Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 27 de junho de 2026

Instituto Internacional da Língua Portuguesa - Acolhe apresentação do livro infantil "A Coragem de Maria"

A Associação Projecto Escola de Vida lança o livro infantil "A Coragem de Maria" escrito por jovens autores do Clube de Leitura. A cerimónia de lançamento do livro aconteceu esta sexta-feira, 26, no salão do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), na Cidade da Praia


Numa nota enviada, a coordenação do Projeto Escola de Vida realça que A Coragem de Maria é uma história inspiradora que valoriza a coragem, a fé, a perseverança e os bons valores, promovendo o gosto pela leitura e incentivando a criatividade das crianças e adolescentes.

A mesma fonte relata que a obra representa o resultado de um trabalho contínuo de incentivo à leitura, à escrita e ao desenvolvimento das competências literárias dos participantes do Clube de Leitura do Projecto Escola de Vida.

O lançamento contou com momentos culturais protagonizados pelos alunos, apresentação da obra, sessão de autógrafos e partilha sobre o processo de criação do livro.

“Este momento marca mais uma importante conquista do Projecto Escola de Vida, que há vários anos trabalha para promover educação, cultura, leitura e desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social”, cita.

Segundo a mesma fonte, a concretização deste projecto contou com o apoio do IILP, através do Fundo de Apoio a Pequenos Projetos, “reforçando o compromisso da instituição com a promoção da língua portuguesa, da leitura e da produção literária junto das comunidades”. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Angola - Escritores abordam problemática da literatura infantil na IV edição do Conexões Letras e Artes

A IV edição do programa Conexões Letras e Artes vai contar com as participações dos escritores Kardo Bestilo, Domingas Monte e Lucas Cassule, que se vão debruçar sobre os vários aspectos em torno da literatura infantil em Angola e os seus desafios face à realidade global


Os escritores Kardo Bestilo, Domingas Monte e Lucas Cassule estarão esta tarde, a partir das 16 horas, a participar de uma mesa-redonda sob o tema “Literatura infantil em Angola: preservar a memória e inspirar o futuro”, com o objectivo de olhar para a realidade angolana e também global, no Memorial António Agostinho Neto, enquadrada no festival multicultural da IV edição do programa Conexão Letras e Artes.

O encontro pretende reunir diversos especialistas e entendedores na matéria, desde investigadores, críticos literários, escritores, estudantes, psicólogos, sociólogos, professores e todos interessados dos diferentes ramos da ciência.

Juntos, eles poderão analisar os pontos positivos e negativos da literatura voltada para os mais pequenos, bem como os avanços, retrocessos e metas a seguir para o crescimento e desenvolvimento desta área.

Entretanto, a programação desta edição do Conexão Letras e Artes, que decorre até ao dia 27, além do debate, trará outras performances em diferentes disciplinas artísticas, desde momentos culturais, exposição de materiais de artesanato, sessão de apresentação de livros, entre eles Eu e os meus três óbitos, do escritor, Beni Dya Mbaxi, e No submundo da minha’alma, da autoria de Sebastião Gonga, palco livre e uma série de actividades paralelas à mesma festividade. Maria Custódia – Angola in “O País”


quarta-feira, 3 de junho de 2026

Angola - Domingas Monte e Lucas Cassule lançam obra conjunta de contos dedicada a crianças e adolescentes

A literatura infantil angolana ganha, no Sábado, 06, mais uma contribuição com o lançamento da obra literária O Pavão Vermelho, a Avestruz e a Lagoa Mágica, um projecto que reúne dois contos infantis dos escritores angolanos Domingas Monte e Lucas Cassule, cujo acto de lançamento decorrerá na sede da União dos Escritores Angolanos


Os dois contos, com cerca de 30 páginas, procuram dar a conhecer às crianças elementos ligados à realidade nacional, desde a fauna, as cores do país, às tradições, aos alimentos e às lendas que integram o património cultural angolano.

“A obra destina-se sobretudo a crianças, mas poderá igualmente despertar o interesse dos adolescentes, uma vez que aborda temas universais e apresenta elementos ligados à identidade cultural angolana”, destacou Lucas Cassule, um dos autores.

Embora a publicação reúna os dois escritores num único volume, cada conto foi concebido de forma autónoma. Lucas esclareceu que cada autor escolheu livremente o tema, a estrutura narrativa e os elementos que pretendia desenvolver, tendo a partilha dos textos ocorrido apenas após a conclusão dos manuscritos. Relativamente ao seu conto, o escritor explicou que se trata de um texto criado especificamente para integrar o projecto.

O processo de escrita foi relativamente rápido, concluído em poucas horas. “As duas histórias apresentam narrativas distintas, mas convergem na mesma preocupação pedagógica. A intenção é proporcionar momentos de diversão sem descurar a componente educativa”, salientou. Musseque Segunda – Angola in “O País”


sábado, 18 de abril de 2026

Moçambique - Arone Bila prepara livro e baralho de cartas sobre jogos tradicionais moçambicanos

Num contexto em que os jogos electrónicos dominam cada vez mais o interesse das crianças, o educador e animador cultural moçambicano Arone Bila, fundador da Tsakane Kids Entertainment, está a apostar na valorização da cultura nacional com a preparação do livro intitulado Jogos e Festa Infantil em Moçambique, acompanhado de um baralho de cartas inspirado em jogos tradicionais.


Desenvolvido em parceria com a ilustradora Sandra Pidzura, o projecto surge como uma resposta à escassez de materiais educativos voltados para brincadeiras tradicionais. Em conversa com a Moz Entretenimento, Arone Bila explicou que a ideia nasceu ainda em 2008/2009, quando trabalhava numa escola internacional e sentiu a necessidade de encontrar referências para dinamizar actividades infantis baseadas em jogos tradicionais, algo que, na altura, praticamente não existia em formato de livro.

