O cantor e compositor Afonso Cabral, um dos nomes mais falados da música portuguesa actual, inicia já esta semana uma tour asiática que o fará passar por Macau no próximo dia 3 de Julho. Acompanhado pelo guitarrista Pedro Branco, o músico apresenta-se na Casa Garden, num concerto integrado nas celebrações do Mês de Portugal em Macau. A passagem pelo território, patrocinada pela Casa de Portugal, Fundação Oriente e pelo restaurante Lvsitanvs, antecede concertos em Zhuhai e Hong Kong, depois de passar por Shenzhen
A música portuguesa contemporânea
ganha novos horizontes com a digressão asiática de Afonso Cabral. Reconhecido
como um dos mais relevantes compositores e intérpretes lisboetas, tem sido
influente no cenário da música da capital durante a última década, e apresenta-se
agora no dia 3 de julho, pelas 20h00, na Casa Garden, em Macau. O concerto, de
carácter intimista, cruza canções do seu mais recente álbum, “Demorar”, com
temas de alusão ao seu percurso artístico, e conta com a companhia do
guitarrista Pedro Branco, grande instrumentista português da actualidade.
A passagem por Macau insere-se numa digressão mais ampla
que arranca no dia 2 de Julho em Shenzhen, na Old Heaven Books, e prossegue a 4
de Julho para Zhuhai, onde vão tocar na Antique 3000, e a 5 de Julho passam
para Hong Kong, no espaço da Chez Trente. A presença em Macau é especialmente
significativa por se integrar no programa oficial das celebrações do Mês de
Portugal e com a Grande Baía a servir de ponto de partida para o resto da Ásia.
Poucas semanas após a edição do novo single “Dança Comigo
na Ilusão”, Afonso Cabral inicia esta viagem que o levará também ao Japão, com
concertos agendados para Osaka, Kyoto, Nagoya e Tóquio entre 8 e 11 de Julho. A
tournée acontece graças ao apoio do Programa Ibermúsicas, através da linha de
“Apoio à circulação de profissionais da música”, na convocatória de 2025.
Afonso Cabral, nascido em Lisboa em 1986, tem sido uma
presença recorrente na cena musical portuguesa. O seu percurso inclui projectos
como os You Can’t Win, Charlie Brown, as bandas de Bruno Pernadas, Minta &
The Brook Trout ou Mais Alto!. Como escritor ainda realizou trabalhos como
“Perto”, interpretada por Cristina Branco, e “Anda Estragar-me os Planos”,
escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018 e
reinterpretada mais tarde por Salvador Sobral.
O percurso discográfico de Afonso Cabral conheceu ainda
um novo capítulo no final de 2024, com a edição de “Demorar”, sucessor de
“Morada”, lançado cinco anos antes. O álbum, construído em torno da sua voz,
conta com a colaboração de dois nomes de peso, o músico japonês Shugo Tokumaru
e Manuela Azevedo, vocalista dos Clã. O trabalho granjeou reconhecimento da
crítica especializada, tendo sido distinguido com o terceiro lugar nas listas
de melhores do ano da Blitz e da Radar. Uma das particularidades do disco é a
presença marcante de influências nipónicas, visíveis tanto na faixa “Paraíso”,
uma evocação a Haruomi Hosono, e noutro dueto gravado à distância entre Lisboa
e Tóquio.
A afinidade de Cabral com o Japão não é um fenómeno
recente. Antes da actual digressão, o músico já se tinha apresentado no país em
diferentes contextos, nomeadamente ao lado de Bruno Pernadas, no Festival de
Frue, e no WWW X, em Shibuya, em 2018, e novamente em 2022, no Fruezinho. Em
2023, regressou a Tóquio para um concerto a solo, no Kong Tong, com Minta &
The Brook Trout.
Quem o acompanha agora na estrada é Pedro Branco,
guitarrista cujo percurso transita entre o jazz e a pop independente. Membro
dos You Can’t Win, Charlie Brown e fundador do projecto Old Mountain, Branco
tem colaborado com uma vasta gama de artistas, de Tiago Bettencourt a Mazgani,
passando por Lavoisier e Tipo. Em 2022, estreou-se a solo com “A Narrativa
Épica do Quotidiano”. Actualmente, prepara um projecto que cruza jazz com o
repertório de Marco Paulo, “Branco toca Marco Paulo”, enquanto lecciona no mestrado
de Musicoterapia na Jazz Performance pelo Conservatorium van Amsterdam.
A digressão asiática de Afonso Cabral e Pedro Branco é
promovida pela Louva-a-Deus, um espaço de música no coração de Lisboa que
nasceu do desejo de criar um ponto de encontro para a comunidade musical após o
encerramento do estúdio 15-A e da editora Pataca Discos devido à pressão do
mercado imobiliário. O projecto, segundo a página oficial do estúdio, começou
com a ambição de recuperar o mítico estúdio Xangrilá, em Campolide, mas o
negócio não se concretizou. Mas agora encontram-se numa antiga igreja baptista,
construída na cave de um edifício de habitação perto do Jardim Zoológico. É
desta base que agora parte a música portuguesa contemporânea para a Ásia.
A entrada para o concerto na Casa Garden é gratuita, sem
necessidade de reserva. A organização recomenda chegada antecipada devido à
lotação do espaço. Elói Carvalho – Macau in “Ponto
Final”
Sem comentários:
Enviar um comentário