novas turmas na Licenciatura em Português por ter havido “menos procura” neste ano lectivo 2023/2024, soube o Jornal Tribuna de Macau. Para já, não há instruções sobre se o curso voltará a abrir no próximo ano. A instituição de ensino superior ressalva, em resposta a este jornal, que não há falta de alunos à procura de cursos leccionados na língua de Camões, considerando que a menor procura pelo curso “reflecte a importância crescente de formações diferenciadas, que não são apenas aprendizagem da língua, mas que têm a língua portuguesa no centro”. Este jornal sabe também que houve uma quebra acentuada no número de alunos no Mestrado em Tradução e Interpretação Chinês-Português e no Doutoramento em Português. Note-se que nos últimos dois anos uma dezena de professores nativos de português deixaram a universidade


A Licenciatura em Português na Universidade Politécnica de Macau (UPM) teve menos procura neste ano lectivo de 2023/2024, pelo que não foram admitidos novos alunos, e, consequentemente, não abriram novas turmas, segundo apurou o Jornal Tribuna de Macau. Apesar disso, a instituição de ensino superior aponta, em resposta a este jornal, que não há falta de alunos à procura de cursos leccionados na língua de Camões.

“A UPM não tem falta de estudantes que procuram formações em Língua Portuguesa. Há oito cursos – a nível de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento – que têm o Português como língua veicular ou meio de instrução, com um total de 800 estudantes, um número estável nos anos recentes”, começou por referir o Gabinete de Relações Públicas da UPM, em resposta a questões enviadas ao director da Faculdade de Línguas e Tradução, Zhang Yunfeng.

Admitindo que o curso de Licenciatura em Português “teve menos procura” este ano, a instituição de ensino superior acredita que “isso reflecte a importância crescente de formações diferenciadas, que não são apenas aprendizagem da língua, mas que têm a língua portuguesa no centro”.

Segundo sabe este jornal, até ao momento ainda não houve nenhuma instrução sobre se a licenciatura abrirá no próximo ano lectivo. Uma vez que o mesmo já aconteceu com outros cursos no passado, acredita-se que é possível que não volte a abrir.

Há cerca de um mês que este jornal enviou uma série de questões ao director da Faculdade, Zhang Yunfeng, nomeadamente a pedir que confirmasse que não abriram novas turmas e a perguntar se o curso vai fechar de forma permanente, mas a resposta a estas perguntas nunca chegou. Também foram feitos diversos telefonemas para o seu gabinete, que não surtiram efeito. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Macau - Abriram as inscrições para o 7.º Concurso Mundial de Tradução de Chinês-Português

Estão abertas as inscrições para o Concurso Mundial de Tradução Chinês-Português, “o maior evento de tradução de chinês-português a nível mundial e com o maior número de participantes”, que se encontra agora na sua 7.ª edição, indicou a Universidade Politécnica de Macau (UPM) em comunicado. A instituição partilhou que o concurso tem sido realizado com sucesso desde 2017, atraindo a inscrição de mais de 900 equipas provenientes de cerca de 100 instituições de ensino superior de todo o mundo. “O seu impacto significativo consolidou o estatuto deste concurso como um marco importante no mundo da tradução chinês-português”, constatou ainda o mesmo comunicado.


Estudantes e respectivos professores orientadores da área da tradução chinês-português são convidados a candidatar-se até ao dia 25 de Agosto na competição, que este ano vai ter um primeiro lugar para uma equipa, um segundo lugar para duas equipas, um terceiro lugar para três equipas, e ainda dez prémios de mérito. Com vista a promover a cooperação e o desenvolvimento entre a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e os países de língua portuguesa, o concurso este ano possui ainda dois prémios especiais destinados às equipas das instituições de ensino superior da Grande Baía e outros dois para as equipas das instituições dos países de língua portuguesa.

Acolhe-se a participação de alunos das instituições de ensino superior de Macau, do interior da China, dos países de língua portuguesa, das instituições de ensino superior membros da LBDA, bem como dos Institutos Confúcio e das instituições de ensino superior de outros países e regiões do mundo que possuam cursos de tradução e interpretação em línguas chinesa e portuguesa, cursos de línguas (chinesa e/ou portuguesa) e outros cursos relacionados, esclareceu ainda o mesmo comunicado.

O concurso é organizado pela UPM e pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e conta com o apoio do Gabinete da Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, da representação da estação Ásia-Pacífico do China Media Group (CMG), da Language Big Data Alliance (LBDA), e do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 18 de abril de 2023

Macau - Workshop “Novos Horizontes Sino-Lusófonos” arranca na Universidade Politécnica de Macau

Começam amanhã na Universidade Politécnica de Macau (UPM) uma série de workshops intitulados “Novos Horizontes Sino-Lusófonos”. Marcado para as 18h30, o primeiro capítulo terá como destaque Cabo Verde e realizar-se-á de forma virtual.


A sessão “Cabo Verde, um País Arquipelágico: Desafios e perspectivas para o ordenamento e a gestão do território” será dirigida por Judite Medina do Nascimento, ex-reitora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), que tem dedicado a sua investigação e actividade docente às áreas científicas: ordenamento do território, ordenamento e gestão urbanos, governança urbana, geografia urbana e crescimento e desenvolvimento urbano.

A intervenção da académica irá incidir sobre o contexto territorial de Cabo Verde, país que enfrenta desafios importantes para o seu desenvolvimento sustentável. A UPM traça um perfil do país, indicando que é composto por “10 ilhas, nove das quais habitadas, onde as assimetrias são uma realidade, seja do ponto de vista da distribuição da população pelas ilhas, seja pelas suas características sócio económicas”.

A apresentação de Judite Medina do Nascimento inicia-se por uma caracterização geral das ilhas, ressaltando o potencial endógeno da cada uma. De seguida, será feito o enquadramento da estrutura e funcionamento do sistema nacional de ordenamento do território. Por último, a reflexão apresentará as perspectivas do desenvolvimento de Cabo Verde no quadro da integração regional e de relacionamento com a China.

A UPM indica que estão convidados professores e estudantes das instituições do ensino superior, peritos, académicos e outros interessados nas relações China-Países de Língua Portuguesa.

Abraço lusófono

A organização do evento descreve-o como uma oportunidade para “analisar e promover novas oportunidades motivadas pelas Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, e uma forma de “apoiar o papel de Macau enquanto Plataforma de Serviços entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

O ciclo de conferências é organizado pelo Centro Internacional Português de Formação em Interpretação de Conferência (CIPF) da Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Academia Sino-Lusófona da Universidade de Coimbra (ASL-UC), e conta com a participação de convidados de diferentes geografias e percursos académicos e profissionais. João Luz – Macau in “Hoje Macau”