Ao longo dos anos, o projecto foi ganhando forma, impulsionado por experiências como workshops realizados durante o período da pandemia da COVID-19, incluindo colaborações com interessados no Brasil, onde partilhou conhecimentos sobre jogos tradicionais moçambicanos.

O livro reúne conteúdos voltados para a recreação, educação e valorização cultural, podendo ser utilizado tanto em ambientes familiares como em escolas, especialmente em aulas de educação física e actividades extracurriculares. Para o autor, trata-se também de uma ferramenta importante para reforçar a socialização entre crianças, adultos e famílias.

Já o baralho de cartas apresenta uma abordagem diferenciada em relação aos modelos convencionais, incorporando elementos de jogos tradicionais, com o objectivo de tornar as brincadeiras mais interactivas e culturalmente relevantes.

Quanto ao processo de edição, Arone Bila explica que tem decorrido de forma relativamente tranquila, graças à colaboração com a ilustradora. No entanto, os principais desafios prendem-se com a falta de financiamento para produção em larga escala, uma vez que os custos de reprodução continuam a ser elevados.

Neste momento, o autor está à procura de parceiros estratégicos que possam apoiar o lançamento do projecto. A expectativa é que o livro e o baralho sejam apresentados durante a Semana Africana ou, no mais tardar, até ao dia 16 de Julho.

Mais do que uma obra educativa, Jogos e Festa Infantil em Moçambique afirma-se como uma iniciativa de resgate cultural, procurando devolver às novas gerações o contacto com brincadeiras que marcaram a infância de muitos moçambicanos. In “Moz Entretenimento” – Moçambique

Meios para entrar em contacto com Arone Bila:

+258 842570955

tsakanekids@gmail.com


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Angola - Escritoras defendem valorização da literatura infantil diante de crise crescente

Já foi o tempo em que o livro e a literatura infantil, numa data simbólica como a de hoje, 2 de Abril, faziam o deleite das crianças nas escolas, nos centros infantis, no ambiente familiar, nas avenidas e nos parques de diversão do país, onde cada uma procurava mostrar ao público as suas habilidades nos recitais, na leitura e na interpretação, nos contos, nos concursos de redacção e nas brincadeiras


Para trás, ficaram apenas lembranças de um princípio criativo e pedagógico que muito contribuiu para o amplo sucesso de muitas crianças da época no domínio da leitura e no desenvolvimento do seu género por parte de autores, de promotores, de familiares, de encarregados de educação e de núcleos de desenvolvimento de leitura pública.

Hoje, lamentavelmente, estas acções pedagógicas e de entretenimento deixaram de fazer parte do roteiro dos petizes e do cronograma institucional do Estado, sendo relegado para o segundo plano, situação que tem interferido negativamente na sua capacidade de desenvolvimento cognitivo.

Curiosamente, pouco ou nada tem sido feito por parte das instituições de direito para replicar as iniciativas que anteriormente despertavam os piôs, para que o livro se tornasse um amigo inseparável no seu seio, assim como da família. Mas, apesar de tudo, algumas iniciativas do fórum privado (pessoal, colectiva) vêm registando um pouco pelo país adentro, com parcos recursos, apenas para agradar os miúdos, enquanto as instituições de direito fazem-se passar despercebidos em relação ao assunto. Augusto Nunes – Angola in “O País”




quarta-feira, 18 de março de 2026

Para germinar a vontade de ler e escrever

Escritor Lourenço Cazarré mergulha na criação poética voltada para a literatura infantil  

                                                                                 

                                                              I

Na língua portuguesa, a literatura infantil ou literatura para a infância remonta ao século XIX com experiências feitas por autores consagrados como Eça de Queirós (1845-1900), Antero de Quental (1842-1891) e Guerra Junqueiro (1850-1923), em Portugal, e Monteiro Lobato (1882-1948), Carlos Jansen (1829-1889) e Figueiredo Pimentel (1869-1914), no Brasil, que abrangem narrativas, poemas, rimas e textos dramáticos, que sempre cumpriram papel fundamental na transmissão de informações importantes desde os primeiros anos de vida.

Apesar do que se vê hoje em dia com crianças e jovens que passam quase todo o dia a olhar um aparelho celular ou telemóvel, a educação ainda é (e, provavelmente, sempre será) um processo que se constrói em salas de aula, a partir da capacidade pessoal do professor ou da professora de colocar em prática aquilo que pode ser resumido no pensamento do educador e filósofo brasileiro Paulo Freire (1921-1997), para quem educar sempre foi um ato de libertação, diálogo e consciência crítica.

É nesse contexto que se pode ler dois livros recentes do escritor Lourenço Cazarré – um deles escrito em parceria com o próprio filho – que, com certeza, muito devem contribuir para a aprendizagem da leitura e da escrita, fatores imprescindíveis para o desenvolvimento da linguagem e da descoberta do mundo pela criança e pelo adolescente, no qual o professor exerce um papel fundamental como mediador, germinando em todos a vontade de ler e escrever.

Um deles é A bruxa e o poeta (Campinas, Cedet/Textugo, 2023), de autoria de Juliano e Lourenço Cazarré, que traz ilustrações de José Luiz Gozzo Sobrinho e que, segundo o autor, começou com uma brincadeira. “Fui criando a bruxa maluca e quando mostrei o esboço ao meu filho, ele resolveu entrar na brincadeira”, conta. É uma história em versos em que uma bruxa vai se encontrar com o poeta, tradutor e jornalista gaúcho Mário Quintana (1906-1994), que foi um dos expoentes da segunda geração do Modernismo brasileiro. “É que eu e Juliano somos quintanistas fanáticos”, justifica.

