Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 7 de abril de 2026

UCCLA - Apresentação do livro “O colono preto saiu do guarda-fato”

Vai acontecer no dia 21 de abril, às 18 horas, a apresentação do livro O colono preto saiu do guarda-fato da autoria de Sérgio Raimundo, no auditório da UCCLA.


Com a chancela da editora Oficina de Textos, a obra será apresentada por Catarina Simão.

Sinopse:

O colono preto saiu do guarda-fato é um pequeno livro de crónicas sobre Moçambique, uma espécie de celebração, em jeito literário, dos 50 anos de independência. O livro aborda diversas temáticas ligadas a Moçambique com o intuito de provocar e questionar o leitor, convidando-o a refletir sobre os últimos acontecimentos que tiveram lugar em Moçambique e os 50 anos de independência. As crónicas deste livro seguem, em parte, a linhagem de escrita defendida por Jorge Amado "a história não deve ser explicada, mas contada".

Biografia:

Sérgio Raimundo nasceu em 1992, no bairro de Chamanculo, Maputo, Moçambique. É licenciado em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique, mestrado em Ciências de Educação pela Universidade de Algarve, Portugal. Atualmente, frequenta o doutoramento em Ciências da Comunicação no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Portugal. É escritor, professor, jornalista e cronista, colaborando em diversos órgãos de comunicação em Moçambique e Portugal. Vive dividido entre Moçambique e Portugal.

Publicou as seguintes obras: Síntese e fragmentos da emoção, poesia (2012); Avental de um poeta doméstico, poesia (2016); A ilha dos mulatos, romance (2020); As ancas do camarada chefe e Peça desculpas, sua excelência, crónicas (2023).

Foi Prémio Nacional de Slam Poetry (2011) - Moçambique; vencedor do concurso literário Fim do Caminho (conto, 2016) - Moçambique; menção honrosa na novela e poesia no Prémio Literário 10 de Novembro (2017 e 2018) - Moçambique; Prémio Africano de Imprensa Escrita da Merck Foundation (2018) - Quénia; Prémio Literário INCM/Eugénio Lisboa (2019), Portugal - Moçambique. Fez parte da Powerlist: lista das 100 figuras negras mais influentes da lusofonia (2023). Teve o segundo lugar do Prémio Literário António Mendes Moreira 2024, Portugal.


sábado, 20 de dezembro de 2025

Moçambique - Ortega Teixeira lança obra literária no âmbito do jubileu dos 50 anos da Rádio Moçambique

As celebrações do jubileu dos 50 anos da Rádio Moçambique, primeira estação de radiodifusão do país, continuam a ser assinaladas por diversos eventos de carácter cultural e académico. Entre os momentos de maior destaque figura o lançamento da obra literária de Crónicas africanas do jornalista Ortega Teixeira.


O autor, amplamente conhecido pela sua trajectória na Rádio Moçambique, estreou-se oficialmente como escritor na sexta-feira, 12 de Dezembro, na cidade de Chimoio, província de Manica, durante uma cerimónia solene que contou com a presença de familiares, amigos, colegas de profissão, académicos, figuras políticas e convidados diversos.

Intitulada A África Deve Ser Estudada, a obra é prefaciada pela Governadora da província de Manica, Francisca Tomás, que sublinha, no texto introdutório, a importância da valorização do conhecimento tradicional africano, questionando: “Qual feiticeiro, qual curandeiro e qual profeta não ficaria satisfeito com a valorização de seus feitos numa obra escrita?”.

Com 194 páginas, o livro reúne histórias vividas e investigadas por Ortega Teixeira ao longo de sete anos, segundo dados avançados pela Rádio Moçambique. As crónicas abordam temas ligados aos mistérios, superstições, mitos e expressões culturais africanas, muitas das quais já são conhecidas do público através do espaço radiofónico “Crónicas”, transmitido todas as quartas-feiras, às 7h20, no Jornal da Manhã.

De acordo com o autor, a publicação de A África Deve Ser Estudada tem como principal objectivo estimular estudos contínuos e aprofundados sobre o continente africano, contribuindo para a valorização da sua identidade, saberes e património cultural.

Para além da sua actividade como jornalista, escritor e cronista, Ortega Teixeira exerce actualmente funções de assessor de imprensa da Governadora da província de Manica, Francisca Tomás. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Moçambique - Sérgio Raimundo lança “O Colono Preto Saiu do Guarda-Fato”

Sérgio Raimundo lança, hoje, o livro “O Colono Preto Saiu do Guarda-Fato”, no Centro Cultural Português, Camões, sob a chancela da Editora Oficina de Textos. A apresentação da obra será feita pela escritora Deusa d´África. 