Nascida em Alegrete, a velha bruxa Picucha, que odiava água e chuveiro, “decide partir para a cidade grande e provar que ainda consegue matar todos de susto... até encontrar o poeta”, como se lê na contracapa da obra. Em Porto Alegre, a bruxa passou apertada, foi viver debaixo de uma ponte, “onde passou por um susto ao ver, de gente, um monte”. Escrito em versos de pé quebrado, com rimas ocasionais, o poema atrai o leitor ingênuo desde a primeira linha, como se comprova nestas linhas: “Picucha ficou com pena / daquela sofrida gente / então num passe de mágica / fez surgir lá um banquete. / A turma se empanturrou, / cantou e se divertiu, / Picucha virou a bruxa / mais amada do Brasil”.

Ao final, pode-se saber o que foi o fim da bruxa Picucha, no firmamento: “Picunha virou estrela, / linda, pura e sem jaça, /  nas noites de muita lua / cintila em toda vidraça. / Ela até trocou de nome / para Estrela Aldebarã, / primeira a brilhar de noite / pra morrer só de manhã.

Como se vê, trata-se de uma história que pode atrair e encantar também o leitor de mais idade.

 

                                                     II


Cordel do Negrinho do Pastoreio foi criado com base numa lenda reaproveitada pelo escritor igualmente sul-rio-grandense João Simões Lopes Neto (1865-1916), principal autor da corrente literária regionalista do Brasil, que procurou valorizar as tradições do Sul. A história se passa em meados do século XIX, quando as estâncias do Rio Grande do Sul ainda não eram demarcadas e muitos trabalhadores eram escravizados. E o Negrinho do Pastoreio, ao perder uma corrida a cavalo, é supliciado até a morte por um patrão violento e cruel.

Segundo Cazarré, a origem desse seu largo poema deu-se em 2014, quando Kledir Ramil, da dupla de cantores Kleiton e Kledir, convidou-o a escrever uma letra de música sobre Pelotas, cidade natal dos três. Em seguida, ambos criaram a letra da música “Mistérios do bule monstro e brincando na Praça dos Enforcados” (2019), que pode ser localizada na Google. “Foi, então, que Kledir me apresentou a redondilha maior, que eu não conhecia. Comecei, então, a caminhar pela poesia, levado por ele, autor de lindíssimas letras”, recorda. “Depois, durante a pandemia de covid-19 (2020-2023), isolado em casa, resolvi passar para a linguagem de cordel essa bela lenda de João Simões Lopes Neto”, diz.

Para se ter uma ideia da linguagem usada neste poema, seguem estes trechos: “Na casa havia um Negrinho / Que servia o chimarrão / Era gentil o Negrinho / E tinha um bom coração / Ai que lindo era o Negrinho! / Mais escuro que carvão (...)”.

Mais adiante, depois que o personagem cai em desgraça com o seu patrão, lê-se: “(...) Os açoites foram muitos / Porém não se ouvia um pio / Negrinho sofreu calado / Mas quando por fim caiu / O Pampa foi sacudido / Por tremendo arrepio / Negrinho caiu deitado / Em cima de um formigueiro / “Sou homem de muita sorte” / Pensou logo o fazendeiro / “Não preciso usar enxada / Vai ser comido inteiro”. 

Três dias depois, o Negrinho reapareceu inteiro. Assustou o fazendeiro e virou lenda no Pampa, como se lê nestes versos: “Diz o povo que até hoje / Sempre risonho e sarado / O Negrinho corta os campos / Os arroios e os banhados / Sobe até o alto dos cerros / Corre para todo o lado (...)”.

Como se constata aqui, a exemplo do abc nordestino, o poema foi elaborado a partir de uma história pouco verídica, mas que estaria enraizada nos corações e nas mentes das gentes, com uma versificação que facilitou a sua organização. Enfim, como diz o professor Massaud Moisés (1928-2018), em A criação literária. Poesia (São Paulo, Cultrix, 2003, pág. 156), “a literatura de cordel pertence antes ao universo da prosa de ficção que da poesia, à semelhança dos contos em versos, como Canterbury Tales (século XIV), de Chaucer (?-1400), Contos e Novelas (1665), de La Fontaine (1621-1695), e Contos em Versos (1909), de Artur Azevedo (1855-1908)”.

 

                                                     III   



Nascido em Pelotas, Lourenço Cazarré (1953) é descendente de portugueses de Cinfães que emigraram para o Brasil ao final do século XIX. Fez o curso ginasial em Pelotas e formou-se radiotécnico “com a nota mínima”, ao mesmo tempo em que devorava impiedosamente todos os livros da seção infantil da Biblioteca Pública da cidade. Em 1975, graduou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas.

Depois de breve período como operador de telex, trabalhou um ano como repórter na sucursal de Pelotas dos jornais Correio do Povo, Folha da Manhã e Folha da Tarde, que pertenciam à empresa Caldas Júnior, de Porto Alegre. Em junho de 1976, transferiu-se para Florianópolis, onde permaneceu por seis meses como repórter da sucursal local do grupo Caldas Júnior, antes de se transferir para a redação do jornal O Estado.

Como escritor passou a ser reconhecido depois que ganhou a 1ª Bienal Nestlé, em 1982, com o romance O calidoscópio e a ampulheta (1983), em que conta as desventuras de um ditador livremente inspirado em Getúlio Vargas (1882-1954). Em 1977, transferiu-se para o Distrito Federal, onde passou a trabalhar como redator do Jornal de Brasília.

Por essa época, já escrevia contos que publicava em jornais e revistas. Em 1979, começou a escrever Agosto, Sexta-Feira, Treze, seu primeiro romance, publicado em 1981. Depois de um retorno ao Rio Grande do Sul, estabelecendo-se na praia de Laranjal, na costa Oeste da Lagoa dos Patos, onde viveu dos parcos recursos acumulados com os empregos e os prêmios literários conquistados, voltou a Brasília. Dessa época, são os contos da primeira edição de Enfeitiçados todos nós (São Paulo, Melhoramentos, 1984).

Em 1983, em Brasília, passou a trabalhar em uma assessoria de imprensa na Câmara dos Deputados. Em seguida, tendo sido aprovado em concurso para professor de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, retornou para Pelotas, mantendo-se em trânsito entre o Rio Grande de Sul e Santa Catarina por alguns meses, até desistir da carreira e transferir-se definitivamente para Brasília. Em 1987, exerceu por alguns meses a função de chefe de editoração da Editora da Universidade de Brasília (UnB), até que, em 1988, aprovado por concurso público, assumiu o cargo de redator no Senado Federal, onde trabalhou até se aposentar. Atualmente, é colaborador do jornal Correio Braziliense. Hoje, vive em Brasília.

Autor profícuo, Cazarré publicou mais de 40 livros, desde romances e coletâneas de contos a novelas juvenis, entre os quais se destacam o romance A longa migração do temível tubarão (2008), as novelas Estava nascendo o dia em que conheceriam o mar (2011) e Os filhos do deserto combatem na solidão (2016), as coletâneas de contos A arte excêntrica dos goleiros (2004) e Exercícios espirituais para insônia e incerteza (2012) e as novelas juvenis Kandimba (2019) e Amor e guerra em Canudos (2021).

Em 2018, com Kzar, Alexander, o louco de Pelotas (Curitiba, Editora Paraná, 2018), venceu na categoria romance o Prêmio Paraná de Literatura, promovido pela Biblioteca Pública daquele Estado. É autor também de A fabulosa morte do professor de Português (Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 2026) e Um velho velhaco e seu neto bundão (Belo Horizonte, Editora Yellowfante, 2024), ambos classificados como literatura infantojuvenil.

Juliano Cazarré (1980), nascido em Pelotas, estudou artes cênicas na Universidade de Brasília (UnB). Atuou em peças de teatro, telenovelas e filmes. Publicou, em 2012, Pelas janelas, poemas, seu primeiro livro. Seu trabalho favorito como ator é inventar as vozes dos heróis e vilões quando conta histórias para os seus cinco filhos, com os quais vive em São Paulo. Esta foi a primeira vez que escreveu uma história com o pai.

José Luiz Gozzo Sobrinho, nascido em Jundiaí, a partir de 13 anos mudou-se com a família para Campinas, onde começou a trabalhar na indústria, mas sem deixar de lado o sonho infantil de se tornar ilustrador, o que se daria dez anos mais tarde. Depois de muitas caricaturas, mascotes e logotipos e de uma participação no 35º Salão de Humor de Piracicaba, teve a oportunidade de ilustrar A bruxa e o poeta.

Laerte Silvino, nascido em Recife, é ilustrador, designer gráfico, quadrinista e autor de livros infantis. Já ilustrou mais de 50 livros de literatura infantojuvenil, alguns deles escritos por ele mesmo, quase sempre com inspiração na cultura popular nordestina. Também pratica a xilogravura. Adelto Gonçalves - Brasil

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A bruxa e o poeta, de Juliano e Lourenço Cazarré, com ilustrações de José Luiz Gozzo Sobrinho. Campinas-SP, Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico (Cedet)/Textugo, 38 páginas, R$ 28,90, 2023. Cordel do Negrinho do Pastoreio, de Lourenço Cazarré, com ilustrações de Laerte Silvino. São Paulo, Edições Paulinas, 48 páginas, R$ 37,83, 2023. E-mails: livros@cedet.com.br; editora@paulinas.com.br

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp)/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-Latas da Madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado os Estados Unidos e na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Angola - 50 autores de literatura infantil recebem tributo pelo seu trabalho

O projecto “50 anos, 50 homenagens”, da biblioteca comunitária A.S Leitura ao Domicílio, encerrou o ano de 2025 com um percurso sólido, transformador e profundamente humano, afirmando-se como uma das iniciativas mais sensíveis de promoção literária e do pensamento crítico


O projecto da A.S Leitura ao Domicílio, levado a cabo num período marcado por desafios sociais, desigualdades de acesso ao livro e urgência de formação humana, homenageou 50 escritores de literatura infantil angolana, no âmbito dos 50 anos da Independência Nacional.

Entre os homenageados pela iniciativa, destacam-se escritores que escreveram maioritariamente para crianças e adolescentes, nomeadamente Cremilda de Lima, Maria Celestina Fernandes, Akiz Neto, Kudijimbe, Mário Moniz, Ondjaki, Elsa Bárber, Cavisita Lemos, Carla Severino, Domingas Monte, Marta Santos, Mira Clock, Boneca Africana, Alice Berenguel, Ombebwa e John Bela.

Em declarações ao Jornal de Angola, o coordenador do projecto “50 anos, 50 homenagens”, Aniceto da Silveira, afirmou que, ao longo do ano, a iniciativa se consolidou como uma acção cultural de impacto directo nas comunidades, levando a leitura além dos espaços convencionais, em bibliotecas, escolas e livrarias, assim como ao fazer do lar um território de encontro entre o livro, a palavra e a vida quotidiana.

De acordo com o responsável, o projecto apostou numa abordagem próxima, inclusiva e afectiva, reafirmando que a leitura não é um privilégio, mas um direito e uma ferramenta de emancipação.

Escuta e proximidade

A proposta do A.S Leitura ao Domicílio, segundo Aniceto da Silveira, está assente numa lógica simples, mas profundamente transformadora, que vai ao encontro das pessoas. “Ao invés de esperar que o leitor chegue ao livro, o projecto faz o caminho inverso, deslocando-se a residências, comunidades e contextos familiares diversos, criando momentos de leitura partilhada, diálogo e reflexão”.