“O Colono Preto Saiu do Guarda-Fato” é um livro de crónicas sobre Moçambique, uma espécie de celebração, em jeito literário, dos 50 anos de independência. A obra aborda diversas temáticas ligadas a Moçambique, com o intuito de provocar e questionar o leitor, convidando-o a reflectir sobre os últimos acontecimentos que tiveram lugar em Moçambique, e nos 50 anos de independência. As crónicas do livro seguem, em parte, a linhagem de escrita defendida por Jorge Amado – “a história não deve ser explicada, mas contada”.

Sobre o autor

Sérgio Raimundo nasceu em Maputo em 1992, no bairro de Chamanculo. É licenciado em Filosofia pela Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique, mestrado em Ciências de Educação pela Universidade do Algarve, Portugal.  Actualmente, frequenta o doutoramento em Ciências da Comunicação no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, Portugal. É escritor, professor, jornalista e cronista, colaborando em diversos órgãos de comunicação em Moçambique e Portugal. In “O País” - Moçambique  




terça-feira, 27 de maio de 2025

Angola - Antologia infanto-juvenil revela novos autores

Treze novos autores vão ser revelados, no próximo mês de Junho, na província de Luanda, com a publicação da antologia infanto-juvenil “Os livros são que nem o pomar”, pela Editora AMMA Angola, numa parceria com o escritor Onjila Yolondunge Ferreira



A antologia conta com poemas, contos e crónicas de 25 crianças e adolescentes, com idades entre os seis e os 16 anos, sendo que 13 autores vão ter pela primeira vez um texto publicado em obra literária.

Os temas são livres e abordam preocupações diversas voltadas às crianças, com a finalidade não só de descobrir novos escritores infantis,, mas também dar voz às suas preocupações e projecções futuristas.

O livro conta com a participação de nomes já conhecidos da literatura infantil, como Ombembwa, Poeta Zinho, Ana Benga, Luzy Ferreira, Poetisa Inês Safiti, Haniel Carneiro e Wende Bocado.

A antologia é exclusiva a autores que escrevem em Língua Portuguesa e futuramente vai fazer parte de uma colectânea, através de um edital público.

Em declarações ao Jornal de Angola, Onjila Yolondunge Ferreira, mentor do projecto disse que a iniciativa visa alertar a sociedade no geral, da necessidade de se dar maior atenção à criança. Roque Silva – Angola in “Jornal de Angola”


quarta-feira, 9 de abril de 2025

Moçambique - Jornalista Luís Nhachote apresenta o livro “Do Alto da Colina”

Será apresentado no próximo dia 17 de Abril, pelas 17h30, na sede da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), o mais recente livro do jornalista e cronista Luís Nhachote, intitulado “Do Alto da Colina, Todas as Crónicas 2003–2005”. A obra, editada pela Gala-Gala Edições, reúne cerca de uma centena de textos publicados originalmente na coluna homónima do semanário “SAVANA”, entre 2003 e Junho de 2005.



Com um total de 304 páginas, o livro resgata uma fase marcante do jornalismo moçambicano, através da visão crítica, irónica e profundamente engajada de Nhachote. Entre os temas abordados nas crónicas destacam-se o mediático julgamento do Caso BCM, o debate em torno da suposta “morte da literatura“, os meandros do tráfico de drogas e a influência crescente da religião nas dinâmicas sociais do país.

Luís Nhachote sublinha que não se vê como escritor, no sentido clássico da palavra. No entanto, considera fundamental a compilação destas crónicas enquanto acto de resgate da memória histórica das inquietações que marcaram uma geração. O autor salienta ainda que este projecto se insere na mesma linha de intenção que norteou o seu livro anterior, Phambeni: Cartas ao Presidente Chissano (2023).

Para o editor da Gala-Gala Edições, Pedro Pereira Lopes, a publicação representa “um testemunho exemplar da capacidade da crónica em transcender o carácter efémero do jornalismo e inscrever-se no tecido da memória colectiva”. Acrescenta ainda que “a prosa elegante e o olhar crítico de Nhachote transportam-nos para um período vital da história moçambicana, com dilemas que, dois decénios depois, continuam a ecoar”.