Durante o ano, as sessões realizadas privilegiaram não apenas a leitura em voz alta, mas também a conversa, a escuta activa e a partilha de experiências, transformando cada encontro num espaço seguro de expressão e aprendizagem. “Crianças, jovens e adultos participaram activamente, reconhecendo-se nas histórias lidas e encontrando nelas espelhos das suas próprias vivências”, afirmou o responsável.

Impacto social e educativo

O coordenador do projecto sublinhou que a retrospectiva anual evidencia que a A.S Leitura ao Domicílio ultrapassou a dimensão simbólica e alcançou resultados concretos. Em muitos contextos, disse, o contacto regular com os livros despertou o interesse pela leitura em famílias onde ela não fazia parte da rotina, reforçando laços afectivos e estimulando o pensamento crítico desde a infância.

Para o interlocutor, o projecto contribuiu igualmente para o desenvolvimento de competências linguísticas, emocionais e cognitivas ao incentivar a interpretação de textos, a expressão oral e a capacidade de argumentação. “Mais do que formar leitores, a iniciativa ajudou a formar cidadãos atentos, sensíveis e conscientes do seu papel na sociedade”.

Literatura como instrumento de transformação

Ao longo de 2025, o projecto da A.S Leitura ao Domicílio apostou numa curadoria literária diversa, integrando obras da literatura infantil, juvenil e adulta, com destaque para autores nacionais e temáticas ligadas à identidade, valores humanos, cidadania, empatia e pertença cultural, de acordo com o seu coordenador.

“A literatura foi apresentada não apenas como entretenimento, mas como instrumento de transformação social e emocional”, disse Aniceto da Silveira, acrescentando que “cada leitura foi pensada como um gesto de cuidado e resistência cultural, sobretudo num contexto em que o acesso ao livro ainda enfrenta limitações estruturais. O projecto reafirmou, assim, a leitura como um acto político e humanizador, capaz de romper ciclos de silêncio, exclusão e desinformação”.

Desafios e aprendizagens

Para o coordenador do projecto, a retrospectiva anual não ignora os desafios enfrentados, como questões logísticas, limitações de recursos e a necessidade constante de sensibilização das comunidades que fizeram parte do percurso.

Esses obstáculos, realçou, tornaram-se em oportunidades de aprendizagem, reforçando a resiliência da equipa e a importância do trabalho colaborativo.

“O contacto directo com as famílias permitiu compreender melhor as realidades locais e adaptar as abordagens, tornando o projecto cada vez mais sensível às necessidades reais dos seus beneficiários”.

Um ano de sementes lançadas

Ao encerrar o ano, o projecto “50 anos, 50 homenagens” pode ser descrito, segundo o seu coordenador, como uma iniciativa que lançou sementes, algumas já germinadas, outras em processo de crescimento. “As histórias lidas ecoam para além dos encontros formais, prolongando-se no quotidiano das famílias, nas conversas, nas perguntas e no desejo de continuar a ler”.

Aniceto da Silveira concluiu que a iniciativa termina o ciclo anual com a convicção de que investir na leitura é investir no futuro, na dignidade humana e na construção de uma sociedade mais justa e consciente. “O balanço é positivo, não apenas pelos números ou sessões realizadas, mas sobretudo pelos vínculos criados, pelas mentes despertas e pelos horizontes ampliados”.

Este ano, revelou, a A.S Leitura ao Domicílio afirma-se como um manifesto silencioso, pois quando o livro entra em casa, a transformação começa por dentro. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Moçambique - Mia Couto lança novo livro infantil “As Sementes do Céu”

O escritor moçambicano Mia Couto regressa à literatura infantil com o lançamento da obra As Sementes do Céu, que será apresentada ao público neste sábado, 13 de dezembro, às 10 horas, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.


O conto, ilustrado por Susa Monteiro, aborda a relação entre o ser humano e a natureza, destacando o valor da infância, da memória e do diálogo entre gerações. A narrativa acompanha um avô e o seu neto, que lamentam o avanço do desmatamento e refletem sobre a responsabilidade de preservar a vida que brota da terra. A história sublinha a importância de cultivar esperança e de construir um futuro sustentável.

O livro traz passagens emblemáticas, como: «Um dia, o avô espreitou pela janela e contemplou as montanhas. Deu um passo atrás, com as mãos no peito, como se lhe faltasse o ar. Apontou para o topo dos montes, lá onde vivia uma imensa floresta. Agora, restava apenas areia e pedra. Tinham cortado as árvores todas.»

O lançamento contará com uma leitura encenada pelos actores Fernando Macamo e Nélia Gilberto, seguida de uma intervenção do autor e sessão de autógrafos. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 7 de outubro de 2025

Cabo Verde - Literatura Infantil: “Stória pa Mininus” lança 18 novos audiolivros

Cidade da Praia - O projecto “Stória pa Mininus”, reconhecido pelo seu contributo na promoção da leitura em kriolu entre as crianças de Cabo Verde e da diáspora, acaba de lançar 18 audiolivros.


De acordo com um comunicado enviado à Inforpress, a nova iniciativa pretende tornar as histórias ainda mais acessíveis e envolventes, ampliando o alcance da literatura infantil cabo-verdiana.

Segundo a mesma fonte, a produção dos audiolivros foi fruto de um esforço colectivo. Através de um apelo lançado nas redes sociais, dez mulheres voluntárias ofereceram as suas vozes às histórias, movidas apenas pela paixão e pelo compromisso com a causa.

Entre elas estão Analina Rocha, Kleirine Carvalho, Deyna Carvalho, Albertina Sila, Stefany de Pina, Ângela Gonçalves, Yolanda Tavares, Paula Fortes, Kiara Batalha e Alice Moreira.