O lançamento contará com intervenções do escritor Marcelo Panguana e do jornalista Milton Machel, que partilharam reflexões sobre o impacto e a actualidade das crónicas reunidas na obra.

Do Alto da Colina insere-se na Colecção Hinyambaan da Gala-Gala Edições, dedicada à publicação de textos que promovem a reflexão crítica sobre a sociedade moçambicana.

Sobre o Autor

Luís Nhachote nasceu em Maputo, em 1974. É um jornalista de investigação premiado. Trabalhou nos semanários Savana (onde iniciou a sua carreira, em 2000), Canal de Moçambique (do qual foi um dos membros fundadores, em 2006), no Zambeze e @Verdade. Foi editor dos portais digitais Confidencial, 1mãomz e Moz24h.

Foi, ainda, consultor da Chatham House (Reino Unido), da Transparência Internacional, do Centro de Integridade Pública (CIP), do Speed Program (Moçambique) e do Global Iniciative Against Organized Crime. Colabora com alguns meios de comunicação internacionais como o Mail & Guardian, The Wall Street Journal, Forbes Africa Magazine e Al Jazeera.

Foi chefe correspondente, para Moçambique, do The Continent e Mail & Guardian. Foi Director executivo do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais (CEMO). Actualmente é coordenador-executivo do Centro de Jornalismo Investigativo (www.cjimoz.org) e Editor-in-Chief do portal digital Mozambique Insights. Publicou “Phambeni — Cartas ao Presidente Chissano” (2023). In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 3 de setembro de 2024

Brasil - João Rosa Santos apresenta nova obra literária em Brasília

O escritor e jornalista angolano, João Rosa Santos, lançou, na última sexta-feira, o mais recente livro intitulado "Perdidos e Achados - Crónicas ao Acaso", durante um evento, no Espaço Cultural da Embaixada de Angola no Brasil, em Brasília


A sessão contou com cidadãos angolanos e brasileiros amantes de literatura.

A obra, cujo prefácio foi escrito pelo jornalista, Luís Fernando, reúne 31 crónicas ao longo de 156 páginas e destaca experiências e ambientes que entrelaçam Angola e o Brasil.

Na ocasião, João Rosa Santos explicou que as crónicas retratam momentos prazerosos e acontecimentos do quotidiano, entre 2021 e 2023, dando aos leitores uma leitura leve e relaxante, refere uma nota de imprensa enviada ao JA Online.

Natural de Malanje, João Rosa Santos é licenciado em Ciências Sociais, mestre em Assessoria de Imagem e Consultoria Política, e actualmente exerce o cargo de adido de imprensa na Embaixada de Angola no Brasil. In “Jornal de Angola” - Angola


sábado, 20 de julho de 2024

Cabo Verde - Nova obra de Manuel Brito-Semedo invoca figuras das letras cabo-verdianas

O livro “Porto Memória”, de Manuel Brito-Semedo, foi apresentado esta sexta-feira. 25 crónicas que falam de escritores, sugerem livros e pistas de leitura

Dedicado ‘às gentes da Boca do Porto’, o livro sobre os livros abre com as palavras da poetisa brasileira Conceição Evaristo: “O mar vagueia onduloso sob os meus pensamentos/A memória bravia lança o leme: Recordar é preciso./ O movimento vaivém nas águas-lembranças/dos meus marejados olhos transborda-me a vida, salgando-me o rosto e o gosto”. E este início não é inocente.

“Eu faço sempre isso”, explica Brito-Semedo ao Expresso das Ilhas. “Por exemplo, na capa do meu livro 3 de crónicas, Esquina do Tempo, eu tenho uma fotografia de costas, contornado precisamente a esquina da antiga biblioteca municipal. Não é por acaso que é a esquina, não é por acaso que é aquela esquina. Quando venho para o Falucho, explico que dobrei a esquina e apareci do outro lado como cronista marinheiro. Nada é por acaso”.

Depois de navegar, é preciso ler. Com o Falucho – o livro anterior – ancorado na baía, o marinheiro-cronista desembarca então no Porto Memória, novo projecto desenvolvido e publicado originalmente no jornal Expresso das Ilhas, de Novembro de 2018 a Junho de 2022, quando foi feito o anúncio oficial que era preciso promover o livro e estimular e criar o gosto pela leitura, com dinamização de Bibliotecas Escolares, criação de uma Rede de Bibliotecas Municipais e elaboração de Planos Municipais de Leitura e Plano Nacional de Leitura.