A gravação e edição ficaram a cargo de Paula Tavares, da Rádio e Tecnologias Educativas (RTE), que contribuiu com o seu profissionalismo para dar vida às narrativas.

Como a fundadora do projecto, Karolina Abramowicz, reside na Polónia, a coordenação da iniciativa “Audiolivrus pa Mininus” em Cabo Verde foi assumida pela jovem Kiara Batalha, com a colaboração essencial de Alice Moreira.

Este novo passo reforça o compromisso do projecto com a valorização da língua materna das crianças cabo-verdianas, agora também através do som.

Todos os 18 audiolivros estão disponíveis gratuitamente aqui. In “Inforpress” – Cabo Verde


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Angola - Antologia infantil apela aos direitos das crianças

A antologia infantil “A flor que desabrocha”, adaptada numa das frases da escritora Ombembwa, que apela aos direitos fundamentais das crianças, vai ser apresentada, amanhã, 17, às 11h00, na Escola Primária Explicação e Ensaio, em Luanda, numa iniciativa da AMMA Editora e do escritor Onjila Yolondunge Ferreira



A antologia, composta por contos e poemas, foi escrita por 20 escritores menores de 17 anos, com destaque para Ombembwa, Poeta Zinho, Haniel, Mirian Bela, Poeta Mahini, Li Panguila, Line Manuel, Kayla Pungi, Ana Benga, Biltánia, que estuda na Namíbia, e Andrea Teta, que vive em França.

A colectânea centra-se na reivindicação dos direitos das crianças, desde a vida, habitação, alimentação, família, entre outros plasmados na Declaração Universal e nos 11 Compromissos sobre a Criança.

O projecto surge da necessidade de alertar os pais e encarregados de educação, os quais têm o dever primário de educar e ensinar a sociedade civil, a quem é dado toda a responsabilidade de acompanhar o futuro e ao Governo que tem a responsabilidade de criar políticas de protecção e apoio à criança.

A antologia, a ser apresentada pelo escritor John Bella, conta com o prefácio de Yola Castro, ambos pertencentes à mesa de leitura do referido projecto, e da jornalista Madalena Santiago, mestre de cerimónia. A actividade vai contar, também, com um momento cultural com poesia. Maria Hengo – Angola in “Jornal de Angola”


segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Brasil - "Passarinho escarlate" livro infantil de Francisco Paiva de Carvalho consciencializa os jovens

Dirigido a um público-alvo dos 8 aos 12 anos a Editora Viseu lançou o livro infantil Passarinho escarlate de Francisco Paiva de Carvalho, uma proposta para consciencializar os jovens para a grande importância da liberdade nas nossas vidas.


Sinopse

Após um longo tempo de espera, o pequeno Túlio, finalmente, ganha de seu pai o presente que tanto sonhara: um passeio ao sítio do Tio Artur, quando, pela primeira vez, ficaria alguns dias sozinho, longe de sua família. Com a ajuda da bondosa tia Regina, do primo Alfredo, do priminho Leonardo e do cachorrinho Rabicó, ele consegue se divertir como nunca, viver grandes aventuras e, ainda, descobrir, de uma maneira bastante inusitada, a real dimensão do valor da liberdade. Tulinho nunca imaginara que, em apenas uma semana, fosse possível vivenciar tamanhas emoções e, além de tudo, conquistar um aprendizado tão valioso que, com certeza, carregaria consigo por toda a vida.

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Francisco Paiva de Carvalho - Nasceu em 1955, é mineiro de Pará de Minas (MG), bacharel em Direito, casado e pai de dois filhos. Prêmios: Prefeitura de Pará de Minas, Movimento Pitanguiense de Ação Cultural, 3º lugar pela Universidade de Itaúna, entre outros; além de diversas menções honrosas. Obras: Lua Crescente (coautoria com o ilustrador Fernando Reis) – Editora Novaterra, 2010; Meu Irmão, Meu Amigo (ebook) – Selo Off Flip Editora, 2016; e A Estranha Casa do Jabuti Cascudinho – Editora Letramento, 2018


domingo, 7 de julho de 2024

França - Luso-francês Tiago Martins lança nova obra inspirada na terra dos avós

Chama-se “Vive les Vacances!” (“Viva as Férias!”, em tradução livre) e é o mais recente livro do luso-francês Tiago Martins, um jovem com raízes na aldeia da Barrenta que, depois de vencer em 2023 um “Óscar” da literatura gastronómica com “A História de Portugal no meu Prato”, decidiu agora escrever uma obra infantil com ilustrações inspiradas na nossa região


Folheando o exemplar, são vários os elementos comummente associados a Porto de Mós (concelho que visita regularmente e onde promove diversas iniciativas de âmbito sociocultural) que saltam à vista, entre os quais o castelo da região e a Igreja e as concertinas da aldeia de Barrenta.

O grande objetivo do autor era que o lançamento se fizesse a tempo das férias de verão, e foi mesmo isso que aconteceu. “Viva as Férias!” ficou disponível no passado dia 24 de junho e “tem sido muito bem recebido pelo público”, conta ao Bom Dia.

Este livro ilustrado bilingue foi “especialmente concebido para ajudar as crianças a aprender português de maneira divertida”, é ilustrado por Romane Mendes e o primeiro da série literária “O Livro Ilustrado dos pequenos lusófonos”.