“Está a surgir um plano nacional de leitura, mas não há uma política, pelo menos expressa, do livro, mais do que de leitura, do livro”, afirma Brito-Semedo. “E o Estado, quando vem retomar, começa tibiamente”.

“Precisamos muito mais do que isso”, continua o autor. “Todo o custo do livro é a produção, com as gráficas, com a importação das tintas, com o papel. Depois temos um problema de distribuição, porque não há um sistema. O livro que é publicado em São Vicente não chega à Praia e vice-versa”.

“E outra coisa, não existe um plano nacional em termos dos municípios, onde há verbas estrondosas, fabulosas, para os festivais, mas não há para as bibliotecas. O próprio município da Praia não tem uma biblioteca. A última vez que a Praia teve uma biblioteca municipal foi antes da independência. O que existe na Praia é uma biblioteca nacional que faz de biblioteca municipal”, sublinha Brito-Semedo.

Porto Memória tem um total de 25 crónicas, que vão desde os escritores seiscentistas, a B. Léza, passando por Orlanda Amarílis, Arnaldo França, Teixeira de Sousa, Luiz Loff de Vasconcellos, Baltasar Lopes, ou que abordam temas como os 75 anos da folha literária Certeza, a reedição d’ “Os Clássicos” pela Biblioteca Nacional, até à produção cultural na Praia Maria do Séc. XIX.

“Passei de um tema essencialmente de memórias de menino, a contar as histórias dos anos 60, e entro por outra via, uma forma de chamar e prender a atenção das coisas que são nossas, uma forma muito mais voltada para a cultura”, esclarece o autor. “É tratar assuntos sérios de uma forma leve, procurando ter uma linguagem também muito leve e acessível, para criar o gosto e manter esse gosto em termos de leitura e das coisas de Cabo Verde”.

“Precisamos ter boas leituras, bons livros, não apenas em termos de conhecimento da nossa realidade, da nossa história, mas em termos de domínio da língua. O domínio da língua portuguesa, que faz muita falta. Temos de criar isso, começar da literatura mais próxima, a nossa, e ir abrindo o horizonte. Os próprios professores não leem, ou muitos poucos leem. Se os professores não leem, como é que pode incentivar os alunos a lerem? Temos muita gente que sabe ler, mas não é leitor funcional, porque não consegue organizar as ideias”, conclui Brito-Semedo.

A apresentação do livro “Porto Memória” esteve a cargo da escritora Dina Salústio e foi apresentado no Auditório do Banco Interatlântico/Garantia. Jorge Montezinho – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


sábado, 13 de julho de 2024

Angola - Josanias Mário apresenta a “Melodia da Existência”

O livro de crónicas “Melodia da Existência” da autoria de Josanias Mário apresentado na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda

O livro está dividido em 12 capítulos e, segundo o autor, em cada um contém crónicas que abordam diversos aspectos do quotidiano angolano.

Josanias Mário explicou, por exemplo, que no primeiro capítulo, intitulado "Páginas de uma vida”, constam os textos "Balabina do Catambor” e "Novembro em Luanda”.

O primeiro capítulo, prosseguiu, narra a história de uma jovem que vive no bairro Catambor e que quase todas às sextas-feiras vai ao Zango para se divertir e desanuviar dos problemas da vida, enquanto no texto "Novembro em Luanda”, Josanias Mário conta a história de um jovem que residia no estrangeiro e quando decidiu regressar ao país encontra uma realidade completamente diferente da que lhe faziam chegar as más línguas, com muitos pontos turísticos e as coisas à volta da vida social a acontecerem. "Este capítulo apresenta narrativas que exploram memórias pessoais e momentos em que as pessoas se vão identificar, sobretudo por trazer à memória momentos da juventude, crescimento e aspectos da cultura angolana", disse. Josanias Mário contou que o livro foi escrito em 2020, durante a época da pandemia da Covid-19.  "Vivi um tempo no exterior e na época da pandemia tive de regressar ao país. Durante o confinamento decidi, então, escrever sobre o que sentia em relação aos conhecidos que deixei no exterior e as pessoas que encontrei ao regressar", sublinhou.

O livro "Melodia da Existência", de Josanias Erick Dias Mário, tem 134 páginas e narra sentimentos e momentos da vida dos angolanos, registados pelo autor. Alice André – Angola in “Jornal de Angola”


segunda-feira, 27 de maio de 2024

Raquel Naveira: crônicas que se avizinham da poesia

Em seu novo livro, a autora reúne textos que primam pela sensibilidade e pela emoção

                                                                                                            

                                                          I

Se para o professor Massaud Moisés (1928-2018) “a crônica oscila entre a reportagem e a literatura, entre o relato impessoal, frio e descolorido de um acontecimento trivial, e a recriação do cotidiano por  meio da fantasia”, como se lê em A criação literáriaprosa II (São Paulo, Editora Cultrix, 2015, p.105), o livro Manacá (Guaratinguetá-SP, Editora Penalux, 2021), de Raquel Naveira (1957), não só preenche todos esses requisitos como vai além. Reúne crônicas que se avizinham da poesia, reconstituindo passagens e experiências de uma vida multifacetada, sem perder o lirismo que é a qualidade inata de todo grande poeta. E que a colocam entre os melhores prosadores da literatura brasileira de hoje.

Pantaneira, a cronista mostra-se indelevelmente apegada à flora e a fauna, como o leitor pode intuir a partir do título da obra, Manacá, como deixa claro na crônica de abertura do livro. Trata-se de uma “planta do cerrado, de terra árida, de beleza primitiva”, que tem sido reverenciada por muitos poetas, como Fagundes Varela (1841-1875) e Mário de Andrade (1893-1945), e artistas, como as pintoras Tarsila do Amaral (1886-1973) e Anita Malfatti (1889-1964), e que ainda pode ser vista não só no Pantanal e em outras regiões do Centro-Oeste como na Serra do Mar, entre a cidade de São Paulo e o Litoral, apesar do avanço do agronegócio e suas mazelas.

A partir daí, a cronista imagina o que poderia ter sido uma reunião entre esses e outros poetas e artistas na casa do também poeta Guilherme de Almeida (1890-1969), acontecimento que poderia ter sido o embrião de um salão que haveria de ser o estopim da Semana de Arte Moderna de 1922.   

Dividida em seis seções – Vegetais, Criaturas, Reminiscências, Mistérios, Retratos e Desenlaces –, a obra traz crônicas bem trabalhadas que lembram os mais importantes autores desse gênero no Brasil, pois seu estilo fácil, ágil e poético atrai desde logo o leitor. O jeito escrever da cronista, nada rebuscado, com períodos curtos, sem solenidades, pode ser constatado neste excerto da crônica “Gigantes”:

“Dom Quixote, o célebre personagem de Cervantes (1547-1616), imaginou ver gigantes, mas eram moinhos. Os braços eram as pás que giravam o vento e moviam a mó. Às vezes, como o triste cavaleiro andante, concentro-me nos meus problemas, que são gigantescos. Tenho a impressão de que não suportarei mais, que serei espremida, moída e triturada. Em vão tento esconder com um sorriso as minhas dores. Uma pedra gigante esmaga meu peito. Aí me lembro que devo superar a aversão que me lançam e retribuir com perdão. Posso, afinal, matar gigantes e montar em dragões (...)”.

 

                                                II

Como observa o escritor Ronaldo Cagiano no prefácio que escreveu para este livro, “o quintal naveiriano é um caleidoscópio refletor de muitas andanças, entre as geográfico-territoriais e as afetivo-psicológicas, caminhos por onde o dreno da memória e o ducto da experiência didática, aliados de sua inquieta oficina, fazem e(s)coar páginas de sensibilidade, emoção e projeções estéticas”.

Diz mais o prefaciador: “Em Manacá, a autora dá continuidade a um processo de profunda imersão no que ela compartilha como seu (nosso) espaço de deambulação, na esteira de um sentimento drummondiano do mundo, pois como na voz do itabirano, a sua matéria também quer falar do “tempo presente, dos homens presentes, da vida presente”.

Em outras palavras: ao dominar a arte de escrever crônicas, Raquel Naveira não só mescla a tradição e a modernidade como também prepara o leitor para o futuro, ao avaliar os erros do passado e do presente, levando o leitor, que se torna seu íntimo amigo à medida que se deixa levar por suas deambulações, a refletir sobre suas experiências e aprendizado. Leia-se esta parte final da crônica “Porto geral” em que a autora reflete a partir da decadência do velho porto de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, que antes apresentava um movimento fervilhante, pois por ele passavam “a riqueza, o progresso, os migrantes, a cultura da Europa e do Rio de Janeiro”:

 “Aquele barco no cais do porto poderia ter me levado numa longa travessia. Tremo toda. Haveria prazer em me deixar conduzir pela correnteza, certa de que não naufragaria em meio aos camalotes de flores lilases. Que avançaria em direção à luz. Mas voltei ao silêncio de meu quarto escuro, nesta terra de fronteira”.