A obra editada pela Cadamoste Éditions “contém mais de 120 palavras ilustradas com cores vivas, uma abordagem bilingue para favorecer uma imersão natural na língua portuguesa, um jogo e recomendações de visitas ou cantigas para reforçar a aprendizagem e a retenção, e ainda uma impressão, edição e grafismo de alta qualidade, adequados aos jovens leitores”, refere ainda o autor. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




sexta-feira, 28 de junho de 2024

Angola - Domingas Monte lança “A Gruta de Marfim”

A união, solidariedade e amizade é o foco principal do novo livro infantil de Domingas Monte intitulado “A Gruta de Marfim”, cujo lançamento, aconteceu na quarta-feira, em Luanda, no antigo Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED), agora Faculdade da Humanidades


O livro tem 49 páginas e chega ao mercado com a chancela da Mayamba Editora, com uma tiragem de mil exemplares, assim como vai estar nas bancas da livraria da Mayamba disponível para os amantes da literatura infantil que não estiveram no acto de lançamento oficial.

"A Gruta de Marfim” teve a revisão de Luísa Fresta, ilustrada pelo cartoonista Vitorino Kiala e editado por Arlindo Isabel. A capa foi produzida por Carlos Roque e traduzida em inglês por Joaquim Caundo.

De acordo com a autora, a história do livro se desenvolve no Rio Loge, onde o Crocodilo e o Hipopótamo, os protagonistas da narrativa disputam as águas do rio para saber quem é o rei do rio, testemunhado por outros animais da floresta que não conseguem acudir à discussão.

Domingas Monte revelou que a grande lição que passa à sociedade com o seu mais recente trabalho literário, explica, com o diálogo, união, solidariedade e amizade, "quando decidimos nos unir, conseguimos realizar grandes feitos em prol de uma sociedade, bem como construir uma nação saudável”, disse.

Deu ainda a conhecer que depois de muito desentendimento entre os dois gigantes do mundo animal, conta, decidiram encontrar uma solução para que haja paz na floresta. Segundo a autora, o caminho certo foi a união e concórdia entre os dois com a finalidade de reinar a paz no Rio Loge, onde encontraram a direcção para a Gruta de Marfim, lugar de harmonia e tranquilidade.


Para José Luís Mendonça, a quem coube a responsabilidade de apresentar o livro, a obra traz a questão da solução dos conflitos para a salvaguarda  da vida humana.

Acrescentou ainda que as pessoas pensam que o conflito é uma coisa de demónio que "vai nos levar ao fim do mundo”.

O conflito, explica, a proposta da autora do livro, é para ser resolvido na gruta de marfim, nas profundezas do Rio Loge, numa harmonia social, que é outra luta. Como resolver, conforme diz o livro, salienta, é o diálogo "para acabarmos com aquilo, na sociedade temos um grupo de crocodilos e de hipopótamos”.

José Luís Mendonça é de opinião que as crianças devem ser incentivadas a ler desde  tenra idade, acrescenta, quem estuda muito, mais busca conhecimento sozinho. Para o apresentador, toda a educação deveria ter uma metodologia de incutir, o auto-didactismo à criança.

Domingas Monte, é licenciada em Línguas e Literaturas Africanas pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto e mestre em Estudos Literários Culturais e Interartes pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

É directora-geral do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC), do Ministério da Cultura e docente da Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto. Publicou vários livros, a destacar, "O Gelado de Múkua da Mamita” (2014), "O Sapo Azul”, "A Canção Kongo e Ovimbundu - Tradições e Identidades, ensaio (2019), " A Idade da Memória” (2023). Mário Cohen – Angola in “Jornal de Angola”




terça-feira, 18 de junho de 2024

Angola - Livro de contos “A Deusa do Rio” vence I edição do Prémio Yola Castro

“A Deusa do Rio” é o título do livro infantil de contos da autoria de Joselina Pepeca, 18 anos, a vencedora da I edição do Prémio Yola Castro, uma iniciativa da Biblioteca Contra’Ignorância, no Distrito Urbano do Rangel, Bairro Marçal


A vencedora disse ao Jornal de Angola que está muito feliz, não pelo dinheiro, mas pela sua capacidade criativa e imaginária, desejando crescer muito mais para o mundo da literatura.

Visivelmente satisfeita, Joselina Pepeca revelou que o concurso a incentivou e impulsionou muito para continuar a escrever, ou seja, apostar na carreira literária, com a finalidade de trazer ao mercado mais contos, que sejam grandes ferramentas de leitura e do saber.

Joselina Pepeca deu a conhecer que escrever contos nunca foi a sua paixão inicial, por gostar de escrever poesia, onde as palavras têm mais beleza num mundo em que a fantasia e a realidade dão outra vida à literatura.

A menção honrosa foi para o livro "A Aventura do Pequeno Viajante”, de Abel Cahassa, de 24 anos. Disse que o que o motivou a participar foi o de contribuir para o desenvolvimento da literatura no país, que ainda tem um gritante défice de escritores que escrevam para crianças.

Apesar de participar com o intuito de vencer e ver o livro ser publicado, disse que foi uma grande honra ver o seu trabalho distinguido com a menção honrosa. Agora, afirma, vai apostar em escrever mais para crianças, porque antes escrevia mais assuntos relacionados com a política, por ser formado em Relações Internacionais.

De acordo com o coordenador da Biblioteca Contra’Ignorância, Adilson Gonçalves, a vencedora do concurso infantil de literatura vai receber da organização uma quantia de duzentos mil kwanzas, assim como a publicação do livro.

Outro grande privilégio que a autora vai ter depois da publicação do produto de leitura é que o livro será lido e apreciado pelo clube de leitores infantis da Biblioteca Contra’Ignorância, denominado "O Berço”.

Segundo o coordenador, o livro vai ter mais de 10 páginas, com ilustração, cujo cartoonista não avançou o nome, mas garantiu que vai chegar ao mercado com a chancela do Centro Educacional Yola Castro.