Por aqui se vê que os textos de Raquel Naveira, como reconhece a autora na primeira crônica citada, seguem fielmente as instruções ou observações dos autores dos clássicos manuais de literatura que fizeram parte de sua formação – Massaud Moisés, Alfredo Bosi (1936-2021) e o português Vítor Manuel de Aguiar e Silva (1939-2022). O leitor, portanto, só terá a ganhar ao conhecer os textos desta autora.


                                                         III

Raquel Naveira, nascida em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, é professora universitária, escritora, ensaísta, poeta e crítica literária. Formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco, na cidade de São Paulo, é mestre em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, também de São Paulo, e doutora em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy, da França. 

Deu aulas de Literaturas Brasileira, Latina e Portuguesa na Universidade Católica Dom Bosco. Residiu no Rio de Janeiro, onde deu aulas na Universidade Santa Úrsula, e em São Paulo, na Faculdade Anchieta. Deu também aulas de pós-graduação na Universidade Nove de Julho (Uninove) e na Universidade Anhembi-Morumbi, de São Paulo. Ministrou palestras e cursos em escolas e em várias instituições culturais como Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade, em São Paulo. Na Academia Paulista de Letras, participou do Ciclo de Memória da Literatura, discorrendo sobre o trabalho das romancistas Maria de Lourdes Teixeira (1907-1989) e Stella Carr (1932-2008).

É autora de mais de trinta livros de poesia, ensaios e romances, entre eles: Abadia, poemas (Editora Imago,1996), e Casa de tecla, poemas (Editora Escrituras, 1999), indicados ao Prêmio Jabuti de Poesia, pela Câmara Brasileira do Livro. Escreveu ainda o livro infanto-juvenil Pele de jambo e o de ensaios Fiandeira. Além de Manacá, publicou outro livro de crônicas, Leque aberto, pela Editora Penalux.

Publicou também os romanceiros Guerra entre irmãos, poemas inspirados na Guerra do Paraguai (1864-1870), e Caraguatá, poemas inspirados na Guerra do Contestado (1912-1916), conflito armado entre os Estados de Santa Catarina e Paraná, a partir de luta entre posseiros e pequenos proprietários pela posse de um território, livro que se transformou no filme de curta-metragem Cobrindo o céu de sombra, monólogo com a atriz Christiane Tricerri, sob a direção de Célio Grandes. Lançou o CD Fiandeiras do Pantanal, em que declama seus poemas, acompanhada pela voz e a craviola da cantora Tetê Espíndola.

Pertence à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, à Academia Cristã de Letras, de São Paulo-SP, à Academia de Letras do Brasil, de Brasília, à Academia de Ciências de Lisboa e ao PEN Clube do Brasil. Escreve para várias revistas e jornais como Correio do Estado-MS, Jornal de Letras-RJ, Linguagem Viva-SP, Jornal da ANE-DF, e O Trem-MG, entre outros. Adelto Gonçalves - Brasil

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Manacá, crônicas, de Raquel Naveira, com prefácio de Ronaldo Cagiano. Guaratinguetá-SP: Editora Penalux, R$ 42,00, 130 páginas, 2021. Site: www.editorapenalux.com.br E-mail da editora: penalux@editorapenalux.com.br 

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br



quarta-feira, 22 de maio de 2024

Moçambique - Hélio Nguane lança “Lagartos de Madeira e Zinco”

O jornalista e escritor Hélio Nguane lançou, esta terça-feira, a obra “Lagartos de Madeira e Zinco”. O livro reflecte o cotidiano moçambicano a partir de bairros da periferia da cidade de Maputo.


É o resultado de um processo de observação do cotidiano moçambicano a partir de Mafalala e outros bairros periféricos da capital do país.

Neste exercício, que o autor faz com paixão, Hélio Nguane propõe ao leitor 41 experiências em forma de crónicas.

O livro, considera o escritor, é um microfone que liberta várias vozes moçambicanas com o objectivo de provocar reflexões sobre a vida e a sociedade.

O lançamento da obra foi presenciado por várias pessoas, incluindo personalidades como o escritor Mia Couto. Regina Ernesto – Moçambique in “O País”