Para Adilson Gonçalves, o grande objectivo do prémio é homenagear a escritora Yola Castro, acrescentando ter aproveitado também a distinção à escritora para presentear os jovens que escrevem e não têm oportunidade de ver os seus livros publicados.

Outro objectivo do concurso, revela, é o de incentivar a escrita criativa, estimular as crianças a terem hábitos de leitura, assim como descobrir novos autores nas comunidades e promovê-los no mercado literário. Mário Cohen – Angola in “Jornal de Angola”


segunda-feira, 10 de junho de 2024

Angola – Escritor moçambicano Ernesto Moamba apresenta o livro infantil "Abecedário que se fingiu de mudo"

Escreve romance, poesia e literatura infantil e esteve recentemente em Luanda para apresentar o seu mais recente livro às crianças angolanas. O autor de "Abecedário que se fingiu de mudo" tem mais cinco livros na calha


O "Abecedário que se fingiu de mudo" é o título do livro que traz para as crianças angolanas. Que conteúdos sugere o livro e, por quê esse título?

Acreditamos que é um título sugestivo para as crianças. Na verdade, tenho feito assim em todos os meus livros, faço o exercício de trazer livros impactantes. Primeiro pelo título e depois pelo conteúdo, sendo o mais essencial. O "Abecedário que se fingiu de mudo" é um livro infantil que traz várias questões que nós temos presenciado no nosso dia-a-dia. Porque percebo que ultimamente tendemos a distanciar-nos um dos outros. Nós já não temos aquele amor ao próximo. Há muita falta de empatia, muita desigualdade social. E são questões que me inquietam e, por isso, resolvi trazer isso em forma de livro infantil, como forma de educar as crianças, de lhes mostrar que eles se devem pautar por um caminho mais justo.

Trouxe para Luanda quantos livros?

Tinha pouquíssimos livros, porque tivemos um atraso técnico por parte da editora. Infelizmente não pude fazer a distribuição que gostaria. Tivemos muitos leitores no dia do lançamento. Foi um evento maravilhoso. Mas espero oportunamente poder trazer alguns livros para comercializar.

Porque escolheu Angola para trazer o seu livro?

Moçambique e Angola são países irmãos, porque têm uma relação de irmandade. Ambos se interligam por causa da cultura, da história. Penso que os dois países vivem momentos iguais, fazendo assim uma comparação mais profunda. E resolvi trazer o livro, primeiro, porque também fazia parte dos meus objectivos conhecer Luanda e Angola, assim como conhecer o povo, as suas falas, a sua língua. Também trouxe esta obra para mostrar aquilo que escrevo, para mostrar aquilo que é a minha temática, para incentivar as crianças angolanas a terem o hábito da leitura e do gosto pelo livro.

Acha que as crianças angolanas conseguem rever-se nesta obra?

Tento fazer o máximo possível em todos os meus livros. Primeiro, trazendo uma linguagem mais simples, conteúdos que envolvam quase todos os países de África. Na minha temática, tento falar sobre questões diárias do povo africano em geral, não somente de Moçambique. E essa questão, esse conceito faz com que os meus livros sejam mais abrangentes.


O facto de os livros esgotarem e terem mais pessoas interessadas em comprar significa alguma coisa para si?

Alguma tristeza por não poder corresponder às expectativas das pessoas. Digo com muita tristeza porque as pessoas estavam lá com muita vontade de ter o livro. Infelizmente, alguns tiveram o livro, outros não tiveram. Por outro lado, mostra que as crianças começam a ter interesse em ler. Penso que há uma preocupação dos pais em querer mostrar o lado bom da escrita ou do livro, que é algo muito carente. Por exemplo, em Moçambique são poucos os escritores que escrevem para as crianças e esse é um dos objectivos que me levou também a imergir na literatura infantil.

Não há valorização do livro infantil?

Ainda não há muita valorização da literatura infantil, no verdadeiro sentido, como gostaria. Então é mais um motivo para escrever, para mostrar que os livros também podem educar, os livros também podem fazer a criança ter um vocabulário diferente.

Acha que em Angola também há poucos escritores para as crianças?

Bem, nas conversas que tive durante a minha estadia aqui percebi que ambos os países passam pelas mesmas dificuldades. Penso que há poucos escritores que apostam na literatura infantil. Não dão muito valor, ainda inferiorizam este lado infantil. Mas esquecem-se de que "é de pequenino que se torce o pepino", como temos aprendido.

Tem a ver com os preços dos livros?

Eu, particularmente, vendo os meus livros mesmo a um preço promocional, agradável. Aqui em Angola vendi a 3000 Kz. Penso é um preço justo que cada um pode adquirir.

Em países onde as pessoas estão preocupadas em trabalhar para comprar pão, o livro não é prioridade.

Realmente, é algo que tenho tentado combater, porque além de escrever, também costumo fazer palestras nas escolas da minha cidade, Maputo. Trabalho com algumas escolas, principalmente as públicas, onde os pais têm dificuldades, eles não conseguem comprar livros. Tenho um clube de leitura, onde por cada fim-de-semana eu levo as crianças num parque, num jardim, para ler, para aprender a construir uma história. E isso é um trabalho muito importante, muito aplaudido em Maputo.

Disse que há poucos escritores para crianças. Como é que se incentiva a escrever para crianças?

Primeiro o escritor deve criar acções que possam estimular, e atrair as crianças, principalmente, a gostarem de ler. Digo que deveria ser obrigatório todo o escritor escrever um livro para crianças. Acho que se fizéssemos isso, ou partíssemos desse conceito, já teríamos muitos livros para crianças e já teríamos muitas com esse despertar de ler. Então, penso que os escritores devem escrever, devem fazer parcerias com as escolas, devem fazer parcerias com os ministérios que lidam com a educação, com a cultura, para a promoção desses livros. Telma Van-Dúnem – Angola in “Expansão”